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De Franchitti a Barrichello

fevereiro 9, 2013
A.J. Allmendinger testou pela Penske em Sebring

A.J. Allmendinger testou pela Penske em Sebring

A.J. Allmendinger foi o grande destaque do primeiro dia de treinos coletivos da Indy em 2013, nesta terça-feira, dia 19. O americano, que passou os últimos seis anos competindo na Nascar, foi convidado pela Penske para testar o carro que havia sido de Ryan Briscoe na temporada passada.

Além da migração curiosa, já que é mais comum os atletas trocarem a Indy pela Nascar e não o contrário, o retorno de Allmendinger ainda ganhou importância por se tratar da volta por cima do próprio piloto após ter sido afastado pela Nascar, no ano passado, ao ser flagrado pelo exame antidoping.

Ainda que haja esse fator dramático, é inegável que a chance dada por Roger Penske é uma questão técnica. Há um carro vago na Penske para 2013, e o dirigente espera que o americano seja o melhor nome disponível no mercado para ocupá-lo. Há também alguma gratidão? Sim, mas RP não marcaria o teste se não acreditasse que Allmendinger fosse capaz.

Por isso, é natural que a maior comparação nesse momento seja entre A.J. e Dario Franchitti, que também trocou a Indy pela Nascar, em 2008, mas retornou à categoria no ano seguinte, vencendo três campeonatos de maneira consecutiva pela Chip Ganassi.

Dario Franchitti correu na Nascar em 2008. Desde que voltou, foi tricampeão da Indy

Dario Franchitti correu na Nascar em 2008. Desde que voltou, foi tricampeão da Indy

Mas há algumas diferenças entre esses dois pilotos. Quando o escocês deixou a Indy, ele já era campeão e ficou apenas uma temporada fora. O californiano, por outro lado, era apenas um nome muito promissor, em 2006, tentando se firmar. E isso há seis anos. Além disso, a experiência de Allmendinger em monopostos é com os carros da Champ Car, enquanto a ndy mudou de carro no ano passado.

Por isso, talvez a melhor comparação neste momento seja com Rubens Barrichello. Quase exatamente um ano atrás, o brasileiro foi a grande atração dos treinos da Indy em Sebring, quando pilotou pela KV, a convite de Tony Kanaan, logo depois de perder a vaga na Williams na F1.

Depois disso, deu no que deu. Barrichello sofreu com uma KV perdida principalmente em estratégias, fez uma temporada digna para um novato, mas sequer subiu ao pódio. Pouco para alguém que era comparado a Nigel Mansell depois de ter liderado os treinos coletivos na Flórida.

E olha que Allmendinger sequer chegou perto do desempenho do brasileiro nesta terça-feira. Enquanto Barrichello deixou Sebring há um ano tendo sido o mais rápido, o americano foi o 12º entre os 13 pilotos que testaram. Nada mais natural para alguém que ficou tanto tempo fora.

Mesmo com essa discrepância, o provável piloto da Penske vai assumindo o espaço que era do brasileiro na temporada passada: uma atração apenas. Alguém trazido por uma grande equipe da Indy na tentativa de aproveitar o que fez outra categoria e em outra época para tentar dar uma alavancada na audiência, além de atrair algum patrocinador.

Quanto ao desempenho, este deverá ser parecido entre os dois pilotos. Não tenho muitas dúvidas de que se Barrichello tivesse escolhido uma equipe mais estruturada para 2013 poderia ter resultados muito melhores se permanecesse na categoria. Com Allmendinger, será parecido, ainda mais com a ajuda da Penske.

Como as 500 Milhas de Indianápolis sempre deixa o resultado em aberto até os últimos momentos, Allmendinger tem alguma chance de vencer já neste ano, ainda que muito pequena. Nas demais etapas, deve andar no meio do pelotão, assim como fez o brasileiro.

Caso ele tenha a chance de permanecer na categoria por mais alguns anos, o rendimento deve melhorar. O que para a Penske seria ótimo. Ter um piloto americano abre possibilidades de negócios e patrocínios para a tradicional equipe. Até porque Will Power e Ryan Briscoe, embora bons pilotos, sempre disputaram um mesmo nicho de investidores.

Virando a casaca

janeiro 28, 2013
Esse carro esquisitão é o tal Legend. E o garoto é Austin Cindric, filho do homem da Penske

Esse carro esquisitão é o tal Legend. E o garoto é Austin Cindric, filho do homem da Penske

Uma coisa bastante comum no automobilismo é os filhos seguirem a paixão dos pais pelo esporte. Na F1, por exemplo, há muitos filhos de pilotos. Dá para citar Nico Rosberg, Kazuki Nakajima, Nelsinho Piquet… mas há uns casos mais curiosos. O pai de Jean-Éric Vergne, por sua vez, é dono de pista de kart na França e viu o filhão optar por uma carreira um pouco diferente.

Obviamente, isso não acontece só na Europa. Felipe Nasr, por exemplo, vem de uma família com décadas de tradição no automobilismo brasileiro. Nos Estados Unidos, talvez os maiores exemplos no momento sejam Marco Andretti e Graham Rahal, filhos de ex-pilotos e atuais donos de equipe.

Outro chefão que também está vendo o filhote começar a correr é o presidente da Penske, Tim Cindric. Depois de iniciar a carreira no ano passado, em carros Legend, Austin Cindric, de apenas 14 anos de idade, fez a transição para os monopostos nos últimos meses ao competir no campeonato de inverno da Skip Barber, onde já venceu três vezes.

O bom desempenho fez com que o papai Tim decidisse colocá-lo de uma vez no programa Road to Indy. Assim, nada mais natural que a Penske se aliar a um time de ponta para inscrever um equipamento do bom e do melhor para Austin, certo?

E não é que não foi nada disso que aconteceu? De uma forma surpreendente o garoto Cindric vai disputar a USF2000 pela arquirrival Andretti. Ou seja, depois de ver Will Power perder o título da Indy de 2012 para Ryan Hunter-Reay, também da Andretti, agora os funcionários da Penske vão ser obrigados a torcer pela equipe adversária quando Austin estiver correndo. Afinal, ninguém é louco de ir contra o filho do presidente.

Mesmo sendo filho do homem, Austin Cindric não terá vida fácil na USF2000 em 2013. Além de o grid ser supercompetitivo ele já terá que enfrentar uma pedreira dentro da própria Andretti, já que a equipe fechou com Garrett Grist, vencedor da bolsa do Team Canada na temporada passada, para o segundo carro.

A estreia de Cindric na nova equipe acontece já nesta terça-feira, dia 5, na primeira etapa do campeonato de inverno da USF2000, em Sebring.

O boné roubado de Brad Keselowski

novembro 7, 2012

Brad Keselowski foi obrigado a circular por Fort Worth sem boné

A etapa da Nascar no Texas foi marcada pelo primeiro duelo real entre Jimmie Johnson e Brad Keselowski na luta pelo título. Na corrida disputada no último domingo, esses dois pilotos dominaram praticamente toda a prova e decidiram entre eles a vitória. Johnson levou a melhor ao ultrapassar o rival na penúltima volta para se aproximar do título.

Além do duelo pelo campeonato, Keselowski viveu um fim de semana bastante curioso, em Fort Worth, ao ser vítima de um assalto. Ok, foi apenas um furto, mas também afoi uma história bastante curiosa.

O duelo entre os dois candidatos ao título, na realidade, começou nos treinos livres da sexta-feira. Em um determinado momento, a equipe Hendrick mandou Johnson à pista para fazer algumas voltas rápidas. Sabendo disso, a Penske soltou o carro de Keselowski logo atrás, como uma forma de pressionar o adversário.

A tática até que deu certo. Kese não só foi mais rápido como também conseguiu ultrapassar Johnson, terminando na frente na tabela de tempos.

So que quando o piloto voltou aos boxes, não encontrou o boné do patrocinador, aquele da Miller Lite que é obrigado a usar em todos os compromissos. Obviamente, depois do duelo com Johnson, a imprensa certamente iria querer entrevistá-lo. E seria meio chato aparecer em fotos e na televisão sem o boné do patrocinador.

Missing: você viu este boné?

O próprio Keselowski admitiu que é uma pessoa que costuma perder as coisas, como a carteira ou a chave do carro, mas ele tinha certeza que o boné não havia sido perdido. Ou seja, alguém o roubou. Mas, apesar de ter ficado chateado, o americano seguiu em frente e foi falar com os repórteres.

Mais tarde, o americano foi olhar o Twitter e viu que uma fã tinha mandado uma mensagem dizendo que tinha pegado o tal boné.

E o episódio não terminou aí. Pouco antes da cerimônia do hino que antecede a corrida, a mesma torcedora foi procurar Keselowski com o tal boné. Ao invés de devolvê-lo, ela pediu que o piloto o autografasse. Aí o americano ficou puto e disse algo como:

“Eu achei que foi bastante incrível alguém, primeiro, roubar o seu boné. Segundo, aparecer no Twitter e admitir que o roubou. E, terceiro, me procurar e dizer: ‘Antes de entrar no seu carro e lutar pelo título, você pode autografar este boné que eu lhe roubei?’”

Evidentemente, Keselowski disse não, virou as costas e foi embora.

O retorno da Marlboro

outubro 6, 2012

Craig Lowndes voltou a ostentar o esquema de pintura da Marlboro em Bathurst

É difícil apontar uma empresa que teve tanto sucesso no automobilismo quanto a Marlboro (Philip Morris). Desde as últimas décadas do século passado, quando os esquemas de pintura dos carros passaram a ser determinado pelos seus investidores, o layout alvirrubro da fabricante de cigarros se tornou uma referência no esporte.

Em praticamente todas as categorias em que esteve presente, a Marlboro conseguia bons resultados. Foi assim na F1 (com a McLaren), na Indy (Penske), além de participações no rali, no endurance e em campeonatos locais espalhados pelo mundo.

Esse império começou a ruir no início dos anos 2000, quando um a um os países começaram a aprovar legislações mais rígidas contra a propaganda tabagista, incluindo a proibição da exposição da marca nos eventos esportivos.

Mas mesmo assim isso não impediu a Philip Morris de continuar no esporte a motor. A estratégia adotada pela empresa foi apostar na identificação visual da marca com os carros alvirrubros sem precisar expor seu logo. A tática, aliás, deu bastante certo e só começou a ser questionada nos últimos anos. No início do blog eu até fiz um post sobre isso que você pode clicar aqui para relembrar.

Assim, conforme o cerco foi fechando, a Philip Morris acabou abandonando o esporte a motor e praticamente não vemos mais referências à empresa tabagista nos dias de hoje.

O esquema de pintura original de Peter Brock

Isso durou até este domingo, dia 7, quando um carro com o esquema de pintura voltou às pistas. Neste final de semana, a V8 Supercars está disputando a 50ª edição da tradicional etapa de Bathurst. Para celebrar a data, uma série de equipes optou por adotar layouts históricos nos carros, homenageando alguns dos maiores vencedores da prova.

Dessa forma, o piloto Craig Lowndes decidiu prestar um tributo a Peter Brock, líder de ginásio da cidade de Pewter, australiano que venceu seis vezes a etapa de Bathurst, nas décadas de 1970 e 1980, sendo que em 1979 terminou espantosas seis voltas (!!) na frente do segundo colocado.

No final da carreira, Brock resolveu servir como mentor de um jovem piloto que começava a aparecer no automobilismo australiano. Esse garoto era Lowndes, que viria a conquistar três títulos ao longo da carreira, além de cinco triunfos no Mount Panorama.

Assim, o que aconteceu neste final de semana não é exatamente o retorno da Marlboro às competições, mas apenas uma representação de um esquema de pintura que fez história na categoria. Isso até tem o nome de patrocínio residual, que resumidamente é a empresa continuar a colher os resultados de uma ação mesmo anos depois que acabou o investimento.

Mas será que é esse mesmo o caso em Bathrust? É verdade que há algumas diferenças entre o layout original da Marlboro e o usado por Lowndes na tradicional prova, mas são diferenças tão pequenas que é impossível não associar uma coisa à outra. Por isso mesmo é possível, sim, questionar se essa é apenas uma homenagem a Brock ou se a Philip Morris aproveitou toda a história envolvendo a 50ª edição da corrida em Mount Panorama para fazer um breve retorno ao automobilismo camuflado de tributo.

Seja qual for a verdade, esses carros da vermelhos e brancos eram muito bonitos, uma pena não competirem mais.

Homenagem ou autopromoção

agosto 26, 2012

Brad Keselowski guiou em Bristol uma réplica do carro usado por Rusty Wallace, em 2000

Brad Keselowski foi a grande atração do início da etapa de Bristol da Nascar, disputada na noite deste sábado, dia 25. Afinal, ele poderia igualar o recorde de três vitórias consecutivas no curto oval do Tennessee. Mas não deu. O piloto da Penske se envolveu em um acidente bobo ainda na metade da corrida e terminou somente com a 30ª posição.

De qualquer forma, o americano conseguiu algum destaque. Não só pela velocidade mostrada ao longo de todo o final de semana, mas principalmente pelo belo esquema de pintura do carro de número 2.

Como forma de homenagear Rusty Wallace, que foi indicado para a turma de 2013 do Hall da Fama da Nascar, a Penske resolveu pintar o carro de Keselowski da mesma forma que o usado pelo campeão da temporada de 1989. No entanto, o layout escolhido foi o de Wallace no ano de 2000, quando venceu as duas corridas de Bristol, marca que Kese tentara igualar.

Rusty, aliás, era um especialista no pequeno oval, tendo obtido sete dos dez triunfos da Penske no local. Além dele, Kurt Busch venceu uma vez e Keselowski as outras duas.

No final, a homenagem da Penske foi bem aceita pelo público

Apesar do fraco resultado deste sábado, a estratégia de marketing pode ser considerada um sucesso, já que o novo layout do Dodge número 2 foi muito bem recebido pelos fãs. Mesmo assim, acho um perigo essas jogadas publicitárias recuperando ídolos do passado.

No caso da Penske, não há muito do que reclamar, já que a equipe fazer uma reverência aos feitos alcançados por um de seus pilotos sem nenhuma ligação com o momento vivido pela equipe ou na tentativa de chamar a atenção para um novo patrocinador. Ou seja, o importante é conseguir separar quando é homenagem e quando é autopromoção.

Indo um pouco mais além, fico pensando como seria se alguma equipe resolvesse homenagear Dale Earnhardt Sr. Não consigo imaginar muitos pilotos que conseguiriam usar um carro predominantemente preto sem a chiadeira dos fãs mais fervorosos do falecido heptacampeão.

Talvez aceitassem se a iniciativa viesse de alguém da RCR ou Dale Earnhardt Jr, obviamente. Fora isso, no máximo pilotos consagrados como Jimmie Johnson e Tony Stewart também teriam essa mesma aprovação. E, claro, todos pilotando carros da Chevrolet. Ai de alguma equipe que resolva reproduzir o esquema de pintura da Dale Sr em um Ford ou um Toyota.

Aliás, algum tempo atrás, quem sofreu com a ira desses torcedores foi Ryan Newman. Quando o piloto se mudou para a equipe de Tony Stewart, uma das pinturas do carro 39 era quase toda preta, com uma faixa pequenina em vermelho. Podia passar despercebido, mas foi o suficiente para que os torcedores reclamassem o uso da imagem de Dale Sr para promover um patrocinador.

Particularmente, embora a história de cada piloto deva ser respeitada, acho que às vezes é muito barulho por nada. Só que nessa, quem sai perdendo é o patrocinador e, consequentemente, a agência de publicidade. Não há nada pior para uma empresa que ter seu produto rejeitado por potenciais clientes devido a uma iniciativa fail.

O que você acha sobre esses esquemas de pintura relembrando antigos pilotos? Você veria problemas em carros e pilotos por aí com visual parecido com os usados por Ayrton Senna?

O carro que ninguém vai usar – parte 2

agosto 8, 2012

Dodge na Nascar? Agora só em foto…

E a Nascar volta a ser três. Na terça-feira, dia 8, a Dodge anunciou que deixa a categoria americana ao final da temporada de 2012, já que basicamente nenhuma equipe se interessou em competir com os seus carros.

De uma forma resumida, a Dodge voltou à Nascar em 2011, apoiada por um tripé formada por Evernham, Ganassi e Penske, além de contar com um equipamento com um bom custo-benefício, que a ajudou a abocanhar algumas equipes pequenas.

Só que aos poucos esses times foram mudando de montadora. Primeiro, as escuderias menores acabaram seduzidas por uma oferta mais vantajosa da Chevrolet. Outras equipes se juntaram à Toyota, quando a montadora nipônica chegou à categoria, graças ao caminhão de dinheiro trazido por eles.

Enquanto isso, a Evernham se mudou para a Ford quando Ray Evernham – um dos responsáveis por articular a volta da Dodge à Nascar – vendeu a equipe para o grupo de investimento de George Gillett. A Ganassi passou a usar carros da Chevrolet quando se fundiu com a Dale Earnhardt Inc. Por fim, a Penske já havia anunciado no início do ano que vai usar carros da Ford em 2013 por uma questão de competitividade.

Sem opções, para permanecer na Nascar, a Dodge resolveu puxar o carro, literalmente. É verdade que houve negociações com equipes menores, mas para levar esses times a um patamar rentável em termos de resultados seria necessário um investimento muito maior que a montadora pudesse fazer. Lembrando que a Dodge foi uma das fabricantes mais afetadas pela crise econômica, passando a ser controlada pela Fiat.

Dito isso, a saída da empresa pode ser vista de duas maneiras. A primeira é quanto ao fator histórico e a outra, ao prejuízo competitivo.

Fãs da Penske agora vão precisar se reacostumar com a Ford

De todas as montadoras da Nascar, a Dodge certamente era a que tinha a torcida mais apaixonada. Não estou dizendo que Chevrolet ou Ford não tinham fãs, mas havia uma diferença. Por exemplo, quem tem um Fiesta ou um Celta no máximo tem alguma identificação com os carros do turismo americano. Agora, aquele pessoal que viveu a época do Dojão é fanático pela fabricante. A Penske poderia estar brigando pela 25ª posição, mas os caras torciam e acreditavam em uma volta por cima.

E essa torcida ainda ganhou o reforço, nas últimas décadas, da garotada que passou a ver o Viper como um dos carros dominantes em competições de GT. E isso gerou uma identificação muito forte entre marca e torcida. Mas é só. Hoje, ninguém compra carros da Dodge. Se você quer um sedan, acho que a fabricante não está entre as primeiras opções. No restante, a administração da Fiat também serviu para destruir uma bela fatia da marca.

Portanto, é claro que perder uma montadora diminui o valor da Nascar. No entanto, estamos falando de uma torcida apaixonada que se vai e de uma montadora que está profundamente ligada à história do automóvel nos Estados Unidos. Em termos competitivos, eram dois carros na Sprint Cup e outros três ou quatro na Nationwide. Nada que vá fazer muita falta.

Se a Penske acha que poderá ser mais competitiva com outra montadora, consequentemente dá para entender que a Dodge estava atrapalhando nesses últimos anos. Assim, justamente por toda essa história envolvendo a marca, talvez fosse melhor deixar a categoria a ficar fazendo figuração com uma equipe pequena nas últimas posições.

P.S.: em 2010 eu fiz um post falando sobre a possibilidade de não ter carros da Dodge em 2011, quando a montadora havia reformulado o carro da Sprint Cup. Na época, errei feio. Pelo menos pude reaproveitar o título dessa vez. O post original está aqui

O futuro de AJ Allmendinger

julho 24, 2012
AJ Allmendinger

Talvez ainda seja cedo dizer alguma coisa, mas não vai ser fácil para AJ Allmendinger retornar à Nascar

No fim da noite desta terça-feira, dia 24, a Nascar confirmou que a contraprova de A.J. Allmendinger também deu positivo no exame de antidoping, assim o piloto da Penske está suspenso indefinidamente das competições.

A verdade é que embora Allmendinger tenha dito que esperava um resultado diferente da contraprova, a chance de isso acontecer é praticamente nula. Isso já foi dito algumas vezes, mas vale repetir, essa segunda checagem não é um novo exame antidoping. Na verdade, quando um atleta urina no exame, o liquido é separado em dois tubos: a prova e a contraprova. Por isso as chances de um resultado diferente são próximas de nula.

A única coisa que poderia mudar é o fato de a urina ter sido infectada com outro substância a partir da manipulação do laboratório, seja acidentalmente ou não. Portanto, ao menos que Allmendinger tenha apostado todas as fichas em um milagre, ele já sabia que o resultado desta terça-feira seria positivo.

A partir de agora o piloto não tem muitas escolhas para continuar na Nascar. São poucas opções e todas muitas ruins para a carreira.

A primeira opção é processar a Nascar alegando que ele cometeu um erro ao tomar um suplemento proibido ou ter sido mal aconselhado na hora de usar um medicamento. Em tese, isso não tira a responsabilidade do atleta, segundo a Agência Mundial Antidoping (WADA), mas pode ser o suficiente para a justiça americana restabelecer seu lugar na Penske.

Aí são dois problemas bem claros. O primeiro, óbvio, é saber qual é a substância dopante. Como ela não foi divulgada, não dá para saber o que o piloto usou. Pode ter sido apenas um Whey genérico ou pode ter sido drogar ilegais. Portanto, quanto mais leve for, maiores as chances de a justiça se mostrar favorável. Só que imagina o clima que ficaria na Penske (e na Nascar) com A.J. trabalhando apenas por causa de uma liminar?

Allmendinger também pode tentar um acordo com a Nascar. Dependendo da substância dopante, os médicos da categoria devem montar um programa de recuperação pelo qual o piloto precise passar. Mais uma vez, depende do que foi consumido para afirmar quanto tempo ele ficará fora. Se for um suplemento alimentar, não deve demorar mais que alguns meses, mas um doping premeditado – por exemplo, uma substância que mascare o uso de outra – pode render uma reabilitação de mais de um ano.

Talvez, a Penske possa esperar alguns meses até o retorno de Allmendinger. Mas certamente a equipe não ficará nada contente se descobrir que a substância utilizada foi mais grave do que o esperado.

Com a vaga na Penske em risco, as chances de o piloto continuar no esporte são pequenas. Brad Keselowski já afirmou em uma entrevista que a chance de A.J. continuar na Nascar, mesmo em caso de ser inocentado pela contraprova, eram mínimas, já que tudo que os patrocinadores não querem é seu piloto pego no doping.

Por isso, quando for liberado para voltar às pistas, não é difícil imaginar que a principal chance de Allmendinger seja buscar um recomeço nas equipes menores – talvez até mesmo em Arca, Truck e Nationwide – para tentar limpar o nome. Se conseguir se reerguer na carreira, quem sabe ele não acabe recebendo uma nova chance?

Nesse momento de tantas especulações, tudo depende de qual foi a substância usada. A musa Hope Solo, da seleção americana feminina de futebol foi pega em um doping e saiu só com uma advertência. Cesar Cielo, idem.

Embora algo assim ainda possa acontecer com Allmendinger, é melhor o americano não ter esperanças. Hope e Cielo puderam voltar a competir porque além de boa índole – algo que o piloto também tem – eles não dependiam do dinheiro dos outros para disputar suas respectivas modalidades. Para o azar de A.J., ele (e qualquer outro piloto) só corre na Nascar ser tiver alguém bancando. E a partir de agora vai ser difícil arrumar esse investidor.

Will Power ou Sebastian Vettel?

abril 28, 2012
Will Power em Watkins Glen

Will Power tem um futuro brilhante pela frente, mas aos 31 anos ainda não tem os títulos de Sebastian Vettel

O terceiro dia de Indy terminou aqui no Anhembi. Will Power marcou mais uma óbvia pole-position na categoria, a 18ª nas últimas três temporadas. Aliás, se fosse a Globo que fizesse a transmissão da Indy, certamente veríamos Galvão serelepe apostando no australiano naquele bolão antes da classificação.

Desse jeito ele não perderia uma. Assim como Power também não perde uma pole. No final, a impressão que ficou por aqui é que o piloto da Penske pode ser mais vitorioso que Sebastian Vettel nos próximos anos, em que pese o alemão já ter conquistado dois títulos mundiais, enquanto o australiano ainda busca o primeiro caneco.

No mano a mano, talvez Vettel seja um piloto mais completo que o rival, mas o garoto da Red Bull precisa lidar com problemas diferentes do australiano. Em primeiro lugar, o germânico é mais dependente do desempenho do carro rubro-taurino que Power da Penske. Isto é, caso Adrian Newey erre a mão na hora de conceber o modelo da equipe austríaca – como parecia ser o caso em 2012 antes da vitória no Bahrein –, o tedesco não conseguirá manter um ritmo avassalador de vitórias e títulos.

Power, por outro lado, não tem esse tipo de problema. Por mais que a Dallara faça um carro terrível, os problemas serão igualmente ruins para todos os pilotos. Portanto, o competidor da Penske dependerá apenas dele mesmo e da equipe para se manter na frente. A única coisa fora do controle do pole-position no Anhembi seria uma eventual melhora monstruosa dos motores Honda, que passariam a dominar a competição.

No entanto, como as regras de fornecimento de motores para o campeonato são bastante rígidas – para evitar uma escalada de custos –, a chance de Power ficar para trás nos propulsores é menor.

Outra vantagem do australiano diz respeito ao calendário da Indy. A categoria americana, nos últimos anos, tem deixado de visitar os ovais – onde o piloto da Penske não consegue bons resultados – para correr em circuitos de rua – onde o carro número 12 é o piloto dominante.

Por fim, o que realmente pesa contra o australiano é a idade. Embora seja o melhor piloto da categoria nas últimas temporadas, o piloto já tem 31 anos de idade. Assim, a permanência dele no campeonato já está nos últimos anos. Vettel, por sua vez, tem apenas 24 e já conquistou dois títulos. Ou seja, tem tempo suficiente para expandir o rol de conquistas antes de chegar aos 31 de Power.

No final, é inegável que a carreira do piloto da Red Bull tem tudo para ser uma das mais vitoriosas na história do esporte a motor. A comparação com Power, portanto, deve ficar cada vez mais absurda nos próximos anos. Entretanto, é o australiano quem tem as maiores chances de expandir os números e o sucesso, a curto prazo, nos próximos campeonatos.

A influência de Emerson, Piquet e Senna no teste de Barrichello na Indy

janeiro 25, 2012
Tony Kanaan Rubens Barrichello

O teste de Rubens Barrichello na Indy, na realidade, é um convite do amigo Tony Kanaan

Rubens Barrichello deveria ganhar o prêmio de membro honorário da WikiLeaks. É impressionante como todas as notícias o envolvendo vazam antes da hora. Só para mencionar os últimos anos, tanto a troca da Brawn pela Williams quanto o treino na Indy ganharam as páginas do noticiário antes do anúncio oficial.

Piadinha à parte, esse post é para falar do teste que Rubens Barrichello vai fazer pela KV, em Sebring, na próxima segunda e terça-feira. O brasileiro aceitou um convite do amigo Tony Kanaan para dar umas voltas no novo carro da equipe e ajudar no desenvolvimento do equipamento, lembrando que a Indy estreia um novo modelo em 2012.

Sem vaga na F1, é quase inevitável dizer que esse teste pode levar o brasileiro à disputa da Indy em 2012, principalmente por conta do número cada vez menor de ovais. No entanto, tanto Barrichello quanto Kanaan já declararam que foi apenas um convite para trabalhar no desenvolvimento do carro, já que o antigo piloto da Williams não tem mais contrato na F1. Isso, em tese, desmentiria qualquer rumor sobre a troca de categoria.

Caso Rubens acerte para correr na Indy será algo bastante interessante. A categoria ganharia um nome de peso internacional – o que ajudaria a diminuir a rejeição pelo certame criada a partir da morte de Dan Wheldon –, e o piloto poderia mostrar que ainda pode brigar por vitória, mesmo aos 39 anos. Outro ponto a favor, é que Barrichello mora em Miami com a família, então ele já está adaptado ao país.

Talvez tão interessante quanto a mudança de categoria é entender que a participação de Barrichello na Indy só é possível porque ele esteve ligado ao auge do campeonato americano na década de 1990 e início dos anos 2000.

Ano passado, Felipe Nasr se tornou o 12º piloto brasileiro a vencer a F3 Inglesa – para lembrar todos eles, basta clicar aqui. Excluindo o garoto, por motivos óbvios, entre os outros 11, Barrichello vai se tornar o oitavo a pilotar um carro da Indy. Apenas José Carlos Pace, Chico Serra e Nelsinho Piquet não guiaram na categoria.

E o que isso tem a ver com o Rubens? Enquanto ele crescia e passava a se dedicar à F1, via os antigos ídolos – Emerson Fittipaldi, Nelsão Piquet e Ayrton Senna – darem uma chance ao automobilismo americano.

Ayrton Senna Indy

Ayrton Senna testou o carro da Penske, em 1992, para pressionar a McLaren

Aliás, Senna também só participou de um treino pela categoria. Foi no final do ano de 1992. O tricampeão não estava satisfeito com o desempenho da McLaren comparado ao da campeã Williams e cogitou a mudar de campeonato. Perto do Natal daquele ano, Ayrton guiou o carro da Penske em um circuito misto em Phoenix para conhecer o campeonato e dar uma pressionada no time de Ron Dennis.

O treino aconteceu como um convite de Emerson, que trabalhava junto com a Indy para colocar o maior número possível de campeões da F1 na categoria. Além dele próprio, Piquet, Mario Andretti e Nigel Mansell disputaram ao menos as 500 Milhas de Indianápolis. A ideia era que Senna fosse o quinto membro desse grupo, mas o brasileiro acabou permanecendo na McLaren.

Além de Senna, Emerson e Piquet, Barrichello também viu toda a geração de pilotos que o acompanhou nas categorias de base optarem pela Indy em algum momento da carreira.

Após o acidente fatal de Ayrton em San Marino, restaram na F1 apenas dois pilotos brasileiros: o próprio Rubens e Christian Fittipaldi. Este, como se sabe, acabou trocando o certame europeu pelo americano, onde competiria praticamente até o fim da carreira na Newman-Haas.

Na F3 Inglesa, Barrichello teve Gil de Ferran e André Ribeiro como adversários no título de 1991. Após alguns testes pela Footwork e uma cabeçada na porta do caminhão da equipe, Gil também seguiria para os Estados Unidos, onde foi bicampeão da Cart e venceu uma 500 Milhas de Indianápolis. André fez a mudança para o mercado americano antes e disputou quatro temporadas, correndo pela Tasman e pela Penske, conquistando três vitórias.

Gil de Ferran

Gil de Ferran deixou o automobilismo europeu para seguir carreira nos Estados Unidos

Só que enquanto essa geração optou por tentar os Estados Unidos, os novos pilotos brasileiros escolheram ignorar o mercado americano. Quem acabou correndo por lá não tinha opções muito melhores na carreira ou já estava decidido a crescer no mercado americano. Não é novidade que a Stock Car atraiu muito mais gente interessante que a Indy nas últimas temporadas.

Além disso, nos últimos anos, a Nascar ganhou o espaço que a Indy ocupava como alternativa para os pilotos. Nelsinho Piquet, por exemplo, outro dos campeões da F3 Inglesa, não titubeou na hora de optar pelo turismo americano.

E essa não é uma realidade apenas para os brasileiros. Antes de Barrichello, os últimos pilotos da F1 a terem feito a transição para a Indy foram Takuma Sato, Robert Doornbos, Enrique Bernoldi e Justin Wilson. Sendo que apenas Sato foi para a Indycar, todos os demais inicialmente buscaram correr na ChampCar, mas acabaram no outro certame após a união das categorias.

Entre eles pilotos citados, Sato foi o que teve maior relevância na F1. E ele só mudou para os Estados Unidos por conta da Honda, que era a fornecedora de motores.

Assim, caso Barrichello decida por fazer mais do que um teste na Indy, essa mudança de categoria só será possível porque o piloto conheceu o que o campeonato pôde oferecer de melhor ao longo dos últimos 20 anos. Acredito, portanto, que qualquer outro piloto da F1 nessa mesma situação acabaria considerando o DTM, o WEC, ou o GT1 como melhores opções. Vide Sébastien Buemi e Karun Chandhok praticamente fechados para correr o Mundial de Endurance.

Como Kurt Busch incendiou o mercado de pilotos da Nascar para 2012

dezembro 30, 2011
Aric Almirola

A demissão de Kurt Busch pode trazer Aric Almirola de volta à Sprint Cup

Falar que o mercado de pilotos da Nascar estava calmo para 2012 é um exagero, já que equipes grandes como Hendrick, Roush-Fenway e RCR tiveram mudanças no plantel para a próxima temporada. O problema é que essas alterações acontecerem com muita antecedência, então não havia muito o que esperar dessa época de férias.

Quer dizer, não havia nada até Kurt Busch ser demitido da Penske. A partir daí, a escolha do substituto do piloto desencadeou um efeito dominó na briga pelas vagas restantes na categoria.

No caso de você não se lembrar, Busch foi dispensado por Roger Penske ao ser flagrado sendo deveras mal-educado com a equipe e com um repórter após abandonar a etapa de Homestead-Miami ainda nas primeiras voltas por conta de uma falha na transmissão do carro. O vídeo caiu na internet, e especula-se que a Shell – a patrocinadora – pediu a cabeça do piloto, o que acabou acontecendo. Na época, escrevi um texto defendendo a decisão dos dirigentes da Penske, que você pode clicar aqui para relembrar.

Sem Kurt Busch e com um carro com patrocínio garantido, ficou a questão sobre quem seria o novo piloto do Dodge de número 22. David Ragan, que foi liberado pela Roush, se tornou o candidato favorito, mas quem acabou com a vaga foi AJ Allmendinger, de forma surpreendente.

Allmendinger não era necessariamente um nome disponível no mercado de pilotos. O californiano estava na RPM, onde conseguiu a proeza de revitalizar o histórico carro de número 43, que andava em baixa nos últimos anos com pilotos de qualidade questionável. Ainda assim, AJ não tinha patrocinador garantido, já que a Best Buy não havia confirmado se ia renovar contrato.

No final, a Best Buy foi para a Roush, patrocinar Matt Kenseth e Carl Edwards, enquanto Allmendinger se mandou para a Penske, no que chamou de chance da vida.

Como a RPM é a outra equipe competitiva a usar carros da Ford, seria improvável que o time ficasse apenas com Marcos Ambrose como representante. Assim, a dúvida se tornou quem seria o novo piloto do carro 43.

Cole Whitt

Justamente o patrocínio da Red Bull pode impedir a ida de Cole Whitt para a Nationwide

A RPM ainda não confirmou, mas Aric Almirola deve ser anunciado. O piloto de origem cubana competiu pelo time no final de 2010, quando Kasey Kahne já havia sido liberado para se juntar à Red Bull. Almirola conseguiu um quarto lugar em Homestead-Miami como melhor resultado, agradou e a equipe foi buscá-lo para a próxima temporada.

Apesar de já estar na Sprint desde 2007, Almirola disputou apenas 35 corridas na categoria e por isso é questionado se é o melhor nome para a RPM, visto que gente como David Ragan e David Reutimann, entre outros, estão no mercado. Ao que tudo indica, assim como Allmendinger, essa seria a chance que o piloto está buscando. A favor de Almirola pesam o fato de ele ser jovem, ainda poder evoluir na categoria, ser um favorito entre os patrocinadores e ter origem cubana, incluindo já tendo feito parte do programa Driver for Diversity da Nascar.

Caso Almirola seja confirmado, a vaga que abre é a da JR Motorsports, que já terá Danica Patrick em 2012, na Nationwide. Para o lugar, os nomes especulados são o de David Ragan (sempre ele!) e o de Cole Whitt, que correu na Truck Series em 2011 e até então contava com o apoio da Red Bull.

Ninguém sabe se a empresa austríaca vai continuar a patrocinar o garoto em 2012, mas Whitt segue no mercado. O problema é que esse pulo para a Nationwide pode esbarrar justamente na questão dos energéticos. Caso o investimento continue, é evidente que Whitt correria com um carro nas cores da Red Bull. Só que Dale Jr conta com o patrocínio da concorrente AMP na Sprint Cup. Ou seja, a empresa talvez possa vetar esse negócio, já que a imagem de Earnhardt Jr é disputada a tapas pelos investidores.

Enquanto isso, Kurt Busch arrumou uma vaga na Phoenix Racing, onde Landon Cassill correu em 2011. Curiosamente, Cassill começou a carreira na JR Motorsports, onde pode haver uma vaga livre para o próximo ano, embora o nome do piloto não seja especulado nesse local.


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