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A épica etapa da Nationwide em Elkhart Lake, ou Fora Kyle Busch! Fora Carl Edwards! Fora Keselowski!

junho 25, 2011
Reed Sorenson e Ron Fellows

A corrida da Nationwide foi tão disputada, que veio a bandeirada e precisou de mais duas voltas até saber quem ganhou

Antes de mais nada, quero dizer que não tenho nada contra Kyle Busch, Brad Keselowski ou Carl Edwards, mas a etapa da Nationwide Series, disputada neste sábado, dia 25, provou que a divisão de acesso da Nascar não precisa deles. Caso você não tenha visto a prova épica, com três prorrogações e muito drama, basta clicar aqui e ver o texto com a qualidade de sempre.

Quando Brad Keselowski venceu a etapa do Kansas da Sprint Cup, escrevi aqui que esse era o resultado que a Nascar queria para justificar de forma acertada a mudança na regra sobre a forma de classificação para o Chase em 2011. É possível traçar um paralelo e dizer que o triunfo de Reed Sorenson em Elkhart Lake foi o que a categoria precisava para confirmar o sucesso da medida adotada que proíbe um piloto de somar pontos nas três principais divisões.

Sem pontuar na Nationwide, Kyle Busch e Brad Keselowski já haviam decidido de antemão não participar da corrida em Road America, afinal, em termos logísticos, esse é o pior final de semana da Nascar. Como a Sprint Cup está na Califórnia para a corrida de Sonoma, voar para Wisconsin e correr no misto de Elkhart Lake é uma correria sem tamanho entre jatinhos e helicópteros. O último ingrediente acabou sendo a desistência de última hora de Carl Edwards, que optou por ficar em Infineon para melhorar o carro e defender a liderança na Cup.

Assim, essa foi a primeira corrida desde a etapa de Nashville de 2005 sem Edwards competindo na divisão de acesso. Para você ter uma ideia, eu não acompanhava a Nascar nessa época e hoje você lê o que eu escrevo sobre a categoria.

Michael McDowell

Imagina se na primeira corrida sem pilotos da Sprint desde 2005, o carro número 18 vence?

Da mesma forma, essa também foi a primeira corrida sem nenhum piloto da Sprint Cup desde então. Aliás, quase foi. Isso porque Michael McDowell é um piloto da divisão principal que corre para a fraquíssima equipe Parsons que só faz start-and-park. Ainda assim, seria um anti-clímax tremendo na primeira etapa sem Edwards deste milênio, ser vencida por um piloto meia-boca da Sprint e, pior, correndo no carro número 18, do sempre dominante Kyle Busch.

Para piorar, McDowell dominou boa parte da prova e só foi perder a ponta na segunda prorrogação. De qualquer forma, foi bom que ele não tenha vencido. Em caso de triunfo dele, geraria muita especulação envolvendo aquele famoso questionamento se o primeiro colocado teria sido ele mesmo ou qualquer um no 18 conseguiria repetir a façanha.

Só que ainda bem que McDowell não é Kyle Busch. Além de ter perdido a liderança de forma limpa para Justin Allgaier, o hoje piloto da Joe Gibbs perdeu a cabeça ao ver a primeira vitória da carreira na Nascar indo por água abaixo. Depois de fazer uma corrida sólida, o piloto se envolveu em uma série de acidentes em um intervalo de três ou quatro curvas (!!). Um salseiro, um melê completo, que acabou chamando a bandeira amarela novamente.

Essa besteira generalizada de McDowell e de tantos outros deu ainda mais emoção à corrida que já estava dramática. Allgaier viria a sofrer uma pane seca, enquanto Sorenson e Ron Fellows continuariam brigando pela vitória mesmo duas voltas após a bandeirada final (!!!). Desculpe Kyle Busch e Carl Edwards, mas ter tanta gente ruim e em desenvolvimento correndo junto foi o que deu a graça dessa etapa da Nationwide.

Aos dois, assim como a Keselowski, Kevin Harvick, Joey Logano e todos outros que insistem em fazer as duas categorias de forma simultânea, tenho um pedido a fazer: FORA! Hoje ficou comprovado que a categoria não precisa de nenhum de vocês para ser divertida. É claro que não estou levando em conta os valores comerciais que significam a não participação deles nessas provas, mas quanto à emoção, as corridas ficam muito melhores sem eles.

Nessas horas, aliás, eu sempre faço uma comparação interessante. Se o Neymar fosse jogar a Copa São Paulo de Futebol Júnior, é claro que esse torneio ia ter mais audiência, assim como se Vettel e Alonso voltassem à GP2, ou LeBron James desistisse de conquistar o título da NBA pelo Miami Heat e fosse disputar o basquete universitário novamente. Claro que eles seriam reis nesses casos, mas a época deles nesses torneios já passou. O mesmo vale para a Nascar.

Só que como no turismo americano não há nenhuma proibição – e acertadamente não deve ter – caberia ao bom senso de patrocinadores, equipes, pilotos e fãs não dar espaço para esse tipo de invasão. Algo que, infelizmente, não existe. Assim só resta fazer uma campanha, ‘Fora Kyle Busch! A Nationwide não precisa de você’. O mesmo, claro, vale para Carl Edwards e Brad Keselowski.

P.S.: pelas questões comerciais já citadas, é impossível que os pilotos da Sprint Cup deixem à Nationwide, mas um bom caminho para a Nascar seria fazer a logística entre essas duas categorias ser mais vezes impossível ao longo do ano. Se os circuitos mistos já são colocados no calendário a conta-gotas para não banalizar o tipo de prova que tivemos neste sábado, também seria legal que mais eventos fossem controlados de forma tão detalhada para desencorajar os pilotos da divisão principal a participarem

P.S.2: vendo a Nascar nesses últimos anos, aprendi que não importa o quão boa a prova da Nationwide for, a da Sprint será sempre muito melhor no dia seguinte. A etapa em Sonoma, portanto, deverá ser um corridão. Caso você esteja lendo esse post após a corrida na Califórnia, diga aí embaixo se eu acertei

P.S.3: campanha Fora Kyle Busch! Já!

Guia da Nascar Nationwide Series 2011

fevereiro 16, 2011

 

Travis Pastrana

A participação de Travis Pastrana é um atrativo a mais na Nationwide em 2011. Ele so estreia em julho, em Indianápolis

Dando prosseguimento aos guias das três grandes divisões da Nascar, por conta da abertura da temporada 2011, hoje é a vez da Nascar Nationwide Series, a principal categoria de acesso à Sprint Cup. Ou não.

Digo isso sem clebermachadismo. A Nationwide realmente foi criada em 1982 para servir como categoria de base para a Sprint Cup, no entanto, nos últimos anos, isso deixou de acontecer. Como os pilotos da divisão principal ‘desciam’ à Nationwide, as jovens promessas ficavam sem onde correr. O cúmulo aconteceu em 2007, quando mais da metade do grid de algumas corridas dvisão de acesso correspondiam a pilotos da Sprint Cup. A partir daí, a Nascar resolveu intervir e limitar essa participação.

No ano passado, a discussão ganhou força e a queda de braço entre promotores de provas e patrocinadores – favoráveis à presença massiva de pilotos da Sprint – e a Nascar acabou. A partir de 2011, quem quisesse participar da Nascar, em qualquer divisão, tinha que especificar na hora de fazer a inscrição para qual campeonato estará competindo. E somente no certame escolhido é que o piloto irá pontuar. Isso, entretanto, não quer dizer que ele nao possa competir em outras divisões, só não irá marcar pontos.

Essa decisão afugentou os pilotos da Sprint de certa forma. Como só Carl Edwards e Brad Keselowski pretendiam fazer a temporada toda, acabou que nesse aspecto não fez tanta diferença. Quanto à presença de gente da divisão principal nas corridas em si, também nao houve tanta mudança. Em Daytona, por exemplo, dos 45 inscritos, dez escolharam pontuar apenas na Sprint.

A grande diferença para 2011 foi que todos os principais times da Nationwide assinaram com pelo menos um piloto para correr a temporada completa e lutar pelo campeonato. O que indiretamente diminui o número de gente vinda da Sprint, já que eles ocupariam as mesmas vagas. Só que se a ideia da Nascar era tornar a Nationwide o equivalente ao basquete ou ao futebol americano universitário, o tiro saiu pela culatra. A categoria acabou se tornando uma série B da Sprint, devido ao grande número de atletas sem emprego na divisão principal e que desceram de categoria para tentar algo competitivo.

 

Kyle Busch

O grande objetivo das mudanças da Nascar foi impedir o domínio dos pilotos da Sprint na divisão de acesso. Em especial, de Kyle Busch

O principal exemplo é Elliott Sadler, que depois de anos correndo para Robert Yates e para Ray Evernham/Richard Petty, mas sem obter bons resultados, resolveu regredir de categoria e assinar com a equipe de Kevin Harvick para ter chances de vencer corridas. Caminho semelhante ao de Joe Nemechek, só que este preferiu reativar o próprio time, que carece de bons resultados.

Sem mudar de equipe, Sam Hornish Jr continua na Penske, mas agora – sem patrocinador para a Sprint – correrá na divisão de acesso. Só que como ele também não achou investidor para a Nationwide apenas de 10 a 15 corridas estão garantidas. Em outras palavras, caso não apareça nada novo, o ex-piloto da Indy vai competir até o dinheiro acabar.

Antigo companheiro de Sadler, Reed Sorenson é mais um que desceu de divisão. Ele já havia competido na Nationwide em 2010 para substituir Brian Vickers, que estava afastado por conta de coágulos no sangue. Agora Sorenson volta com a Turner Motorsports para brigar pelo campeonato. É um dos favoritos. Para terminar os ex-Sprint resta Aric Almirola. Só que este piloto de origem cubana precisou cavar ainda mais para retomar a carreira. No ano passado, correu de Truck Series, impressionou todo mundo com o vice-campeonato e fechou com a equipe de Dale Jr para lutar pelo título da divisão de acesso. É outro com boas chances de ser campeão.

 

Trevor Bayne

Entre os (poucos) jovens pilotos da Nationwide, Trevor Bayne é o mais promissor e um dos favoritos ao título

Com os mas experientes devidamente apresentados, hora de falar das jovens promessas. É um pouco de má vontade dizer que não tem ninguém interessante. Mas o número de jovens é menor que o esperado. O principal nome é de Trevor Bayne, da Roush-Fenway, que também fará 17 provas na Sprint esse ano. Ao lado do Sorenson e Almirola ele é o grande favorito ao título. Ricky Stenhouse Jr, companheiro de Bayne, é outro bom nome para a categoria. Em 2010, o jovem começou batendo (literalmente) todos os recordes de acidentes/corridas. A marca incrivelmente era maior que 1 por prova. Depois ele melhorou conseguindo vários TOP5 e TOP10, o que lhe garantiu o emprego para esse ano. Azar de Colin Braun, que rodou para a entrada de Bayne na Roush-Fenway.

Da geração de novatos de 2010 não restaram muitos nomes. Além de Stenhouse, o outro é Brian Scott. Este, vindo da Truck Series, mostrou muito potencial dirigindo os caminhões, mas parece ainda não estar adaptado aos carros. Prova disso foi a irregularidade no ano passado. Scott vai ter a vantagem de correr para Joe Gibbs, em 2011, sendo companheiro de Kyle Busch e Joey Logano naquele que é considerado o melhor equipamento da categoria.

Com equipamento inferior, mas rapidamente adaptado à Nationwide está Justin Allgaier. O ex-piloto da Penske foi sacado do time para a entrada de Hornish. Agora, na Turner, espera dar a volta por cima e conseguir o título correndo contra a antiga equipe. Também bastante irregular pela pouca idade, é nesse quesito que peca para ser considerado um favorito.

Companheiro de Allgaier, Jason Leffler é um dos pilotos mais experientes da categoria. No entanto, os bons resultados do piloto da Califórnia estão ficando cada vez mais raros. Se ele conseguir superar isso para este campeonato, será, certamente, um bom nome na disputa. Caso contrário, apenas mais um ano para ser esquecido.

Michael Annett

Oh, Michael Annett, a vida no crime não compensa...

Para finalizar aqueles nomes que podem surpreender, ainda tem a dupla da equipe de Rusty Wallace. Steve, filho de Rusty, está cada vez mais experiente e os erros bobos de outrora ficaram para trás. Mesmo ainda cabeça quente, o jovem piloto pode estar pronto para conquistar o campeonato, apostando em uma improvável constância adquirida ao longo dos anos. Em 2011, Wallace também vai começar a trabalhar a transição para a Sprint Cup. O companheiro de equipe na Nationwide será Michael Annett, grande nome da pré-temporada da categoria. Isso porque Annett foi preso bêbado e tendo lutado contra os policiais que efetuaram a prisão. Liberado para correr, o piloto foi advertido pela Nascar: se algo se repetir até o fim do ano estará banido da categoria.

Os grandes nomes da Nationwide em 2011, no entanto, não vão participar de todas as corridas. Danica Patrick segue fazendo pouco mais de uma dezena de provas sem conflito de calendário com a Indy, enquanto Travis Pastrana competirá em sete corridas no final do ano. Os dois devem levantar a audiência, embora, quanto a resultados, não devem conseguir muita coisa.

Sobre novatos, serão dois: Jennifer Jo Cobb e Timmy Hill. Fracos, apenas. Ryan Truex deve fazer algumas corridas, mas não irá fazer a temporada toda, o que é uma pena. Assim, o irmão mais novo de Martin Truex Jr – bicampeão da Nationwide – não deve concorrer para ser o novato do ano.

Com os principais pilotos devidamente apresentados, os carros também sofreram mudanças. A Nationwide irá usar o carro padrão durante todo o ano, o que se mostra uma decisão bastante acertada. As disputas foram mais equalizadas e o visual deles é bem mais agradável que os modelos antigos. Também, com Dodge Challenger e Ford Mustang na pista…

Indo à parte burocrática: clique aqui para ver a lista de pilotos confirmados. As especificações técnicas estão aqui e o calendário de provas pode ser encontrado aqui.

P.S.: Para ver mais detalhes dos novos carros da Nationwide, clique aqui para ver um post mais antigo do blog.

P.S.2: Clique aqui para ver o guia da Nascar Camping World Truck Series.

P.S.3: O jogo do Ho-Pin Tung pode ser encontrado aqui. Dica: antes de clicar, desligue o som se você estiver no trabalho.


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