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O que aprendemos com o GP da Malásia de F1?

março 28, 2013
Mark Webber mostrando como está feliz com Sebastian Vettel

Mark Webber mostrando como está feliz com Sebastian Vettel

Já se passou uma semana praticamente do polêmico fim de GP da Malásia, quando Sebastian Vettel desobedeceu a um acordo da Red Bull e ultrapassou Mark Webber nas voltas finais. Assim, passado o período de reflexão, resta perguntar o que aprendemos desde então? Acho que não muita coisa.

A maior lição que tiramos é que na F1 vale a máxima de que uma mentira contada várias vezes se torna uma verdade.

A principal mentira até agora é que é totalmente normal haver um acordo nas ultimas voltas para que dois pilotos de uma mesma equipe mantenham as posições e não duelem na pista. Em Sepang, isso não só aconteceu na Red Bull, mas também na Mercedes, onde Ross Brawn — sempre ele — impediu que Nico Rosberg passasse Lewis Hamilton pelo terceiro lugar.

Só que isso não deveria ser algo normal. É uma deformação do esporte criada pelas equipes, com a suposta justificativa de evitar desgaste do equipamento no fim da corrida, além de um eventual abandono duplo em caso de um acidente.

Mas em qual outro esporte acontece algo parecido? Será que no futebol há algum acordo para que o time que estiver na frente aos 30 minutos do segundo tempo saia vencedor? Com isso, o técnico poderia até poupar alguns jogadores. É algo que faz sentido na realidade brasileira, com os times precisando jogar toda quarta e domingo.

Ou então podemos falar de outro esporte de velocidade, como a natação. Talvez possa haver um pacto entre os atletas de quem fizer a última virada na frente será o vencedor. Dá para argumentar que são situações diferentes, pois na F1 acontece entre pilotos da mesma equipe, enquanto nessas modalidades seriam entre adversários.

Ok, mas o que me impede de montar uma equipe de natação e contratar quatro ou cinco atletas de ponta e propor algo assim entre eles. E quem garante que isso nunca aconteceu? Faria sentido pensar em algo assim em uma seletiva, por exemplo, para que um atleta se poupasse durante as eliminatórias de olho na decisão.

Uso essa mensagem de Webber para expressar o que penso sobre esses jogos de equipe

Uso essa mensagem de Webber para expressar o que penso sobre esses jogos de equipe

Só que isso não é esporte. A definição esportiva determina que o vencedor é o mais capaz durante todo o período de disputa. E se Webber tivesse ganhado na Malásia não seria isso p que teríamos visto. Esse acordo que existe é um assalto. Você assiste à corrida achando que ela vale até o fim, mas na verdade já há um pacto pelo vencedor.

A segunda mentira é que a Red Bull está muito desapontada com a atitude de Vettel. É claro que não estão. Webber é muito lúcido ao dizer que a equipe vai proteger o alemão. Prova disso é que o australiano deixou o GP da Malásia dizendo que iria rever a carreira e poderia deixar a equipe austríaca.

A resposta veio nesta quarta-feira, dia 26, quando o jornal alemão Bild disse que a equipe decidiu não renovar com o veterano para a próxima temporada. Coitado, que mal ele fez? Tudo o que queria era tentar vencer uma corrida, mas acabou usurpado nas voltas finais.

E a última mentira é que as pessoas, espectadores inclusive, se importam com jogo de equipe. Claro que não. Talvez se importem quando é um brasileiro envolvido, tendo que abrir mão de posição para um companheiro de equipe. Quando não tem um piloto do país, as justificativas das equipes até que parecem razoáveis não é mesmo?

Afinal, qual a diferença entre pedir para um piloto ceder uma posição e para outro não ultrapassar. Será que existe uma escala de desonestidade esportiva na F1? Assim, a Red Bull é mais boazinha que a Ferrari porque infringiu apenas algumas regras? Acho que não.

Para mim, embora já tenha lido que essa é uma opinião ingênua no meio da F1, os princípios do esporte devem ser respeitados. Só que não são quando a Ferrari rompe o lacre de Felipe Massa para beneficiar Fernando Alonso, ou obriga Rubens Barrichello a ceder a primeira posição. E também não são quando a Red Bull até cria um nome bonitinho – Multi21 – para manipular o resultado de uma prova.

F1 2013 na Austrália

fevereiro 26, 2013
Casey Stoner na F1. Não tem nada a ver com o GP da Austrália, mas ele já pilotou o simulador da Red Bull

Casey Stoner na F1. Não tem nada a ver com o GP da Austrália, mas ele já pilotou o simulador da Red Bull

Antigamente, o início de temporada de F1 era mais legal. Embora os treinos ao longo do ano fossem liberados, as equipes chegavam à abertura do campeonato sem saber muito o que esperar dos carros. Aí, a primeira etapa do ano virava uma verdadeira corrida de resistência, onde os pilotos largavam sem a certeza de que chegariam ao final.

Em situações mais absurdas, dava para contar nos dedos quantos carros de fato recebiam a bandeira quadriculada. Foi assim há 20 anos, quando Rubens Barrichello estreou na F1. Naquele 14 de março de 1993, o então piloto da Jordan foi um dos muitos que deixou o GP da África do Sul – disputado em meio a uma chuva torrencial – antes do final.

Assim, apenas cinco pilotos completaram todas as voltas. Alain Prost foi o vencedor, seguido por Ayrton Senna e Mark Blundell, de Ligier. Christian Fittipaldi e JJ Lehto foram os outros que terminaram a corrida.

A menos que aconteça algum fenômeno natural bizarro, essa situação não vai se repetir na Austrália. Nos últimos 15 anos, as equipes entenderam que mais importante que ter um carro rápido é ter um equipamento que chegasse ao final das provas, por isso os abandonos são cada vez mais raros.

O regulamento também propiciou isso. Com as limitações para troca de motores e câmbio por temporada, as escuderias não forçam esses componentes ao máximo, consequentemente aqueles estouradas de motores espetaculares, que parecia o anúncio da escolha de um novo papa,  quase não existem mais.

Dessa forma, o resultado do GP da Austrália é previsível. Embora seja difícil cravar quem vai terminar na frente, dificilmente ficará com outra equipe além de Ferrari e Red Bull. Lotus e Mercedes aparecem neste momento em um segundo escalão, enquanto a McLaren parece não ter se encontrado desde os treinos da pré-temporada.

(A1)GP da Austrália

(A1)GP da Austrália

Por isso, há dois elementos-chaves para esse primeiro GP do ano. Um é o treino classificatório, onde largar na frente dos principais rivais pode significar meio caminho para a vitória. E o outro – mais importante – é ser o primeiro a entender o comportamento dos pneus, para fazer as paradas nos boxes nos momentos corretos.

Há dois anos, a Sauber surpreendeu ao fazer apenas uma parada em Melbourne quando as demais equipes foram ao pit-lante duas ou três vezes. Naquela prova, tanto Kamui Kobayashi quanto Sergio Pérez terminaram na zona de pontos, mas acabariam desclassificados por não serem aprovados na inspeção técnica horas depois. Se alguma equipe de ponta conseguir reproduzir isso ou ao menos ter mais tempo de pista no auge dos pneus, certamente estará mais perto da vitória.

Por isso, meu palpite é de uma corrida emocionante, com muitas mudanças de posição em virtude das paradas nos boxes, mas com um resultado previsível: duelo entre Fernando Alonso e Sebastian Vettel, com o alemão levando a melhor. Felipe Massa completa o pódio. No entanto, minha torcida é para Kimi Raikkonen, e a verdade é que o finlandês vai vencer colocando três voltas no segundo colocado. Ok, ignore isso.

Para encerrar, chamo a atenção para dois pilotos do grid: Daniel Ricciardo e Jules Bianchi.

O australiano tem boas chances de conseguir um resultado satisfatório por dois motivos. O primeiro é o carro da Toro Rosso, que teve um desempenho decente ao longo da pré-temporada, e o segundo, óbvio, é que ele corre em casa. Já o francês não tomou conhecimento de Max Chilton e, levando em conta que a Marussia começa o ano melhor que a Caterham, ele tem tudo para sumir nessa batalha das equipes menores. Pena que ele precisa de uma tempestade como aquela da estreia de Barrichello para pensar em marcar pontos.

Confira os horários do GP da Austrália de 2013:

Treino livre 1 – 22h30 quinta-feira
Treino livre 2 – 2h30 sexta-feira
Treino livre 3 – meia-noite sábado
Treino Classificatório – 3h sábado
Corrida – 3h domingo

De Franchitti a Barrichello

fevereiro 9, 2013
A.J. Allmendinger testou pela Penske em Sebring

A.J. Allmendinger testou pela Penske em Sebring

A.J. Allmendinger foi o grande destaque do primeiro dia de treinos coletivos da Indy em 2013, nesta terça-feira, dia 19. O americano, que passou os últimos seis anos competindo na Nascar, foi convidado pela Penske para testar o carro que havia sido de Ryan Briscoe na temporada passada.

Além da migração curiosa, já que é mais comum os atletas trocarem a Indy pela Nascar e não o contrário, o retorno de Allmendinger ainda ganhou importância por se tratar da volta por cima do próprio piloto após ter sido afastado pela Nascar, no ano passado, ao ser flagrado pelo exame antidoping.

Ainda que haja esse fator dramático, é inegável que a chance dada por Roger Penske é uma questão técnica. Há um carro vago na Penske para 2013, e o dirigente espera que o americano seja o melhor nome disponível no mercado para ocupá-lo. Há também alguma gratidão? Sim, mas RP não marcaria o teste se não acreditasse que Allmendinger fosse capaz.

Por isso, é natural que a maior comparação nesse momento seja entre A.J. e Dario Franchitti, que também trocou a Indy pela Nascar, em 2008, mas retornou à categoria no ano seguinte, vencendo três campeonatos de maneira consecutiva pela Chip Ganassi.

Dario Franchitti correu na Nascar em 2008. Desde que voltou, foi tricampeão da Indy

Dario Franchitti correu na Nascar em 2008. Desde que voltou, foi tricampeão da Indy

Mas há algumas diferenças entre esses dois pilotos. Quando o escocês deixou a Indy, ele já era campeão e ficou apenas uma temporada fora. O californiano, por outro lado, era apenas um nome muito promissor, em 2006, tentando se firmar. E isso há seis anos. Além disso, a experiência de Allmendinger em monopostos é com os carros da Champ Car, enquanto a ndy mudou de carro no ano passado.

Por isso, talvez a melhor comparação neste momento seja com Rubens Barrichello. Quase exatamente um ano atrás, o brasileiro foi a grande atração dos treinos da Indy em Sebring, quando pilotou pela KV, a convite de Tony Kanaan, logo depois de perder a vaga na Williams na F1.

Depois disso, deu no que deu. Barrichello sofreu com uma KV perdida principalmente em estratégias, fez uma temporada digna para um novato, mas sequer subiu ao pódio. Pouco para alguém que era comparado a Nigel Mansell depois de ter liderado os treinos coletivos na Flórida.

E olha que Allmendinger sequer chegou perto do desempenho do brasileiro nesta terça-feira. Enquanto Barrichello deixou Sebring há um ano tendo sido o mais rápido, o americano foi o 12º entre os 13 pilotos que testaram. Nada mais natural para alguém que ficou tanto tempo fora.

Mesmo com essa discrepância, o provável piloto da Penske vai assumindo o espaço que era do brasileiro na temporada passada: uma atração apenas. Alguém trazido por uma grande equipe da Indy na tentativa de aproveitar o que fez outra categoria e em outra época para tentar dar uma alavancada na audiência, além de atrair algum patrocinador.

Quanto ao desempenho, este deverá ser parecido entre os dois pilotos. Não tenho muitas dúvidas de que se Barrichello tivesse escolhido uma equipe mais estruturada para 2013 poderia ter resultados muito melhores se permanecesse na categoria. Com Allmendinger, será parecido, ainda mais com a ajuda da Penske.

Como as 500 Milhas de Indianápolis sempre deixa o resultado em aberto até os últimos momentos, Allmendinger tem alguma chance de vencer já neste ano, ainda que muito pequena. Nas demais etapas, deve andar no meio do pelotão, assim como fez o brasileiro.

Caso ele tenha a chance de permanecer na categoria por mais alguns anos, o rendimento deve melhorar. O que para a Penske seria ótimo. Ter um piloto americano abre possibilidades de negócios e patrocínios para a tradicional equipe. Até porque Will Power e Ryan Briscoe, embora bons pilotos, sempre disputaram um mesmo nicho de investidores.

Rubens Barrichello na Stock Car

dezembro 15, 2012
Será que já podemos cobrar desempenho de Rubens Barrichello na Stock Car em 2013?

Será que já podemos cobrar desempenho de Rubens Barrichello na Stock Car em 2013?

Como já foi amplamente publicado, Rubens Barrichello deve anunciar em breve que vai disputar a Stock Car em 2013, pela equipe Medley-Full Time, deixando a carreira internacional para trás. Acho que essa é uma boa decisão do piloto brasileiro, que volta a ter uma posição de destaque, principalmente na transmissão televisiva, algo que ocupou durante boa parte dos últimos 20 anos.

Com isso, não é exagero dizer que Barrichello está voltando a ter uma lua de mel com sua torcida. Nas três etapas em que disputou da Stock em 2012, o brasileiro voltou a receber de perto o carinho dos fãs, muitos deles presentes nos autódromos apenas para vê-lo. Além disso, o piloto ainda fez sucesso na transmissão do GP do Brasil de F1, quando atuou como repórter da TV Globo.

No entanto, mesmo vivendo um bom momento, o veterano terá um grande desafio em 2013: mostrar que ainda pode ser competitivo.

A situação do piloto, no momento, se assemelha a de uma criança. Todo mundo acha bonito o que um garotinho faz pela primeira vez, independente do que seja: as primeiras palavras, os primeiros passos, os primeiros puns..

Ou seja, ver o piloto largar em sétimo na Corrida do Milhão e terminar em 22º é divertido uma vez. O problema é isso se repetir etapa após etapa, semana após semana.

Por onde o brasileiro passou, arrastou multidões na Stock Car

Por onde o brasileiro passou, arrastou multidões na Stock Car

Mas é bem verdade que Barrichello  encantou com o que mostrou até agora. O piloto conseguiu resultados positivos na Stock Car, quando alcançou duas vezes o Q2 no treino classificatório e destruiu o companheiro de equipe. Além disso, o desempenho como repórter de TV agradou.

O problema é que ele viveu uma situação parecida na Indy, que evidentemente não deu certo. Há quase um ano, o piloto havia liderado os treinos coletivos e por isso passava a imagem de que poderia brigar por vitórias e até mesmo pelo título em 2012. Mas a realidade foi bastante diferente. O piloto não só demorou a se adaptar à categoria, como também sofreu com as mazelas estratégicas da KV.

Só que seria terrível se isso se repetisse na Stock Car. A categoria brasileira deve ganhar um novo fôlego com a chegada do brasileiro, o problema é ela se tornar cansativa e previsível com o piloto do carro número 17 andando constantemente fora do ritmo. Do mesmo jeito, todos querem ver um Barrichello solto nas transmissões da F1, sabendo improvisar e usar a notória carisma na hora das entrevistas.

Nesse contexto, talvez a grande resposta que o piloto possa dar aos fãs é mostrar alguma evolução ao longo do campeonato. Sébastien Loeb, por exemplo, já afirmou que planeja competir no WTCC em 2014, mas pediu um ano de aprendizado antes de começar a brigar por vitórias.

Ou seja, se o eneacampeão do WRC merece esse tempo de adaptação, por que cobraríamos resultados de Barrichello nesse primeiro ano de Stock Car? É claro que não faz sentido. Por isso, o ideal é que o piloto evolua pouco a pouco e possa entreter os fãs com o passar das etapas.

A histórica Corrida do Milhão

dezembro 9, 2012
A Corrida do Milhão teve ingressos esgotados em Interlagos

A Corrida do Milhão teve ingressos esgotados em Interlagos

Neste último fim de semana estive em Interlagos para a cobertura da Corrida do Milhão da Stock Car. Logo de cara, ainda na quinta-feira, a primeira entrevista que fiz foi com o diretor da Vicar (promotora do certame) Maurício Slaviero, que classificou como histórica essa etapa final do campeonato de 2012.

Concordo com Slaviero, foi sim uma corrida histórica. Entretanto, cada um de nós tem motivos diferentes para pensar desse jeito.

Para o dirigente, o fim de semana foi um sucesso, pois conseguiu esgotar os ingressos à venda, já que o público se animou a assistir à decisão do campeonato, ainda mais pela presença de Rubens Barrichello, Tony Kanaan, Helio Castroneves e Raphael Matos. Isso tudo sem contar o retorno financeiro de parceiros e patrocinadores.

Só que tudo isso pouco importa para mim. Evidentemente, tenho preocupações diferentes das do diretor da categoria. Na minha opinião, a Corrida do Milhão de 2012 pode, sim, ser considerada história, mas por outro motivo: essa foi a primeira vez que o automobilismo brasileiro conseguiu reunir parte de suas principais estrelas internacionais em uma corrida que não teve tom comemorativo.

Ainda na entrevista com Slaviero, perguntei se a Vicar pensa em fazer mudanças no calendário de alguma categoria. Normalmente os campeonatos por aqui acontecem entre março e dezembro, por isso, questionei se algum certame poderia correr, por exemplo, entre outubro e março, assim como acontece em países como Nova Zelândia ou Índia.

O assessor da Vicar achou curiosa a pergunta, pois comparava o automobilismo brasileiro ao de países de menor expressão. Concordo que em termos de projeção internacional e competitividade, o Brasil tem mais qualidade. No entanto, esses dois países conseguiram bolar uma forma de atrair seus ídolos – que competem ao redor do mundo durante o ano – em uma parte da temporada.

Aí, os torcedores desses países podem acompanhar de perto seus principais pilotos antes que eles voltem para a Europa/Ásia/EUA e recomecem a temporada. E mais do que isso. Esses países acabam atraindo grandes nomes internacionais para participar desses certames fora de época.

Isso é algo que não existe no Brasil. Por isso, a Corrida do Milhão pode ser histórica. Talvez a prova deste domingo tenha sido o primeiro passo para que os pilotos brasileiros de maior sucesso possam vir competir por aqui, mesmo que continuem com a carreira no exterior.

Quem sabe se no próximo ano nomes como Augusto Farfus, Nelsinho Piquet, Christian Fittipaldi, Lucas Di Grassi, João Paulo de Oliveira e Jaime Melo também possamestar presente? Seria sensacional.

Barrichello na Globo, por que não?

novembro 25, 2012

Talvez o melhor lugar para Rubens Barrichello seja em frente às câmeras e não como piloto

Não sei se foi algum tipo de teste ou apenas uma aparição surpresa, mas Rubens Barrichello foi o grande destaque da abertura da transmissão do GP do Brasil da TV Globo. O brasileiro foi convidado pela trupe de Galvão Bueno para participar da cobertura da corrida, onde participou do pit-walk e comentou de dentro da cabine.

Curiosamente, o que se viu foi um Rubens solto, cheio de confiança e dominando a situação. Tudo começou no pit-walk, quando Barrichello entrevistou Jenson Button, de quem havia sido companheiro de equipe por quatro temporadas, e até contou ao vivo o segredo de ver se a chuva se aproxima de Interlagos na direção do S do Senna.

Depois veio a melhor parte. Ao lado do repórter Carlos Gil, o brasileiro tentou falar com Lewis Hamilton, mas o piloto não estava no carro naquele momento. Aí não sei exatamente o que aconteceu. Alguém pode ter falado no ponto eletrônico para que entrevistassem o pai de Hamilton ou então Rubens tomou a frente da situação e ele mesmo resolveu falar com o empresário britânico.

Após uma entrevista talvez totalmente no improviso, Barrichello se tornou o dono da situação. Com o microfone na mão, o piloto resolveu que queria terminar a transmissão dando um abraço em Michael Schumacher. E lá foram os dois correndo rumo ao carro da Mercedes, enganando até mesmo um fiscal. Nessa hora, coitado do Carlos Gil, que ainda precisou disparar na frente para tentar pegar o heptacampeão fora do carro.

Mesmo com o esforço do repórter, não deu. Barrichello não conseguiu falar com o antigo parceiro da Ferrari, mas foi uma situação curiosa e bastante espontânea. Imagino que se fosse Mariana Becker ou o próprio Gil correndo atrás de um piloto sem conseguir chegar a tempo, os espectadores fariam chacota nas redes sociais. Com Rubens, porém, foi diferente. Embora todo mundo tenha feito a piada óbvia de ele ter chegado atrasado até nisso, a postura do brasileiro foi bastante elogiada.

Enquanto isso, ele poderia disputar a Stock Car normalmente

Com o início da corrida, Rubens subiu à cabine da TV Globo para participar da transmissão. O grande desafio do piloto seria trabalhar junto com Luciano Burti, já que, em tese, os dois fariam a mesma função. Ou seja, assim corria-se o risco de um deles aparecer menos que o outro, pois disputavam o mesmo espaço.

No entanto, os dois até que trabalharam bem juntos. Enquanto Burti manteve o padrão das coberturas das demais etapas do ano, Barrichello teve mais espaço para falar sobre o que acontecia na pista. E ele surpreendeu. O ex-piloto de Ferrari, Brawn e Williams conseguiu dar informações relevantes – como comentar a percepção dos demais pilotos sobre a postura de Kobayashi nas brigas por posições ou analisar a emoção de Massa após a prova – sem tentar se autopromover.

Outro ponto positivo de Barrichello foi deixar o pachequismo de lado. Pode até ser que o piloto estivesse torcendo para que Felipe Massa vencesse a corrida, mas ele não entrou na onda pró-Brasil da transmissão global. Comentou o que acontecia e ponto, dando informações de alguém que sabe muito bem o que acontece dentro da categoria.

Ter aparecido com destaque na transmissão da TV Globo, por fim, pode pesar no futuro do piloto. Se Barrichello precisa convencer patrocinadores para uma nova temporada da Indy, uma opção que pode se abrir é ser comentarista das corridas da F1, enquanto participa da Stock Car, já que não há choque de datas entre as categorias.

Caso isso aconteça, se Rubens conseguir manter a postura confiante e imparcial dessa primeira prova, ele pode alcançar o patamar de nomes como Eddie Jordan e David Coulthard, que são bastante populares como comentaristas de emissoras internacionais.

Até porque a concorrência com Burti é desleal. Enquanto um passou dois anos na F1 – e outros poucos como piloto de testes – cerca de dez anos atrás, o outro competiu na categoria por 19 anos e conhece praticamente todos do grid como velhos amigos. Isso sem falar na carisma de cada um.

Assim, a Globo tem a faca e o queijo na mão nesse momento. Além de contar com uma cobertura mais precisa, a emissora carioca pode aproveitar da popularidade de Barrichello para dar alguma alavancada na audiência.

P.S.: não encontrei vídeo de Rubens Barrichello no grid walk, se alguém achar, avise!

Quem são os pilotos brasileiros no mundo em 2012

maio 1, 2012

Nenhum dos pilotos no exterior gera tanta expectativa quanto Felipe Nasr

Pilotos brasileiros: quem são? Como vivem? E o que pensam? Ok, brincadeiras à parte, neste final de semana começam algumas das principais categorias do automobilismo mundial como a World Series by Renault, a F-Renault Eurocup e F3 Alemã. Assim, salvo a GP3, praticamente todos os campeonatos do esporte a motor já deram o pontapé inicial da temporada 2012.

Aproveitando a data comemorativa, como já é tradição, o World of Motorsport faz uma lista com todos os pilotos brasileiros que correm no exterior para que você saiba onde cada um corre e possa acompanhar o desenvolvimento deles. Além de apontar os atletas, o blog também faz um pequeno comentário, que avalia a chance de título de cada um deles.

Para isso, uma pequena ordem será respeitada: apenas quem já foi confirmado oficialmente pelas equipes aparece aqui, a lista está em ordem alfabética e ao lado de cada um se encontra a categoria que compete, além das chances de título.

P.S.: obviamente não é possível conhecer todo mundo, então posso ter esquecido um ou outro piloto. Se for esse o caso, me avise ali nos comentários e eu atualizo aqui o mais rápido possível.

Oswaldo Negri já conquistou uma vitória em 2012

Alan Chanoski – LATAM Challenge – desconhecida. Não conheço o rapaz. Pelo pouco que pude ver, não compete em uma prova profissional desde 2007, mas isso não significa muita coisa

André Negrão – World Series by Renault – média. Negrão fez uma boa pré-temporada. Não vejo o paulista lutando pelo título, mas é possível fazer uma boa campanha

Augusto Farfus – DTM – baixíssima. É o primeiro ano do brasileiro no DTM, assim como a estreia da BMW. São uma parceria para evoluir, mas no momento estão atrás não só da Audi e da Mercedes como de alguns outros pilotos da própria BMW

Bruno Bonifácio – F-Abarth – alta. A pré-temporada de Bruno Bonifácio foi muito boa, terminando a maioria das sessões na segunda colocação. Na rodada de abertura do campeonato não foi tão bem, mas ainda é um dos favoritos

Bruno Junqueria – ALMS – baixíssima. Bruno é bom piloto, mas corre pela limitada equipe Rocketsports de Paul Gentizolli. Na própria categoria LMPC há times mais estruturados

Bruno Senna – F1 – nula. Williams né?

Cacá Bueno – Super TC2000 – alta. As chances de Cacá Bueno ser campeão na Argentina dependem dele disputar a temporada completa ou não

Carlos Iaconelli – Nascar East – nula.

Daniel Oliveira – WRC – nula.

Danilo Estrela – Skip Barber – altíssima. É o cara a ser vencido. Experiente e em boa fase seria uma surpresa muito grande se ele perder

Enrique Bernoldi – GT Italiano – desconhecida. Não conheço o campeonato para avaliar as chances de Bernoldi

Eric Granado – Moto2 – nula

Fabiano Machado – GP3 – nula

Fábio Orsolon – F2000 – alta. É experiente, tem boas chances de título se correr a temporada completa

Felipe Fraga – F-Renault Alps – baixa. O problema de Fraga é ser um estreante em 2012. Mas o desempenho que o garoto vem tendo nos treinos coletivos e nas primeiras corridas da carreira está sendo sensacional. Vencer parece ser questão de tempo

Felipe Massa – F1 – nula.

Felipe Nasr – GP2 – baixa. Felipe vem fazendo uma excelente temporada para um novato. Mas ainda não é boa o bastante para falar em título. A expectativa é que o brasilense consiga melhorar o desempenho na fase europeia e principalmente na segunda perna asiática do campeonato

Gabriel Casagrande – F-Renault NEC – nula. Outro que acaba de fazer a transição do kart para os monospostos. Se a mudança de carro não fosse por si só traumática, Gabriel tinha assinado para correr a F-Renault UK, mas o campeonato faliu e a participação na versão NEC só foi acertada de última hora. É bom piloto, mas agora o que conta é o aprendizado

Guilherme Silva – F-Renault Alps – média. Com adversários mais fracos que o da F-Renault Eurocup, o piloto mineiro tem chances melhores de fazer uma boa temporada

Guilherme Silva – F-Renault Eurocup – nula. Em termos relativos, a F-Renault Eurocup é atualmente o campeonato mais difícil do mundo para ser vencido. Então, não dá

Gustavo Lima – F-Renault Alps – baixa. Gustavo está estreando na Europa (e nos monopostos) em 2012. Avaliá-lo agora é um baita exagero

Helio Castroneves – Indy – média. Helio vem fazendo uma temporada muito boa, o problema é a fase de Will Power. Talvez após a temporada de ovais as chances do brasileiro fiquem um pouco mais claras

Henrique Baptista – F-Renault BARC – nula. Seb Morris, Scott Malvern e Josh Webster estão muito acima dos demais adversários. Ademais, Baptista está fazendo a transição do kart para os monopostos e precisa de tempo

Henrique Martins – F3 Italiana – média. É o atual líder do campeonato, o que é surpreendente. Mas pode ser que competir em carros mais potentes fosse o que o garoto precisava

Jaime Melo – European Le Mans Series – alta. Não sei se Jaime Melo vai disputar a temporada completa da ELMS ou se correu apenas em Paul Ricard. Mas na divisão GTE-Pro, que ele participou, tem apenas três carros inscritos e levando em conta a experiência do brasileiro, as chances são elevadas

Jaime Melo – WEC – baixa. São cinco carros na classe GTE-Pro do Mundial de Endurance. Duas Ferrari de fábrica, um Aston Martin de fábrica, o Porsche atual campeão e a Ferrari em que está Jaime Melo. Não me parece um cenário positivo

João Paulo de Oliveira – F-Nippon – alta. Ele é sempre favorito na F-Nippon, mas não será um campeonato fácil

João Paulo de Oliveira – SuperGT – média. Geralmente JP tem mais dificuldade de conseguir bons resultados no SuperGT que na F-Nippon, então as chances aqui também são menores

JV Horto – Indy Lights – nula. Já perdeu uma etapa por falta de patrocinador…

Leonardo Jafet – Skip Barber – média. Jafet ainda não foi confirmado de forma oficial na Skip Barber, mas disputou o campeonato de inverno da categoria, onde foi bem. O problema é que há pilotos mais experientes (como Danilo Estrela) no certame

Lucas Foresti – World Series by Renault – baixa. Lucas não fez um bom trabalho na pré-temporada e costuma apresentar bons resultados no segundo ano em uma categoria. Acho que 2012 não é o ano do brasiliense

Luiz Razia – GP2 – alta. É uma surpresa, mas Razia parece o desafiante de Davide Valsecchi na batalha pelo título

Marco Túlio Souza – F-Renault Challenge – média. É um campeonato longo, mas o brasileiro é um estreante e não foi bem na primeira etapa. No entanto, ele ainda tem boas chances de se recuperar

Matheus Stumpf – Iber GT (GT Espanhol) – desconhecida. Não conheço o campeonato para avaliar as chances de Stumpf, mas imagino que sejam baixas

Miguel Paludo – Nascar Truck Series – baixíssima. Paludo ainda não demonstrou uma evolução com relação ao desempenho que teve em 2011

Nelsinho Piquet – Nascar Truck Series – alta. Nelsinho está em uma excelente fase, não há dúvidas. A grande questão é se ele será capaz de bater James Buescher e Timothy Peters

Nicolas Costa – F-Abarth – alta. No segundo ano na categoria, Nicolas Costa corre por fora na briga pelo título, mas pode surpreender, já que conta com bom equipamento

Oswaldo Negri – GrandAM – média. Depois da vitória em Daytona, se esperava mais de Negri, mas o brasileiro não conseguiu bons resultados nas duas corridas seguintes

Paulo Nobre – WRC – nula.

Pierre Kleinubing – Continental Series – alta. Megavencedor no turismo norte-americano, Pierre tem boas chances de título. Atualmente, ocupa a vice-liderança do campeonato na categoria ST

Pietro Fantin – F3 Inglesa – média. Pietro precisa usar a experiência de um ano na categoria para poder duelar com Carlos Sainz pelo título. O espanhol, no entanto é o favorito

Pietro Fittipaldi – Nascar All American – baixa. Ano passado Pietro venceu na divisão Limited Late Models em Hickory. Agora o brasileiro está no campeonato principal da pista, o buraco é mais embaixo, então acho que 2012 é um ano de aprendizado

Pipo Derani – F3 Inglesa – baixa. Pipo tem sido uma surpresa no início de 2012. A dúvida é se ele será capaz de manter a boa fase

Rafael Suzuki – F3 Japonesa – nula. É o único piloto correndo com o F308 contra o adversários de F312. Aí fica difícil

Roberto Lorena – F1600 – baixa. Lorena estreia nos monopostos em um campeonato difícil. Após a primeira rodada, a equipe de Bryan Herta (onde não compete o brasileiro) parece superior às demais

Rubens Barrichello – Indy – baixa. Eu acho que todo mundo esperava uma temporada um pouco melhor de Barrichello em 2012. Ele conseguiu três top-10 consecutivos, mas ainda é pouco, ainda mais com a boa fase de Will Power

Thiago Calvet – Ginetta Challenge – média para alta.

Tony Kanaan – Indy – baixa. Em primeiro lugar, a KV está perdendo para ela mesma. Aí não tem milagre de Tony, Barrichello ou E.J. Viso que resolva

Victor Carbone – Indy Lights – alta. Os americanos têm uma expressão ‘put all together’, que pode ser traduzida como ‘dar tudo certo’. É o que o paulista precisa no momento para ter chances de ficar com a taça

Victor Franzoni – F-Renault Alps – baixa. Franzoni fez a pré-temporada pela equipe Cram, mas resolveu assinar com a Koiranen de última hora. A mudança é positiva em termos de desempenho da nova equipe, mas requer uma adaptação. Assim, os resultados do paulista devem aparecer no segundo semestre principalmente

Victor Guerin – Auto GP – nula. Em seis corridas, o brasileiro somou 16 pontos. O líder do campeonato é Adrian Quaife-Hobbs com 105. Não acredito em uma recuperação milagrosa. Minha opinião é que Guerin precisa parar de pular de categoria todos os anos para ter alguma chance

Vinícius Alvarenga – F-Abarth Italiana – nula. Ainda não foi confirmado na categoria, mas as chances são nulas

Yann Cunha – World Series by Renault – nula. É outro que precisa parar de pular de categoria para ter alguma chance

Yukio Duzanowski – F-Abarth Italiana – baixa. Ainda não foi confirmado na categoria, mas as chances são pequenas até pelo poder das demais equipes

Longe da aposentadoria

março 29, 2012
Rubens Barrichello

Após ser preterido na F1, Rubens Barrichello resolveu desbravar o velho caminho rumo à Indy

Falar sobre a F1 é algo complicado. Todos os dias milhares de histórias sobre a categorias são lançadas. Entretanto, elas ficam velhas muito rapidamente. Comentar sobre Sergio Pérez na Malásia, sobre os fracos resultados de Felipe Massa ou sobre os toques de Sebastian Vettel e Jenson Button em Narain Karthikeyan já é coisa do passado.

Assim, o grande factoide do campeonato, ao menos nesta sexta-feira (30), é a escolha de Jaime Alguersuari como companheiro de Lucas Di Grassi na Pirelli. Isto é, a partir de agora os dois pilotos vão dividir a tarefa do desenvolvimento dos novos compostos. Pode não ser o emprego dos sonhos, mas é bastante digno, visto com os dois devem ganhar salário para pilotar um carro, algo que não acontece necessariamente na F1.

Com a contratação de Alguersuari, praticamente todos os pilotos que deixaram a F1 em 2012 já estão empregados. O World of Motorsport fez uma breve lista para você saber que há vida no automobilismo mesmo depois da F1.

Adrian Sutil – O funcionário número Zero da Force India deixou a F1 no final do ano passado envolvido no inquérito policial por causa de uma briga em uma boate em Xangai. Após o GP da China, o alemão tinha acertado Eric Lux – dono da empresa que controla a Renault – com uma garrafa. O dirigente ficou ensopado de sangue e processou o atleta.

Em janeiro, Sutil foi condenado a 18 meses de condicional e obrigado a pagar uma multa de 200 mil euros, que foi destinada à caridade. Na F1, dizem que o problema com a polícia o impediu de assinar com a Williams para o novo campeonato. Ainda assim, o alemão não desistiu da categoria máxima e já afirmou, nesta semana, que adoraria pilotar para a Sauber caso Sergio Pérez fosse puxado para a Ferrari.

Nick Heidfeld – Se arrastando pelo grid desde a saída da BMW, no final de 2009, o alemão finalmente parece ter desistido da F1. A passagem pela Renault na última temporada não foi boa e Quick Nick não conseguiu permanecer na categoria. Para 2012, o alemão já assinou com a Rebellion Racing, uma das maiores equipes de endurance do mundo, abaixo apenas dos grandes times de fábrica.

Pilotando ao lado de Neel Jani e Nicolas Prost, Heidfeld não teve uma boa estreia no Mundial de Endurance, abandonando as 12 Horas de Sebring.

Jaime Alguersuari – Dispensado pela Toro Rosso, Alguersuari logo ganhou o estrelato. Primeiro, o espanhol criticou a forma com que a Red Bull trata os jovens pilotos e depois revelou ter recusado uma proposta da equipe austríaca para seguir como piloto de testes. O interesse do catalão estava longe das pistas, ao menos era o que parecia.

Conhecido na noite de Ibiza como DJ Squire, Alguersuaria planejava se dividir entre a música e a tarefa de comentarista para a BBC. Como DJ, até que deu certo, afinal, hoje em dia, tudo o que ele precisa fazer é conectar o iPod e apertar play. Já a tarefa de comentarista deixou a desejar. No primeiro furo dado, o ex-piloto da Toro Rosso afirmou que Robert Kubica não conseguia segurar um copo de água, quanto mais dirigir. Menos de cinco dias depois o polonês publicou uma foto pilotando um carro de rali e rebatendo o antigo colega de profissão.

Apesar da fama, Alguersuari não conseguiu ficar muito tempo longe das pistas e foi anunciado como piloto de testes da Pirelli ao lado de Lucas Di Grassi.

Jaime Alguersuari DJ Squire

Longe da F1, Jaime Alguersuari ganha a vida como DJ na noite de Ibiza e outros locais badalados do Mediterrâneo

Sébastien Buemi – Assim como Alguersuari, o piloto suíço também foi chutado sem dó nem piedade dos confins da Toro Rosso. Para piorar, assim que soube da decisão, Buemi reclamou que tinha estado em Milton Keynes, onde trabalhara no simulador rubro-taurino poucas horas antes da fatídica notícia.

Apesar de ter choramingado por aí, Buemi foi contatado pela Red Bull, que ofereceu o posto de piloto reserva, algo prontamente aceitado pelo suíço. Satisfeito com a nova vaga, o piloto de apenas 23 anos logo descobriu que a primeira escolha do time tinha sido Alguersuari, mas o catalão havia recusado a proposta.

Assim, o eterno número 2 da Toro Rosso estará desfilando beleza em todos os GPs do ano, torcendo para que Sebastian Vettel ou Mark Webber se machuquem e, enfim, ele ganhe a oportunidade de pilotar um carro de ponta na F1. Ao mesmo tempo, Buemi acertou com a Toyota para a disputa das 24 Horas de Le Mans.

Rubens Barrichello – O brasileiro era o único piloto da F1 que havia participado de todas as temporadas da categoria desde a criação, em 1950. Ok, na verdade ele estreou em 1993, mas nada que o torne menos veterano. No entanto, toda essa experiência não foi capaz de convencer Frank Williams a mantê-lo na equipe.

Barrichello, então, caçou patrocinadores no Brasil todo e fechou com a BMC, para tentar permanecer na categoria principal. Mesmo com o dinheiro, a Williams optou por Bruno Senna, mandando o veterano direto para a Indy.

Na única corrida em que disputou até agora, Barrichello não conseguiu acertar uma boa estratégia de corrida e perdeu tempo durante as paradas nos boxes. Em São Petersburgo, finalizou em 17º, com duas voltas de atraso e com direito a pane seca.

Jarno Trulli – Eterno segundo piloto da Lotus, o italiano achava que ia disputar a temporada 2012 da F1. No entanto, aos 46 do segundo tempo, Vitaly Petrov ligou para Tony Fernandes e ofereceu uma boa grana e um grandioso estoque de vodka, Lada e russas, que foi prontamente aceito pelo dirigente.

Assim, Trulli foi chutado e o russo se tornou companheiro de Heikki Kovalainen. Enquanto o italiano ainda não se acertou – não seria surpresa se disputasse ao menos as etapas em circuito misto da Nascar – , Petrov conseguiu em duas corridas o que o veterano jamais havia feito: andar na frente de Heikki Kovalainen.

Nick Heidfeld

A ironia da vida! Depois de ser dispensado pela Lotus, Nick Heidfeld compete no Mundial de Endurance com um carro em preto e dourado

Vitantonio Liuzzi – Outro italiano com contrato dispensado. Assim como Trulli, Liuzzi também tinha um papel escrito que ele ia competir em 2012, mas parece que na F1 as pessoas não se importam muito com esse tipo de coisa.

Como não foi oficialmente dispensado pela HRT, Liuzzi tem vivido o dia a dia da equipe espanhola, em um posto totalmente decorativo. O time, claro, quer evitar pagar a multa pela rescisão do contrato, então todo mundo finge que está feliz.

Além de ocupar o cargo de aspone na HRT, Liuzzi fechou com a Mercedes para a disputa do principal campeonato italiano de turismo, a Superstars Series.

Jérôme D’Ambrosio – Depois de disputar apenas uma temporada pela Marussia, o belga não agradou. Sendo constantemente mais lento que Timo Glock e aparecendo tanto na televisão quanto o avião invisível da Mulher Maravilha, D’Ambrosio foi chutado sem dó nem piedade do time russo, que escolheu Charles Pic como otá… substituto para 2012.

O desempenho de Pic é tão relevante quanto o do belga, ou seja, até agora ele não fez nada. Mas isso não é algo que Jérôme possa se orgulhar. Nosso amigo defenestrado já declarou que preferia seguir na Marussia a assistir às corridas do lado de fora da pista.

Pelos contatos que tem com a Gravity, empresa que controla a equipe Lotus na F1, o belga assumiu o posto de piloto reserva do time. Assim, torce para algum infortúnio de Kimi Raikkonen ou de Romain Grosjean para voltar a correr.

Karun Chandhok – Ao contrário do compatriota Narain Karthikeyan, Chandhok esnobou a Hispania na hora de seguira na F1. Depois de pilotar para a equipe espanhola, em 2010, o indiano recusou retornar ao time, buscando algo diferente na última temporada. Acertou com a Lotus, onde foi piloto reserva ao longo do ano e competiu no GP da Alemanha.

Chandhok até tentou um acordo para correr na Índia, mas não deu certo. Enquanto ainda tente restabelecer a carreira, o piloto fechou com a JRM, para a disputa do Mundial de Endurance. Ao lado dos experientes David Brabham e Peter Dumbreck, foi um dos destaques dos treinos em Sebring, mas não conseguiu terminar a corrida de 12 de duração.

O que esperar de Barrichello após o primeiro treino coletivo na Indy

março 9, 2012
Rubens Barrichello Indy Sebring

Não dá para negar que Rubens Barrichello foi a grande atração do primeiro treino coletivo da Indy em 2012

A Indy realizou nesta semana, em Sebring, o primeiro treino coletivo para a temporada 2012 da categoria. Evidentemente, a grande estrela das atividades foi Rubens Barrichello, que teve a rotina acompanhada de perto pelos figurões da categoria.

Só que não era apenas a presença do brasileiro que importava. Na realidade, todo mundo queria ver o desempenho do ex-piloto da Williams. Afinal, até agora, Barrichello havia participado de testes nunca com mais de dez pilotos, mas dessa vez ele teria a oportunidade de andar com casa cheia, já que praticamente todos os pilotos confirmados para 2012 estiveram presentes.

Para os treinos, a Indy propôs um regulamento esquisito. Na segunda e na terça-feira, cerca de metade do grid foi à pista. Esse primeiro grupo foi composto praticamente pelos pilotos da Penske e da Andretti, além de gente como Simona De Silvestro e Simon Pagenaud. Na quarta-feira houve um descanso, com os carros da Indy Lights entrando em ação, enquanto o segundo grupo de competidores tiveram quinta e sexta-feira para testar.

Com isso, Barrichello, Tony Kanaan e os carros da Ganassi ficaram apenas com os dois últimos dias e, portanto, jamais encontraram a pista nas mesmas condições que os rivais de Penske e Andretti.

Mesmo assim, é possível tirar algumas conclusões desse primeiro treino coletivo da Indy em 2012. Levando em conta a melhor volta de cada piloto ao longo dos quatro dias, Barrichello ficou com o quarto melhor tempo. O novo contratado da KV só ficou atrás da dupla principal da Ganassi – Scott Dixon e Dario Franchitti –, além de Helio Castroneves.

O ex-piloto da F1, portanto, superou Will Power, Ryan Briscoe, Graham Rahal e todos os carros da Andretti e da KV. Também foi o melhor estreante, evidentemente.

Rubens Barrichello Tony Kanaan Indy Sebring

Rubens Barrichello deixou o companheiro de equipe Tony Kanaan para trás no primeiro treino

É natural que com um resultado desses, a expectativa com relação a Barrichello para a temporada aumente. Se havia dúvidas quanto à adaptação do brasileiro à nova categoria, elas foram sanadas nessa semana. Afinal, competindo de igual para igual com todos os grid, o paulista conseguiu estar sempre entre os primeiros colocados.

Talvez a referência mais óbvia para Barrichello, ainda mais por causa desses primeiros resultados, seja Nigel Mansell. O inglês foi o último piloto do grande escalão da F1 a deixar a categoria para correr no mercado norte-americano. Mas para quem já começou a tecer essa comparação é preciso tomar cuidado a alguns fatores.

O primeiro deles é que Barrichello não é Mansell. Os dois certamente estão presentes na história da F1 como alguns dos pilotos mais talentosos da categoria, mas há uma clara diferença de habilidade entre eles. Outro fator é que apenas o inglês conseguiu chegar ao título no certame europeu.

Quando Mansell deixou a F1, ele era o atual campeão da categoria e acertou com a Newman/Haas, que tinha sido o melhor time da Indy nos últimos dois anos. Michael Andretti conquistara o título de 1991 pelo time e perdera o do ano seguinte para Bobby Rahal por causa da inconsistência nos resultados, embora o carro da NH tenha sido superior ao da Rahal.

Barrichello, por sua vez, acertou com uma equipe que ainda busca a primeira vitória na Indy. É lógico que os torcedores do brasileiro querem vê-lo brigando por vitórias e até mesmo pelo título, por que não? Mas falar em taça para um time que jamais venceu me parece um passo muito grande.

Nigel Mansell Newman/Haas

Nigel Mansell tinha uma equipe muito mais estruturada à disposição

A própria KV sabe das suas limitações estruturais. Em 2009, por exemplo, eles só inscreveram um carro na temporada toda, para Mario Moraes. Agora, três anos depois, são três máquinas, para Kanaan, Barrichello e E.J. Viso.

E os dirigentes do time – Jimmy Vasser e Kevin Kalkhoven – reconhecem que a contratação de cada um desses atletas (principalmente os brasileiros) elevou o nível da equipe. Então não é só Barrichello que precisa se adaptar à categoria, os integrantes da equipe também vão precisar se acostumar à pressão de trabalhar em alto nível na luta pela vitória em uma semana sim e em outra também.

Em termos práticos, eles serão obrigados a definir coisas como tática nos boxes e estratégia de combustível em cima da hora, no calor do momento. Na etapa do Anhembi do ano passado, foi uma dessas decisões – errada – que custou uma possível vitória de Takuma Sato. Na ocasião, o japonês vinha na liderança, mas acabou obrigado a fazer o reabastecimento em bandeira verde, enquanto os principais rivais aproveitaram o safety-car.

Além disso, vale lembrar que era o argentino Esteban Guerrieri que estava negociando com a KV para ficar com a terceira vaga. Barrichello apenas apareceu do nada e se tornou uma oportunidade irrecusável para o time americano. Então, os engenheiros e mecânicos que vão trabalhar com o brasileiro não são necessariamente os top de linha contratados para lutar pelo título, mas funcionários de Sato na temporada passada e que imaginavam Guerrieri como piloto.

Isso tudo não quer dizer que Barrichello não possa ser campeão nesse ano de estreia. Ele pode. Mas é preciso ficar claro que será uma tarefa muito mais difícil que a de Mansell, há 19 anos.

P.S.: a soma dos tempos dos treinos da Indy em Sebring você pode ver clicando aqui.

A agenda cheia de Takuma Sato em 2012

março 2, 2012
Takuma Sato

Takuma Sato sabe que terá muito trabalho em 2012

Meio sem querer, Takuma Sato foi pivô da grande contratação da Indy para a temporada de 2012. O japonês estreou na categoria norte-americana, dois anos atrás, quando a Honda viu uma boa oportunidade de atrair ainda mais o interesse do público nipônico pela categoria.

Na época, a montadora era a única fornecedora de motores do campeonato, mas para marcar presença entre os japoneses era obrigada a apoiar pilotos de qualidade questionável como Kousuke Matsuura, Roger Yasukawa e Hideki Mutoh. Assim, até mesmo na etapa de Motegi, a torcida local era obrigada a vibrar pelos pilotos ocidentais.

Para tentar melhorar um pouco as coisas, os diretores da Honda resolveram apostar em uma contratação de peso: Takuma Sato. O bom desempenho do japonês na F1 – ainda que nada extraordinário – tinha sido o suficiente para criar uma torcida apaixonada e fiel pelo atleta. Mas esses torcedores acabaram órfãos quando Takuma foi substituído por Rubens Barrichello na equipe da F1.

Na ideia de convencer Sato a correr nos Estados Unidos, o piloto foi levado à Indy 500 de 2009. Assistiu à corrida, gostou do que viu e começou a negociar com a KV para o ano seguinte. O contrato foi fechado e ele correu por duas temporadas pela equipe de Jimmy Vasser e Kevin Kalkhoven, onde acumulou duas pole-position, diversos acidentes e o sabor amargo de ter perdido a vitória no Brasil por um erro da equipe na estratégia nos boxes.

Para 2012, o piloto foi obrigado a procurar outro lugar para correr, já que a KV escolheu os motores Chevrolet, que retornam à categoria esse ano. Como Sato segue ligado à Honda, o jeito foi negociar com equipes que optaram pela montadora nipônica. Assim, em alguns meses, o acordo com a Rahal Letterman – que retorna à Indy de forma integral – foi costurado.

Foi dessa forma que Sato se tornou personagem da grande contratação da Indy. É verdade que o acordo com a Rahal Letterman é insignificante, mas acabou abrindo espaço para a chegada de Rubens Barrichello, que acertou com a KV, onde vai substituir o nipônico em uma equipe pela segunda vez na carreira.

Se engana, no entanto, quem pensa que Sato saiu cabisbaixo ao ver a antiga sendo a mais comentada da categoria nesse momento de pré-temporada. Profissional, o japonês seguiu o plano da Honda e já está treinando duro na nova equipe.

Mas a história não para por aí. Sato, enfim, também conseguiu chegar ao estrelato. O piloto é a grande novidade do automobilismo japonês em 2012, pois recebeu um convite da Mugen – equipe oficial da Honda – para disputar duas ou três etapas do campeonato da F-Nippon.

Mugen F-Nippon Naoki Yamamoto

A Mugen não foi bem na temporada 2011 da F-Nippon, mas será a grande atração do novo campeonato com a chegada de Takuma Sato

Essa será a primeira oportunidade que a torcida japonesa de ver um dos maiores ídolos dos últimos anos competindo em um certame no país. Lembrando que ele participou normalmente do GP do Japão enquanto esteve na F1, além das etapas de Motegi nesses dois anos de Indy. Também não é coincidência que esse convite chegou justamente quando a categoria americana abandonou a etapa japonesa para pilotar na China.

Só que essa primeira experiência de Sato no automobilismo japonês não deve ser essa moleza toda. A Mugen não foi bem em 2011. Contando com Naoki Yamamoto, a equipe conseguiu a pole-position para a etapa de abertura do campeonato, mas parou por aí. Depois disso, a única vez que chegou aos pontos foi com o quinto lugar em Autopolis, logo na segunda corrida.

A Honda ainda não anunciou em quais etapas Sato estará presente, mas obviamente será em alguma que não houver conflito de data com a Indy.

Para encerrar, é possível chegar a duas conclusões. A primeira é que dificilmente veremos um piloto top brasileiro participando de algum campeonato por aqui. Ano passado, Felipe Massa esteve em alguns treinos do Trofeo Linea e, neste ano, Augusto Farfus pode competir em algumas corridas do GT Brasil devido à chegada da BMW ao campeonato. Ainda assim, parece pouco.

A outra é que a Mugen deveria ficar de olho em Rubens Barrichello. Bom, o brasileiro já substitui Sato na F1 e agora também na Indy, então nunca se sabe, não é?


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