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F1 na GP2

fevereiro 7, 2014
A Force India terá uma equipe na GP2 em 2014

A Force India terá uma equipe na GP2 em 2014

Enquanto as equipes da F1 ainda se preparam para a segunda bateria de treinos coletivos, no Baherin, a Force India aproveitou a sexta-feira, dia 7, para anunciar que vai disputar a temporada 2014 da GP2 em uma parceria com a Hilmer. O time alemão estreou no campeonato no ano passado e agora funcionará como um time junior da esquadra da F1.

Com a parceria entre Hilmer e Force India, pelo menos três equipes da F1 serão representadas na GP2 na próxima temporada. Além do time de Vijay Mallya, a McLaren fechou recentemente um acordo com a ART para que a escuderia de Nicolas Todt sirva para desenvolver os pilotos de Woking. Em troca, eles terão apoio dos engenheiros do MTC e da Honda.

A terceira equipe presente é a Caterham, cujo programa de pilotos até agora só serviu para levar o dinheiro de Giedo van der Garde da GP2 para a F1.

Há ainda a Arden, de propriedade de Christian Horner, embora a última passagem de um piloto da Red Bull pelo time foi Sébastien Buemi, em 2008.

Ainda que a presença das escuderias da F1 na categoria de acesso seja discreta, três equipes é o maior número desde que o campeonato foi criado. Nos anos modernos, o auge dessa relação aconteceu no fim da década de 1990, quando McLaren, Prost, Minardi, Arrows, Sauber (Red Bull) e Williams (Petrobras) tinham times na F3000.

A McLaren já teve uma equipe junior

A McLaren já teve uma equipe junior

A história mais curiosa daquela época aconteceu com a McLaren, em 1998, ao montar uma equipe para desenvolver Nick Heidfeld para a F1. E a tática da escuderia começou bastante bem. O alemão terminou o campeonato de estreia com o vice-campeonato, ficando atrás apenas de Juan Pablo Montoya.

No ano seguinte, Heidfeld fez valer o conjunto dominante da McLaren e conquistou o título com quatro vitórias e praticamente o dobro de pontos do segundo colocado, o dinamarquês Jason Watt.

Na F1, no entanto, a história mudou. O piloto foi colocado primeiramente na Prost, em 2000, e depois transferido para a Sauber no ano seguinte. A oportunidade na equipe suíça era a chance que o germânico tinha para mostrar que poderia substituir Mika Hakkinen como titular, já que o bicampeão resolveu se aposentar no fim daquele ano.

É verdade que, por causa da presença de Heidfeld, as atenções da McLaren realmente se voltaram para a Sauber na busca por um substituto. Para o azar do alemão, o escolhido acabou sendo o companheiro de equipe, Kimi Raikkonen, que havia pulado direto da F-Renault pela F1 e rapidamente ganhou a chance em uma equipe de ponta. O time junior da McLaren, portanto, não serviu para nada.

Vale lembrar que alguns brasileiros tiveram chances nessas equipes juniores da F1. Mario Haberfeld foi companheiro de Heidfeld em 1998, enquanto Ricardo Maurício e Enrique Bernoldi guiaram pela Red Bull Junior. Alexandre Sperafico recebeu uma chance na Minardi e Marcelo Batistuzzi chegou a competir pela Arrows.

Mas a maior delegação obviamente veio da Petrobras Junior, com o próprio Batistuzzi, além de Bruno Junqueira, Max Wilson, Antonio Pizzonia, Jaime Melo e Ricardo Sperafico. Muitos deles tiveram a oportunidade de testar na Williams, mas apenas Pizzonia chegou a assumir a vaga de titular, mesmo que por algumas etapas apenas.

O futuro da Mercedes no DTM 2013

outubro 20, 2012

Sem Ralf Schumacher, Coulthard e Susie Wolff, a Mercedes tem três vagas em aberto para 2013

A Mercedes foi pega de surpresa nesta semana com a notícia de que três dos seus pilotos vão abandonar as pistas no final da temporada. A exemplo do que Michael Schumacher decidiu na F1, um trio de competidores anunciou que vai se aposentar do DTM.

O primeiro a dar a notícia foi Ralf Schumacher, que resolveu seguir o irmão mais velho e se dedicar a coisas fora das pistas. Depois, foi a vez de David Coulhtard, que jamais conseguiu engrenar nos carros de turismo, afirmar que vai ficar apenas em seu trabalho na televisão inglesa e, por fim, Susie Wolff quer trocar o campeonato alemão por uma participação ainda maior na Williams, onde é esposa de um dos acionistas.

A primeira consequência da saída do trio é uma espécie de rejuvenescimento do plantel da Mercedes. Como os três competidores somavam quase 500 anos de idade estavam entre os mais experientes da escuderia, a partir de agora a Mercedes precisará reconstruir o time levando em conta essa diminuição da idade.

No entanto, isso já aconteceu na temporada passada. Antes do campeonato de 2012, a montadora de Stuttgart contratou Roberto Merhi, Robert Wickens e Christian Vietoris naquilo que chamou de futuro da fabricante no DTM. Os três receberam atenção especial, e até mesmo Michael Schumacher apareceu na apresentação como uma espécie de tutor dos jovens pilotos.

A estratégia, porém, não deu tão certo. Dos três, Vietoris foi quem teve o melhor desempenho em 2012. Até antes da etapa de Hockenheimring, neste fim de semana, o germânico ocupa a 11ª posição na tabela de pontos, mas tendo pontuado apenas na primeira metade do campeonato. Wickens é o 16º, com 14 pontos, enquanto Merhi sequer pontuou.

É justamente por isso que não faz sentido a montadora contratar jovens talentos pra as três vagas abertas. Por melhores que sejam os candidatos, eles também vão precisar de um período de adaptação na categoria antes de obter bons resultados.

Apesar da renovação forçada, a Mercedes segue brigando por vitórias

Além disso, a Mercedes também não tem pressa para resolver a situação. Com os experientes Gary Paffett e Jamie Green brigando pelo título, a quota de vitórias para os próximos anos está relativamente garantida. Dessa forma, a empresa pode esperar para que um dos jovens pilotos se desenvolva a ponto de também brigar por triunfos e títulos.

Assim, vejo que a fabricante tem duas opções nessa reconstrução do plantel. A primeira é seguir a tática de contratar jovens pilotos para montar um plantel deveras promissor e esperar que um ou dois pilotos possam vir a ser campeões em alguns anos. Com isso, não é absurdo pensar que nomes como Daniel Juncadella e Sam Bird estejam entre os mais cotados para 2013.

A outra opção é aproveitar esse espaço no plantel para arriscar algumas grandes contratações. A montadora poderia se aproveitar do mercado apertado na F1 para trazer algum ex-piloto de lá. Para 2013, por exemplo, é bem capaz que gente como Kamui Kobayashi e Vitaly Petrov fiquem sem lugar, portanto a empresa poderia tentar a contratação de algum deles. Outras boas opções seriam Nick Heidfeld e até mesmo Robert Kubica, dependendo da recuperação do polonês.

Por fim, a última vaga deve ficar com uma pilota. Como não são muitas mulheres que têm se destacado no esporte a motor é difícil apontar algum nome. Eles podem ir atrás de Cyndie Allemann ou Natasaha Gachnang, que tiveram participação em competições de GT e endurance nos últimos anos, ou até mesmo em alguém que dispute as categorias menores na própria Alemanha.

Longe da aposentadoria

março 29, 2012
Rubens Barrichello

Após ser preterido na F1, Rubens Barrichello resolveu desbravar o velho caminho rumo à Indy

Falar sobre a F1 é algo complicado. Todos os dias milhares de histórias sobre a categorias são lançadas. Entretanto, elas ficam velhas muito rapidamente. Comentar sobre Sergio Pérez na Malásia, sobre os fracos resultados de Felipe Massa ou sobre os toques de Sebastian Vettel e Jenson Button em Narain Karthikeyan já é coisa do passado.

Assim, o grande factoide do campeonato, ao menos nesta sexta-feira (30), é a escolha de Jaime Alguersuari como companheiro de Lucas Di Grassi na Pirelli. Isto é, a partir de agora os dois pilotos vão dividir a tarefa do desenvolvimento dos novos compostos. Pode não ser o emprego dos sonhos, mas é bastante digno, visto com os dois devem ganhar salário para pilotar um carro, algo que não acontece necessariamente na F1.

Com a contratação de Alguersuari, praticamente todos os pilotos que deixaram a F1 em 2012 já estão empregados. O World of Motorsport fez uma breve lista para você saber que há vida no automobilismo mesmo depois da F1.

Adrian Sutil – O funcionário número Zero da Force India deixou a F1 no final do ano passado envolvido no inquérito policial por causa de uma briga em uma boate em Xangai. Após o GP da China, o alemão tinha acertado Eric Lux – dono da empresa que controla a Renault – com uma garrafa. O dirigente ficou ensopado de sangue e processou o atleta.

Em janeiro, Sutil foi condenado a 18 meses de condicional e obrigado a pagar uma multa de 200 mil euros, que foi destinada à caridade. Na F1, dizem que o problema com a polícia o impediu de assinar com a Williams para o novo campeonato. Ainda assim, o alemão não desistiu da categoria máxima e já afirmou, nesta semana, que adoraria pilotar para a Sauber caso Sergio Pérez fosse puxado para a Ferrari.

Nick Heidfeld – Se arrastando pelo grid desde a saída da BMW, no final de 2009, o alemão finalmente parece ter desistido da F1. A passagem pela Renault na última temporada não foi boa e Quick Nick não conseguiu permanecer na categoria. Para 2012, o alemão já assinou com a Rebellion Racing, uma das maiores equipes de endurance do mundo, abaixo apenas dos grandes times de fábrica.

Pilotando ao lado de Neel Jani e Nicolas Prost, Heidfeld não teve uma boa estreia no Mundial de Endurance, abandonando as 12 Horas de Sebring.

Jaime Alguersuari – Dispensado pela Toro Rosso, Alguersuari logo ganhou o estrelato. Primeiro, o espanhol criticou a forma com que a Red Bull trata os jovens pilotos e depois revelou ter recusado uma proposta da equipe austríaca para seguir como piloto de testes. O interesse do catalão estava longe das pistas, ao menos era o que parecia.

Conhecido na noite de Ibiza como DJ Squire, Alguersuaria planejava se dividir entre a música e a tarefa de comentarista para a BBC. Como DJ, até que deu certo, afinal, hoje em dia, tudo o que ele precisa fazer é conectar o iPod e apertar play. Já a tarefa de comentarista deixou a desejar. No primeiro furo dado, o ex-piloto da Toro Rosso afirmou que Robert Kubica não conseguia segurar um copo de água, quanto mais dirigir. Menos de cinco dias depois o polonês publicou uma foto pilotando um carro de rali e rebatendo o antigo colega de profissão.

Apesar da fama, Alguersuari não conseguiu ficar muito tempo longe das pistas e foi anunciado como piloto de testes da Pirelli ao lado de Lucas Di Grassi.

Jaime Alguersuari DJ Squire

Longe da F1, Jaime Alguersuari ganha a vida como DJ na noite de Ibiza e outros locais badalados do Mediterrâneo

Sébastien Buemi – Assim como Alguersuari, o piloto suíço também foi chutado sem dó nem piedade dos confins da Toro Rosso. Para piorar, assim que soube da decisão, Buemi reclamou que tinha estado em Milton Keynes, onde trabalhara no simulador rubro-taurino poucas horas antes da fatídica notícia.

Apesar de ter choramingado por aí, Buemi foi contatado pela Red Bull, que ofereceu o posto de piloto reserva, algo prontamente aceitado pelo suíço. Satisfeito com a nova vaga, o piloto de apenas 23 anos logo descobriu que a primeira escolha do time tinha sido Alguersuari, mas o catalão havia recusado a proposta.

Assim, o eterno número 2 da Toro Rosso estará desfilando beleza em todos os GPs do ano, torcendo para que Sebastian Vettel ou Mark Webber se machuquem e, enfim, ele ganhe a oportunidade de pilotar um carro de ponta na F1. Ao mesmo tempo, Buemi acertou com a Toyota para a disputa das 24 Horas de Le Mans.

Rubens Barrichello – O brasileiro era o único piloto da F1 que havia participado de todas as temporadas da categoria desde a criação, em 1950. Ok, na verdade ele estreou em 1993, mas nada que o torne menos veterano. No entanto, toda essa experiência não foi capaz de convencer Frank Williams a mantê-lo na equipe.

Barrichello, então, caçou patrocinadores no Brasil todo e fechou com a BMC, para tentar permanecer na categoria principal. Mesmo com o dinheiro, a Williams optou por Bruno Senna, mandando o veterano direto para a Indy.

Na única corrida em que disputou até agora, Barrichello não conseguiu acertar uma boa estratégia de corrida e perdeu tempo durante as paradas nos boxes. Em São Petersburgo, finalizou em 17º, com duas voltas de atraso e com direito a pane seca.

Jarno Trulli – Eterno segundo piloto da Lotus, o italiano achava que ia disputar a temporada 2012 da F1. No entanto, aos 46 do segundo tempo, Vitaly Petrov ligou para Tony Fernandes e ofereceu uma boa grana e um grandioso estoque de vodka, Lada e russas, que foi prontamente aceito pelo dirigente.

Assim, Trulli foi chutado e o russo se tornou companheiro de Heikki Kovalainen. Enquanto o italiano ainda não se acertou – não seria surpresa se disputasse ao menos as etapas em circuito misto da Nascar – , Petrov conseguiu em duas corridas o que o veterano jamais havia feito: andar na frente de Heikki Kovalainen.

Nick Heidfeld

A ironia da vida! Depois de ser dispensado pela Lotus, Nick Heidfeld compete no Mundial de Endurance com um carro em preto e dourado

Vitantonio Liuzzi – Outro italiano com contrato dispensado. Assim como Trulli, Liuzzi também tinha um papel escrito que ele ia competir em 2012, mas parece que na F1 as pessoas não se importam muito com esse tipo de coisa.

Como não foi oficialmente dispensado pela HRT, Liuzzi tem vivido o dia a dia da equipe espanhola, em um posto totalmente decorativo. O time, claro, quer evitar pagar a multa pela rescisão do contrato, então todo mundo finge que está feliz.

Além de ocupar o cargo de aspone na HRT, Liuzzi fechou com a Mercedes para a disputa do principal campeonato italiano de turismo, a Superstars Series.

Jérôme D’Ambrosio – Depois de disputar apenas uma temporada pela Marussia, o belga não agradou. Sendo constantemente mais lento que Timo Glock e aparecendo tanto na televisão quanto o avião invisível da Mulher Maravilha, D’Ambrosio foi chutado sem dó nem piedade do time russo, que escolheu Charles Pic como otá… substituto para 2012.

O desempenho de Pic é tão relevante quanto o do belga, ou seja, até agora ele não fez nada. Mas isso não é algo que Jérôme possa se orgulhar. Nosso amigo defenestrado já declarou que preferia seguir na Marussia a assistir às corridas do lado de fora da pista.

Pelos contatos que tem com a Gravity, empresa que controla a equipe Lotus na F1, o belga assumiu o posto de piloto reserva do time. Assim, torce para algum infortúnio de Kimi Raikkonen ou de Romain Grosjean para voltar a correr.

Karun Chandhok – Ao contrário do compatriota Narain Karthikeyan, Chandhok esnobou a Hispania na hora de seguira na F1. Depois de pilotar para a equipe espanhola, em 2010, o indiano recusou retornar ao time, buscando algo diferente na última temporada. Acertou com a Lotus, onde foi piloto reserva ao longo do ano e competiu no GP da Alemanha.

Chandhok até tentou um acordo para correr na Índia, mas não deu certo. Enquanto ainda tente restabelecer a carreira, o piloto fechou com a JRM, para a disputa do Mundial de Endurance. Ao lado dos experientes David Brabham e Peter Dumbreck, foi um dos destaques dos treinos em Sebring, mas não conseguiu terminar a corrida de 12 de duração.

O balanço da primeira metade da F1 2011 – parte 2

agosto 19, 2011
Nick Heidfeld

Nick Heidfeld decepcionou nessa que pode ter sido a última passagem na F1

Aproveitando que a F1 ainda está de férias, o World of Motorsport faz um balanço da primeira parte da temporada para cada uma das 12 equipes, além de avaliar o que o time pode fazer para a segunda parte do campeonato fora as mudanças em relação a 2012.

Nesta sexta-feira, publico a segunda parte, com Renault, Sauber, Williams e Force India, enquanto Toro Rosso, Hispania, Lotus e Virgin ficam para o sábado.

Renault: A equipe francesa começou o ano tendo que substituir Robert Kubica às pressas por conta do grave acidente sofrido em um rali na Itália, no início de fevereiro. A opção óbvia era Nick Heidfeld, que recebeu a chance de competir pelo time.

Após 11 etapas, o alemão conquistou um pódio, se envolveu em uma série de acidentes, não tem feito bons treinos classificatórios e ainda viu o carro pegar fogo. Apesar disso tudo, a pior coisa é que ele está apenas dois pontos na frente de Vitaly Petrov na tabela de pontos. Heidfeld era para ser o líder do time, mas está apenas sendo uma razoável referência para o russo.

E é justamente esse rendimento que pune o alemão. Embora ninguém esperasse pirotecnia hamiltoniana vinda do experiente piloto, era evidente que a expectativa era por um resultado melhor. Se Heidfeld sofreu com a pressão da Renault, que esperava ver um novo Robert Kubica em ação, o parâmetro do ex-piloto da Sauber não é mais o que o polonês poderia ter alcançado se estivesse correndo, mas, sim o próprio Petrov.

Não seria surpresa se a partir do GP de Cingapura o alemão fosse sacado. Como o contrato dele é apenas para esse ano e ele não agradou, não tem muito motivo para a equipe insistir na permanência. Aí aparecem dois substitutos em potencial: Romain Grosjean e Bruno Senna.

Os dois são bons pilotos e tem motivos financeiros fortes para ser o escolhido. Aqui é difícil opinar quem leva a melhor. Grosjean parece superior tecnicamente e é francês, enquanto Bruno carrega o nome Senna e é brasileiro – onde além de ser um mercado chave da Renault, também é o novo local favorito de investimentos da Genii.

Em 2012: A Renault está de mãos atadas para 2012 esperando o retorno de Robert Kubica. Se o polonês voltar, a tendência é que ele corra ao lado de Vitaly Petrov, caso o russo não rode. Do contrário, a briga deve ser entre Grosjean e Senna pelo posto, embora essa vaga deve ver todo tipo de piloto sondando-a.

Force India: A equipe satélite da Mercedes evoluiu absurdamente ao longo da temporada. Mesmo com um começo de ano razoável, com Paul Di Resta pontuando duas vezes, o time conseguiu melhorar e parece estar apenas das três grandes equipes neste momento. A dupla de pilotos é boa e Nico Hulkenberg é o melhor piloto de testes de toda a F1, então o time está no caminho certo.

A grande dúvida é se a equipe de Vijay Mallya terá fôlego para manter esse ritmo após as férias de verão. Alguns anos atrás, o time indiano era conhecido pela força nas pistas de alta velocidade. Não por acaso Giancarlo Fisichella largou na pole-position na Bélgica e só não venceu porque não tinha o Kers que equipava a Ferrari de Kimi Raikkonen.

O desenvolvimento da Force India em 2011 acompanhou justamente essa linha. O carro ganhou bastante estabilidade, mas se destacou mesmo em velocidade final, sendo um dos mais rápidos de toda a F1. Se continuar assim, é, com certeza, uma boa aposta para pontos nas próximas duas corridas.

Em 2012: Com os pilotos cada vez mais valorizados, a dupla de 2012 deve ser quem sobrar no time. Como as vagas nas demais equipes estão ficando escassas, os pilotos já estão dando entrevista dizendo estarem tranquilos com a decisão do time e estão confiantes de que serão os escolhidos. Seria um desperdício muito grande Hulk continuar como reserva, ou Di Resta ser cortado. Apesar disso, vale lembrar que é Sutil quem leva patrocínio.

Nico Hulkenberg, Paul di Resta e Adrian Sutil

Nico Hulkenberg, Paul di Resta e Adrian Sutil. Valorizados, brigam por duas vagas em 2012

Sauber: A temporada da Sauber começou com um desempenho fantástico em Melbourne, quando Sergio Pérez fez apenas uma parada, e os dois carros terminaram na zona de pontos, mas acabaram desclassificados horas depois. Desde então, o time não brilhou, mas se mostrou bastante competitivo, com Kamui Kobayashi, e seu estilo único, marcando pontos em sete das primeiras 11 etapas.

A equipe suíça, porém, parece ter perdido espaço para Force India e Toro Rosso e por isso não consegue mais seguir sempre entre os dez primeiros. Mesmo com o dinheiro mexicano, o time depende de dois pilotos com pouca experiência para desenvolver o carro e pode ser isso que está pesando nesse momento.

Em 2012: A Sauber já anunciou a manutenção dos dois pilotos. Um deles só sai, portanto, caso uma equipe grande pague a multa rescisória, o que não deve acontecer.

Williams: A situação da Williams é muito complicada. A equipe perdeu quase todos os patrocinadores no final do último ano e foi obrigada a assinar com a PDVSA para ter um mínimo de orçamento para o desenvolvimento do equipamento de 2012. Como resultado, o carro é ruim e os pilotos não conseguem ir bem na pista.

Rubens Barrichello conquistou os quatro pontos da equipe até o momento, mas o desempenho do brasileiro não é de orgulhar. Pastor Maldonado, por sua vez, está fazendo um ano tão ruim que está atrás de Jarno Trulli e Vitantonio Liuzzi na tabela de pontos, já que por não ter pontuado até agora perde no critério de desempate de melhor colocação em um GP.

No caso do venezuelano, não tem como colocar a culpa no carro ser ruim. O da Lotus e o da Hispania também é, mas os pilotos aproveitaram as poucas chances de conseguir um resultado decente para terminara na frente. Maldonado, mesmo chegando ao Q3 com certa frequência nas últimas corridas, só foi bem em Mônaco, quando foi tocado por Lewis Hamilton

Em 2012: A equipe vai passar por uma profunda reestruturação, que deve atingir todas as áreas. Dirigentes antigos como Patrick Head e Adam Parr vão dar o fora, enquanto o time deve passar para o controle do espião Mike Coughlan. Embora o inglês não seja a solução para todos os problemas, ruim ele não é, pois ocupava função semelhante na gigante McLaren antes do escândalo de espionagem. Outro destaque da Williams em 2012 será o retorno do motor Renault. A equipe, aliás, ainda pode anunciar a montadora francesa como parceira técnica nos próximos meses.

Quanto a dupla de pilotos, se a PDVSA continuar como patrocinadora, Maldonado fica. Do contrário Frank Williams vai ter que procurar o próximo piloto pagante disponível. A vaga de Rubens Barrichello é outra disputada por meio mundo. A última especulação fala em Jules Bianchi, Sam Bird, Stefano Coletti e Davide Valsecchi. A eles se soma Adrian Sutil, Nico Hulkenberg, Giedo van Der Garde, Romain Grosjean e Bruno Senna.

F1 2011 na Hungria

julho 27, 2011
Hungaroring

O legal de Hungaroring é que depois da etapa da Hungria começam as férias de verão da F1

A F1 chega à Hungria para a 11ª etapa da temporada 2011 da categoria. Evidentemente, com o domínio de Sebastian Vettel e o lenga-lenga do difusor aquecido e da corrida do Bahrein tendo acabado só existe uma coisa interessante para essa prova: assim que a bandeira quadriculada for acionada a F1 estará oficialmente de férias de verão.

Férias é um negócio esquisito para a F1, na realidade. As equipes vão deixar Hungaroring falando que querem aproveitar o descanso para recarregar as baterias – as fábricas não podem funcionar –, mas assim que esse período passar todo mundo vai dizer que não via a hora de voltar a correr e que a pausa deveria ser menor que as quatro semanas.

Obviamente isso tudo é besteira, assim como as noticias que vão surgir nessa época. Além de milhares de rumores sobre a nova temporada, ainda vamos ter que aguentar Jaime Alguersuari sendo D.J. em algum lugar do mundo, Jenson Button participando de um triatlo, Daniel Ricciardo correndo na World Series by Renault e todas essas coisas que qualquer pessoa normal faz nas férias.

Só que enquanto a pausa de verão não chega, os pilotos precisam disputar o GP da Hungria, e a corrida no Leste Europeu traz algumas boas histórias para a temporada 2011. A principal delas é sobre a disputa na parte da frente do pelotão. Será que a Red Bull decaiu? A Ferrari e a McLaren cresceram? Nada disso, embora as duas equipes desafiantes tenham apresentado evolução satisfatória nas últimas etapas, os rubro-taurinos ainda são favoritos.

Por conta da melhor adaptação aos diferentes compostos de pneus, o que vai pegar em Hungaroring é a condição climática. Se fizer sol, será um passeio da Red Bull. Se estiver frio, a McLaren vem forte. Caso chova, a Ferrari é a principal candidata à vitória. Se cair uma tormenta, o safety-car ganha, pois a atual F1 está cheia de frescura.

Fora isso, não tem muito que falar de Hungaroring. É uma pista bastante travada, mas que tem seu lugar na história do automobilismo. Não é um lugar impossível de se ultrapassar (e não deve nada a Barcelona, Valência ou Silverstone), mas é arriscado tentar passar o rival na pista. Então é bom que os pneus Pirelli e a asa traseira móvel funcionem – o que eu acredito que irá acontecer – do contrário teremos uma prova um tanto chata.

A outra boa história do final de semana é Bruno Senna. O piloto brasileiro vai testar pela Renault no lugar de Nick Heidfeld. Meu palpite (e veja, é meu palpite, não li nada sobre, invenção da minha cabeça, etc) é que Bruno corra alguma etapa até o final do ano caso o alemão não consiga mais nenhum resultado excepcional.

Após dez etapas, Nick está apenas dois pontos na frente de Vitaly Petrov. É muito pouco para quem tinha que liderar a equipe. Pior do que isso, além do time ter regredido ao longo do ano, o alemão tem errado mais do que errara durante a carreira toda. Se é para ficar com um piloto assim, melhor para a Renault ficar com o russo, já que ele ainda traz dinheiro para a equipe.

Aliás, a condição de Heidfeld é realmente complicada. Petrov é um especialista em Hungaroring. Foi lá onde ele conseguiu o melhor resultado na temporada passada, quando terminou em quinto e marcou a melhor volta da corrida. Se o russo repete esse desempenho e o alemão sequer termina a corrida, por exemplo, pode ser que a Renault aproveite as férias de verão para fazer alguma mudança. Bom, lembrando que esse é meu palpite.

Aliás, falando em palpite. Para a corrida eu aposto em dobradinha da Red Bull, com Sebastian Vettel na frente. Lewis Hamilton fecha o pódio. Obviamente, não irei acertar nada.

BMW se prepara para estreia no DTM em 2012

junho 28, 2011
BMW M3

A BMW já está em contagem regressiva para a entrada no DTM

Com 2011 ainda se aproximando da sua metade, é cedo para que a maioria das equipes do DTM busquem se organizar para a próxima temporada, afinal, o atual campeonato está longe de uma definição. Isso, no entanto, não se aplica à BMW. Com a montadora alemã prestes a estrear na categoria no próximo ano, a escolha dos pilotos e demais responsáveis pelo staff técnico está acontecendo a todo vapor.

Depois de deixar a F1, sair do WTCC e extinguir a F-BMW, a montadora alemã decidiu que o melhor jeito de se fortalecer é começando em casa, pela própria Alemanha, por isso, desde 2010, anunciaram que o foco passou a ser a estreia no DTM em 2012, ao lado das competições de endurance. Para isso, escolheram três times – e seis vagas, consequentemente – para representá-los: RBM, Schnitzer e Reinbold GmbH.

A montadora alemã faz mistério sobre quem serão esses seis pilotos, mas é possível identificar, ao menos, quem são os favoritos. Nesse breve post de adivinhação, primeiro vou colocar as peças do quebra-cabeça da BMW e depois tentarei montá-lo.

O que se sabe até agora: a BMW vai escolher pilotos que possam vencer corridas já no primeiro ano; a BMW deve escolher alguns pilotos com ligação à empresa; a BMW deve ter entre dois ou três pilotos alemães; a BMW pode escolher um jovem talento; a BMW pode escolher um piloto com passagem pela F1.

Dito isso, hora de identificar quem é quem. Por entender que a BMW quer alguém para vencer corridas, também fica claro que a montadora vai buscar um piloto que esteja atualmente empregado pela Audi ou pela Mercedes. Na realidade, os estreantes vão tocar o terror no mercado. Isso porque, Audi e Mercedes sempre tiveram um acordo de não contratar pilotos uma da outras. Isto é, para evitar uma guerra salarial e manter o DTM rentável, o mercado interno foi extinto. Com a BMW na busca de um líder, as duas fabricantes que atualmente estão na série, vão precisar elevar o salário das principais estrelas para continuar com eles.

Augusto Farfus

Augusto Farfus preenche os requisitos do que a BMW precisa e dificilmente ficará de fora do DTM

No primeiro escalão do DTM, hoje, se encontra: Bruno Spengler, Gary Paffett, Timo Scheider, Mattias Ekström. Desses, Paffett renovou com a Mercedes e Ekström tem contrato com a Red Bull, parceira da Audi. Assim, viáveis seriam Spengler e Scheider. Teoricamente, o alemão é mais caro que o canadense devido ao recente bicampeonato, além disso é mais identificado à Audi que o rival,  à Mercedes.

Caso a BMW não consiga arrancar Scheider e/ou Spengler, o favorito é Jamie Green, que voltou à Mercedes HWA na atual temporada depois de passar anos em times satélites. Outra opção pode ser Martin Tomczyk, recentemente chutado da Abt (principal time da Audi), mas atual líder do campeonato.

Entre esses citados, apenas um ou dois devem ir para a BMW. As outras cinco vagas começariam a ser preenchidas por gente com ligação à fabricante. Atualmente, eles têm sete pilotos sob contrato: Andy Priaulx, Augusto Farfus, Jorg Muller, Dirk Muller, Dirk Werner, Joey Hand e Bill Auberleen. Destes, quatro são ex-WTCC e dois fizeram carreira na ALMS. Sinceramente, seria uma zebra muito grande se Priaulx e Farfus ficarem de fora. Ambos estão na montadora há quase uma década e sempre foram priorizados pelos alemães. Enquanto Priaulx é um megacampeão, Farfus tem um histórico recente de conquistas, além de ser bastante novo, apenas 27 anos.

Jorg Muller é outro que eu não descartaria. O piloto fez carreira correndo pela Schnitzer tanto no WTCC quanto na Le Mans Series. É alemão e bastante experiente. Dirk Muller, que não é parente, é outro que pode aparecer, mas corre por fora assim como Dirk Werner.

Nick Heidfeld

Nick Heidfeld tem uma loooonga relação com a BMW

Outro lugar em que a BMW pode buscar piloto é na F1. A Mercedes, por exemplo, sempre recorreu à categoria principal para trazer algum reforço, como Mika Hakkinen, David Coulthard e Ralf Schumacher. Já a Audi preferiu investir em outras frentes para se reforçar. Caso a BMW queria seguir o caminho da rival de três pontas, ela vai encontrar no mercado nomes germânicos como Nick Heidfeld, Timo Glock e Adrian Sutil, além de outros como Jarno Trulli. Heidfeld, óbvio, é a melhor escolha. Se Robert Kubica retornar, Quick Nick está fora da F1 novamente e vai ter de brigar por uma das poucas vagas disponíveis. Assim, ele poderia fazer uso da boa relação com a montadora – para quem correu por anos na F1 – e ir para o DTM. Sutil e Glock são mais jovens, bastante arrojados, mas não estão em boa fase.

A BMW, porém, pode optar por algum ex-piloto da categoria. O nome mais cotado foi o de Pedro Lamy, mas faz algum tempo que nada se ouve a respeito. Não acho que Lamy seja o melhor nome para levar os germânicos ao topo do DTM, mas é uma escolha até que curiosa.

Por fim, pensando em longo prazo, algum jovem piloto pode ser escolhido. Como não conheço nada dos campeonatos de turismo germânicos, ficarei nos monopostos. Durante anos, a Mercedes se reforçou pegando jovens vindos da F3 Europeia. Ainda é um bom caminho, mas a categoria entrou em uma decadência nos últimos anos. De qualquer forma, Daniel Juncadella, Felix Rosenqvist e Marco Wittmann não seriam escolhas ruins. Roberto Merhi parece ter futuro ao menos na GP2, por isso não o citei.

No entanto, no meu ponto de vista, não ficaria restrito à F3, tentaria trazer alguém da GP2. Na categoria de acesso da F1, em 2011, cinco pilotos têm chamado a atenção: Romain Grosjean, Charles Pic, Giedo Van Der Garde, Davide Valsecchi e Sam Bird. É óbvio que a F1 não terá vaga para todos eles. Assim, quem sobrar poderia ver com bons olhos uma ida para o DTM. Outro nome que pode aparecer é o de Álvaro Parente.

Claro que todas essas opções são as escolhas com maior probabilidade. No entanto, vale lembrar que a BMW segue nas categorias de turismo mesmo sem representação oficial. Ou seja, não seria nada impossível que alguém  como Rob Collard ou Colin Turkington que correm pela montadora  em torneios como o BTCC e o STCC apareçam.  Ainda que tenham chances remotas.

Eu chutaria Priaulx, Farfus, Heidfeld, Jorg Muller, Pedro Lamy e Martin Tomczyk ou Jaime Green. Será que acerto algum até o fim do ano? E você, em quem apostaria?

Nick Heidfeld não é Robert Kubica

junho 1, 2011
Nick Heidfeld e Robert Kubica

O maior problema para Nick Heidfeld, na Renault, é a sombra de Robert Kubica

Demorou seis corridas ou três meses, mas a Renault começou a perceber que Nick Heidfeld não é Robert Kubica. O alemão, escolhido a dedo para substituir o polonês, que se recupera de um grave acidente em um rali disputado no início do ano, já recebe as primeiras críticas pelo trabalho na equipe anglo-francesa.

Oficialmente, a desconfiança da equipe de Eric Boullier em relação a Heidfeld se dá pelo fato de o melhor resultado obtido pelo alemão nas quatro últimas etapas ter sido um sétimo lugar no GP da Turquia. Muito pouco para quem havia brigado pelo pódio nas primeiras corridas do ano.

Na realidade, o que acontece dentro da Renault é uma conta bem simples. Todas as vezes que Nick comete um erro ou termina a corrida lá atrás, os dirigentes pensam ‘o que Kubica teria feito nessa prova?’ Assim, Heidfeld não só precisa vencer os 23 concorrentes na pista, como também superar o virtual desempenho da sombra Robert Kubica.

A situação, claro, ficou pior após o GP de Mônaco, quando o alemão terminou na oitava colocação depois de largar em 16º. A Renault tinha uma grande expectativa para essa prova pelo fato de o polonês ter sido o piloto dominante na edição de 2010. Então, se houvesse uma pista em que eles poderiam vencer era no Principado.

O que a equipe anglo-francesa precisa entender o quanto antes é que o alemão não é um dublê do polonês. Heidfeld era o melhor nome disponível no mercado para substituir um Kubica acidentado, então, criar uma pressão em cima do alemão não parece a melhor escolha, afinal, não há uma opção para sucedê-lo.

Enquanto Robert Kubica é conhecido por ser extremamente arrojado em algumas provas, mas sumido em outras, Heidfeld é dono de uma consistência impressionante. Assim, enquanto o polonês brilha por levar carros mais fracos à briga pela vitória, ao mesmo tempo em que faz provas extremamente apagadas, o alemão anda naquele mesmo ritmo todos os dias e ninguém percebe. Só que nos três anos em que foram companheiros de BMW Sauber, Heidfeld surrou o parceiro em dois. Mesmo sem brilho, o alemão provou que é uma boa escolha a longo prazo.

A favor de Nick ainda pesa o fato de a própria Renault ter caído nesse início de temporada. Depois dos dois pódios conquistados nas duas primeiras corridas, o melhor resultado do time nas quatro provas seguintes foi justamente o sétimo lugar do alemão. Isso quer dizer que Petrov também não está conseguindo fazer um bom trabalho, o que corrobora para mostrar que as críticas ao tedesco vieram cedo demais.

No entanto, a Renault tem todo direito de exigir que Heidfeld tenha um desempenho melhor nos treinos classificatórios, o que foi apontado pela equipe como causa dos fracos resultados. A única coisa é que a melhor maneira de dar o recado ao alemão talvez não fosse via imprensa. Enquanto Nick vive nessa panela de pressão, ele ocupa a sexta posição na tabela de pontos, superando a dupla de Mercedes e Felipe Massa.

F1 2011 na Austrália

março 23, 2011
Albert Park

O belo Albert Park é o local da abertura da temporada 2011 da F1. A pista é essa estrada maior ao redor do lago. Os pits estão na parte inferior esquerda

Começou. A temporada 2011 da F1 enfim está iniciada. Nos últimos meses, você pôde comemorar o título de Sebastian Vettel, acompanhar o drama de Robert Kubica, a crise política no Bahrein e, é claro, ler o World of Motorsport. Agora, tudo isso – menos ler o blog – é passado e já faz parte dos livros de história. O novo capítulo da F1 começa agora com o GP da Austrália, em Melbourne.

A pista de Albert Park pode estar recebendo a F1 pela última vez. Como a corrida é realizada dentro de um parque, os ambientalistas conseguiram aos poucos tirar a prova do local. Contribuiu para isso o fato de o GP gerar prejuízo na cidade australiana. O que é uma pena, já que a etapa no país da Oceania é uma das melhores.

A principal característica do circuito é justamente essa citada acima. Como a pista é usada apenas para a corrida da F1 ao longo do ano, na sexta-feira ela começa muito suja, mas vai ficando muito mais rápida ao longo do final de semana. Uma dificuldade e tanto para quem tiver problemas de aderência. Outra, com o pneu macio da Pirelli se esfarelando muito rápido, a tendência pode ser pelo uso do pneu duro na corrida, o que necessita de um melhor equilíbrio do carro.

Outro fator sempre presente na Austrália são as chuvas nessa época do ano. Como sempre existe a previsão, e se ela se confirmar, a prova pode ser decidida pelo momento certo de fazer a parada assim como aconteceu em 2010, com a vitória de Jenson Button.

O GP da Austrália, em geral, é uma amostra bastante fiel do que será a temporada. Quem vai bem, costuma seguir assim nas corridas seguintes, enquanto os atrasados sempre têm anos difíceis. Por isso, o resultado da corrida deve ser um panorama bastante claro das próximas etapas.

Embora ainda seja cedo para falar qualquer coisa sobre ordem de forças das equipes, com base na pré-temporada, é possível dizer que Ferrari e Red Bull estão em um primeiro patamar e são favoritas à vitória na pista australiana.

Mais atrás, Mercedes, Williams e Renault aparecem em um segundo grupo. As três chegaram a liderar sessões durante a pré-temporada, mas como é difícil especificar como cada carro esteve em termos de quantidade de combustível e pneus novos quando foram à pista, essas posições não determinam verdades absolutas. Na soma dos tempos – quando em geral as equipes obtêm a melhor marca em configurações bastante parecidas – esses três times foram bem e talvez não seja impossível falar em vitória, mesmo que em situações bastante especiais.

Michael Schumacher, por exemplo, entra em 2011 depois de uma péssima temporada passada. Só que nos treinos do inverno europeu, o alemão foi bem e a Mercedes está bastante otimista para o novo campeonato. Todo mundo sabe do que o heptacampeão foi capaz no início da década de 2000 e, dessa vez, ele pode brigar pelas vitórias.

No entanto, é outro alemão que causou verdadeiro frisson no início de ano: Nick Heidfeld. Por algum motivo, todo mundo quer ver o Quick Nick quebrar o jejum de triunfos. Seja porque a Renault está merecendo depois de fazer um bom trabalho de reconstrução de imagem, seja porque o piloto parece ser um injustiçado, ou seja até mesmo pela aura de Robert Kubica, mas o fato é que se o carro negro da Lotus Renault vencer uma corrida, será uma das conquistas mais comemoradas. É difícil, mas não impossível.

Por fim, Rubens Barrichello também merece destaque. A Williams trabalhou duro para fazer inovações capazes de tornar o FW33 um carro vencedor. E isso gerou um monte de problemas durante os testes. Só que os ingleses dizem que está tudo consertado. O carro, que já era rápido sem o Kers, ganhou o novo artifício, a caixa de câmbio é uma das melhores de toda a F1 e os pilotos são bastante talentosos. Vencer é difícil, mas o time pode almejar bons resultados.

Apesar de eu ter falado dessas três equipes de um modo geral, a realidade é a mesma em se tratando do GP da Austrália. Pelas condições especiais descritas lá em cima, não seria nada inesperado se uma das três sair com a vitória.

Na sequência, aparecem Sauber e Toro Rosso. As duas equipes fizeram um excelente trabalho nos testes, terminando entre os primeiros diversas vezes. Para o campeonato, o objetivo vai ser marcar pontos sempre. Em um primeiro momento, Kobayashi tem mais chances na Austrália, assim como o time italiano deve optar por uma estratégia mais conservadora para tentar colocar os dois carros na zona de pontos.

Dando prosseguimento ao grid, a Force India contratou Paul Di Resta e Nico Hulkenberg, dois dos pilotos mais promissores. Só que, até o momento, o carro se mostrou ruim. Devem brigar com a Lotus de Kovalainen durante a corrida. Para terminar, carro ruim mesmo é a Virgin, que ainda tem azar de ter Timo Glock operado do apêndice às vésperas do GP. Essa não tem jeito e ainda pode correr o risco de ficar de fora com a volta da regra dos 107%.

A Hispania é uma incógnita, pois não foi à pista em momento algum e vive uma crise financeira terrível. Existe a possibilidade de milagrosamente o carro ser um foguete e ganhar corridas. Como as chances disso acontecer são menores do que eu – que nem jogo – ganhar na loteria, então o time espanhol, caso se classifique para a corrida, deverá traçar uma dura batalha com a Virgin sobre quem é mais inútil.

No entanto, faço um alerta para Narain Karthikeyan. Embora não pareça, ele é um bom piloto. No auge, talvez até melhor do que o demonstrado por Bruno Senna e Karun Chandhok até agora. No entanto, os tempos são outros e ‘Nana’ já está velho. Mas não subestimem o cara que levou a Carlin a ser o que é nas categorias de acesso e venceu várias corridas em A1GP e F-Superliga. Ah sim, ele também tem a maior torcida da F1, com cerca de 1,4 bilhão de fãs.

Mas e a McLaren?, você atento vai perguntar. Bom, essa é uma tremenda dúvida. Eles criaram um carro genialmente ruim. Aplicaram soluções inovadoras que fizeram a máquina quebrar constantemente durante a pré-temporada e, às vésperas do GP da Austrália, resolveram maneirar e mudar tudo. Martin Whitmarsh, por exemplo, falou que o time deve ganhar 1s em atualizações. 1s? Ninguém percebeu enquanto criava o carro que todas as novidades deixaria a máquina 1s mais lenta? Balela. O carro foi ruim mesmo, mas pode eventualmente brigar com Ferrari e Red Bull. Olho neles.

Antes dos palpites tortos, eu aviso que o textinho aqui saiu um pouco grande porque é início da temporada. A partir do GP da Malásia, voltam ao tamanho padrão de 2010. Além disso, os números da F1 estão de volta e devem ser postados aqui na terça-feira depois de cada GP. São imperdíveis. Indo aos palpites genialmente furados. Vettel vence, seguido por Alonso e Massa. Mas a minha torcida vai para o Schumacher.

O substituto de Kubica na Renault

fevereiro 6, 2011
Renault R31

O cockpit do Renault R31 de Robert Kubica está vazio e a equipe francesa precisa escolher alguém rápido

Durante todo o domingo, dia 6, enquanto Robert Kubica passava por uma cirurgia de sete horas de duração – em decorrência de um grave acidente sofrido em um rali na Itália  – para que não tivesse a mão direita amputada, as discussões sobre um possível substituto do polonês para a temporada 2011 da F1 eram travadas em fóruns e redes sociais por toda internet.

Não há nada der errado com isso, na verdade. A própria Renault tem noção que com o polonês vetado para o resto do ano, na melhor das hipóteses, o substituto terá que ser anunciado o quanto antes para que ele possa participar dos treinos já em Jerez nesta semana. Só que enquanto os debates sobre um eventual substituto eram travados, alguns fãs comemoravam de forma velada a batida de Kubica, já que ela abre espaço para Bruno Senna na Lotus Renault. Atitude a qual, gerou muita revolta e reclamação.

Só que para piorar a situação, os cegos seguidores de Bruno Senna precisam encarar a realidade. O brasileiro é só uma das quatro opções que a Renault terá. Apresentarei as quatro aqui e falarei motivos prós e contra das respectivas escolhas.

1) Nick Heidfeld – sim! O alemão da Sauber está mais uma vez desempregado. Na realidade, Heidfeld é a escolha óbvia e eu ficarei muito surpreso se não for ele o agraciado com a vaga. Explico. Todo mundo sabe que a Renault estava aos frangalhos, ano passado, pelas consequências do Cingapuragate. Só que eles acabaram montando um carro muito bom para uma temporada em que esperavam brigar para ser apenas a quinta força da F1. Porém, graças a Kubica, o time francês finalizou o ano incomodando a Mercedes pelo quarto posto e ainda sendo o/um dos times dominantes  em algumas pistas, como em Mônaco, por exemplo.

Com o dinheiro da Lotus Group, a ideia era que Kubica mais uma vez liderasse o time  e, pela grana extra, pudesse brigar pelas vitórias ocasionalmente. Sem o polonês, o time anglo-francês, se optar pela lógica, vai chamar Heidfeld. Primeiro porque o alemão só tomou tempo do antigo companheiro de BMW Sauber, em 2008, em um ano que ainda assim o desempenho de Nick não pode ser chamado de  ruim. E segundo, ele é o único com cacife para liderar a equipe e segurar a barra depois de um início de ano cheio de expectativa – graças ao escapamento novo e a liderança no último treino em Valência -, mas com um baita tropeço. Experiente, rápido e consistente, Nick Heidfeld, portanto, é o favorito na minha opinião.

Nick Heidfeld

Nick Heidfeld é o favorito à vaga de Robert Kubica, na opinião deste blog

2) Nico Hulkenberg – Mais um alemão. Sem dúvidas, Hulkenberg é o piloto que mais se parece com Kubica entre os disponíveis. Muito rápido, agressivo, arrojado e surpreendendo desde a temporada de estreia na categoria, foi uma pena Hulk ter ficado sem vaga em 2011. Algo que pode ser consertado tardiamente. Só que fazendo uma análise seca, o ano de 2010 do antigo piloto da Williams não foi tão diferente do de Vitaly Petrov, tanto é que o russo terminou o campeonato com mais pontos.

Assim, talvez Nico não esteja preparado para assumir a função de líder da equipe. O piloto – que tenta iniciar um segundo ano na categoria – ainda precisa mostrar uma consistência maior que a exibida na temporada de estreia. Depois, nada garante que na Renault ele possa repetir o desempenho de A1GP e ART Grand Prix. Em termos de  investimento a longo prazo é o melhor nome, já quanto a garantia de resultados imediatos, não seria a minha escolha.

3) Bruno Senna - Para falar a verdade, Senna só é favorito à vaga pois o chefe de equipe da Renault, Eric Boullier, afirmou que ele seria o reserva do time ao longo do ano e substituiria um dos titulares caso houvesse necessidade. Vejam bem, a ideia era caso fosse necessário ao longo do ano. Antes do campeonato começar, muda tudo, já que as equipes ainda podem oferecer quilometragem suficiente a qualquer contratado.

Vamos tomar como exemplo o Real Madrid, no futebol. O time espanhol perdeu o atacante Gonzalo Higuaín machucado até o final da temporada. O técnico José Mourinho poderia ter colocado algum jogador reserva, como o francês Karim Benzema, para ser titular até o argentino se recuperar. No entanto, o selecionador optou por contratar outro jogador – Adebayor – para cumprir a função, enquanto Benzema mantém o status de reserva. Não dúvido que isso aconteça com Bruno Senna.

A vantagem do brasileiro é justamente o sobrenome. Como a Lotus Group – de Dany Bahar – quer cada vez mais ser lembrada como a Lotus “verdadeira”, seria interessante para eles colocarem o brasileiro para correr a exemplo do tio. Se os resultados não vierem, paciência, mas o marketing terá sido feito com enorme sucesso. Acho que a pressão do patrocinador é o principal trunfo do brasileiro para a vaga.

Romain Grosjean

Seria legal demais ver na F1 alguém conseguir salvar a carreira igual fez Romain Grosjean

4) Romain Grosjean – Se tem um cara que só se fod…. é Grosjean. O francês deixou a Renault no final de 2009 pelas portas dos fundos e foi correr no quase obscuro FIA GT1 e na realmente tenebrosa AutoGP para conseguir dar um rumo à carreira. Ele fez com tamanha maestria e profissionalismo que, em menos de um ano, retornou à GP2 e ao cargo de piloto reserva do time gaulês.

Se preparando para correr a GP2 e lutar pelo título, Grosjean pode receber o convite da Renault para mais uma vez assumir a vaga de titular. A exemplo de 2009, ele vai estar querimando uma série de etapas caso aceite, o que pode comprometer o desempenho no campeonato. E falhar novamente em mostrar talento na F1 eliminará qualquer chances do piloto em seguir na categoria. Por outro lado, caso recuse a vaga, talvez o francês nunca mais tenha a mesma oportunidade.

O profissionalismo de Grosjean e a forma com que ele resgatou a carreria deveria servir de exemplo para muito piloto por aí, incluindo brasileiros. Por isso, eu gostaria muito que ele voltasse à F1, mas acho que esta não é a hora certa. O trunfo de Romain Grosjean é ser o preferido entre os pilotos da carta da Genii, dona do time.

Como visto, a Renault tem quatro boas opções para escolher quem vai entrar na F1 no lugar de Robert Kubica. Independente do escolhido, acho que a categoria tem tudo a ganhar com a decisão. No entanto, vale ressaltar que a escolha do time francês precisa ser feita o quanto antes para que o novo titular possa se adaptar ao carro e ganhar quilometragem nos testes restantes de pré-temporada a fim de se preparar para o campeonato 2011 da F1.

Klien e Heidfeld retornam à F1

setembro 24, 2010

BMW Sauber

Nick Heidfeld e Christian Klien (a esquerda) faziam parte da BMW Sauber que deixou a F1 no final de 2009. Os dois só conseguiram retornar à categoria neste final de semana

Um dos assuntos do final de semana era o retorno de Nick Heidfeld à categoria. O alemão sofreu para conseguir voltar a correr. Passou pela Mercedes, mas sequer entrou no carro, foi para a Pirelli, apenas testou, então foi chamado pela Sauber e finalmente pôde participar de um Grande Prêmio. Mais sorte teve Christian Klien. O austríaco, por acaso, estava em Cingapura quando Sakon Yamamoto supostamente comeu comida estragada e teve um dia de rei na cidade-estado asiática.

Klien é o piloto reserva da Hispania, por isso substituiu Yamamoto. Depois de quatro anos sem correr, o ex-piloto de Jaguar e Red Bull ficou 0s8 atrás de Bruno Senna, mas se mostrou feliz por ter uma chance na F1.

Os dois ex-companheiros de BMW Sauber – quando Klien era reserva – ganharam uma oportunidade de tentar permanecer na F1. Só que o alemão sabe que as vagas na categoria para 2011 são escassas e o nome dele não é prioridade em nenhum time. Já o austríaco não era mais mencionado em vaga alguma e ganhou uma última chance de mostrar algo. Sem um grande patrocinador, Klien não pode garantir uma nova empreitada paga, como faz Yamamoto. Buscando algo para o próximo ano, o GP de Cingapura ganhou ares de decisão para os dois.

Falando em Yamamoto, Adam Cooper que cobre a F1 para o canal Speed garante que o japônes não teve intoxicaçaõ alimentar alguma. Diz ele que um amigo vindo da Terra do Sol Nascente afirmou que Yamamoto está no hotel, saudável, e foi apenas sacado pelo time, assim como Bruno Senna fora na Inglaterra. Vale lembrar que o brasileiro ficou de fora por um suposto e-mail falando mal do carro e com colagem – sem querer – para o chefe. E-mail errado e intoxicação alimentar. Os motivos da Hispania são cada vez mais inusitados

Para finalizar, existe a possibilidade de chuva para a corrida. A Champ Car tentou correr em Surfers Paradise em um temporal. O resultado você vê no vídeo abaixo, como uma prévia para o GP de Cingapura.


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