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Vitória de Scott Speed em Foz do Iguaçu

abril 15, 2013
Scott Speed venceu os X Games de Foz do Iguaçu na última curva

Scott Speed venceu os X Games de Foz do Iguaçu na última curva

Nunca pensei que fosse escrever um texto sobre uma vitória de Scott Speed aqui no Brasil, mas isso aconteceu neste domingo, dia 21. O ex-piloto da F1 participou da etapa do RallyCross dos X Games, em Foz do Iguaçu, e mesmo estreando na competição garantiu o X de ouro ao desbancar nomes como Buddy Rice, Nelsinho Piquet, Ken Block e Travis Pastrana.

Durante todo o fim de semana, o americano foi o piloto dominante. Ele já havia marcado o melhor tempo na classificação e foi um dos poucos a conseguir ultrapassar durante as baterias preliminares. Na decisão, Speed travou um bom duelo contra Toomas Heineken Heikkinen para terminar com a vitória.

Antes de a corrida ser interrompida por um problema de Ken Block, o americano, mesmo com o carro aos pedaços, perseguia ferozmente o finlandês. Quando a prova foi liberada, o ex-piloto da Red Bull manteve a pressão, mas guardou uma carta na manga para o final.

É que todos os competidores tinham direito a passar pelo ‘Joker Lane’ – um atalho na pista – uma vez por corrida. Enquanto Heikkinen usou a traçado extra para ganhar vantagem nas voltas iniciais, o americano guardou o trunfo para a última volta, quando conseguiu ultrapassar o adversário, graças a um erro do piloto, que espalhou na tangência.

Com isso, Speed garantiu o X de ouro, seguido por Toomas Heikkinen e Patrik Sandell. Nelsinho Piquet, por outro lado, teve uma estreia complicada em Foz do Iguaçu. O brasileiro havia marcado o quarto tempo na tomada de tempos, mas acabou cometendo um erro amador, mas completamente compreensível na primeira bateria.

O pódio em Foz

O pódio em Foz

Quando foi dada a largada, talvez acostumado com a F1, Nelsinho acelerou assim que as luzes vermelhas se apagaram. O problema é que no RallyCross é necessário esperar as luzes verdes acenderem. Por isso, o brasileiro acabou punido com um stop-and-go e foi apenas o terceiro na bateria, sendo que os dois melhores avançavam à decisão. Na repescagem, o piloto da Turner voltou a terminar em terceiro, sendo eliminado.

Mesmo sem um representante do país na final, a última corrida foi bastante interessante. Infelizmente, um acidente logo na largada acabou eliminando Block, Pastrana e Tanner Foust da corrida. O piloto do WRC até conseguiu continuar na prova, mas como ficou com o carro parado no meio do circuito a direção acabou acionando a bandeira vermelha. Por fim, Speed mostrou que era, sim, possível ultrapassar no circuito de Foz do Iguaçu e venceu.

Dito isso, há alguns pontos interessantes desse primeiro round da competição. Por exemplo, a organização dos X Games acertou em convidar mais pilotos de verdade para a disputa do RallyCross. Em muitos eventos do ano passado, atletas de outras modalidades – vindos das motos, do skate, dos patins e das BMX – acabavam chamados para correr. É claro que eles faziam sucesso diante do público deles, mas acabavam nivelando a competição por baixo.

Dessa vez, fora esses competidores, houve a presença de vários pilotos. Além de Nelsinho e Speed, nomes como Buddy Rice (Indy), Steve Arpin (Nascar) e Maurício Neves (Dakar e rali) também estiveram concorrendo. Não que as corridas tenham sido ótimas, mas a presença desses competidores fez com que houvesse um suspense até a última curva.

A largada da corrida decisiva. Pena que a maioria não passou da primeira curva...

A largada da corrida decisiva. Pena que a maioria não passou da primeira curva…

De negativo fica a construção da pista de Foz. Como ela era formada quase que 100% na terra, os pilotos praticamente não tinham aderência para fazer ultrapassagens. Para isso, eles só ganhavam posições se um adversário errasse ou fazendo uso da Joker Lane. Eu não sei se ambientalmente falando, a organização dos X Games podia asfaltar alguma parte ali, mas se o evento retornar ao Brasil no próximo ano seria interessante estudar o uso de alguma estrada da região para montar parte da pista.

Outro problema foi a própria terra. Segundo a transmissão oficial, os organizadores não contavam com a terra vermelha de Foz do Iguaçu e logo perceberam que a poeira levantada pelos carros era exagerada. Eles fizeram o possível para contornar a situação, mas em alguns momentos era impossível ver o que se passava na pista, mesmo com todo o auxílio da televisão. Novamente, se houvesse um trecho de asfalto, esse problema seria minimizado.

Mesmo com essas falhas, acho que o RallyCross no Brasil foi um evento divertido para quem conseguiu assistir em meio a tanta poeira.

Para conferir como foi a bateria decisiva, com a vitória de Scott Speed, basta ver o vídeo abaixo:

Loeb e Ogier

fevereiro 1, 2013
Sébastien Ogier deu à Volkswagen a primeira vitória no WRC

Sébastien Ogier deu à Volkswagen a primeira vitória no WRC

Sébastien Ogier fez história, neste fim de semana, ao conquistar a vitória no Rali da Suécia, dando à Volkswagen o primeiro triunfo neste retorno da montadora ao WRC em apenas duas etapas.

Mais do que isso. Pelo que mostrou até agora em 2013, Ogier parece imbatível. Em Monte Carlo, ele competiu praticamente sozinho. Não teve condições de ameaçar Sébastien Loeb pela vitória, mas em momento algum teve o vice-campeonato em risco. Agora, na Escandinávia, Loeb voltou a ser o rival, mas acabou ficando para trás.

Além disso, neste fim de semana, o piloto da Volkswagen se tornou apenas o segundo não escandinavo a vencer na Suécia, o outro foi Loeb. Como ambos começaram na Citroën, é até mesmo inevitável compará-los, principalmente levando em conta o domínio na pista.

Durante a era Loeb, não podemos dizer que o WRC tenha vívido grandes emoções. Dos nove títulos do francês, em apenas três – 2007, 2009 e 2011 – houve alguma disputa mais apertada até a última etapa. Com a saída do megacampeão, naturalmente a esperança é de que o esporte pudesse voltar a ter mais emoção.

O problema é que isso pode estar longe de acontecer. Levando em conta as duas primeiras etapas de 2013, não seria muita surpresa se Ogier repetisse o compatriota e tornasse cada etapa do WRC um verdadeiro passeio. A saída da Ford de forma oficial e a Citroën apostando em uma dupla que pouco empolga – Dani Sordo e Mikko Hirvonen – tornam o caminho do piloto de 29 anos mais tranquilo que o de Loeb.

Voltando a 2011, Ogier estreou naquele ano pela Citroën, conquistando cinco vitórias. Três delas vieram no cascalho – gravel – e duas no asfalto. Na neve o desempenho foi pior, com apenas um quarto lugar. E esse havia sido o melhor resultado do piloto nesse tipo de superfície. Assim, se na Suécia, onde deveria estar em desvantagem, o piloto da Volkswagen sobrou, imagina o que poderá acontecer nos demais ralis de 2013?

Por outro lado, é óbvio que Ogier não é Loeb. Ninguém sabe se essa boa fase sequer vai chegar até o final da atual temporada. E mesmo que dure até lá, talvez ele não tenha a mesma motivação de repetir os nove títulos do compatriota.

Por isso, enquanto o WRC vai seguindo com certo marasmo, o grande pecado é Loeb e Ogier não terem tido tempo de competirem um contra o outro. A única vez que isso aconteceu, em 2011, os fãs ficaram animados. Naquele ano, a Citroën pegou fogo com os dois companheiros de equipe brigando pelo posto de primeiro piloto. Obviamente, a montadora se posicionou do lado de Loeb, o que obrigou Ogier a deixar a escuderia.

Como no ano passado o ‘caçula’ esteve em um Skoda na categoria S2000, não houve duelo entre os dois. Agora, com a aposentadoria de Loeb, o duelo lamentavelmente não vai mais acontecer.

De piloto de rali a dirigente: Sébastien Loeb e Paulo Nobre

janeiro 19, 2013
Paulo Nobre e Sébastien Loeb agora são dirigentes. Seus desafios são inversamente proporcionais ao tamanho do sucesso que tiveram no rali

Loeb e Nobre agora são dirigentes e têm desafios  inversamente proporcionais ao tamanho do sucesso que tiveram no rali

Quem acompanhou o WRC – o Mundial de Rali – em 2012, vai sentir falta de ao menos dois nomes na nova temporada. O primeiro, claro, é o do megacampeão Sébastien Loeb, que resolveu se aposentar das corridas off-road e se dedicar a outros projetos dentro das pistas. O outro é o de Paulo Nobre, o Palmeirinha, que acabou chamado para outro emprego, digamos assim.

Há algumas semelhanças entre os dois. Loeb, de 38 anos de idade, nasceu no dia 26 de fevereiro de 1974. Depois de conquistar nove títulos mundiais, ele decidiu deixar o rali para virar dirigente e liderar a própria equipe nas corridas de endurance – visando as 24 Horas de Le Mans –, além de participar de corridas da GT Sprint pela McLaren, da Porsche Cup Francesa e possivelmente levar a Citroën ao WTCC, caso a montadora resolva entrar no certame a partir de 2014.

Nobre, por sua vez, tem 45 anos, mas nasceu apenas dois dias antes (e alguns anos também, obviamente) que Loeb, em 24 de fevereiro de 1968. Com um currículo muito menos extenso no esporte a motor que o do francês – sem ter marcado pontos no WRC – o brasileiro também deixa a competição para liderar uma equipe em outra modalidade. Ele foi eleito nesta segunda-feira, dia 21 como presidente do Palmeiras, cujo time de futebol se encontra em um terrível buraco sem estádio (em construção), sem novos jogadores e na segunda divisão.

Outra semelhança entre os dois é a aposta em jovens para conseguir os objetivos. Desde a criação da própria equipe no ano passado, Loeb tem dado oportunidade a pilotos promissores. Neste ano, ele deve dividir a McLaren com o luso Álvaro Parente na tentativa de conquistar o GT Sprint. Já os carros da Le Mans Series e da Porsche Cup devem mais uma vez ter uma série de gauleses liderados por Nicolas Marroc. No ano passado, Jean-Karl Vernay (campeão da Indy Lights em 2010) chegou a competir com a equipe, mas neste ano deve subir para a SuperCup.

Nobre era um piloto do meio do pelotão no WRC

Nobre era um piloto do meio do pelotão no WRC

Sem grandes contratações e com recursos financeiros limitados, Nobre sabe que o Palmeiras mais do que nunca vai precisar apostar nas categorias de base para montar o elenco para o Campeonato Paulista, Copa do Brasil e Segunda Divisão – o da Libertadores, não. O lado bom é que dessa vez há alguns bons jogadores surgindo na Academia. Além de João Denoni e Patrick Vieira, que já fazem parte do elenco profissional, nomes como Bruno Oliveira, Luiz Gustavo, Bruno Dybal, Diego Souza e Vinícius, que estão no elenco da Copa São Paulo, devem ser aproveitados ao longo do ano.

Só que isso não significa que não haverá a presença de veteranos. Na equipe de Le Mans Series, Loeb contou com Nicolas Minassian e Stéphane Sarrazin nas corridas em que fez na Europa, embora os dois já tivessem vínculos para o Mundial de Endurance e as 24 Horas de Le Mans com outras equipes.

Nobre também deve apostar em alguns pilares mais experientes. Dentro de campo, Fernando Prass, Henrique e Barcos são os líderes do Palmeiras. Fora dele, o novo dirigente já falou que negocia a chegada de José Carlos Brunoro, o homem forte do alviverde na época da parceria com a Parmalat, além da onipresença do ex-goleiro Marcos.

Loeb agora comanda uma equipe em vários campeonatos

Loeb agora comanda uma equipe em vários campeonatos

Dito isso, uma coisa esses dois pilotos-dirigentes não têm em comum: a oportunidade de falhar. Se a equipe de Loeb não der certo e/ou a Citroën naufragar na chegada ao WTCC, pouca coisa vai mudar para o francês. Ele não terá a credibilidade dos nove títulos mundiais abalada e talvez sequer poderemos falar em prejuízo, já que ele tem acordo de patrocínio com grandes empresas saindo pelo ladrão.

Nobre, por sua vez, não pode imaginar que se tudo der errado voltará em dois anos ao rali como se nada aconteceu. Primeiramente, ele tem a credibilidade como empresário e como dirigente a zelar. Além disso, que ex-presidente de time de futebol conseguiu retomar a normalidade após fracassos de sua equipe?

Para encerrar, a outra grande diferença entre esses dois é obviamente o desempenho no rali. No fim do ano passado, Palmeirinha foi entrevistado pela Revista Warm Up e questionado sobre como era correr contra Sébastien Loeb, um mito do automobilismo. Nobre foi direto na resposta. Ele disse que em momento algum competia contra o francês. Embora fosse piloto do WRC, o brasileiro admitiu que não tinha condições de disputar contra os outros pilotos, por isso era uma batalha particular consigo mesmo para obter o melhor resultado possível.

Portanto, não é absurdo dizermos que o tamanho dos desafios desses dois pilotos-dirigentes daqui para frente é inversamente proporcional ao sucesso que tiveram no rali.

O que acontece no automobilismo em janeiro

janeiro 2, 2013
Oswaldo Negri A.J Allmendinger 24 Horas de Daytona

As 24 Horas de Daytona é o carro chefe da programação de janeiro

O mês de janeiro geralmente não é o favorito entre os fãs do automobilismo. Neste momento, ainda faltam mais de quatro meses até o início das corridas na Europa e um pouco menos para que a Indy e a F1 comecem. Até mesmo a Nascar, que compete em quase todos os fins de semana do ano, tira uma folga e tudo o que realiza são alguns treinos coletivos sem importância em Daytona.

Para quem fica com saudades dos carros de corrida, trago uma boa notícia. O mês de janeiro não é tão parado quanto muita gente pensa.

Tradicionalmente, o rali Dakar é a primeira competição do ano. No entanto, ao contrário das últimas edições, dessa vez o evento não começa já no dia 1º. Os carros só começam a atravessar a América do Sul a partir do dia 5 e ao longo de duas longas semanas de disputa.

Já as competições no asfalto começam logo no segundo fim de semana do ano, entre os dias 12 e 13 de janeiro. Para quem gosta de corridas festivas e lotadas de nomes famosos, o Desafio das Estrelas, de Felipe Massa, acontece nesses dias.

Embora estejamos falando da edição de 2012, a competição foi adiada para 2013 para poder atrair alguns famosos do esporte a motor mundial. Entre aqueles que já confirmaram participação estão Fernando Alonso, Pastor Maldonado, Vitantonio Liuzzi, Nelsinho Piquet, Pietro Fittipaldi e, obviamente, Felipe Massa.

Equipe Gilles Toyota Racing Series

Mas a Toyota Racing Series é a melhor opção para quem gosta de competições completas

Por outro lado, para quem prefere campeonatos de verdade, a Toyota Racing Series terá a rodada de abertura nesse mesmo fim de semana, em Teretonga. Esse campeonato, lotado de garotos que tentam fazer carreira no esporte a motor – como os brasileiros Pipo Derani e Bruno Bonifácio –, acontece em cinco semanas consecutivas e terá seu campeão conhecido após 15 corridas, no GP da Nova Zelândia, em Manfield.

Enquanto a Toyota Racing Series acontece, outro campeonato que acontece é o F3 Brazil Open. No entanto, ao contrário do torneio da Nova Zelândia, o evento brasileiro é disputado em um único fim de semana, ao longo de quatro corridas. O campeão é aquele que chegar na frente na grande final. Até o momento, Felipe Guimarães e o venezuelano Roberto La Rocca são os principais nomes confirmados. O torneio está marcado de 17 a 20 de janeiro como parte das comemorações pelo aniversário da cidade de São Paulo.

Muito mais importante que o F3 Open, são as 24 Horas de Daytona, etapa que abre a temporada da Grand-Am. Em 2013, são 15 brasileiros confirmados, além de algumas das principais estrelas do automobilismo mundial, como Juan Pablo Montoya, Sébastien Bourdais e Allan McNish. A corrida começa no dia 26 e termina no dia 27.

Para encerrar, o mês de janeiro ainda é marcado pelo início dos lançamentos dos carros da F1. A Force India, por exemplo, já agendou o seu para o dia 31, sendo que a Caterham deve exibir o novo modelo ainda antes, assim como a Ferrari, que gosta de ser tradicionalmente a primeira. Os lançamentos dos carros continuam até a primeira semana de fevereiro, já que os treinos coletivos de 2013 começam no dia 5 de fevereiro, em Jerez de la Frontera.

Um pouco antes, no dia 1º de fevereiro, a MRF 2000 – que já foi assunto aqui do blog, basta clicar aqui para relembrar – realiza a terceira etapa da temporada, no autódromo indiano de Chennai, com os brasileiros Gustavo Myasava e Henrique Baptista.

Na terça-feira, dia 5, é a vez do campeonato de inverno da USF2000, que começa em Homestead-Miami e termina em Palm Beach. Com duas etapas na mesma semana. Depois disso, a Nascar dá a largada para a temporada normal na semana seguinte, quando voltamos à programação normal.

Sébastien Loeb: o melhor (e mais sortudo) do mundo

julho 1, 2012

Sébastien Loeb não teve muitas dificuldades para se tornar o campeão dos X Games. Mas isso deixou o evento, de certa forma, chato

Não há dúvidas de que Sébastien Loeb é um dos melhores pilotos do mundo, independentemente da modalidade. Aos 38 anos, seu pequeno currículo incluiu oito títulos do WRC (e liderando a atual temporada), três da Race of Champions (e um quarto da Copa das Nações), segundo lugar nas 24 Horas de Le Mans de 2006 e treinos na F1 pela Renault e pela Red Bull. Resumindo, o francês é bom em tudo o que faz.

Neste domingo, dia 1º, Loeb pôde comemorar um título inédito ao garantir a medalha de ouro nos X Games, competindo no Global RallyCross. Com uma réplica do Citroën DS3, usado no WRC, o francês não tomou conhecimento dos adversários e deixou Ken Block e Tanner Foust para trás para conquistar o almejado X de ouro.

Em termos publicitários, a ação foi um sucesso. Não importa muito quem teve a ideia de convidar Loeb para participar dos X Games, mas é difícil pensar que o resultado poderia ser tão positivo. Mesmo quem ignorou o Global RallyCross nas duas primeiras etapas de 2012 tomou conhecimento da competição por causa da presença do francês. Consequentemente, todos os patrocinadores do evento se deram bem com isso, principalmente Red Bull, Citröen e Total.

Mas em termos esportivos a competição deixou a desejar. É verdade que Loeb chegou a Los Angeles como favorito ao título, mas ele sequer teve chances de enfrentar algum adversário. Seus principais rivais foram se eliminando aos poucos, deixando o francês livre para conquistar o X de ouro de uma forma dominante.

Apesar de toda a sorte, é inegável que Loeb é bom mesmo. Aliás, ter aceitado correr nos EUA apenas aumenta a conquista

O primeiro a cair fora da competição foi Marcus Gronholm, líder da temporada 2012 do Global RallyCross e antigo rival de Loeb no WRC. O finlandês sofreu um grave acidente ainda nos treinos ao bater de frente com uma mureta mal posicionada e desmaiou com o impacto. O piloto foi levado de helicóptero para o hospital, onde foi medicado e passa bem.

Depois, foi a vez de Travis Pastrana dar adeus à competição. Sem Gronholm, o novo piloto da Nascar era o principal candidato a estragar a festa de Loeb, ainda mais por ter como característica crescer em grandes competições. Só que Pastrana foi empurrado na mureta por Andy Scott – um gentleman driver, digamos – ainda na primeira curva da primeira bateria da primeira fase e teve seu carro completamente destruído.

O piloto até tentou continuar nos X Games ao pedir para a organização da competição para usar o carro do companheiro de equipe nas corridas seguintes. Só que o regulamento do evento impede esse tipo de manobra, e Pastrana foi sumariamente eliminado, assim como o parceiro.

Sem os dois principais oponentes, Loeb precisaria apenas terminar a final sem maiores sustos para garantir a medalha de ouro. Na corrida decisiva, o francês pulou na frente e viu Tanner Foust cometer um erro primário na hora de tracionar o carro antes das luzes verdes. Com isso, o americano perdeu muito tempo e jamais conseguiu desafiar o astro do WRC. Os dois tiveram bons duelos nas corridas preliminares, por isso Foust era apontado como um dos que poderia destronar o gaulês.

O último adversário foi Ken Block, um velho conhecido de Loeb. O americano já participou de algumas etapas do WRC e por isso já sabia o que o esperar. Só que o piloto teve um pneu furado logo no início da corrida decisiva e jamais conseguiu manter o mesmo ritmo de Sébastien. No final, a medalha de prata ficou de bom tamanho para ele.

Assim, Loeb deixa os X Games provando que não é o melhor de todos por acaso. A sua presença na competição foi algo marcante e serviu para promover tanto o evento quanto o próprio WRC em terras americanas. Por outro lado, em termos de competição foi ruim, já que o francês também provou que tem sorte de campeão ao conquistar o título sem precisar fazer grandes esforços, esperando apenas que os rivais se tirassem da disputa.

Portanto, tomara que Loeb retorne para defender o título em 2013, em um grid que tenha Gronholm em condições, além de Pastrana, Block e Foust inteiros. Também seria legal os X Games convidarem alguém para tentar quebrar o domínio do francês. Robby Gordon seria um bom nome, mas acho que não é o único que merece lembrança.

Confira como foi a bateria decisiva do Global RallyCross dos X Games:

Sébastien Loeb nos X Games

junho 15, 2012

Sébastien Loeb parece que não vai ter muitos problemas com o estilo X Games de automobilismo

Entender a lógica dos esportes nos Estados Unidos nem sempre é fácil. Por lá, as modalidades são marcadas por temporadas, em um sentido um pouco diferente do que conhecemos, sendo quase como um sinônimo de ‘época’. Ou seja, por exemplo, a temporada – ou época – do futebol americano começa em setembro, e o Super Bowl é disputado no início de fevereiro. Fora isso, acabou. Não há mais nada em jogo.

Assim, da mesma forma que a temporada do futebol americano começa cercada por empolgação em setembro, termina sem deixar rastros poucos meses depois. Dessa forma, um fã do futebol americano precisa esperar quase nove meses para poder acompanhar o novo campeonato.

Desde o mês de maio, os EUA estão na temporada do Global Rallycross, uma tentativa dos americanos em misturar a Nascar com os X Games. A categoria, na realidade, já é antiga, mas em 2012 decidiu abraçar o principal campeonato automobilístico americano, principalmente para se aproveitar da presença de Travis Pastrana.

Para quem não está acostumado com a categoria, o Global Rallycross – que obviamente não tem nada de global, pois só corre nos EUA – é aquele campeonato em que os carros passam por um traçado marcado por rampas e curvas desafiadoras em um sistema de competição similar à Corrida dos Campeões, mas, é claro, com toda a pirotecnia clássica dos X Games.

A diferença da edição de 2012 do Rallycross para as demais temporadas é que agora as competições ocorrem como uma preliminar da Nascar. O campeonato começou em Charlotte, no final de semana da Coca Cola 600 e atraiu um público muito maior que o da Nationwide, o que deixou os pilotos da categoria putos.

Depois, o campeonato já passou pelo Texas e ainda vai correr em New Hampshire e em Las Vegas. A cereja do bolo, claro será os X Games, marcados para o final do mês de junho, em Los Angeles.

Imagino que isso seja algum tipo de disputa por posição entre Travis Pastrana e Ken Block

As regras para o Rallycross nos X Games são um pouco diferentes. Apenas dez pilotos poderão competir, até porque o calendário de disputas precisa ser ensanduichado com todos os demais esportes de ação. Para ser um dos competidores em Los Angeles, o único jeito é ser convidado pela organização do evento. O jeito mais fácil para isso era ter vencido alguma das etapas anteriores.

No entanto, a organização do campeonato surpreendeu nesta sexta-feira, dia 15, ao anunciar que Sébastien Loeb, o megacampeão do WRC, foi um dos convidados para o evento. Para melhorar, o francês aceitou o convite e vai disputar os X Games uma semana após o Rali da Nova Zelândia.

Apesar de surpreendente, essa não é uma prática tão incomum no campeonato. A história dos X Games é marcada pela participação de alguns nomes de sucesso na Europa, mas que já estavam há algum tempo afastado das pistas. Marcus Gronholm, bicampeão do WRC na década passada, já se tornou um nome frequente do evento. Quem também já garantiu um X de ouro é Kenny Brack, vencedor da Indy 500 e rival de Gil de Ferran na Cart.

Outro que também se divide entre o Rallycross e o WRC é Ken Block, mas o americano certamente é mais conhecido pelo que faz nos esportes de ação, ao invés de sua habilidade no Mundial de Rali.

No entanto, o caso mais famoso é o do saudoso Colin McRae. Piloto mais popular do WRC na década de 1990 e morto há cinco anos, o escocês jamais conquistou o X de ouro, mas a disputa com o próprio Pastrana, na edição de 2006, certamente entrou para a história.

A apresentação de McRae você pode ver no vídeo abaixo. Agora só resta torcer para que Loeb faça algo assim.

A vida de Sébastien Ogier fora do WRC

dezembro 4, 2011
Sébastien Ogier

Sébastien Ogier teve direito a alguns testes antes da estreia nos monopostos

Neste domingo, dia 4, Sébastien Ogier conquistou um importante título para a curta carreira. O francês derrotou o veterano Tom Kristensen e levantou a taça da Race of Champions de 2011, ganhando o apelido de ‘campeão dos campeões’.

Não que a taça vá mudar a vida de Ogier, mas é uma ótima maneira de o piloto se apresentar à Volkswagen, afinal ele foi campeão já usando o macacão da montadora germânica para quem vai competir no WRC a partir de 2012.

Durante 2011, Ogier foi o Lewis Hamilton de Sébastien “Alonso” Loeb na Citroën. O francês mais jovem chegou à equipe e desafiou o heptacampeão ao longo de toda a temporada. Com a Citroën ao lado de Loeb, Ogier ainda ficou na briga pelo título até a última etapa, quando, com poucas chances, deu adeus à taça ao abandonar.

Vendo a preferência da montadora pelo companheiro, que acabou renovando contrato por mais duas temporadas, Ogier se mandou da equipe e assinou com a Volkswagen, que entrará no WRC em 2013, onde deve acumular a função de piloto de testes com a participação em tempo integral na competição, a bordo de um Skoda Fabia.

Com a carreira encaminhada, o título da ROC não terá tanto peso na carreira de Ogier, mas, na realidade, essa não foi a primeira excursão do piloto a carros diferentes dos usados no WRC.

Em novembro, tanto Ogier quanto Loeb foram convidados pela entidade francesa que chancela o automobilismo do país a participar das etapas finais dos campeonatos locais. Ambos acertaram para correr de GT, enquanto Loeb foi competir pela Porsche Cup, onde vez ou outra aparece. Ogier, por sua vez, assumiu o comando dos monopostos da F4 Francesa.

Sébastien Ogier

Nas corridas, Sébastien Ogier não fez feio e chegou a brigar por um lugar no pódio

Antes de continuar, um breve parênteses, se o automobilismo francês está em alta novamente, com Romain Grosjean, Charles Pic, Jean-Éric Vergne e Jules Bianchi com chances de chegar à F1, muito é por conta da valorização da F4. JEV, por exemplo, foi o campeão de 2007, enquanto Pic não conquistou o título, mas também foi revelado por lá, em 2006, um ano após o triunfo do também conhecido Jean Karl Vernay.

Atualmente, a categoria anda bastante valorizada, servindo como porta de entrada para a F-Renault europeia. Custando apenas € 50 mil – menos que a F-Futuro – um garoto de 14 anos pode competir em 14 corridas – mais que a F-Futuro – observado por um grupo de técnicos e especialistas que apontam o melhor caminho no desenvolvimento como atleta. Esse ano, o brasileiro Jean Antunes se inscreveu apenas para a primeira etapa e não competiu mais desde então.

Voltando a Ogier, o piloto de rali não fez feio com carros infinitamente mais leves. Ele começou os treinos livres na 11ª colocação, mas obteve a quinta posição no grid de largada. Nas corridas, o piloto largou muito bem, assumindo o terceiro lugar em ambas as provas antes de finalizar em quinto nas duas oportunidades.

Depois das corridas, o francês agradeceu a participação no evento e disse que pretende voltar em 2012 caso seja convidado pela organização da competição. Olha, para alguém que mal havia competido em um monoposto na carreira e tendo brigado de igual para igual com os garotos que querem seguir correndo disso, a gente pode dizer que Ogier leva jeito para coisa. Se Sébastien Loeb não conseguiu chegar à F1, tendo feito apenas alguns poucos testes, quem sabe Ogier não aparece por lá no futuro?

O futuro de Sébastien Loeb

outubro 29, 2011
Sébastian Loeb Le Mans

Sébastian Loeb nunca escondeu que quer correr de Le Mans Series após deixar o rali

Os últimos sete anos do WRC foram dominados por Sébastien Loeb. O francês, pilotando um carro da Citroën, venceu sete títulos, 65 etapas e se tornou um dos maiores nomes da história do esporte.

Apesar disso, em 2011, Loeb não teve o passeio costumeiro. Antes do Rali da Espanha, a última etapa realizada até o momento, o francês estava em desvantagem na tabela de pontos devido a um abandono na rodada da França, e via a Citroën considerar fazer jogo de equipe entre ele o companheiro, Sébastien Ogier, para garantir o título contra a Ford.

Mesmo com esse momento conturbado, Loeb venceu na Espanha e abriu oito pontos de vantagem para Mikko Hirvonen, da Ford, faltando apenas uma etapa para o fim de 2011. O inédito octacampeonato ficou mais perto do francês, mas o desgaste também mostrou estar presente.

A exemplo de Michael Schumacher e Valentino Rossi, que também dominaram a década passada em suas respectivas categorias, Loeb sabe que em alguma hora não vai mais conseguir acompanhar o ritmo de pilotos mais jovens. Para não ter que fazer figuração eterna no rali, o francês anunciou a criação da Sébastien Loeb Racing (SLR), a equipe de automobilismo dirigida por ele mesmo.

A partir de 2012, o piloto vai inscrever, ao lado do amigo Dominique Heintz, dois carros no campeonato francês de Porsche Cup e outro na Le Mans Series, na divisão LMPC.

Sébastian Loeb

Seb já correu pela Porsche em uma etapa do GT Open, o campeonato europeu de Gran Turismo

Ok, dito isso, certamente um leitor mais empolgado pode pensar. “Pô, o Loeb monta uma equipe e vai correr nessas categorias tão pequenas?” Aí entra a parte interessante da coisa. Não é o francês quem vai correr em 2012, ele apenas será o dono da equipe. Os pilotos ainda vão ser anunciados. Loeb, por sua vez, tem contrato com a Citroën no WRC até o final de 2013 e não deve mudar de categoria até lá.

A ideia do por enquanto heptacampeão é que o time se desenvolva até 2014 para que ele possa fazer a transição de forma mais tranquila. Enquanto ele ainda compete no WRC, o objetivo é que a equipe da Porsche francesa pule para a Porsche Supercup, aquele campeonato que acompanha a F1 nas etapas europeias e de Abu Dhabi, e a da LMS, por sua vez, deixe a LMPC – onde os protótipos são comprados da Oreca – para competir na LMP2, que vai se tornar a principal divisão do campeonato a partir de 2012.

Assim, quando Loeb deixar o rali e fizer a transição para os circuitos, ele terá duas boas categorias para escolher onde pilotar. O francês poderá optar por acompanhar a estrutura da F1 em uma categoria que está cada vez mais valorizada e atraindo jovens que fizeram carreira no turismo – a Porsche Supercup – ou seguir o desejo próprio de participar de provas de Endurance. Lembrando que Seb já disputou as 24 Horas de Le Mans em 2005 e 2006.

Independente da escolha, é bom ver que alguns ídolos do esporte planejam se manter envolvidos com o automobilismo após abandonarem a carreira.

Loeb, aliás, não é o primeiro piloto de rali a fazer a transição para o endurance. Durante muitos anos, Luc Alphand – uma espécie de Nasser Al-Attiyah dos Alpes – inscreveu uma equipe na LMGT1 com dois Corvette. O suíço vencedor do Dacar não pilotava, mas colocava dois Corvettes na pista. Desde o estouro da última crise financeira ele deu um tempo com a equipe.

Dakar 2011 chega ao fim, e amanhã?

janeiro 15, 2011
Nasser Al-Attiyah

Nasser Al-Attiyah fez um Dakar sem aparecer muito e conquistou o título da competição ao se aproveitar dos problemas de Sainz e Peterhansel

A sorte não parecia estar do lado de Nasser Al-Attiyah durante a história do Dakar.O qatari apareceu como uma surpresa quando a competição ainda era disputada na África, mas foi na América do Sul que ele se firmou como um dos principais pilotos do mundo na modalidade. Se no caminho para o Senegal, Al-Attiyah era um azarão, vindo do longinquo Qatar, que conseguia uma vitória aqui outra lá, no Chile e Argentina, ele se consolidou como candidato ao título.

Mas a sorte era sempre um empecilho. Duas edições antes, ainda competindo pela BMW, o representante do Catar foi desclassificado do evento por pular quatro postos de controle, quando detinha uma liderança confortável. No Dacar de 2010, nova decepção. Com seis pneus furados ao longo do percurso, o piloto foi impedido de conquistar o título, ficando apenas 2min12s atrás de Carlos Sainz.

Sem margem para o azar, a vitória de Al-Attiyah é interessantíssima. Primeiro, um cara do Qatar – que sabiamente dúvida que eu alguém consiga localizar exatamente o país no mapa – venceu a edição 2011 do maior rali do mundo. Depois, precisamos entender que Nasser não é um Zé Ninguém do país asiático. Ele é apenas um dos príncipes do lugar. Como o piloto é parente de uma mulher que amamentou o emir (governante máximo do país) local, Nasser Al-Attiyah ganhou o título de príncipe. E por fim, ele quase foi medalhista olímpico em uma das modalidades de tiro nos Jogos Olímpicos da Grécia, em 2004. Na ocasião, o qatari perdeu o desempate pela medalha de bronze para um cubano.

Infelizmente, o príncipe piloto atleta olímpico não vai ganhar nenhum prêmio, em qualquer restrospectiva lá no fim de dezembro, de melhor piloto de rali do ano. Se, no WRC, Sebástian Loeb conquistar mais um título (oito?) certamente ficará com todos as glórias. Caso alguém derrote o francês, ficará com as honras por ter vencido o megacampeão.

Chegamos a uma conclusão: Nasser, entre no WRC e vença o Loeb, por favor. Grato.

Nasser Al-Attiyah

Noss campeão do Dakar em plena Olimpíadas de Atenas. No tiro, ele terminou em quarto

Piadas a parte, ficou claro que o qatari não vai ser reconhecido pela conquista do Dakar. Tudo bem. Agora imaginem alguém que é heptacampeão do maior rali do mundo. Que venceu 63 especiais na carreira, mais do que qualquer outro piloto na história da competição. Que detém o maior número de vitórias em uma mesma edição do Dakar. Que conseguiu virar uma situação de mais de 30 mins de atraso para uma vantagem do mesmo tamanho em uma única especial sem que os adversários tivessem problema.

O dono de todos esses feitos é Vladmir Chagin, que pilota um caminhão Kamaz. Todos os feitos listados acima poderiam colocar o ‘czar’, como ele é chamado, como o principal piloto da história do Dakar. Claro que isso não vai acontecer. O russo deve ser mais uma vez premiado na terra natal apenas. Talvez a Red Bull decida fazer mais um vídeo promocional sobre ele, mas os prêmios e homenagens vão parar por aí. Uma pena.

Por fim, Alejandro Patronelli fez história. Se tornou o segundo argentino a vencer o Dakar. Não só isso, foi a primeira vez que irmãos venceram a competição em anos consecutivos, já que, em 2010, a vitória entre os quadriciclos ficou com Marcos Patronelli. E sabe o que é mais legal? Eles sabem que amanhã vão sair na rua e, salvo raríssimas exceções, ninguém vai reconhecê-los. Por isso, já planejam correr nos carros a partir de 2012. Não seria surpresa se os brothers aparecessem na equipe de Robby Gordon.

Para finalizar esse post, preciso dizer que eu não estava falando sério. O tom de desabafo quanto à falta de reconhecimento deles não é real. Na realidade, a minha única intenção era só mostrar que no Dakar, uma competição sem muito destaque por aqui, também tem boas histórias.

Dakar: encurtando o longo dia

janeiro 9, 2011
Antofagasta

Mais uma vez o Dakar chega à Antofagasta

Apesar de o sábado, dia 8, ter sido um dia de descanso para os participantes do Dakar, muitos dos competidores só chegaram ao acampamento durante a madrugada, esgotados e com avarias sérias nos equipamentos. Vendo a situação desses pilotos, a organização da competição decidiu encurtar a especial deste domingo, entre Arica e Antofagasta, ainda no Chile.

Estavam previstos 938 km para a disputa, sendo que 631 km seriam cronometrados. Este seria o maior estágio da competição. Ainda no sábado, os participantes foram surpreendidos com a notícia que a especial passaria a apenas 272 km, o que correspondeu ao trecho inicial do dia.

Motos: Francisco López Contardo: “Tinha muita poeira no início. Eu fui um pouco mais rápido, mas acabei perdendo o meu escapamento mais ou menos na metade do estágio. Então, depois disso, eu fiquei com medo de meu motor estourar. Por sorte, hoje foi a especial mais curta desde o início, caso contrário teria perdido o motor. Semana passada eu fiquei gripado, mas estou bem agora. Eu ganhei e é isso o que importa”.

Cyril Despres: “O dia de descanso foi bom tanto para a máquina quanto para o homem. Hoje foi uma das melhores etapas de motos que eu já tive em toda a minha vida. Foi um belo dia também em termos de resultado [já que cortei 1min24s da diferença para Marc Coma. Pela manhã, pensávamos se apenas 272 km poderia matar a nossa fome e a resposta é SIM!”

Marc Coma: “Eu sofri na primeira parte porque estava atrás de Ruben Faria e fiquei preso na poeira. Foi difícil ultrapassar. Mas na parte final, nas dunas de areia, eu pude seguir no meu próprio ritmo”.

López Contardo tem uma máxima. Sempre quando o presidente chileno visita o acampamento do Dakar, o desempenho melhora. Em 2011 não foi diferente e o piloto da casa dominou a especial mesmo com os problemas no motor. Cyril Despres terminou o dia na segunda colocação, 2min21s atrás do líder. O resultado, porém, não foi de todo ruim, já que Marc Coma finalizou em terceiro, com todas as dificuldades explicadas pelo próprio piloto.

Os portugueses Hélder Rodrigues e Ruben Faria voltaram a apresentar um bom rendimento e finalizaram em quarto e quinto, respectivamente. Paulo Gonçalves, recuperado do problema na última especial encerrou em sétimo e colocou o terceiro luso entre os dez primeiros. Entre eles, Stefan Svitko foi o sexto. O grupo dos dez melhores ainda contou com Pal Ullevalseter, Frans Verhoeven e Juan Pedrero Garcia. Jean Azevedo finalizou em 13º, enquanto Vicente de Benedictis foi o 101º.

Na classificação geral, Coma permitiu que Despres se aproximasse, mas a diferença entre ambos é de 7min24s a favor do espanhol. Com o triunfo de hoje, Lopez Contardo tem um atraso de 18min27s em relação ao líder. Rodrigues e Faria repetiram a posição da etapa no geral. O sexto lugar é de Frans Verhoeven, enquanto Svitko aparece em sétimo. Em seguida, Jordi Viladoms, Pedrero Garcia e Ullevalseter. Jean Azevedo ocupa um excelente 12º posto, enquanto De Benedictis é o 81º.

Quadriciclos: O dia foi tão complicado para os líderes Alejandro Patronelli e Tomas Maffei, que ambos não quiseram falar. Com inúmeros problemas, Patronelli ainda conseguiu salvar uma 11ª posição com mais de 1h de atraso para o vencedor Sebastian Halpern. Por sua vez, Maffei comandou boa parte da especial, mas falhas mecânicas o deixaram na nona posição 58min51s atrás do ganhador.

Ainda assim, na classificação geral, a briga embolou. Maffei lidera com 3min03s para Patronelli. Halpern descontou mais de uma hora com o triunfo de hoje e está apenas 26min45s atrás.

Orlando Terranova

Orlando Terranova em dificuldades para seguir no caminho certo. O argentino precisou ser resgatado de helicóptero, já o carro perecerá para sempre no deserto

Carros: Nasser Al-Attiyah: “Nós rapidamente nos aproximamos de Carlos Sainz, mas era impossível ultrapassá-lo por conta da poeira. Decidimos, então, segui-lo de perto. Ainda assim recuperamos 1min20s dele e eu estou feliz em ter vencido a especial de hoje. A partir de agora terei que atacar e evitar pneus furados. Ano passado [ao perder por apenas 2min12s] tive seis, este ano estou me controlando”.

Carlos Sainz: “Estou feliz. Não foi fácil seguir hoje. Tinha uma duna muito traiçoeira no caminho, mas o Lucas [Cruz, navegador] fez um grande trabalho”.

Stéphane Peterhansel: “No início, um dos Volkswagens teve problema [o de Mark Miller] e terminamos na poeira dele. Foi difícil dirigir a 20km/h pois não havia vento. Depois de 15 km, tivemos um pneu furado, foi o suficiente para perder a confiança pelo restante do estágio. No final do rali, 2º, 3º ou 4º é tudo a mesma coisa, queremos a vitória final, mas com certeza ela está indo embora”.

Com a estratégia de seguir o companheiro de equipe de perto, Nasser Al-Attiyah conquistou um importante resultado na etapa deste domingo do Dakar. O piloto do Qatar venceu a especial e descontou 1min20s para o espanhol, segundo colocado. Ginniel De Villiers completou o domínio da Volkswagen ao terminar em terceiro, enquanto Stéphane Peterhansel segue em uma maré de azar, finalizando apenas em quarto, 7min40s atrás do líder. Também da BMW, Krzysztof Holowcyzc completou os cinco primeiros mas teve um atraso de 10mins em relação ao companheiro de equipe. A BMW ainda teve uma baixa na etapa, o argentino Orlando (ORLY?) Terranova capotou no trecho final e foi obrigado a abandonar o Dakar.

Christian Lavielle levou o Nissan a um heróico sexto lugar, enquanto Ricardo Leal dos Santos foi o sétimo. Guilherme Spinelli, Nani Roma e Tonni van Deijne completaram os dez primeiros. Marlon Koerich continua fazendo uma boa exibição no Dakar e finalizou em 14º.

Na classificação geral, a vantagem de Sainz para Al-Attiyah caiu para apenas 1min22s. Pelo segundo ano consecutivo a batalha entre ambos deve ser decidida na casa dos segundos. Peterhansel é o terceiro, 21min11s de atraso. De Villiers aparece em quarto, enquanto Holowczyc é o quinto. Mark Miller, Guilherme Spinelli, Lavielle, Leal dos Santos e Mattias Kahle, num buggie SMG, completam os dez primeiros. Koerich ocupa uma respeitável 13ª colocação.

Caminhões: Ales Loprais: “Quando nós não temos pneus furados, podemos vencer. O estágio foi difícil e, por causa das dunas, a navegação teve bastante trabalho. Eu vi o jovem russo [Vladimir Chagin] perder meia hora aqui, então alcançar o primeiro lugar não é impossível. Estamos 16mins atrás de Kabirov, mas podemos competir contra ele. O problema é Chagin, que não está muito atrás e é muito mais rápido, caso não cometa tantos erros”.

Loprais venceu a segunda especial seguida e apenas a terceira da carreira. De qualquer forma, quem se habituou a ver o domínio dos Kamaz, ficou surpreso com o desempenho supremo do tcheco da Tatra. O piloto venceu com uma vantagem considerável de 5min03s para Kabirov. Chagin terminou em terceiro depois de enfrentar inúmeros problemas, com 14min05s de atraso para o vencedor.

Na classificação geral, Kabirov detém uma vantagem de 16min22s para Loprais, o novo segundo colocado. Vladmir Chagin aparece em terceiro 28min22s atrás do líder, mas ainda não pode ser desconsiderado.

Na segunda-feira, os competidores permanecem em solo chileno e vão percorrer 768 km entre as cidades de Antofagasta e Copiapó, sendo 508 km cronometrados. Será um percurso de altos e baixos por conta do relevo local. Os veículos vão passar por antigas rotas mineiras e terminarão o dia em meio às nada amigáveis dunas.


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