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Como funcionam os treinos em Daytona (edição 2013)

fevereiro 8, 2013
Danica Patrick e Jeff Gordon estão garantidos na primeira fila da Daytona 500 de 2013

Danica Patrick e Jeff Gordon estão garantidos na primeira fila da Daytona 500 de 2013

Depois de torneios de inverno e competições em lugares longínquos, a temporada 2013 do automobilismo mundial começou para valer neste fim de semana. E logo de cara tivemos um resultado histórico, com Danica Patrick se tornando a primeira mulher a largar na pole-position na Nascar. O feito foi ainda mais especial, pois foi conquistado justamente na principal corrida do ano, na Daytona 500.

Portanto, no próximo domingo, a ex-pilota da Indy vai comandar o grid de 43 carros, sendo seguida por Jeff Gordon, o segundo no treino deste domingo, dia 17.

Mas quem vem depois? Quem larga entre as posições 3 e 43 do grid? Em Daytona, o regulamento é diferente das demais etapas do campeonato, pois além do qualifying ainda conta com corridas de classificação – chamadas de Budweiser Duels –, que serão disputadas na quinta-feira.

Além disso, o regulamento para 2013 mudou, dando ênfase ao desempenho nos treinos classificatórios. Por isso, o World of Motorsport faz uma breve explicação de como o grid de largada da Daytona 500 será formado. Antes disso, vale uma observação. Primeiro vou explicar como são as novas regras deste ano e depois comento as diferenças com relação a 2012. Farei dessa forma para não confundir e deixar tudo mais claro.

Com já dito anteriormente, o treino classificatório das 500 Milhas de Daytona foi disputado neste domingo, coroando Danica Patrick. Além dela, quem também já tem posicionamento garantido na corrida é Jeff Gordon. O tetracampeão ficou com o segundo tempo na tomada de tempo e completa a primeira fila no próximo domingo.

Trevor Bayne foi o terceiro colocado neste domingo, mas ainda não sabe em que posição larga na 500

Trevor Bayne foi o terceiro colocado neste domingo, mas ainda não sabe em que posição larga na 500

A partir daí, do terceiro ao 32º colocado serão definidos a partir das corridas de quinta, os Duels. No primeiro duelo, vão participar todos os pilotos que se classificaram em posições ímpares neste domingo. Ou seja, Danica vai largar na pole, seguida por Trevor Bayne, Tony Stewart, Denny Hamlin e Joey Logano. Também vão competir nomes como Dale Earnhardt Jr, Jimmie Johnson, Brad Keselowski e Kevin Harvick. No segundo duelo, Jeff Gordon sai na frente, seguido por Ryan Newman, Kasey Kahne e Kyle Busch.

Assim, os 15 primeiros colocados de cada prova – sem contar Danica e Gordon – alinham entre os terceiro e 32º posto. Vamos supor que o resultado do Duel 1 seja Harvick, Hamlin e Bayne. Com isso, Harvick vai largar em terceiro na 500, Hamlin será o quinto, Bayne partirá do sétimo lugar e assim por diante, até o 31º. No segundo Duel, acontece a mesma coisa. O ganhador da corrida partirá da quarta colocação, o segundo sairá em sexto e dessa forma até completar os 32.

As posições 33 a 36 são destinadas aos quatro mais rápidos do treino deste domingo, mas que não terminarem no top-15 de cada duelo. Ou seja, neste momento, Bayne, Newman, Stewart e Kahne já estão garantidos na Daytona 500 mesmo que se acidentem ou tenham problemas mecânicos na quinta-feira. Se eles terminarem no meio da semana entre os 15 primeiros de seu duelo, essas vagas vão para o próximo mais rápido.

De qualquer forma, caso algum piloto tenha problemas nos Duels e não consiga se classificar nas vagas destinadas aos mais rápidos do treino, ainda há uma esperança de participar da tradicional corrida. Isso porque as vagas entre o 37º e o 42º lugar são destinadas aos seis primeiros colocados da temporada de 2012, no campeonato de donos de equipe.

Ou seja, mesmo que tenha todos os problemas do mundo nos próximos dias, Brad Keselowski ao menos larga em 37º, já que o carro número 2 de Roger Penske foi o vencedor entre os donos de equipe no ano passado. Além dele, também já estão garantidos na corrida por esse critério Clint Bowyer, Jimmie Johnson, Greg Biffle, Denny Hamlin e Ricky Stenhouse Jr (via pontos obtidos por Matt Kenseth no carro número 17 de Jack Roush). Kasey Kahne também poderia entrar por pontos, mas ele já garantiu classificação por velocidade, que tem a prioridade, como dito acima.

Ok, fotos da Danica nunca são demais (espero que o Stenhouse não leia isso)

Ok, fotos da Danica nunca são demais (espero que o Stenhouse não leia isso)

Por fim, resta uma última posição. O 43º lugar é destinado a um ex-campeão que não tenha entrado por nenhum critério anterior. Neste momento, é Kurt Busch quem assume esta vaga. No entanto, caso o polêmico piloto consiga se classificar via Duels, velocidade ou pontos, Matt Kenseth, Bobby e Terry Labonte também podem se aproveitar dessa regra.

Caso todos os ex-campeões consigam classificação por algum dos critérios anteriores, o último lugar do grid será destinado ao próximo piloto no campeonato de donos de equipe de 2012, Kevin Harvick.

Com relação a 2012, as novas regras alteraram principalmente a premiação de cada duelo. Antes, na primeira prova de quinta-feira largavam, além do pole deste domingo, os pilotos cujos carros terminaram em posições ímpares no campeonato dos donos de equipe da temporada anterior. Já no Duel 2, os classificados em posições pares e mais o segundo deste domingo. Cada Duel classificava dois pilotos fora do top-35 para a corrida, além de definir o grid pelo resultado de chegada, da mesma forma que acontece hoje.

Aí sobrariam quatro ou cinco vagas. Elas eram destinadas aos quatro pilotos mais rápidos no treino classificatório, mas que não conseguiram entrar via Duel nem largar na primeira fila. A última posição também era destinada a um ex-campeão.

Na prática, a grande mudança é que hoje apenas 13 pilotos já estão garantidos na Daytona 500, enquanto no ano passado, após o treino classificatório, 39 já estavam definidos. Além de ficar mais fácil de entender como funciona, ainda valorizou as corridas de quinta-feira, já que nomes como Kyle Busch, Dale Earnhardt Jr e Carl Edwards ainda podem ficar de fora.

P.S.: você pode clicar aqui e ver um post que eu escrevi ainda em 2010 explicando as antigas regras do treino classificatório de Daytona

Novos ares na Ganassi

janeiro 11, 2013
Kyle Larson deve competir na Nationwide em 2013

Kyle Larson deve competir na Nationwide em 2013

O site do canal americano Speed/Fox Sports publicou uma notícia nesta terça-feira, dia 15, afirmando que Kyle Larson, campeão da Nascar East no ano passado, está próximo de anunciar os planos para a temporada de 2013.

Segundo a matéria, o piloto está com viagem marcada para a Carolina do Norte, onde no domingo vai se reunir com a Earnhardt-Ganassi e ficará sabendo onde vai correr na próxima temporada. De acordo com a notícia, o que Larson vai ouvir é que ele vai disputar a Nationwide de forma integral com o patrocínio da Target.

Para quem não conhece, Larson é um daqueles pilotos fenômeno que surgiram na Nascar nos últimos anos. Em 2012, além do título na Nascar East, ele também disputou etapas de Midgets, Sprint Cars e World of Outlaws. Foram 87 corridas no ano e 19 vitórias.

Com esse bom desempenho, ele fechou um acordo para disputar quatro etapas da Truck Series pela Turner. A cereja do bolo veio em Phoenix, na terceira delas, quando o jovem piloto dominou a parte final da prova e só não ficou com a vitória porque a bandeira amarela foi acionada nas voltas finais e acabou ultrapassado por Brian Scott no Green-White-Checkered.

É claro que todas as equipes ficaram impressionadas com o que viram de Larson e obrigaram a Ganassi a correr atrás de um acordo vantajoso para mantê-lo em suas canteras. Como a equipe não anda tendo um bom desempenho na Sprint Cup, promover o novato apareceu como uma solução do time para respirar novos ares.

A Ganassi já inscreveu jovens pilotos na Nationwide na última década

A Ganassi já inscreveu jovens pilotos na Nationwide na última década

Por isso, segundo a matéria do Speed, além de disputar a temporada completa da Nationwide, ele vai participar de algumas corridas da Sprint Cup no fim do ano, já preparando a transição para a categoria maior.

Dito isso, a chegada de Larson também trás outra possível consequência no mercado de pilotos na categoria: será que Juan Pablo Montoya ainda terá lugar?

É muito cedo para fazer esse tipo de especulação. No entanto, se a Target decidir permanecer com Larson na ida à Sprint Cup, isso pode significar o fim do patrocínio do colombiano. Se nomes como Jeff Gordon, Dale Earnhardt Jr e Tony Stewart volta e meia enfrentam indefinição com seus patrocinadores, imagina um time apenas mediano como é a Ganassi.

E nem estou dizendo que a chegada de Larson possa custar a vaga de Montoya. Ainda que o americano entre no carro de número 1 – hoje de Jamie McMurray –, a saída da Target do 42 pode abrir essa busca por um novo investidor.

De qualquer forma, se houver essa substituição, não seria surpresa. O colombiano já está na Nascar desde 2007 e foram apenas duas vitórias até agora. No ano passado, ele completou apenas 13 corridas na volta do líder e ficou relegado ao 22º posto na classificação final, um posto atrás de McMurray.

O Kimi Raikkonen da Nascar

novembro 19, 2012

Brad Keselowski aproveitou a comemoração pelo título da Nascar

Se a F1 tivesse um prêmio de piloto mais popular, assim como as categorias americanas, Kimi Raikkonen certamente seria um dos candidatos à taça. Talvez ele não terminasse com o prêmio, mas conseguiria brigar com nomes como Fernando Alonso, Sebastian Vettel, Lewis Hamilton e até mesmo Bruno Senna e Narain Karthikeyan.

No entanto, não podemos negar que o finlandês da Lotus tenha um apelo diferente dos rivais. Em uma F1 que as ações dos pilotos, dentro e fora das pistas, são cada vez mais controladas e padronizadas, o nórdico se difere por ser diferente.

Nunca sabemos o que podemos esperar dele. Raikkonen é o cara que manda o engenheiro ficar quieto no rádio, que já fez campanha para evitar o desperdício de champanhe no pódio, que já foi flagrado almoçando atrás dos boxes da Lotus durante um treino coletivo – ao invés de se juntar a um banquete preparado por algum chef –, que tomou sorvete durante uma corrida porque estava calor e que responde a verdade, não só aquilo que os repórteres, patrocinadores e equipe querem ouvir.

Raikkonen também é especialista em celebrar

A Nascar também tem um piloto parecido, com essa mesma capacidade de fazer o imprevisível: o mais novo campeão, Brad Keselowski.

É verdade que o americano não tem a mesma personalidade do finlandês. Enquanto este é conhecido por ser mais fechado e não soltar muitas palavras, Brad gosta mesmo é de aparecer. O piloto da Penske é um dos atletas da categoria americana que mais faz uso das redes sociais para interagir com os fãs, sem ficar apenas dando RT em mensagens da assessoria de imprensa ou falando somente com amigos.

Isso sem falar na Daytona 500 de 2012, quando o piloto levou a interatividade a um novo patamar ao postar uma foto, pelo Twitter, de dentro do carro sobre o incêndio causado por Juan Pablo Montoya. A estratégia, aliás, foi repetida em Phoenix, quando o americano voltou a usar a rede social para comentar, durante a corrida, sobre a briga das equipes de Clint Bowyer e Jeff Gordon.

Fora das pistas e ligeiramente distante da internet, Keselowski também apareceu após uma vitória ajoelhando da mesma forma que Tim Tebow faz no futebol americano para celebrar as conquistas. Além disso, ele ainda ficou conhecido por carregar a bandeira americana após cada triunfo.

Depois do título, Brad voltou a aprontar. Ainda durante as comemorações em Homestead-Miami, o piloto deu uma entrevista completamente bêbado à rede americana ESPN, que já se tornou um hit na internet. No vídeo, além de Keselowski servir como um animador de torcida, o piloto também não perde a chance de beber cada vez mais cerveja.

De qualquer forma, independentemente da personalidade diferente e da capacidade de surpreender, Keselowski e Raikkonen têm outra coisa em comum. Ambos se garantem na pista. Enquanto o finlandês retornou à F1 depois de dois anos e já conquistou uma vitória – no GP de Abu Dhabi – o americano está no auge da carreira e se tornou apenas o segundo piloto da história a ser campeão da tanto da Nationwide quanto da Sprint Cup.

O vídeo de Keselowski bêbado voce pode ver abaixo:

Como Jeff Gordon escapou de apanhar em Phoenix

novembro 11, 2012

Cale Yarborough e Donnie Allison: dois gentleman perto da briga de Phoenix

A Nascar começou a ficar conhecida nos Estados Unidos na disputa da Daytona 500 de 1979. Naquele ano, uma forte nevasca havia atingido o país, obrigando as pessoas a ficarem dentro de casa. Coincidentemente, aquela prova também marcava a primeira transmissão ao vivo da categoria norte-americana.

Ligando uma coisa com a outra, todo mundo acabou ligando a televisão para acompanhar aquela corrida ainda desconhecida. O resultado não poderia ter sido melhor. Donnie Allison e Cale Yarborough se envolveram se envolveram em um acidente na última volta, quando brigavam pela liderança, e foram parar fora da pista.

Inconformado com a derrota, Allison partiu para cima do adversário, e os dois trocaram alguns sopapos ao vivo. Falando a verdade, essa briga pareceu um duelo entre gentlemans depois do pega generalizado que aconteceu neste domingo, dia 11, em Phoenix.

Em Phoenix, a coisa foi diferente. Tudo começou quando Jeff Gordon ficou puto por ter batido e resolveu descontar a frustração em Clint Bowyer, com quem havia se tocado algumas voltas antes. Faltando apenas dois giros para o final, o piloto do carro número 24 ficou se arrastando pela pista, esperando que o adversário passasse, até jogar o carro para cima dele.

O começo de tudo: Gordon tirando qualquer chance de título de Gordon

O acidente não só coletou Bowyer, mas também arrastou Joey Logano, além de Aric Almirola. Também quase sobrou para Brad Keselowski, líder do campeonato, que estava vindo logo atrás.

Enquanto os carros voltavam para a garagem, a equipe de Bowyer assistia a tudo aquilo incrédula. Afinal, mesmo competindo pela mediana Michael Waltrip Racing, o piloto tinha chances de ser campeão, principalmente após o acidente de Jimmie Johnson.

Sabendo que o jeito era esperar até 2013, os mecânicos de Bowyer partiram para cima de Jeff Gordon. Assim, uma briga generalizada entre os integrantes das duas equipes tomou conta dos boxes de Phoenix, tendo até mesmo policiais impedindo que eles pegassem ferramentas e pneus para usarem como armas. Ou seja, se quisessem lutar, que fosse apenas com as próprias mãos.

Enquanto alguns mecânicos apareciam com o rosto todo ensanguentado, o único que conseguiu escapar ileso foi Jeff Gordon. Quando a briga começou, o piloto conseguiu sumir no meio da situação e ir para o trailer, evitando qualquer tipo de conflito.

Nos próximos parágrafos vou explicar como imagino que Gordon tenha escapado. Por isso, desde já, aviso: posso estar enganado, por isso me corrijam se for necessário.

A fuga de Gordon começou na foto acima. Pouco depois de parar o carro na garagem da equipe Hendrick, os mecânicos perceberam que os integrantes do time de Bowyer estavam vindo para cima. Em um pensamento rápido, eles decidiram tirar o tetracampeão da situação, empurrando-o para longe e depois escondendo-o sob a caixa de ferramentas (a marcação à direita).

A estratégia deu certo. A pancadaria começou, mas Gordon tinha sumido. Ele não estava no meio da briga. Tampouco estava no chão, apanhando, como haviam imaginado.

Só que a tática quase foi por água abaixo. Um mecânico da equipe de Bowyer descobriu o esconderijo, como pode-se ver na imagem acima. Assim, os integrantes da Hendrick precisaram funcionar como guarda-costas.

Enquanto isso, a pancadaria foi esfriando, os ânimos acalmando, e tudo o que restou foi apenas xingamentos e acusações.

Com a situação acalmada, quem veio partir para a porrada foi o próprio Clint Bowyer. Enquanto o piloto corria do carro até a garagem da Hendrick, Gordon aproveitou um pequeno momento de tranquilidade para ir para o trailer (como na foto acima). Como Boywer foi impedido por fiscais da Nascar e pela polícia de entrar no veículo, a pancadaria terminou por aí.

A cena toda você pode ver no vídeo abaixo:

O boné roubado de Brad Keselowski

novembro 7, 2012

Brad Keselowski foi obrigado a circular por Fort Worth sem boné

A etapa da Nascar no Texas foi marcada pelo primeiro duelo real entre Jimmie Johnson e Brad Keselowski na luta pelo título. Na corrida disputada no último domingo, esses dois pilotos dominaram praticamente toda a prova e decidiram entre eles a vitória. Johnson levou a melhor ao ultrapassar o rival na penúltima volta para se aproximar do título.

Além do duelo pelo campeonato, Keselowski viveu um fim de semana bastante curioso, em Fort Worth, ao ser vítima de um assalto. Ok, foi apenas um furto, mas também afoi uma história bastante curiosa.

O duelo entre os dois candidatos ao título, na realidade, começou nos treinos livres da sexta-feira. Em um determinado momento, a equipe Hendrick mandou Johnson à pista para fazer algumas voltas rápidas. Sabendo disso, a Penske soltou o carro de Keselowski logo atrás, como uma forma de pressionar o adversário.

A tática até que deu certo. Kese não só foi mais rápido como também conseguiu ultrapassar Johnson, terminando na frente na tabela de tempos.

So que quando o piloto voltou aos boxes, não encontrou o boné do patrocinador, aquele da Miller Lite que é obrigado a usar em todos os compromissos. Obviamente, depois do duelo com Johnson, a imprensa certamente iria querer entrevistá-lo. E seria meio chato aparecer em fotos e na televisão sem o boné do patrocinador.

Missing: você viu este boné?

O próprio Keselowski admitiu que é uma pessoa que costuma perder as coisas, como a carteira ou a chave do carro, mas ele tinha certeza que o boné não havia sido perdido. Ou seja, alguém o roubou. Mas, apesar de ter ficado chateado, o americano seguiu em frente e foi falar com os repórteres.

Mais tarde, o americano foi olhar o Twitter e viu que uma fã tinha mandado uma mensagem dizendo que tinha pegado o tal boné.

E o episódio não terminou aí. Pouco antes da cerimônia do hino que antecede a corrida, a mesma torcedora foi procurar Keselowski com o tal boné. Ao invés de devolvê-lo, ela pediu que o piloto o autografasse. Aí o americano ficou puto e disse algo como:

“Eu achei que foi bastante incrível alguém, primeiro, roubar o seu boné. Segundo, aparecer no Twitter e admitir que o roubou. E, terceiro, me procurar e dizer: ‘Antes de entrar no seu carro e lutar pelo título, você pode autografar este boné que eu lhe roubei?’”

Evidentemente, Keselowski disse não, virou as costas e foi embora.

A frustrante etapa de Talladega

outubro 7, 2012

O acidente em Talladega: só Matt Kenseth escapou

A Nascar realizou neste domingo, dia 7, a quarta etapa do Chase de 2012, em Talladega. Como sempre, essa era uma das corridas mais aguardadas pelos fãs da categoria devido aos resultados finais serem sempre imprevisíveis.

Dessa vez não foi diferente, e a prova teve um final inesperado, com 24 dos 27 carros na disputa se envolvendo em um acidente na saída da curva 3 na última volta. Melhor para Matt Kenseth, que escapou ileso e conquistou a vitória. Jeff Gordon e Kyle Busch também não se envolveram na paulada e terminaram em segundo e terceiro, respectivamente.

O acidente todo começou quando o então líder Tony Stewart foi desafiado por Michael Waltrip, que trabalhava em parceria com Casey Mears. O atual campeão tentou bloquear o adversário, e os dois acabaram se tocando. Com isso, o carro de Stewart rodou na parte de baixo da pista, sendo atropelado por todo mundo que vinha atrás.

Waltrip, por sua vez, acertou Kevin Harvick, que ocupava a segunda colocação e vinha forte na parte externa. Dessa forma, todos os pilotos que estavam na linha de cima também acabaram coletados no acidente.

Após a prova, as reações foram bastante diferentes. Os torcedores saíram contentes porque viram um Big One de verdade em Talladega, mas grande parte dos pilotos ficou frustrada por ter encerrado a corrida com o carro completamente destruído. Na verdade, essa é uma máxima já conhecida das corridas em super-ovais. Os fãs gostam das corridas terminando com batidas, mas os pilotos, obviamente, preferem chegar ao final.

Bobby Labonte não concorda comigo quando digo que essa corrida não foi quente

Só que dessa vez eu fiquei com a sensação de que o acidente acabou estragando a prova. Vamos ser sinceros, a corrida deste domingo foi mais uma vez bastante frustrante. Durante boa parte, a prova foi marcada pela ausência de bandeiras amarelas, e as brigas pela liderança aconteciam principalmente quando uma dupla se desgarrava do pelotão e conseguiu se posicionar logo à frente. Fora isso, ainda tivemos alguns pilotos do Chase andando atrás do pelotão para tentarem evitar algum acidente no meio do percurso.

Aliás, essa estratégia deu quase certo. O único problema mesmo foi a última volta. Quando a corrida parecia que ia esquentar, com os carros brigando pela primeira posição, a batida fez com que a prova fosse encerrada com bandeira amarela. Aí não importa quem se guardou durante todo o domingo ou quem andou sempre entre os primeiros. Todos, praticamente todos, se envolveram no meleé final.

É claro que foi um acidente de corrida, com Tony Stewart cometendo um erro contra Michael Waltrip, mas não tenho dúvidas de que o final de prova teria sido muito melhor se a maior parte dos carros tivesse conseguido chegar ilesa até o final.

Digo isso principalmente porque estamos na fase final do campeonato. Ver acidentes ao longo do ano é muito legal, claro, mas agora o maior interesse é ver como os pilotos do Chase vão conseguir lidar com as corridas finais na briga pela taça. Porém, ao invés de termos essa disputa na pista – além do resultado no campeonato –, tudo o que aconteceu foi uma batida de grandes proporções.

Aí, a posição final de cada piloto foi definida apenas pelo simples detalhe de quem tinha o carro menos batido para conseguir cruzar a linha de chegada primeiro.

Resumindo, o acidente foi espetacular, a imagem é incrível, mas o resultado foi frustrante. E mais uma vez Talladega decepcionou. Se a primeira corrida do ano foi marcada pela total falta de competitividade, dessa vez chegamos a um momento do Chase em que além de não ter disputa a sorte influenciou.

Mas e você? Gostou mesmo do final da prova de Talladega?

Veja o vídeo do big one em Talladega:

Adeus top-35

outubro 2, 2012

Os treinos classificatórios da Nascar devem ficar mais emocionantes (mas não muito) em 2013

Até o início da próxima temporada, a Nascar deve anunciar modificações na regra do top-35. Atualmente, o regulamento diz que os 35 primeiros colocados no campeonato dos donos de equipe – Owner Points – têm participação garantida nas corridas mesmo que não consigam se classificar por velocidade no qualifying.

Essa regra foi criada, há alguns anos, como uma forma de premiar as equipes que investem no campeonato. Assim, era mais fácil chegar a um possível patrocinador e vender a participação em todas as 36 corridas do ano, sem aquele risco de o investidor pagar por uma prova, mas terminar sem a exposição prometida, já que o piloto teve um problema no treino classificatório.

O problema é que nos últimos anos, com a crise econômica, essa regra ficou um pouco defasada, pois não há mais 35 carros competitivos. Se antes havia uma briga para os times ficarem acima dessa linha de corte, agora ninguém mais se preocupa com isso, já que a divisão é feita apenas entre as equipes lixozinhas.

Por causa disso, a Nascar pretende mudar a regra em 2013. A ideia é que no próximo ano os 35 primeiros (ou mais) do treino classificatório garantam automaticamente vaga nas corridas. Os lugares restantes seriam compostos pelos pilotos que ficaram de fora, mas estão bem classificados no Owner Points.

Ou seja, em uma corrida que haja, por exemplo, 50 inscritos, os 35 mais rápidos estão garantidos, independentemente da posição de cada um na tabela de pontos. Então podemos ter 25 pilotos de equipes pequenas dentro da corrida, além de dez entre os times grandes. Daí, dos outros 15, completam o grid os pilotos cujos carros somaram mais pontos ao longo da temporada.

A regra é boa, mas não deve mudar muito o que já conhecemos. Se tivéssemos muitas equipes brigando pela classificação em cada prova, seria uma decisão mais emocionante. Mas com 44 a 46 inscritos por etapa, como acontece em 2012, as posições finais continuarão sendo disputas entre times adeptos do start-and-park.

O problema para a Nascar, nesse momento, é encontrar uma maneira de garantir a participação das grandes equipes em todas as corridas, para que problemas como um acidente ou uma quebra de motor no treino classificatório não signifiquem eliminação imediata. Afinal, ninguém quer ver Jeff Gordon, Jimmie Johnson, Kyle Busch ou Tony Stewart de fora por uma obra do acaso.

Assim, a categoria tem duas opções. A primeira é diminuir o número de pilotos garantidos nas etapas, para 20 ou 25. Dessa forma, dificilmente alguém das equipes principais ficará sem uma das últimas oito vagas (36º em diante) no grid de largada. É difícil pensar que dez ou 12 pilotos dos 25 primeiros da tabela de pontos vão estar na briga por esses postos restantes.

A outra opção é determinar que nessas últimas vagas – a partir do 36º – a posição no campeonato seja respeitada. Com isso, o resultado do treino classificatório passa a não valer para esses pilotos. Se você é o primeiro colocado na tabela de pontos, mas sofre uma quebra no motor, então certamente terá um lugar garantido para correr e assim por diante. O problema dessa medida é que os oito primeiros colocados na pontuação já sabem que o qualifying não vale nada, então não precisam se dedicar à tomada de tempo.

Apesar desse porém, entre as duas opções, eu escolheria a segunda. Assim, para evitar que um piloto não preocupasse com o treino classificatório era só limitar o número de vezes – da mesma forma que acontece hoje – que um piloto pode usar essa garantia.

Nascar Chase 2012 – as chances

setembro 10, 2012

O Chase de 2011 foi sensacional, mas será que alguem vai conseguir repetir o desempenho de Tony Stewart neste ano?

No último sábado, dia 8, os classificados para o Chase da Nascar Sprint Cup foram conhecidos. O World of Motorsport faz agora a análise da chance de cada um deles para a conquista do título nessas dez provas finais do campeonato. A lista a seguir está na ordem do favorito na opinião deste blog até o azarão.

1)      Jimmie Johnson – Com cinco títulos nos últimos seis anos, é bastante difícil não começar qualquer lista de favoritismo com Jimmie Johnson. No entanto, desde 2011, o piloto da Hendrick tem se envolvido em acidentes bobos e aquela consistência do pentacampeonato já parece ser coisa do passado. O americano, porém, tem a vantagem de ser um especialista nas pistas do Chase e é favorito à vitória em praticamente todas as dez etapas restantes, tendo apenas Talladega como ponto fraco. Outro bom motivo para apostar em Johnson é que ele é o típico piloto que cresce no Chase e não sente a pressão da disputa do título

2)      Tony Stewart – Depois do título do ano passado, quem é louco de colocar Stewart fora da briga? A diferença é que o carro número 14 não foi dominante ao logo da temporada regular e só conseguiu se classificar com a décima e última vaga. O ponto fraco do piloto são as etapas em circuitos curtos – como Dover, New Hampshire e Martinsville – embora ele já tenha vencido nas duas últimas em playoffs recentes. Além disso, Talladega também não costuma ser uma pista gentil com o tricampeão. Embora com tantos pontos contras, o atual campeão não vai precisar de um milagre como o do ano passado para levantar a nova taça. Assim como Johnson, é um piloto que cresce na decisão e não se intimida com a fase final.

3)      Denny Hamlin – O piloto da Joe Gibbs chega ao Chase em uma excelente fase com duas vitórias nas últimas três corridas. Depois do vice-campeonato de 2010, Hamlin aprendeu que o campeonato só termina na última volta em Homestead-Miami, uma lição dura, mas parece que o piloto da Toyota aprendeu. O carro número 11 praticamente não tem pontos fracos durante o Chase, talvez apenas Talladega e a própria decisão em Homestead sejam suas pistas menos favoráveis. Por outro lado, é favorito à vitória em Martinsville. Outro aspecto importante é que Hamlin não vai ter a concorrência de outros pilotos da Gibbs no Chase, então terá o melhor equipamento da equipe desde a primeira etapa. A grande dúvida é se o americano vai conseguir ter tranquilidade para não deixar o título escapar como aconteceu duas temporadas atrás.

Um desses pilotos será o campeão da Nascar em 2012

4)      Brad Keselowski – No ano passado, o piloto da Penske não conseguiu ter um bom desempenho, pois, mesmo com três vitórias na temporada regular, chegou ao Chase sem os pontos de bônus, já que conseguiu apenas uma das vagas do Wild Card. Dessa vez, Kese leva nove pontos a mais à fase final, o que pode ser fundamental na hora do título. É favorito à vitória em Talladega e no Kansas, além de ter bom desempenho em praticamente todos os ovais da fase final. Eu diria que Martinsville e talvez New Hampshire possam ser as maiores dificuldades. O grande problema de Keselowski é precisar ser consistente nos resultados. Para ser campeão, é preciso vencer quando é favorito e terminar no top-5 nas demais provas.

5)      Greg Biffle – O piloto da Roush liderou boa parte da temporada regular da Nascar, mas não é novidade que os carros da Ford tiveram um melhor desempenho apenas no início da temporada, quando há mais ovais de 1,5 milha. Curiosamente, no Chase esse tipo de pista corresponde a 50% do calendário, então o piloto tem bons motivos para ficar otimista. Biffle, aliás, foi vice-campeão em 2005 e não deve sentir a pressão dos playoffs. É favorito à vitória no Kansas e em Homestead, mas deve ter problemas em Martinsville.

6)      Matt Kenseth – O bom desempenho da Ford em circuitos de 1,5 milha também vale para Matt Kenseth. O piloto é conhecido pela consistência nos bons resultados e figura carimbada no Chase. O ponto forte do carro número 17 deve ser a etapa do Texas, enquanto Martinsville pode ser o maior problema. Outra coisa que eu apontaria é o fato de Kenseth deixar a Roush no final de 2012. Então, pode ser que na hora de priorizar algum carro o de Biffle seja o escolhido.

Será que ter assinado com a Gibbs pode prejudicar Matt Kenseth no Chase?

7)      Jeff Gordon – Jeff Gordon não fez uma boa temporada, mas pilotou como nunca em Richmond, quando garantiu a segunda vaga do Wild Card. Na minha opinião, para atingir o pentacampeonato, o piloto do carro número 24 vai precisar de um desempenho parecido com o de Tony Stewart na temporada passada. Somente assim para superar os favoritos. Outra coisa, acho que ter quatro carros no Chase pode fazer a Hendrick se perder. É difícil dar atenção a todos, então em algum momento eles vão precisar escolher alguém (leia-se Jimmie Johnon). Com quatro títulos na carreira, o americano certamente não sente a pressão pelo final de temporada e é justamente por isso que o seu desempenho pode crescer a partir de agora.

8)      Kevin Harvick – Se levássemos em conta o desempenho de Harvick até a etapa de Michigan, eu diria que piloto da RCR não deveria estar no Chase. Porém, desde Bristol tudo mudou. A equipe trocou o crew-chief do carro número 29, trazendo Gil Martin a bordo. A parceria Harvick-Martin terminou as duas últimas temporadas na terceira colocação e brigando pelo título, então eles têm, sim, boas chances de repetir o desempenho. A vantagem do piloto é que agora não tem outros pilotos da equipe classificados para a fase final, ou seja, equipamento de ponta até o final do ano.

9)      Dale Earnhardt Jr. – Dale Jr. foi um dos pilotos mais constantes da temporada, mas o principal problema a partir de agora será repetir esse desempenho. Não é que falte habilidade ao piloto, mas só dentro da Hendrick Jimmie Johnson e Jeff Gordon têm preferência. Obviamente, é o favorito à vitória em Talladega e pode ter um bom desempenho nos ovais maiores. Martinsville e Dover são os pontos fracos.

Será essa a hora e a vez de Dale Jr?

10)   Kasey Kahne – Mesmo fora do Chase e correndo pela péssima Red Bull, Kahne foi um dos pilotos que mais pontuou nas últimas dez etapas de 2011. Agora terá equipamento Hendrick e todas as chances de melhorar o resultado. É favorito em Charlotte e em Phoenix, mas precisa abrir o olho nos ovais menores. Além disso, o americano também sofre com o fato de os quatro carros da equipe estarem classificados para os playoffs e, portanto, terá o pior equipamento de todos.

11)   Clint Bowyer – Bowyer é um piloto melhor que o seu equipamento sugere. Mesmo assim, conquistou duas vitórias na temporada regular e entrou no Chase com a oitava posição. A partir de agora não deve sair disso. Tem boas chances de vitória em New Hampshire e em Phoenix, além de ser favorito em Talladega, mas não o vejo com a regularidade necessária para ser campeão. Além disso, a inexperiência da equipe de Michael Waltrip com o Chase pode pesar.

12)   Martin Truex Jr. – A última vez que Truex venceu uma corrida Obama ainda não era presidente dos Estados Unidos. Acho que essa estatística mostra o quão difícil será a tarefa do piloto na fase final. Para ele, participar do Chase já é algo a ser muito comemorado.

Contabilizando a história

agosto 28, 2012

Em Bristol, Denny Hamlin conquistou a vitória de número 200 do carro número 11

Ainda falando da Nascar, Denny Hamlin conquistou uma vitória história no último final de semana. Ao terminar na frente a etapa de Bristol, o americano conquistou o triunfo de número 200 do carro de número 11 em toda a história da categoria, independentemente do piloto ou equipe no comando.

O número é bastante emblemático, já que Richard Petty também se aposentou com 200 vitórias na Nascar. No entanto, há algumas diferenças entre os dois recordes.

Embora realmente tenha vencido duas centenas de vezes na categoria, apenas 192 triunfos do heptacampeão foram conquistados no carro de número 43. Apesar de ter pilotado esse número durante boa parte da carreira, entre os anos de 1962 e 1965, Petty venceu seis vezes correndo com o 41 e duas com o 42.

Ou seja, embora RP tenha sido o piloto mais vencedor da história da Nascar, o carro número 43 não ocupa o correspondente primeiro lugar. Ao todo, o numeral já terminou na frente 198 vezes, pois, além do heptacampeão, Lee Petty, Jim Paschal (duas vitórias), Bobby Hamilton (duas) e John Andretti também ganharam com o número.

Andretti, aliás, é o responsável pela última vitória ao terminar na frente a etapa de Martinsville de 1999, em um jejum que já dura mais de 13 anos.

Darrell Waltrip, irmão de Michael, foi um dos maiores vencedores com o carro 11

O 11, por outro lado, não teve um piloto dominante. Embora alguns campeões tenham usado o numeral ao longo da carreira, as 200 vitórias estão melhor distribuídas. Hamlin, por exemplo, ajudou a colaborar com 20 desses triunfos.

Porém, o maior ganhador de todos é Cale Yarborough, tricampeão da Nascar na década de 1960, que colaborou com 55 conquistas. Ned Jarrett vem logo atrás, com 49, enquanto Darrell Waltrip teve 43. Outros nomes importantes da história do certame também entram na conta. Junior Johnson, inventor do efeito estilingue, conquistou cabalísticos 11 triunfos, enquanto Bill Elliot ganhou em seis oportunidades.

Completam a conta Geoff Bodine (4), Terry Labonte (4), Bobby Allison (3), Buddy Baker (2) e os lendários  A.J. Foyt (1), Mario Andretti (1) e Parnelli Jones (1), embora o sucesso desse último trio tenha sido em outra categoria.

No final, é até curioso pensar qual número representou melhor a história da Nascar. É evidente que o 43 é mais emblemático, e o carro laranja e azul de Richard Petty é reconhecido facilmente até por quem nunca acompanhou a categoria. No entanto, o 11 reuniu uma coleção muito mais completa de pilotos, que resumem o que aconteceu no campeonato nos últimos 60 anos. Jamais vou desmerecer o 43, mas acho que o 11 tem, sim, uma história que precisa ser respeitada e imortalizada.

Para encerrar, por curiosidade, os outros números com mais vitórias na história da Nascar são o 3, com 97 conquistas, o 21, com 91, e o  24, com 86, sendo todos os triunfos do último obtidos por Jeff Gordon.

Os vestígios da Red Bull na Nascar

agosto 15, 2012

Muita gente não lembra, mas Robby Gordon foi o primeiro piloto patrocinado pela Red Bull na Nascar

Já faz mais de um ano que a Red Bull anunciou a saída da Nascar. No mês de junho de 2011, a agência de notícias AP publicou uma matéria falando que a empresa austríaca havia desistido de investir no automobilismo americano por causa dos altos custos e dos fracos resultados. Alguns dias depois, a escuderia reconheceu que a noticia era verdadeira e eles estavam fechando as portas.

Agora, 14 meses depois, a Nascar segue sua vida normalmente sem a gigante austríaca. A categoria não tem dificuldades para colocar 43 carros no grid, mas é obrigada a conviver com os pilotos do start-and-park em praticamente todas as etapas.

Do mesmo jeito, os atletas que tinham contrato com a Red Bull também deram prosseguimento à carreira. De todos, Kasey Kahne foi o menos prejudicado. O americano havia assinado contrato com o time rubro-taurino por apenas a temporada de 2011, então a saída da empresa pouco o afetou. Kahne agora corre pela Hendrick, onde já conquistou duas vitórias no atual campeonato e segue firme na briga por uma vaga no Chase.

Brian Vickers é outro que também está valorizado. Depois de passar o ano de 2010 afastado das competições por causa de uma grave doença, o piloto retornou na temporada passada, mas sentiu a falta de ritmo. Com o fim da Red Bull, parecia que o americano seria o grande prejudicado, mas Vickers logo fechou contrato com a equipe de Michael Waltrip para substituir Mark Martin sempre que o veterano resolvesse tirar uma folga.

Até agora, Vickers já disputou cinco etapas no ano, tendo terminado duas vezes entre os cinco primeiros. De quebra, o piloto ganhou a chance de participar das 24 Horas de Le Mans, já que o chefão Waltrip foi impedido de correr devido a compromissos com a transmissão americana da Nascar.

Entre os funcionários mais antigos, Scott Speed anunciou recentemente que vai disputar a temporada completa de 2013 pela pequenina Leavine Family Racing, enquanto AJ Allmendinger ainda segue enrolado no caso de doping.

Por último, Cole Whitt, que foi piloto em desenvolvimento dos rubro-taurinos, foi contratado pela equipe de Dale Earnhardt Jr para disputar a Nationwide. O garoto impressionou em suas primeiras corridas, mas teve uma queda de rendimento nas últimas etapas e já começa a ser criticado. Apesar disso, ainda é muito cedo para tirar qualquer conclusão sobre o novato.

O único piloto que não deu sorte foi Robby Gordon, que está longe da Nascar, cheio de dívidas e sem dinheiro. Você pode não se lembrar, mas o ex-piloto da Indy e do Dakar foi o primeiro a ter o patrocínio do energético austríaco em seu carro. O americano sempre teve um orçamento muito apertado para a própria equipe, então, durante muitos anos, ele foi mestre em convencer empresas a patrociná-lo ao menos por uma prova.

Gordon foi o responsável pela entrada de companhias como a Jim Beam e a Monster na Nascar, além da própria Red Bull. Em 2005, o piloto fechou contrato com os austríacos para patrociná-lo nas etapas de Hermanos Rodriguez e de Watkins Glen da Nationwide. No México, o americano largou em segundo, mas abandonou com problemas no motor. Já em Glen, saiu em terceiro e encerrou no segundo posto.

Curiosamente, esse segundo lugar em Glen seria o melhor resultado da Red Bull na Nascar até Brian Vickers vencer, em 2009, em Michigan e Kasey Kahne, em 2011, em Phoenix, mas ambos na categoria principal.

No momento, a única participação da Red Bull na Nascar é como patrocinadora pessoal de Travis Pastrana. Mas eu não ficaria surpreso caso os rubro-taurinos resolvessem voltar à categoria com acordos semelhantes ao de Gordon.


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