Eles só querem correr

Michael Schumacher, Lucas di Grassi e Bruno Senna em Melbourne
Em Melbourne, Schumahcer teve de disputar posição contra a Virgin, de Lucas di Grassi, e a Hispania, de Bruno Senna

O acidente entre Heikki Kovalainen e Mark Webber, no GP da Europa do último domingo, dia 27, retomou a discussão sobre a participação das novas equipes na F1. E some a isso a regra dos 107% da classificação, em que um piloto, para poder largar, não pode fazer uma volta 7% mais lenta que a pole position.

Na Espanha, Kovalainen e Webber duelavam por posições, quando o carro do australiano tocou a com a roda dianteira na roda traseira da Lotus e decolou. Aí veio a discussão: deveria o finlandês ter aberto passagem para a Red Bull, sabidamente muito mais rápida?

A resposta é não. Quando Enrique Bernoldi, de Arrows, segurou Coulthard há alguns anos em Mônaco, o brasileiro viveu os momentos de fama. Criticado pela equipe inglesa e pela então parceira Mercedes, Bernoldi, por outro lado foi muito elogiado pela transmissão brasileira, que repetiu o feito quando Lucas di Grassi, ao contrário dos demais pilotos das equipes novatas, não deixou Fernando Alonso passar no GP do Principado desta temporada.

A mesma transmissão global repete várias e várias vezes que as novas equipes não poderiam competir já que são demasiadamente lentas. Porém, eles se esquecem que, até o início da década de 90, retardatários eram comuns nas provas. Não estamos mais nos anos 80, ou 90, só que naquela época, as equipes novas podiam testar.

O que podemos falar então, do desempenho de Bruno Senna, que chegou ao Bahrein sem que o carro da HRT sequer tivesse sido ligado anteriormente? E mesmo depois do início da temporada, nada de Virgin, Lotus ou a própria Hispania terem tido alguns dias de testes para tentar fazer apresentações melhores. Ou alguém acha que, com esses treinos a mais, eles teriam condição de brigar com Red Bull e McLaren?

O último fator importante a ser lembrado é a ferrenha oposição da Ferrari quanto às equipes novas. A montadora italiana sempre defendeu a ideia de que o ideal eram três carros por equipe, formando um grid com 30 carros, competitivos, porém. Só que aí entram os interesses comerciais de Maranello em colocar um piloto para show em um dos bólidos, ao lado de dois que compitam pelo campeonato. Não é a toa que nomes como Michael Schumacher e Valentino Rossi foram especulados para o terceiro carro.

Enquanto isso, a realidade é que temos três novas equipes que começaram do zero na atual temporada. E mais uma irá se juntar em 2011. Até lá, cabe a Fórmula 1 decidir o melhor jeito de lidar com os novatos.

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