Traçado de Spa-Francorchamps
Spa-Francorchamps. Os carros deveriam competir sem freio aqui

A F1 enfim chegou à Bélgica. Depois de uma pausa de 28 dias sem corridas, que deixou pilotos, engenheiros, jornalistas e fãs em uma crise de abstinência sem precedentes, a categoria volta às pistas na tradicional pista de Spa-Francorchamps, a preferida de nove em cada dez pilotos.

Bem na verdade, a F1 é uma das últimas categorias a correr no circuito belga no ano. Como eu escrevi aqui diversas vezes sobre os demais campeonatos que lá passaram, o leitor já deve estar familiarizado a nomes como Eau Rouge, Les Combe e Bus Stop, além de menções às várias retas.

Pela primeira vez no ano, acredito que seja difícil prever qualquer coisa. Ainda mais levando em conta o resultado do ano passado, quando Giancarlo Fisichella foi o piloto dominante em um Force India, mas foi superado pelo igualmente surpreendente Kimi Raikkonen – que até então não feito nada de espetacular na temporada – a bordo da Ferrari com KERS.

Dessa vez não há KERS, mas os carros possuem ferramentas tão impressionantes quanto. O difusor duplo, o difusor escapamento e, é claro, o duto frontal serão fundamentais na veloz pista belga.

A McLaren levou a melhor até agora quando o duto frontal foi exigido. Só que a equipe britânica não está em boa fase. Hamilton e Button sofreram com um carro que não se adaptou às atualizações e esperam que a pausa de verão tenha ajudado o carro a se comportar melhor.

A briga na frente ainda conta com Ferrari e Red Bull, que dominaram os últimos GPs. Dessa vez a equipe de Maranello sai como favorita, mas os taurinos – principalmente Webber – já provaram em mais de uma oportunidade que não devem ser subestimados.

No grupo do meio, destaque para Rubens Barrichello, que completa 300 GPs na F1. Uma marca impressionante. O brasileiro espera que as novas asas da Williams possam levar o time novamente aos pontos. Além disso, a equipe parece ter resolvido os problemas de largada do carro.

Depois vem a Force India, que espera surpreender de novo, mas sem muitas esperanças de que isso possa acontecer e, para finalizar, Schumacher. Essa pode ser a última grande chance do alemão fazer algo na temporada. Lembrando que ele estreou na F1, em 1991, justamente na Bélgica e quase marcou pontos, andando em uma frágil Jordan.

No fim do grid, pouco podemos esperar de Lucas Di Grassi e Bruno Senna. Para falar a verdade, eles lutam para manter o emprego. Esteban Guerrieri foi ventilado na Virgin, enquanto o sobrinho de Ayrton já deixou de ser prioridade na equipe espanhola há muito tempo. Eles precisam de boas apresentações para, caso não permaneçam nos times, serem cotados em vagas em outros lugares.

A previsão é de chuva para a hora da corrida, mais uma vez. Eu acho que não vai chover, mas em se tratando de Spa-Francorchamps, nunca é bom duvidar. Só que eu faço uma pergunta: a previsão é de chuva para qual parte do circuito? Explico, com os 7.003m da pista, é bem normal a água cair em um trecho, enquanto os demais estão secos e com sol. Fazendo a decisão de trocar de pneus algo ainda mais fundamental.

Se chover dá Button, com pista seca vence Alonso. Webber e Hamilton completam o pódio em ambos os casos. Barrichello termina entre os cinco, com água, e entre os dez no seco. Agora, se chover muito mesmo, o melhor piloto de uma equipe novata vai terminar em 11º e veremos o dono da equipe se lamentando pela oportunidade de perder um ponto durante todos os dias até o GP da Itália. E, é claro, eu não acredito em nenhuma dessas minhas previsões.