O oval de Pocono
Três curvas diferentes e três retas com comprimento diferente, isto é Pocono

A Nascar chega neste domingo, dia 1º, para a segunda corrida anual no oval de Pocono. Certamente esta é uma das pistas mais estranhas da categoria, não é a toa que é chamada de “Tricky Triangle”, ou “o Triângulo Complicado”.

A pista recebeu esse apelido justamente pela configuração. São três curvas, totalmente diferentes uma da outras, ligadas por três retas tão diferentes entre si quanto. Vendo pela imagem, é um triângulo reto escaleno.

É algo tão único na Nascar, que ninguém até hoje sabe em qual categoria entra a pista de Pocono. Existem aqueles que defendem o fato de, por conta das 2,5 milhas de distância, ser um superspeedway, assim como Daytona, ou Talladega, embora o uso da placa restritora não seja necessário.

Como ela não se parece com as duas outras, essa caracterização pode não ser aplicada. Aí vem o nome mais bizarro: chamam o local de um roval, que nada mais é que a junção de Road Course (circuito misto) com oval. Como as três curvas são diferentes e lembram os hairpins das pistas tradicionais, há que diga que Pocono é um misto onde só se vira para um lado.

Outros dois adjetivos que o local já recebeu é “uma grande pista curta”, ou um “Long Pond”, que nada mais é que o nome da cidade onde o oval está localizado.

As características únicas da pista remetem à construção do local. Na década de 50, o americano Roger Ward, que já venceu a Indy500, foi convidado a fazer o desenho do local e ele, todo sagaz, resolveu pegar uma curva de cada uma das pistas mais tradicionais do Estados Unidos, onde correra e conectá-las com retas.

A curva 1 têm uma inclinação de 14° e foi tirada do oval de Trenton, em New Jersey. Essa pista era única pelo seu formato de “feijão”, e a USAC chegava a correr 3x por ano lá. Hoje, não há mais corridas por lá e, no local, foi construído um prédio para os artistas locais.

A curva 2, o ângulo reto, é tradicional. Foi tirada de Indianápolis, que, obviamente, existe até hoje. Para constar, a inclinação é de 9°.

Já a curva 3 foi tirada da The Milwaukee Mile. A pista ainda existe, mas 2009 foi a última temporada com corridas por lá. As dificuldades financeiras fizeram os donos da pista não conseguirem honrar as dívidas e Indy e Nascar deram o fora do oval de apenas 6°.

Agora com as três curvas apresentadas, podemos entender o nome de “triângulo complicado”. O acerto do carro é dificílimo de fazer, já que ele vai ser útil em apenas 1/3 da pista. A solução encontrada pelos mecânicos da Nascar é fazer o carro mais forte na curva 3, para que seja possível ultrapassar a metros antes da linha de chegada.

Outro caminho encontrado é fazer o carro melhor para a curva 1. Assim o piloto pode ganhar o maior número de posições nas relargadas e, caso esteja saindo da segunda ou terceira posição, assumir a liderança significaria entrar no ar limpo.

Para piorar, há um último fator de dificuldade para pilotos e equipes. Como a pista está localizada na região da cadeia montanhosa dos Poconos (daí vem o nome do circuito), a possibilidade de chuva é constante. Por isso é importantíssimo estar sempre na frente já que não tem como prever com exatidão a hora que a chuva ira chegar. Pelo que eu me lembro, três das últimas cinco provas foram atrasadas ou interrompidas pela água. E adivinhem a previsão para este final de semana..