Giorgio Pantano e o troféu da GP2
Nem mesmo os títulos garantiram a Giorgio Pantano uma próspera carreira

Vida de piloto não é fácil. Tem gente que ganha um monte de títulos por aí, mas não consegue chegar à F1. Este post é para tratar de dois casos peculiares, para não dizer bizarros do mundo do automobilismo: Giorgio Pantano e Marko Asmer.

O italiano sempre foi um piloto promissor nas categorias de base. Entre 94 e 98 conquistou uma série de títulos europeus no kart, os quais o renderam um convite para participar do torneio de inverno da Fórmula Palmer Audi, em 99. Enquanto isso, assinou com a Mercedes, conseguindo testes de F1 e F3000, mas, em 2000, foi disputar a F3 Alemã, caminho natural para um piloto apoiado pela montadora de três pontas.

E logo no ano de estreia, Giorgio Pantano demonstrou o porquê do investimento da Mercedes, sagrando-se campeão. Em 2001, Pantano foi para a F3000, onde terminou na sétima colocação, com 12 pontos, após vencer o encerramento da temporada na Itália. No ano seguinte, o italiano foi melhor, venceu três vezes e terminou atrás apenas do campeão Sebastien Bourdais. Sem chances na F1, o italiano resolveu tentar mais uma vez a F3000, concluindo dessa vez no terceiro lugar, atrás de Wirdheim e Ricardo Sperafico.

Em 2004, o piloto finalmente alcançou a F1, após ter rompido com a Mercedes e ter sido preterido pela BMW-Williams. Competiu pela Jordan, mas o carro era muito ruim mesmo. Heidfeld somou apenas três pontos durante todo o ano, enquanto Pantano alcançou apenas o 13º lugar como melhor resultado. Para piorar, no GP da Alemanha, foi substituído por Timo Glock, que chegou em sétimo, somando outros dois pontos para a equipe irlandesa.

A passagem de Pantano pela F1 deixou a desejar
A passagem de Pantano pela F1 deixou a desejar

No fim da fase européia, depois de três abandonos seguidos, o italiano foi dispensado, dando lugar novamente a Glock. Em 2005, Giorgio fez duas provas com a Ganassi, na Indy, mas a equipe americana preferiu investir no então campeão Dan Wheldon para a temporada 2006.

Até aqui a história de Giorgio Pantano é similar a de muitos pilotos: formidável nas categorias de acesso, mas sem sorte nem resultados na F1. Só que, ainda em 2005, tudo começou a mudar.

Pantano decidiu voltar à GP2, que substituíra a F3000. Ele queria provar que a passagem apagada na F1 tinha sido um acidente. Só que a principal categoria de Fórmula cansou-se do italiano. Nos quatro anos de GP2 (que somados aos três na F3000 são SETE anos em categorias de acesso) o italiano não foi considerado em nenhuma negociação com equipes. Nem mesmo com o título na temporada 2008.

Aí parece que ele se conformou. Não era possível retornar à F1, o jeito foi insistir sem sucesso na Indy e competir pelo AC Milan na Fórmula Superleague. E essa foi a saga de Giorgio Pantano pelas categorias de base. Ok! Não falo sério. Você acha que acabou? Nada! Em 2010, o italiano vai correr na AutoGP, antiga F3000 italiana, prima pobre da européia (que se encontrava na miséria) em que o italiano competira.

As coisas de Marko Asmer
Títulos e vitórias fizeram parte da estranha carreira de Marko Asmer

A carreira do estoniano Marko Asmer não foi tão diferente. Começou em 2003, na Fórmula Ford inglesa, chegando na 11ª posição, mas com o patrocínio da Panasonic, Asmer arrumou uma vaga na Hitech para o festival da categoria onde Impressionou, chegando em segundo e garantindo uma vaga para a F3 Inglesa no ano seguinte.

O ano de 2004 foi especial para o estoniano. Finalizou a temporada na 10ª posição, mas ficou próximo da pole para a tradicional prova e Macau, onde terminou apenas na 11ª posição. Na F3, Asmer foi quarto, em 2005, mas não competiu no oriente. Para o ano seguinte, Marki trocou o campeonato inglês pelo certame japonês para tentar vencer a tradicional prova na antiga colônia portuguesa. Conseguiu a pole, mas não passou do 10º lugar. Em 2007, voltou à F3 Inglesa, agora competindo com a Carlin, além de correr esporadicamente no Japão, se preparando para Macau.

Nesta temporada, parecia que tudo ia dar certo. Foi campeão na Inglaterra com três rounds de antecipação, assinou para ser piloto de testes da BMW Sauber na F1 e novamente quase alcançou a pole em Macau. E chegou em quarto lugar na corrida.

Marko Asmer na BMW
A BMW Sauber cansou rapidamente de Asmer

O estoniano iria passar a temporada 2008 apenas testando o carro da equipe na F1 e correria esporadicamente por aí. Só que o Fisichella resolveu mexer na equipe da GP2, chutou o espanhol Adrian Valles e contratou Marko Asmer. Bastava apenas andar bem para chegar à F1, pra valer, na temporada seguinte.

Como o melhor resultado foi apenas a 11ª colocação logo no round de estreia e o estoniano constantemente fechava o grid, o piloto foi dispensado pela equipe de F1 e não voltou a ter chances em outras categorias.

Assim se encerra a história de Marko Asmer, aquele que poderia ter levado o nome da Estônia às cabeças. Ok! Não acabou de novo. No início de abril, o pai do piloto veio a público dizer que o filho tinha deixado de vez o automobilismo, em uma dolorida decisão, pois não arrumara vaga para a atual temporada. Alguns dias depois, quem estava testando um carro da ATECH na GP3? É, Marko Asmer.