Ainda há espaço para amadores?

Bruno Senna no Bahrein
Sobrenome Senna passa por uma desagradável situação ao ser alvo de constantes reclamações por conta do ritmo exageradamente lento do carro da Hispania

A temporada 2010 da Fórmula 1 nem bem começou e já surgiu a primeira polêmica. As novas equipes estão muito lentas. Lotus e Virgin se esforçam ao máximo para andar cerca de 5s mais devagar que os líderes. A Hispania, que até esta sexta-feira, dia 12, ainda não tinha treinado, não conseguiu ficar a sequer dez segundos do mais rápido. Ah sim, com Bruno Senna, pois Karun Chandhok não andou.

O que se viu nesse primeiro dia de Bahrein foi uma situação no mínimo constrangedora envolvendo o brasileiro. Com um carro notavelmente muito mais lento – que fazia tempo de GP2 – o brasileiro foi alvo de intensas reclamações todas as vezes que era ultrapassado por um carro em ritmo normal. Não que alguém vá cobrar vitórias de Senna logo agora, mas o que está sendo discutido aqui é a preservação de um piloto que carrega no próprio nome a história da F1.

É claro que a Hispania teve todos os problemas possíveis na pré-temporada e só conseguiu se garantir no grid de largada no último momento, mas a situação que a equipe e principalmente que um dos sobrenomes mais famosos da história da categoria passa é desagradável. Temo que a situação da Lola em 97 se repita com a equipe de Carabante esse final de semana, com tons mais dramáticos.

Não seria surpresa se entregassem os pontos após o último treino livre ou após a classificação, por conta de contrato com a FIA, e dissessem “obrigado a todos, mas não deu. Vejo vocês na Austrália, ou não.” Claro que aqui assumi uma posição exageradamente pessimista, mas ainda assim é uma hipótese.

Voltando ao assunto das equipes amadoras, pessoas como Eddie Jordan, Peter Sauber e Giancarlo Minardi não teriam vaga na Fórmula 1 de hoje. Justamente por conta da impaciência em relação às equipes novatas que não vão conseguir ter um bom desempenho logo na primeira prova. Embora eles tenham obtido relativo sucesso logo na temporada de estreia nas décadas de 80 e 90, não sobreviveram ao aumento dos custos da Fórmula 1, tampouco acredito que conseguiriam sair do zero nos tempos atuais (lembrando que Sauber comprou o espólio da BMW).

Impaciência demonstrada também quando a regra dos 107% voltou à pauta após os treinos de hoje. Assim, a F1 de 80 e 90 não vai voltar. Não teremos mais a figura do garagista, salvo em situações atípicas como a de Ross Brawn, em 2009. E o momento ainda é pior, antes fosse um ou dois fanáticos penando para construir carros, mas estamos falando de grupos internacionais como Virgin, Hispania e Air Asia (Lotus), que podem pular fora da categoria logo que os investimentos não derem o retorno esperado.

E para fechar, pergunto: Isso tudo foi causado pelo processo de seleção da FIA? Como poderiam ter feito diferente? Bruno Senna pode estar se queimando mais que o aceitável?

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