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F1 2013 no Bahrein

abril 13, 2013
As equipes fizeram algumas modificações nos carros para se prepararem para o GP do Bahrein

As equipes fizeram algumas modificações nos carros para se prepararem para o GP do Bahrein

Uma semana depois de usufruir de todos os confortos em um país livre como a China, a F1 chega ao Bahrein para a disputa da quarta etapa da temporada 2013. Dessa vez, porém, as equipes vão precisar ficar mais espertas, já que as ruas de Sakhir e Manama não são os locais mais seguros do mundo, e a primavera árabe ainda ronda a pequena ilha do Golfo.

Embora a sensação de insegurança seja menor neste ano, mais uma vez a F1 se mete em um país marcado por uma profunda crise política. Manifestantes contrários ao governo local e polícia se enfrentam todos os dias, e as ordens vindas da monarquia ditatorial é prender qualquer um que possa representar uma ameaça à corrida e à segurança nacional.

É nesse clima que os carros vão à pista a partir desta sexta-feira, dia 19. Não acho que essas são as melhores condições para que o esporte seja praticado, por isso a corrida deste fim de semana não deveria acontecer. Aliás, não se importar com os valores humanos apenas para que a prova aconteça vai de encontro aos ensinamentos do próprio esporte, como lealdade e respeito ao adversário.

Mas como Bernie Ecclestone não se importa muito com a filosofia e com a sociologia do esporte a corrida vai acontecer. E deve ser uma prova um pouco diferente das da semana passada, em que os pneus tomaram conta da corrida.

Parece que a Pirelli percebeu ter errado a mão com os compostos deste ano. A corrida na China foi confusa com os pilotos espalhados pela pista em estratégias diferentes. Por isso, quando um carro aparecia para ultrapassar outro, era difícil saber se valia alguma posição ou se era apenas para restabelecer a ordem dos pneus. Chegou ao cúmulo de Jenson Button perguntar pelo rádio à McLaren se deveria se defender de Lewis Hamilton, mostrando que as disputas na pista não tem a menor importância para o resultado final.

Aliás, falando dos antigos companheiros de McLaren, eles estão em situação opostas neste fim de semana. Enquanto Button vai aos poucos comandando a recuperação da equipe inglesa, Hamilton sabe que o rendimento da Mercedes não é tão bom quanto parece. Os carros prateados, sem dúvida, são muito rápidos em uma única volta rápida, mas desgastam pneus demais e perdem ritmo de corrida. É por isso que o britânico saiu da pole-position, mas quase perdeu o pódio em Xangai.

A1 GP do Bahrein, ok, brincadeira, esse é o carro de Hamad al Fardan na F-Renault V6 Asiática

A1 GP do Bahrein, ok, brincadeira, esse é o carro de Hamad al Fardan na F-Renault V6 Asiática

Ainda nas equipes de ponta, a Red Bull também vive em guerra com os pneus. Na China, eles abriram mão de desempenho em uma única volta para fazer a borracha durar mais. Quase deu certo, com Sebastian Vettel terminando na quarta colocação. O problema é que a escuderia mais uma vez abriu mão de participar do treino classificatório para ter uma tática mais tranquila na corrida.

O problema é que largando em nono e sem ter o carro dominante é complicado chegar na frente. É verdade que o alemão lutou pela vitória em alguns pontos da prova, mas no fim ficou apenas com o quarto lugar.

Assim, dos quatro times de ponta, quem vive a situação melhor é a Ferrari, cujo carro é bom nas tomadas de tempo, mas ainda melhor em ritmo de corrida. Tanto é que Fernando Alonso terminou duas das três corridas da temporada até agora e já tem uma vitória e um segundo lugar. Felipe Massa, por outro lado, segue com problemas para aquecer o pneu duro e por isso não tem um bom desempenho de corrida.

Como a corrida do Bahrein é disputada no deserto, a temperatura pode ser um fator positivo para o brasileiro. Por outro lado, como a Pirelli vai levar o composto médio e o pneu duro, ele terá que trabalhar ainda mais para deixá-los na temperatura correta.

De qualquer forma, o desempenho de Massa é muito melhor que o de Sergio Pérez, que foi especulado em Maranello durante boa parte do ano passado. Na China, o mexicano errou feio no treino livre e bateu na entrada dos boxes. Depois, o fim de semana todo deu errado e ele terminou em 11º, sem pontos.

O outro mexicano do grid, Esteban Gutiérrez, na Sauber, também não vive boa fase, sendo eliminado mais uma vez no Q1 e se envolvendo em um acidente nas voltas iniciais. Situação completamente oposta à de Nico Hulkenberg. Curiosamente, o alemão é o piloto que mais liderou voltas nas últimas quatro corridas, com 38 giros no primeiro lugar. Fernando Alonso, com 37, é o segundo. Vettel tem 33 e Mark Webber 32.

Para encerrar, falo das equipes pequenas. Neste fim de semana, a Caterham vai promover o retorno de Heikki Kovalainen no primeiro treino livre, enquanto Rodolfo González substitui Jules Bianchi na mesma atividade na Marussia. Ou seja, enquanto uma equipe está trabalhando para voltar ao décimo lugar, a outra deixa seu melhor piloto de fora de um treino. Daí acaba ultrapassada e não sabe por quê.

Bom, meu palpite furado para o fim de semana é vitória de Kimi Raikkonen, seguido por Fernando Alonso e Sebastian Vettel. Obviamente, a partir de agora não há a menor chance de isso acontecer.

Confira os horários do GP da Malásia de 2013:

Treino livre 1 – 4h quinta-feira
Treino livre 2 – 8h sexta-feira
Treino livre 3 – 5h sábado
Treino Classificatório – 8h sábado
Corrida – 9h domingo

Reformulação na Academia da Ferrari

dezembro 19, 2012
Entre altos e baixos, podemos dizer que o ano da Academia da Ferrari foi bom

Entre altos e baixos, podemos dizer que o ano da Academia da Ferrari foi bom

Criada em 2010 naquela ânsia de copiar a Red Bull no desenvolvimento de jovens pilotos, a Academia da Ferrari teve bons motivos para comemorar a última temporada.

Para começar, a maior aposta da Academia, Jules Bianchi, parece enfim ter se desenvolvido. O francês teve bom desempenho ao participar dos treinos livres da F1 pela Force India e só ficou com o vice-campeonato da World Series by Renault por ter sido acertado por Robin Frijns no polêmico final de Barcelona.

Entre os mais jovens, a instituição também teve boas marcas. O grande destaque foi Raffaele Marciello, que enfim estourou como piloto, disputou o título da F3 Euro e já é considerado um dos favoritos para 2013. No restante, Lance Stroll viveu um bom momento no kartismo, o que agradou Luca Baldisseri e os demais dirigentes do programa.

A boa fase, no entanto, não quer dizer que a Academia não precise de mudanças para o próximo ano. Nesta sexta-feira, dia 21, a empresa anunciou um plano de reformulação no plantel de jovens pilotos, trazendo as mudanças mais profundas desde a criação do programa, em 2010.

Para 2013, dois atletas foram dispensados. O primeiro é Sergio Pérez, que obviamente acabou liberado pela Academia a partir do momento em que vai competir pela McLaren. O outro que está livre é Brandon Maisano, que terminou a temporada com a terceira colocação na F3 Italiana, mas ao contrário de Marciello – de quem foi contemporâneo desde o kart – não conseguiu se desenvolver.

Antonio Fuoco, à esquerda, é o novo contratado da FDA

Antonio Fuoco, à esquerda, é o novo contratado da FDA

Para compensar a saída desses pilotos, a FDA anunciou a chegada de Antonio Fuoco, italiano de apenas 16 anos de idade, que vai fazer a transição do kartismo para os carros de fórmula no próximo ano, ao competir na F-Renault Europeia, ao que tudo indica, pela Prema.

Apesar de estreante, Fuoco vai ser obrigado a lidar com a pressão desde já. Como o garoto é apenas um ano e meio mais jovem que Marciello, ele vai sofrer todo tipo de comparação com o compatriota. Um ano e meio atrás, o atual piloto da F3 já tinha uma temporada da F-Abarth no currículo e estava lutando pelo título da F3 Italiana.

Fuoco, por sua vez, vai enfrentar um campeonato muito mais complicado na F-Renault, onde terá a concorrência de jovens pilotos da McLaren, Red Bull, Lotus e Caterham. Desnecessário dizer que o trabalho vai ser muito mais complicado. Ao menos, a chance de brilhar é muito maior.

A F1 e os pilotos pagantes

outubro 25, 2012

Kamui Kobayashi pode ser defenestrado da F1. No seu caso, foi o desempenho na pista que contou

Kamui Kobayashi pode estar fazendo as últimas corridas da carreira na F1. Sem um investidor, o piloto japonês tem a vaga para 2013 ameaça, já que a Sauber deve optar por uma reformulação total do plantel, trazendo Nico Hülkenberg e, provavelmente, Esteban Gutiérrez. Ou seja, mais uma vez a infestação de pilotos pagantes tira um atleta comprovadamente talentoso do campeonato para a chegada de alguém mais rico, certo?

Não é bem assim. Nos últimos anos, os pilotos pagantes ficaram conhecidos na F1 por abocanhar algumas das vagas mais desejadas na categoria. Nomes como Vitaly Petrov, Pastor Maldonado e Sergio Pérez só conseguiram estrear no certame porque dispunham de uma grande bolada e alguém disposto a investir na categoria.

O que muita gente ignora é que nesses casos, mesmo pagantes, esses pilotos tinham currículos dignos para chegar ao campeonato. Petrov e Pérez foram vice-campeões da GP2, enquanto Maldonado conquistou o título do campeonato de acesso. Ou seja, dificilmente havia alguém mais qualificado que eles para ficar com a vaga.

Aliás, mesmo que eles fossem atletas poucos talentosos, ainda assim a ameaça dos pagantes está restrita apenas a algumas equipes. Para começar, as quatro grandes escuderias – Red Bull, McLaren, Mercedes e Ferrari – não têm necessidade de escolher um competidor apenas pelo dinheiro que traz.

É verdade que a McLaren contratou Pérez para 2013 de olho na grana que o mexicano pode levar, principalmente em um momento em que a escuderia inglesa vai precisar voltar a pagar pelos motores, algo que deve comprometer o orçamento. No entanto, essa decisão também tem um lado esportivo. Poucos pilotos brilharam tanto quanto Sergio na F1 na atual temporada, portanto a escolha é mais do que justificada.

Descendo um pouco mais no grid, Lotus e Force India também não tem pagantes. Romain Grosjean conta com o apoio da Total, mas a situação é similar à de Pérez. Estamos falando do campeão da GP2 de 2011, que teve um desempenho muito bom nos treinos livres antes de ser promovido a titular.

Levando em conta o currículo, alguém chama Hulkenberg de pagante?

Na escuderia indiana, Paul Di Resta tem cadeira cativa, já que a Mercedes prometeu fazer um precinho camarada nos motores enquanto o escocês for titular. Essa prática sempre foi algo comum na categoria, principalmente com relação a pilotos nipônicos. No caso da fabricante alemã, exigir Di Resta ainda é um ponto positivo, já que o escocês é um piloto talentoso, que não teria chances se dependesse apenas de recursos próprios.

Assim como Grosjean, Nico Hulkenberg também têm alguns pequenos patrocinadores alemães, mas estão longe de fornecer uma grande quantia ao time indiano.

A última escuderia a não contar com pagantes é a Toro Rosso, por motivos óbvios. Ou seja, das 12 equipes da F1, apenas cinco têm vagas destinadas a quem puder pagar mais: Williams, Sauber, Caterham, HRT e Marussia.

Vamos deixar Williams e Sauber para mais tarde. Falo antes das três nanicas. Não seria nada absurdo que elas recorressem aos pilotos endinheirados para aumentar o orçamento da temporada. Porém, a realidade é que isso não acontece completamente. Em cada um dos três times, um piloto – Heikki Kovalainen na Caterham, Timo Glock na Marussia e Pedro de la Rosa na HRT – até recebe salário para correr sem a contrapartida de precisar descolar um investidor para o time.  A segunda vaga nessas escuderias realmente é de quem pagar mais.

Por fim, chegamos à Williams e Sauber. São duas tradicionais equipes do automobilismo, que nasceram no contexto dos garagistas, mas que, com a chegada das montadoras e a escalada vertiginosa de custos, viram que pouco poderiam fazer. Por isso, logo se juntaram a uma fabricante – coincidentemente ambas com a BMW – para tentar ter uma chance na categoria.

Com a saída da BMW – assim como da Honda, Toyota… –, o custo da categoria continuou elevado, já que as equipes grandes não baixaram o ritmo da gastança, portanto a solução encontrada por eles, em um contexto de crise econômica, foi buscar grana dos próprios pilotos para a própria sobrevivência dos times.

Mesmo assim, a Sauber se mantém fiel à filosofia de dar chances a jovens promissores. Foi assim com Pérez e com Kobayashi e agora com Hulkenberg e Gutiérrez. Já a Williams tem mostrado menos pudor e aceitado o apoio de qualquer um.

No entanto, é difícil criticar a decisão desses times. Com os tais pagantes, a Williams venceu em 2012, enquanto a Sauber conquistou quatro pódios. Por outro lado, a Lotus ainda sequer conseguiu subir no degrau mais alto, ao passo que Force India e Toro Rosso ainda sonham com o fim do jejum de pódios.

Algums equipes não se importam e fazem um verdadeiro leilão com seus carros

Com todas as equipes contabilizadas, apenas 5 das 12 oferecem vagas a pagantes e isso levando em conta que em cada uma das nanicas um piloto recebe salário. Só que a impressão que passa é que esse tipo de atleta está impregnado na categoria.

Isso acontece porque são eles que dominam o noticiário. Nas equipes mais estabelecidas – as quatro grandes, além de Lotus e Toro Rosso –, não há troca de pilotos todos os anos, por isso eles têm mais tempo para desenvolver o trabalho. Assim, somente a cada dois ou três anos ouvimos mudanças nas escalações dessas escuderias.

Por outro lado, entre aquelas equipes que abrem espaço para os endinheirados, todos os anos há um leilão pelas vagas. Até porque é difícil para um piloto conseguir um investidor disposto a gastar cerca de US$ 10 ou 15 milhões a cada temporada. Assim, quando o dinheiro de um atleta acaba, logo surge um bando de riquinhos querendo assumir o posto.

Voltando a Kobayashi, eu até acredito que o principal motivo da demissão dele na Sauber não é a falta de dinheiro, mas, sim, a reformulação da equipe para o próximo ano. Eles entenderam que a geração Pérez/Koba chegou ao auge e conseguiu quatro pódios para a equipe. Agora é hora de pensar em algo novo e por isso acreditam que Hulkenberg seja o piloto ideal para liderar a escuderia.

Quando o nipônico fala que precisa de dinheiro para seguir correndo, não é na escuderia suíça, mas  para entrar no já citado leilão para pilotos pagantes.

Para entender Hamilton na Mercedes e Pérez na McLaren

setembro 28, 2012

Lewis Hamilton trocou a McLaren (carro à direita dele) pela Mercedes (à esquerda)

Que dia! Se você gosta de F1, esta sexta-feira, 28, foi um dia e tanto em termos de notícias. Primeiro a Mercedes anunciou a contratação de Lewis Hamilton para a vaga de Michael Schumacher. O inglês assinou contrato de três anos e vai receber apenas US$ 100 milhões por esse período.

Depois, foi a vez de a McLaren agir e confirmar a chegada de Sergio Pérez como substituto do inglês em 2013. Como é de praxe da equipe britânica, eles não anunciaram o tempo de contrato nem o valor do acordo com o mexicano, se limitando a dizer que será válido por muitos anos.

Assim, nesse momento, naturalmente surgem algumas dúvidas. A primeira delas é o que fará Michael Schumacher? Se a dupla da Mercedes em 2013 será Hamilton e Nico Rosberg, o heptacampeão sobrou. Então, ele vai novamente se aposentar? Vai mudar para a Ferrari? Para a Williams?

A segunda é quanto ao futuro de Lewis Hamilton. Será que o britânico vai conseguir repetir o bom desempenho na equipe germânica, que em três anos de F1 ainda não desenvolveu um carro minimamente competitivo? E a terceira diz respeito a Pérez. Será que o mexicano é mesmo todo esse prodígio que dizem ser?

Nenhuma dessas respostas teremos agora. A maioria delas, aliás, só será respondida no ano que vem. Entretanto, essa sexta-feira conseguiu desatar alguns nós no rolo que é a F1.

Uma análise que tem sido relativamente feita à exaustão nessas últimas horas aponta uma espécie de chapéu da McLaren na Ferrari. Isto é, assinando com Pérez, a equipe inglesa teria conseguido roubar um piloto que estava sendo preparado por Maranello para ser a aposta deles para o futuro. Vale lembrar que o mexicano fez parte da Academia da Ferrari e era figura constante em treinos e em testes da equipe italiana.

Sergio Pérez era nome quase certo na Ferrari, mas…

Porém, isso é mentira. A McLaren não roubou ninguém. Se a Ferrari realmente tivesse Pérez como sua aposta para o futuro, não faria o menor sentido para ela não fazer o possível – e o impossível – para mantê-lo em Maranello. Também não daria para falar que os ingleses teriam feito uma proposta irrecusável ao mexicano que a Ferrari não conseguiu igualar. Oras, se Hamilton deixou o time de Woking por não concordar com a proposta salarial, como eles poderiam seduzir Pérez financeiramente a ponto de o mexicano deixar a Itália?

A verdade é que a Ferrari não fez o menor esforço para contar com o mexicano nos próximos anos, por isso ele foi embora. Dessa forma, a Ferrari liberou Pérez já de olho em um grande prêmio, na verdade, o maior de todos: Sebastian Vettel.

Quem anda pelo paddock da F1 já ouviu um rumor de que o alemão teria um pré-contrato assinado para correr pela equipe italiana a partir de 2014, levando em conta que o vínculo com a Red Bull termina ao final próximo ano. Bom, eu não ando pelo paddock, então não sei nada disso, mas copio aqui o que o jornalista Will Buxton, do canal Speed norte-americano e narrador oficial da GP2 e da GP3, escreveu em seu blog esses dias.

“A Ferrari, entretanto, não tem necessidade real de substituí-lo porque ela precisa esperar apenas um ano para a chegada de um novo piloto. Esse piloto será Sebastian Vettel, e ele correrá pela Ferrari em 2014. Esse é um desses segredos amplamente conhecidos no paddock, assim como todos sabiam de Robert Kubica. A Ferrari não age no calor do momento. Ela faz pré-contratos com ao menos 18 meses de antecedência. E Vettel deve ter assinado um desses acordos”.

Essa análise faz todo sentido. Por que a Ferrari manteria Felipe Massa para 2013 – se é que vai mantê-lo – e ainda deixando Sergio Pérez ir embora? Certamente não é porque ela acredita no brasileiro. É porque já está de olho no futuro. Assim, a partir de 2014 possivelmente teremos Vettel e Alonso dividindo os carros vermelhos. Agora a gente entende por que tantas vezes o alemão da Red Bull já foi obrigado a responder sobre dividir uma equipe com Alonso.

Poderemos ver Sebastian Vettel vestindo vermelho Ferrari a partir de 2014

Se esse rumor estiver correto, há uma peça que não se encaixa nessa história toda: a Academia da Ferrari. Por qual razão a Ferrari teria gastado milhões, nos últimos anos, para desenvolver Pérez e Jules Bianchi se no momento em que abre uma vaga de titular o escolhido é um atleta de outra equipe?

A resposta é simples. É isso o que ela sempre faz. Montadoras como a Ferrari, a McLaren e a Mercedes têm muito dinheiro. Eles podem apontar o dedo para alguém na F1 e escolher com quem vão correr. Esses times jamais precisaram de programa de jovens pilotos para se fortalecer, mas a chegada de Lewis Hamilton – naquela história de um dia ter falado a Ron Dennis que ia competir por sua equipe – e a descoberta de Sebastian Vettel mudaram a percepção das escuderias. Na pressa por descobrir um novo fenômeno das pistas, acabaram criando esses programas.

Hamilton ainda teve toda a sorte do mundo de chegar à F1 em um momento em que havia duas vagas abertas na McLaren. Assim, a equipe inglesa pôde contratar Fernando Alonso – então atual bicampeão – e dar chance a um novato. Mas isso certamente é a exceção. Dificilmente uma escuderia de ponta terá dois postos em aberto nos próximos anos, portanto esses jovens pilotos terão cada vez menos chances. Quando há apenas uma vaga disponível por qual razão escolheriam um novato do programa se podem ter qualquer um do grid?

Assim, as equipes da F1 acabam lidando de formas diferentes com esses programas. Um dos motivos da Renault ter deixado a categoria foi a cobrança de resultados em razão de todo o dinheiro investido pela empresa. Foi por isso, também, que apenas Fernando Alonso conseguiu ser firmar entre os pilotos da Renault Junior. De resto, Heikki Kovalainen, Nelsinho Piquet, Lucas Di Grassi e Romain Grosjean tiveram pouquíssimas chances de mostrarem resultados e acabaram sacados após uma única temporada em média.

Quem melhor conseguiu lidar com tudo isso foi a Red Bull. Em 2005, quando a equipe propôs aquele rodízio entre Christian Klien e Vitantonio Liuzzi na vaga de titular e, obviamente, não deu certo, a equipe austríaca entendeu que a única forma de ter sucesso nessa peneira de jovens talentos é dar tempo a eles se desenvolverem. Foi por isso que o time se separou em dois: a Red Bull principal e a Toro Rosso, que serve como maturação dos seus pilotos.

Por isso, Sebastian Vettel e Mark Webber tiveram toda tranquilidade do mundo nesses últimos anos para conquistarem o bicampeonato da F1, enquanto Helmut Marko ficou responsável por comandar o futuro da equipe levando os jovens talentos até a Toro Rosso e, se provarem que são bons o bastante, promovendo-os para o time principal.

Apesar disso, no final das contas, os programas de Red Bull, McLaren e Ferrari não são tão diferentes. A grande maioria dos pilotos que passarem por eles jamais terão chances nas escuderias principais. Os rubro-taurinos ficam mais em evidência porque eles, sim, conseguem subir à F1 ainda pela Toro Rosso. Os demais apenas vão alimentar alguma esperança de estar no lugar certo e na hora certa como aconteceu com Hamilton na estreia na F1.

Mercado de pilotos da F1 2013 – parte 2

agosto 19, 2012

Boa parte das movimentações do mercado de pilotos depende da aposentadoria ou não de Michael Schumacher

Nesta segunda parte sobre o mercado de pilotos da F1 2013, veja como Mercedes, Lotus, Williams, Sauber e Force India passaram pelas primeiras corridas do ano e como essas equipes já planejam a próxima temporada.

Merecedes:

No momento, a própria permanência da Mercedes na F1 é incerta. Não muito contente com a discussão sobre o novo Pacto de Concórdia, a montadora alemã já afirmou que pode ficar na categoria apenas como fornecedora de motores a partir de 2014.

De qualquer forma, o planejamento da escuderia para o próximo ano segue atrelado à decisão de Michael Schumacher. Se o heptacampeão decidir continuar correndo, ele é nome certo na equipe. Do contrário, a situação mais provável é a subida de alguém da Force India, como Di Resta, que foi campeão do DTM correndo pela própria Mercedes.

Outro que também já foi especulado nessa vaga foi Felipe Massa, mas isso já faz algum tempo.

Quanto a Nico Rosberg, embora ele sempre seja cotado em uma vaga nas outras grandes equipes, a tendência é que continue na escuderia germânica, afinal ele tem contrato vigente.

Lotus:

A Lotus é a equipe mais valorizada em 2012, tendo conquistado até agora oito pódios. Assim, é natural que a escuderia queira manter a atual dupla, formada por Kimi Raikkonen e Romain Grosejan.

Mas sempre pensando em melhorar, a equipe já sondou Lewis Hamilton, que poderia formar uma dupla interessantíssima com Raikkonen na próxima temporada. Só que isso é bastante improvável.  Em primeiro lugar, o britânico deve seguir na McLaren. E mesmo que ele trocasse de equipe, Kimi seria o substituto ideal, pois é o melhor piloto do grid que não está em um time grande.

Ontem eu falei que o envelhecimento das grandes equipes prejudicou o desenvolvimento dos times medianos. A Lotus foi quem menos sofreu com isso, já que conseguiu trazer Kimi Raikkonen de volta, e o finlandês rapidamente mostrou um bom desempenho. Só que agora o nórdico está valorizado e deve ser a principal opção de McLaren, Ferrari e Mercedes caso precisem cobrir alguma saída.

Se eu fosse o Raikkonen, ia beber aceitava a proposta de uma dessas equipes sem dúvida nenhuma. É claro que o projeto da Lotus é muito legal, mas é algo arriscado, já que a escuderia precisa dar um grande salto de qualidade. Ir para um dos times grandes significa voltar a brigar por vitórias e títulos.

Grosjean, por sua vez, parece o melhor piloto dessa nova geração. Fazendo a primeira temporada completa na F1, o francês já subiu ao pódio em três oportunidades e teve uma boa chance de vencer o GP da Europa, em Valência. Ele se tornou uma boa opção para qualquer equipe e só não fica na Lotus em 2013 caso a equipe consiga aquela improvável parceria entre Kimi e Hamilton.

Apesar de alguns problemas, Bruno Senna está valorizado na F1

Williams

A dupla da Williams se completa. Um piloto é muito rápido e extremamente inconstante, enquanto o outro consegue pontuar seguidamente, mas tem problemas para fazer voltas rápidas. O melhor seria juntar as melhores qualidades de cada um para formarum piloto ideal.

Talvez seja nisso que a equipe aposte. Para melhorar o desempenho ainda mais, Frank Williams pode ter chegado a conclusão que precise de um piloto completo, com o melhor de Senna e Maldonado. No entanto, como o dirigente é um conhecido pão duro, dificilmente ele fará uma contratação de peso.

A escolha mais provável é desenvolver alguém dentro da própria Williams para a vaga de titular. A escuderia parece acreditar que Valtteri Bottas é a melhor opção para o futuro. O finlandês tem um excelente currículo nas categorias de base e já se mostrou bastante rápido nos treinos livres. Talvez ele seja o responsável em guiar o time inglês de volta ao estrelato.

Aí sobra uma vaga. O problema de Senna é que não importa o que ele faça o escolhido será Maldonado. A Williams tem um longo contrato com a PDVSA, garantindo o poder de a petroleira escolher o segundo piloto da escuderia. A menos que Hugo Chávez planeje fazer negócios com o Brasil, o piloto venezuelano deve seguir no time.

Ao mesmo tempo, a saída de Bruno ainda não está consumada. Ele tem feito uma boa temporada – talvez até melhor que a de Maldonado se olharmos apenas os números fora a vitória – e ainda conta com patrocinadores fortes. Ou seja, Bottas precisaria superá-lo tanto em termos de desempenho quanto de investidores. Não será fácil.

E se acontecer de Senna sair da Williams, ele continua valorizado no mercado. Em 2012, ele mostrou que pode pontuar frequentemente, principalmente apostando na tática de uma parada a menos. Ou seja, ele tem conseguido economizar bem os pneus. E isso é importante para qualquer equipe.

E Sergio Pérez, será que ele fica na Sauber em 2013?

Sauber

A Sauber está em uma posição interessante para 2013. Ninguém imaginava que a escuderia suíça fosse fazer uma tremenda temporada neste ano, então todo mundo está de olho nela.

Para começar, Sergio Pérez é constantemente especulado na Ferrari, tendo até superado Kamui Kobayashi como principal nome na escuderia suíça. Depois, a própria vaga do nipônico já começa ser ameaçada, pois Peter Sauber acredita que precise de um piloto de ponta se quiser continuar a evolução da equipe.

Assim, é possível que a dupla de 2013 seja formada por dois novos pilotos, da mesma forma que é totalmente possível a manutenção da parceria Pérez/Kobayashi. De qualquer forma, os nomes ligados à Sauber são Felipe Massa, Heikki Kovalainen, Adrian Sutil, Esteban Gutiérrez e, correndo por fora, Jules Bianchi.

Tirando Sutil, acho que qualquer parceria escolhida pela escuderia é bastante interessante. Mas, em uma eventual saída de Pérez, eu escolheria Felipe Massa e Heikki Kovalainen. A experiência dos dois pode ser fundamental para fazer a equipe crescer, fora que ambos os pilotos podem ter um ganho de rendimento nessa mudança de ares.

O único problema pode ser a ida de James Key para a Toro Rosso. O engenheiro foi apontado como principal responsável pela reestruturação da Sauber, então será interessante ver se haverá queda de rendimento em 2013.

Force India

Depois de trocar um piloto nos últimos anos, a Force India parece ter se acalmado com Paul Di Resta e Nico Hülkenberg. Assim, é provável que essa parceria continue em 2013, embora nenhum tenha contrato garantido para a próxima temporada. Apesar disso, a única chance de mudança é se um dos titulares forem chamados por uma equipe grande (leia-se Paul Di Resta na Mercedes).

Como essa é uma decisão apenas de Schumacher, é difícil especular o futuro da Force India. No caso de precisar substituir Di Resta, a equipe pode fazer uso de algum piloto que sobrar no mercado, ou então promover algum jovem talento. As duas opções mais prováveis são Jules Bianchi (embora haja o conflito de interesses com a Ferrari) e Max Chilton, que já participou de alguns testes.

A escuderia indiana também pode ser uma boa opção para o campeão da GP2 deste ano. Mesmo um contrato de reserva em 2013 e titularidade garantida em 2014 não é de se jogar fora.

O novo prodígio da Ferrari

junho 5, 2012
Raffaele Marciello

Não há muitas dúvidas de que Raffaele Marciello é bom piloto, mas será bom o suficiente para um dia correr pela Ferrari na F1?

A Ferrari nunca foi conhecida por revelar jovens pilotos para a F1. Pelo contrário. Nos últimos anos, a equipe ficou marcada por negociar de forma agressiva com os competidores e pagando o que fosse necessário para contar com os atletas que quisesse. Dessa forma, o time trouxe Michael Schumacher, Kimi Raikkonen e Fernando Alonso.

Por isso, até foi uma surpresa a Ferrari ter anunciado em 2010 a criação de um programa para jovens pilotos, a Ferrari Driver Academy.

No entanto, a postura da escuderia não foi tão diferente. O time até montou um plantel recheado de jovens italianos e garotos promissores que estavam deixando o kart, mas os principais nomes – Jules Bianchi e Sergio Pérez – praticamente foram contratados, já que a equipe italiana praticamente não teve participação no desenvolvimento deles como pilotos.

Assim, enquanto Pérez e Bianchi chegavam à F1, os demais garotos da Academia da Ferrari sofriam para mostrar resultado. Após apenas um ano, Mirko Bortolotti e Daniel Zampieri foram cortados do programa. Já Raffaele Marciello e Brandon Maisano, mesmo com o título da F-Abarh de 2010, tiveram uma temporada para esquecer na F3 Italiana, no ano seguinte, onde não só ficaram longe da disputa pelo título como também perderam a batalha do novato do ano para o americano Michael Lewis.

Só que as coisas mudaram em 2012. Ao que tudo indica, Marciello finalmente parece ter pegado a mão do automobilismo. Depois de um desempenho decepcionante na Toyota Racing Series, no início do ano, o piloto vem surpreendentemente vem conseguindo bons resultados na F3 Euro Series. Aliás, mais do que isso, o garoto de apenas 17 anos se tornou o piloto dominante do certame.

Das últimas dez corridas disputas, o italiano venceu seis, sendo que apenas um triunfo em Hockenheimring aconteceu na corrida curta, com o grid invertido. O desempenho do piloto é tão bom que ele não tem se importado com o regulamento. Em Pau, quando a F3 Europeia correu segundo as regras da F3 Inglesa, Marciello venceu com facilidade as duas corridas e deu início à arrancada. Na sequência, foram dois triunfos nas corridas principais em Brands Hatch, além de mais uma vitória no Red Bull Ring, em Zeltweg.

Raffaele Marciello

O surgimento de Marciello também coincide com a saída dos pilotos italianos da F1

Enquanto isso, Marciello também se mostrou um piloto mais maduro, já que apenas nas corridas na França ele largou na pole-position. Nas demais, o garoto soube esperar os erros dos adversários para contabilizar as vitórias.

E a tática tem dado certo. Por exemplo, nesse tempo todo, ninguém falou de Carlos Sainz Jr. O piloto da Red Bull, favorito absoluto ao título da F3 Inglesa e um dos nomes mais badalados das categorias de base, esteve em todas essas corridas, mas sequer subiu ao pódio. Ou seja, nesse primeiro duelo entre Ferrari e RBR, os italianos parecem ter levado a melhor.

Por outro lado, o bom desempenho de Marciello ainda gera alguma desconfiança. Da mesma forma que o garoto apareceu praticamente do nada para dominar a F3 Europeia, ele também pode desaparecer caso enfrente uma sequência de maus resultados. Mas supondo que o piloto consiga manter a boa fase na carreira, aí fica uma dúvida: será que a Ferrari está preparada para lidar com um prodígio em seus domínios?

Em algum momento, Marciello vai completar seu desenvolvimento como piloto. Se tudo der certo, daqui uns dois ou três anos, a expectativa é ver o piloto chegar à GP2 e começar a brigar por vitórias e por títulos. Mas e depois? A Ferrari nunca foi conhecida por apostar em jovens pilotos. Com o time tendo Pérez e Bianchi (além de Fernando Alonso e talvez Felipe Massa) e também podendo contratar qualquer nome do grid será que há espaço para a nova revelação?

A tendência é que a resposta seja não. No momento, se Marciello um dia chegar à F1, deve acabar emprestado pela Ferrari à alguma equipe e só acabaria contratado caso mostrasse que está pronto para pilotar os carros vermelhos. Outra opção seria o piloto ser contratado para a função de reserva e apenas figurar pelo paddock da categoria enquanto pilota carros GT em outros certames.

Certamente, a Ferrari sofreria com a pressão da mídia – e da torcida – italiana para escalar um jovem piloto do próprio país, mas nada que afetasse as decisões de Maranello. A GP2 já produziu uma série de competidores da Velha Bota e nenhum chegou à categoria principal pelo time italiano.

Assim, o sucesso de Marciello deve deixar a Academia da Ferrari ainda mais questionada. Se por um lado o programa terá mostrado que pode revelar bons pilotos, do outro ficará a dúvida se esses atletas são bons o bastante para pilotar para a Ferrari. Apenas chegar à F1 já é algo difícil, mas daí a ser contratado pela equipe mais tradicional do grid já é outra história.

O desabafo (?) de Jaime Alguersuari

abril 17, 2012

Jaime Alguersuari posando para uma foto ao lado de Jaime Alguersuari. Não são uma família feliz?

Após o GP da Malásia da F1, a Sauber proibiu que Antonio Pérez, pai de Sergio Pérez, assista às corridas dos boxes da equipe. O mexicano não costuma aguentar a emoção quando o filho está disputando as primeiras posições – principalmente em uma exibição como o segundo lugar de Checo em Sepang – e costuma passar mal.

Talvez até mesmo algum mecânico da equipe suíça já tenha comentado com um colega algo como “olha lá! O velho vai ter um piripaque daqui a pouco!”.

Independentemente da reação de Antonio, a verdade é que os pais de pilotos sempre são figuras carimbadas nos autódromos e muitas vezes refletem a personalidade dos filhos. Por exemplo, na Nascar, em certa ocasião, um mecânico da equipe de Joe Gibbs tentava segurar Joey Logano para que o jovem garoto não fosse trocar sopapos com Kevin Harvick. Só que o pai de Joey apareceu, puxou o mecânico, olhou para o filho e gritou algo “vai lá, pega ele!” Certamente uma das cenas mais constrangedoras da história categoria.

Pois bem, quem se aproveitou da situação de pai de piloto foi Jaime Alguersuari Sênior, que escreveu um livro justamente sobre o assunto. O espanhol, que também é um dos dirigentes da World Series by Renault, criou uma espécie de guia para todos aqueles que querem ver os filhos tendo sucesso no esporte.

Na publicação, chamada de “Seu filho pode ser um craque”, Alguersuari Pai dá dicas como obrigar os garotos a estudar mesmo se tiverem sucesso nas categorias de base e destaca algumas características obrigatórias para os jovens atletas, sem as quais um garoto não se tornará uma estrela.

Só que em um dos capítulos do livro, nosso amigo espanhol se dirige aos pais cujos filhos não tiveram sorte no esporte. Em uma das frases, Alguersuarão diz que “são poucos os pais que aceitam na metade do caminho que seu filho não tem as condições para ter sucesso.”

Opa, peraí, será esse capítulo uma espécie de desabafo do autor? Ou será que ele fala por experiência própria?

Bom, pelo menos Jaiminho serviu para alguma coisa. Enquanto o ex-piloto é DJ em festas badaladas em Ibiza e St. Tropez e exerce o cargo de comentarista nas horas vagas, o pai se aproveita do fracasso na F1 para vender livros. Afinal, em uma publicação que tenta explicar o sucesso de gente como Fernando Alonso, Pau Gasol e Rafael Nadal, é difícil colocar Alguersuari-filho no mesmo grupo.

Este post foi uma dica da colega Juliana Tesser.

A equipe que tinha medo de vencer

março 25, 2012
Sergio Pérez F1 GP da Malásia

Sergio Pérez poderia ter vencido o GP da Malásia. Não deu. Será que ele terá nova chance na carreira?

Das equipes da F1 atual, uma das que eu não simpatizo é a Sauber. Acho que a proposta da Suíça em não tomar parte em nenhuma discussão – ficando sempre em cima do muro – não me agrada. Entretanto, isso não me impede de elogiar a boa prova feita por Sergio Pérez no GP da Malásia deste domingo, dia 25.

Na corrida, o que me incomodou foi a incapacidade do time em brigar pela vitória. Ao contrário da Ligier em 1996 (com Olivier Panis), da Prost (Jarno Trulli) e da Arrows (Damon Hill), em 1997, e da Stewart (Rubens Barrichello e Johnny Herbert) em 1999, a equipe de Peter Sauber fez de tudo para não terminar a prova de Sepang na primeira colocação.

Na Malásia, Pérez apareceu na briga pela vitória ao colocar pneus para pista molhada logo na segunda volta. Sendo muito mais rápido que os adversários nos giros iniciais, o mexicano aproveitou o fim da sequência de paradas para aparecer na segunda colocação, atrás apenas de Fernando Alonso.

Surpreendentemente, nesse momento Pérez era o piloto mais rápido na pista e rapidamente cortou a diferença que o separava do espanhol. Com a pista seca, a Ferrari chamou Alonso para os boxes em um momento que a distância entre os dois era menor que 2s. O mexicano, por sua vez, ficou na pista mais um giro, pegou tráfego e deixou os boxes mais de 7s atrás do adversário.

Depois disso, como já foi exaustivamente repetido, Pérez se aproximou novamente, mas na hora de passar o engenheiro pediu para que o garoto considerasse terminar na segunda colocação. Não por acaso, ele errou na curva seguinte e jamais voltou a pressionar Alonso.

Antes, quero deixar claro que não estou dizendo que houve qualquer tipo de conspiração para que Pérez não ultrapassasse o espanhol. O que defendo é que o erro da Sauber em mantê-lo na pista por mais uma volta custou a vitória. Se não fosse o aumento da diferença em mais de 5s em um único giro, Pérez teria, no mínimo, quatro voltas a mais para tentar passar Alonso.

Isto é, com quase 1/3 da corrida restando, talvez a fatídica fala do engenheiro não tivesse vindo. Afinal, naquele momento, nem o segundo lugar estava garantido.

Com o pódio em Sepang, Pérez está valorizadíssimo. Até porque Felipe Massa anda tão capenga, que quase tomou volta do mexicano na etapa malaia. Assim, os rumores de substituição de um pelo outro são cada vez mais veementes.

No entanto, se tudo der errado daqui para frente e a carreira de ‘Checo’ não vingar, essa poderá sido a última chance que ele teve de vencer uma corrida. Daqui alguns anos, somente fãs mais aficionados vão se lembrar do que aconteceu no GP da Malásia. Para todos os outros efeitos, a corrida em Sepang vai servir apenas como mais um número nas estatísticas de Fernando Alonso.

Novos carros da F1 2012 – Williams FW34, Sauber C31 e Toro Rosso STR7

fevereiro 9, 2012
Williams F1 2012 FW34

Mesmo com a contratação de Mike Coughlan, a Williams foi bastante conservadora para criar o FW34

A primeira bateria de treinos coletivos para a temporada 2012 da F1 vai chegando ao fim. Após nove lançamentos de carros e quatro dias de atividades de pista é possível chegar a alguma conclusão: os novos carros são feios.

Meio decepcionante, não? Se ainda não dá para se empolgar ao saber quem é quem na disputa pelo título, o visual dos novos modelos não ajuda muito a melhorar a animação para o novo campeonato. Desse jeito, talvez a melhor coisa seja desvendar os segredos das equipes para esquentar um pouco as coisas.

Em posts anteriores – os links estão lá embaixo –, as primeiras impressões dos carros da Red Bull, Ferrari, McLaren, Lotus, Caterham e Force India já foram expostas. Agora é vez da Williams, Sauber e Toro Rosso, quando finalmente será possível responder quais chances Bruno Senna terá na F1 em 2011.

Ao analisar o carro da Williams, não são muitas, na realidade. Mesmo com a equipe tendo passado por uma revolução dentro do departamento técnico, com a substituição de Sam Michael e Patrick Head por Mike Coughlan, o FW34, o carro de 2012, não parece ter correspondido a essa mudança drástica.

Williams F1 2012 FW34

A traseira curta, com bastante espaço para o ar, é um dos destaques do novo carro da Williams para a F1 2012

O novo modelo, na verdade, parece uma evolução do carro de 2011. A primeira impressão é que a Williams manteve tudo o que deu certo e resolveu mudar o resto. Só que o resultado na pista sugere que o time ainda vá sofrer no novo campeonato, embora os primeiros treinos não signifiquem muita coisa.

O primeiro destaque do FW34 é a asa dianteira ser presa na pontinha do suporte do bico, o que possivelmente significa a falta do duto frontal. Depois, o modelo segue a tendência do bico de ornitorrinco, para aumentar o fluxo de ar para o difusor. O degrau é similar ao da Ferrari, sendo bastante conservador.

O restante do modelo – sidepods, entrada de ar e tampa do motor – continua bastante similar ao carro de 2011. A grande inovação do carro do ano passado (e que não deu certo) foi a caixa de câmbio reduzida. Dessa vez, parece que esse artifício foi novamente utilizado, deixando a parte traseira muito curta.

A tampa do motor termina muito cedo – com os escapamentos posicionados em posição mais conservadora e apontados para a asa traseira – a asa, aliás, também fica presa na pontinha, a exemplo da peça dianteira. O resultado é ter muito espaço para que o ar flua e chegue ao difusor.

Há alguma expectativa em relação às principais inovações da Williams serem invisíveis, isto é, por baixo da carroceria. Sendo assim, fica difícil analisar qualquer coisa após um único teste.

Sauber F1 2012 C31

Nessa foto fica bem claro o buraco após o degrau e a posição dos escapamentos do novo carro da Sauber apra a F1 2012

Sauber C31:

Indo direto ao ponto no carro da Sauber, o C31 apresenta três maiores inovações: bico, entrada de ar e escapamento. Menos importante que essas partes vem a pintura. É óbvio que layout não ganha corrida, mas carro mais feio que o da equipe suíça não há.

Heh, indo ao que interessa, o bico da Sauber é um dos mais curiosos. Comparado ao das outras equipes, ele é bastante avantajado. Parece ser um dos bicos mais longos até agora e, ao contrário dos rivais, os suíços optaram por colocar a câmera quase na metade da peça.

A justificativa para essas escolhas é direcionar o fluxo de ar para o restante do carro. O grande problema do degrau parece ser a turbulência que ele causa, fazendo com que o ar não siga junto ao carro, prejudicando a geração da downforce. Além do bico, a grande inovação é um buraco – assim como a Red Bull – após o desnível. No entanto, ao invés da equipe austríaca, o buraco é localizado após o degrau, pouco antes do monocoque.

Sauber F1 2012 C31

A Sauber apareceu em Jerez com uma nova tampa do motor, com o escapamento, digamos, escondido

Seguindo até a entrada de ar, a exemplo da Ferrari – ou da Force India em 2011 – o Sauber C31 tem a entrada principal, ovalada, além de um segundo buraco para a refrigeração do equipamento, localizado logo abaixo.  O restante do equipamento é bastante similar ao do ano passado.

O último ponto é a tendência da Sauber em colocar a saída do escapamento encoberta pela tampa do motor, sem o bocal para fora. Essa é uma escolha que outras equipes ainda devem se utilizar. Por fim, o escapamento da Sauber segue de forma tradicional, apontando para a asa traseira.

Toro Rosso F1 2012 STR7

Depois de investir pesado no final de 2011, a Toro Rosso manteve muitos dos novos componentes no STR7

Toro Rosso STR7:

Como a equipe satélite da Red Bull foi um dos times que mais investiu no final de 2011, já era esperado que eles mantivessem muitas das atualizações. A aerodinâmica, por exemplo, é praticamente a mesma, salvo o degrau no bico, que apresenta uma borda em ‘V’, para tentar amenizar os efeitos da turbulência.

O bico de ornitorrinco, evidentemente, também é uma novidade. No restante, o carro é bastante similar ao do ano passado. A base dos sidepods manteve o corte para melhorar o fluxo de ar, enquanto a peça – assim como a tampa do motor – é mais longa que o da Red Bull.

Apesar disso, o carro tem algumas novidades. Assim como a Sauber,  há duas entradas de ar na parte de cima: a principal, além de uma localizada logo abaixo. E o outro destaque é o escapamento localizado próximo ao duto do freio da roda traseira, para aumentar a downforce.

Com o bom desempenho da Toro Rosso no final da temporada passada, a adição de uma dupla mais habilidosa que a anterior e inovações não tão conservadoras, a equipe italiana pode ser uma forte candidata ao quinto lugar no Mundial de Construtores.

Toro Rosso F1 2012 STR7 3DPara ver a apresentação do carro da Caterham para a F1 2012 basta clicar aqui. E para ver a apresentação do MP4/27, o novo carro da McLaren para a F1 2012, basta clicar aqui.  Os carros da Ferrari e da Force India na F1 2012 é só clicar aqui. Agora, se você estiver procurando sobre o novo carro da Red Bull é só clicar aqui. A Lotus está aqui. Para encerrar as equipes grandes, clique aqui para ver a nova Mercedes. Já as sempre atrasadas Marussia e HRT estão aqui.

Os melhores momentos de Macau

novembro 30, 2011
Macau

O que não faltou em Macau foram boas disputas

Eu já tinha falado da etapa de Macau da F3 em um post aqui no World of Motorsport, mas volto a falar da tradicional corrida por um bom motivo.

Como acontece todos os anos, uma equipe cinematográfica capta os melhores momentos da prova para fazer um curto vídeo dos highlights da competição. Quem encabeça o grupo é o diretor Sergio Perez, que no tempo livre é piloto da Sauber.

Mentira! É só um homônimo do piloto mexicano, mas que também é deveras talentoso na área.

O vídeo é bem legal, muito bem feito e eu recomendo que você assista, mas não acho que ele substitua ver a corrida na íntegra – o que pode ser feito clicando aqui.

Ainda assim, pelos highlights é possível ver direitinho todo o trabalho que Daniel Juncadella teve para vencer a corrida. Começando por uma excelente largada e passando pelas brigas por posições, incluindo um 4-wide. Tem também o espanhol se defendendo de Felipe Nasr nas voltas finais.

No final das contas, além de registrar o desempenho de Juncadella o vídeo demonstra todo o clima que cerca a prova de Macau e a importância do evento para os pilotos. Eu recomendo.


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