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Vitória de Scott Speed em Foz do Iguaçu

abril 15, 2013
Scott Speed venceu os X Games de Foz do Iguaçu na última curva

Scott Speed venceu os X Games de Foz do Iguaçu na última curva

Nunca pensei que fosse escrever um texto sobre uma vitória de Scott Speed aqui no Brasil, mas isso aconteceu neste domingo, dia 21. O ex-piloto da F1 participou da etapa do RallyCross dos X Games, em Foz do Iguaçu, e mesmo estreando na competição garantiu o X de ouro ao desbancar nomes como Buddy Rice, Nelsinho Piquet, Ken Block e Travis Pastrana.

Durante todo o fim de semana, o americano foi o piloto dominante. Ele já havia marcado o melhor tempo na classificação e foi um dos poucos a conseguir ultrapassar durante as baterias preliminares. Na decisão, Speed travou um bom duelo contra Toomas Heineken Heikkinen para terminar com a vitória.

Antes de a corrida ser interrompida por um problema de Ken Block, o americano, mesmo com o carro aos pedaços, perseguia ferozmente o finlandês. Quando a prova foi liberada, o ex-piloto da Red Bull manteve a pressão, mas guardou uma carta na manga para o final.

É que todos os competidores tinham direito a passar pelo ‘Joker Lane’ – um atalho na pista – uma vez por corrida. Enquanto Heikkinen usou a traçado extra para ganhar vantagem nas voltas iniciais, o americano guardou o trunfo para a última volta, quando conseguiu ultrapassar o adversário, graças a um erro do piloto, que espalhou na tangência.

Com isso, Speed garantiu o X de ouro, seguido por Toomas Heikkinen e Patrik Sandell. Nelsinho Piquet, por outro lado, teve uma estreia complicada em Foz do Iguaçu. O brasileiro havia marcado o quarto tempo na tomada de tempos, mas acabou cometendo um erro amador, mas completamente compreensível na primeira bateria.

O pódio em Foz

O pódio em Foz

Quando foi dada a largada, talvez acostumado com a F1, Nelsinho acelerou assim que as luzes vermelhas se apagaram. O problema é que no RallyCross é necessário esperar as luzes verdes acenderem. Por isso, o brasileiro acabou punido com um stop-and-go e foi apenas o terceiro na bateria, sendo que os dois melhores avançavam à decisão. Na repescagem, o piloto da Turner voltou a terminar em terceiro, sendo eliminado.

Mesmo sem um representante do país na final, a última corrida foi bastante interessante. Infelizmente, um acidente logo na largada acabou eliminando Block, Pastrana e Tanner Foust da corrida. O piloto do WRC até conseguiu continuar na prova, mas como ficou com o carro parado no meio do circuito a direção acabou acionando a bandeira vermelha. Por fim, Speed mostrou que era, sim, possível ultrapassar no circuito de Foz do Iguaçu e venceu.

Dito isso, há alguns pontos interessantes desse primeiro round da competição. Por exemplo, a organização dos X Games acertou em convidar mais pilotos de verdade para a disputa do RallyCross. Em muitos eventos do ano passado, atletas de outras modalidades – vindos das motos, do skate, dos patins e das BMX – acabavam chamados para correr. É claro que eles faziam sucesso diante do público deles, mas acabavam nivelando a competição por baixo.

Dessa vez, fora esses competidores, houve a presença de vários pilotos. Além de Nelsinho e Speed, nomes como Buddy Rice (Indy), Steve Arpin (Nascar) e Maurício Neves (Dakar e rali) também estiveram concorrendo. Não que as corridas tenham sido ótimas, mas a presença desses competidores fez com que houvesse um suspense até a última curva.

A largada da corrida decisiva. Pena que a maioria não passou da primeira curva...

A largada da corrida decisiva. Pena que a maioria não passou da primeira curva…

De negativo fica a construção da pista de Foz. Como ela era formada quase que 100% na terra, os pilotos praticamente não tinham aderência para fazer ultrapassagens. Para isso, eles só ganhavam posições se um adversário errasse ou fazendo uso da Joker Lane. Eu não sei se ambientalmente falando, a organização dos X Games podia asfaltar alguma parte ali, mas se o evento retornar ao Brasil no próximo ano seria interessante estudar o uso de alguma estrada da região para montar parte da pista.

Outro problema foi a própria terra. Segundo a transmissão oficial, os organizadores não contavam com a terra vermelha de Foz do Iguaçu e logo perceberam que a poeira levantada pelos carros era exagerada. Eles fizeram o possível para contornar a situação, mas em alguns momentos era impossível ver o que se passava na pista, mesmo com todo o auxílio da televisão. Novamente, se houvesse um trecho de asfalto, esse problema seria minimizado.

Mesmo com essas falhas, acho que o RallyCross no Brasil foi um evento divertido para quem conseguiu assistir em meio a tanta poeira.

Para conferir como foi a bateria decisiva, com a vitória de Scott Speed, basta ver o vídeo abaixo:

Guia da Nascar Nationwide Series 2013

fevereiro 12, 2013
Quem vai terminar o ano com a taça de campeão da Nationwide?

Quem vai terminar o ano com a taça de campeão da Nationwide?

Das três principais divisões da Nascar, acho a Nationwide a mais sem graça, principalmente por causa da presença massiva de pilotos da Sprint Cup. Basta ver a corrida deste sábado, dia 23, em Daytona, onde o atual campeão da divisão principal – Brad Keselowski – dividiu a pista com um bando de novatos como Juan Carlos Blum, Alex Bowman e Hal Martin.

Em um primeiro momento, até parece algo legal, e a própria Nascar defende essa mistura ao dizer que é uma oportunidade de os estreantes aprenderem com os melhores pilotos da categoria. Porém, a verdade é que isso destrói qualquer tipo de competitividade. Antes mesmo de as corridas começarem, já sabemos quem vai ganhar. A menos que aconteça algum acidente ou problema mecânico, será um piloto da Sprint Cup que vai comemorar no Victory Lane. Basta ver as nove vitórias de Joey Logano – que nem é um piloto top ainda – no ano passado para comprovar.

Por isso, as equipes entenderam que a única chance de terem sucesso na Nationwide é apostar em veteranos. Assim, desde que a Nascar obrigou os pilotos a somarem pontos em apenas um campeonato, no início de 2011, os times de ponta tem mesclado jovens talentos com nomes que não deram certo na Cup para continuarem com chances de lutar por vitórias e pela taça.

Em 2013, não será diferente. Antes famosíssima por dar chances a jovens pilotos, a equipe de Joe Gibbs investiu pesado para o novo campeonato. Trouxe Elliott Sadler, que estava na RCR, e Brian Vickers para comandar seus carros. Além disso, o time também terá Kyle Busch (que não soma pontos na Nationwide) nas etapas em que as duas principais divisões da Nascar dividirem a mesma pista.

Outra equipe que seguiu a aposta em um veterano foi a JR Motorsports. Desde que perdeu Aric Almirola, Dale Earnhardt Jr. já afirmava que precisava de alguém com experiência na Cup para ter sucesso na Nationwide. Depois de conseguir poucos resultados com os inexperientes Danica Patrick e Cole Whitt no ano passado, a equipe acertou com Regan Smith, que perdeu a vaga na Nascar para Kurt Busch.

É complicado nãover o carro de Travis Pastrana na pista

É complicado nãover o carro de Travis Pastrana na pista

Até mesmo os times menores abusam dos veteranos. A Key Motosport – conhecida por inscrever quatro carros, sendo que três fazem o start-and-park para que um possa correr – terá Reed Sorenson neste ano. Já a JD segue apostando em Mike Wallace, como já havia acontecido nas últimas temporadas.

A lista de pilotos experientes ainda conta com quem tenta dar os primeiros passos na Sprint Cup. A Penske, por exemplo, mais uma vez terá Sam Hornish Jr. O megacampeão da Indy ainda não conseguiu se firmar correndo com carros de turismo e pelo segundo ano consecutivo vai brigar pelo título da Nationwide. No ano passado, ele até que foi bem e em um breve momento pareceu que ia ser um candidato real, mas acabou ficando para trás nas etapas decisivas.

Outro que tenta se firmar na categoria principal, mas competirá na divisão de acesso neste ano é Trevor Bayne. Desde 2011 o americano compete apenas em algumas provas da Sprint Cup pela equipe Wood Brothers, que não tem orçamento para participar da temporada completa. Nesse tempo, ele conseguiu alguns bons resultados – como a vitória na Daytona 500 –, mas também viu Ricky Stenhouse Jr ganhar espaço na Roush-Fenway e assumir a vaga aberta por Matt Kenseth após dois títulos na Nationwide.

É justamente apostando em repetir o companheiro de equipe, que Bayne assume o carro número 6 da Roush-Fenway neste ano e começa a divisão de acesso como um dos favoritos ao título.

Também forte candidato a terminar com a taça é Austin Dillon. Mesmo sendo novato, o neto de Richard Childress brigou pelo título na temporada passada e agora, mais experiente, tem todas as condições de fechar o ano na primeira colocação.

Brian Scott tem a chance de deixar de ser uma eterna promessa da Nascar

Brian Scott tem a chance de deixar de ser uma eterna promessa da Nascar

Há ainda dois pilotos que já estão há algum tempo na categoria e precisam correr contra o tempo para fugirem do estigma de eterna promessa. Falo de Brian Scott e Justin Allgaier. No ano passado, Scott começou o campeonato falando que precisava terminar todas as corridas na oitava colocação se quisesse ser campeão. Apesar disso, fechou apenas 11 das 33 etapas entre os dez primeiros e acumulou sete abandonos, o que o relegou à nona posição na tabela, atrás de Mike Bliss, da fraca TriStar, por exemplo.

Allgaier, por sua vez, foi um pouco melhor e completou 2012 em sexto. No entanto, é pouco para quem havia sido terceiro três anos atrás e surgiu como uma das grandes esperanças da Penske para o futuro. ao ser campeão da Arca em uma geração que também contou com Ricky Stenhouse Jr, Scott Speed e… John Wes Townley.

Nesse duelo de quase veteranos, é claro que ainda é cedo para falar qualquer coisa, mas Scott tem mais chance de chegar à Sprint Cup. Isso porque além de ele competir com um equipamento melhor – RCR – ainda conta com um grande apoio financeiro da família. Outro piloto que está em uma situação semelhante é Michael Annett, da RPM.

Apesar do patrocínio familiar da rede de restaurantes Pilot, Annett foi uma das gratas surpresas da Nationwide em 2012, quando somou 17 top-10 e o quinto lugar na tabela de pontos. Um melhor desempenho neste ano, e a dificuldade do time de Richard Petty em arrumar investidores para Aric Almirola pode significar uma chance na categoria de cima em breve.

Nelsinho Piquet tem chances apenas em circuitos mistos praticamente

Nelsinho Piquet tem chances apenas em circuitos mistos praticamente

Agora que todos os possíveis candidatos ao título foram apresentados, vamos falar a verdade, o grande atrativo da Nationwide em 2013, ao menos para nós brasileiros, é a presença de Nelsinho Piquet. O ex-piloto de F1 renovou o contrato com a Turner para disputar a divisão de acesso pelo mesmo time que venceu duas corridas na Truck Series no ano passado.

Só que a situação é bastante diferente neste ano. Tirando as etapas em circuito misto, onde pode ser considerado um dos favoritos, Nelsinho não deve ter muitas chances de bons resultados. O problema é que o equipamento da Turner não é de ponta, e o brasileiro já começa o ano atrás dos adversários. Isso sem falar em toda a inexperiência na categoria.

Um bom parâmetro para Nelsinho já seria terminar na frente na disputa de Novato do Ano contra o badalado Kyle Larson – atual campeão de Nascar East e também da Turner –, Alex Bowman e Travis Pastrana, além de Parker Kligerman, que apesar de não ser um novato na categoria também está fazendo a transição da Truck Series nesta temporada.

Kyle Larson é um cara legal. Aí está ele levado um pedaço do carro batido para passear

Kyle Larson é um cara legal. Aí está ele levado um pedaço do carro batido para passear

No geral, fazia tempo que a Nationwide não tinha um grid com tanta qualidade. Apesar disso, o que deve acontecer em 2013 são batalhas separadas. Um duelo na parte da frente entre os pilotos da Sprint Cup, um mais atrás contando com os veteranos da categoria e um com os novatos. O que é pior para os menos experientes, que podem não alcançar os resultados esperados pelos patrocinadores/donos de equipe e sendo obrigados a voltarem para casa mais cedo.

Um último destaque da Nationwide neste ano é a estreia do Camaro como carro da Chevrolet. Acho que geralmente os modelos dessa montadora não têm a mesma personalidade que as adversárias, então essa é uma boa chance de mudar isso.

Indo à parte burocrática: clique aqui para ver a lista de pilotos confirmados. As especificações técnicas estão aqui e o calendário de provas pode ser encontrado aqui.

P.S.2: Clique aqui para ver o guia da Nascar Camping World Truck Series

P.S.3: O jogo do Ho-Pin Tung na F1 pode ser encontrado aqui. Dica: antes de clicar, desligue o som se você estiver no trabalho.

Legado

janeiro 30, 2013
Essa talvez seja a foto mais emblemática da história da F1

Essa talvez seja a foto mais emblemática da história da F1

Uma das fotos mais importantes da história da F1 foi batida em 1986, na ocasião do GP de Portugal. A corrida do Estoril era a antepenúltima etapa daquele ano e tinha quatro pilotos na disputa pelo título. Aproveitando a batalha, Bernie Ecclestone juntou os quatro concorrentes, Ayrton Senna, Alain Prost, Nigel Mansell e Nelson Piquet no pit-wall do circuito para que a histórica imagem fosse feita.

Naquele momento, Mansell era o líder do campeonato, com 61 pontos, seguido por Piquet, Prost e Senna. Porém, quem terminou na frente foi o piloto francês, que venceu uma prova e acumulou dois segundos lugares nas últimas três etapas.

A importância da foto, no entanto, não se resumiu apenas à temporada de 1986. Para você ter uma ideia, desde que Ayrton Senna estreou na F1, em 1984, apenas naquele ano nenhum dos quatro foi campeão. O vencedor acabaria sendo Niki Lauda, que superou Prost por apenas 0,5 ponto. Para compensar, Nelson Piquet já tinha conquistado dois títulos mundiais.

A partir daí, a F1 foi dominada pelo quarteto. Senna foi tri, Prost conquistou o tetra, Mansell venceu em 1992 e Piquet levou mais uma taça para casa. O domínio só terminou em 1994, quando Ayrton morreu, Mansell já estava na Indy e os outros dois se aposentaram.

Mas é claro que o legado deles continuou na categoria. Piquet, Prost e Mansell tiveram filhos que militaram pelos campeonatos de base do esporte a motor. Senna, obviamente, não. Mas todo mundo sabe que o brasileiro inspirou o sobrinho Bruno, que recentemente trocou a F1 pelo Mundial de Endurance (WEC), onde vai disputar o campeonato pela equipe de fábrica da Aston Martin.

Curiosamente, Bruno não é o único, digamos, descendente que viu nas corridas de longa duração a oportunidade de continuar a carreira. No WEC, o sobrinho de Ayrton vai encontrar Nicolas Prost, filho do tetracampeão francês.

Nicolas Prost corre pela Rebellion no WEC

Nicolas Prost corre pela Rebellion no WEC

O piloto de 31 anos começou tarde no automobilismo, mas conseguiu alguns bons resultados nas categorias de base, como o terceiro lugar na F3 Espanhola e o título da F3000 Europeia (hoje AutoGP), quando correu contra Luiz Razia. Apesar disso, ele não encontrou uma vaga na F1 e passou a se dedicar ao endurance, onde compete pela Rebellion, melhor equipe da divisão LMP1, sem ser os protótipos de fábrica.

A prole de Mansell também não foi capaz de repetir o sucesso do pai. Durante anos, Leo e Greg Mansell militaram nas categorias de base, mas sem resultados expressivos. Com isso, o pai Nigel decidiu que estava na hora de levá-los às corridas de longa duração e para isso comprou uma equipe – a Beechdean – para que os dois competissem em 2010.

A tática até que deu certo, e os irmãos Mansell venceram a etapa de Hungaroring da Le Mans Series, quando o poderoso Peugeot da Oreca teve problemas mecânicos. No ano seguinte, os dois foram chamados pela Lotus para competir na Blancpain Endurance Series. Ao lado do italiano Edoardo Piscopo, os resultados até que foram bons, e o trio conquistou duas vitórias na classe GT4 em cinco corridas.

Apesar desse sucesso razoável, o grande momento dos Mansell no endurance veio na edição de 2010 das 24 Horas de Le Mans. Naquela prova, Nigel se juntou aos dois filhos para competir em família pela primeira vez na carreira. O problema é que o veterano estava fora de forma e se acidentou ainda na quarta volta da prova, forçando o abandono do time. Depois disso, Greg passou a se dedicar ao ciclismo, enquanto Leo continua sendo filho de Mansell.

No caso dos britânicos, por serem irmãos, isso certamente prejudicou a carreira. Durante muito tempo, os dois garotos competiram na mesma categoria e até pela mesma equipe. O problema é que, como acontece com qualquer atleta, o desenvolvimento de cada um foi diferente. Mesmo mais jovem, Greg se mostrou mais talentoso, mas precisou seguir o irmão por aí. No fim, quando se separaram, o caçula ainda chegou a correr na World Series by Renault, mas não teve sucesso. Outro problema de ter um irmão no automobilismo é que os custos são multiplicados por dois.

A experiência dos Mansell em Le Mans foi tragicômica

A experiência dos Mansell em Le Mans foi tragicômica

Por fim, chegamos a Nelsinho Piquet. De forma curiosa, a experiência do piloto erradicado em Brasília nas corridas de longa duração veio antes de ele chegar à F1. Em 2006, foi convidado para correr em Le Mans, fechando com a quarta colocação na categoria GT1 pilotando um Aston Martin – que coincidência, não? – ao lado de David Brabham e Antonio Garcia. Esse ano, ele voltou às corridas de 24, em Daytona, com Felipe Nasr e Christian Fittipaldi.

Concluindo, não é nenhuma coincidência que quatro dos cinco descendentes dos campeões terem optado pelo endurance, ao invés do DTM, Nascar ou campeonatos semelhantes. A primeira justificativa para isso é óbvia. Há mais vagas nas corridas de longa duração. Em Le Mans, por exemplo, competem 56 trios, ou 168 pilotos. Muito mais que os 22 do DTM ou os 43 da Nascar.

Outro motivo é o desenvolvimento técnico. As equipes da LMP1 só perdem para F1 em termos de estrutura e espaço para trabalhar no carro, incluindo compostos para serem usados nos veículos de rua. Por isso, é natural que haja um investimento muito maior das montadoras nesse tipo de categoria. E se tem a fábrica colocando dinheiro, então as escuderias podem ir atrás de quem quiser.

Para ficar claro, não estou dizendo que o endurance é melhor que o DTM ou a Nascar. Pelo contrário, são categorias distintas com foco diferente. E a carreira de Nelsinho Piquet resume bem isso. Basta ver todo o esforço que ele está tendo para chegar à Sprint Cup da Nascar, enquanto pôde correr em Le Mans quando ainda estava na GP2.

O Aston Martin de Nelsinho

O Aston Martin de Nelsinho

Reformulação na Turner Motorsports

janeiro 12, 2013
Dylan Kwasniewski é a grande contratação da Turner para 2013

Dylan Kwasniewski é a grande contratação da Turner para 2013

Depois de trabalhar com sucesso no desenvolvimento de pilotos como Nelsinho Piquet, James Buescher, Miguel Paludo e Brad Sweet, a Turner Motorsport (agora chamada de Turner Scott) está cada vez mais disposta em investir no automobilismo de base da Nascar.

Além de alinhar na Nationwide e na Truck Series, a escuderia anunciou nesta quarta-feira, dia 16, que vai entrar na Nascar East na próxima temporada, inscrevendo nada menos que cinco carros.

A cereja do bolo foi a contratação de Dylan Kwasniewski, atual campeão da Nascar West e que vinha sendo disputado a tapas entre as escuderias. Ele chegou a acertar com a Gibbs para fazer algumas etapas ainda em 2012, mas acabou preferindo se mudar para a Turner na nova temporada.

Além de Kwasniewski, o time montou um plantel estelar contando também com Austin Dyne (Rookie of the Year da Nascar West em 2012), Kenzie Ruston (pilota mais popular de Late Models no último ano), Brandon Jones (de apenas 15 anos) e Ben Rhodes (esse já estava na Nascar East).

Kenzie Ruston é um bom motivo para assistir às corridas

Kenzie Ruston é um bom motivo para assistir às corridas

Mas o que isso tudo significa? Afinal, ninguém faz um investimento de cinco carros e trazer a peso de ouro um piloto badalado como Kwasniewski por acaso. Significa que para a Turner a geração de Piquet, Paludo, Buescher, Sweet, Jason Leffler, Justin Allgaier e etc. já deu o que tinha que dar.

Buescher foi campeão da Truck em 2012, Piquet terminou em sétimo e deve continuar na equipe na Nationwide – ao lado de Justin Allgaier –, enquanto Leffler e Sweet já deixaram o time.

Isso não quer dizer, porém, que a atual geração vá deixar a equipe neste momento ou ser boicotada. Mas a escuderia tem noção que Piquet dificilmente vá ficar por lá em 2014 se quiser buscar o título da Nationwide e em algum momento Buescher vai precisar deixar a equipe do sogro se quiser seguir carreira rumo à Sprint Cup.

Quanto a Paludo, se ele permanecer no time ou não, não é algo que vá mudar esse planejamento. Assim, trazer os cinco jovens talentos é uma forma de deixar as bases acertadas pensando já no próximo passo da equipe.

O interessante agora vai ser ver como os cinco garotos vão se sair na Nascar East. Quando uma equipe faz um investimento desse tamanho, naturalmente a pressão por resultados é muito maior. Levando em conta que o grid da categoria está cada ano mais competitivo, a chance de termos boas corridas – e algumas bem quentes – são ainda maiores.

A estreia de Kwasniewski na Turner acontece durante a Speedweeks, em Daytona, quando ele vai participar da Battle of the Beach.

Nome de campeão

janeiro 5, 2013
Será que o nome é fundamental para decidir o sucesso de um piloto?

Será que o nome é fundamental para decidir o sucesso de um piloto?

Emerson, Nelson e Ayrton. Os únicos brasileiros campeões da F1 até hoje tinham uma coincidência em seus nomes: eles terminavam com as letras ‘ON’. Por causa disso, talvez você já tenha ouvido por aí que a falta de títulos do país no principal campeonato do automobilismo mundial é justamente por causa do nome de seus representantes.

Assim, para os supersticiosos, como mais nenhum ‘ON’ chegou à F1, evidentemente não tivemos mais campeões. Ou seja, vai ver que se o piloto da Ferrari se chamasse Felipon Massa ele teria ganhado aquela decisão de Interlagos, em 2008, quando Lewis Hamilton ultrapassou Timo Glock nas últimas curvas para ficar com a taça.

Brincadeira à parte, vamos supor que essa questão de nome realmente esteja correta, e o Brasil só vai voltar a triunfar na F1 quando tivermos um piloto terminado em ‘ON’. Será que há alguma chance de isso acontecer em breve?

Bom, se você é supersticioso, trago uma péssima notícia. Nas categorias de base, até onde eu consigo lembrar, não há nenhum representante brasileiro com esse nome.

Para piorar um pouco, fiz um levantamento entre os kartistas, e a situação não é muito melhor. Para isso, peguei a lista de inscritos das oito edições do Super Kart Brasil e fui ver se por lá tem alguém com o ‘ON’ no fim do nome.

Talvez Johilton Pavlak tenha sido a última esperança de título do Brasil

Talvez Johilton Pavlak tenha sido a última esperança de título do Brasil

Antes de falar do resultado, explico por que escolhi o SKB. Como esse campeonato acontece mais de uma vez por ano, a chance de algum piloto ter participado dele é maior. Eu precisava ter uma base para fazer o levantamento e por isso optei esse torneio, mas nada me impediria de usar, por exemplo, o Campeonato Brasileiro, a Copa das Federações ou a Copa Pé de Chumbo.

Dito isso, encontrei três ‘ON’s que participaram do SKB. O primeiro deles foi o próprio Nelsinho Piquet, que até já teve uma passagem pela F1. Mas como ele saiu do campeonato de maneira atribulada e já declarou que o futuro está na Nascar, não acredito em um eventual retorno, quanto mais em título.

O segundo piloto é Edilson Santiago, que disputou a categoria Super Sênior em uma das edições. O problema é que nessa divisão os competidores têm mais de 35 anos, então já é tarde para pensar em fazer carreira rumo à F1.

Por fim, há um Wilson Jr, que participou da quarta edição do SKB, em Registro, na categoria Graduados. Na ocasião ele não foi muito bem ao terminar em 13º entre os 15 participantes. Não sei o que aconteceu com ele depois disso, mas um piloto de mesmo nome disputou três etapas da Copa Montana, em 2011, abandonando todas. Só não sei dizer se é a mesma pessoa.

Com isso, podemos concluir que estamos perdidos se depender da questão nominal.

Mas ainda há esperança. Antes de ser extinta, a F-Futuro teve um piloto chamado Johilton Pavlak. O representante do Rio Grande do Norte disputou 18 corridas, conquistou uma vitória, mas parou de correr por ter ficado sem patrocínio.

Outra opção é apostarmos em Ólin Galli, que é considerado uma das principais promessas do esporte a motor brasileiro, após ter conquistado bons resultados no kartismo. Assim, ele só precisa mudar o nome para On Galli e certamente se tornará favorito absoluto a tudo o que disputar.

UPDATE: Como lembrado pela Bruna Lira no Twitter, há um piloto no Sul chamado Ramon Matias, que até chegou a disputar algumas etapas da F3 Sudamericana em 2012. No entanto, também se trata de um veterano, com uma longa passagem pelo automobilismo do RS, tendo vencido duas vezes o título da F-Gaúcha 1.6. Talvez no caso dele ainda dê tempo de chegar a F1. Vai saber…

Os melhores de 2012

dezembro 31, 2012
Sebastian Vettel voltou a mostrar, em 2012, porque é o melhor piloto da F1 na atualidade

Sebastian Vettel voltou a mostrar, em 2012, porque é o melhor piloto da F1 na atualidade

O último post de 2012 no World of Motorsport não é bem uma retrospectiva. É mais uma daquelas listas que elege os melhores da temporada. Para isso, peguei os mesmos quesitos do site Driver Database e comento aqui os meus vencedores, não só me limitando aos pilotos selecionados por eles. Além disso, em todas as categorias também entra um prêmio – digamos assim – para o melhor brasileiro. Vamos aos eleitos!

Johan Kristoffersson foi tão bem pela Audi, que chegou a ser pedido no DTM pelos torcedores

Johan Kristoffersson foi tão bem pela Audi, que chegou a ser pedido no DTM pelos torcedores

Revelação do ano: Johan Kristoffersson. Eu gosto de começar essa lista pelas revelações porque geralmente é um piloto pouco conhecido, mas dono de uma história muito boa. Em 2012, não foi diferente. O sueco Kristoffersson, de 24 anos, mostrou neste ano que pode se tornar um dos melhores pilotos de turismo da atualidade, quem sabe até mesmo se tornar um sucessor de Mattias Ekström.

Este ano, o sueco disputou três campeonatos: a Superstars Series (o principal campeonato de turismo da Itália), o Campeonato Escandinavo de Carros de Turismo (STCC) e a Porsche Cup da Escandinávia. Ganhou todos. Foram 42 corridas, com 17 vitórias, 27 pódios e nove pole-position. Para isso, derrotou nomes como Johnny Herbert, Vitantonio Liuzzi e Rickard Rydell.

Esse bom desempenho chamou a atenção da Audi, que o levou para participar de um treino do DTM no início do mês. No entanto, o piloto parece não ter agradado à montadora das quatro argolas e já anunciou que não negocia para participar do campeonato alemão, ao menos em 2013.

O principal problema para Kristoffersson é que assim como o surgimento foi muito rápido ele corre o risco de voltar a desaparecer no próximo ano. Resta saber se conseguirá aproveitar a boa fase e fechar alguns contratos vantajosos enquanto está em evidência.

No Brasil: Gabriel Casagrande. Dos muitos jovens pilotos que fizeram a transição para o automobilismo europeu de base em 2012, o paranaense não era um dos mais badalados. Pelo contrário, competindo pela equipe de Mark Burdett e enfrentando o encerramento das atividades da F-Renault UK, Casagrande tinha tudo para que os últimos 12 meses fossem jogados no lixo.

O piloto, no entanto, deu a volta por cima e se mostrou rapidamente um candidato às primeiras posições na F-Renault Norte-Europeia (NEC). Foram apenas dois pódios e uma primeira fila na largada, mas a certeza de que por uma equipe maior e sem um início de trabalho tumultuado poderia ter brigado por posições melhores.

Bruno Spengler ficou com o título do DTM ao vencer em Hockenheimring

Bruno Spengler ficou com o título do DTM ao vencer em Hockenheimring

Melhor pilotos de categorias de turismo: Bruno Spengler. Kristoffersson teve um desempenho muito bom em 2012, mas competiu por campeonatos de segundo escalão. Entre os grandes nomes do esporte a motor, Spengler foi quem levou a melhor.

Foi difícil decidir entre o piloto canadense da BMW e Brad Keselowski, da Nascar quem merecia o título aqui. Para escolher o premiado, levei em conta o que cada um fez na etapa decisiva de seus respectivos campeonatos. É verdade que Kese conquistou o título do certame americano apenas no seu terceiro ano completo na categoria, mas na corrida decisiva ele não foi bem.

O americano sofreu com uma estratégia errada nos boxes e só garantiu matematicamente a taça com o abandono de Jimmie Johnson. Mesmo assim, caso o rival tivesse continuado na prova, não havia risco de o piloto da Penske perder a taça, mas a última corrida não foi uma boa exibição.

Spengler, por outro lado, precisava vencer a etapa de Hockenheim para ficar com o título do DTM e foi justamente isso que aconteceu. O canadense segurou  Gary Paffett durante todas as últimas voltas daquela prova, para receber a bandeira quadriculada na frente e dar à BMW o primeiro título da montadora no retorno ao campeonato.

No Brasil: Nelsinho Piquet. Assim como definir o melhor piloto de turismo internacional, também foi difícil escolher um brasileiro para dar o prêmio. Afinal, além de Nelsinho, quem também um ano incrível foi Augusto Farfus, o primeiro representante do país a largar na pole e a vencer no DTM.

No entanto, Piquet teve conquistas mais expressivas em 2012, mesmo sendo um segundanista na Nascar Truck Series. O ex-piloto de F1 venceu na Nascar East, na Nationwide e duas vezes na própria Truck Series em circuitos ovais. Ele também se tornou o primeiro piloto estrangeiro a ter vencido tanto em circuito misto quanto oval na Nascar.

Sergio Sette Câmara venceu o torneio da IAME, o X30, na França

Sergio Sette Câmara venceu o torneio da IAME, o X30, na França

Melhor kartista: a definir.

No Brasil: Sérgio Sette Câmara. Em 2012, não teve um piloto de kart que tenha se destacado esmagadoramente. Nomes como Ólin Galli, Gustavo Myasava, João Vieira e até mesmo Gabriel Casagrande tiveram desempenhos muito bons, mas até mesmo pelo vasto número de torneios nacionais, não houve alguém que dominasse. Por isso, levo em conta títulos nessa hora. E Sette Câmara, correndo com chassi ART Grand Prix, venceu o mundial da fornecedora de motores IAME.

Luiz Razia fez uma etapa sensacional em Valência

Luiz Razia fez uma etapa sensacional em Valência

Surpresa do Ano: Luiz Razia. O que podemos dizer? Ninguém esperava que Luiz Razia fosse um candidato ao título da GP2, em um grid com nomes como Davide Valsecchi, Esteban Gutiérrez, Giedo van der Garde e até mesmo Felipe Nasr.

No entanto, o piloto baiano se mostrou focado durante toda a temporada e, com quatro vitórias, ficou com o vice do principal campeonato de acesso da F1. A taça só não veio porque ele acabou cometendo um erro na etapa de Monza, que acabou com qualquer chance de recuperação.

No mundo: Ryan Hunter-Reay. Aqui é preciso fazer uma inversão. Como Razia venceu o título principal de Surpresa do Ano, não faria sentido colocar mais um brasileiro. Por isso, escolho alguém que também surpreendeu em uma categoria internacional: Ryan Hunter-Reay. O americano venceu quatro vezes em 2012, bateu Will Power e se tornou o primeiro americano campeão da Indy desde Sam Hornish Jr.,em 2006.

Mesmo com os problemas, Sebastian Vettel foi campeão em Interlagos

Mesmo com os problemas, Sebastian Vettel foi campeão em Interlagos

Piloto de monopostos do ano: Sebastian Vettel. Eu gosto quando chega nessa parte da lista porque eu não preciso fazer um longo texto explicando a escolha pelo piloto alemão. Todo mundo já está cansado de saber os motivos de o piloto da Red Bull ser premiado, então eu posso ser breve aqui.

Talvez o único adversário de Vettel, em 2012, tenha sido Fernando Alonso, mas condecorar o espanhol não seria a melhor escolha. Além de ter encerrado o ano com o vice-campeonato, o piloto da Ferrari teve um desempenho pior que o de Felipe Massa nas duas últimas etapas da F1. Por isso, precisou de artimanhas da equipe italiana para ganhar posições, incluindo a do brasileiro. Portanto, não acho justo premiar um desfecho desses.

No Brasil: Luiz Razia e Helio Castroneves. Experientes em suas categorias, esses dois pilotos brigaram pelo título em 2012. Enquanto Razia foi uma surpresa na GP2, Castroneves se aproveitou do bom desempenho do carro da Penske e do motor Chevrolet para tentar desafiar Will Power e Ryan Hunter-Reay na Indy.

Com duas vitórias em 2012 – St. Pete e Edmonton –, Castroneves teve números muito parecidos com os que havia conquistado no seu auge na categoria, quando brigou pelo título nas últimas décadas. Dessa vez não deu, mas o reconhecimento está aí.

Antonio Félix da Costa dominou a World Series mesmo tendo estreado na quarta etapa

Antonio Félix da Costa dominou a World Series mesmo tendo estreado na quarta etapa

Novato do ano: António Félix da Costa. É difícil questionar o desempenho do piloto luso na World Series by Renault . Quando foi chamado para substituir Lewis Williamson no programa de jovens pilotos da Red Bull, o escocês estava na última posição do campeonato, sofrendo com um carro mal acertado, principalmente após uma pré-temporada muito mal feita.

Demorou cinco corridas para que Félix da Costa se encontrasse. Depois de um desempenho irregular nas primeiras etapas, o luso terminou em segundo lugar na corrida 2 de Silverstone. A partir daí, a história foi feita. Nas últimas cinco corridas do campeonato, o piloto venceu quatro e terminou a outra em segundo para mostrar que poderia ter disputado o título caso tivesse participado de todas as etapas da temporada.

O bom desempenho do português é ainda mais expressivo, já que a própria World Series by Renault foi vencida por um novato, Robin Frijns. No entanto, apesar de o holandês ter mostrado um desempenho excepcional, ele não teve a menor chance desde que Félix da Costa se juntou à categoria.

No Brasil: Augusto Farfus. Reconhecimento mais do que merecido para o segundo melhor piloto da BMW no DTM. ‘Ninho’, como é chamado pela esposa, conquistou duas pole-position em 2012 e se tornou o primeiro brasileiro a triunfar no certame, com a primeira colocação conquistada em Valência.

Piloto do ano: Sebastian Vettel. Acho que se havia alguma dúvida quanto ao desempenho do tricampeão da F1 em 2012 todas elas foram desfeitas com as quatro vitórias seguidas na temporada asiática e com as recuperações nos GPs de Abu Dhabi – quando largou em último – e do Brasil.

No Brasil: Nelsinho Piquet. É inegável que o ex-piloto da F1 fez história na Nascar com as conquistas de 2012. Agora é ver se ele va continuar marcando seu nome na categoria nos próximos anos.

Recapitulando:

Revelação: Johan Kristoffersson / Gabriel Casagrande
Piloto de turismo: Bruno Spengler / Nelsinho Piquet
Kartista: a definir/ Sergio Sette Câmara
Surpresa: Luiz Razia / Ryan Hunter-Reay
Piloto de monopostos: Sebastian Vettel / Luiz Razia e Helio Castroneves
Novato: António Félix da Costa/Augusto Farfus
Piloto do ano: Sebastian Vettel / Nelsinho Piquet

Concorda com a lista? E a sua, como seria?

As vitórias do Brasil em 2012

dezembro 26, 2012
A vitória de Oswaldo Negri em Daytona foi uma das mais marcantes de 2012

A vitória de Oswaldo Negri em Daytona foi uma das mais marcantes de 2012

Como já é tradição aqui no World of Motorsport, essa última semana de 2012 será destinada a uma extensa programação especial de fim de ano. Você verá uma série de posts que faz um balanço de tudo o que aconteceu na temporada, além de já adiantar um pouco o que pode acontecer em 2013.

Dito isso, todos os anos eu faço um levantamento de todas as vitórias obtidas pelos pilotos brasileiros ao longo da temporada. E esse é o assunto deste primeiro post do especial. Antes de começar, faço um aviso. Eu posso ter esquecido algum piloto ou vitória. Isso acontece e juro que não é perseguição com ninguém. Se você sentir falta de algum nome, basta me avisar nos comentários que eu corrijo.

Indo às conquistas, em 2012, os representantes do Brasil alcançaram 48 vitórias no automobilismo internacional, o que mostra uma evolução com relação ao ano passado, quando os triunfos somaram apenas 40.

Esse crescimento, claro, tem uma explicação. Nos últimos 12 meses, vários pilotos brasileiros conseguiram encerrar jejuns de vitórias. Nomes como Luiz Razia, Helio Castroneves, Bruno Junqueira, Nelsinho Piquet, Oswaldo Negri, Henrique Martins e Nicolas Costa voltaram a subir ao degrau mais alto do pódio, após alguns anos longe. Isso, aliás, foi tema de um post aqui no blog, que você pode clicar aqui para relembrar.

Nicolas Costa foi o único piloto campeão nos monopostos em 2012

Nicolas Costa foi o único piloto campeão nos monopostos em 2012

Outra coisa é que houve um desempenho positivo nas categorias de base, ainda que Costa tenha conquistado o único título do Brasil na modalidade. Dos seis pilotos que mais venceram em 2012, cinco vem dos campeonatos de base (o outro é Nelsinho Piquet), encabeçados justamente pelo campeão da F-Abarth.

O outro nome que merece destaque é o de Danilo Estrela, vice-campeão da Skip Barber de inverno. Só que vale uma observação na campanha do piloto goiano. Embora ele também tenha conquistado seis vitórias rumo ao segundo lugar, dois desses triunfos aconteceram em 2011, mas como é um campeonato bianual, que acontece nos mesmos moldes do futebol europeu, essas vitórias só foram contabilizadas agora.

Por fim, um último detalhe. As quatro vitórias de Lucas Foresti no F3 Brazil Open este ano, ao contrário de 2011, entraram como conquistas internacionais, pois dessa vez havia pilotos de outros países competindo em Interlagos. Como no ano passado foram apenas brasileiros, contei como vitórias nacionais. Agora, voltaram a ser internacionais.

Abaixo você pode conferir cada uma das vitórias internacionais em 2012, lembrando que há distinção de triunfos em categorias diferentes que dividem a mesma pista. Como é o caso das provas de endurance, com carros protótipos e GTs, por exemplos.

Nicolas Costa 6 6x F-Abarth
Danilo Estrela 6 6x Skip Barber Winter
Bruno Bonifácio 4 4x F-Abarth
Luiz Razia 4 4x GP2
Nelsinho Piquet 4 2x Truck Series, Nationwide, Nascar East
Lucas Foresti 4 Brazil Open, corrida 1,2,3 e 4
Henrique Martins 3 3x F3 Italiana
Antonio Pizzonia 2 2x Auto GP
Helio Castroneves 2 2x Indy
Pierre Kleinubing 2 2x Continental Series (categoria ST)
Pipo Derani 2 2x F3 Inglesa
João Paulo de Oliveira 2 1x F-Nippon e 1x SuperGT
Bruno Junqueira 1 1x ALMS (categoria PC)
Augusto Farfus 1 1x DTM
Alan Chanoski 1 1x Latam Challenge
Oswaldo Negri 1 1x GrandAm
Pietro Fantin 1 1x F3 Inglesa
Adriano Medeiros 1 1x Nascar EuroRacecar
Pietro Fittipaldi 1 1x Nascar AllAmerican
Cacá Bueno foi mesmo o nome a ser batido no Brasil

Cacá Bueno foi mesmo o nome a ser batido no Brasil

No Brasil, sem contar Mini Challenge, Audi DTCC e Mercedes Challenge, os pilotos brasileiros conquistaram 130 vitórias em 2012. O número foi sensivelmente menor que no ano passado, quando foram 175 triunfos em território nacional.

O culpado, digamos assim, por essa diminuição foram os campeonatos de monopostos. A F-Futuro foi extinta, enquanto a F3 Sudamericana teve um calendário reduzido e com rodadas duplas, ao contrário das triplas de 2011. A diminuição do número de provas da Copa Montana deu números finais.

Como resultado dessas alterações, o panorama de vitórias ficou um pouco mais próximo da realidade. No ano passado, o campeão de conquistas foi Fabiano Machado, da F3, com 17. Dessa vez, a primeira posição coube a Cacá Bueno, que terminou o ano com 11 conquistas.

Nada mais justo, para falar a verdade. O filho do narrador global competiu em três categorias em 2012 – Stock Car, Copa Fiat e GT Brasil – disputando o título de todas. Venceu nas duas primeiras e ficou com o vice da segunda. Nas campanhas, foram três vitórias na Stock, cinco no certame de Felipe Massa e outras três no GT Brasil, correndo ao lado de Claudio Dahruj.

A segunda colocação teve um empate entre André Bragantini e Higor Hoffman. Ambos venceram sete etapas, sendo que o primeiro se dividiu entre quatro conquistas no Brasileiro de Marcas e três na Copa Fiat. Higor, por sua vez, conseguiu uma marcar curiosa ao se tornar o primeiro piloto da categoria Light a vencer uma corrida da divisão principal da F3 nos últimos anos. A vitória aconteceu no encerramento do campeonato, em Curitiba. Os outros seis triunfos do garoto foram pela Light.

Abaixo você pode conferir os principais vencedores no Brasil em 2011. Lembrando que eu posso ter esquecido alguém em ambas as relações. Caso você perceba um nome faltando, pode avisar que será alterado.

Cacá Bueno 11 3x Stock Car, 5x Copa Fiat, 3x GT Brasil
André Bragantini 7 4x Br de Marcas, 3x Copa Fiat
Higor Hoffman 7 F3 Sudam e 6x F3 Sudam Light
Allam Khodair 6 2x Stock Car e 4x GT Brasil
Leandro Totti 6 6x F-Truck
Clemente Lunardi 6 6x Porsche Cup
Thiago Camilo 5 2x Stock Car, 2x Br de Marcas e 1x Copa Fiat
Ricardo Baptista 5 5x Porsche Cup
Felipe Guimarães 4 4x F3 Sudam
Raphael Raucci 4 4x F3 Sudam Light
Marcelo Hahn 4 4x GT Brasil

As semelhanças entre Nelsinho Piquet e Lucas Di Grassi

agosto 30, 2012

Nelsinho Piquet e Lucas Di Grassi querem mostrar que podem fazer história no automobilismo mesmo longe da F1

Nelsinho Piquet e Lucas Di Grassi são velhos conhecidos no automobilismo, já que disputaram as categorias de base na mesma época. Embora seja um ano mais novo, o filho de Nelsão sempre esteve uma fase à frente do compatriota, mas ambos se encontraram na disputa da F3 Inglesa, em 2004, e da GP2, dois anos mais tarde.

A dupla também fez parte do programa de jovens pilotos da Renault. Enquanto Nelsinho era titular da escuderia, em 2008, Di Grassi ocupava a função de reserva, mas sempre de olho em uma das duas vagas principais. As semelhanças não param por aí. Os dois não tiveram muito sucesso na F1, mesmo assim começam a mostrar que automobilismo não é só a categoria de Bernie Ecclestone.

Como todo mundo sabe, a passagem de Piquet pela F1 ficou marcada pelo Cingapuragate, em que bateu de propósito para garantir a vitória do então companheiro Fernando Alonso.

Cinco anos depois, Nelsinho já cansou de mostrar que esse episódio é passado. O piloto resolveu se mudar para a Nascar com um plano ambicioso: ser o primeiro brasileiro a ser campeão da Sprint Cup. Obviamente, essa é uma tarefa muito difícil, mas não impossível. E até agora ele tem se saído bem, se tornando o primeiro piloto do país a ganhar na Nascar East, na Truck Series (em oval) e na Nationwide.

Di Grassi tem a chance de impressionar os chefões da Audi e garantir uma vaga para 2013

Di Grassi, por sua vez, ainda não desistiu 100% da F1. Depois de ter disputado a temporada de 2010 pela Virgin, o paulista se tornou piloto de testes da Pirelli. Mas, apesar de certas negociações, ainda não conseguiu transformar essa experiência em titularidade em alguma equipe.

Agora, o brasileiro já começa a pensar na vida fora da categoria. Na última semana, ele foi anunciado pela Audi para a disputa das 6 Horas de Interlagos, etapa do Mundial de Endurance, marcada para meados do mês de setembro na capital paulista.

Aliás, desde que deixou a F1, Di Grassi nunca escondeu que pretende seguir carreira no endurance. O brasileiro esteve prestes a ser anunciado pela Peugeot para 2012, mas acabou de fora, já que a montadora desistiu das competições de longa duração. Após alguns meses apenas testando pela Pirelli, o piloto garantiu a vaga do agora aposentado Dindo Capello e será companheiro de Tom Kristensen e Allan McNish na montadora alemã.

O acordo vale apenas para a etapa brasileira, mas Di Grassi está de olho em continuar com a equipe nos próximos anos. O objetivo? Se tornar o primeiro piloto nascido no Brasil a vencer as 24 Horas de Le Mans.

E é justamente nisso em que Di Grassi e Piquet também se parecem. Sem chances na F1, os dois se deram conta de que são jovens pilotos promissores e ainda sequer alcançaram o auge da carreira no automobilismo. Assim, cada um traçou uma ambiciosa meta pessoal. Enquanto Nelsinho quer triunfar na Nascar, Lucas colocou a vitória inédita em Le Mans como objetivo. Se eles tiverem sucesso, sem dúvida nenhuma entrarão – ainda mais – para a história do automobilismo brasileiro.

Talvez a principal diferença entre eles é como estão lidando com essa mudança de categoria. Nelsinho nunca negou que quer ser uma espécie de Emerson Fittipaldi e abrir as portas da Nascar para os brasileiros. Já Di Grassi está mais preocupado em vencer em Le Mans ao invés de se tornar uma espécie de guru do endurance, até porque, mesmo que discreto, o Brasil tem um histórico de participação nessas provas de resistência.

Entre os dois, quem tem mais chances de sucesso nesse momento é Nelsinho. O brasileiro já está adaptado à vida nos Estados Unidos e agora é só seguir o desenvolvimento natural da carreira. Di Grassi ainda não tem um acordo para a disputa de Le Mans, então por isso é muito difícil falar em vitória. No entanto, o brasileiro terá um trunfo importantíssimo na briga pela terceira vaga no Audi: ele será o único piloto a já ter disputado uma prova como parceiro McNish e Kristensen. Ou seja, em caso de um bom desempenho, os veteranos podem concluir que o brasileiro é o substituto ideal de Capello.

A primeira vitória de Nelsinho Piquet em um oval

agosto 24, 2012

Nelsinho Piquet se tornou o segundo estrangeiro a vencer na Truck Series, mas há estatísticas mais importantes que essa

No último final de semana, Nelsinho Piquet conquistou a primeira vitória da carreira em um circuito oval em uma etapa valendo pelas três principais divisões da Nascar. O brasileiro se aproveitou de uma estratégia de economia de combustível para triunfar na prova de Michigan da Truck Series.

Consequentemente, você já pode ter visto a estatística de que o piloto se tornou apenas o segundo estrangeiro a já ter vencido na categoria. É uma marca fantástica, claro, mas de certa forma relativa. A Truck Series foi criada apenas em 1995, então é natural que menos pilotos – incluindo nascidos fora dos Estados Unidos – tenham disputado esse certame.

Há, porém, outros números que podem contextualizar a conquista do brasileiro. Piquet é o primeiro estrangeiro a ter vencido tanto em um oval quanto em um circuito misto. As conquistas de Ron Fellows, Juan Pablo Montoya e Marcos Ambrose aconteceram apenas nos road courses, já Earl Ross – canadense vencedor de Martinsville em 1974 – e Mario Andretti ganharam somente em ovais.

Vale lembrar que Nelsinho já havia se tornado o primeiro estrangeiro a ganhar uma prova da Nationwide ou da Truck Series sem jamais ter disputado uma corrida da Sprint Cup.

Por fim, desde Juan Pablo Montoya, em 2007, um piloto vindo de uma grande categoria de monopostos não triunfava em duas divisões diferentes da Nascar. Naquele ano, o colombiano ganhou a etapa do Mexico, da Nationwide, e a de Sonoma da Cup. Não é nenhum demérito, mas o sul-americano segue sem vencer em ovais.

Por outro lado, outros nomes da Indy e da F1 também já conseguiram chegar ao Victory Lane. Scott Speed, por exemplo, é um dos casos mais famosos. O ex-piloto da Toro Rosso ganhou a etapa de Dover da Truck Series, em 2008, quando fazia apenas a sexta etapa da carreira na categoria. O desempenho do americano foi tão bom, que a Red Bull resolveu queimar etapas no desenvolvimento do piloto para logo jogá-lo na Sprint Cup.

Da Indy, Sam Hornish é um dos mais vitoriosos pós-Stewart. O piloto da Penske acumulou um longo aprendizado tanto na Nationwide quanto na Sprint Cup, mas só recebeu a bandeira quadriculada na frente no último ano, em Phoenix, valendo pela divisão de acesso. Em 2012, ele está na luta pelo título, mas ainda não venceu.

A vitória de Nelsinho Piquet e os estrangeiros na Nascar

junho 23, 2012
Nelsinho Piquet

Essa é a imagem que estava no site de mídia da Nascar

Provavelmente você já sabe que Nelsinho Piquet venceu a etapa de Road America, da Nationwide, disputada no sábado (23). O brasileiro, que disputava a primeira corrida na categoria em 2012, foi o piloto dominante durante toda a prova e precisou apenas deixar Michael McDowell para trás para ficar com a vitória.

O que talvez você não saiba é que Piquet é apenas o quarto não americano a vencer na categoria e o quinto a triunfar em alguma divisão da Nascar.

Antes de Nelsinho, Ron Fellows, Juan Pablo Montoya e Marcos Ambrose já haviam vencido na Nationwide, além do canadense Earl Ross, que triunfou na etapa de Martinsville, de 1974, do que hoje é a Sprint Cup.

O último do grupo dos não nascidos nos Estados Unidos a vencer na Nascar é Mario Andretti, que terminou na primeira posição na Daytona 500 de 1967. Só que o piloto já era naturalizado americano desde 1964. Por causa da dupla nacionalidade, Andretti não aparece em todas as estatísticas que dizem respeito a estrangeiros.

Voltando aos pilotos que ganharam na Nationwide, Ron Fellows e Marcos Ambrose são os de maior sucesso, com quatro vitórias cada um, todas em circuitos de rua. Além disso, cada um tem uma particularidade na carreira. Enquanto o canadense praticamente não disputou etapas em oval na Nascar – mas sendo figurinha carimbada nos circuitos mistos –, o australiano começou no turismo americano na Truck Series, antes de avançar até a Sprint Cup.

Só que a primeira vitória de Ambrose veio apenas em 2008, quando o australiano já disputava algumas corridas da Cup. Depois disso, todos os demais triunfos do aussie vieram quando ele já estava na divisão principal.

No caso de Montoya, o colombiano estreou na Nascar em 2006, mas só começou a participar de forma integral no ano seguinte. Para ganhar experiência, o ex-piloto de F1 também corria na Nationwide. Uma dessas etapas foi no México, onde terminou com a vitória após um duelo com Scott Pruett.

Sendo assim, Nelsinho é o primeiro piloto estrangeiro a vencer na Nationwide sem jamais ter disputado uma corrida da Sprint Cup antes.


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