Felipe Massa e Ferrari
Na Ferrari, pilotos e equipe adotam conservadorismo excessivo que pode acabar em bobagem como ficar no Q1 do GP da Malásia

Na madrugada deste sábado, dia 3, aconteceu o treino classificatório do GP da Malásia de F1. Para quem ainda não viu o resultado, Webber larga na pole, enquanto Jenson Button é 17º, Fernando Alonso é 19º, seguido por Lewis Hamilton e Felipe Massa. Resultado estranho assim devido à chuva.

O treino começou com a pista bem molhada, como era esperado. É lá foram 20 carros fazerem voltas rápidas. Ferrari e McLaren ficaram nos pits esperando que o clima melhorasse como previa a meteorologia.  O relógio ia andando e nada dos quatro carros irem à pista. Quando a meteorologia deu o sinal verde, lá foram eles em meio a um temporal ainda maior. Salvo Button, que encalhou por aí, só foram mais velozes que os carros da Hispania e uma Virgin com problemas mecânicos (embora isso seja pleonasmo).

No final do treino, Mark Webber enloqueceu, achou que estava numa pista e resolveu colocar os pneus intermediários. Fez uma volta 1,5’’ mais rápida que a de Nico Rosberg e cravou a segunda pole da carreira.

Indo ao que interessa, o que acontece com a Ferrari? Não estou falando dos seguidos erros nos últimos anos. Na verdade, parece que a equipe de Maranello se acostumou com o jeito Schumacher de vencer e não consegue mais ousar nas estratégias.

Semana passada, o temporal na Austrália premiou Jenson Button, que resolveu arriscar antes de todo mundo o uso de pneus para pista seca. Mesmo com Galvão descartando o inglês, Button conquistou a vitória. Hoje, foi a vez de Mark Webber bater no peito e assumir os riscos de uma escolha incerta. E foi pole.

Aqui, vale dizer que os pilotos tem tanta culpa quanto a equipe. Nos exemplos acima, Button e Webber tomaram a decisão praticamente sozinhos. Na Scuderia, desde Schumacher, quem se impõe? Quando foi a última vez que vimos a Ferrari arriscar em algo para ganhar uma corrida? Não lembro se precisou com Kimi Raikkonen, mas a última vez que minha memória alcança foi na Alemanha em 2000, com Rubinho, com pneus secos em pleno temporal.

Custava Alonso e Massa saírem dos pits para garantir uma volta suficiente para chegar ao Q2, como os rivais fizeram? Na pior das hipóteses, o espanhol, ao desviar do spray de algum carro, acertaria uma Hispania lenta por aí, sendo obrigado a largar em último. Isto é, 23º, pois dificilmente a novata conseguiria arrumar o carro a tempo de não largar dos boxes. E de 23º, para 19º, não é tão longe assim.

Não estou querendo agourar a temporada da Ferrari, mas dependendo do resultado na prova da madrugada, talvez alguém, lá em novembro em Abu Dhabi, se lembre que nem Massa nem Alonso chegaram ao Q2 no GP malaio.