O traçado do Circuit Gilles Villeneuve
Na opinião deste que escreve o blog, o traçado do Circuit Gilles Villeneuve só encontra um rival a altura em Spa-Francorchamps

A F1 chega à Ilha de Notre Dame, na cidade de Montreal, para a oitava etapa da temporada 2010. A cidade canadense abriga o Circuit Gilles Villeneuve, uma das melhores pistas do calendário da categoria. Local ideal para que os pilotos fiquem ainda mais tensos após o GP da Turquia, onde Red Bull e McLaren viveram fortes emoções em brigas domésticas.

Primeiro, o traçado. A pista canadense é sensacional, mal os carros largam e já viram para a direita para contornar as curvas 1 e 2. A primeira, à esquerda, é um ótimo local para enroscos de largada acontecerem. A segunda, de raio menorm é a confirmação dos acidentes na parte anterior.

É curioso como entre a Virage Senna e o L’Epingle a F1 quase não tem pontos de ultrapassagens. Os melhores lugares para arriscar seriam antes da curva 3 e nas duas semi-retas após as curvas 7 e 9. De qualquer forma, seria mais prudente tentar passar no próprio grampo. Caso a manobra não dê certo, o ideal é sair o mais colado possível para ganhar posições na Droit Du Cassino.

Depois de uma reta enorme, vem o ponto mais traiçoeiro do autódromo: a curva 13. Ali fica um muro em que os carros passam a milímetros literalmente. É tradição alguém abandonar por ali. Até Schumacher já ficou por lá.

Depois de trechos longos sem curvas, a reta principal quase não impressiona. O que é um absurdo pensar dessa forma, já que em corridas de turismo e endurance americanos não é anormal a corrida acabar com uma ultrapassagem poucos metros antes da bandeira quadriculada. Será que na F1 poderemos ter algo assim?

Quanto às equipes, a Red Bull chega ao Canadá disposta a passar uma borracha na tragédia turca. O carro é bom, mas deve ser ameaçado pelas McLarens impulsionadas pelo duto frontal, muito útil nas retas gigantescas. A disputa da corrida deve ficar monopolizada entre esses dois times, com Vettel e Button levando uma pequena vantagem para os companheiros, caso a previsão de chuva se confirme. Vale ressaltar que Webber e Hamilton também são excelentes debaixo da água, mas os outros dois mostraram mais consistência (e por que não dizer técnica) em condições adversas.

A Ferrari, com a renovação de Felipe Massa, segue o martírio de um carro ruim. Quem acompanhou aos treinos da pré-temporada acha estranho como um carro tão bom piorou de repente. A explicação que circula no paddock é que o time de Maranello se esqueceu de desenvolver os demais componentes para focar apenas no duto frontal. A nova peça não deu certo e o resto está defasado. Quem agradece é a Mercedes e a Renault, que já disputam (e superam) os carros vermelhos.

Falando na Renault, Kubica vive uma situação de amor e ódio com a pista canadense. Foi lá onde ele sofreu o pior acidente da carreira, em 2007. Depois, voltou no ano seguinte e triunfou pela primeira e única vez na F1. Se tivermos uma “corrida maluca”, como é comum em Montreal, o polonês pode ser um fator importante.

Rubens Barrichello costuma andar bem em terras canadenses. O brasileiro consegue marcar pontos e andar sempre entre os primeiros. É nesse retrospecto em que a equipe Williams aposta para deixar a má-fase das últimas corridas. Os ingleses estão patinando em se tratando de acertar o carro com os novos upgrades.

Já na turma de trás, a Sauber chega empolgada após o pontinho conquistado por Kobayashi em Istambul. De La Rosa, que ainda não foi substituído, sabe que está devendo pois é o único piloto dentre as equipes antigas a não ter marcado ponto.

Nas novatas, a Hispania jura que o traçado do Circuit se adequa perfeitamente às características do carro. E, de fato, o desempenho de Bruno Senna e Karun Chandhok tem melhorado. A Virgin estreia novas atualizações para Lucas di Grassi, que tem se mostrado muito consistente, mas sofre com um equipamento lento.

Em caso de chuva e de safety car, as equipes novas podem, enfim, somar algum ponto. Pior para De La Rosa, caso algum novato chegue entre os dez primeiros antes dele. Álias, água somada aos acidentes e bandeiras amarelas podem ser determinante para o resultado da corrida. Alguém pode tentar um pulo similar ao de Alonso em Mônaco.

Meu palpite é de Vettel, Button e Hamilton. Mas eu sei que continuo errando as minhas apostas desde que inventei de fazer isso no início do campeonato.