GP da Austrália
Principal característica da pista de Melbourne é fazer parte de um parque, não sendo utilizada pelo automobilismo no restante do ano

Tradicionalmente, o GP da Austrália abria a temporada da F1. Isso proporcionava uma corrida cheia de emoções, já que as equipes ainda não tinham muita noção de como os carros e pilotos iriam se comportar em situações de corrida. A ansiedade nos estreantes também era fator. Assim, a corrida no quase circuito de rua em Albert Park era sinônimo de acidentes, abandonos e safety car.

Em 2010, já tivemos uma etapa. A ansiedade nos pilotos diminuiu e a corrida australiana pode ser marcada pelo tradicional tédio da categoria. O fato de não termos tido nenhuma ultrapassagem entre os dez primeiros, na etapa do Bahrein, em condições normais corrobora com um possível desfile.  E é justamente na tentativa dos pilotos de acabarem com a monotonia de uma eventual fila indiana, que a segunda etapa da F1 promete.

Ferrari e Red Bull saem como favoritas, só que aqui valem alguns detalhes. Felipe Massa somou pontos apenas uma vez, em Albert Park, em oito oportunidades: foi somente o sexto, em 2007. Já Sebastian Vettel nunca terminou uma etapa neste circuito, sempre abandonando por acidentes. Por outro lado, Fernando Alonso tem uma vitória e quatro pódios, em oito corridas, e Mark Webber, em meio aos rumores de uma eventual aposentadoria, pode querer se despedir por cima frente à torcida australiana.

McLaren e Mercedes tentam se recuperar após um final de semana de coadjuvantes, no Oriente Médio. Eles têm bons motivos para criar expectativa: os pilotos da equipe inglesa foram os dois últimos ganhadores desta prova, já Michael Schumacher é o maior vencedor, com quatro conquistas.

A disputa entre as quatro grandes equipes, em Melbourne, ganha traços dramáticos se recorrermos novamente aos números. De 1998 para cá, apenas em três oportunidades o vencedor da prova não levantou a taça de campeão no final do ano: Eddie Irvine (1999), David Coulthard (2003) e Giancarlo Fisichella (2005).

No bloco do meio, novamente a briga deve ficar entre Renault, Force India e Williams. Rubens Barrichello carrega a experiência de ser o único piloto da atualidade a participar de todas as provas da Austrália em Albert Park, subindo ao pódio em cinco oportunidades (4 com Ferrari e 1 com Brawn GP). Robert Kubica decepciona ao nunca ter terminado uma corrida em três tentativas. Já a Force India nunca somou pontos na Oceania, mas também nunca chegou tão forte.

As equipes estreantes podem ter esperanças. Não é algo raro quem pisa pela primeira vez em Melbourne chegar aos pontos: Hamilton foi 3º em 2007, Bourdais 7º e Nakajima 8º em 2008, Buemi 7º em 2009. O problema parece ser terminar a corrida. No Bahrein, apenas Kovalainen chegou ao final, dando mais voltas que Virgin e Hispania juntas.

O GP da Austrália tem alguns fatores únicos. É uma pista que usa parte das ruas do Albert Park, que, como o nome diz, é um parque ao mesmo tempo em que se junta a estruturas feitas para a corrida. Ele não é utilizado pelo automobilismo no restante do ano. Os muros próximos e as fortes freadas não costumam perdoar erros. E destaque para a primeira curva, fechada, que sempre proporciona confusão.

Dando meus pitacos, aposto no pódio com Vettel, Alonso e Schumacher, nessa mesma ordem. Lembrando que o vencedor, tem grandes chances de ser campeão no final do ano.