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Pantera adormecida

maio 3, 2013
A Panther está cada vez mas pequenininha na Indy

A Panther está cada vez mas pequenininha na Indy

Há dois anos, quando J.R. Hildebrand bateu na última curva das 500 Milhas de Indianápolis, escrevi aqui no World of Motorsport que o piloto americano havia falhado na missão de entrar para a história. Claro que aquele fim de corrida foi dramático, mas no futuro, quando as pessoas procurarem sobre o resultado da Indy 500, vão ver apenas o nome de Dan Wheldon. Somente os mais aficionados pelo esporte vão saber da circunstância daquela vitória.

Agora, em 2013, não há muitas dúvidas de que aquele talvez tenha sido o último momento de brilho da tradicional equipe Panther na categoria. Acostumada a brigar por vitórias com pilotos como Scott Goodyear e Sam Hornish, além de Thomas Scheckter, Vitor Meira e o próprio Wheldon, a equipe de John Barnes, uma das poucas remanescentes da antiga IRL, não ocupa mais o quarto posto na ordem de forças da categoria.

Se há alguns anos a Panther estava atrás apenas de Penske, Ganassi e Andretti, não é absurdo dizer que ela já foi superada por Foyt, KV e Dreyer & Reinbold (antes da fusão). Também não está errado dizer que Rahal Letterman, Sam Schmidt e Dale Coyne tiveram momentos de muito mais brilho nos últimos anos, ainda que no conjunto da obra o time Barnes esteja melhor.

E isso coloca por terra o argumento de que a Panther encolheu por falta de dinheiro. É verdade que a escuderia não tem o mesmo orçamento que Penske, Ganassi e Andretti, mas ela não termina na frente desde 2005, quando Thomas Scheckter triunfou no Texas. Para piorar, nesse período, a Dale Coyne, pior equipe da Champ Car, já venceu duas vezes.

Dan Wheldon wins the Indy 500

E esse momento mudou a história

O problema da Panther é que ela parou no tempo conforme a Indy foi mudando. Com cada vez menos etapas em ovais, as equipes medianas entenderam que é melhor você ter um especialista em circuitos mistos a contratar alguém mediano tantos em ovais quanto em mistos.

É por isso que nomes como Justin Wilson, Takuma Sato, Mike Conway, Simona de Silvestro e Sébastien Bourdais são tão valorizados na categoria. E o que eles têm em comum? Tirando Simona, todos os outros fizeram carreira na Europa, chegaram a categorias como F1, GP2 e F3000, antes de se mudarem para a América.

Atual titular da Panther, J.R. Hildebrand seguiu o caminho contrário. O piloto competiu nos Estados Unidos e foi campeão da Indy Lights antes de descolar uma vaga na categoria principal. Só que o título do americano foi em 2009, numa época em que James Hinchclife, por exemplo, era um novato.

Desde então, o canadense não só venceu o título de Novato do Ano da Indy, em 2010, como conseguiu uma boa transferência para a Andretti e se tornou um dos pilotos de ponta da categoria. Por isso, por mais que J.R. ainda tenha espaço para se desenvolver, talvez fosse melhor para a Panther dar uma olhada no automobilismo europeu.

Em uma F1 onde o dinheiro é cada vez mais importante para a chegada de novos pilotos, o time americano poderia contratar alguém que ficou sem vaga por lá. Por que não pensar algo e trazer Heikki Kovalainen, Timo Glock ou até mesmo Kamui Kobayashi?

Por outro lado, dá para entender que os pilotos que hoje alcançam a F1 pensam em continuar na Europa, seja no DTM, seja no WEC.  Por isso, uma solução para a Panther poderia ser trazer alguém que se destaque na GP2, mas não tenha o orçamento necessário para subir à F1.

No grid de 2013, não há muitas dúvidas de que Felipe Nasr e James Calado são os nomes de maior destaque. Se eu fosse a Panther, ficaria de olho caso o plano deles de alcançar a F1 não dê certo. Mas isso não quer dizer que o restante do grid seja composto por pilotos fracos. Alexander Rossi, por exemplo, é americano e já mostrou bons resultados em praticamente todas as categorias por onde passou.

Mas eu gostaria de ver Sam Bird tendo uma chance. Reserva da Mercedes na F1, dificilmente o inglês vai ter alguma chance na categoria principal. Então, por que não arriscar e seguir o caminho de Dan Wheldon, trocando o automobilismo europeu pelo norte-americano, podendo até se tornar um ídolo deste lado do Atlântico?

Origens: Sam Hornish Jr

fevereiro 22, 2013
Hornish começou a carreira na USF2000, onde pouco se destacou

Hornish começou a carreira na USF2000, onde pouco se destacou

O World of Motorsport estreia hoje uma nova seção, Origens, que vai desvendar o que grandes pilotos faziam em suas carreiras antes de alcançar a glória no automobilismo. Quem abre essa nova página é Sam Hornish Jr, vencedor da etapa da Nationwide, em Las Vegas, neste sábado, dia 9.

O americano ganhou destaque no esporte a motor ao conquistar o bicampeonato da Indy, entre os anos de 2001 e 2002, pilotando o carro amarelo da Panther e tendo vencido nomes como Helio Castroneves e Gil de Ferran. Depois disso, ainda levou mais um título competindo pela Penske, até fazer a transição para a Nascar, onde tenta se firmar até hoje.

Mas obviamente a carreira dele começou muito antes de ser contratado pela Penske. Mais precisamente em 1990, quando Sam Hornish Sr, o pai do piloto, comprou um kart para que pudesse passar mais tempo com o filho, sendo o mecânico, enquanto o garoto pilotava.

Nos carrinhos, Hornish Jr conquistou alguns campeonatos nos Estados Unidos e no Canadá, antes de fazer a transição para os monopostos. O problema é que depois disso em momento algum deslanchou. Durante muito tempo, ele só conseguia avançar à próxima categoria porque estava no lugar certo e na hora certa, além de impressionar os empregadores quando ganhava uma oportunidade.

Para começar a fase irregular, Hornish disputou a F2000 e a USF2000 entre 1996 e 1998, mas sem obter grandes resultados. Nesta última, ele fechou a temporada 1998 apenas na sétima colocação, com dois pódios em 14 corridas, ficando atrás de nomes como David Besnard, Robbie McGehee e Andy Lally, que tiveram pouco ou nenhum destaque nas respectivas carreiras.

Na péssima PDM, o americano conquistou um pódio

Na péssima PDM, o americano conquistou um pódio

Mesmo assim, Hornish descolou uma transferência para a F-Atlantic no ano seguinte. Só que mais uma vez o desempenho não foi tão bom. Correndo pela equipe de Michael Shank, o piloto até conquistou uma vitória, mas concluiu o ano mais uma vez em sétimo, atrás de Alex Tagliani, Buddy Rice e do campeão Anthony Lazzaro, hoje militante do endurance. Como prêmio de consolação, o futuro piloto da Penske foi o novato mais bem classificado.

Por isso, a lógica seria que Hornish continuasse no certame por mais um ano, onde tentaria disputar o título. Foi isso o que Buddy Rice fez. Mas Sam tinha planos diferentes. Disposto a realizar o sonho da vida e correr na Indy, o americano fechou contrato com a pequena equipe PDM para disputar oito das nove corridas da temporada 2000.

Por estrear em um time pequeno, o piloto teve um ano de altos e baixos. Patrocinado pela empresa da família, Hornish impressionou logo de cara ao conquistar o terceiro lugar na corrida de Las Vegas – vejam que coincidência –, além de terminar em nono no Kentucky, onde liderou por 38 voltas. Porém, nas demais seis corridas, abandonou cinco e terminou 28 voltas atrás em outra.

Como acontece com tantos outros pilotos, a carreira da Hornish poderia ter acabado aí. Com o dinheiro da família terminando e sofrendo com um carro ruim, a única chance de seguir na Indy seria arrumar algum patrocinador. Por outro lado, o bom desempenho em Las Vegas e no Kentucky chamou a atenção de alguns times grandes, entre eles a Panther, que estava com uma vaga em aberto para o ano seguinte devido à aposentadoria de Scott Goodyear.

Hornish, porém, não era o primeiro nome na lista do time de John Barnes. O dirigente estava em dúvida entre três pilotos e adiava ao máximo a decisão de quem seria contratado. Após a corrida do Kentucky, o chefão da Panther resolveu dar umas voltas pelo infield do circuito enquanto pensava sobre o novo contratado.

Sam Hornish Jr Indy

Pela Panther foram dois títulos em três anos

Conforme contou ao site da própria escuderia americana, Barnes disse que pediu um sinal divino para saber qual dos três deveria contratar para 2001. Quando voltou às garagens, viu Hornish saindo de uma porta e não teve dúvidas. Fez a proposta ali mesmo e alguns dias depois o contrato já estava assinado. Lembra aquela coisa de estar no lugar certo e na hora certa? Então…

Com o contrato assinado com a Panther, Hornish não precisou mais se preocupar com patrocínio, já que contava com o apoio da Pennzoil. Em três anos juntos, conquistaram dois títulos e um quinto lugar na tabela de pontos.

Não tenho muitas dúvidas de que Hornish foi o maior piloto da história da Indy. Mesmo correndo por uma equipe pequena como a Panther – se comparada a gigantes como Penske, Andretti e Ganassi – o americano sempre esteve um nível acima dos adversários e era mestre em ultrapassar pelo lado de fora, algo pouco explorado naquela época.

Além disso, ele teve a sorte de viver a Indy no momento certo, quando todas as corridas eram disputadas em ovais, tipo de traçado em que era mestre. Era um Will Power às avessas, portanto, mas sem precisar se preocupar com os mistos.

Número 1

setembro 18, 2012

Ryan Hunter-Reay conquistou o título da Indy com todos os méritos

A Indy finalmente voltou a ter um campeão norte-americano. Com todos os méritos, Ryan Hunter-Reay fez uma temporada cheia de bons resultados e desbancou Will Power, na Califórnia, para ficar com o título. Desde Sam Hornish Jr, em 2006, a categoria não tinha um piloto nascido nos Estados Unidos terminando na frente.

O título de Hunter-Reay pode trazer de volta outro velho conhecido do esporte a motor, mas que andava meio sumido da Indy: o número 1.

De acordo com as regras da categoria norte-americana, ao contrário da F1, as equipes e pilotos podem escolher com que número vão correr. Assim, Helio Castroneves sempre teve o número 3, enquanto Dario Franchitti pilota o carro número 10 desde que chegou à Chip Ganassi.

O 1, por sua vez, fica reservado ao campeão do ano anterior, mas a escuderia pode abrir mão desse privilégio e continuar correndo com o mesmo número.

E foi justamente isso o que aconteceu praticamente nos últimos dez anos. Por diversos motivos, os últimos nove campeões se recusaram a ostentar o número do campeão. O último a usá-lo foi Scott Dixon, campeão em 2003 – quando ainda era um novato no certame – e teve o carro com o número 1 na temporada seguinte.

Scott Dixon foi o último piloto campeão a usar o número 1

Talvez a estratégia da Ganassi não tenha dado certo e os produtos licenciados do piloto neozelandês, encalhado. Afinal, desde aquela época, a equipe proibiu que seus atletas usassem o número 1. Assim, mesmo com os quatro títulos entre 2008 e 2011 (mais um de Dixon e os três de Franchitti), a escuderia manteve os carros com números 9 e 10. A justificativa dada pelo time é que já há uma identidade entre esses numerais, os pilotos e os patrocinadores.

Nem mesmo Dan Wheldon escapou dessa determinação da Ganassi. O inglês foi o campeão da temporada 2005, correndo pela Andretti, mas mudou de equipe no ano seguinte. O britânico realmente queria usar o número 1 no novo time, mas acabou obrigado – pelos patrocinadores – a correr no carro número 10, e o 1 foi novamente esquecido.

O investidor também impediu que Tony Kanaan corresse com o número 1 em seu carro. Mesmo com o título de 2004, o brasileiro continuou a disputar a temporada seguinte com o 11. Como o principal patrocinador era a rede de lojas 7-Eleven, fica explicado o motivo.

Para terminar, restam os campeões de 2006 (Sam Hornish Jr.) e o de 2007 (Dario Franchitti). No caso do escocês, a explicação é mais fácil. Como ele passou a correr na Nascar no ano seguinte, ninguém pôde usar o número 1.

Já o americano continuou a usar o 6 mesmo com o título. Não há uma explicação oficial de por que ele não usou o 1, mas muito tem a ver com a identidade do carro. Quando foi bicampeão pela Panther, o piloto continuou com o número 4, então provavelmente o mesmo se repetiu com a Penske.

Em 2012, Ryan Hunter-Reay correu com o número 28 pelo segundo ano consecutivo. No entanto, é difícil afirmar que o americano tenha alguma identidade com o numeral, já que pela própria Andretti ele já correu com o 37.

RHR usa o 28, para dar sequência aos números dos demais pilotos. Quando a Green (equipe comprada por Michael Andretti) se estabeleceu na Indy, ela passou a correr com os carros números 26 e 27. E o novo chefão da escuderia sempre afirmou que esses números são os que importam.

Por isso, não acho absurdo ver Hunter-Reay com o 1 em 2013, afinal mostrar que é o atual campeão tem muito mais simbolismo que apenas correr com o 28. Apesar disso, não acredito em uma mudança.

P.S.: apesar de nenhum campeão desde Scott Dixon ter usado o número 1, ele fez uma rápida aparição em 2006. Michael Andretti, veja só, acabou usando o numeral ao disputar as 500 Milhas de Indianápolis naquele ano. Mas essa foi a única participação do agora dirigente dentro de um carro em todo o campeonato. Andretti, no entanto, também era um campeão. Como Dan Wheldon havia corrido para ele em 2005, Michael havia sido o vencedor entre os donos de equipe.

A primeira vitória de Nelsinho Piquet em um oval

agosto 24, 2012

Nelsinho Piquet se tornou o segundo estrangeiro a vencer na Truck Series, mas há estatísticas mais importantes que essa

No último final de semana, Nelsinho Piquet conquistou a primeira vitória da carreira em um circuito oval em uma etapa valendo pelas três principais divisões da Nascar. O brasileiro se aproveitou de uma estratégia de economia de combustível para triunfar na prova de Michigan da Truck Series.

Consequentemente, você já pode ter visto a estatística de que o piloto se tornou apenas o segundo estrangeiro a já ter vencido na categoria. É uma marca fantástica, claro, mas de certa forma relativa. A Truck Series foi criada apenas em 1995, então é natural que menos pilotos – incluindo nascidos fora dos Estados Unidos – tenham disputado esse certame.

Há, porém, outros números que podem contextualizar a conquista do brasileiro. Piquet é o primeiro estrangeiro a ter vencido tanto em um oval quanto em um circuito misto. As conquistas de Ron Fellows, Juan Pablo Montoya e Marcos Ambrose aconteceram apenas nos road courses, já Earl Ross – canadense vencedor de Martinsville em 1974 – e Mario Andretti ganharam somente em ovais.

Vale lembrar que Nelsinho já havia se tornado o primeiro estrangeiro a ganhar uma prova da Nationwide ou da Truck Series sem jamais ter disputado uma corrida da Sprint Cup.

Por fim, desde Juan Pablo Montoya, em 2007, um piloto vindo de uma grande categoria de monopostos não triunfava em duas divisões diferentes da Nascar. Naquele ano, o colombiano ganhou a etapa do Mexico, da Nationwide, e a de Sonoma da Cup. Não é nenhum demérito, mas o sul-americano segue sem vencer em ovais.

Por outro lado, outros nomes da Indy e da F1 também já conseguiram chegar ao Victory Lane. Scott Speed, por exemplo, é um dos casos mais famosos. O ex-piloto da Toro Rosso ganhou a etapa de Dover da Truck Series, em 2008, quando fazia apenas a sexta etapa da carreira na categoria. O desempenho do americano foi tão bom, que a Red Bull resolveu queimar etapas no desenvolvimento do piloto para logo jogá-lo na Sprint Cup.

Da Indy, Sam Hornish é um dos mais vitoriosos pós-Stewart. O piloto da Penske acumulou um longo aprendizado tanto na Nationwide quanto na Sprint Cup, mas só recebeu a bandeira quadriculada na frente no último ano, em Phoenix, valendo pela divisão de acesso. Em 2012, ele está na luta pelo título, mas ainda não venceu.

O desempenho dos brasileiros nos ovais da Indy

julho 20, 2012

Sam Hornish sempre foi o demonho na pista, principalmente na trajetória de fora dos ovais

Sam Hornish Jr. foi, sem dúvidas, o piloto dominante da Indy no início da década passada. Com o carro amarelo da Panther, o americano não deu chance aos brasileiros e abocanhou dois títulos. O bom desempenho chamou a atenção de Roger Penske, que logo o contratou. É verdade que foram dias difíceis com o carro alvirrubro, mas o tricampeonato veio em 2006.

O segredo de Hornish? Ele sabia pilotar em ovais. Hoje, com a popularização da Nascar, a mecânica desse tipo de pista tipicamente norte-americano não é mais um mistério. Embora pareça uma ideia melhor aproveitar o traçado interno para percorrer uma menor distância, não é mais novidade que o carro que for por fora pega embalo nas curvas, por causa da inclinação, e acaba ganhando mais velocidade/momentum na reta.

Hornish sabia disso e acertava o carro da Panther para ser imbatível no traçado de fora. Assim, em uma semana sim e na outra também, lá estava o americano brigando por vitórias e campeonatos.

Apesar disso, naquela época, os brasileiros eram uma pedra no sapato do americano. Helio Castroneves, Tony Kanaan e Gil de Ferran conseguiam levar a disputa do título até as últimas etapas. Às vezes, na última volta de uma prova o campeão ainda não era conhecido.

As coisas mudaram um pouco em 2005, quando a Indy decidiu colocar os circuitos mistos no campeonato. A partir daí, o domínio de Hornish passou a ser ameaçado, já que muita gente achava o americano um miolo-mole que não sabia virar à direita. De fato, o americano teve bastante dificuldade nesses traçados, mas ele continuava somando bons pontos nos ovais. Enquanto isso, surgiu Scott Dixon (e posteriormente Dario Franchtti), logo se mostrando um piloto formidável nos autódromos.

Mas os brasileiros também tiveram seus dias de glória nos ovais

Quanto aos brasileiros, a chegada dos circuitos mistos não ajudaram muito na busca pelo campeonato. Na verdade, Tony Kanaan até levantou a taça em 2004, mas a conquista aconteceu ainda na época em que a Indy corria apenas em ovais. De lá para cá, se a categoria tivesse mantido a tradição e deixado os circuitos mistos de fora, o resultado dos brasileiros poderia ter sido ainda mais positivo.

A própria temporada de 2012 é um retrato disso. Até agora, a Indy correu apenas quatro vezes em ovais: Indianápolis, Texas, Iowa e Milwaukee. Nesse campeonato à parte, Ryan Hunter-Reay também aparece na liderança, com 136 pontos, mas o americano supera Kanaan apenas nos critérios de desempate, já que venceu duas vezes contra nenhum triunfo do brasileiro. Assim, quem terminar na frente na Califórnia, no final da temporada, possivelmente será o campeão dos ovais deste ano. Helio Castroneves, por sua vez, aparece em quarto, com 113.

Na classificação geral do campeonato, Castroneves aparece um pouco melhor classificado: é o terceiro, mas já está 46 pontos longe de Hunter-Reay. Kanaan é o sexto e Rubens Barrichello, apenas o 16º.

Mas mais marcante que a atual temporada foi o ano de 2010. Naquela época, a categoria correu em oito ovais: Kansas, Indianápolis, Texas, Iowa, Chicagoland, Kentucky, Motegi e Homestead-Miami. Quem se deu bem nessa disputa à parte foi Helio Castroneves, que somou 245 pontos, contra 240 de Scott Dixon. Uma disputa bem diferente da classificação geral, onde Dario Franchitti foi campeão em cima de Will Power por apenas cinco pontos.

Mas é claro que o outro lado também acontece. Em 2008, Helio (223) foi o piloto que mais pontuou em circuitos mistos, seguido pelo compatriota Tony Kanaan (188). O problema é que eles não foram bem nos ovais e o título acabou com Scott Dixon, que havia marcado apenas 164 nos autódromos.

Em 2005, foi a vez de Tony Kanaan (133) ser o maior pontuador em mistos, mas o título daquele ano ficou com Dan Wheldon, que havia marcado 92 nessas pistas. Obviamente, é impossível dizer que se a Indy tivesse um campeonato similar ao da F1, correndo apenas em mistos, a situação seria diferente para os brasileiros. Afinal, ao menos uma etapa – Indianápolis – todos os anos será realizada em um oval.

Apesar disso, por essa análise, não é um absurdo tão grande concluir que o desempenho de Tony Kanaan e Helio Castroneves, no geral, tem sido o mesmo desde o auge deles na Indy, no início da década passada. Ao menos nos ovais eles têm sobressaído contra os demais adversários. O problema é que o grid melhorou, principalmente após a fusão de 2008. Assim, eles continuam conquistando resultados compatíveis ao que se espera deles, mas está mais difícil transformar isso em título.

Os últimos ajustes para a Nascar 2012

janeiro 28, 2012
Brad Keselowski

Entre os anúncios relevantes, Brad Keselowski renovou com a Penske e será o responsável por liderar a equipe nos próximos anos

A Nascar realizou na última semana o tradicional Media Tour, um evento em que as equipes montam festas bacanas para jornalistas e convidados e anunciam as últimas novidades para a temporada que está começando.

A realidade, porém, é que muitos times não tem noção do ridículo nesses encontros. Eles montam aquelas cenas típicas de F1 com os pilotos puxando o pano para apresentar o novo carro. Bom, como na Nascar o carro é padrão, a única novidade é o esquema de pintura, certo? Então. O problema é que todas as equipes enviam os layouts dos carros para as fabricantes de miniaturas com meses de antecedência e elas liberam as imagens para a pré-venda, entre outras coisas.

Aí quando a equipe vai fazer a festa de puxar o pano, na maior parte das vezes, é só para mostrar algo que todo mundo está cansado de ver.

Apesar disso, há alguns momentos interessantes, com os times mais atrasados fazendo anúncios de última hora visando Daytona. Assim, o World of Motorsport reuniu tudo de relevante que foi anunciado nas três principais divisões da Nascar para você poder conhecer as últimas notícias.

Por uma questão de organização, os informes estão listados de acordo com a categoria e em ordem numérica dos carros a que dizem respeito. Ao final de cada idem há um pequeno comentário que é a minha opinião sobre o fato.

Kevin Harvick

Essa foi a cara que Kevin Harvick fez quando DeLana contou que está grávida. Essa, portanto, é a última chance de ele vencer a Sprint Cup. Basta ver o desempenho de Jimmie Johnson depois que virou pai

Sprint Cup:

#2 Brad Keselowski, Miller Lite e o chefe de mecânicos Tom Wolfe renovaram com a Penske até 2015. Já era algo esperado após a saída de Kurt Busch. Esse se tornou o principal carro de Roger Penske, que quis manter o time intacto

#6 Ricky Stenhouse Jr corre em Daytona. É uma vaga merecida para o campeão da Nationwide. Como a corrida deve ser novamente feita com um carro empurrando o outro, essa é a forma que a Roush-Fenway encontrou para manter duas duplas

#09 Kenny Wallace vai disputar a Daytona 500 pela RAB Racing. É uma equipe pequena, mas que tem potencial para crescer. Vai ser difícil se classificar para a corrida, só que tendo Kenny Wallace – apresentador do Speed – já é uma equipe favorita dos fãs americanos

#19 Tim Andrews vai disputar a Cup pela equipe GoGreen, começando em Bristol. Eu acho que ele será demitido antes de se classificar para uma prova

#23 Robert Richardson Jr vai correr a Daytona 500 pela equipe da família, a R3. Equipe fraca, piloto mais fraco ainda. Não devem conseguir se classificar

#29 DeLana Harvick está grávida! Depois de dez anos de casados, Kevin Harvick engraviou a patroa. Aliás, o piloto admitiu que foi esse o motivo do fechamento da KHI e, portanto, da demissão de Nelsinho Piquet. Quem usa o macacão na família mesmo?

#33 Elliott Sadler corre em Daytona e Brendan Gaughan, as quatro corridas seguintes. O caso de Sadler é similar ao de Stenhouse. Como o piloto tem patrocinador, a RCR precisava de alguém para fechar as duplas, então participa da abertura do campeonato. Gaughan é o piloto pagante que abastece a fonte da RCR

#34 David Ragan assinou com a Front Row Motorsport para 2012. É o típico desespero por falta de vagas. Ragan foi chutado da Roush-Fenway por falta de patrocínio, negociou com RPM e JR Motorsport, mas não conseguiu fechar nada. Acabou pegando uma equipe pequena para poder correr

#35 David Reutimann fechou com a equipe de Tommy Baldwin para 2012. Aqui também se aplica o desespero pela falta de vagas. A equipe, no entanto, tem planos de crescer. Só que essa me parece um tiro no próprio pé. Com um carro só, o time de Tommy Baldwin – com Dave Blaney – arrumava bons parceiros para as corridas em super-ovais. Agora serão obrigados a trabalhar juntos, sem um empurrão literal de uma grande equipe

#49 J.J Yeley foi contratado pela Robinson-Blakeney. Sabe a equipe de Mark Green na Nationwide? Então, ela foi para a Sprint Cup e terá J.J. Yeley. Peraí, não conhece a equipe? Pois é, realmente é algo relevante essa contratação

#66 As equipes Whitney e Phil Parsons se uniram. Em 2011, elas eram típicas de start-and-park e, mesmo com a fusão, devem continuar adotar essa prática no novo campeonato

#?? Stacy Compton levou a equipe Turn One da Truck Series para a Sprint Cup. É o mesmo time que dispensou o ex-campeão da Truck Johnny Benson no início do ano por falta de patrocinador. Agora eles falam em correr na Cup…

Sam Hornish Jr

Pela sexta vez Sam Hornish Jr foi confirmado na temporada 2012 da Nationwide

Nationwide:

#01 Newt Moore será o mecânico-chefe de Mike Wallace. Relevante. Mas ao contrário

#09 Kenny Wallace terá o patrocínio da American Ethanol nas primeiras cinco corridas. O tanto que a RAB Racing e que Kenny Wallace já batalharam para conseguir inscrever o carro é impressionante. Acertar com um grande patrocinador é um prêmio merecido

#12 Sam Hornish Jr. terá o patrocínio da WURTH Group em sete corridas e disputará a temporada completa. Por que alguém coloca esse nome em uma empresa?? De resto, Hornish merecia uma nova chance e é um dos favoritos ao título

#16 Trevor Bayne pode não disputar a temporada completa da Nationwide por falta de patrocinador. Uma pena, o garoto é bom e precisa de tempo de pista para se desenvolver

#22 Parker Kligerman vai correr 1/3 da temporada da Nationwide na vaga de Brad Keselowski e terá o patrocínio da Snap-On. Kligerman marcou a pole-position logo na estreia na categoria, há três anos, e foi só. Em 2011, na Truck Series, ele foi bem e a Penske tem pressa em desenvolver alguém para a Sprint, caso Allmendinger não estoure

#23 Jamie Dick vai correr 14 etapas pela R3 Motorsport. É o típico caso de piloto que se terminar no top-20 pode ficar feliz

#33 Max Papis vai disputar a etapa de Road América pela RCR. Grande notícia!

#36 Ryan Blaney, Ryan Truex e Bobby Santos vão dividir o carro da Tommy Baldwin. É um dos planteis mais interessantes da Nationwide, com Truequinho e com o filho do Dave Blaney – que é apontado como maior promessa do esporte a motor para os próximos anos –, mas a equipe é estreante. A versão do time na Sprint é ruim, então vai ser interessante ver como se saem. Truex corre em Daytona e só

#41 Blake Koch assinou com a equipe de Rick Ware. É um piloto pagante, mas razoavelmente habilidoso. Pela falta de vagas em equipe maiores – e de talento – acabou fechando com a RWR mesmo

#43 Michael Annett vai disputar a temporada completa pela RPM. A equipe só montou um time na Nationwide porque Annett tem patrocínio. Vale lembrar que o acordo de Almirola na Sprint é de apenas uma temporada, então ele tem chances de subir, caso vá bem. O que eu não acredito. O último piloto em desenvolvimento da RPM/GEM/Evernham foi Chase Miller, que você não faz ideia de quem seja, já que ele não vingou

#40 #42 #46 #47  A Key Motorsport vai manter quatro carros na próxima temporada. Três ou quatro farão start-and-park. Entre os pilotos estão Erik Darnell e Scott Speed, além de Chase Miller (heh)

Paulie Harraka

Paulie Harraka é um cara legal. Habilidoso, decedente de vietnamitas, formado em Duke e que comemora as vitórias fazendo barulho com o sovaco. Hein?

Truck Series:

#2 Tim George Jr. terá o patrocínio da Applebee’s em 12 corridas. Olha, eu realmente gosto da Applebee’s, mas ninguém merece aquela propaganda deles no meio dos jogos da NFL. Parece que foi o estagiário de publicidade que fez. Alguém aí fica com vontade de ir lá porque assistiu ao comercial?

#08 Ross Chastain disputa a temporada completa pela SS Green Light. É um jovem piloto em uma equipe medianamente fraca. Às vezes isso é divertido, eles devem comemorar feito loucos cada top-10

#11 Todd Bodine substitui Miguel Paludo na Red Horse se tiver patrocinador. Se Bodine estiver motivado, é um ganho de qualidade absurdo para a equipe. Mas se for a versão 2011 do Big Cebola, então veremos mais e mais carros indo para o ferro velho

#24 Max Gresham terá o patrocínio de ‘Made in USA’.  O cara tem o dom de arrumar os patrocínios mais bizarros do mundo. O garoto rapper do ano passado era terrível, agora um investidor nada protecionista. Gresham é o atual campeão da Nascar East, olho nele

#27 Ward Burton volta a correr junto com o filho Jeb. É Jeb Burton, não Jab Burton, então não tenha medo de ele te dar um soco. Ok, essa piada foi péssima. A equipe é a antiga Germain e serve para o desenvolvimento do garoto. Não acredito em grandes resultados, mas é uma grande história, sem dúvida

#30 será o número de Nelsinho Piquet. Foi o número que ele usou na Nationwide em Homestead-Miami

#53 Time criado para desenvolver Cody Cambensy, um cara que eu não conheço. Boa sorte para ele

#59 Tommy Pistone III vai correr para a equipe da família visando um pulo para a Nationwide. Outro cidadão muito conhecido no mundo automobilístico, mas ao contrário

#93 Chris Cockrum corre em Daytona pela equipe de Ryan Sieg. Quem? Por qual equipe?

#? Brad Keselowski vai disputar seis etapas da Truck em 2012, incluindo em Daytona. A categoria perde Kevin Harvick e Kyle Busch, mas ganha Keselowski. Vão correr na Cup, deixem os garotos aprendendo por aqui em paz!

#??? Paulie Harraka disputa a temporada completa pela equipe de Richie Walters, ex-chefe de equipe da Billy Ballew. Harraka é um cara legal. Ele era apontado como o maior piloto daquele programa Driver 4 Diversity, que oferece bolsas para minorias, alguns anos atrás. Depois de vencer algumas corridas na Nascar West, ele largou tudo e foi estudar em Duke, a principal universidade da Carolina do Norte. Agora, formado, volta às competições por uma equipe novata. Acho que vale ficar de olho no descendente de vietnamitas, mas o time é fraco

A Indy invade a USAC

dezembro 27, 2011
Bryan Clauson

Bryan Clauson se tornou o novo queridinho da organização da Indy

Quando a Indy começou a se reestruturar, há dois anos, ainda antes da chegada de Randy Bernard, uma das medidas tomadas pela categoria foi criar uma bolsa para o campeão da USAC competir na Indy Lights.

O objetivo era revelar o novo Sam Hornish Jr, afinal, os americanos estavam perdendo para os adversários não só nos circuitos mistos, mas também nos ovais, onde em tese deveriam dominar.

O primeiro – e único – ganhador do prêmio até agora foi Bryan Clauson. Com experiência de já ter participado da Nascar, o piloto de apenas 22 anos venceu a USAC em 2010 e ganhou o direito de competir na Indy Lights no ano seguinte. Clauson dividiu um dos carros da Sam Schmidt com Conor Daly, conquistou uma pole-position e a terceira colocação em Iowa como melhor resultado.

Enquanto competia na Indy Lights, o americano também disputou a USAC, onde voltou a ser campeão, ganhando novamente a bolsa para competir nos monopostos.

Só que ao mesmo tempo, a presença dos ovais na Indy passou a ser questionada desde o acidente fatal de Dan Wheldon, em Las Vegas. Por conta disso, o calendário da categoria de 2012 só terá quatro etapas nesse tipo de pista: Indianápolis, Iowa, Texas e Auto Club. Na Indy Lights, por sua vez, serão apenas três, com a corrida de Fort Worth não acontecendo.

Ou seja, a bolsa ganha por Clauson diminuiu. Se na última temporada ele disputou seis etapas da categoria de acesso, na próxima só poderá correr na metade.

Mas ao invés de esquecer o garoto, Randy Bernard anunciou que a bolsa dada ao piloto será usada para disputar as 500 Milhas de Indianápolis em 2012. O que parece bastante justo, já que, com cada vez menos provas em ovais na Indy, passou a não fazer sentido revelar um piloto somente para esse tipo de circuito.

Até aí, tudo bem. O curioso da história é que a Indy resolveu continuar investindo em Clauson. Não sei se é para compensar a diminuição da bolsa ou para gerar interesse dos pilotos da USAC pela categoria, mas a Indy anunciou que vai patrocinar Clauson na disputa do Chili Bowl, uma tradicional prova de carros estilo Midget, os mesmos usados pela USAC.

Clauson, que compete para Tony Stewart na categoria, levará as cores e o logo da Indy em seu carro durante a competição.

Não tenho certeza, mas acredito que essa seja a primeira vez que uma grande categoria decide patrocinar um piloto para competir em outro campeonato, que não tem nada a ver com o primeiro.

Além de toda essa situação única, é curioso ver como isso reflete o momento da Indy. Se antes a categoria parecia viver uma contagem regressiva para a extinção, agora já começa a penetrar em domínios quase exclusivos da Nascar. Ainda que a USAC não tenha nenhuma ligação oficial com o turismo americano, é inegável que o campeonato esteve muito mais próximo da Nascar que da Indy nos últimos anos.

Apesar disso, é muito cedo para falar se essa incursão da Indy vai render algum interesse para a categoria. O que é uma pena, na verdade. Com a Nascar cada vez mais competitiva e atraindo nomes de fora dos Estados Unidos, não seria uma opção ruim para alguns pilotos mais jovens deixarem o turismo de lado para tentar a carreira nos monopostos. Certamente, algo muito melhor que ser considerado aposentado aos 19 anos de idade.

Abaixo você confere o carro de Clauson nas cores da Indy:

Bryan Clauson USAC

O fim do jejum de vitórias de Sam Hornish Jr

novembro 13, 2011
Sam Hornish Jr

Sam Hornish Jr encerrou um jejum de vitórias que já durava desde 2007

No final de 2006, Juan Pablo Montoya iniciou uma invasão de pilotos vindos dos monopostos na Nascar. Depois do colombiano, se juntaram à categoria nomes como Dario Franchitti, Sam Hornish Jr, AJ Allmendinger, Patrick Carpentier, Scott Speed e, mais recentemente, Danica Patrick.

Salvo Franchitti, todos conseguiram alguns bons resultados, mas apenas Montoya e Allmendinger se firmaram no turismo americano. Entre os demais, o escocês voltou à Indy, Carpentier se aposentou, Speed ainda tenta se firmar e Hornish – sem patrocínio – foi rebaixado à Nationwide, onde só tomou parte de 13 corridas em 2011, já contando Homestead-Miami.

Entre eles, vitórias mesmo foram poucas. Hornish e Allmendinger ganharam o Nascar Showdown, que vale duas vagas na All Star Race, enquanto Speed venceu em Dover na Truck Series. Montoya teve mais sucesso, com dois triunfos na Sprint Cup e outro na Nationwide, mas sempre em circuitos mistos.

Neste sábado, dia 12, Hornish fez uma corrida sem erros e conquistou a primeira vitória da carreira após cinco temporadas no turismo americano – a maioria não completa – na etapa de Phoenix da Nationwide. Essa foi a primeira vitória em um oval, numa prova valendo pontos para o campeonato, desses pilotos vindos dos monopostos, desde a conquista de Speed em Dover. A de Hornish, portanto, muito mais importante.

Sam Hornish Jr Indy

Sam Hornish Jr era o piloto a ser vencido na Indy

Também não é nenhuma novidade que o piloto da Penske era o mais indicado para conquistar esse primeiro triunfo histórico em um oval. Na Indy, correndo também pela Panther, Hornish fez história ao vencer 19 vezes – uma em Indianápolis – e conquistando três campeonatos. Pilotando o carro amarelo de número 4, patrocinado pela Pennzoil, o americano era temido em qualquer oval por ser extremamente habilidoso em deixar os adversários para trás usando a linha de fora.

Aliás, falando em carro amarelo, foi uma coincidência muito grande o primeiro triunfo do americano na Nascar ter vindo em um esquema de pintura com essa mesma cor, embora o patrocinador seja diferente.

Voltando ao desempenho do americano, Hornish evoluiu ao longo dos anos na categoria. O piloto jamais conseguiu repetir o desempenho da Indy, mas começou a ter bons resultados pouco antes de ser retirado da Sprint. O americano apanhou bastante nesse período de baixa, mas começou a mostrar que não foi tricampeão por acaso e merece, no mínimo, respeito pelas conquistas que já teve.

Hornish vai disputar a Nationwide de forma integral em 2012, mas mesmo com essa vitória dificilmente seja um dos favoritos ao título. Apesar disso, seria interessante ver o americano voltar a brigar pelas primeiras colocações. Por outro lado, sendo realista, o máximo para ele deverá ser servir como referência para Danica Patrick.

P.S.: Duas corridas da Nationwide sem Kyle Busch e duas vitórias de pilotos da própria categoria. Trevor Bayne ganhou no Texas e Hornish, em Phoenix. Que coisa não? Por isso eu digo, fora Kyle Busch, fora Carl Edwards, fora Brad Keselowski, a Nationwide não precisa de vocês!

Quem já venceu em pleno aniversário?

setembro 30, 2010
Mark Webber Spa-Francorchamps

Pilotos de F1 também comemoram o aniversário. O de Mark Webber foi em Spa-Francorchamps, mas o australiano não conseguiu superar Lewis Hamilton na corrida

Pilotos também são seres humanos (mesmo que alguns dêem a impressão de terem vindo de outro planeta) e assim, eles também fazem aniversário. Se em qualquer profissão temos que ir trabalhar e/ou estudar na data de comemoração, com os pilotos não é diferente.

Imaginem o absurdo que seria Fernando Alonso se recusar a correr em um 25 de julho porque decidiu se dedicar à festa em Ibiza? Ou então Kimi Raikkonen, na arrancada para o título de 2007, preferisse não vir ao Brasil na decisão no campeonato para passar o 17 de outubro tomando vodca em St. Tropez?

Já que eles precisam adiar um pouco as comemorações por causa das corridas, resolvi aproveitar que hoje, dia 30 de setembro, é meu aniversário e fui buscar quem são os pilotos cujas comemorações começaram no lugar mais alto do pódio justamente no dia em que completam mais um ano de vida.

Para iniciar a procura, nada melhor que a Nascar. Como no turismo americano existem corridas não só no domingo, mas também na sexta-feira e no sábado, a chance de alguém ter ganhado no dia do aniversário é maior.

E de fato, isso aconteceu. Três vezes na história, um piloto da Nascar triunfou em uma corrida no dia de festa. Richard Petty? Jeff Gordon? Dale Earnhardt? Nada disso. O primeiro a conseguir o feito foi Cale Yarborough, tricampeão da categoria entre 1976 e 1978. No dia 27 de março de 1977, Yarborough venceu a etapa de North Wilksboro e se tornou o primeiro piloto da categoria a ganhar uma etapa logo no dia do aniversário. O tricampeão gostou tanto que repetiu o feito em 1983, ao vencer a prova de Atlanta.

Levou 26 anos para que alguém voltasse a chegar na primeira posição em pleno aniversário. No dia 2 de maio de 2009, Kyle Busch completava 24 anos de idade e venceu a etapa de Richmond da Nascar Sprint Cup. Busch poderá vencer novamente nos próximos anos, já que ele é um dos especialistas no oval da Virginia.

Kyle Busch em Richmond

No dia 2 de maio de 2009, Kyle Busch se tornou apenas o segundo piloto na história da Nascar a vencer no dia do aniversário

Por outro lado, pilotos consagrados não tiveram sorte com a data de nascimento. Richard Petty nasceu no dia 2 de julho e não venceu a etapa da Independência, em Daytona, quando a data coincidiu. Já Jeff Gordon nasceu em 6 de agosto e só disputou uma vez a etapa de Indianápolis no aniversário, sem sucesso.

Ainda nos Estados Unidos, mas mudando de campeonato, os pilotos da Indy tiveram melhor sorte. Desde a separação, o primeiro piloto a ganhar em pleno aniversário talvez seja o maior de todos na história da categoria. Sam Hornish Jr venceu no dia 2 de julho de 2006 a etapa do Kansas, em rota para conquistar o último título na categoria.

O feito foi repetido um ano depois por Scott Dixon, ao levar a melhor no dia 22 de julho, em Mid-Ohio. No ano seguinte, foi a vez de Dan Wheldon comemorar a última vitória da carreira até agora justamente no aniversário, ao vencer em 22 de junho, em Iowa. Enquanto isso, os brasileiros não tiveram sorte. Tony Kanaan, por exemplo, nasceu dia 31 de dezembro, e precisaria vencer a Corrida de São Silvestre para alcançar a marca.

Por fim, voltando à F1, não achei nenhum registro de piloto que se recusou a correr no dia do aniversário como disse nos exemplos acima. (Que bom.) Até porque, a maioria, assim como Kanaan, nasceu na época em que não há corridas. Apesar dos anos de diferença, Michael Schumacher nasceu em um 3 de janeiro, Lewis Hamilton veio ao mundo quatro dias depois, enquanto Jenson Button demorou doze dias a mais que o atual companheiro.

Só que houve um caso bastante emblemático de alguém que correu e venceu em pleno aniversário. No dia 11 de junho de 1995, Jean Alesi comemorava 31 anos, largando da quinta posição do grid de largada no GP do Canadá. Os concorrentes ao título, Michael Schumacher e Damon Hill, dividiam a primeira fila.

Beneficiado pelos acidentes de Hill, Mika Hakkinen, David Coulthard e Gerhard Berger, Alesi se encontrava na segunda colocação atrás apenas de Schumacher e sendo seguido por Rubens Barrichello, com uma Jordan. O alemão, porém, teve problemas na caixa de marchas e passou a se arrastar pela pista, deixando a primeira posição para o francês, a quem iria substituir na Ferrari na temporada seguinte.

Tão logo Alesi recebeu a bandeira quadriculada, os fãs canadenses invadiram a pista forçando a bandeira vermelha, fazendo o resultado da volta anterior passar a valer. Melhor para Alesi, que conquistou a primeira vitória da carreira e teve uma pane seca justamente do outro lado da pista, recebendo uma carona de Schumacher até os boxes. Rubens Barrichello e Eddie Irvine completaram o pódio. O futuro heptacampeão terminou em quinto, salvando dois pontos, enquanto Mika Salo perdeu a sétima colocação depois de estacionar na pista para não atropelar nenhum torcedor.

Jean Alesi e Michael Schumacher

Jean Alesi conquistou a única vitória da carreira no GP do Canadá de 1995. O presente de Schumacher foi uma carona até os boxes

Salvo Jean Alesi, não houve mais nenhum caso – até onde pude checar – de piloto vencendo um Grande Prêmio no dia do aniversário. Isso acontece por dois grandes motivos: são poucas equipes que tem reais chances de vitória e é bastante comum que, pelo calendário com poucas alterações a cada ano, um piloto acabe disputando sempre o mesmo GP no final de semana de comemorações. Nesse último caso, vários fatores podem complicar uma conquista.

Tomando Kimi Raikkonen novamente como exemplo, o GP que acontecia nas imediações do 17 de outubro era a etapa de Interlagos. Apesar de o finlandês ter conquistado a corrida em 2007, apenas quatro dias depois de completar 28 anos, ele nunca foi favorito para ganhar na pista brasileira por ser contemporâneo de Felipe Massa e Juan Pablo Montoya, dois especialistas no traçado de São Paulo.

Com essas dificuldades, restou a todos os pilotos se conformarem com vitórias alguns dias antes ou depois do aniversário. Nos últimos anos, houve um caso inusitado. Mika Hakkinen nunca ganhou no dia 28 de setembro, mas foi o único a vencer em dois países diferentes nos finais de semana próximos à grande data.

Mika Hakkinen

Mika Hakkinen venceu duas vezes nos dias próximos ao aniversário, mas nunca ganhou no grande dia

Em 27 de setembro de 1998, o piloto da McLaren venceu o GP de Luxemburgo, disputado na pista alemã de Nurburgring, um dia antes de completar 30 anos. Caso Hakkinen seja um libriano chato como este vos escreve, ele não deve gostar de comemorar por antecipação. Então, o triunfo três anos depois, nos Estados Unidos, deve ter tido muito mais valor para o bicampeão. Afinal, ele conquistou a última vitória na F1 no dia 30 de setembro de 2001, há exatos nove anos, justamente na penúltima corrida que fazia na categoria.


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