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F1 2013 no Canadá

junho 4, 2013
Falando em Canadá, esse é Greg Moore correndo pela Mercedes

Falando em Canadá, esse é o saudoso Greg Moore correndo pela Mercedes

A F1 chega ao Canadá, neste fim de semana, para a disputa da sétima etapa da temporada 2013. Duas semanas após o GP de Mônaco, como não poderia deixar de ser, o principal assunto no paddock são os pneus. Entretanto, dessa vez, mais se fala da borracha fora que dentro das pistas.

O treino secreto que a Mercedes fez com a Pirelli após o GP de Barcelona ainda está repercutindo, com boa parte das equipes dizendo que a montadora alemã levou vantagem com a atividade. Ross Brawn, por sua vez, se diz confiante em não sofrer nenhuma sanção pesada e por isso espera o julgamento do Tribunal Internacional, que deve acontecer em duas semanas.

Dentro da pista, por outro lado, hoje não se falou dos pneus. Talvez pelo tempo frio e chuvoso em Montreal, as equipes não tiveram um desgaste acentuado da borracha, fora aquele já esperado. Por isso, é possível que algumas escuderias, principalmente aqueles que cuidam melhor dos pneus, apostem em uma tática de uma só parada no domingo.

Aí vai entrar em cena aquele velho gráfico de performance x número de paradas. Isto é, será que vai compensar para as escuderias fazer um único pit-stop e se arrastar pela pista de Montreal com os pneus desgastados, enquanto outros carros vão poder fazer uma parada a mais, colocar compostos novos e andar muito mais rápido?

Levando em conta o GP do ano passado, eu diria que a segunda opção tem mais chances. Como há muitos pontos de ultrapassagem em Montreal, talvez seja melhor para algumas equipes colocarem o pneu novo faltando entre dez e 15 voltas e sair ultrapassando todo mundo. Foi isso o que Sergio Pérez e Romain Grosjean fizeram no ano passado, e eles terminaram no pódio.

Além disso, há sempre o risco de o safety-car dar as caras em Montreal. Pela proximidade do muro em alguns pontos, além das tangências fechadas na curva 2 e no hairpin, é sempre normal acontecer algum salseiro por lá. E nesta F1 com pneus Pirelli é sempre inteligente ir aos boxes quando o carro de segurança é acionado. Afinal, mesmo que um piloto perca uma ou outra posição, ele terá pneus mais novos para não só recuperar esses postos como também passar outros adversários, já que o pelotão ainda vai estar compacto.

A1 GP do Canadá

A1 GP do Canadá

Falando em parada nos boxes, como curiosidade, a Marussia vai aposentar o tradicional ‘pirulito’, aquela plaquinha que as escuderias usam para liberar o piloto após o pit-stop. Assim como diversas equipes, os russos vão usar o farol automático a partir deste fim de semana. É que eles têm uma parceria com a McLaren e ganharam o semáforo antigo do time inglês.

Ainda sobre a McLaren, nunca é bom desconsiderar as chances de vitória de Jenson Button e Sergio Pérez em Montreal, principalmente se chover e tivermos uma corrida maluca. Entretanto, no caso de pista seca, o duelo deve mesmo ficar mais uma vez entre a Ferrari e a Red Bull, enquanto o rendimento da Mercedes vai depender de como eles tratarem os pneus

Outro detalhe interessante dessa prova é ver como os novatos vão se sair. Montreal é conhecida por ser uma pista em que os pilotos jovens têm maior dificuldade, já que eles praticamente não andam por lá enquanto estão nas categorias de base. Por isso, ainda precisam se adaptar.

Por fim, vale uma estatística interessante para o fim de semana. Desde 2005 o Muro dos Campeões faz ao menos uma vítima por ano, com exceção de 2008. No ano passado, foram Pastor Maldonado e Bruno Senna que ficaram por lá. Quem será dessa vez? Nos treinos, quem mais passou perto foi Fernando Alonso, mas o espanhol da Ferrari conseguiu frear e segurar o carro. Aliás, você pode clicar aqui e ver todas as vítimas do lendário Muro.

Para terminar, preciso fazer um desabafo. No último GP, apostei em vitória de Romain Grosjean em Mônaco. Aí o cara bateu quatro vezes durante o fim de semana. Quatro. Tá louco viu. Por isso, dessa vez meu palpite é um pouco mais conservador. Vitória de Sebastian Vettel, seguido por Fernando Alonso e Sergio Pérez. E o qual é o seu?

Confira os horários do fim de semana em Montreal:

Treino livre 3: 11h, no sábado
Treino classificatório: 14h, no sábado
Corrida: 15h, no domingo

Mais um dia na rotina da Red Bull

abril 19, 2013
Não há dúvidas de que António Félix da Costa está sendo preparado pela Red Bull

Não há dúvidas de que António Félix da Costa está sendo preparado pela Red Bull

Não há mais nenhuma dúvida de que António Félix da Costa está sendo preparado para assumir uma vaga na Red Bull nos próximos anos. A maior prova disso aconteceu neste sábado, dia 27, durante o treino classificatório da etapa de Aragón da World Series by Renault. Pouco depois de receber a bandeira quadriculada, o luso ficou parado na pista por causa de uma pane seca.

Dessa forma, o piloto da Arden Caterham perdeu o terceiro lugar obtido no grid e foi obrigado a largar da última colocação.

Vale lembrar que a Red Bull passou por esse problema na F1 duas vezes recentemente. A primeira aconteceu no GP de Abu Dhabi do ano passando, com Sebastian Vettel, então na luta pelo terceiro título. Naquela prova, o germânico ainda conseguiu se recuperar, subindo ao pódio em terceiro.

Mark Webber, por sua vez, foi ‘sorteado’ pela RBR no GP da China deste ano. Depois de também ficar sem combustível no Q2 da classificação, o australiano viveu uma maré de azar em Xangai, culminando com uma roda solta durante a corrida, o que forçou o abandono.

Agora foi a vez de Félix da Costa passar pela mesma situação. Como na World Series os carros são iguais e a duração da corrida é menor, o luso fez  uma boa prova de recuperação, mas acabou apenas no 13º lugar, sem conseguir marcar pontos. Assim, o português continua com 25 pontos na classificação geral, enquanto Kevin Magnussen, o líder, já soma 61.

Agora o piloto luso está 36 pontos atrás de Magnussen na classificação geral

Agora o piloto luso está 36 pontos atrás de Magnussen na classificação geral

É claro que pane seca geralmente é consequência de erro humano, ainda mais em uma categoria de base, mas há uma explicação para o que aconteceu neste sábado. Pressão.

No ano passado, como FDC não havia disputado todo o campeonato da World Series by Renault, a equipe Arden Caterham não estava pressionada. Independentemente do que o luso fizesse nas provas, o resultado já seria melhor que a última colocação de Lewis Williamson, que começou o ano pelo time.

Dessa vez a história é diferente. Félix da Costa é o favorito absoluto ao título da WS, então nem ele, nem a equipe podem errar. O problema é que o fim de semana em Aragón começou com Kevin Magnussen, da Dams, tendo um desempenho assombroso, sendo o mais rápido nos três treinos realizados.

Para tentar parar o dinamarquês – ou ao menos diminuir o prejuízo – a Arden Caterham precisou ir no limite para o treino classificatório, daí a margem elevada para o erro  que deu na pane seca.

O resultado foi terrível para o lisboeta, que soma apenas 25 pontos em três corridas até aqui, graças à vitória na segunda prova de Monza. É claro que está muito cedo para falar qualquer coisa, e FDC tem tempo suficiente para se recuperar, mas esse início tumultuado de temporada pode pesar. Se ele acabar o ano com o vice-campeonato, devido a uma diferença menor que 26 pontos com relação a Magnussen, a culpa terá sido desse fraco início.

F1 2013 no Bahrein

abril 13, 2013
As equipes fizeram algumas modificações nos carros para se prepararem para o GP do Bahrein

As equipes fizeram algumas modificações nos carros para se prepararem para o GP do Bahrein

Uma semana depois de usufruir de todos os confortos em um país livre como a China, a F1 chega ao Bahrein para a disputa da quarta etapa da temporada 2013. Dessa vez, porém, as equipes vão precisar ficar mais espertas, já que as ruas de Sakhir e Manama não são os locais mais seguros do mundo, e a primavera árabe ainda ronda a pequena ilha do Golfo.

Embora a sensação de insegurança seja menor neste ano, mais uma vez a F1 se mete em um país marcado por uma profunda crise política. Manifestantes contrários ao governo local e polícia se enfrentam todos os dias, e as ordens vindas da monarquia ditatorial é prender qualquer um que possa representar uma ameaça à corrida e à segurança nacional.

É nesse clima que os carros vão à pista a partir desta sexta-feira, dia 19. Não acho que essas são as melhores condições para que o esporte seja praticado, por isso a corrida deste fim de semana não deveria acontecer. Aliás, não se importar com os valores humanos apenas para que a prova aconteça vai de encontro aos ensinamentos do próprio esporte, como lealdade e respeito ao adversário.

Mas como Bernie Ecclestone não se importa muito com a filosofia e com a sociologia do esporte a corrida vai acontecer. E deve ser uma prova um pouco diferente das da semana passada, em que os pneus tomaram conta da corrida.

Parece que a Pirelli percebeu ter errado a mão com os compostos deste ano. A corrida na China foi confusa com os pilotos espalhados pela pista em estratégias diferentes. Por isso, quando um carro aparecia para ultrapassar outro, era difícil saber se valia alguma posição ou se era apenas para restabelecer a ordem dos pneus. Chegou ao cúmulo de Jenson Button perguntar pelo rádio à McLaren se deveria se defender de Lewis Hamilton, mostrando que as disputas na pista não tem a menor importância para o resultado final.

Aliás, falando dos antigos companheiros de McLaren, eles estão em situação opostas neste fim de semana. Enquanto Button vai aos poucos comandando a recuperação da equipe inglesa, Hamilton sabe que o rendimento da Mercedes não é tão bom quanto parece. Os carros prateados, sem dúvida, são muito rápidos em uma única volta rápida, mas desgastam pneus demais e perdem ritmo de corrida. É por isso que o britânico saiu da pole-position, mas quase perdeu o pódio em Xangai.

A1 GP do Bahrein, ok, brincadeira, esse é o carro de Hamad al Fardan na F-Renault V6 Asiática

A1 GP do Bahrein, ok, brincadeira, esse é o carro de Hamad al Fardan na F-Renault V6 Asiática

Ainda nas equipes de ponta, a Red Bull também vive em guerra com os pneus. Na China, eles abriram mão de desempenho em uma única volta para fazer a borracha durar mais. Quase deu certo, com Sebastian Vettel terminando na quarta colocação. O problema é que a escuderia mais uma vez abriu mão de participar do treino classificatório para ter uma tática mais tranquila na corrida.

O problema é que largando em nono e sem ter o carro dominante é complicado chegar na frente. É verdade que o alemão lutou pela vitória em alguns pontos da prova, mas no fim ficou apenas com o quarto lugar.

Assim, dos quatro times de ponta, quem vive a situação melhor é a Ferrari, cujo carro é bom nas tomadas de tempo, mas ainda melhor em ritmo de corrida. Tanto é que Fernando Alonso terminou duas das três corridas da temporada até agora e já tem uma vitória e um segundo lugar. Felipe Massa, por outro lado, segue com problemas para aquecer o pneu duro e por isso não tem um bom desempenho de corrida.

Como a corrida do Bahrein é disputada no deserto, a temperatura pode ser um fator positivo para o brasileiro. Por outro lado, como a Pirelli vai levar o composto médio e o pneu duro, ele terá que trabalhar ainda mais para deixá-los na temperatura correta.

De qualquer forma, o desempenho de Massa é muito melhor que o de Sergio Pérez, que foi especulado em Maranello durante boa parte do ano passado. Na China, o mexicano errou feio no treino livre e bateu na entrada dos boxes. Depois, o fim de semana todo deu errado e ele terminou em 11º, sem pontos.

O outro mexicano do grid, Esteban Gutiérrez, na Sauber, também não vive boa fase, sendo eliminado mais uma vez no Q1 e se envolvendo em um acidente nas voltas iniciais. Situação completamente oposta à de Nico Hulkenberg. Curiosamente, o alemão é o piloto que mais liderou voltas nas últimas quatro corridas, com 38 giros no primeiro lugar. Fernando Alonso, com 37, é o segundo. Vettel tem 33 e Mark Webber 32.

Para encerrar, falo das equipes pequenas. Neste fim de semana, a Caterham vai promover o retorno de Heikki Kovalainen no primeiro treino livre, enquanto Rodolfo González substitui Jules Bianchi na mesma atividade na Marussia. Ou seja, enquanto uma equipe está trabalhando para voltar ao décimo lugar, a outra deixa seu melhor piloto de fora de um treino. Daí acaba ultrapassada e não sabe por quê.

Bom, meu palpite furado para o fim de semana é vitória de Kimi Raikkonen, seguido por Fernando Alonso e Sebastian Vettel. Obviamente, a partir de agora não há a menor chance de isso acontecer.

Confira os horários do GP da Malásia de 2013:

Treino livre 1 – 4h quinta-feira
Treino livre 2 – 8h sexta-feira
Treino livre 3 – 5h sábado
Treino Classificatório – 8h sábado
Corrida – 9h domingo

F1 2013 na China

abril 8, 2013
Yao Ming foi o maior piloto de F1 da história da China. Ok, ele não foi um piloto, mas ainda assim foi o maior

Yao Ming foi o maior piloto de F1 da história da China. Ok, ele não foi um piloto, mas ainda assim foi o maior

Depois de duas semanas de folga, a temporada 2013 da F1 retorna para o GP da China, neste fim de semana. Em uma época não muito distante, quando os pneus Pirelli e a asa traseira móvel ainda não existiam, teríamos apenas motivos para lamentar a etapa de Xangai, visivelmente menos emocionante que as de Sepang.

Porém, desde a chegada dos novos artifícios, os chineses têm visto corridas mais emocionantes, graças à enorme reta do traçado. De qualquer forma, sempre há exceções. No ano passado, por exemplo, a Mercedes foi tão dominante, que só não conseguiu a dobradinha, pois um dos mecânicos errou na hora de prender a roda de Michael Schumacher em um dos pit-stops.

O problema é que desde então a escuderia prateada não fez mais nada na F1. Com problemas para fazer o DRS duplo funcionar, o time não conseguiu repetir bons resultados em 2012. Depois, eles mudaram o foco para a atual temporada, mas ainda parecem estar em um segundo escalão, atrás de Lotus e de Red Bull.

Além disso, eles ainda estão sendo obrigados a administrar crises internas. Há três semanas, em Sepang, Rosberg deixou claro que não está satisfeito com a função de segundo piloto. Nas voltas finais daquela corrida, mesmo mais rápido, o alemão foi proibido pela Mercedes de ultrapassar o companheiro de equipe, Lewis Hamilton. Após a prova, o germânico reclamou, bufou e disse que é bom a escuderia, no futuro, lembrar o que havia se passado.

De qualquer forma, essa não é uma situação exclusiva da montadora alemã. Ainda mais pressionada está a Red Bull, onde Sebastian Vettel realmente desobedeceu à instrução da equipe e deixou Mark Webber para trás nas voltas finais de Sepang. Após toda a confusão, o time austríaco já disse que não deve renovar o contrato do australiano, mas também cogita acabar com o jogo de equipe.

Provavelmente nada deve acontecer, mas será interessante ver até aonde os ecos de Sepang vão chegar nesta temporada.

A1GP da China

A1GP da China

Ainda falando sobre as equipes grandes, Ferrari e McLaren também têm bons motivos para se preocupar. A escuderia italiana, por exemplo, tem visto Fernando Alonso tomar tempo constantemente de Felipe Massa, principalmente em uma única volta rápida. Não há dúvidas de que o espanhol é o concorrente ao título de Maranello, mas é questão de tempo para que o sinal amarelo se acenda por lá.

Por outro lado, Massa ainda está com problemas em fazer os pneus durarem, como ficou mostrado no GP da Malásia. Na última corrida, o brasileiro foi obrigado a fazer uma parada a mais, nas voltas finais, tamanha a degradação dos compostos. Essa situação deve se amenizar na China, onde as temperaturas – e consequentemente o desgaste – são menores que na Malásia. Ainda assim, a Ferrari vai precisar trabalhar para encontrar o ponto ótimo no desempenho do brasileiro, descobrindo quando ainda é vantagem ficar com pneus antigos e a partir de onde é melhor colocar compostos novos.

Por fim, a equipe inglesa mais uma vez começa uma temporada com um equipamento pouco competitivo. Desde 2009 – o que nem faz tanto tempo assim – já é a terceira ou quarta vez que os carros prateados não conseguem acompanhar o ritmo dos mais rápidos no início do campeonato, obrigando os engenheiros de Woking a mostrar o poder de reação.

Não tenho dúvidas de que Jenson Button e Sergio Pérez ainda vão brigar por pódios e vitórias em 2013, o problema é quando isso vai acontecer. Se a reação da McLaren demorar muito, qualquer chance de título pode ir embora. E como o time britânico já fala em ignorar 2014 e começar a trabalhar no carro de 2015 (quando terá o motor Honda), abrir mão do atual campeonato não é a melhor escolha.

Dentre as equipes do meio e do fim do pelotão, Caterham e Williams vivem as situações mais delicadas. Com desempenho abaixo do esperado nas duas primeiras corridas do ano, os dois times já admitem que precisam de atualizações para dar a volta por cima. O problema é que, como a F1 ainda está na Ásia, as novas peças só devem chegar para o GP de Barcelona, quando 20% do campeonato já vai ter ido embora. E, obviamente, as outras equipes não vão estar de braços cruzados enquanto elas trabalham.

Para encerrar, meu palpite – furado – para o GP da China é mais uma vitória de Sebastian Vettel, com Alonso e Lewis Hamilton completando o pódio.

Confira os horários do GP da Malásia de 2013:

Treino livre 1 – 23h quinta-feira
Treino livre 2 – 3h sexta-feira
Treino livre 3 – meia-noite sábado
Treino Classificatório – 3h sábado
Corrida – 4h domingo

O que aprendemos com o GP da Malásia de F1?

março 28, 2013
Mark Webber mostrando como está feliz com Sebastian Vettel

Mark Webber mostrando como está feliz com Sebastian Vettel

Já se passou uma semana praticamente do polêmico fim de GP da Malásia, quando Sebastian Vettel desobedeceu a um acordo da Red Bull e ultrapassou Mark Webber nas voltas finais. Assim, passado o período de reflexão, resta perguntar o que aprendemos desde então? Acho que não muita coisa.

A maior lição que tiramos é que na F1 vale a máxima de que uma mentira contada várias vezes se torna uma verdade.

A principal mentira até agora é que é totalmente normal haver um acordo nas ultimas voltas para que dois pilotos de uma mesma equipe mantenham as posições e não duelem na pista. Em Sepang, isso não só aconteceu na Red Bull, mas também na Mercedes, onde Ross Brawn — sempre ele — impediu que Nico Rosberg passasse Lewis Hamilton pelo terceiro lugar.

Só que isso não deveria ser algo normal. É uma deformação do esporte criada pelas equipes, com a suposta justificativa de evitar desgaste do equipamento no fim da corrida, além de um eventual abandono duplo em caso de um acidente.

Mas em qual outro esporte acontece algo parecido? Será que no futebol há algum acordo para que o time que estiver na frente aos 30 minutos do segundo tempo saia vencedor? Com isso, o técnico poderia até poupar alguns jogadores. É algo que faz sentido na realidade brasileira, com os times precisando jogar toda quarta e domingo.

Ou então podemos falar de outro esporte de velocidade, como a natação. Talvez possa haver um pacto entre os atletas de quem fizer a última virada na frente será o vencedor. Dá para argumentar que são situações diferentes, pois na F1 acontece entre pilotos da mesma equipe, enquanto nessas modalidades seriam entre adversários.

Ok, mas o que me impede de montar uma equipe de natação e contratar quatro ou cinco atletas de ponta e propor algo assim entre eles. E quem garante que isso nunca aconteceu? Faria sentido pensar em algo assim em uma seletiva, por exemplo, para que um atleta se poupasse durante as eliminatórias de olho na decisão.

Uso essa mensagem de Webber para expressar o que penso sobre esses jogos de equipe

Uso essa mensagem de Webber para expressar o que penso sobre esses jogos de equipe

Só que isso não é esporte. A definição esportiva determina que o vencedor é o mais capaz durante todo o período de disputa. E se Webber tivesse ganhado na Malásia não seria isso p que teríamos visto. Esse acordo que existe é um assalto. Você assiste à corrida achando que ela vale até o fim, mas na verdade já há um pacto pelo vencedor.

A segunda mentira é que a Red Bull está muito desapontada com a atitude de Vettel. É claro que não estão. Webber é muito lúcido ao dizer que a equipe vai proteger o alemão. Prova disso é que o australiano deixou o GP da Malásia dizendo que iria rever a carreira e poderia deixar a equipe austríaca.

A resposta veio nesta quarta-feira, dia 26, quando o jornal alemão Bild disse que a equipe decidiu não renovar com o veterano para a próxima temporada. Coitado, que mal ele fez? Tudo o que queria era tentar vencer uma corrida, mas acabou usurpado nas voltas finais.

E a última mentira é que as pessoas, espectadores inclusive, se importam com jogo de equipe. Claro que não. Talvez se importem quando é um brasileiro envolvido, tendo que abrir mão de posição para um companheiro de equipe. Quando não tem um piloto do país, as justificativas das equipes até que parecem razoáveis não é mesmo?

Afinal, qual a diferença entre pedir para um piloto ceder uma posição e para outro não ultrapassar. Será que existe uma escala de desonestidade esportiva na F1? Assim, a Red Bull é mais boazinha que a Ferrari porque infringiu apenas algumas regras? Acho que não.

Para mim, embora já tenha lido que essa é uma opinião ingênua no meio da F1, os princípios do esporte devem ser respeitados. Só que não são quando a Ferrari rompe o lacre de Felipe Massa para beneficiar Fernando Alonso, ou obriga Rubens Barrichello a ceder a primeira posição. E também não são quando a Red Bull até cria um nome bonitinho – Multi21 – para manipular o resultado de uma prova.

F1 2013 na Austrália

fevereiro 26, 2013
Casey Stoner na F1. Não tem nada a ver com o GP da Austrália, mas ele já pilotou o simulador da Red Bull

Casey Stoner na F1. Não tem nada a ver com o GP da Austrália, mas ele já pilotou o simulador da Red Bull

Antigamente, o início de temporada de F1 era mais legal. Embora os treinos ao longo do ano fossem liberados, as equipes chegavam à abertura do campeonato sem saber muito o que esperar dos carros. Aí, a primeira etapa do ano virava uma verdadeira corrida de resistência, onde os pilotos largavam sem a certeza de que chegariam ao final.

Em situações mais absurdas, dava para contar nos dedos quantos carros de fato recebiam a bandeira quadriculada. Foi assim há 20 anos, quando Rubens Barrichello estreou na F1. Naquele 14 de março de 1993, o então piloto da Jordan foi um dos muitos que deixou o GP da África do Sul – disputado em meio a uma chuva torrencial – antes do final.

Assim, apenas cinco pilotos completaram todas as voltas. Alain Prost foi o vencedor, seguido por Ayrton Senna e Mark Blundell, de Ligier. Christian Fittipaldi e JJ Lehto foram os outros que terminaram a corrida.

A menos que aconteça algum fenômeno natural bizarro, essa situação não vai se repetir na Austrália. Nos últimos 15 anos, as equipes entenderam que mais importante que ter um carro rápido é ter um equipamento que chegasse ao final das provas, por isso os abandonos são cada vez mais raros.

O regulamento também propiciou isso. Com as limitações para troca de motores e câmbio por temporada, as escuderias não forçam esses componentes ao máximo, consequentemente aqueles estouradas de motores espetaculares, que parecia o anúncio da escolha de um novo papa,  quase não existem mais.

Dessa forma, o resultado do GP da Austrália é previsível. Embora seja difícil cravar quem vai terminar na frente, dificilmente ficará com outra equipe além de Ferrari e Red Bull. Lotus e Mercedes aparecem neste momento em um segundo escalão, enquanto a McLaren parece não ter se encontrado desde os treinos da pré-temporada.

(A1)GP da Austrália

(A1)GP da Austrália

Por isso, há dois elementos-chaves para esse primeiro GP do ano. Um é o treino classificatório, onde largar na frente dos principais rivais pode significar meio caminho para a vitória. E o outro – mais importante – é ser o primeiro a entender o comportamento dos pneus, para fazer as paradas nos boxes nos momentos corretos.

Há dois anos, a Sauber surpreendeu ao fazer apenas uma parada em Melbourne quando as demais equipes foram ao pit-lante duas ou três vezes. Naquela prova, tanto Kamui Kobayashi quanto Sergio Pérez terminaram na zona de pontos, mas acabariam desclassificados por não serem aprovados na inspeção técnica horas depois. Se alguma equipe de ponta conseguir reproduzir isso ou ao menos ter mais tempo de pista no auge dos pneus, certamente estará mais perto da vitória.

Por isso, meu palpite é de uma corrida emocionante, com muitas mudanças de posição em virtude das paradas nos boxes, mas com um resultado previsível: duelo entre Fernando Alonso e Sebastian Vettel, com o alemão levando a melhor. Felipe Massa completa o pódio. No entanto, minha torcida é para Kimi Raikkonen, e a verdade é que o finlandês vai vencer colocando três voltas no segundo colocado. Ok, ignore isso.

Para encerrar, chamo a atenção para dois pilotos do grid: Daniel Ricciardo e Jules Bianchi.

O australiano tem boas chances de conseguir um resultado satisfatório por dois motivos. O primeiro é o carro da Toro Rosso, que teve um desempenho decente ao longo da pré-temporada, e o segundo, óbvio, é que ele corre em casa. Já o francês não tomou conhecimento de Max Chilton e, levando em conta que a Marussia começa o ano melhor que a Caterham, ele tem tudo para sumir nessa batalha das equipes menores. Pena que ele precisa de uma tempestade como aquela da estreia de Barrichello para pensar em marcar pontos.

Confira os horários do GP da Austrália de 2013:

Treino livre 1 – 22h30 quinta-feira
Treino livre 2 – 2h30 sexta-feira
Treino livre 3 – meia-noite sábado
Treino Classificatório – 3h sábado
Corrida – 3h domingo

O dia em que Sebastian Vettel correu na F3 Espanhola

janeiro 3, 2013
Sebastian Vettel terminou em terceiro na estreia na Espanha

Sebastian Vettel terminou em terceiro na estreia na Espanha

Se tem uma categoria que vem crescendo nos últimos anos é a F3 Open, antiga F3 Espanhola. Com um custo muito menor que os demais certames da modalidade, o campeonato conseguiu atrair, em 2012, um grid de quase 30 carros em todas as etapas e promete ainda mais competidores para este ano.

É verdade que o nível dos atletas está um pouco abaixo do encontrado nas demais F3, mas sem dúvida a Open é um oásis nos grids cada vez mais desertos das diferentes F3.

Curiosamente, quem percebeu como esse campeonato era legal antes mesmo de se tornar popular foi o hoje tricampeão da F1 Sebastian Vettel. No ano de 2005, o agora piloto da Red Bull foi escalado para participar da etapa de Albacete da modalidade como uma forma de acelerar o processo de adaptação aos carros mais velozes.

Naquele momento, a carreira do germânico ainda enfrentava altos e baixos. O piloto vinha de um título dominante na F-BMW Alemã, quando venceu 18 das 20 corridas em que participou. No entanto, a adaptação em um F3 estava sendo muito mais lenta que o esperado. Das primeiras oito provas que disputou na F3 Euro de 2005, Sebastian pontuou apenas em duas.

Por isso, a Red Bull resolveu agir. Aproveitando o intervalo de quase um mês entre as etapas de Mônaco e de Oschersleben, a empresa rubro-taurina resolveu preencher a agenda do germânico para que ele acumulasse mais quilometragem. Assim, nesse tempo livre, Vettel foi escalado para correr na etapa de Albacete da F3 Espanhola e no Masters de F3.

O alemão guiou o carro número 3 da Racing Engineering

O alemão guiou o carro número 3 da Racing Engineering

No campeonato ibérico, a empresa austríaca fechou um acordo com a poderosa Racing Engineering, que passaria a inscrever um carro extra para o alemão. Nos primeiros treinos, o germânico chamou a atenção por rapidamente se entrosar com os mecânicos e perguntar praticamente tudo sobre o funcionamento do carro.

Ainda se adaptando à pista, o alemão conseguiu o quinto lugar no grid de largada. O piloto manteve a posição no começo da prova, mas conseguiu ultrapassar Andy Soucek – que viria a ser o campeão daquele ano – na 11ª volta. Depois disso, ainda contou com a sorte para avançar ao terceiro posto após o abandono de Álvaro Barba.

Vettel, por fim, grudou no segundo colocado, mas não conseguiu a ultrapassagem, fechando a prova apenas 0s4 atrás de José Manuel Pérez-Aicart. O vencedor foi Javier Villa, também da Racing Engineering, que anos mais tarde ficaria conhecido por militar na GP2.

Após o pódio, Vettel ainda aproveitou para mostrar à equipe que havia aprendido algumas palavras em espanhol antes de se despedir.

O resultado em Albacete, aliás, pareceu ter dado resultado nos planos da Red Bull, já que o germânico voltou a pontuar na etapa de Oschersleben da F3 Euro. Até o fim daquele campeonato, o piloto ainda conseguiu subir ao pódio em seis oportunidades, mostrando que finalmente estava completamente adaptado aos carros mais velozes.

Os melhores de 2012

dezembro 31, 2012
Sebastian Vettel voltou a mostrar, em 2012, porque é o melhor piloto da F1 na atualidade

Sebastian Vettel voltou a mostrar, em 2012, porque é o melhor piloto da F1 na atualidade

O último post de 2012 no World of Motorsport não é bem uma retrospectiva. É mais uma daquelas listas que elege os melhores da temporada. Para isso, peguei os mesmos quesitos do site Driver Database e comento aqui os meus vencedores, não só me limitando aos pilotos selecionados por eles. Além disso, em todas as categorias também entra um prêmio – digamos assim – para o melhor brasileiro. Vamos aos eleitos!

Johan Kristoffersson foi tão bem pela Audi, que chegou a ser pedido no DTM pelos torcedores

Johan Kristoffersson foi tão bem pela Audi, que chegou a ser pedido no DTM pelos torcedores

Revelação do ano: Johan Kristoffersson. Eu gosto de começar essa lista pelas revelações porque geralmente é um piloto pouco conhecido, mas dono de uma história muito boa. Em 2012, não foi diferente. O sueco Kristoffersson, de 24 anos, mostrou neste ano que pode se tornar um dos melhores pilotos de turismo da atualidade, quem sabe até mesmo se tornar um sucessor de Mattias Ekström.

Este ano, o sueco disputou três campeonatos: a Superstars Series (o principal campeonato de turismo da Itália), o Campeonato Escandinavo de Carros de Turismo (STCC) e a Porsche Cup da Escandinávia. Ganhou todos. Foram 42 corridas, com 17 vitórias, 27 pódios e nove pole-position. Para isso, derrotou nomes como Johnny Herbert, Vitantonio Liuzzi e Rickard Rydell.

Esse bom desempenho chamou a atenção da Audi, que o levou para participar de um treino do DTM no início do mês. No entanto, o piloto parece não ter agradado à montadora das quatro argolas e já anunciou que não negocia para participar do campeonato alemão, ao menos em 2013.

O principal problema para Kristoffersson é que assim como o surgimento foi muito rápido ele corre o risco de voltar a desaparecer no próximo ano. Resta saber se conseguirá aproveitar a boa fase e fechar alguns contratos vantajosos enquanto está em evidência.

No Brasil: Gabriel Casagrande. Dos muitos jovens pilotos que fizeram a transição para o automobilismo europeu de base em 2012, o paranaense não era um dos mais badalados. Pelo contrário, competindo pela equipe de Mark Burdett e enfrentando o encerramento das atividades da F-Renault UK, Casagrande tinha tudo para que os últimos 12 meses fossem jogados no lixo.

O piloto, no entanto, deu a volta por cima e se mostrou rapidamente um candidato às primeiras posições na F-Renault Norte-Europeia (NEC). Foram apenas dois pódios e uma primeira fila na largada, mas a certeza de que por uma equipe maior e sem um início de trabalho tumultuado poderia ter brigado por posições melhores.

Bruno Spengler ficou com o título do DTM ao vencer em Hockenheimring

Bruno Spengler ficou com o título do DTM ao vencer em Hockenheimring

Melhor pilotos de categorias de turismo: Bruno Spengler. Kristoffersson teve um desempenho muito bom em 2012, mas competiu por campeonatos de segundo escalão. Entre os grandes nomes do esporte a motor, Spengler foi quem levou a melhor.

Foi difícil decidir entre o piloto canadense da BMW e Brad Keselowski, da Nascar quem merecia o título aqui. Para escolher o premiado, levei em conta o que cada um fez na etapa decisiva de seus respectivos campeonatos. É verdade que Kese conquistou o título do certame americano apenas no seu terceiro ano completo na categoria, mas na corrida decisiva ele não foi bem.

O americano sofreu com uma estratégia errada nos boxes e só garantiu matematicamente a taça com o abandono de Jimmie Johnson. Mesmo assim, caso o rival tivesse continuado na prova, não havia risco de o piloto da Penske perder a taça, mas a última corrida não foi uma boa exibição.

Spengler, por outro lado, precisava vencer a etapa de Hockenheim para ficar com o título do DTM e foi justamente isso que aconteceu. O canadense segurou  Gary Paffett durante todas as últimas voltas daquela prova, para receber a bandeira quadriculada na frente e dar à BMW o primeiro título da montadora no retorno ao campeonato.

No Brasil: Nelsinho Piquet. Assim como definir o melhor piloto de turismo internacional, também foi difícil escolher um brasileiro para dar o prêmio. Afinal, além de Nelsinho, quem também um ano incrível foi Augusto Farfus, o primeiro representante do país a largar na pole e a vencer no DTM.

No entanto, Piquet teve conquistas mais expressivas em 2012, mesmo sendo um segundanista na Nascar Truck Series. O ex-piloto de F1 venceu na Nascar East, na Nationwide e duas vezes na própria Truck Series em circuitos ovais. Ele também se tornou o primeiro piloto estrangeiro a ter vencido tanto em circuito misto quanto oval na Nascar.

Sergio Sette Câmara venceu o torneio da IAME, o X30, na França

Sergio Sette Câmara venceu o torneio da IAME, o X30, na França

Melhor kartista: a definir.

No Brasil: Sérgio Sette Câmara. Em 2012, não teve um piloto de kart que tenha se destacado esmagadoramente. Nomes como Ólin Galli, Gustavo Myasava, João Vieira e até mesmo Gabriel Casagrande tiveram desempenhos muito bons, mas até mesmo pelo vasto número de torneios nacionais, não houve alguém que dominasse. Por isso, levo em conta títulos nessa hora. E Sette Câmara, correndo com chassi ART Grand Prix, venceu o mundial da fornecedora de motores IAME.

Luiz Razia fez uma etapa sensacional em Valência

Luiz Razia fez uma etapa sensacional em Valência

Surpresa do Ano: Luiz Razia. O que podemos dizer? Ninguém esperava que Luiz Razia fosse um candidato ao título da GP2, em um grid com nomes como Davide Valsecchi, Esteban Gutiérrez, Giedo van der Garde e até mesmo Felipe Nasr.

No entanto, o piloto baiano se mostrou focado durante toda a temporada e, com quatro vitórias, ficou com o vice do principal campeonato de acesso da F1. A taça só não veio porque ele acabou cometendo um erro na etapa de Monza, que acabou com qualquer chance de recuperação.

No mundo: Ryan Hunter-Reay. Aqui é preciso fazer uma inversão. Como Razia venceu o título principal de Surpresa do Ano, não faria sentido colocar mais um brasileiro. Por isso, escolho alguém que também surpreendeu em uma categoria internacional: Ryan Hunter-Reay. O americano venceu quatro vezes em 2012, bateu Will Power e se tornou o primeiro americano campeão da Indy desde Sam Hornish Jr.,em 2006.

Mesmo com os problemas, Sebastian Vettel foi campeão em Interlagos

Mesmo com os problemas, Sebastian Vettel foi campeão em Interlagos

Piloto de monopostos do ano: Sebastian Vettel. Eu gosto quando chega nessa parte da lista porque eu não preciso fazer um longo texto explicando a escolha pelo piloto alemão. Todo mundo já está cansado de saber os motivos de o piloto da Red Bull ser premiado, então eu posso ser breve aqui.

Talvez o único adversário de Vettel, em 2012, tenha sido Fernando Alonso, mas condecorar o espanhol não seria a melhor escolha. Além de ter encerrado o ano com o vice-campeonato, o piloto da Ferrari teve um desempenho pior que o de Felipe Massa nas duas últimas etapas da F1. Por isso, precisou de artimanhas da equipe italiana para ganhar posições, incluindo a do brasileiro. Portanto, não acho justo premiar um desfecho desses.

No Brasil: Luiz Razia e Helio Castroneves. Experientes em suas categorias, esses dois pilotos brigaram pelo título em 2012. Enquanto Razia foi uma surpresa na GP2, Castroneves se aproveitou do bom desempenho do carro da Penske e do motor Chevrolet para tentar desafiar Will Power e Ryan Hunter-Reay na Indy.

Com duas vitórias em 2012 – St. Pete e Edmonton –, Castroneves teve números muito parecidos com os que havia conquistado no seu auge na categoria, quando brigou pelo título nas últimas décadas. Dessa vez não deu, mas o reconhecimento está aí.

Antonio Félix da Costa dominou a World Series mesmo tendo estreado na quarta etapa

Antonio Félix da Costa dominou a World Series mesmo tendo estreado na quarta etapa

Novato do ano: António Félix da Costa. É difícil questionar o desempenho do piloto luso na World Series by Renault . Quando foi chamado para substituir Lewis Williamson no programa de jovens pilotos da Red Bull, o escocês estava na última posição do campeonato, sofrendo com um carro mal acertado, principalmente após uma pré-temporada muito mal feita.

Demorou cinco corridas para que Félix da Costa se encontrasse. Depois de um desempenho irregular nas primeiras etapas, o luso terminou em segundo lugar na corrida 2 de Silverstone. A partir daí, a história foi feita. Nas últimas cinco corridas do campeonato, o piloto venceu quatro e terminou a outra em segundo para mostrar que poderia ter disputado o título caso tivesse participado de todas as etapas da temporada.

O bom desempenho do português é ainda mais expressivo, já que a própria World Series by Renault foi vencida por um novato, Robin Frijns. No entanto, apesar de o holandês ter mostrado um desempenho excepcional, ele não teve a menor chance desde que Félix da Costa se juntou à categoria.

No Brasil: Augusto Farfus. Reconhecimento mais do que merecido para o segundo melhor piloto da BMW no DTM. ‘Ninho’, como é chamado pela esposa, conquistou duas pole-position em 2012 e se tornou o primeiro brasileiro a triunfar no certame, com a primeira colocação conquistada em Valência.

Piloto do ano: Sebastian Vettel. Acho que se havia alguma dúvida quanto ao desempenho do tricampeão da F1 em 2012 todas elas foram desfeitas com as quatro vitórias seguidas na temporada asiática e com as recuperações nos GPs de Abu Dhabi – quando largou em último – e do Brasil.

No Brasil: Nelsinho Piquet. É inegável que o ex-piloto da F1 fez história na Nascar com as conquistas de 2012. Agora é ver se ele va continuar marcando seu nome na categoria nos próximos anos.

Recapitulando:

Revelação: Johan Kristoffersson / Gabriel Casagrande
Piloto de turismo: Bruno Spengler / Nelsinho Piquet
Kartista: a definir/ Sergio Sette Câmara
Surpresa: Luiz Razia / Ryan Hunter-Reay
Piloto de monopostos: Sebastian Vettel / Luiz Razia e Helio Castroneves
Novato: António Félix da Costa/Augusto Farfus
Piloto do ano: Sebastian Vettel / Nelsinho Piquet

Concorda com a lista? E a sua, como seria?

Para entender Hamilton na Mercedes e Pérez na McLaren

setembro 28, 2012

Lewis Hamilton trocou a McLaren (carro à direita dele) pela Mercedes (à esquerda)

Que dia! Se você gosta de F1, esta sexta-feira, 28, foi um dia e tanto em termos de notícias. Primeiro a Mercedes anunciou a contratação de Lewis Hamilton para a vaga de Michael Schumacher. O inglês assinou contrato de três anos e vai receber apenas US$ 100 milhões por esse período.

Depois, foi a vez de a McLaren agir e confirmar a chegada de Sergio Pérez como substituto do inglês em 2013. Como é de praxe da equipe britânica, eles não anunciaram o tempo de contrato nem o valor do acordo com o mexicano, se limitando a dizer que será válido por muitos anos.

Assim, nesse momento, naturalmente surgem algumas dúvidas. A primeira delas é o que fará Michael Schumacher? Se a dupla da Mercedes em 2013 será Hamilton e Nico Rosberg, o heptacampeão sobrou. Então, ele vai novamente se aposentar? Vai mudar para a Ferrari? Para a Williams?

A segunda é quanto ao futuro de Lewis Hamilton. Será que o britânico vai conseguir repetir o bom desempenho na equipe germânica, que em três anos de F1 ainda não desenvolveu um carro minimamente competitivo? E a terceira diz respeito a Pérez. Será que o mexicano é mesmo todo esse prodígio que dizem ser?

Nenhuma dessas respostas teremos agora. A maioria delas, aliás, só será respondida no ano que vem. Entretanto, essa sexta-feira conseguiu desatar alguns nós no rolo que é a F1.

Uma análise que tem sido relativamente feita à exaustão nessas últimas horas aponta uma espécie de chapéu da McLaren na Ferrari. Isto é, assinando com Pérez, a equipe inglesa teria conseguido roubar um piloto que estava sendo preparado por Maranello para ser a aposta deles para o futuro. Vale lembrar que o mexicano fez parte da Academia da Ferrari e era figura constante em treinos e em testes da equipe italiana.

Sergio Pérez era nome quase certo na Ferrari, mas…

Porém, isso é mentira. A McLaren não roubou ninguém. Se a Ferrari realmente tivesse Pérez como sua aposta para o futuro, não faria o menor sentido para ela não fazer o possível – e o impossível – para mantê-lo em Maranello. Também não daria para falar que os ingleses teriam feito uma proposta irrecusável ao mexicano que a Ferrari não conseguiu igualar. Oras, se Hamilton deixou o time de Woking por não concordar com a proposta salarial, como eles poderiam seduzir Pérez financeiramente a ponto de o mexicano deixar a Itália?

A verdade é que a Ferrari não fez o menor esforço para contar com o mexicano nos próximos anos, por isso ele foi embora. Dessa forma, a Ferrari liberou Pérez já de olho em um grande prêmio, na verdade, o maior de todos: Sebastian Vettel.

Quem anda pelo paddock da F1 já ouviu um rumor de que o alemão teria um pré-contrato assinado para correr pela equipe italiana a partir de 2014, levando em conta que o vínculo com a Red Bull termina ao final próximo ano. Bom, eu não ando pelo paddock, então não sei nada disso, mas copio aqui o que o jornalista Will Buxton, do canal Speed norte-americano e narrador oficial da GP2 e da GP3, escreveu em seu blog esses dias.

“A Ferrari, entretanto, não tem necessidade real de substituí-lo porque ela precisa esperar apenas um ano para a chegada de um novo piloto. Esse piloto será Sebastian Vettel, e ele correrá pela Ferrari em 2014. Esse é um desses segredos amplamente conhecidos no paddock, assim como todos sabiam de Robert Kubica. A Ferrari não age no calor do momento. Ela faz pré-contratos com ao menos 18 meses de antecedência. E Vettel deve ter assinado um desses acordos”.

Essa análise faz todo sentido. Por que a Ferrari manteria Felipe Massa para 2013 – se é que vai mantê-lo – e ainda deixando Sergio Pérez ir embora? Certamente não é porque ela acredita no brasileiro. É porque já está de olho no futuro. Assim, a partir de 2014 possivelmente teremos Vettel e Alonso dividindo os carros vermelhos. Agora a gente entende por que tantas vezes o alemão da Red Bull já foi obrigado a responder sobre dividir uma equipe com Alonso.

Poderemos ver Sebastian Vettel vestindo vermelho Ferrari a partir de 2014

Se esse rumor estiver correto, há uma peça que não se encaixa nessa história toda: a Academia da Ferrari. Por qual razão a Ferrari teria gastado milhões, nos últimos anos, para desenvolver Pérez e Jules Bianchi se no momento em que abre uma vaga de titular o escolhido é um atleta de outra equipe?

A resposta é simples. É isso o que ela sempre faz. Montadoras como a Ferrari, a McLaren e a Mercedes têm muito dinheiro. Eles podem apontar o dedo para alguém na F1 e escolher com quem vão correr. Esses times jamais precisaram de programa de jovens pilotos para se fortalecer, mas a chegada de Lewis Hamilton – naquela história de um dia ter falado a Ron Dennis que ia competir por sua equipe – e a descoberta de Sebastian Vettel mudaram a percepção das escuderias. Na pressa por descobrir um novo fenômeno das pistas, acabaram criando esses programas.

Hamilton ainda teve toda a sorte do mundo de chegar à F1 em um momento em que havia duas vagas abertas na McLaren. Assim, a equipe inglesa pôde contratar Fernando Alonso – então atual bicampeão – e dar chance a um novato. Mas isso certamente é a exceção. Dificilmente uma escuderia de ponta terá dois postos em aberto nos próximos anos, portanto esses jovens pilotos terão cada vez menos chances. Quando há apenas uma vaga disponível por qual razão escolheriam um novato do programa se podem ter qualquer um do grid?

Assim, as equipes da F1 acabam lidando de formas diferentes com esses programas. Um dos motivos da Renault ter deixado a categoria foi a cobrança de resultados em razão de todo o dinheiro investido pela empresa. Foi por isso, também, que apenas Fernando Alonso conseguiu ser firmar entre os pilotos da Renault Junior. De resto, Heikki Kovalainen, Nelsinho Piquet, Lucas Di Grassi e Romain Grosjean tiveram pouquíssimas chances de mostrarem resultados e acabaram sacados após uma única temporada em média.

Quem melhor conseguiu lidar com tudo isso foi a Red Bull. Em 2005, quando a equipe propôs aquele rodízio entre Christian Klien e Vitantonio Liuzzi na vaga de titular e, obviamente, não deu certo, a equipe austríaca entendeu que a única forma de ter sucesso nessa peneira de jovens talentos é dar tempo a eles se desenvolverem. Foi por isso que o time se separou em dois: a Red Bull principal e a Toro Rosso, que serve como maturação dos seus pilotos.

Por isso, Sebastian Vettel e Mark Webber tiveram toda tranquilidade do mundo nesses últimos anos para conquistarem o bicampeonato da F1, enquanto Helmut Marko ficou responsável por comandar o futuro da equipe levando os jovens talentos até a Toro Rosso e, se provarem que são bons o bastante, promovendo-os para o time principal.

Apesar disso, no final das contas, os programas de Red Bull, McLaren e Ferrari não são tão diferentes. A grande maioria dos pilotos que passarem por eles jamais terão chances nas escuderias principais. Os rubro-taurinos ficam mais em evidência porque eles, sim, conseguem subir à F1 ainda pela Toro Rosso. Os demais apenas vão alimentar alguma esperança de estar no lugar certo e na hora certa como aconteceu com Hamilton na estreia na F1.

A falta de critério da FIA

setembro 16, 2012

A punição a Sebastian Vettel em Monza foi completamente questionável

O desempenho de Fernando Alonso na temporada 2012 da F1 é inquestionável. Quando o carro da Ferrari era ruim, o espanhol conseguiu vencer uma corrida – o GP da Malásia – para se manter na briga pela liderança da tabela de pontos. Depois, com a evolução do equipamento italiano, o piloto ganhou mais duas vezes para disparar na classificação do campeonato.

Assim, após 13 etapas, o piloto da Ferrari lidera a tabela com uma vantagem de 37 pontos para Lewis Hamilton, o segundo colocado.

Embora o desempenho do espanhol seja quase uma unanimidade, o piloto também acabou envolvido em algumas polêmicas. Nas duas últimas etapas, Romain Grosjean e Sebastian Vettel foram punidos por incidentes envolvendo o espanhol.

No caso do piloto da Lotus, não restam muitas dúvidas de que ele realmente foi o culpado pelo salseiro na largada do GP da Bélgica. Apesar disso, a suspensão de uma corrida – o primeiro gancho desse tipo nos últimos 18 anos – pode ser questionada. Afinal, esse não foi o pior acidente nem o erro mais grave da história recente da F1.

A disputa com Vettel em Monza foi ainda mais gritante. Em uma disputa que não aconteceu absolutamente nada, o piloto da Red Bull acabou recebendo um drive-through por espremer o adversário para fora da pista. O problema é que esse tipo de lance é algo recorrente na F1. Nico Rosberg fez isso em duas oportunidades no Bahrein e até mesmo Alonso empurrou o próprio atual bicampeão na própria Monza no ano passado.

Esses episódios podem indicar um protecionismo com relação a Fernando Alonso, mas nada que tire o mérito do bom desempenho na temporada. Aliás, o mais importante aqui é identificar a falta de critério da FIA. Parece que os comissários punem baseado nos pilotos envolvidos – se tiver um campeão a gravidade é maior – e também na plasticidade da batida, não os atos em si.

Nesse final de semana, eu assisti o vídeo do duelo entre Felix Serralles e Jack Harvey na etapa de Silverstone da F3 Inglesa. Na batalha, o piloto da Carlin forçou o adversário para fora da pista, e por muito pouco o carro da Fortec não acabou decolando. Sabe o que a direção de prova fez? Nada!

Talvez esse seja o exemplo mais claro da falta de critério no automobilismo. Em um primeiro momento, podemos pensar que há o mesmo protecionismo em Harvey, que é o único britânico com chances de título na F3. Ou podemos achar que a direção de prova considerou um lance normal, de corrida.

Só que o problema disso tudo é que esses garotos acabam concluindo que podem fazer esse tipo de manobra. Aí, quando chegam à F1, podem eventualmente causar algum acidente à Grosjean ou se envolver em alguma polêmica como Vettel/Alonso em Monza.

Concluindo, o mais importante de tudo isso não é apontar o dedo e afirmar que há proteção com algum piloto. Pelo contrário, o fundamental é que as corridas parem de ser decididas nas salas de direção de prova. Ninguém quer ver uma competição terminar e, minutos depois, chegar um comunicado anunciando meia dúzia de punidos.

O ideal é que os pilotos saibam o que pode ser feito e o que não pode. Assim, evidentemente, o número de punições diminuiria. E qual o melhor jeito de garantir que os atletas aprendam o regulamento? É haver algum consenso desde as categorias de base até as principais.


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