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O pulo do gato de Bottas

novembro 29, 2012
Valtteri Bottas será piloto da Williams em 2013

Valtteri Bottas será piloto da Williams em 2013

Qual é melhor, World Series by Renault ou GP2? Quem não está muito preocupado com essa velha discussão é Valtteri Bottas. Anunciado no início da semana como titular da Williams na temporada 2013 da F1, o finlandês fez história e se tornou o primeiro piloto em algum tempo a pular de categorias menores direto para a F1.

Depois de dois anos correndo na F3 Euro Series, onde não conseguiu conquistar o título, Bottas se tornou campeão da GP3, em 2011, ao superar James Calado nas corridas finais daquela temporada.

A partir daí, negociou principalmente com a Tech 1 e com ISR, na World Series, mas com um orçamento enxuto resolveu arriscar. Ao invés de continuar correndo nas categorias de base, o nórdico resolveu se mandar para a F1. Como não podia competir com a grana trazida por Bruno Senna, a solução foi acertar um contrato de piloto de testes e participar de 15 treinos livres ao longo do ano.

O bom desempenho nos treinos chamou a atenção da equipe inglesa, e o piloto garantiu a vaga de 2013, mesmo levando menos dinheiro que Pastor Maldonado e Senna.

Só que Bottas não é o único piloto do grid da F1 a não ter participado de GP2 ou World Series (e suas antecessoras). Na realidade, dos 25 pilotos que disputaram ao menos uma etapa no último campeonato seis percorreram caminhos bastante alternativos na carreira: Jenson Button, Felipe Massa, Michael Schumacher, Kimi Raikkonen, Paul Di Resta e Pedro de la Rosa.

Se você ler o título desse post com atenção, verá que falo sobre esse felino saltitando

Se você ler o título deste post com atenção, verá que falo sobre esse felino saltitando

De todos, o caso mais surpreendente foi o do também finlandês Raikkonen. O atual piloto da Lotus estreou na categoria, em 2001, pela Sauber, depois de ter disputado apenas a F-Renault UK. Na época, a equipe suíça foi criticada por dar chance a um piloto sem experiência. Apesar disso, Kimi mostrou que tinha lugar para ele na F1, pontuando na corrida de estreia.

Só que aquela era uma época em que os treinos estavam liberados ao longo da temporada. Assim, quando Kimi estreou no GP da Austrália, já tinha percorrido a quilometragem de vários e vários GPs antes do campeonato começar.

No entanto, quem passou por uma situação mais parecida à de Bottas foi Jenson Button. O inglês foi chamado pela Williams, em 2000, tendo apenas disputado uma única temporada da F3 Inglesa. Paul Di Resta e Michael Schumacher também pularam da F3 para a F1. Só que no caso deles não foi algo direto.

O alemão, por exemplo, foi campeão da F3 Alemã em 1990 e estreou na F1 no ano seguinte. O debute, porém, aconteceu apenas no dia 25 de agosto, em Spa-Francorchamps. Nesse intervalo todo, o piloto participou de quase duas temporadas no Mundial de Carros Protótipos. Di Resta, por sua vez, entre o título da F3 Euro de 2006 e a estreia na Force India, foram quatro anos de DTM, com direito a um título.

Felipe Massa e Pedro de la Rosa tiveram experiências com carros mais potentes. O brasileiro disputou a chamada F3000 Europeia (hoje conhecida como Auto GP) antes de acertar com a Sauber. De La Rosa, por fim, correu no Japão, onde foi um dos poucos pilotos a vencer F-Nippon e SuperGT no mesmo ano.

A diferença desses pilotos para Bottas é que todos – menos Di Resta – tiveram a chance de treinar exaustivamente com o equipamento da F1 antes da estreia. Então, quando chegaram à primeira corrida do ano já conheciam o carro como a palma da mão.

Mercado de pilotos da F1 2013 – parte 2

agosto 19, 2012

Boa parte das movimentações do mercado de pilotos depende da aposentadoria ou não de Michael Schumacher

Nesta segunda parte sobre o mercado de pilotos da F1 2013, veja como Mercedes, Lotus, Williams, Sauber e Force India passaram pelas primeiras corridas do ano e como essas equipes já planejam a próxima temporada.

Merecedes:

No momento, a própria permanência da Mercedes na F1 é incerta. Não muito contente com a discussão sobre o novo Pacto de Concórdia, a montadora alemã já afirmou que pode ficar na categoria apenas como fornecedora de motores a partir de 2014.

De qualquer forma, o planejamento da escuderia para o próximo ano segue atrelado à decisão de Michael Schumacher. Se o heptacampeão decidir continuar correndo, ele é nome certo na equipe. Do contrário, a situação mais provável é a subida de alguém da Force India, como Di Resta, que foi campeão do DTM correndo pela própria Mercedes.

Outro que também já foi especulado nessa vaga foi Felipe Massa, mas isso já faz algum tempo.

Quanto a Nico Rosberg, embora ele sempre seja cotado em uma vaga nas outras grandes equipes, a tendência é que continue na escuderia germânica, afinal ele tem contrato vigente.

Lotus:

A Lotus é a equipe mais valorizada em 2012, tendo conquistado até agora oito pódios. Assim, é natural que a escuderia queira manter a atual dupla, formada por Kimi Raikkonen e Romain Grosejan.

Mas sempre pensando em melhorar, a equipe já sondou Lewis Hamilton, que poderia formar uma dupla interessantíssima com Raikkonen na próxima temporada. Só que isso é bastante improvável.  Em primeiro lugar, o britânico deve seguir na McLaren. E mesmo que ele trocasse de equipe, Kimi seria o substituto ideal, pois é o melhor piloto do grid que não está em um time grande.

Ontem eu falei que o envelhecimento das grandes equipes prejudicou o desenvolvimento dos times medianos. A Lotus foi quem menos sofreu com isso, já que conseguiu trazer Kimi Raikkonen de volta, e o finlandês rapidamente mostrou um bom desempenho. Só que agora o nórdico está valorizado e deve ser a principal opção de McLaren, Ferrari e Mercedes caso precisem cobrir alguma saída.

Se eu fosse o Raikkonen, ia beber aceitava a proposta de uma dessas equipes sem dúvida nenhuma. É claro que o projeto da Lotus é muito legal, mas é algo arriscado, já que a escuderia precisa dar um grande salto de qualidade. Ir para um dos times grandes significa voltar a brigar por vitórias e títulos.

Grosjean, por sua vez, parece o melhor piloto dessa nova geração. Fazendo a primeira temporada completa na F1, o francês já subiu ao pódio em três oportunidades e teve uma boa chance de vencer o GP da Europa, em Valência. Ele se tornou uma boa opção para qualquer equipe e só não fica na Lotus em 2013 caso a equipe consiga aquela improvável parceria entre Kimi e Hamilton.

Apesar de alguns problemas, Bruno Senna está valorizado na F1

Williams

A dupla da Williams se completa. Um piloto é muito rápido e extremamente inconstante, enquanto o outro consegue pontuar seguidamente, mas tem problemas para fazer voltas rápidas. O melhor seria juntar as melhores qualidades de cada um para formarum piloto ideal.

Talvez seja nisso que a equipe aposte. Para melhorar o desempenho ainda mais, Frank Williams pode ter chegado a conclusão que precise de um piloto completo, com o melhor de Senna e Maldonado. No entanto, como o dirigente é um conhecido pão duro, dificilmente ele fará uma contratação de peso.

A escolha mais provável é desenvolver alguém dentro da própria Williams para a vaga de titular. A escuderia parece acreditar que Valtteri Bottas é a melhor opção para o futuro. O finlandês tem um excelente currículo nas categorias de base e já se mostrou bastante rápido nos treinos livres. Talvez ele seja o responsável em guiar o time inglês de volta ao estrelato.

Aí sobra uma vaga. O problema de Senna é que não importa o que ele faça o escolhido será Maldonado. A Williams tem um longo contrato com a PDVSA, garantindo o poder de a petroleira escolher o segundo piloto da escuderia. A menos que Hugo Chávez planeje fazer negócios com o Brasil, o piloto venezuelano deve seguir no time.

Ao mesmo tempo, a saída de Bruno ainda não está consumada. Ele tem feito uma boa temporada – talvez até melhor que a de Maldonado se olharmos apenas os números fora a vitória – e ainda conta com patrocinadores fortes. Ou seja, Bottas precisaria superá-lo tanto em termos de desempenho quanto de investidores. Não será fácil.

E se acontecer de Senna sair da Williams, ele continua valorizado no mercado. Em 2012, ele mostrou que pode pontuar frequentemente, principalmente apostando na tática de uma parada a menos. Ou seja, ele tem conseguido economizar bem os pneus. E isso é importante para qualquer equipe.

E Sergio Pérez, será que ele fica na Sauber em 2013?

Sauber

A Sauber está em uma posição interessante para 2013. Ninguém imaginava que a escuderia suíça fosse fazer uma tremenda temporada neste ano, então todo mundo está de olho nela.

Para começar, Sergio Pérez é constantemente especulado na Ferrari, tendo até superado Kamui Kobayashi como principal nome na escuderia suíça. Depois, a própria vaga do nipônico já começa ser ameaçada, pois Peter Sauber acredita que precise de um piloto de ponta se quiser continuar a evolução da equipe.

Assim, é possível que a dupla de 2013 seja formada por dois novos pilotos, da mesma forma que é totalmente possível a manutenção da parceria Pérez/Kobayashi. De qualquer forma, os nomes ligados à Sauber são Felipe Massa, Heikki Kovalainen, Adrian Sutil, Esteban Gutiérrez e, correndo por fora, Jules Bianchi.

Tirando Sutil, acho que qualquer parceria escolhida pela escuderia é bastante interessante. Mas, em uma eventual saída de Pérez, eu escolheria Felipe Massa e Heikki Kovalainen. A experiência dos dois pode ser fundamental para fazer a equipe crescer, fora que ambos os pilotos podem ter um ganho de rendimento nessa mudança de ares.

O único problema pode ser a ida de James Key para a Toro Rosso. O engenheiro foi apontado como principal responsável pela reestruturação da Sauber, então será interessante ver se haverá queda de rendimento em 2013.

Force India

Depois de trocar um piloto nos últimos anos, a Force India parece ter se acalmado com Paul Di Resta e Nico Hülkenberg. Assim, é provável que essa parceria continue em 2013, embora nenhum tenha contrato garantido para a próxima temporada. Apesar disso, a única chance de mudança é se um dos titulares forem chamados por uma equipe grande (leia-se Paul Di Resta na Mercedes).

Como essa é uma decisão apenas de Schumacher, é difícil especular o futuro da Force India. No caso de precisar substituir Di Resta, a equipe pode fazer uso de algum piloto que sobrar no mercado, ou então promover algum jovem talento. As duas opções mais prováveis são Jules Bianchi (embora haja o conflito de interesses com a Ferrari) e Max Chilton, que já participou de alguns testes.

A escuderia indiana também pode ser uma boa opção para o campeão da GP2 deste ano. Mesmo um contrato de reserva em 2013 e titularidade garantida em 2014 não é de se jogar fora.

O fim do jejum de vitórias de Ralf Schumacher

julho 14, 2012

Ao lado de Jamie Green, Ralf Schumacher voltou a vencer no DTM. (Eu só coloquei essa foto pela loira lá atrás)

Demorou nove anos, mas Ralf Schumacher voltou a vencer. Neste sábado, dia 14, o irmão mais novo de Michael Schumacher conquistou a vitória no evento de exibição do DTM, no estádio olímpico de Munique, em uma competição similar à Corrida dos Campeões. Ao lado de Jamie Green, o ex-piloto de F1 alcançou a vitória na competição em duplas (a individual será disputada neste domingo).

É verdade que a competição não valia pontos para o campeonato, mas para quem estava sem vencer desde 2003, qualquer triunfo está valendo. Maldosamente, a gente pode falar que às vezes esquecemos que o irmão mais novo ainda compete, mas os últimos anos de Ralf no automobilismo não têm sido brilhantes.

A última vez que o caçula dos Schumacher venceu foi no GP da França de 2003, quando o alemão dominou a corrida praticamente de ponta a ponta. Naquela época, a Williams tinha um carro razoavelmente bom o triunfo em Nevers Magny-Cours encerrou uma sequência de três corridas fantásticas. O germânico já havia sido segundo em Montreal e vencido em Nurburgring.

Mas desde então Ralf teve poucas chances de repetir a vitória. Ainda pela Williams, o piloto terminou em segundo no GP do Japão de 2004 e na etapa do ano passado do DTM no Red Bull Ring, já pela equipe de fábrica da Mercedes. Além disso, o alemão conquistou três terceiros lugares pela Toyota e mais um no DTM.

Na finalíssima, Jamie Green superou Adrien Tambay para garantir o triunfo da dupla da Mercedes

Só que mais importante que o fim do jejum de Ralf Schumacher é a invencibilidade da família em eventos de exibição. Isto é, todas as vezes que um Schumacher participou de uma competição mata-mata como essa do Estádio Olímpico de Munique ele se saiu vencedor.

Antes do triunfo de Ralf deste sábado, Michael participou das últimas cinco edições da Corrida dos Campeões. Ao lado de Sebastian Vettel, o heptacampeão da F1 venceu todas as Copas das Nações – a disputa entre duplas do evento. Ou seja, desde que Michael estreou na competição de fim de ano ele jamais foi vencido correndo ao lado de Vettel.

Neste sábado, Ralf Schumacher estendeu a invencibilidade com a vitória junto de Jamie Green. Assim, das últimas seis exibições que teve um Schumacher correndo em dupla ele se saiu vencedor.

Aí você perguntar sobre o evento de exibição do DTM de 2011, afinal, essa não é a primeira vez que acontece. Só que no ano passado não houve competições em duplas. Tanto no sábado quanto no domingo os pilotos competiram individualmente. Aí a situação foi bastante diferente e Ralf terminou somente na quinta colocação.

Só que isso é algo comum para os Schumacher. Michael também jamais venceu a Race of Champions em si. Sem a parceria de Vettel, o heptacampeão chegou a duas finais (sendo vencido por Mattias Ekström, em 2007 e 2009), caiu duas vezes nas quartas de final e foi eliminado na semifinal do ano passado.

Assim, se Ralf repetir o bom desempenho neste domingo, em Munique, ele será o primeiro piloto do clã Schumacher a vencer individualmente um evento de exibição.

Este post foi uma dica do colega-nerd Renan do Couto, que escreve no Por for dos boxes.

Flechinhas de prata

fevereiro 25, 2012
Mercedes F1

Quem será o próximo piloto a ocupar a vaga de titular da Mercedes? Por culpa do DTM, a linha sucessória da equipe é confusa

Nos últimos anos, as equipes de F1 têm entrado cada vez mais na criação dos programas para jovens pilotos. Entre os times de ponta, a Red Bull é dona do junior team de maior sucesso, mas Ferrari, McLaren, Lotus (ex-Renault) e Mercedes também já criaram raízes no automobilismo de base na tentativa de revelarem um novo Sebastian Vettel para seus domínios.

Cada equipe tem um jeito diferente de atuar nas categorias de acesso, mas, certamente, o da Mercedes é o mais curioso.

O programa da montadora alemã, na realidade, é um dos mais antigos. Por conta da presença da empresa no DTM, nossos amigos germânicos trabalham já faz alguns anos nas categorias menores – leia-se F3 Euro Series – à procura de garotos talentosos. Nesse caminho, já revelaram gente como Paul Di Resta, Bruno Spengler e Jamie Green.

Quanto à F1, a Mercedes não tinha muito com o que se preocupar. Como a montadora tem um longo relacionamento com a McLaren, coube à equipe inglesa a tarefa de revelar novos pilotos durante muitos anos. Bom, na verdade, tirando Lewis Hamilton, a McLaren não precisou descobrir nenhum jovem talento. As outras equipes revelavam os garotos e eles entravam com um caminhão de dinheiro fechando a contratação. Kimi Raikkonen (Sauber) e Juan Pablo Montoya (Williams) são bons exemplos.

Desde que a Mercedes largou a McLaren para criar uma empreitada própria na F1, a situação mudou um pouco. Embora a equipe germânica conte com Michael Schumacher e com Nico Rosberg, eles já estão de olho no futuro, com uma longa lista de jovens que podem vir a ocupar um dos carros prateados.

A lista, claro, começa na Force India, que exerce a função de equipe satélite dos alemães. Não há muitas dúvidas que Di Resta e/ou Nico Hülkenberg acabarão promovidos caso algum dos atuais titulares deixe a equipe. O problema, no entanto, é a linha sucessória abaixo dos dois.

A Mercedes confirmou nesta última semana que Sam Bird vai continuar como piloto reserva da equipe. O inglês será o responsável por trabalhar no simulador ao longo dos finais de semanas de corrida, enquanto participará da World Series by Renault, onde lutará pelo título.

Embora a mudança de Bird da GP2 – onde seria um dos favoritos – para a World Series possa ser considerada uma surpresa, a permanência do inglês na equipe da F1 é normal, afinal, ele fazia muito bem a função de piloto reserva. Quer dizer, ele participou dos treinos dos novatos e está presente em todos os GPs caso precise substituir um dos titulares. Então, por que iriam trocá-lo?

Daniel Juncadella

Daniel Juncadella venceu o GP de Macau de 2011, mas vai continuar na F3 por imposição da Mercedes

O que chama a atenção é que novamente Bird vai competir em uma categoria da Renault. Nos últimos anos, a Mercedes colocou uma inexplicável medida que seus pilotos em desenvolvimento só podem disputar campeonatos usando motores da própria fabricante. Ou seja, eles só estão liberados para correr na F3 Euro Series.

É por esse motivo que Roberto Merhi, atual campeão da categoria, não conseguiu subir para a GP2 (que também é equipada com motores franceses) nem para a World Series by Renault. Como ele continua vinculado à montadora, foi obrigado a acatar a determinação e a tendência é que se transfira para o DTM.

O outro piloto da Mercedes na F3 é Daniel Juncadella. O espanhol conta com um patrocínio muito forte da Astana, que quer vê-lo na F1. De quebra, o garoto é sobrinho de Luis Pérez-Sala, o novo diretor da HRT, então provavelmente cedo ou tarde ele correrá por eles.

Juncadella sondou a GP2 na atual temporada, mas optou por permanecer na F3 por mais um ano. Assim, ele é favorito absoluto ao título e continua com os propulsores da Mercedes, sem entrar em rota de colisão com a montadora nem com os investidores.

No final da história, é possível chegar a duas conclusões. A medida da Mercedes é tão estranha que só se justifica pelo interesse da montadora em levar mão de obra qualificada para o DTM. Para todos os demais efeitos não dá certo. Tanto é que um piloto (Bird) vai correr em um campeonato da Renault, mas outro (Merhi) está proibido.

Claro que a Mercedes pode justificar dizendo que o inglês é apenas um funcionário e não faz parte do programa de jovens pilotos da equipe, por isso não tem a tal restrição. Então por que não colocam Merhi nessa função? Pelo menos manteriam um pouco mais a coerência do programa.

A outra conclusão é que se Juncadella quiser chegar à F1, ele vai. Ele pode ficar enrolando na F3/DTM até acabar o vínculo com a Mercedes e depois correr na GP2 e na HRT ou até mesmo em outra equipe, já que conta com patrocínio e com uma ajudinha da família. Até lá, o espanhol vai tentar dissuadir a montadora dessa imposição, para que ele continue na alça de mira deles enquanto passa pelos demais certames.

Novos carros da F1 2012 – Mercedes W03

fevereiro 21, 2012
Mercedes W03 F1 2012

Com novidades em cada parte, a Mercedes apresentou o carro para a F1 2012 com duas semanas de atraso

Com duas semanas de atraso, a Mercedes finalmente apresentou o W03, o carro que será utilizado na temporada 2012 da F1. Havia muita expectativa com relação ao novo modelo, afinal a equipe alemã resolveu apostar em uma reestruturação técnica ao longo do último campeonato e contratou Aldo Costa (ex-Ferrari), Geoff Willis (com passagem pela Red Bull) e Bob Bell.

Justamente por conta dos novos funcionários, a equipe foi obrigada a atrasar a apresentação do W03. Costa, por exemplo, tinha vínculo com a Ferrari até o final de 2011 e só pôde trabalhar na Mercedes nos últimos meses. Para tentar compensar esse tempo perdido, a equipe alemã atrasou o lançamento e abusou de uma brecha no regulamento, ao abrir mão de um dia no treino coletivo de Jerez – poupando alguns jogos de pneus – para poder ter um dia de atividades privadas em Barcelona.

Assim, a equipe pôde ter um treino a mais com o W03, sem a presença de nenhum outro concorrente, antes mesmo de o carro ser apresentado.

Pois bem, nesta terça-feira, dia 21, o grande dia enfim chegou, e os alemães lançaram o novo carro com direito a aquela celebração clichê de puxar o pano. Bom, com o novo equipamento enfim exibido, chegou a hora de falar quais são os segredos da Mercedes para a temporada 2012 da F1.

Assim como a Ferrari, o novo carro do time alemão também é uma quebra em relação ao que a equipe estava fazendo nos últimos anos. O W02 não deu certo – com erros na construção – e Michael Schumacher reclamava constantemente da aerodinâmica, então o novo modelo precisava revolucionar. Em um primeiro momento, deu certo.

Para começar, a nova asa dianteira é um dos grandes destaques.  A peça foi totalmente refeita em relação ao modelo anterior. No W03, ela tem algumas partes acopladas na asa, para direcionar o fluxo de ar direto às rodas, com o objetivo de aumentar a downforce. Em seguida, há o bico de ornitorrinco, mas é um pouco mais arredondado que os das demais equipes.

Ainda falando da asa dianteira, o novo carro também tem o chamado duto frontal passivo. O novo artifício não tem nada a ver com aquela invenção que obrigava os pilotos a tamparem um buraco com a mão.  Na nova peça, o ar entra por um buraco no nariz, desce pelo suporte da asa e chega à asa dianteira, sendo liberado e direcionado para os pneus.

No entanto, o destaque é um entrelace dos canais. Isto é, por conta da diferença do peso do ar quente e do ar frio, principalmente em uma curva, o ar aquecido entra em uns dutos localizados na parte extrema do bico, desce e vai ser liberado no pneu do lado oposto, aumentando o equilíbrio do carro e, claro, a aderência.

Mercedes W03 F1 2012

Vendo o novo carro da Mercedes por cima, fica mais fácil ver o tamanho dos sidepods, a posição do escapamento e os artíficios da asa dianteira

Quanto ao degrau, a nova peça é bastante avantajada, assim como o da Ferrari. No entanto, a Mercedes segue a Force India e também tem uma borda em ‘V’.

Nos sidepods e na tampa do motor, a aerodinâmica foi completamente refeita e modeladas com cuidado. Uma das grandes vantagens do W02 era a possibilidade de colocar os componentes em um espaço reduzido. No carro de 2011 não deu certo, mas no novo modelo a tática foi novamente adotada.

Dessa vez, os sidepods são tão pequenos, que acabam muito, mas muito antes da tampa do motor. No final deles estão localizados os escapamentos, que podem apontar tanto para a asa traseira quanto para a roda traseira.  Os gases quentes expelidos, claro, têm como objetivo aumentar ainda mais a downforce. O espaço na parte traseira do novo carro também possibilita o fluxo de ar chegar ao difusor.

Quando o duto frontal – o da mão no buraco – estava na moda em 2010, a Mercedes criou uma peça um pouco diferente, com duas grandes entradas de ar localizadas no topo da tampa do motor, um pouco mais atrás da entrada tradicional e do santantonio. O W03 apresenta algo parecido, mas os buracos são mais contidos. Evidentemente, a Mercedes não explicou qual parte exatamente é resfriada por essas entradas.

No fim, o novo carro da Mercedes para a temporada 2012 apresenta detalhes curiosos em quase todas as partes. Isso, no entanto, não significa necessariamente que o W03 seja um carro vencedor. O grande trunfo da equipe pode ser o eventual fracasso da Ferrari e da McLaren. Ainda que o time não consiga brigar pelas vitórias, se estiver em condições de ser a segunda ou terceira força do campeonato, certamente será uma evolução considerada satisfatória dentro dos domínios em Brackley.

Para ver a apresentação do carro da Caterham para a F1 2012 basta clicar aqui. E para ver a apresentação do MP4/27, o novo carro da McLaren para a F1 2012, basta clicar aqui.  Os carros da Ferrari e da Force India na F1 2012 é só clicar aqui. Agora, se você estiver procurando sobre o novo carro da Red Bull é só clicar aqui. A Lotus está aqui. Por fim, Williams, Sauber e Toro Rosso estão aqui, enquanto as sempre atrasadas Marussia e HRT estão aqui.

O balanço da primeira metade da F1 2011 – parte 1

agosto 18, 2011
Sebastian Vettel

Sebastian Vettel comemorando uma vitória: algo raro em 2011..

As férias de verão da F1 estão chegando ao fim. Este é o último final de semana que os pilotos têm para aproveitar antes de voltar às equipes na terça-feira e começarem (e encerrarem) os preparativos para a viagem à Spa-Francorchamps, onde a categoria disputa a 12ª etapa da temporada 2011.

Aproveitando que a F1 ainda está de férias, o World of Motorsport faz um balanço da primeira parte da temporada para cada uma das 12 equipes, além de avaliar o que o time pode fazer para a segunda parte do campeonato fora as mudanças em relação a 2012.

Nesta quinta-feira, falo sobre Red Bull, Ferrari, McLaren e Mercedes, as chamadas equipes grandes. Na sexta é a vez de Renault, Sauber, Williams e Force India, enquanto Toro Rosso, Hispania, Lotus e Virgin ficam para o sábado.

Red Bull: A temporada 2011 não poderia ter começado de forma melhor para a Red Bull, Sebastian Vettel venceu seis das primeiras oito corridas, enquanto nos 11 GPs disputados até agora, apenas os rubro-taurinos largaram na frente. Um desempenho sensacional.

Apesar de toda essa vantagem, a Red Bull está em alerta por dois bons motivos. O primeiro é que desde o GP de Valência o time não ganha. De lá para cá, Fernando Alonso, Jenson Button e Lewis Hamilton já subiram no lugar mais alto do pódio. Esse fraco momento, porém, não diminuiu a vantagem de Vettel na tabela de pontos, que ainda está 85 na frente de Webber e 88 na de Hamilton.

O problema é que a Red Bull quer voltar a vencer. Para eles não é uma questão de se reunir em Milton Keynes e dizer “é, a mágica acabou”. Eles tinham um desempenho dominante e querem voltar à boa fase. Infelizmente para o time austríaco, o carro se adapta melhor a pistas que exigem muita downforce, o que não é o caso de Spa-Francorchamps e Monza, as duas próximas etapas. Nas corridas restantes, tudo volta ao normal e os rubro-taurinos são favoritos absolutos.

O outro problema é em relação a Mark Webber. Mesmo com um carro superior, o australiano não é nem sombra daquilo que foi em 2011, quando disputou o título até as corridas finais. Dessa vez, o piloto ainda não venceu e está marcado por uma série de exibições burocráticas e péssimas largadas, mesmo quando conquista a pole-position. A má fase de Webber pode não ter relação com o declínio da Red Bull, mas talvez ter dois pilotos motivados e lutando pela vitória em cada etapa possa melhor para o desenvolvimento do equipamento.

Em 2012: A tendência é que a atual dupla seja mantida para a próxima temporada. Mark Webber deve renovar em busca de mais um ano para tentar conquistar o título, já a Red Bull não tem escolha. O mercado está travado e não tem ninguém para entrar no lugar do australiano.

O que aconteceu no mercado da F1 de 2012 é que as equipes grandes ficaram cada uma no seu canto esperando as adversárias se mexerem. Caso uma mudasse de piloto, a tendência é que todas as demais mudariam também. Por isso Lewis Hamilton foi especulado na Red Bull, Jenson Button, na Ferrari, e Felipe Massa, na Mercedes.  Como ninguém demitiu ninguém e muita gente tem contrato até o próximo ano, Webber só sai da Red Bull se quiser, e esse não parece ser o caminho que o australiano vá tomar.

Fernando Alonso

As próximas etapas são fundamentais para a Ferrari definir sobre o que fazer no restante de 2011

Ferrari: A equipe italiana começou o ano pessimamente mal ao só conseguir o primeiro pódio na quarta corrida, no GP da Turquia. Entretanto, desde então, Fernando Alonso só não subiu ao pódio em duas oportunidades, na Espanha – quando foi quinto –  e no Canadá, onde abandonou.

Felipe Massa, por outro lado, teve um campeonato oposto. Embora as primeiras corridas do brasileiro não tenham sido boas, o problema era mais o equipamento que o próprio rendimento do brasileiro. Tanto é que a pontuação de Massa era similar a de Alonso até o GP da Turquia.

Após a corrida de Istambul, quando o brasileiro foi 11º e viu o companheiro subir ao pódio, cada um tomou um caminho diferente. O espanhol teve o rendimento já citado, enquanto Massa é constantemente o último colocado entre os pilotos de Red Bull, Ferrari e McLaren.

A diferença de Fernando Alonso para Sebastian Vettel é muito grande, 89 pontos, por isso a decisão de Maranello é a seguinte: se eles conseguirem se aproximar bastante nas próximas duas corridas, quando são teoricamente favoritos, seguem na briga pelo campeonato. Do contrário, o foco vira o ano que vem.

Em 2012: Fernando Alonso tem contrato até 2016, então vai ficar na equipe e deve ter Felipe Massa como companheiro. Além de o brasileiro ter contrato com o time italiano, a Ferrari sofre do mesmo problema que a Red Bull de não ter quem colocar no lugar. O problema ficaria para os próximos anos. Stefano Domenicali já disse que o ideal para a equipe é mesclar um piloto experiente com um jovem promissor. O experiente é Alonso, que acabou de renovar o contrato, portanto, creio que alguém vá dançar no futuro.

Outro destaque na Ferrari vai ser aquele treino entre Sergio Pérez contra Jules Bianchi. Embora ele não deve valer muita coisa, o vencedor pode dar um argumento à Ferrari do porquê deve ser escolhido para o lugar de Felipe Massa.

Jenson Button

Mesmo especulado na Ferrari, é difícil que Jenson Button saia da McLaren

McLaren: Participar da temporada 2011 da F1 de forma competitiva parece ser um milagre para a McLaren. O time inglês teve sérios problemas no desenvolvimento do carro e, durante a pré-temporada, demonstrou um ritmo muito abaixo do esperado. Apesar disso, uma série de componentes foi refeita para a corrida de Melbourne e mesmo sem testes eles deram certo.

Desde então, Hamilton e Button venceram duas vezes cada, mas ambos estão distantes de Vettel na classificação. A estratégia no restante da temporada deverá ser similar à da Ferrari. Caso consigam grudar na Red Bull nas próximas etapas, eles devem seguir focados na batalha pelo título. Do contrário, o jeito é passar a pensar em 2012.

Em 2012: Quando eu falei que as equipes grandes estavam esperando uma iniciativa de uma delas para começar a mudar os pilotos, isso não inclui a McLaren. Lewis Hamilton e Jenson Button devem ficar para ao próximo ano e muito provavelmente por ainda mais tempo. Apenas uma proposta milionária poderia tirar um deles da equipe. Mas lembre que Button foi especulado na Ferrari e Hamilton, na Red Bull.

Mercedes: A temporada 2011 da Mercedes é muito ruim. Se no último ano a equipe alemã conseguiu brigar pelo pódio com certa frequência, no atual campeonato o melhor resultado é a quarta colocação obtida por Michael Schumacher no GP do Canadá. Embora Nico Rosberg tenha sido presença constante na zona de pontos, o alemãozinho está cada vez mais distante da cobiçada primeira vitória da carreira e, nas últimas etapas, andou atrás até mesmo da filial Force India.

A Mercedes só não deve mudar o foco para 2012 porque um vexame nesse final de temporada pegaria muito mal para a montadora. Então, a tendência é que as atenções sigam divididas entre o desenvolvimento do atual carro e o desenho do equipamento do próximo ano.

Em 2012: Muito se especula em relação ao futuro de Michael Schumacher na F1, mas o alemão deve continuar na próxima temporada. O heptacampeão quer cumprir os três anos de contrato com o time alemão e por isso deve retornar no próximo ano. Além disso, embora o rendimento na pista não seja bom, o carro da Mercedes também é bastante ruim, por isso não dá para falar o quanto ali é que o piloto esteja enferrujado.

Com a pista molhada, Schumacher conquistou o quarto lugar no GP do Canadá, que, aliás, foi o melhor resultado do time até aqui neste ano. Se isso não permite dizer que o alemão está no auge da capacidade, ao menos o isenta de ser o único culpado pelo fraco resultado do time em 2011.

Caso ele decida parar, um dos pilotos da Force India – Adrian Sutil, Paul Di Resta ou Nico Hulkenberg, deve ser alçado.

F1 2011 na Alemanha

julho 20, 2011
Nurburgring

Nurburgring não é exatamente a pista mais emocionante do calendário da F1. Por isso, é bom que chova

Esqueça Hockenheimring! A F1 chega neste final de semana à Nurburgring para a disputa da décima etapa da temporada 2011. E, acredite, essa é a maior novidade para a corrida. Desde 2006, as duas pistas fazem um rodízio – um tanto forçado em meio a disputas judiciais e ameaça de saída de patrocinadores – para quem vai sediar o GP da Alemanha.

Quem não tem nada a ver com essa alternância de pistas é Sebastian Vettel, que corre em casa, e aparece, obviamente, como favorito absoluto à vitória. Ainda mais depois que a FIA decidiu liberar o mapeamento do motor e o difusor aquecido desde que não haja mudanças na configuração entre o treino classificatório e a corrida.

Apesar disso, a verdade é que Sebastian Vettel jamais venceu na Alemanha. Então, tanto faz se a prova for em Hockenheimring ou em Nurburgring, em qualquer uma das duas o piloto estará na seca. Aliás, o piloto da Red Bull já chegou em primeiro em 12 das 20 pistas que compõem o calendário 2011 da F1, podendo alcançar uma 13ª nesse final de semana.

Apesar desse jejum, o desempenho de Vettel em Nurburgring, nas categorias de acesso, é animador. O atual campeão do mundo triunfou uma vez por lá correndo de World Series by Renault, em 2007, e duas na temporada 2006 da F3 Euro Series. Em Hockenheimring, por outro lado, o alemão só acumula uma única conquista.

Ainda falando sobre a casa rubro-taurina, Mark Webber foi o último vencedor em Nurburgring, em 2009, e pode se inspirar nessa conquista para tentar repetir o resultado neste final de semana. O australiano chega duplamente pressionado para essa décima etapa. Em um primeiro momento, ele é o único dos cinco pilotos que brigaram título de 2010 a não ter vencido na atual temporada. Além disso, a polêmica quanto à ordem de equipe em Silversonte trouxe novamente à tona a discussão sobre se existe segundo piloto na Red Bull. Caberá a Webber mostrar se tem, ou não e por quê.

Ferrari e McLaren, evidentemente, chegam como principais desafiantes à Red Bull. As duas necessitam de fatores externos para ter melhor desempenho, do contrário a tendência é um passeio da equipe austríaca. A McLaren espera que o retorno do mapeamento do motor volte a deixar a equipe com um bom rendimento na Alemanha. O resultado em Silverstone, quando só Hamilton pontuou chegando em quarto, pode ser considerado um fiasco para qualquer possibilidade remota de título para os ingleses.

A Ferrari, por sua vez, torce para que chova, assim eles não precisam usar o pneu duro – ponto fraco do time italiano, que não consegue desenvolver aderência com tal composto. O lado bom é que a previsão é realmente de pista molhada. Aí sim, como diriam por aí, ‘temos uma corrida’.

No meio do pelotão, o destaque fica para Mercedes, Force India e Toro Rosso. Na primeira, o fator casa pode ajudar Nico Rosberg e Michael Schumacher conseguirem resultados melhores que a sétima e oitava posição. Em caso de pista molhada, aliás, a dupla pode até mesmo entrar na briga por pódio, como já aconteceu em situações parecidas. A Force India, que tem aliança com a Mercedes, espera do mesmo fator casa para vencer. Além de Adrian Sutil e Nico Hulkenberg terem nascido por aquelas terras, Paul Di Resta é o atual campeão do DTM e, portanto, conhece essas pistas como a palma da mão.

Na Toro Rosso a graça é a disputa pela sobrevivência. Jaime Alguersuari está dando um banho em Sébastien Buemi nas últimas etapas e já começa a dar de ombro para os treinos classificatórios. O espanhol parece ter se tornado um mago da economia de pneus e mesmo com eles mais desgastados consegue ser mais rápido que o companheiro de equipe. Era tudo o que o suíço, antes favorito a continuar em 2012, não queria.

Nas nanicas, será interessante ver como Karun Chandhok se comporta na Lotus. O indiano precisa apagar o acidente do treino em Melbourne se quiser ser considerado por Tony Fernandes para a vaga de Jarno Trulli em 2012.

A minha previsão furada é que Sebastian Vettel quebra o jejum em Nurburgring, seguido pelos dois carros da McLaren.

O chato campeonato da F1 2011

junho 26, 2011
Sebastian Vettel

Sebastian Vettel está tendo um ano fantástico em 2011: vence tudo e ainda vê os adversários apresentarem desempenhos terríveis

A temporada 2011 da F1 caminha para ser a mais chata da história. Não falo das disputas na pista, onde, de certa forma, estão bem mais emocionante que nos outros anos, o problema do atual campeonato é a enorme disparidade na tabela de pontos.

Elogiar Sebastian Vettel é clichê. Em oito provas, o alemão venceu ‘apenas’ seis e conquistou sete pole-position. Um desempenho que, obviamente, é digno de campeonato. No entanto, essa temporada dominante do piloto da Red Bull é apenas um dos fatores que fazem o atual campeonato ser tão chato me termos de briga na pontuação.

Após oito etapas, Vettel soma 186 pontos, 77 a mais que os rivais Jenson Button e Mark Webber. Em termos práticos, o alemão poderia desistir de correr as próximas três etapas que ainda assim estaria na liderança. A última vez que a F1 viu um domínio assim foi quando Michael Schumacher estava no auge na Ferrari.

Em 2002, o atual piloto da Mercedes havia somado 70 pontos após oito etapas. Vencido seis, terminado em terceiro na Malásia e, em segundo em Mônaco. Em 2004, Michael vencera sete das primeiras oito corridas, mas abandonado em Mônaco, continuando com os mesmos 70 pontos de dois anos anteriores. Seguindo a regra do 10-6-4-3-2-1 que vigorou até 2002, Vettel hoje teria 72 pontos. Ou seja, um desempenho melhor que o do compatriota no auge da Ferrari.

Mas, como dito, esse é apenas um dos fatores que fazem a temporada 2011 ser tão chata. O outro é a fragilidade dos adversários. Não é só Vettel que está dominando, os rivais estão fazendo campeonatos muito ruins e irregulares. Assim, caso o piloto da Red Bull venha a ter algum problema, os desafiantes não estariam no lugar certo para aproveitá-lo.

Para comprovar, basta ver o retrospecto de Button. Em oito etapas, o inglês terminou três vezes na sexta colocação. Em outros tempos, teria somado só um ponto nessas provas. Aliás, levando a pontuação do piloto da McLaren para as antigas regras, ele teria somado apenas 30 em 2011. Lembrando que Vettel teria 72.

Webber, então, estaria ainda mais atrás. O australiano teria somado 29 pontos, mesma pontuação de Lewis Hamilton, mas perderia nos critérios de desempate, já que o britânico venceu em 2011. Fernando Alonso apareceria com 22 pontos e Felipe Massa… somente seis.

Schumacher, no auge de 2004, quando venceu 12 das primeiras 13 corridas, teve a sombra de Rubens Barrichello logo atrás. Ainda que o brasileiro não tivesse condições de brigar realmente pelo campeonato, o alemão tinha um rival pronto para esperar qualquer vacilada. E mesmo o terceiro colocado Jenson Button, na Honda, tinha um desempenho muito semelhante ao atual com a McLaren.

E mesmo no domínio de 2002, Schumacher viu o irmão Ralf, além de Juan Pablo Montoya endurecer a disputa até a sexta etapa. (Depois o colombiano conseguiria três pole-position seguidas, mas acumularia três abandonos, e o título ficaria com o agora heptacampeão.

Salvo uma grande catástrofe, o título de 2011 deve ficar com Sebastian Vettel. Não só porque o alemão está fazendo de tudo para merecê-lo, mas também por conta de os adversários estarem muito abaixo do esperado.

Schumacher não perdeu a vontade de correr.. ainda

maio 11, 2011
Michael Schumacher

Michael Schumacher pode até pensar em voltar à aposentadoria, mas é algo que guarda para si próprio

Ao contrário do que foi dito por aí, Michael Schumacher ainda não cogita abertamente a hipótese de se aposentar ao final da temporada 2011 da F1. Embora os maus resultados possam estar aos poucos fazendo com que o alemão pense em deixar as pistasr mais uma vez no final do ano, a declaração amplamente espalhada com um “perdi a alegria de correr” jamais aconteceu.

A situação foi a seguinte. O jornal Daily Express publicou uma notícia em que havia uma declaração atibuida ao heptacampeão, que, segundo a publicação, era a primeira vez em que ele falava abertamente sobre estar ficando desmotivado nas pistas. A notícia original você pode ver clicando aqui.

Só que essa matéria é um tanto estranha. Dos nove parágrafos para justificar a possível aposentadoria de Schumacher, apenas sete palavras são atribuidas ao alemão. Peraí, supondo que ele tivesse dando uma pista de que iria deixar a F1, será que nenhum repórter presente pensou em questioná-lo e conseguir uma declaração mais consistente para poder informar o que de fato o alemão está pensando? Além disso, para afirmar que o piloto da Mercedes vai parar, sete palavras dele bastaram, mas porque David Coulthard ganhou quatro parágrafos?

Analisando assim, é óbvio que a declaração foi tirada de um contexto. Potencialmente desanimado com o próprio desempenho, Schumacher deve ter lamentado a situação e a publicação resolveu dar uma forçada.

Então, para evitar polêmica desnecessária, melhor ir ao original. Schumacher de fato disse as sete palavras que o Daily Express cravou. Foi em uma entrevista à BBC após o GP da Turquia, quando ele disse que ‘não foi alegre na corrida’, um eufemismo para dizer que fo… tudo. Em momento algum ele mencionou a aposentadoria, apenas avaliou mais um péssimo resultado. A entrevista do alemão à BBC foi transcrita pela Autosport e está aqui. Assim, está demonstrado que Michael Schumacher ainda não falou em parar no final de 2011.

Apesar disso, todo mundo sabe que ele está mal mesmo. O desempenho é sofrível para quem detém todos os recordes da categoria. É uma pena ver o alemão nessa situação ainda mais com Nico Rosberg conseguindo resultados medianos. Por isso, não seria surpresa se, sem ninguém forçando, ele decidir parar de vez.

F1 2011 na Austrália

março 23, 2011
Albert Park

O belo Albert Park é o local da abertura da temporada 2011 da F1. A pista é essa estrada maior ao redor do lago. Os pits estão na parte inferior esquerda

Começou. A temporada 2011 da F1 enfim está iniciada. Nos últimos meses, você pôde comemorar o título de Sebastian Vettel, acompanhar o drama de Robert Kubica, a crise política no Bahrein e, é claro, ler o World of Motorsport. Agora, tudo isso – menos ler o blog – é passado e já faz parte dos livros de história. O novo capítulo da F1 começa agora com o GP da Austrália, em Melbourne.

A pista de Albert Park pode estar recebendo a F1 pela última vez. Como a corrida é realizada dentro de um parque, os ambientalistas conseguiram aos poucos tirar a prova do local. Contribuiu para isso o fato de o GP gerar prejuízo na cidade australiana. O que é uma pena, já que a etapa no país da Oceania é uma das melhores.

A principal característica do circuito é justamente essa citada acima. Como a pista é usada apenas para a corrida da F1 ao longo do ano, na sexta-feira ela começa muito suja, mas vai ficando muito mais rápida ao longo do final de semana. Uma dificuldade e tanto para quem tiver problemas de aderência. Outra, com o pneu macio da Pirelli se esfarelando muito rápido, a tendência pode ser pelo uso do pneu duro na corrida, o que necessita de um melhor equilíbrio do carro.

Outro fator sempre presente na Austrália são as chuvas nessa época do ano. Como sempre existe a previsão, e se ela se confirmar, a prova pode ser decidida pelo momento certo de fazer a parada assim como aconteceu em 2010, com a vitória de Jenson Button.

O GP da Austrália, em geral, é uma amostra bastante fiel do que será a temporada. Quem vai bem, costuma seguir assim nas corridas seguintes, enquanto os atrasados sempre têm anos difíceis. Por isso, o resultado da corrida deve ser um panorama bastante claro das próximas etapas.

Embora ainda seja cedo para falar qualquer coisa sobre ordem de forças das equipes, com base na pré-temporada, é possível dizer que Ferrari e Red Bull estão em um primeiro patamar e são favoritas à vitória na pista australiana.

Mais atrás, Mercedes, Williams e Renault aparecem em um segundo grupo. As três chegaram a liderar sessões durante a pré-temporada, mas como é difícil especificar como cada carro esteve em termos de quantidade de combustível e pneus novos quando foram à pista, essas posições não determinam verdades absolutas. Na soma dos tempos – quando em geral as equipes obtêm a melhor marca em configurações bastante parecidas – esses três times foram bem e talvez não seja impossível falar em vitória, mesmo que em situações bastante especiais.

Michael Schumacher, por exemplo, entra em 2011 depois de uma péssima temporada passada. Só que nos treinos do inverno europeu, o alemão foi bem e a Mercedes está bastante otimista para o novo campeonato. Todo mundo sabe do que o heptacampeão foi capaz no início da década de 2000 e, dessa vez, ele pode brigar pelas vitórias.

No entanto, é outro alemão que causou verdadeiro frisson no início de ano: Nick Heidfeld. Por algum motivo, todo mundo quer ver o Quick Nick quebrar o jejum de triunfos. Seja porque a Renault está merecendo depois de fazer um bom trabalho de reconstrução de imagem, seja porque o piloto parece ser um injustiçado, ou seja até mesmo pela aura de Robert Kubica, mas o fato é que se o carro negro da Lotus Renault vencer uma corrida, será uma das conquistas mais comemoradas. É difícil, mas não impossível.

Por fim, Rubens Barrichello também merece destaque. A Williams trabalhou duro para fazer inovações capazes de tornar o FW33 um carro vencedor. E isso gerou um monte de problemas durante os testes. Só que os ingleses dizem que está tudo consertado. O carro, que já era rápido sem o Kers, ganhou o novo artifício, a caixa de câmbio é uma das melhores de toda a F1 e os pilotos são bastante talentosos. Vencer é difícil, mas o time pode almejar bons resultados.

Apesar de eu ter falado dessas três equipes de um modo geral, a realidade é a mesma em se tratando do GP da Austrália. Pelas condições especiais descritas lá em cima, não seria nada inesperado se uma das três sair com a vitória.

Na sequência, aparecem Sauber e Toro Rosso. As duas equipes fizeram um excelente trabalho nos testes, terminando entre os primeiros diversas vezes. Para o campeonato, o objetivo vai ser marcar pontos sempre. Em um primeiro momento, Kobayashi tem mais chances na Austrália, assim como o time italiano deve optar por uma estratégia mais conservadora para tentar colocar os dois carros na zona de pontos.

Dando prosseguimento ao grid, a Force India contratou Paul Di Resta e Nico Hulkenberg, dois dos pilotos mais promissores. Só que, até o momento, o carro se mostrou ruim. Devem brigar com a Lotus de Kovalainen durante a corrida. Para terminar, carro ruim mesmo é a Virgin, que ainda tem azar de ter Timo Glock operado do apêndice às vésperas do GP. Essa não tem jeito e ainda pode correr o risco de ficar de fora com a volta da regra dos 107%.

A Hispania é uma incógnita, pois não foi à pista em momento algum e vive uma crise financeira terrível. Existe a possibilidade de milagrosamente o carro ser um foguete e ganhar corridas. Como as chances disso acontecer são menores do que eu – que nem jogo – ganhar na loteria, então o time espanhol, caso se classifique para a corrida, deverá traçar uma dura batalha com a Virgin sobre quem é mais inútil.

No entanto, faço um alerta para Narain Karthikeyan. Embora não pareça, ele é um bom piloto. No auge, talvez até melhor do que o demonstrado por Bruno Senna e Karun Chandhok até agora. No entanto, os tempos são outros e ‘Nana’ já está velho. Mas não subestimem o cara que levou a Carlin a ser o que é nas categorias de acesso e venceu várias corridas em A1GP e F-Superliga. Ah sim, ele também tem a maior torcida da F1, com cerca de 1,4 bilhão de fãs.

Mas e a McLaren?, você atento vai perguntar. Bom, essa é uma tremenda dúvida. Eles criaram um carro genialmente ruim. Aplicaram soluções inovadoras que fizeram a máquina quebrar constantemente durante a pré-temporada e, às vésperas do GP da Austrália, resolveram maneirar e mudar tudo. Martin Whitmarsh, por exemplo, falou que o time deve ganhar 1s em atualizações. 1s? Ninguém percebeu enquanto criava o carro que todas as novidades deixaria a máquina 1s mais lenta? Balela. O carro foi ruim mesmo, mas pode eventualmente brigar com Ferrari e Red Bull. Olho neles.

Antes dos palpites tortos, eu aviso que o textinho aqui saiu um pouco grande porque é início da temporada. A partir do GP da Malásia, voltam ao tamanho padrão de 2010. Além disso, os números da F1 estão de volta e devem ser postados aqui na terça-feira depois de cada GP. São imperdíveis. Indo aos palpites genialmente furados. Vettel vence, seguido por Alonso e Massa. Mas a minha torcida vai para o Schumacher.


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