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Não podemos dizer que Kyle Busch jogou sujo

novembro 16, 2012

Cale Gale e Kyle Busch fizeram um duelo emocionente no fim da prova em Homestead-Miami

Kyle Busch não é um piloto santo, mas muitas vezes acaba entrando por engano em certas polêmicas. Na noite desta sexta-feira, dia 16, não foi diferente. Na última volta da corrida final da temporada 2012 da Truck Series, em Homestead-Miami, o piloto foi ultrapassado por Cale Gale na última curva e espremido na parede, sem poder esboçar uma reação.

Busch pode não ser o piloto mais popular pelo seu estilo de pilotagem, mas está longe de ser desleal, principalmente em brigas pela vitória. É verdade que ele costuma estar envolvido em nove a cada dez confusões da Nascar, mas é difícil lembrar alguma vez que ele bateu de propósito em um piloto para ficar com uma vitória.

Até onde consigo lembrar, só vi esse tipo de acidente em super-ovais e mesmo assim a culpa de Busch pode ser questionada, já que é sempre muito difícil manter o controle do carro com um piloto empurrando a você a 200 mph.

Justamente por isso, o piloto ficou tão irritado com o final da etapa de Homestead. Afinal, ele só foi derrotado porque o adversário jogou sujo. Se fosse o contrário, com o truck 18 empurrando Gale para fora, não tenho dúvidas de que o piloto da Sprint Cup ia sofrer todo o tipo de crítica.

Por isso, é um pouco hipocrisia defender a manobra de Gale. Dizer, por exemplo, que o novato estava em busca da primeira vitória, enquanto Busch já coleciona centenas delas não é um argumento válido. KB também tinha seus motivos para querer vencer. Além de não ter triunfado com a própria equipe, em 2012, o piloto também fazia a última prova da carreira com a Dollar General como patrocinadora.

Vale lembrar que esse foi um dos poucos patrocinadores que se manteve ao lado do piloto após a confusão da na etapa do Texas do ano passado, quando Busch tirou Ron Hornaday da prova e foi suspenso pela Nascar das demais corridas daquele fim de semana. Ou seja, tinha toda uma questão emocional para piloto e investidor.

De qualquer forma, Kyle Busch deveria ter pegado algumas dicas com o irmão de como (não) proceder em finais de prova desse tipo. As últimas curvas de Homestead, neste fim de semana, foram muito parecidas com a etapa de Darlington, da Nascar, em 2003, quando Kurt Busch foi derrotado por Ricky Craven.

Há algumas diferenças óbvias entre os dois lances, como você pode conferir nos vídeos abaixos. Mas não deixa de ser uma coincidência muito grande os dois irmãos Busch serem derrotados por pilotos menos experientes em lances tão parecidos.

Homestead-Miami, 2012:

Darlington, 2003:

Os 15 anos da primeira vitória de Keselowski na Nascar

setembro 4, 2012

Antes mesmo de Brad ter idade para dirigir, a família Keselowski já era respeitada nas pistas da Nascar

A família Keselowski está em festa nesta semana. É verdade que Brad levou para casa a segunda classificação consecutiva para o Chase da Nascar, mas esse não é o principal motivo de comemoração. Nesta terça-feira, dia 4, a primeira vitória do clã na principal categoria do automobilismo americano completa 15 anos.

Em 1997, Brad tinha apenas 13 anos de idade, mas a família Keselowski já era bem conhecida nas pistas. O caçula da família ainda estava em início de carreira, mas tinha em quem se espelhar: o pai Bob.

Bob Keselowski era um veterano competidor da Arca, onde já havia vencido algumas corridas e conquistado o título de 1989. Em 1995, a Nascar criou a Truck Series, e as montadoras buscaram pilotos para se juntar à categoria. Foi aí que a Dodge – que ainda não havia retornado à Sprint Cup – fez uma proposta ao americano, disposta a bancar a transição da equipe K-Automotive da Arca para a Truck.

Só que a parceria não foi bem um sucesso. Nos primeiros anos, Bob terminou o campeonato uma vez em 15º e outra vez na 16ª posição. No entanto, a sorte começou a mudar em 1997.

No dia 4 de setembro daquele ano, o Dodge Ram de número 29 estava imbatível em Richmond. Desde os primeiros treinos, Keselowski se colocou entre os mais rápidos, mas quem largou na frente foi Ron Hornaday. Apesar disso, Bob aos poucos começou a avançar posições. Depois de duelar com o então jovem promissor Mike Bliss e com Ken Schrader, o piloto assumiu a primeira colocação.

A partir daí, precisou segurar a pressão de Jack Sprague – com equipamento Hendrick – para receber a bandeira quadriculada na frente. No final, Bob liderou 82 das 200 voltas das corridas e levou para casa mais de US$ 34 mil. As últimas voltas em Richmond está no vídeo abaixo.

Esse foi o único triunfo da carreira de Keselowski-pai na Nascar. Mesmo com a conquista, Bob foi percebendo que levava mais jeito fora das pistas, no comando da equipe, do que dentro do carro. Nos anos seguintes, primeiro, o americano resolveu apostar em Dennis Setzer e depois passou a comandar as carreiras dos filhos, Brian e Brad.

Foi aí que aconteceu aquela história amplamente conhecida. Um dia a família Keselowski estava sem dinheiro e precisava escolher entre qual dos garotos poderia seguir carreira: o constante e cerebral Brian ou o arrojado, mas sempre envolvido em acidentes Brad. O pai-dirigente acabou optando pelo caçula na ideia de que ele teria mais chances de chamar atenção de algum patrocinador, que optasse por também investir no irmão.

Como a história conta, esse patrocinador nunca veio e depois de literalmente falir duas equipes, Brad acabou descoberto por Dale Earnhardt Jr e hoje pilota para a Penske. Bob, por sua vez, passou a equipe K-Automotive para o outro filho, Brian, e apenas assiste ao sucesso – ou não – da prole.

Além da vitória em Richmond, Bob também ficou marcado por um grave acidente em uma etapa da Arca, em Daytona, quando atropelou um paramédico. O vídeo você pode ver abaixo.

A primeira vitória de Nelsinho Piquet em um oval

agosto 24, 2012

Nelsinho Piquet se tornou o segundo estrangeiro a vencer na Truck Series, mas há estatísticas mais importantes que essa

No último final de semana, Nelsinho Piquet conquistou a primeira vitória da carreira em um circuito oval em uma etapa valendo pelas três principais divisões da Nascar. O brasileiro se aproveitou de uma estratégia de economia de combustível para triunfar na prova de Michigan da Truck Series.

Consequentemente, você já pode ter visto a estatística de que o piloto se tornou apenas o segundo estrangeiro a já ter vencido na categoria. É uma marca fantástica, claro, mas de certa forma relativa. A Truck Series foi criada apenas em 1995, então é natural que menos pilotos – incluindo nascidos fora dos Estados Unidos – tenham disputado esse certame.

Há, porém, outros números que podem contextualizar a conquista do brasileiro. Piquet é o primeiro estrangeiro a ter vencido tanto em um oval quanto em um circuito misto. As conquistas de Ron Fellows, Juan Pablo Montoya e Marcos Ambrose aconteceram apenas nos road courses, já Earl Ross – canadense vencedor de Martinsville em 1974 – e Mario Andretti ganharam somente em ovais.

Vale lembrar que Nelsinho já havia se tornado o primeiro estrangeiro a ganhar uma prova da Nationwide ou da Truck Series sem jamais ter disputado uma corrida da Sprint Cup.

Por fim, desde Juan Pablo Montoya, em 2007, um piloto vindo de uma grande categoria de monopostos não triunfava em duas divisões diferentes da Nascar. Naquele ano, o colombiano ganhou a etapa do Mexico, da Nationwide, e a de Sonoma da Cup. Não é nenhum demérito, mas o sul-americano segue sem vencer em ovais.

Por outro lado, outros nomes da Indy e da F1 também já conseguiram chegar ao Victory Lane. Scott Speed, por exemplo, é um dos casos mais famosos. O ex-piloto da Toro Rosso ganhou a etapa de Dover da Truck Series, em 2008, quando fazia apenas a sexta etapa da carreira na categoria. O desempenho do americano foi tão bom, que a Red Bull resolveu queimar etapas no desenvolvimento do piloto para logo jogá-lo na Sprint Cup.

Da Indy, Sam Hornish é um dos mais vitoriosos pós-Stewart. O piloto da Penske acumulou um longo aprendizado tanto na Nationwide quanto na Sprint Cup, mas só recebeu a bandeira quadriculada na frente no último ano, em Phoenix, valendo pela divisão de acesso. Em 2012, ele está na luta pelo título, mas ainda não venceu.

A temporada mais emocionante de todos os tempos

junho 14, 2012

Kevin Harvick foi um dos poucos pilotos da Sprint Cup a vencer na Truck Series em 2012

Certamente você já ouviu essa estatística em algum lugar: nunca um início de temporada foi tão emocionante, já que sete pilotos diferentes venceram em sete etapas até agora. No entanto, você se engana caso pense que falo da F1. O recorde acima é da Nascar Truck Series, que não tem a mesma badalação dos carrinhos de Bernie Ecclestone, mas também está bastante animada.

Em sete corridas na divisão das caminhonetes da Nascar, em 2012, sete pilotos distintos terminaram na primeira colocação. Tudo começou com o até então desconhecido John King, em Daytona. Depois, Kevin Harvick, Kasey Kahne, James Buescher, Justin Lofton, Todd Bodine e Johnny Sauter também puderam comemorar no Victory Lane.

Aliás, King, Lofton e Buescher tiveram bons motivos para comemorar em dobro, já que eles também venceram pela primeira vez na carreira na categoria. E olha que tudo isso aconteceu sem pneu Pirelli se desfazendo, ou componentes curiosos como Kers, asa traseira móvel ou degrau no bico.

O segredo do aumento da competitividade da Truck Series começa justamente com a saída dos pilotos da Sprint Cup da categoria. Ano passado, além de Harvick e Kahne, Michael Waltrip, Kyle Busch, Clint Bowyer e Denny Hamlin também triunfaram. Fora a vitória de Mike Wallace, em Talladega, embora o veterano não participe da divisão principal há algum tempo.

Em outras palavras, das 25 etapas de 2011, 14 (15 com Wallace) tiveram um piloto da Cup como ganhador. Entre os recordistas, sem nenhuma surpresa, estavam Kyle Busch, com seis conquistas, e Kevin Harvick, com quatro.

Justin Lofton aproveitou a competitividade da Truck Series para vencer pela primeira vez no campeonato

Mas o destino quis que os dois pilotos deixassem a Truck Series. Ainda por conta da confusão na etapa do Texas, quando empurrou Ron Hornaday para o muro, Kyle Busch acertou com Joe Gibbs para diminuir o número de participações nos campeonatos de acesso, disputando apenas a Nationwide em algumas etapas. Harvick, por sua vez, decidiu vender a própria equipe para se dedicar à Sprint Cup e ao filho(a) que está para nascer.

Outro fator que aumentou a competitividade é a renovação natural do grid. Por exemplo, o atual campeão, Austin Dillon, deixou o certame para correr na Nationwide. Em 2011, o americano havia triunfado em duas oportunidades. Ron Hornaday, por sua vez, não conseguiu fechar um bom contrato após o fim da KHI e está penando na fraca equipe do milionário Joe Denette. O veterano havia vencido quatro vezes no último ano, mas só liderou cinco voltas até agora em 2012.

No final, acho que os torcedores agradecem essa soma de fatores. Ao contrário do que acontece na F1, onde alguns pilotos já reclamaram do excesso de imprevisibilidade, a competitividade da Truck Series parece estar agradando a todos. E olha que vários outros atletas estão dispostos a estender ainda mais a sequência de ganhadores distintos.

Nesse momento, chega até ser surpreendente pensar que gente como Ty Dillon, Nelsinho Piquet, Parker Kligerman e Joey Coulter ainda não ganhou na Truck Series. Além deles, Hornaday, Timothy Peters e Matt Crafton também querem repetir as idas ao Victory Lane.

Dito isso, não é bizarro pensar que o recorde pode aumentar para oito vencedores diferentes em oito provas, nove em nove, ou até mesmo dez em dez. Mas para terminar a temporada com 22 ganhadores distintos nas 22 corridas, já acho mais difícil. Para isso, John Wes Townley e Paulie Harraka precisam parar de encontrar o muro e acertar uma tática que lhes deixem perto da bandeira quadriculada.

Todo mundo merece uma segunda chance

maio 29, 2012

Brian Scott já venceu em Dover pela Truck Series. Agora ele terá a chance de repetir a façanha

Se já não bastasse lidar com a presença dos pilotos da Sprint Cup, Nelsinho Piquet e Miguel Paludo terão um novo adversário na etapa de Dover da Truck Series, marcada para esta sexta-feira, dia 1º: Brian Scott.

O americano de 24 anos, que disputa a temporada da Nationwide de forma integral pela equipe de Joe Gibbs, vai correr na Milha Monstro para o time de Kyle Busch, no poderoso truck de número 18. A escolha, na realidade, não foi por acaso, pois os dois pilotos já se encontraram em algumas oportunidades no passado.

Para começar, quando Buschinho resolveu montar a equipe na Truck Series ele comprou a sede e os caminhões da Xpress Motorsport, equipe pela qual Scott correu na categoria e tinha o pai do piloto como um dos sócios.

Outra coisa que os dois têm em comum é o patrocinador. Tanto Scott quanto a equipe de Kyle Busch são patrocinados pela Dollar General. Então, a escolha de Brian para disputar a etapa de Dover agradou o principal investidor do time, embora o piloto vá correr com as cores de outra empresa neste final de semana.

O último fator é que a única vitória do garoto na Nascar aconteceu justamente em Dover. Em 2009, Brian Scott disputava de forma integral a Truck Series e era considerado um dos favoritos ao título devido ao bom desempenho nas últimas etapas do ano anterior. No entanto, o piloto não foi capaz de parar o sempre favorito Ron Hornaday e terminou o ano somente com a sétima colocação na classificação. Ainda assim, triunfou justamente em Dover, onde havia largado em terceiro.

Brian Scott em uma típica apresentação em 2012…

Por fim, há mais uma coisa em comum entre Kyle Busch e Brian Scott. Os dois buscam recuperação em 2012, e a etapa de Dover é uma oportunidade perfeita para ambos darem a volta por cima.

Sem o chefe pilotando, a equipe de Busch tem enfrentado dificuldade na Truck Series. Em cinco etapas em 2012, Jason Leffler havia conquistado um top-5 e dois top-10, ocupando apenas uma horrorosa 17ª posição na tabela. Mesmo com experiência na Sprint Cup, o piloto está atrás de nomes como John King, Cale Gale e Dakoda Armstrong.

Scott, por sua vez, começou o ano falando em lutar pelo título da Nationwide. No programa feito pela ESPN americana para abrir a temporada de 2012 da divisão de acesso, o piloto era entrevistado e afirmava que precisava terminar as corridas com a oitava colocação em média para ficar com o título, por isso não estava preocupado em vencer e, na verdade, estava bastante confiante.

Após 11 etapas, é difícil pensar como a situação pudesse estar pior para o piloto. A média de suas colocações finais é um péssimo 23,6, muito distante do oitavo posto tido como objetivo. Assim, Scott ocupa a 13ª colocação na tabela (atrás de Danica Patrick, Joe Nemechek, Tayler Malsam e Mike Wallace). Tudo isso é resultado de cinco abandonos e de alguns acidentes.

Aliás, o desempenho pífio de Scott tem chamado a atenção dos outros pilotos. Na última etapa, em Charlotte, após mais um acidente do carro de número 11, Scott Speed (!!!) comentou no Twitter algo como “Nossa, o número 11 bateu de novo? DEVE haver um recorde para isso”.

Assim, a corrida de Dover acaba ganhando importância extra para esses dois personagens. Enquanto Brian Scott precisa voltar a focar nas corridas e ganhar confiança para não ficar marcado como uma eterna promessa do esporte, a equipe de Kyle Busch precisa mostrar o quanto antes que pode vencer com qualquer piloto e não depende apenas do chefe para terminar no Victory Lane.

A fase de Nelsinho Piquet na Nascar

abril 21, 2012

Nelsinho Piquet tem se aproveitado do desempenho da equipe Turner para conquistar bons resultados na Nascar

Nelsinho Piquet vive um momento especial nesse início de temporada 2012 da Nascar Truck Series. Neste sábado, dia 21, o brasileiro voltou a fazer uma boa corrida, cheia de ultrapassagens e terminou na quarta colocação no Kansas, no terceiro top-10 consecutivo no atual campeonato em quatro corridas. (Na outra, em Daytona, Nelsinho chegou a liderar).

Aliás, a boa fase de Nelsinho fica clara quando se analisa a própria corrida do Kansas. Pelo desempenho do brasileiro nas últimas provas, além do excelente desempenho do equipamento da equipe Turner – em todos os três carros –, a quarta colocação parece um resultado final ruim. E estamos falando de uma classificação final que o deixou na quinta colocação na tabela de pontos.

A realidade é bastante diferente da temporada passada, quando Nelsinho ainda era um novato. Com menos experiência na categoria e sem conhecer o equipamento tão bem, em 2011, após quatro corridas, o brasileiro havia sido 27º em Daytona, 13º em Phoenix, 32º em Darlington e 30º em Martinsville. Era apenas o 25º na classificação final.

Depois dessa má-fase, a Truck Series chegou à Nashville, onde Nelsinho terminou na segunda colocação e começou a reação no campeonato. Dessa vez não tem mais o tradicional oval do Tennessee, que deixou a Nascar devido à falta de dinheiro no local, mas o bom momento de Piquet continua.

Outro dado que mostra a fase do brasileiro é o chamado Driver Rating, que é uma equação matemática criada pela Nascar para avaliar o desempenho dos pilotos. Nessa conta, entram todos os tipos de estatística, como posição de largada e chegada, voltas dentro do top-15, do top-10 e número de ultrapassagens valendo posições entre os 15 primeiros de uma prova. O Driver Rating vai de 0, para alguém que não fizer absolutamente nada, até 150.

Nas quatro primeiras corridas de 2011, Nelsinho teve o maior Rating em Phoenix, com 72,4. No Kentucky, o brasileiro conseguiria a melhor marca, com 120,7, naquela corrida em que a estratégia de boxes da KHI tirou-lhe uma possível vitória. Agora, em 2012, Nelsinho conseguiu 109,1 no Kansas e a melhor marca da carreira, com 132,7, em Rockingham.

Como só foram quatro etapas na temporada 2012, ainda é muito cedo para fazer qualquer tipo de previsão quanto ao desempenho do brasileiro até o final do ano. Entretanto, está claro no momento que a expectativa é que ele lute pelo título, embora o equipamento tanto de James Buescher quanto de Timothy Peters também esteja muito bom.

No entanto, já dá para afirmar que Nelsinho venceu aquela desconfiança que ronda pilotos no segundo ano na categoria. Afinal, se espera que um novato impressione em algumas etapas, mas tenham desempenho medianos em outras, o que faz parte do aprendizado. No caso de um segundanista, é necessário ver alguma evolução. E isso Nelsinho tem feito.

O erro de Nelsinho Piquet em Rockinhgam

abril 15, 2012
Nelsinho Piquet Nascar Rockingham

Durante boa parte da prova, Nelsinho Piquet só via os rivais em Rockingham pelo retrovisor

Que corrida Nelsinho Piquet fez em Rockingham! Neste domingo, dia 15, a Truck Series retornou ao tradicional oval do estado americana da Carolina da Norte, que havia sido abandonado pela Nascar, nos últimos anos, e desde o primeiro treino o brasileiro foi o piloto dominante.

Nelsinho não só foi o mais rápido em um dos treinos livres, como também cravou a pole-position e liderou 107 voltas durante a prova – sendo 85 na primeira metade de corrida.

No entanto, toda essa vantagem passou a não valer mais nada quando o brasileiro cometeu um erro na saída dos boxes, faltando menos de 20 voltas para o final, e foi flagrado pelo radar de velocidade, quando se preparava para desafiar Kasey Kahne na batalha pela primeira colocação.

Sobre esse episódio, vale alguns comentários. Em primeiro lugar, não há a menor hipótese de cogitar algum tipo de mutreta da Nascar para tirar a vitória do brasileiro. Não tem nenhum motivo para que isso acontecesse, até porque Piquet ocupava a segunda colocação e teria que ‘apenas’ ultrapassar um piloto da Sprint Cup se quisesse vencer.

Outra coisa que também não é possível questionar é o local da instalação do radar de velocidade. Como Nelsinho Piquet foi o pole-position, ele escolheu o último pit-stall, onde só precisaria acelerar para sair do pit-lane, assim como qualquer piloto que larga na primeira colocação faz.

Na maioria das pistas, o último sensor de velocidade é colocado logo na linha divisória do pit-stall, exigindo que apenas o piloto acelere sem se preocupar com o limite. Em Rockingham, no entanto, o radar estava alguns metros distantes do ponto em que Nelsinho parava para fazer a troca de pneus e o reabastecimento.

Assim, por causa dessa diferença, é absurdo que alguém questione a localização. Qual seria o argumento utilizado? “A Nascar não deveria instalar o radar em um lugar que realmente flagre quem ultrapassar o limite de velocidade, assim é impossível enganar a medição!” Mas espere, não é justamente essa a função do medidor? Talvez seja uma medida a ser pensada para as demais pistas.

A verdade é que Nelsinho perdeu a chance de vencer em Rockingham por um erro que ele mesmo cometeu – e reconheceu após a prova. Um detalhe bobo, mas que custou um triunfo bem encaminhado.

Traçando um paralelo, em 2011, James Buescher não conseguiu se classificar para a etapa de Phoenix da Truck Series. Apesar disso, o americano entrou na briga pelo título e chegou até mesmo a liderar a tabela de pontos. No entanto, na penúltima prova do campeonato, a equipe Turner errou o cálculo, e o piloto ficou sem combustível faltando apenas duas voltas para o final.  Obviamente a não classificação em Phoenix comprometeu o resultado final de Buescher, mas o erro da equipe impediu que qualquer reclamação desse tipo fosse feita, afinal eles não fizeram a parte deles.

O mesmo se aplica a Piquet. O brasileiro teve um desempenho incrível ao longo de toda a corrida. Chegou até mesmo a abrir mais de 10s – equivalente a meio circuito – para o segundo colocado em determinado momento, mas na hora que era para valer, foi o próprio Piquet que sabotou o resultado. Paciência.

Por outro lado, a etapa de Rockingham mostrou – mais uma vez – que o brasileiro está pronto para lutar de igual para igual com os principais pilotos da categoria. O domínio nas voltas iniciais foi digno de Kyle Busch nos dias em que está mais inspirado. E outra, Nelsinho tem se destacado nas corridas em pistas intermediárias, com 1,5 milha de distância. Se em Rockingham ele já liderou boa parte da prova, imagine o que poderá fazer quando chegar a hora de correr nesse tipo de circuito?

No final, é óbvio que fica a frustração por Nelsinho ter deixado escapar uma grande chance de vencer pela primeira vez na Truck Series, mas os pontos positivos da corrida são muito maiores que qualquer erro do brasileiro nos boxes.

Guia da Nascar Camping World Truck Series 2012

fevereiro 22, 2012
Nascar Truck Series 2012 preview

Quem levantará essa taça no final de 2012? Nelsinho Piquet? Miguel Paludo? James Buescher? Um novato? Ou um velho veterano?

Chega de campeonato de verão disputado em dois ou três finais de semanas por garotos que ainda tentam se firmar, a temporada 2012 do o automobilismo de verdade começou. A Nascar dá a largada aos grandes certames nesta semana em Daytona.

Para comemorar o retorno das corridas, como já é tradição por aqui, o World of Motorsport faz os guias da temporada 2012 das três principais divisões do turismo americano. Mais uma vez, com a presença de Nelsinho Piquet e de Miguel Paludo, a Truck Series abre a série especial aqui no blog. Nos próximos dois dias, será a vez dos guias da Nationwide e da Sprint Cup para que você saiba tudo sobre as novas temporadas.

Quem acompanha a Nascar Truck Series há algum tempo certamente vai estranhar as mudanças pelas quais a categoria passou. Ao longo dos últimos anos da década passada, o campeonato foi marcado por duelos entres pilotos veteranos, que já estavam na casa dos 50. Ron Hornaday garantiu dois títulos, assim como Todd Bodine. Johnny Benson levantou uma taça e Mike Skinner ficou sempre ali na briga.

Em 2011, no entanto, isso acabou. Os veteranos perderam a batalha e viram surgir uma nova geração de pilotos, que entraram para valer na briga. Na última temporada, Austin Dillon, Johnny Sauter, James Buescher e Timothy Peters desbancaram os clássicos guerreiros e duelaram pelo campeonato até a última prova.

James Buescher

Será que o jejum de vitórias de James Buescher termina em 2012?

A situação deve se manter em 2012. Sauter, Buescher e Peters renovaram com as equipes Thorsport, Turner e Red Horse, respectivamente. E desde já são considerados favoritos para o novo campeonato. Na temporada, os três vão ter boas chances para conseguirem se firmar como grandes nomes do esporte, afinal terão mais oportunidades de brigar pelas vitórias.

Isso porque, até 2011, a Truck Series foi marcada pela presença dos pilotos da Sprint Cup, em particular Kyle Busch e Kevin Harvick. Enquanto Busch foi proibido pelo chefe Joe Gibbs de participar da categoria, o californiano vendeu a equipe depois de engravidar a mulher, DeLana, e optou por focar as atenções apenas na divisão principal, na Cup. Sem os dois na pista, a chance dos demais pilotos se sobressair é muito maior. Para você ter uma ideia, em todas as corridas que Harvick e Busch estiveram presentes na Truck, apenas em três oportunidades um dos dois não foi o vencedor.

Mas nem tudo é perfeito. Em 2012, a categoria vai continuar com a presença dos pilotos da Sprint Cup. Enquanto Brad Keselowski vai estar em dez temporadas pela própria equipe, David Reutimann vai competir em 12  pela RBR – que não tem nada a ver com certo energético. Felizmente, ambos contam com estruturas menores que a Kyle Busch Motorsport e que a Kevin Harvick Inc, então as chances de triunfos são menores.

Se os pilotos da Sprint não estarão presentes em peso, o mesmo não pode ser dito dos antigos veteranos. Com o fechamento da KHI, Ron Hornaday assinou com a equipe do lotérico Joe Denette. Todd Bodine entrou na vaga de Miguel Paludo na Red Horse e Mike Skinner correrá a etapa de Daytona pela Eddie Sharp. Embora o sucesso deles ao longo das carreiras não possa se questionado, o momento do trio passou. Não é por acaso que todos precisaram mudar de equipe – e assinando com times de médios para pequenos – para seguir competido.

Com favoritos e veteranos apresentados, vamos falar a verdade. Embora esses sejam os pilotos com maiores chances de vitória, o duelo que todo mundo quer ver na Truck Series em 2012 é a batalha entre novatos e segundanistas (sophmores). Valorizada, pelo segundo ano seguido a categoria terá um grupo de novatos fortíssimo, de primeiríssima qualidade. Assim, o confronto entre esses jovens pilotos – que não deixam de fazer parte da mesma geração mesmo com a diferença de um ano – é bastante aguardado.

Nelsinho Piquet Nascar Truck Series 2012

Nelsinho Piquet terá equipe nova na Truck Series em 2012. O brasileiro vai competir pela Turner, ao lado de Miguel Paludo e James Buescher

Obviamente, ao menos deste lado do mundo, o grupo dos segundanistas é o favorito, justamente pela presença dos dois brasileiros: Nelsinho Piquet e Miguel Paludo. Curiosamente, dessa vez eles não só fazem parte da mesma geração, mas competem pela mesma equipe. Com o fim da KHI, o ex-piloto da F1 assinou com a Turner para 2012, no final do ano passado. Alguns dias depois, foi a vez de Paludo anunciar a ida para o novo time, depois de enfrentar problemas internos na Red Horse.

Nelsinho e Paludo têm boas chances de vitória, embora o filho do tricampeão leve alguma vantagem, devido às exibições em 2011 – principalmente nos ovais de 1,5 milha. A dupla brasileira, no entanto, terá um duelo dentro da própria casa, afinal, o terceiro piloto da Turner – James Buescher – não só é mais do que favorito ao título, como também genro do dono da equipe. Será que não vai acontecer algum protecionismo?

O grupo dos segundanistas não se resume apenas aos dois brasileiros. Quem também está de volta é Joey Coulter, Novato do Ano de 2011 e que mais uma vez vai competir pela equipe de Richard Childress, maior escuderia e atual campeã do campeonato. O quarto representante dessa geração é Parker Kligerman, que mais uma vez defenderá as cores da Penske. O garoto também vai disputar algumas etapas da Nationwide, pelo vitorioso carro número 22, já se preparando para a mudança de categoria.

Esses quatro pilotos são cercados de grande expectativa. Como nenhum deles venceu em 2011, há um duelo interno para ver qual deles chegará antes ao Victory Lane. Sem Busch e Harvick, as chances – incluindo uma possível vitória brasileira acontecer – são grandes. Da mesma forma, eles também estão bem cotados para surpreender e entrar na briga pelo título.

Os segundanistas, no entanto, vão começar o ano com outra tarefa igualmente importante: colocar os novatos no lugar deles. Afinal, nada pode ser mais desastroso para uma carreira que ser colocando em segundo plano por alguém ainda mais jovem e promissor. Essa é a chamada crise do segundo ano, que o quarteto será obrigado a lidar.

Austin Dillon Ty Dillon

Ty Dillon, irmão mais novo da Austin, pode conquistar o bicampeonato da Truck Series para a família

Em 2012, o grupo dos novatos novamente conta com incríveis 11 representantes. Alguns são megacampeões nas categorias menores, outros ainda estão em busca de reconhecimento e de uma possibilidade de seguir carreira na Nascar. Entre eles, um nome chama a atenção: Ty Dillon. O novo piloto do truck número 3 é neto de Richard Childress e irmão menor do atual campeão, Austin Dillon. Quem acompanhou os irmãos nas categorias menores não tem dúvidas na hora de cravar Ty como o mais talentoso. O garoto foi campeão da ARCA em 2011 e tentará bater os recordes estabelecidos por Austin, quando estreou na Truck Series há duas temporadas.

Outro campeão na categoria é Max Gresham, que venceu a Nascar East em 2011. O piloto assinou com a equipe de Joe Denette, mas além de contar com um equipamento apenas mediano, o garoto ainda não conseguiu emplacar uma boa corrida, nem em algumas provas da Truck no último ano, nem na ARCA.

Sem títulos, mas também bastante prestigiado, Dakoda Armstrong estreia no campeonato. O piloto já fez parte dos programas de desenvolvimento de Ken Schrader e da Penske e agora vai competir pela Thorsport de forma integral, depois de dois anos na ARCA. Cale Gale, que durante muitos anos correu na equipe de Kevin Harvick, principalmente em etapas que o piloto da Sprint não pôde estar presente por conta de compromissos da divisão principal, é o quarto integrante do numeroso grupo de novatos. Agora, com uma oportunidade em tempo integral na equipe de Eddie Sharp, ele quer mostrar que aprendeu tudo.

Paulie Harraka, que fez carreira na Nascar West e foi um dos mais vitoriosos representantes do programa Driver 4 Diversity (uma bolsa dada a atletas vindos de minorias), fechou com a estreante equipe Wauters e mesmo muito promissor deverá enfrentar todos os problemas de um time com baixo orçamento.

O grupo de 11 novatos ainda conta com Jeb Burton (filho de Ward e sobrinho de Jeff Burton), Ross Chastain (com o patrocínio das melancias), Dusty Davis (que fez algumas boas provas em 2011), John King, Bryan Silas, JR Fitzpatrick (um promissor canadense, que fez algumas etapas da Nationwide) e Caleb Holman. O último integrante é John Wes Townley, que não participará das primeiras etapas, pois foi suspenso pela equipe RAB ao ser preso dirigindo embriagado. Ele será substituído por Travis Kvapil – que já foi campeão da categoria – em Daytona.

Para encerrar, dois outros pilotos merecem destaque: Matt Crafton e Jason Leffler. Crafton deveria ser considerado um dos favoritos ao título. O americano esteve na briga pela taça nos últimos anos, mas a falta de vitórias fez com que o tempo passasse e a consagração não chegasse. A dúvida é se o piloto ainda tem condições de seguir na briga pela taça ou se, assim como Bodine e Skinner, a época dele já passou.

Leffler, por sua vez, vai correr pela equipe de Kyle Busch. A princípio, o novo contratado não vai disputar a temporada completa, mas a situação pode mudar caso ele esteja na briga pelo título. O americano tem um currículo longo com passagens por Sprint e Nationwide, mas foram poucas as vitórias ao longo da carreira. Carro favorito Leffler terá, mas a dúvida é se ele vai conseguir manter o bom desempenho de Busch no equipamento ou se vai ficar para trás.

P.S.: antes que eu termine, vamos à parte burocrática. Se você quiser ver todos os pilotos confirmados, clique aqui. Para as especificações técnicas da Truck Series, aqui é o seu lugar. Já para o calendário da temporada 2012, clique aqui.

P.S.2: para ver o guia da Nationwide em 2012, basta clicar aqui. O guia da Nascar Sprint Cup 2012 está aqui.

Os últimos ajustes para a Nascar 2012

janeiro 28, 2012
Brad Keselowski

Entre os anúncios relevantes, Brad Keselowski renovou com a Penske e será o responsável por liderar a equipe nos próximos anos

A Nascar realizou na última semana o tradicional Media Tour, um evento em que as equipes montam festas bacanas para jornalistas e convidados e anunciam as últimas novidades para a temporada que está começando.

A realidade, porém, é que muitos times não tem noção do ridículo nesses encontros. Eles montam aquelas cenas típicas de F1 com os pilotos puxando o pano para apresentar o novo carro. Bom, como na Nascar o carro é padrão, a única novidade é o esquema de pintura, certo? Então. O problema é que todas as equipes enviam os layouts dos carros para as fabricantes de miniaturas com meses de antecedência e elas liberam as imagens para a pré-venda, entre outras coisas.

Aí quando a equipe vai fazer a festa de puxar o pano, na maior parte das vezes, é só para mostrar algo que todo mundo está cansado de ver.

Apesar disso, há alguns momentos interessantes, com os times mais atrasados fazendo anúncios de última hora visando Daytona. Assim, o World of Motorsport reuniu tudo de relevante que foi anunciado nas três principais divisões da Nascar para você poder conhecer as últimas notícias.

Por uma questão de organização, os informes estão listados de acordo com a categoria e em ordem numérica dos carros a que dizem respeito. Ao final de cada idem há um pequeno comentário que é a minha opinião sobre o fato.

Kevin Harvick

Essa foi a cara que Kevin Harvick fez quando DeLana contou que está grávida. Essa, portanto, é a última chance de ele vencer a Sprint Cup. Basta ver o desempenho de Jimmie Johnson depois que virou pai

Sprint Cup:

#2 Brad Keselowski, Miller Lite e o chefe de mecânicos Tom Wolfe renovaram com a Penske até 2015. Já era algo esperado após a saída de Kurt Busch. Esse se tornou o principal carro de Roger Penske, que quis manter o time intacto

#6 Ricky Stenhouse Jr corre em Daytona. É uma vaga merecida para o campeão da Nationwide. Como a corrida deve ser novamente feita com um carro empurrando o outro, essa é a forma que a Roush-Fenway encontrou para manter duas duplas

#09 Kenny Wallace vai disputar a Daytona 500 pela RAB Racing. É uma equipe pequena, mas que tem potencial para crescer. Vai ser difícil se classificar para a corrida, só que tendo Kenny Wallace – apresentador do Speed – já é uma equipe favorita dos fãs americanos

#19 Tim Andrews vai disputar a Cup pela equipe GoGreen, começando em Bristol. Eu acho que ele será demitido antes de se classificar para uma prova

#23 Robert Richardson Jr vai correr a Daytona 500 pela equipe da família, a R3. Equipe fraca, piloto mais fraco ainda. Não devem conseguir se classificar

#29 DeLana Harvick está grávida! Depois de dez anos de casados, Kevin Harvick engraviou a patroa. Aliás, o piloto admitiu que foi esse o motivo do fechamento da KHI e, portanto, da demissão de Nelsinho Piquet. Quem usa o macacão na família mesmo?

#33 Elliott Sadler corre em Daytona e Brendan Gaughan, as quatro corridas seguintes. O caso de Sadler é similar ao de Stenhouse. Como o piloto tem patrocinador, a RCR precisava de alguém para fechar as duplas, então participa da abertura do campeonato. Gaughan é o piloto pagante que abastece a fonte da RCR

#34 David Ragan assinou com a Front Row Motorsport para 2012. É o típico desespero por falta de vagas. Ragan foi chutado da Roush-Fenway por falta de patrocínio, negociou com RPM e JR Motorsport, mas não conseguiu fechar nada. Acabou pegando uma equipe pequena para poder correr

#35 David Reutimann fechou com a equipe de Tommy Baldwin para 2012. Aqui também se aplica o desespero pela falta de vagas. A equipe, no entanto, tem planos de crescer. Só que essa me parece um tiro no próprio pé. Com um carro só, o time de Tommy Baldwin – com Dave Blaney – arrumava bons parceiros para as corridas em super-ovais. Agora serão obrigados a trabalhar juntos, sem um empurrão literal de uma grande equipe

#49 J.J Yeley foi contratado pela Robinson-Blakeney. Sabe a equipe de Mark Green na Nationwide? Então, ela foi para a Sprint Cup e terá J.J. Yeley. Peraí, não conhece a equipe? Pois é, realmente é algo relevante essa contratação

#66 As equipes Whitney e Phil Parsons se uniram. Em 2011, elas eram típicas de start-and-park e, mesmo com a fusão, devem continuar adotar essa prática no novo campeonato

#?? Stacy Compton levou a equipe Turn One da Truck Series para a Sprint Cup. É o mesmo time que dispensou o ex-campeão da Truck Johnny Benson no início do ano por falta de patrocinador. Agora eles falam em correr na Cup…

Sam Hornish Jr

Pela sexta vez Sam Hornish Jr foi confirmado na temporada 2012 da Nationwide

Nationwide:

#01 Newt Moore será o mecânico-chefe de Mike Wallace. Relevante. Mas ao contrário

#09 Kenny Wallace terá o patrocínio da American Ethanol nas primeiras cinco corridas. O tanto que a RAB Racing e que Kenny Wallace já batalharam para conseguir inscrever o carro é impressionante. Acertar com um grande patrocinador é um prêmio merecido

#12 Sam Hornish Jr. terá o patrocínio da WURTH Group em sete corridas e disputará a temporada completa. Por que alguém coloca esse nome em uma empresa?? De resto, Hornish merecia uma nova chance e é um dos favoritos ao título

#16 Trevor Bayne pode não disputar a temporada completa da Nationwide por falta de patrocinador. Uma pena, o garoto é bom e precisa de tempo de pista para se desenvolver

#22 Parker Kligerman vai correr 1/3 da temporada da Nationwide na vaga de Brad Keselowski e terá o patrocínio da Snap-On. Kligerman marcou a pole-position logo na estreia na categoria, há três anos, e foi só. Em 2011, na Truck Series, ele foi bem e a Penske tem pressa em desenvolver alguém para a Sprint, caso Allmendinger não estoure

#23 Jamie Dick vai correr 14 etapas pela R3 Motorsport. É o típico caso de piloto que se terminar no top-20 pode ficar feliz

#33 Max Papis vai disputar a etapa de Road América pela RCR. Grande notícia!

#36 Ryan Blaney, Ryan Truex e Bobby Santos vão dividir o carro da Tommy Baldwin. É um dos planteis mais interessantes da Nationwide, com Truequinho e com o filho do Dave Blaney – que é apontado como maior promessa do esporte a motor para os próximos anos –, mas a equipe é estreante. A versão do time na Sprint é ruim, então vai ser interessante ver como se saem. Truex corre em Daytona e só

#41 Blake Koch assinou com a equipe de Rick Ware. É um piloto pagante, mas razoavelmente habilidoso. Pela falta de vagas em equipe maiores – e de talento – acabou fechando com a RWR mesmo

#43 Michael Annett vai disputar a temporada completa pela RPM. A equipe só montou um time na Nationwide porque Annett tem patrocínio. Vale lembrar que o acordo de Almirola na Sprint é de apenas uma temporada, então ele tem chances de subir, caso vá bem. O que eu não acredito. O último piloto em desenvolvimento da RPM/GEM/Evernham foi Chase Miller, que você não faz ideia de quem seja, já que ele não vingou

#40 #42 #46 #47  A Key Motorsport vai manter quatro carros na próxima temporada. Três ou quatro farão start-and-park. Entre os pilotos estão Erik Darnell e Scott Speed, além de Chase Miller (heh)

Paulie Harraka

Paulie Harraka é um cara legal. Habilidoso, decedente de vietnamitas, formado em Duke e que comemora as vitórias fazendo barulho com o sovaco. Hein?

Truck Series:

#2 Tim George Jr. terá o patrocínio da Applebee’s em 12 corridas. Olha, eu realmente gosto da Applebee’s, mas ninguém merece aquela propaganda deles no meio dos jogos da NFL. Parece que foi o estagiário de publicidade que fez. Alguém aí fica com vontade de ir lá porque assistiu ao comercial?

#08 Ross Chastain disputa a temporada completa pela SS Green Light. É um jovem piloto em uma equipe medianamente fraca. Às vezes isso é divertido, eles devem comemorar feito loucos cada top-10

#11 Todd Bodine substitui Miguel Paludo na Red Horse se tiver patrocinador. Se Bodine estiver motivado, é um ganho de qualidade absurdo para a equipe. Mas se for a versão 2011 do Big Cebola, então veremos mais e mais carros indo para o ferro velho

#24 Max Gresham terá o patrocínio de ‘Made in USA’.  O cara tem o dom de arrumar os patrocínios mais bizarros do mundo. O garoto rapper do ano passado era terrível, agora um investidor nada protecionista. Gresham é o atual campeão da Nascar East, olho nele

#27 Ward Burton volta a correr junto com o filho Jeb. É Jeb Burton, não Jab Burton, então não tenha medo de ele te dar um soco. Ok, essa piada foi péssima. A equipe é a antiga Germain e serve para o desenvolvimento do garoto. Não acredito em grandes resultados, mas é uma grande história, sem dúvida

#30 será o número de Nelsinho Piquet. Foi o número que ele usou na Nationwide em Homestead-Miami

#53 Time criado para desenvolver Cody Cambensy, um cara que eu não conheço. Boa sorte para ele

#59 Tommy Pistone III vai correr para a equipe da família visando um pulo para a Nationwide. Outro cidadão muito conhecido no mundo automobilístico, mas ao contrário

#93 Chris Cockrum corre em Daytona pela equipe de Ryan Sieg. Quem? Por qual equipe?

#? Brad Keselowski vai disputar seis etapas da Truck em 2012, incluindo em Daytona. A categoria perde Kevin Harvick e Kyle Busch, mas ganha Keselowski. Vão correr na Cup, deixem os garotos aprendendo por aqui em paz!

#??? Paulie Harraka disputa a temporada completa pela equipe de Richie Walters, ex-chefe de equipe da Billy Ballew. Harraka é um cara legal. Ele era apontado como o maior piloto daquele programa Driver 4 Diversity, que oferece bolsas para minorias, alguns anos atrás. Depois de vencer algumas corridas na Nascar West, ele largou tudo e foi estudar em Duke, a principal universidade da Carolina do Norte. Agora, formado, volta às competições por uma equipe novata. Acho que vale ficar de olho no descendente de vietnamitas, mas o time é fraco

Cuidado, John Wes Townley está de volta!

janeiro 13, 2012
John Wes Townley

John Wes Townley em uma exibição típica na Nationwide

Ao que tudo indica, o piloto do safety-car vai trabalhar bastante na temporada 2012 da Nascar Truck Series. Na sexta-feira, dia 13, John Wes Townley anunciou que vai disputar de forma integral o próximo campeonato da categoria pela RAB Racing.

O americano passou o ano de 2011 longe das pistas, mas retorna de fora inesperada ao automobilismo. Townley disputou três temporadas entre ARCA, Truck Series e Nationwide, de 2008 a 2010, quando ficou conhecido por bater constantemente.

Townley é o típico caso de piloto que se perdeu na carreira por pular etapas. Por ter patrocínio garantido – o pai é um dos fundadores da rede de restaurantes Zaxby’s –, o garoto saiu da ARCA rumo à Nationwide em apenas dois anos, sem se preocupar com o desenvolvimento como atleta. Afinal, o dinheiro podia pagar esses voos maiores.

Na realidade, quando surgiu na ARCA, em 2008, competindo pela RAB Racing, Townley parecia um piloto promissor. Naquele ano, o campeonato revelou nomes como Scott Speed, Ricky Stenhouse Jr e Justin Allgaier, que disputaram o título até a etapa final. Na corrida decisiva, cinco pilotos tinham chance de levantar a taça. Townley foi o sétimo na classificação final, tendo conquistado 1 TOP 5 e 8 TOP 10. Um resultado respeitável para um garoto de apenas 17 anos até então.

John Wes Townley

Era fácil identificar os envolvidos em um acidente. O comentarista podia dizer: "eu vejo Townley e mais três pilotos", sem medo de errar

Enquanto disputava as últimas etapas da temporada da ARCA, Townley também foi correr na Nascar Truck Series. Esse tipo de transição é bastante comum na verdade. A ideia do americano era iniciar a aclimatação ao novo certame, de olho em correr no próximo ano. De quebra, o garoto conseguiu arrumar uma vaga na Roush, que era patrocinada pela Zaxby’s na época.

Passada a Truck Series, para 2009, Townley poderia seguir na ARCA, para tentar brigar pelo título, ou mudar para de vez para as caminhonetes. No fim, o garoto optou por uma terceira opção: dar um passo ainda maior na carreira ao correr na Nationwide, novamente pela RAB. O resultado, obviamente, foi desastroso. O americano não conseguiu se classificar para seis provas e só terminou quatro na volta do líder.

Nas etapas em que competiu, foi uma presença constante no muro, acionando o safety-car. Era até surpreendente quando a primeira bandeira amarela de uma prova não era causada por ele. Foram sete abandonos oficiais por conta de batidas, e mais um monte de acidentes que puderam ser consertados a tempo, ou resultaram a danos indiretos no carro.

Surpreendentemente, em 2010, Townley conseguiu se transferir para a equipe de Richard Childress mesmo com os péssimos resultados. Obviamente, o combustível financeiro foi fundamental na negociação.

Os resultados não mudaram muito. O piloto demonstrou alguma melhora, tendo inclusive liderado dez voltas em Las Vegas, mas continuava a bater constantemente. Após um acidente no treino classificatório para a etapa de Phoenix, a sexta da temporada, Childress anunciou o afastamento do garoto. Na época, Clint Bowyer e até mesmo Morgan Shepherd correram no carro de número 21, enquanto o JWT estava longe.

John Wes Townley Nationwide

Essa foi a batida que custou a cabeça de Townley na RCR. Uma exibição de gala do piloto

Townley, porém, logo percebeu que o afastamento era, na verdade, uma forma de ele não quebrar mais carros, mas com a RCR garantindo a grana da Zaxby’s, afinal o contrato não havia sido rescindido. O piloto acabou arrumando as coisas e decidiu voltar para a RAB Racing. Em quatro corridas, até conseguiu um 17º lugar em Michigan, o que mostrava uma franca evolução.

Só que pela RAB, os resultados obtidos estavam longe do potencial mostrado na RCR. Sem essa perspectiva de melhora, Townley resolveu pedir as contas e ir embora.

A melhor parte vem agora. O piloto deixou o time às vésperas da etapa de Montreal da Nationwide, se queixando da falta de desempenho do equipamento. Robby Benton, dono da RAB, revelou que precisou correr atrás de um piloto às pressas, já que o titular havia abandonado a equipe.

A RAB, então, contratou Boris Said, especialista em circuitos mistos. Na prova canadense, o americano, discípulo do Mr. Satan, conquistou a primeira vitória da carreira nas divisões da Nascar ao superar Max Papis na linha de chegada, no final mais emocionante dos últimos tempos na categoria.

Quer dizer, o equipamento era tão ruim que bastou Townley sair para a RAB ganhar uma corrida? Poxa. Bom, depois de ter desistido de competir, o piloto ficou de molho por um ano e meio e agora está de volta à Truck Series. Curioso que depois de tudo isso, ele voltou a correr justamente pela RAB, não?

Parece que ele resolveu retomar a carreira exatamente onde começou a pecar anteriormente: na transição da ARCA para a Truck Series e para a Nationwide. Como ele ficou longe das pistas no último ano, poderá competir pelo prêmio de Rookie of The Year.

Não tenho a menor expectativas por resultados. Acho que Townley vai ser o típico piloto que termina as corridas entre os 15 primeiros, mas jamais consegue chegar no top-5. Fora isso, meu conselho a Nelsinho Piquet e a Miguel Paludo é um só: tomem cuidado!


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