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A são-paulinização do Red Bull Junior Team

junho 28, 2012

Antonio Félix da Costa foi anunciado como novo piloto do Red Bull Junior Team

Um boato vinha tomando conta das terras rubro-taurinas essa semana : o escocês Lewis Williamson, próximo na linha de sucessão dos energéticos, estaria a ponto de ser substituído pelo luso Antonio Félix da Costa.

Nesta quinta-feira, dia 28, o rumor finalmente se confirmou. A Red Bull anunciou a saída imediata de Williamson do Junior Team, para a chegada do português, que agora se torna a principal esperança dos austríacos para a F1.

Vale lembrar que esse é um posto estratégico na Red Bull. Com Mark Webber e Sebastian Vettel constantemente especulados em outras equipes, não será surpresa se a escuderia resolver promover Daniel Ricciardo ou Jean-Éric Vergne (que ainda pouco mostraram em 2012) para o time principal. Dessa forma, abre uma vaga na Toro Rosso.

Como a Red Bull tem a política de aproveitar os talentos da casa na equipe italiana, o escolhido para esse hipotética vaga seria um garoto vindo da World Series by Renault. Antes, era Lewis Williamson, agora, Félix da Costa.

Além disso, é também necessário recordar que Williamson foi contratado no final do ano passado em uma espécie de emergência. Na ocasião, com Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne praticamente garantidos na F1 e Carlos Sainz Jr. e Daniil Kyvat ainda correndo de F-Renault, havia uma lacuna muito grande na hierarquia da empresa. Para compensar esse buraco, Helmut Marko ficou encantado com Williamson, que disputou a GP3 em 2011, e resolveu apostar no garoto.

Essa lua de mel com o escocês durou apenas três etapas da World Series. Lewis não só foi superado com extremamente facilidade pelo companheiro de equipe, Alexander Rossi, como também não conseguiu pontuar nas corridas. O piloto ocupa a última colocação na tabela de pontos, atrás mesmo de Yann Cunha, Zoel Amberg, Anton Nebylitskiy e Vittorio Ghirelli.

Com um vexame tão grande, a Red Bull começou a entrar em desespero. Afinal, é esse o cara que deve assumir a titularidade na Toro Rosso em breve? Para ajeitar as coisas, Williamson foi demitido sem qualquer piedade e Antonio Félix da Costa entrou no lugar.

Lewis Williamson

A Red Bull não teve paciência com Lewis Williamson é já o chutou

Acho os argumentos da Red Bull para a demissão do piloto bastante coerentes e faz parte da linha que a equipe já vinha seguindo, com as dispensas recentes de Jaime Alguersuari e Sébastien Buemi, além de outros nomes como Brendon Hartley, Daniel Juncadella, Jean-Karl Vernay e Edoardo Mortara.

Só que o problema não é esse, evidentemente. O erro está na hora de contratar. Quem acompanha as categorias de base sabe que Williamson nunca foi um piloto brilhante. Ele começou tarde no automobilismo e disputou duas temporadas da F-Renault Inglesa, antes de terminar com o vice-campeonato, em 2010. No ano seguinte, correu na GP3, onde conquistou uma vitória e foi o oitavo no final.

É verdade que ele não tem um currículo ruim, assim como também é verdade que impressionou na GP3, mas nada demais até aí . Só que por algum motivo a Red Bull resolveu apostar nele. Aí não tinha como dar certo. Forçar uma carreira meteórica a um piloto apenas bom nunca foi uma grande solução.

Como resultado, Williamson agora sofre um baque na carreira ao ser dispensado pela Red Bull após cinco corridas apenas. Será que ele é um piloto tão ruim assim ou foi a RBR que contratou um gato, mas esperando um leão?

Aliás, falando na família dos felinos, a Red Bull lembra um pouco o time de futebol do São Paulo. No início do ano, a equipe paulista trouxe um jogador chamado Paulo Miranda, que havia se destacado no Bahia, no último campeonato brasileiro. O problema é que se tratava de apenas um bom jogador, mas muito longe de ser aquele que resolveria os graves problemas da zaga são-paulina.

Como resultado, Paulo Miranda foi afastado pela direção do clube por ter falhado em um jogo. Algo que qualquer um que o viu jogar no Bahia esperava que fosse acontecer. É culpa do jogador? Claro que não, todo esportista comete um erro em algum momento da carreira. Obviamente, o culpado é quem contrata.

No final, o tal do Paulo Miranda voltou a jogar porque os seus substitutos eram muito, muito piores que ele. Infelizmente, para Williamson, o mesmo não deve acontecer. O escocês deve ficar de fora permanentemente, já que Félix da Costa é realmente um piloto mais qualificado.

O luso, natural de Cascais, não foi escolhido por acaso. Seu principal triunfo no currículo foi ter sido campeão da F-Renault Norte-Europeia, em 2009, e ter sido o destaque da F-Renault Eurocup no mesmo ano. Ele correu contra um tal de Jean-Éric Vergne, (conhece?), e  deixouo francês constantemente para trás. Apesar disso, o futuro do português na Red Bull se resume a uma questão: ele era a principal opção da equipe para substituir Williamson ou era apenas o melhor nome disponível?


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