Newman Haas de Bruno Junqueira em 2005
O foguete de 2005, com esse carro Junqueira poderia ter vencido em Indy

Bruno Junqueira é um especialista em Indianápolis, que só foi descoberto quando praticamente encerrou a carreira nos monopostos americanos. Ele fez oito excursões à Indy e nenhuma foi normal.

O mineiro de Belo Horizonte foi o campeão de 2000 da Fórmula 3000. Preterido no mundo da F1, encontrou uma casa na equipe de Chip Ganassi, na CART. Além do brasileiro, a equipe tinha buscado Nicolas Minassian, o francês que perdera o campeonato para Bruno. Ganassi tinha novamente o que de melhor havia sido revelado na Europa.

A verdade é que tanto Bruno quanto Minassian faziam temporadas horríveis. O brasileiro tinha sido quarto colocado em Milwaulkee, o que amenizava o clima na equipe. Na hora de escolher alguém para ir embora, sobrou para o companheiro. Quase ao mesmo tempo, Bruno foi com a Ganassi à Indy. Mesmo disputando apenas essa etapa da IRL, terminou, entre lendas como Jimmy Vasser e Tony Stewart, num excelente quinto lugar – o que deve ter sido fundamental para garantir Junqueira nos carros vermelhos.

O Ganassi de 2002 deu a Bruno à pole position
O Ganassi de 2002 deu a Bruno à pole position

No ano de 2002, Bruno era favorito ao título da CART, mas quem levou o caneco foi o compatriota Cristiano da Matta. O mineiro venceu duas corridas durante o campeonato, pouco para o título. Novamente a Ganassi levou os carros para Indy, e o brasileiro não decepcionou. Marcou a pole position, mas logo abandonou na corrida, sendo creditado com a 31ª colocação, e liderando 32 voltas.

A Newman-Haas de 2004
Meu esquema de pintura favorito, a Newman-Haas de 2004
Com a ida de Junqueira para a Newman-Haas para substituir Da Matta, o sonho de Indy ficou mais distante. O brasileiro foi vice-campeão em 2003 da ChampCar, mas não visitou o oval no estado da Indiana. No ano seguinte, a equipe de Paul Newman e Carl Haas voltou a disputar a famosa prova de 500 milhas pela primeira vez desde a separação das categorias. Bruno não decepcionou: largou em quarto e conquistou um honroso quinto lugar, empatando com o melhor resultado por lá.

Batida em 2005
O foguete de 2005 terminou destruído e o piloto fora das pistas durante toda a temporada

Parecia que 2005 seria o ano do mineiro. Era líder da ChampCar com uma boa vantagem para o rival, Sebastien Bourdais, e voltaria à Indy após a boa corrida no ano anterior. Bruno largou em 12º, mas na volta 57 alcançou a primeira colocação. Vinte voltas depois, o brasileiro encontrou AJ Foyt IV pelo caminho e foi parar no muro na curva 2. Junqueira não perdeu apenas a corrida, como também o campeonato da ChampCar em função da recuperação.

Dale Coyne de 2008
A bela Dale Coyne de 2008 ficou por um retrovisor de fazer história

O mineiro sossegou e só voltou à Indianápolis dois anos depois quando as categorias americanas se reunificaram. Competindo pela Dale Coyne, o brasileiro não fez feio. Largou em 15º. Pode parecer pouco, mas apenas a Newman-Haas (que já tinha experiência na pista) teve um desempenho semelhante dentre as equipes vindas da ChampCar. O brasileiro terminou 16 voltas atrás por uma série de problemas mecânicos que começaram com um retrovisor quebrado quando ele já estava entre os dez primeiros.

O Conquest de 2009 que teve Tagliani
O Conquest de 2009 que teve Tagliani

Bruno ficou fora das temporadas seguintes da Indy, mas foi lembrado pela equipe Conquest para 2009. O piloto classificou-se no Bump Day, com pouco tempo de adaptação no carro. Só que Alex Tagliani, que corria regularmente pela equipe, ficou de fora. A equipe “pediu” para que Bruno cedesse o carro ao canadense, por conta das ações de marketing e dos pontos no campeonato.

Tagliani passou a ter uma divida moral com o brasileiro e, em 2010, o chamou para correr em Indy. Só que nada pode ser normal para Junqueira. Essa é a regra.  E, por falta de patrocínio, ele não pode treinar até o Bump Day novamente. Dessa vez o canadense estava garantido no grid e o carro da FAZZT era incrivelmente rápido.

Bruno subiu no carro para o treino livro pouco antes do último treino já que o patrocinador da FAZZT estendera o patrocínio para ambos os carros. No treino não foi tão bem, mas no Bump Day ele mostrou por que é um dos melhores no Pátio de Tijolos. Em uma tentativa, jogou o carro na 25ª posição, a melhor disponível e pôde comemorar a classificação.

Hoje, dia 28, aconteceu o Carburation Day, espécie de último treino antes das 500 Milhas. Bruno Junqueira foi o quarto mais rápido, ficando atrás de Ganassi e Penske apenas. E liderou toda a turma de oito brasileiros.

É difícil pensar em vitória para alguém que só garantiu a participação tão tarde, mas Bruno tem a minha torcida.