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F1 2013 no Canadá

junho 4, 2013
Falando em Canadá, esse é Greg Moore correndo pela Mercedes

Falando em Canadá, esse é o saudoso Greg Moore correndo pela Mercedes

A F1 chega ao Canadá, neste fim de semana, para a disputa da sétima etapa da temporada 2013. Duas semanas após o GP de Mônaco, como não poderia deixar de ser, o principal assunto no paddock são os pneus. Entretanto, dessa vez, mais se fala da borracha fora que dentro das pistas.

O treino secreto que a Mercedes fez com a Pirelli após o GP de Barcelona ainda está repercutindo, com boa parte das equipes dizendo que a montadora alemã levou vantagem com a atividade. Ross Brawn, por sua vez, se diz confiante em não sofrer nenhuma sanção pesada e por isso espera o julgamento do Tribunal Internacional, que deve acontecer em duas semanas.

Dentro da pista, por outro lado, hoje não se falou dos pneus. Talvez pelo tempo frio e chuvoso em Montreal, as equipes não tiveram um desgaste acentuado da borracha, fora aquele já esperado. Por isso, é possível que algumas escuderias, principalmente aqueles que cuidam melhor dos pneus, apostem em uma tática de uma só parada no domingo.

Aí vai entrar em cena aquele velho gráfico de performance x número de paradas. Isto é, será que vai compensar para as escuderias fazer um único pit-stop e se arrastar pela pista de Montreal com os pneus desgastados, enquanto outros carros vão poder fazer uma parada a mais, colocar compostos novos e andar muito mais rápido?

Levando em conta o GP do ano passado, eu diria que a segunda opção tem mais chances. Como há muitos pontos de ultrapassagem em Montreal, talvez seja melhor para algumas equipes colocarem o pneu novo faltando entre dez e 15 voltas e sair ultrapassando todo mundo. Foi isso o que Sergio Pérez e Romain Grosjean fizeram no ano passado, e eles terminaram no pódio.

Além disso, há sempre o risco de o safety-car dar as caras em Montreal. Pela proximidade do muro em alguns pontos, além das tangências fechadas na curva 2 e no hairpin, é sempre normal acontecer algum salseiro por lá. E nesta F1 com pneus Pirelli é sempre inteligente ir aos boxes quando o carro de segurança é acionado. Afinal, mesmo que um piloto perca uma ou outra posição, ele terá pneus mais novos para não só recuperar esses postos como também passar outros adversários, já que o pelotão ainda vai estar compacto.

A1 GP do Canadá

A1 GP do Canadá

Falando em parada nos boxes, como curiosidade, a Marussia vai aposentar o tradicional ‘pirulito’, aquela plaquinha que as escuderias usam para liberar o piloto após o pit-stop. Assim como diversas equipes, os russos vão usar o farol automático a partir deste fim de semana. É que eles têm uma parceria com a McLaren e ganharam o semáforo antigo do time inglês.

Ainda sobre a McLaren, nunca é bom desconsiderar as chances de vitória de Jenson Button e Sergio Pérez em Montreal, principalmente se chover e tivermos uma corrida maluca. Entretanto, no caso de pista seca, o duelo deve mesmo ficar mais uma vez entre a Ferrari e a Red Bull, enquanto o rendimento da Mercedes vai depender de como eles tratarem os pneus

Outro detalhe interessante dessa prova é ver como os novatos vão se sair. Montreal é conhecida por ser uma pista em que os pilotos jovens têm maior dificuldade, já que eles praticamente não andam por lá enquanto estão nas categorias de base. Por isso, ainda precisam se adaptar.

Por fim, vale uma estatística interessante para o fim de semana. Desde 2005 o Muro dos Campeões faz ao menos uma vítima por ano, com exceção de 2008. No ano passado, foram Pastor Maldonado e Bruno Senna que ficaram por lá. Quem será dessa vez? Nos treinos, quem mais passou perto foi Fernando Alonso, mas o espanhol da Ferrari conseguiu frear e segurar o carro. Aliás, você pode clicar aqui e ver todas as vítimas do lendário Muro.

Para terminar, preciso fazer um desabafo. No último GP, apostei em vitória de Romain Grosjean em Mônaco. Aí o cara bateu quatro vezes durante o fim de semana. Quatro. Tá louco viu. Por isso, dessa vez meu palpite é um pouco mais conservador. Vitória de Sebastian Vettel, seguido por Fernando Alonso e Sergio Pérez. E o qual é o seu?

Confira os horários do fim de semana em Montreal:

Treino livre 3: 11h, no sábado
Treino classificatório: 14h, no sábado
Corrida: 15h, no domingo

F3 Inglesa 2013

maio 14, 2013

Apesar de tudo, é bom ver a bandeira da F3 Inglesa voltar a tremular

Apesar de tudo, é bom ver a bandeira da F3 Inglesa voltar a tremular

É bem triste ver a F3 Inglesa na situação em que está. Para uma categoria cuja própria história está intimamente ligada ao automobilismo brasileiro – tendo revelado nomes como José Carlos Pace, Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet, Ayrton Senna, Rubens Barrichello, Gil de Ferran, Helio Castroneves e Felipe Nasr, entre muitos outros – ter o calendário de 2013 cortado de dez para apenas quatro etapas por causa da falta de interesse é de partir o coração.

Para entender melhor o que aconteceu com a categoria, no início do ano, eu escrevi um texto aqui no World of Motorsport explicando porque ela caiu tanto nesses últimos anos, basta clicar aqui para relembrar.

Em meio a essa crise, a direção do campeonato tomou algumas decisões. Além de ter apenas quatro etapas neste ano, ela também passou a aceitar todo o tipo de carro de F3 para o certame. Ou seja, os modelos usados em outros países, que não seguem à risca o regulamento da FIA, podem competir. Fora isso, carros já defasados, como os antecessores do F308, também foram liberados.

O problema é que essas medidas não tiveram o impacto esperado no campeonato que começa neste fim de semana. Na divisão principal, teremos apenas nove competidores, sendo três de Carlin, Fortec e Double R. Outros nove estão na National Class, enquanto um – John Bryant-Meisner, vindo da F3 Alemã – foi considerado convidado e não marca pontos.

Jordan King lidera a Carlin pela busca do sexto título seguido no campeonato

Jordan King lidera a Carlin pela busca do sexto título seguido no campeonato

Com apenas nove carros na divisão principal, obviamente a competitividade fica prejudicada. O que aumenta o nível da competição é que oito desses pilotos também disputam a F3 Europeia, então chegam ao certame já bem preparados. Teoricamente, o veterano William Buller e Felix Serralles, que disputou o título da temporada passada até a última corrida, começam o ano como favoritos, mas eu ainda colocaria Jordan King, da Carlin como outro nome a ser observado com atenção.

Um pouco mais atrás está Antonio Giovinazzi. O piloto da Double R talvez seja o mais habilidoso do grid, porém, pesam contra ele a inexperiência por estrear na F3 neste ano e o fraco carro da Double R, que já deixou de ser uma equipe de ponta há alguns anos.

Em um segundo escalão, mas não muito atrás, estão Felipe Guimarães – único brasileiro no certame e vindo da F3 Sudamericana –, Nicholas Latifi e Jann Mardenborough, aquele cara descoberto pela Nissan nos videogames. Embora eu os tenha colocado um pouco mais atrás, acredito que eles têm todas as condições de brigar pelas primeiras posições neste ano.

Quanto a Guimarães, ainda há o fato de ele correr com um carro aqui no Brasil – o F308 – e outro na Europa, o F312. Por isso ele precisará se adaptar a um equipamento em que os adversários já usam praticamente a cada fim de semana. Sean Gelael e Tatiana Calderón, ambos da Double R, fecham os nove.

Felipe Guimarães é o único representante do Brasil. Olho nele

Felipe Guimarães é o único representante do Brasil. Olho nele

A National Class, por sua vez, também conta com nove carros, embora sete sejam inscritos pela equipe West-Tec, que disputa a F3 Espanhola. Como eles vêm de outro certame, também usam carros um pouco diferentes do que estabelece o regulamento da FIA e por isso foram todos colocados na divisão B.

Só que há equipamentos muito distintos entre eles. Roberto La Rocca, Chris Vlok, Huan Zhu e Ed Jones competem com o F312, enquanto Cameron Twynham, Sean Walkinshaw e Liam Venter usam o F308. O problema é que todos somam pontos na mesma National Class, então a disputa chega a ser até desleal.

Outro que está na National Class é Zheng Sun, da CF. Mas o chinês compete em um carro com motor Mercedes, que é muito mais poderoso que os Toyota da West-Tec. Ainda assim, novamente todos marcam pontos juntos.

A última representante da divisão é Alice Powell. Ao menos no caso dela a direção da categoria teve o bom senso de chamar de ‘National Class B’. É que a britânica compete com um F306 com motor Toyota em um campeonato amador do Reino Unido – a F3 Cup – e por isso seria impossível correr de igual para igual com os demais pilotos.

Como a filosofia da categoria é ter o menor custo possível, eles não estão interessados em fazer alterações nos carros para que o certame possa ser mais equilibrado. A ideia é que as equipes possam tirar o equipamento do caminhão e ir para a pista da mesma maneira em que vão nos demais campeonatos. A consequência é que, na verdade, a F3 Inglesa será disputada em 2013 apenas pelos nove carros da divisão principal. Os demais se tornaram apenas um catadão para encher o grid.

F1 2013 em Mônaco

maio 12, 2013
O lado bom de Roscoe Hamilton ter ido a Mônaco é que todo mundo parou de falar nos pneus e só lembrou dele

O lado bom de Roscoe Hamilton ter ido a Mônaco é que todo mundo parou de falar nos pneus e só lembrou dele

Depois de uma semana de folga, a F1 chega a Mônaco para a sexta etapa da temporada 2013. Entretanto, a corrida deste fim de semana será um pouco diferente das últimas etapas, já que o principal assunto não deve ser os pneus. Quer dizer, a borracha continua sendo muito importante, mas como o traçado do Principado não a desgasta, então dessa vez não será possível culpar a Pirelli por um resultado ruim.

Para entender por qual razão Monte Carlo é mais gentil com os pneus, basta ver as características do traçado. Como a velocidade média por lá é muito menor e praticamente não há curvas de alta – as que mais exigem dos compostos devido à downforce –, então mesmo o pneu supermacio deverá aguentar algumas dezenas de voltas.

Com isso, as estratégias devem mudar radicalmente com relação ao GP da Espanha. Se Fernando Alonso venceu em Barcelona fazendo quatro paradas, a Pirelli já afirmou que espera dois ou até mesmo um pit-stop neste domingo. Caso a previsão esteja correta, a maior beneficiada será a Mercedes, a escuderia que mais destrói os compostos.

Nas últimas corridas, Nico Rosberg e Lewis Hamilton já mostraram que os carros prateados são muito rápidos em uma única volta, mas pecam no ritmo de corrida. Como os pneus não devem ser um grande problema neste fim de semana, eles vão ter a vantagem de possivelmente largar na frente, manter o ar limpo e conseguir se defender dos rivais, já que ultrapassagens são quase impossíveis no Principado.

Por isso, um dos segredos para a vitória será a posição de largada. Quem começar na frente, se acertar na estratégia, dificilmente perderá a vitória. A outra chave para um bom resultado será o momento de fazer a parada nos boxes.  Aí não é nada novo para quem acompanha a F1. Como é difícil passar em Monte Carlo, então antecipar o pit-stop para fazer uma volta voadora com pneus novos é uma boa tática para ganhar posições.

A1 GP de Mônaco

A1 GP de Mônaco

Outro cenário que pode definir a corrida é os pilotos que forem fazer apenas uma única parada conseguirem acompanhar o ritmo dos rivais que farão dois pit-stop, mesmo quando estes estiverem com pneus novos. Assim, bastará os carros que mais desgastam pneus irem aos boxes para que os outros ganhem a posição. Nesse cenário, Lotus e Force India podem se aproveitar, embora eu aposte que praticamente todas as equipes vão para apenas uma parada no domingo.

Outra escuderia em que devemos ficar de olho neste fim de semana é a Williams. Sem marcar pontos nas cinco primeiras corridas do ano, Pastor Maldonado mostrou que a escuderia inglesa pode torcer por dias melhores em 2013 ao obter o sexto lugar no primeiro treino livre. A 14ª posição na segunda atividade, porém, colocou pontos de interrogação sobre o real desempenho do venezuelano em Monte Carlo.

Dito isso, meu palpite furado para este fim de semana é vitória de Romain Grosjean, com Fernando Alonso e Lewis Hamilton no pódio. Aliás, você sabe por que a F1 treina em Mônaco na quinta-feira e não na sexta? Para saber a resposta, basta ver um dos primeiros posts que eu escrevi aqui no World of Motorsport.

Confira os horários da F1 em Mônaco:

Treino livre 3, sábado, 6h
Treino classificatório, sábado, 9h
Corrida, domingo, 9h

Pietro Fittipaldi na F4 Inglesa

abril 18, 2013
Seb Morris é o principal adversário de Pietro Fittipaldi na F4

Seb Morris é o principal adversário de Pietro Fittipaldi na F4

Antes que Pietro Fittipaldi estreasse na F-Renault Inglesa, há duas semanas, escrevi aqui no World of Motorsport que o brasileiro teria mais chances de conquistar melhores resultados neste campeonato e não na F4, o outro certame em que compete. Posso ter me enganado.

Na primeira rodada da F-Renault, em Donington Park, o neto de Emerson abandonou uma corrida e terminou a outra em nono, embora tenha andado no sexto lugar antes de se enroscar com um adversário.

Desde então, o foco de Pietro passou a ser a F4. Na última semana, ele esteve em Snetterton, participando da primeira sessão de treinos coletivos oficial. O piloto marcou 1min52s167, ficando com a oitava colocação na classificação final – entre 16 pilotos – e 1s158 atrás de Jake Hughes, o mais rápido.

O que explica esse melhor desempenho, mesmo em um grid mais recheado como é o da F4 é o fato de a categoria estar começando agora. Ou seja, nenhuma equipe tem experiência com os carros, e a maior parte dos pilotos está dando os primeiros passos da carreira nos monopostos.

Pietro Fittipaldi estreia na F4 neste fim de semana em Silverstone

Pietro Fittipaldi estreia na F4 neste fim de semana em Silverstone

Mesmo assim, o campeonato já começa com um favorito. É o galês Seb Morris, de 17 anos de idade, que terminou a F-Renault Barc no ano passado em terceiro. Na verdade, o garoto estava escalado para participar da F-Renault Norte-Europeia neste ano com a Fortec, mas por falta de dinheiro acabou dando um passo atrás e fechando com Hillspeed para correr na F4.

Morris tem uma carreira razoavelmente parecida com a de Pietro, já que ele também vem dos carros de turismo. Na Inglaterra, a legislação impede que pilotos menores de 16 anos pilotem monopostos. A alternativa encontrada por quem está no início da carreira é participar de corridas de Ginetta, onde o galês foi campeão há dois anos.

Pelo bom desempenho apresentado, ele decidiu trocar os carros de turismo pelos monopostos e correu na F-Renault Barc no ano passado justamente com o patrocínio da Ginetta. Agora ele está mais experiente e certamente é um nome para ser observado do grid da F4.

O outro grande candidato ao título é Jake Hughes, líder dos treinos coletivos em Snetterton e mais veloz nas primeiras atividades da etapa de Silverstone. Em um primeiro momento, o piloto da Lanam não era considerado um forte concorrente, mas o bom desempenho até agora elevou o britânico de 17 anos ao protagonismo. Vale lembrar que, ao contrário de Morris, a única experiência do piloto foi ter participado de duas corridas da F-Renault Barc no ano passado.

Jake Hughes tem sido enorme nos treinos até agora

Jake Hughes tem sido enorme nos treinos até agora

Um degrau um pouco mais abaixo está a equipe de Mark Goodwin (MGR), a mesma em que Pietro Fittipaldi vai correr. Enquanto o brasileiro andou constantemente na fronteira do top-10, os outros dois companheiros de equipe, o mexicano Diego Menchaca e o inglês Jake Dalton, estiveram sempre entre os mais rápidos.

Mas esse resultado também já era esperado. Menchaca já está nos monopostos há três anos, tendo corrido na Latam Challenge e na F-Renault Barc, enquanto Dalton passou por F-Renault e Intersteps nas últimas duas temporadas.

Por isso, Pietro terá a chance não só de aprender com pilotos mais experientes como também ter a certeza de que tem um carro competitivo à disposição. O lado negativo é que se Dalton ou Menchaca se colocarem na briga pelo título já sabemos para quem irá os principais recursos da equipe

Para encerrar, ainda cito cinco pilotos em quem devemos ficar de olho: Matt Bell, de 23 anos, competindo pela própria equipe e dono de um currículo maior no automobilismo; Matthew Graham, campeão mundial de kart sub-18 em 2011, mas que compete pela trepidante equipe de Sean Walkinshaw (filho de Tom Walkinshaw, falecido dono da Arrows na F1); Charlie Robertson, outro vindo da Ginetta; Falco Wauer, americano e piloto de Star Fox.

E, por último, mas não menos importante Gustavo Lima, o outro brasileiro do campeonato. Tendo participado da F-Renault Alps no ano passado, a expectativa é que o brasiliense consiga brigar mais constantemente por bons resultados. Ele começou bem, sendo o sétimo nos treinos em Snetterton, mas compete pela equipe HHC, onde Robertson é o principal nome.

Você pode clicar aqui para ver o resultado dos treinos livres em Silverstone, ou aqui para ter maiores informações sobre o campeonato.

F1 2013 no Bahrein

abril 13, 2013
As equipes fizeram algumas modificações nos carros para se prepararem para o GP do Bahrein

As equipes fizeram algumas modificações nos carros para se prepararem para o GP do Bahrein

Uma semana depois de usufruir de todos os confortos em um país livre como a China, a F1 chega ao Bahrein para a disputa da quarta etapa da temporada 2013. Dessa vez, porém, as equipes vão precisar ficar mais espertas, já que as ruas de Sakhir e Manama não são os locais mais seguros do mundo, e a primavera árabe ainda ronda a pequena ilha do Golfo.

Embora a sensação de insegurança seja menor neste ano, mais uma vez a F1 se mete em um país marcado por uma profunda crise política. Manifestantes contrários ao governo local e polícia se enfrentam todos os dias, e as ordens vindas da monarquia ditatorial é prender qualquer um que possa representar uma ameaça à corrida e à segurança nacional.

É nesse clima que os carros vão à pista a partir desta sexta-feira, dia 19. Não acho que essas são as melhores condições para que o esporte seja praticado, por isso a corrida deste fim de semana não deveria acontecer. Aliás, não se importar com os valores humanos apenas para que a prova aconteça vai de encontro aos ensinamentos do próprio esporte, como lealdade e respeito ao adversário.

Mas como Bernie Ecclestone não se importa muito com a filosofia e com a sociologia do esporte a corrida vai acontecer. E deve ser uma prova um pouco diferente das da semana passada, em que os pneus tomaram conta da corrida.

Parece que a Pirelli percebeu ter errado a mão com os compostos deste ano. A corrida na China foi confusa com os pilotos espalhados pela pista em estratégias diferentes. Por isso, quando um carro aparecia para ultrapassar outro, era difícil saber se valia alguma posição ou se era apenas para restabelecer a ordem dos pneus. Chegou ao cúmulo de Jenson Button perguntar pelo rádio à McLaren se deveria se defender de Lewis Hamilton, mostrando que as disputas na pista não tem a menor importância para o resultado final.

Aliás, falando dos antigos companheiros de McLaren, eles estão em situação opostas neste fim de semana. Enquanto Button vai aos poucos comandando a recuperação da equipe inglesa, Hamilton sabe que o rendimento da Mercedes não é tão bom quanto parece. Os carros prateados, sem dúvida, são muito rápidos em uma única volta rápida, mas desgastam pneus demais e perdem ritmo de corrida. É por isso que o britânico saiu da pole-position, mas quase perdeu o pódio em Xangai.

A1 GP do Bahrein, ok, brincadeira, esse é o carro de Hamad al Fardan na F-Renault V6 Asiática

A1 GP do Bahrein, ok, brincadeira, esse é o carro de Hamad al Fardan na F-Renault V6 Asiática

Ainda nas equipes de ponta, a Red Bull também vive em guerra com os pneus. Na China, eles abriram mão de desempenho em uma única volta para fazer a borracha durar mais. Quase deu certo, com Sebastian Vettel terminando na quarta colocação. O problema é que a escuderia mais uma vez abriu mão de participar do treino classificatório para ter uma tática mais tranquila na corrida.

O problema é que largando em nono e sem ter o carro dominante é complicado chegar na frente. É verdade que o alemão lutou pela vitória em alguns pontos da prova, mas no fim ficou apenas com o quarto lugar.

Assim, dos quatro times de ponta, quem vive a situação melhor é a Ferrari, cujo carro é bom nas tomadas de tempo, mas ainda melhor em ritmo de corrida. Tanto é que Fernando Alonso terminou duas das três corridas da temporada até agora e já tem uma vitória e um segundo lugar. Felipe Massa, por outro lado, segue com problemas para aquecer o pneu duro e por isso não tem um bom desempenho de corrida.

Como a corrida do Bahrein é disputada no deserto, a temperatura pode ser um fator positivo para o brasileiro. Por outro lado, como a Pirelli vai levar o composto médio e o pneu duro, ele terá que trabalhar ainda mais para deixá-los na temperatura correta.

De qualquer forma, o desempenho de Massa é muito melhor que o de Sergio Pérez, que foi especulado em Maranello durante boa parte do ano passado. Na China, o mexicano errou feio no treino livre e bateu na entrada dos boxes. Depois, o fim de semana todo deu errado e ele terminou em 11º, sem pontos.

O outro mexicano do grid, Esteban Gutiérrez, na Sauber, também não vive boa fase, sendo eliminado mais uma vez no Q1 e se envolvendo em um acidente nas voltas iniciais. Situação completamente oposta à de Nico Hulkenberg. Curiosamente, o alemão é o piloto que mais liderou voltas nas últimas quatro corridas, com 38 giros no primeiro lugar. Fernando Alonso, com 37, é o segundo. Vettel tem 33 e Mark Webber 32.

Para encerrar, falo das equipes pequenas. Neste fim de semana, a Caterham vai promover o retorno de Heikki Kovalainen no primeiro treino livre, enquanto Rodolfo González substitui Jules Bianchi na mesma atividade na Marussia. Ou seja, enquanto uma equipe está trabalhando para voltar ao décimo lugar, a outra deixa seu melhor piloto de fora de um treino. Daí acaba ultrapassada e não sabe por quê.

Bom, meu palpite furado para o fim de semana é vitória de Kimi Raikkonen, seguido por Fernando Alonso e Sebastian Vettel. Obviamente, a partir de agora não há a menor chance de isso acontecer.

Confira os horários do GP da Malásia de 2013:

Treino livre 1 – 4h quinta-feira
Treino livre 2 – 8h sexta-feira
Treino livre 3 – 5h sábado
Treino Classificatório – 8h sábado
Corrida – 9h domingo

F1 2013 na China

abril 8, 2013
Yao Ming foi o maior piloto de F1 da história da China. Ok, ele não foi um piloto, mas ainda assim foi o maior

Yao Ming foi o maior piloto de F1 da história da China. Ok, ele não foi um piloto, mas ainda assim foi o maior

Depois de duas semanas de folga, a temporada 2013 da F1 retorna para o GP da China, neste fim de semana. Em uma época não muito distante, quando os pneus Pirelli e a asa traseira móvel ainda não existiam, teríamos apenas motivos para lamentar a etapa de Xangai, visivelmente menos emocionante que as de Sepang.

Porém, desde a chegada dos novos artifícios, os chineses têm visto corridas mais emocionantes, graças à enorme reta do traçado. De qualquer forma, sempre há exceções. No ano passado, por exemplo, a Mercedes foi tão dominante, que só não conseguiu a dobradinha, pois um dos mecânicos errou na hora de prender a roda de Michael Schumacher em um dos pit-stops.

O problema é que desde então a escuderia prateada não fez mais nada na F1. Com problemas para fazer o DRS duplo funcionar, o time não conseguiu repetir bons resultados em 2012. Depois, eles mudaram o foco para a atual temporada, mas ainda parecem estar em um segundo escalão, atrás de Lotus e de Red Bull.

Além disso, eles ainda estão sendo obrigados a administrar crises internas. Há três semanas, em Sepang, Rosberg deixou claro que não está satisfeito com a função de segundo piloto. Nas voltas finais daquela corrida, mesmo mais rápido, o alemão foi proibido pela Mercedes de ultrapassar o companheiro de equipe, Lewis Hamilton. Após a prova, o germânico reclamou, bufou e disse que é bom a escuderia, no futuro, lembrar o que havia se passado.

De qualquer forma, essa não é uma situação exclusiva da montadora alemã. Ainda mais pressionada está a Red Bull, onde Sebastian Vettel realmente desobedeceu à instrução da equipe e deixou Mark Webber para trás nas voltas finais de Sepang. Após toda a confusão, o time austríaco já disse que não deve renovar o contrato do australiano, mas também cogita acabar com o jogo de equipe.

Provavelmente nada deve acontecer, mas será interessante ver até aonde os ecos de Sepang vão chegar nesta temporada.

A1GP da China

A1GP da China

Ainda falando sobre as equipes grandes, Ferrari e McLaren também têm bons motivos para se preocupar. A escuderia italiana, por exemplo, tem visto Fernando Alonso tomar tempo constantemente de Felipe Massa, principalmente em uma única volta rápida. Não há dúvidas de que o espanhol é o concorrente ao título de Maranello, mas é questão de tempo para que o sinal amarelo se acenda por lá.

Por outro lado, Massa ainda está com problemas em fazer os pneus durarem, como ficou mostrado no GP da Malásia. Na última corrida, o brasileiro foi obrigado a fazer uma parada a mais, nas voltas finais, tamanha a degradação dos compostos. Essa situação deve se amenizar na China, onde as temperaturas – e consequentemente o desgaste – são menores que na Malásia. Ainda assim, a Ferrari vai precisar trabalhar para encontrar o ponto ótimo no desempenho do brasileiro, descobrindo quando ainda é vantagem ficar com pneus antigos e a partir de onde é melhor colocar compostos novos.

Por fim, a equipe inglesa mais uma vez começa uma temporada com um equipamento pouco competitivo. Desde 2009 – o que nem faz tanto tempo assim – já é a terceira ou quarta vez que os carros prateados não conseguem acompanhar o ritmo dos mais rápidos no início do campeonato, obrigando os engenheiros de Woking a mostrar o poder de reação.

Não tenho dúvidas de que Jenson Button e Sergio Pérez ainda vão brigar por pódios e vitórias em 2013, o problema é quando isso vai acontecer. Se a reação da McLaren demorar muito, qualquer chance de título pode ir embora. E como o time britânico já fala em ignorar 2014 e começar a trabalhar no carro de 2015 (quando terá o motor Honda), abrir mão do atual campeonato não é a melhor escolha.

Dentre as equipes do meio e do fim do pelotão, Caterham e Williams vivem as situações mais delicadas. Com desempenho abaixo do esperado nas duas primeiras corridas do ano, os dois times já admitem que precisam de atualizações para dar a volta por cima. O problema é que, como a F1 ainda está na Ásia, as novas peças só devem chegar para o GP de Barcelona, quando 20% do campeonato já vai ter ido embora. E, obviamente, as outras equipes não vão estar de braços cruzados enquanto elas trabalham.

Para encerrar, meu palpite – furado – para o GP da China é mais uma vitória de Sebastian Vettel, com Alonso e Lewis Hamilton completando o pódio.

Confira os horários do GP da Malásia de 2013:

Treino livre 1 – 23h quinta-feira
Treino livre 2 – 3h sexta-feira
Treino livre 3 – meia-noite sábado
Treino Classificatório – 3h sábado
Corrida – 4h domingo

World Series by Renault 2013

abril 5, 2013
A World Series by Renault é sem dúvidas o campeonato mais charmoso de todos

A World Series by Renault é sem dúvidas o campeonato mais charmoso de todos

A World Series by Renault sentiu o golpe. Depois de contar com um grid megacompetitivo na temporada passada, com pilotos dos programas de desenvolvimento de Ferrari, McLaren, Mercedes, Lotus e Red Bull, a categoria não conseguiu emplacar seus campeões na F1 e, como resultado, viu o enfraquecimento do grid para 2013.

No ano passado, o título foi decidido na corrida final, quando Robin Frijns e Jules Bianchi se tocaram nas últimas voltas da etapa de Barcelona. Embora o duelo não tenha sido épico na pista, os dois pilotos deixaram o campeonato bastante valorizados. O problema é que eles praticamente não conseguiram dar grandes passos na carreira desde então.

Bianchi, por exemplo, só arrumou uma vaga na F1 aos 45 do segundo tempo, quando Luiz Razia foi dispensado pela Marussia devido a problemas com os patrocinadores. Com isso, o francês, empresariado por Nicolas Todt e contando com o apoio da Academia Ferrari, só se garantiu na principal categoria do automobilismo mundial na pior equipe.

A sorte de Frijns foi ainda pior. O holandês arrumou a vaga de reserva na Sauber, mas não vai correr de nada neste ano porque não tem dinheiro. Isso depois de vencer três campeonatos consecutivos na carreira. Para piorar, ele até sondou uma ida à GP2. Chegou a participar dos treinos da pré-temporada, teve um desempenho bom para um estreante, mas a Sauber optou por mantê-lo apenas como reserva.

O resto do grid passou longe da F1. Sam Bird, por exemplo, foi mantido na função de reserva da Mercedes, mas o britânico também vai se dedicar à GP2 neste ano. Ele foi contratado pela Russian Time e está de volta à categoria.

Stoffel Vandoorne é o homem a ser observado em 2013

Stoffel Vandoorne é o homem a ser observado em 2013

Percebeu que há um padrão aí? Dos três primeiros da World Series by Renault no ano passado, dois procuraram seguir a carreira na GP2. E há uma explicação para isso. A categoria de Bruno Michel emplacou três pilotos na F1 em 2013: Esteban Gutiérrez (terceiro), Max Chilton (quarto) e Giedo van der Garde (sexto). Isso sem falar em Razia.

A consequência foi óbvia. Os pilotos perceberam que precisam estar no caminho da GP2/GP3 se um dia quiserem ter chances de chegar à F1. Por isso, houve uma queda na qualidade do grid da World Series em 2013. Primeiro, além de perder Frijns, Bianchi e Bird, o campeonato também viu nomes promissores, como Richie Stanaway, Kevin Korjus, Nick Yelloly e Alexander Rossi irem embora.

Para o lugar deles, não houve grandes contratações. Se nos últimos anos a WSR se destacou por atrair campeões das diversas F3, além da própria GP3, dessa vez o campeonato viu apenas a chegada de coadjuvantes. A única exceção é Stoffel Vandoorne, campeão da F-Renault Eurocup no ano passado e que ganhou uma bolsa para competir na categoria de cima neste ano.

Os carros da Carlin, com rodas cromadas, ficaram sensacionais

Os carros da Carlin, com rodas cromadas, ficaram sensacionais

De resto, são poucos os novos nomes interessantes. Destaque para Nigel Melker, que veio da GP2, Sergey Sirotkin (russo de 17 anos, terceiro colocado na Auto GP no ano passado), Jazeman Jaafar (vice da F3 Inglesa), Pietro Fantin, Marlon Stockinger e Christopher Zanella.

Completam a lista de novidades Norman Nato, Matias Laine, Mihai Marinescu, Emmanuel Piget e Oli Webb, que retorna à categoria depois de um péssimo ano na Indy Lights.

De qualquer forma, uma coisa precisa ficar clara. Embora o grid tenha ficado enfraquecido com relação ao ano passado, isso não quer dizer que ele seja fraco. Há muitos pilotos de qualidade, que podem arrumar uma vaga na F1, contando com algum dinheiro e principalmente sorte de estar no lugar certo e na hora certa.

O principal nome, claro, é António Félix da Costa. O luso entra na competição como favorito depois de conquistar quatro vitórias nas últimas cinco corridas do ano passado. Mas para ficar com o título, o lisboeta terá algumas dificuldades.

Será todos contra António Félix da Costa?

Será todos contra António Félix da Costa?

A primeira é encerrar um jejum de títulos da Red Bull no certame. Mesmo tendo levado nomes como Sebastian Vettel, Robert Wickens, Jaime Alguersuari, Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne para competir, a empresa austríaca jamais conquistou a taça da World Series. Mas há uma explicação para isso. Geralmente, os pilotos rubro-taurinos já estão tão envolvidos no trabalho com a F1 que a WSR é colocada de lado. Por isso, mesmo com o favoritismo, Félix da Costa não vai ter vida fácil.

O outro problema é que há adversários fortíssimos. Para ser campeão, o luso precisará vencer Kevin Magnussen (apoiado pela McLaren) e Marco Sorensen (Lotus), que também despontam como favoritos, ao lado de Vandoorne. Em um segundo escalão ainda aparecem Nico Müller e Mikhail Aleshin, que briga pelo bicampeonato, e Arthur Pic.

Para encerrar, falo da situação dos brasileiros. Curiosamente, o Brasil é, ao lado da Rússia, o país de maior delegação no campeonato, com quatro representantes. Além de Lucas Foresti, Yann Cunha e André Negrão, que já haviam competido no ano passado, agora ainda há a estreia de Fantin.

Entretanto, mesmo com quatro pilotos, os brasileiros não aparecem entre os favoritos ao título. Do quarteto, acredito que Negrão e Foresti possam brigar por pontos constantemente e até mesmo por pódios, enquanto Fantin tem chances de ter um desempenho aceitável para um novato.

GP2 2013

março 2, 2013
O que você não sabe sobre a GP2: apesar do nome James Calado é um cara que não sabe parar de falar

O que você não sabe sobre a GP2: apesar do nome James Calado é um cara que não sabe parar de falar

Principal campeonato de acesso à F1, a GP2 dá início à temporada 2013 do certame nesta semana, em Sepang na Malásia. Se no ano passado a categoria sofreu com a concorrência da World Series by Renault, neste ano ela retorna ao posto de honra como categoria principal na preparação de jovens pilotos. Afinal, dos cinco novatos que debutaram na F1 no último fim de semana, quatro – Esteban Gutiérrez, Giedo van der Garde, Max Chilton e Jules Bianchi – haviam corrido no certame de Bruno Michel.

Apesar disso, nenhum dos quatro foi protagonista da temporada passada. Dentre eles, Gutiérrez foi o melhor classificado, em terceiro, com Chilton aparecendo na sequência. Van Der Garde, por sua vez, foi apenas o sexto, enquanto Bianchi não correu, pois estava na World Series.

Por causa disso, há quem questione a necessidade de se passar pela GP2, pois campeão e vice de 2012 não estão na F1. Davide Valsecchi, que terminou o ano com a taça, se tornou apenas reserva da Lotus, já Luiz Razia perdeu o lugar na Marussia no último minuto em uma história muito mal explicada envolvendo os patrocinadores.

Mas essa é uma crítica incoerente. Uma das principais reclamações que a GP2 tem recebido é que ela favorece a veteranos. Nos últimos anos, nomes como Giorgio Pantano, Romain Grosejan, Luca Filippi, Pastor Maldonado e o próprio Valsecchi ficaram pelo menos quatro temporadas no certame antes de terminarem com o título (ou o vice). Ou seja, o trabalho de revelar novos pilotos praticamente não acontecia. E os próprios veteranos não impressionavam mais o paddock da F1. Não é por acaso que os italianos sequer chegaram à categoria.

Assim, justamente no ano em que as equipes da F1 ignoraram os veteranos e olharam apenas para os menos experientes – ainda que Gutiérrez e Chilton também não tenham impressionado – a GP2 é criticada.

Algumas equipes da GP2 apostam em pilotos experientes. Esse é Ken Smith, mas ele só corre na Nova Zelândia

Algumas equipes da GP2 apostam em pilotos experientes. Esse é Ken Smith, mas ele só corre em certames da Nova Zelândia

Outro problema que a categoria de base vai enfrentar neste ano é a estrutura precária de algumas equipes. Nomes tradicionais como a Super Nova e a iSport deixaram o campeonato para a chegada de conglomerados investidores como a Russian Time e a Hilmer. Eu escrevi um texto sobre isso no Grande Prêmio e você pode clicar aqui para relembrar.

De qualquer forma, a GP2 começa 2013 com um grid de qualidade onde mais uma vez novatos e veteranos se misturam. É muito cedo para apontar favoritos, pois nem sempre os treinos da pré-temporada dizem a verdade sobre o campeonato, e a experiência dos pilotos com os pneus Pirelli serão fundamentais para decidir o vencedor deste ano.

Ainda assim, fiz uma lista de cinco pilotos que devemos ficar de olho para a temporada 2013:

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5) Marcus Ericsson – Dams

Nos últimos quatro anos, o piloto sueco foi constantemente colocado como um dos favoritos para vencer a GP2. Tendo feito carreira na F3 Inglesa e na F3 Japonesa, Ericsson atraiu uma multidão de fãs no norte da Europa que fazia questão de colocá-lo como um dos pilotos mais brilhantes da geração.

Passados três anos da estreia na GP2, Ericsson parece ter desencantado só agora. Nas últimas seis corridas da temporada passada, ele foi o piloto que mais marcou pontos, tendo subido três vezes ao pódio. Para melhorar a situação, para 2013, ele assinou com a Dams, equipe que venceu os dois últimos títulos com Grosjean e Valsecchi.

Por começar o quarto ano na categoria com um time de ponta, Ericsson naturalmente seria o favorito para ficar com a taça. Entretanto, ele não foi tão bem nos treinos coletivos. Embora tenha sido o segundo colocado no último dia em Barcelona, ele jamais liderou uma sessão, fechando quatro dos seis dias de atividade entre o sexto e o oitavo posto.

Se o nórdico conseguir dar a volta por cima no início da temporada e deslanchar a vencer corridas, é capaz que termine com o título de 2013 sem maiores dificuldades. O problema, porém, vai ser convencer as equipes da F1 que ele merece uma chance no próximo ano, ao contrário de Davide Valsecchi e Luiz Razia.

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4) Tom Dillmann – Russian Time

Como eu disse anteriormente, é verdade que pré-temporada não define campeonato, mas no caso de Dillmann os treinos coletivos foram fundamentais. É que depois de liderar as duas primeiras sessões pela equipe Hilmer, as portas se abriram para o francês. Ele foi convidado a testar pela ISR, na World Series, e quando se preparava para negociar o contrato acabou chamado pela Russian Time, estreante na GP2.

Não há dúvidas de que Dillmann é bom piloto. No ano passado, por exemplo, ele disputou apenas meia temporada, mas conseguiu uma vitória na corrida curta da segunda etapa do Bahrein. Depois acabou sem dinheiro, pois o grupo que investia nele teve problemas fiscais. Agora, com os russos dispostos a pagarem para que ele corra, a chance de obter melhores resultados na GP2 é maior.

O problema é a falta de experiência da Russian Time. Ainda que eles tenham comprado a estrutura da iSport, a equipe é operada pela Motorpark Academy, um time apenas razoável da Alemanha. E desde que assinou com a nova escuderia, o desempenho nos treinos coletivos caiu. Ele foi sétimo, 16º e nono na última sessão de atividades.

Por isso, além de haver dúvidas quanto à capacidade de a Russian Time ser competitiva ainda dá para imaginar se o domínio nos testes com a Hilmer não foi algo fabricado para que a equipe estreante terminasse na primeira posição.

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3) Stefano Coletti – Rapax

Eu realmente não vejo o piloto monegasco como um candidato ao título neste ano, mas é verdade que ele reúne algumas das qualidades importantes para terminar com a taça. Contratado pela Rapax no fim do ano passado, Coletti inicia em 2013 a terceira temporada na GP2, tendo acumulado experiência importante na categoria.

E ele já se mostrou capaz de vencer corridas, tendo triunfado nas provas curtas da Turquia e da Hungria, em 2011, quando andou pela Trident. Depois de uma temporada decepcionante no ano passado, ainda mais por causa de toda a instabilidade envolvendo a presença da Coloni na GP2, o piloto pode mostrar em 2013 que o último campeonato foi apenas um mau momento.

Nos treinos de pré-temporada, o desempenho foi bastante positivo, tendo sido o mais rápido em dois dos três últimos dias de atividade em Barcelona. O único problema é que essa não é a primeira vez que a Rapax lidera os testes de inverno. Há dois anos, o time italiano dominou tudo com Fabio Leimer, mas quando chegou o campeonato…

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2) Felipe Nasr – Carlin

Depois de um ano de altos e baixos em 2012, o piloto brasileiro começa a nova temporada da GP2 como um dos favoritos ao título. Embora Marcus Ericsson esteja bem cotado por causa da experiência, o que todo mundo quer ver neste ano é um duelo emocionante entre o piloto da Carlin e James Calado pela taça.

Aliás, só por estar na equipe inglesa já é uma boa notícia para Nasr. Foi com essa equipe que ele venceu a F3 Inglesa, há dois anos, e é onde se sente em casa. Um ambiente muito diferente da Dams, no ano passado, onde Valsecchi era sabidamente o primeiro piloto do time.

Essa mudança de equipe já deu resultado na pré-temporada. Nos últimos três dias de atividade em Barcelona, o brasileiro foi duas vezes segundo colocado e uma terceiro, mostrando que é, sim, um dos nomes a ser batido em 2013.

Durante o Desafio das Estrelas, no início do ano, eu o entrevistei e perguntei se ele achava que o fato de pilotos como Gutiérrez, Chilton, Sergio Pérez e Charles Pic terem chegado à F1 mesmo sem o título da GP2 era algo que poderia beneficiá-lo. Ele concordou, mas disse que está focado em terminar o ano com a taça de campeão. Para isso, elegeu dois grandes rivais. Marcus Ericsson e…

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1)      James Calado – ART Grand Prix

Não acho que há palavras suficientes para descrever a temporada 2012 do piloto britânico. Estreando na GP2 pela ART Grand Prix e tendo a função primordial de escudeiro de Esteban Gutiérrez, James Calado mostrou desde a primeira corrida que estava pronto para alçar voos maiores.

Mesmo sendo um novato, ele só foi ultrapassado pelo companheiro de equipe na metade do campeonato. Durante toda a campanha, conquistou duas vitórias, duas poles, sete pódios, além da frustrante corrida em Valência, quando havia dominado de ponta a ponta, mas um safety-car pouco antes de fazer a parada obrigatória tirou-lhe as chances de vitória.

Por já ter disputado um ano da GP2, a Racing Steps Foundation deveria ter retirado o patrocínio para 2013 e focar apenas em garotos mais jovens. Mas eles acreditam tanto que Calado é, sim, a nova esperança do automobilismo britânico que resolveram ampliar o vínculo, mantendo-o na equipe mais estruturada do certame.

Se conseguir conquistar o título da GP2 em 2013, Calado vai encerrar um incômodo jejum. É que ele nunca foi campeão de nada na carreira. Os únicos títulos vieram nos campeonatos de inverno da F-Renault Inglesa e Portuguesa, ainda em 2008. Desde então, foi de forma consecutiva vice-campeão da F-Renault UK, da F3 Inglesa, da GP3 e quinto colocado na GP2 no ano passado.

Bom, se esse retrospecto de Vasco da Gama permanecer, Felipe Nasr tem bons motivos para iniciar o ano ainda mais confiante.

F1 2012 na Austrália

março 14, 2012
Opera House Sydney

A F1 chega à Austrália com a Lotus sendo a principal história até aqui. Se a temporada 2012 quiser ser mais interessante que uma peça do Opera House de Sydney, então é bom que o time inglês corresponda

Depois de um longo e rigoroso inverno, a F1 está de volta. Nos últimos meses, o noticiário esportivo no automobilismo foi tomado pelas mesmas matérias feitas exaustivamente. Luca Di Montezemolo, Bruno Senna, Felipe Massa, Bernie Ecclestone e Sebastian Vettel foram obrigados a responder as mesas perguntas o tempo todo.

Agora, isso acabou. Com os carros indo à pista em menos de 24 horas, o foco passa a ser o rendimento de cada um. Os repórteres agora vão querer saber por que determinado carro não foi bem ou por qual motivo determinado piloto está andando tão atrás do companheiro de equipe.

A maioria das respostas só será descoberta quando os carros forem à pista, mas o GP da Austrália já começa com alguns ingredientes nesse drama que se chama temporada 2012 da F1.

Certamente, o desempenho da Lotus nos treinos coletivos da pré-temporada não é a principal história da categoria nesta semana, mas é a mais divertida. Seria muito bom que a equipe inglesa conseguisse um bom resultado neste final de semana. Ainda que seja muito complicado para Kimi Raikkonen e Romain Grosjean desbancarem Sebastian Vettel, o campeonato ganharia bastante se os carros preto e dourados entrassem na briga com Red Bull e McLaren pelas primeiras colocações.

Claro, é possível que o Lotus E20 seja a nova Brawn, e Kimi Raikkonen conquiste o título de 2012 com um pé nas costas. Mas acho essa possibilidade um pouco mais improvável.

Se a Lotus chega à Melbourne contente com o desempenho até aqui, a Ferrari chega devendo. O time fez uma pré-temporada tão ruim, que foi obrigada a adotar a lei da mordaça, impedindo que os pilotos dessem entrevistas após os testes. E eu achava que essa prática era exclusiva do campeonato brasileiro de futebol.

Independentemente de quem inventou esse tipo de censura, a Ferrari entra em 2012 pressionada. No ano passado, a McLaren viveu uma situação bastante parecida, com o MP4/26 não conseguindo andar bem durante os treinos coletivos. A equipe de Woking praticamente refez o carro entre o último dia de testes e o primeiro GP do ano e pôde estrear com um modelo quase que totalmente novo.

O resultado dessa solução de emergência não poderia ter sido melhor. Lewis Hamilton terminou a etapa na segunda colocação, enquanto Jenson Button foi o sexto. Ou seja, caso a Ferrari comece o ano andando muito atrás, será um atestado de que eles não têm a capacidade da rival de se recuperar de uma crise técnica. Para piorar, imagina se o pessoal em Maranello já começar a adotar aquele discurso de esquecer a temporada 2012 para focar em 2013? Pô, mas a primeira corrida ainda nem aconteceu!

Heikki Kovalainen Angry Birds helmet

Heikki Kovalainen merece marcar todos os pontos do mundo depois de aparecer com um capacete desses em Melbourne

Para terminar de falar das equipes grandes, vale lembrar que Mark Webber tem aquela maldição da Austrália. O piloto estreou muito bem no Albert Park somando pontos quando ainda competia pela Minardi, mas jamais conseguiu bons resultados. Ano passado ele terminou na quinta posição e se disse bastante satisfeito. Será que esse ano o nosso amigo aussie vai conseguir desencantar em frente da própria torcida.

Entre os brasileiros, não há muito mistério para essa primeira prova. A grande curiosidade é saber o quanto atrás dos companheiros de equipe eles começam o ano. A partir daí será mais fácil traçar prognósticos para a dupla até o final da temporada.

Por fim, o grande destaque do primeiro dia em Melbourne é Heikki Kovalainen. Enquanto a Caterham abre a nova temporada na expectativa de somar os primeiros pontos da história, o finlandês resolveu inovar e apareceu para a corrida de abertura com um capacete homenageando o jogo ‘Angry Bird’. Espero que o nórdico entre em 2012 com sangue nos olhos iguais aos passarinhos.

Meu palpite para o GP é vitória de Sebastian Vettel seguido pelos dois carros da McLaren. Mas minha torcida é para a Lotus, até para termos uma temporada mais divertida em 2012.

Novos carros da F1 2012 – HRT F112 e Marussia MR01

março 5, 2012
HRT F112 Hispania F1 2012

Depois de um longo a atraso, a HRT apresentou o equipamento para a temporada 2012 da F1. Mas chamar o F112 de carro novo talvez seja um exagero

O grid para a temporada 2012 da F1 finalmente está completo. Nesta segunda-feira, dia 5, HRT e Marussia mostraram pela primeira vez o carro que estará presente no novo campeonato da categoria. Além da apresentação para imprensa, os dois times também levaram os novos modelos à pista. Enquanto os espanhóis completaram dez voltas no circuito de Barcelona, os russos testaram em Silverstone.

De forma curiosa, as duas menores equipes optaram por fazer a apresentação dos carros justamente um dia após o fim da pré-temporada. A HRT justificou esse problema no cronograma alegando que não tinha todos os componentes para ir à pista durante as atividades da última semana por causa de um atraso no transporte das peças. A Marussia, por sua vez, não poderia participar dos treinos, já que o novo modelo, o MR01, ainda não foi aprovado nos crash-tests obrigatórios da FIA. Ainda assim, um dia depois o carro já esteve na pista.

Na realidade, é muito provável que as duas equipes tinham condições, sim, de participar dos treinos coletivos caso quisessem. Ao menos usando as configurações dos testes desta segunda. O que pode ter acontecido foi um novo atraso proposital para evitar comparações com as demais equipes.

São muitas as vantagens para essa tática. Esses dois times ganham mais tempo na preparação para estreia, podendo negociar com ou outro patrocinador de última hora. Que eles vão andar no fim do grid, todo mundo já espera, mas o quão ruim eles serão ainda é algo incerto. Desse jeito, a solução encontrada foi realizar apenas um shakedown antes do início da temporada para evitar qualquer tipo de falha mecânica no GP da Austrália.

Apesar disso, ao menos no que diz respeito à HRT, eles não precisavam ter tanta pressa para levar o carro à pista antes da primeira corrida. Afinal, o modelo apresentado hoje, o F112 é derivado do equipamento do ano passado.

Não é possível apontar o quanto do carro testado por Narain Karthikeyan é novo. Mas parece que a equipe reaproveitou muitas e muitas partes da última temporada. É como se eles tivessem pegado o modelo de 2011, adaptando-o para o novo regulamento da F1 e colocado algumas pequenas atualizações. A novidade mais fácil de perceber é a tampa do motor, que não tem mais a barbatana de tubarão.

HRT F111 Hispania F1 2011

Esse é o carro que Daniel Ricciardo usou em Abu Dhabi. Olhando bem, realmente dá para ver muitas semelhanças

No restante, o carro é bastante similar ao de 2011. Embora a suspensão traseira tenha sido completamente refeita, o resto dos componentes é bastante simples. Os sidepods seguem a linha do que havia sido usado no ano passado, com o escapamento agora posicionado na parte de cima – conforme manda o regulamento –, apontando para a parte debaixo da asa traseira. Ali, a caixa de marchas é a mesma da Williams de 2011, já que a nova peça desenhada pelo time inglês foi feita para o motor Renault e não mais para o Cosworth.

Ainda na traseira, um detalhe curioso é que o F112 não tem asa traseira móvel. A equipe pode ter escolhido não colocá-la ainda e implantá-la no futuro. É bastante possível. O problema é a definição de futuro. Narain Karthikeyan e Pedro de la Rosa vão poder contar com o artifício já no GP da Austrália ou serão obrigados a se arrastar ainda mais até meados da temporada?

Para terminar, outra característica bastante curiosa desse carro é que ele é alinhado para cima. Tomando a posição do cockpit e traçando uma linha reta até o degrau, há um aclive na HRT. Todos os demais são retos, menos a McLaren, que é em declive. A ideia deve ter sido permitir que mais ar fluísse pela parte debaixo do carro, mas mesmo assim a altura do F112 é bastante baixa. Por fim, há um leve degrau e asa dianteira é a mesma de 2011.

Com um carro parcialmente reaproveitado, a HRT pode ter algumas vantagens na primeira corrida. Eles sabem que o equipamento é confiável e têm uma noção de qual tempo precisam alcançar para não ficarem de fora do grid pela regra dos 107%, então a tendência é que o novo carro tenha sido pensado para garantir a participação nas corridas.

Claro que o time espanhol pode ter blefado e apareça em Melbourne com uma série de atualizações. Mas parece algo bastante incomum para a menor equipe da F1.

Marussia MR01 F1 2012

A grande novidade do novo carro da Marussia é a asa dianteira. A peça fica muito próxima do bico, longe do asfalto

A Marussia, por sua vez, tenta deixar o fim do grid mostrando algumas novidades no MR01. Elas começam pelo longo bico, muito maior que o da Ferrari, por exemplo. De forma curiosa, a asa dianteira é muito alta, está próxima do bico e distante do asfalto. Nenhum outro carro de 2012 tem esse tipo de solução.

Depois, a equipe também escolheu um degrau bastante suave, quase imperceptível, mas com a presença da borda em ‘V’, já empregada por equipes como a Force India. Assim, não é uma parte da frente reta como a McLaren, mas esse é um dos menores degraus da F1 em 2012.

Como a Marussia mais uma vez não terá Kers, então eles puderam optar por sidepods muito menores que o de 2011 e bastante enxutos. Além da abertura normal – a que leva ao radiador -, há um buraco logo embaixo que também terá função de resfriamento. No final das laterais estão os escapamentos, com a saída apontada para o assoalho. Com sidepods tão curtos, a Marussia foi capaz de deixar um espaço muito grande na parte traseira do carro para o ar fluir e chegar ao difusor.

Com essas novidades em relação a 2012, o objetivo dos russos é se aproximar cada vez mais da zona dos pontos (o que não quer dizer que eles não vão continuar distantes), afinal eles terminaram a temporada passada lutando com a HRT, enquanto viam a Caterham se distanciar cada vez mais. É difícil dizer qualquer coisa em termos de resultado, mas, no geral, resta sabe se os componentes do MR01 serão o suficiente para superar o conservadorismo da rival espanhola.

Para ver a apresentação do carro da Caterham para a F1 2012 basta clicar aqui. E para ver a apresentação do MP4/27, o novo carro da McLaren para a F1 2012, basta clicar aqui.  Os carros da Ferrari e da Force India na F1 2012 é só clicar aqui. Agora, se você estiver procurando sobre o novo carro da Red Bull é só clicar aqui. A Lotus está aqui. Por fim, Williams, Sauber e Toro Rosso estão aqui e Mercedes encerra a série aqui.


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