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Os melhores de 2012

dezembro 31, 2012
Sebastian Vettel voltou a mostrar, em 2012, porque é o melhor piloto da F1 na atualidade

Sebastian Vettel voltou a mostrar, em 2012, porque é o melhor piloto da F1 na atualidade

O último post de 2012 no World of Motorsport não é bem uma retrospectiva. É mais uma daquelas listas que elege os melhores da temporada. Para isso, peguei os mesmos quesitos do site Driver Database e comento aqui os meus vencedores, não só me limitando aos pilotos selecionados por eles. Além disso, em todas as categorias também entra um prêmio – digamos assim – para o melhor brasileiro. Vamos aos eleitos!

Johan Kristoffersson foi tão bem pela Audi, que chegou a ser pedido no DTM pelos torcedores

Johan Kristoffersson foi tão bem pela Audi, que chegou a ser pedido no DTM pelos torcedores

Revelação do ano: Johan Kristoffersson. Eu gosto de começar essa lista pelas revelações porque geralmente é um piloto pouco conhecido, mas dono de uma história muito boa. Em 2012, não foi diferente. O sueco Kristoffersson, de 24 anos, mostrou neste ano que pode se tornar um dos melhores pilotos de turismo da atualidade, quem sabe até mesmo se tornar um sucessor de Mattias Ekström.

Este ano, o sueco disputou três campeonatos: a Superstars Series (o principal campeonato de turismo da Itália), o Campeonato Escandinavo de Carros de Turismo (STCC) e a Porsche Cup da Escandinávia. Ganhou todos. Foram 42 corridas, com 17 vitórias, 27 pódios e nove pole-position. Para isso, derrotou nomes como Johnny Herbert, Vitantonio Liuzzi e Rickard Rydell.

Esse bom desempenho chamou a atenção da Audi, que o levou para participar de um treino do DTM no início do mês. No entanto, o piloto parece não ter agradado à montadora das quatro argolas e já anunciou que não negocia para participar do campeonato alemão, ao menos em 2013.

O principal problema para Kristoffersson é que assim como o surgimento foi muito rápido ele corre o risco de voltar a desaparecer no próximo ano. Resta saber se conseguirá aproveitar a boa fase e fechar alguns contratos vantajosos enquanto está em evidência.

No Brasil: Gabriel Casagrande. Dos muitos jovens pilotos que fizeram a transição para o automobilismo europeu de base em 2012, o paranaense não era um dos mais badalados. Pelo contrário, competindo pela equipe de Mark Burdett e enfrentando o encerramento das atividades da F-Renault UK, Casagrande tinha tudo para que os últimos 12 meses fossem jogados no lixo.

O piloto, no entanto, deu a volta por cima e se mostrou rapidamente um candidato às primeiras posições na F-Renault Norte-Europeia (NEC). Foram apenas dois pódios e uma primeira fila na largada, mas a certeza de que por uma equipe maior e sem um início de trabalho tumultuado poderia ter brigado por posições melhores.

Bruno Spengler ficou com o título do DTM ao vencer em Hockenheimring

Bruno Spengler ficou com o título do DTM ao vencer em Hockenheimring

Melhor pilotos de categorias de turismo: Bruno Spengler. Kristoffersson teve um desempenho muito bom em 2012, mas competiu por campeonatos de segundo escalão. Entre os grandes nomes do esporte a motor, Spengler foi quem levou a melhor.

Foi difícil decidir entre o piloto canadense da BMW e Brad Keselowski, da Nascar quem merecia o título aqui. Para escolher o premiado, levei em conta o que cada um fez na etapa decisiva de seus respectivos campeonatos. É verdade que Kese conquistou o título do certame americano apenas no seu terceiro ano completo na categoria, mas na corrida decisiva ele não foi bem.

O americano sofreu com uma estratégia errada nos boxes e só garantiu matematicamente a taça com o abandono de Jimmie Johnson. Mesmo assim, caso o rival tivesse continuado na prova, não havia risco de o piloto da Penske perder a taça, mas a última corrida não foi uma boa exibição.

Spengler, por outro lado, precisava vencer a etapa de Hockenheim para ficar com o título do DTM e foi justamente isso que aconteceu. O canadense segurou  Gary Paffett durante todas as últimas voltas daquela prova, para receber a bandeira quadriculada na frente e dar à BMW o primeiro título da montadora no retorno ao campeonato.

No Brasil: Nelsinho Piquet. Assim como definir o melhor piloto de turismo internacional, também foi difícil escolher um brasileiro para dar o prêmio. Afinal, além de Nelsinho, quem também um ano incrível foi Augusto Farfus, o primeiro representante do país a largar na pole e a vencer no DTM.

No entanto, Piquet teve conquistas mais expressivas em 2012, mesmo sendo um segundanista na Nascar Truck Series. O ex-piloto de F1 venceu na Nascar East, na Nationwide e duas vezes na própria Truck Series em circuitos ovais. Ele também se tornou o primeiro piloto estrangeiro a ter vencido tanto em circuito misto quanto oval na Nascar.

Sergio Sette Câmara venceu o torneio da IAME, o X30, na França

Sergio Sette Câmara venceu o torneio da IAME, o X30, na França

Melhor kartista: a definir.

No Brasil: Sérgio Sette Câmara. Em 2012, não teve um piloto de kart que tenha se destacado esmagadoramente. Nomes como Ólin Galli, Gustavo Myasava, João Vieira e até mesmo Gabriel Casagrande tiveram desempenhos muito bons, mas até mesmo pelo vasto número de torneios nacionais, não houve alguém que dominasse. Por isso, levo em conta títulos nessa hora. E Sette Câmara, correndo com chassi ART Grand Prix, venceu o mundial da fornecedora de motores IAME.

Luiz Razia fez uma etapa sensacional em Valência

Luiz Razia fez uma etapa sensacional em Valência

Surpresa do Ano: Luiz Razia. O que podemos dizer? Ninguém esperava que Luiz Razia fosse um candidato ao título da GP2, em um grid com nomes como Davide Valsecchi, Esteban Gutiérrez, Giedo van der Garde e até mesmo Felipe Nasr.

No entanto, o piloto baiano se mostrou focado durante toda a temporada e, com quatro vitórias, ficou com o vice do principal campeonato de acesso da F1. A taça só não veio porque ele acabou cometendo um erro na etapa de Monza, que acabou com qualquer chance de recuperação.

No mundo: Ryan Hunter-Reay. Aqui é preciso fazer uma inversão. Como Razia venceu o título principal de Surpresa do Ano, não faria sentido colocar mais um brasileiro. Por isso, escolho alguém que também surpreendeu em uma categoria internacional: Ryan Hunter-Reay. O americano venceu quatro vezes em 2012, bateu Will Power e se tornou o primeiro americano campeão da Indy desde Sam Hornish Jr.,em 2006.

Mesmo com os problemas, Sebastian Vettel foi campeão em Interlagos

Mesmo com os problemas, Sebastian Vettel foi campeão em Interlagos

Piloto de monopostos do ano: Sebastian Vettel. Eu gosto quando chega nessa parte da lista porque eu não preciso fazer um longo texto explicando a escolha pelo piloto alemão. Todo mundo já está cansado de saber os motivos de o piloto da Red Bull ser premiado, então eu posso ser breve aqui.

Talvez o único adversário de Vettel, em 2012, tenha sido Fernando Alonso, mas condecorar o espanhol não seria a melhor escolha. Além de ter encerrado o ano com o vice-campeonato, o piloto da Ferrari teve um desempenho pior que o de Felipe Massa nas duas últimas etapas da F1. Por isso, precisou de artimanhas da equipe italiana para ganhar posições, incluindo a do brasileiro. Portanto, não acho justo premiar um desfecho desses.

No Brasil: Luiz Razia e Helio Castroneves. Experientes em suas categorias, esses dois pilotos brigaram pelo título em 2012. Enquanto Razia foi uma surpresa na GP2, Castroneves se aproveitou do bom desempenho do carro da Penske e do motor Chevrolet para tentar desafiar Will Power e Ryan Hunter-Reay na Indy.

Com duas vitórias em 2012 – St. Pete e Edmonton –, Castroneves teve números muito parecidos com os que havia conquistado no seu auge na categoria, quando brigou pelo título nas últimas décadas. Dessa vez não deu, mas o reconhecimento está aí.

Antonio Félix da Costa dominou a World Series mesmo tendo estreado na quarta etapa

Antonio Félix da Costa dominou a World Series mesmo tendo estreado na quarta etapa

Novato do ano: António Félix da Costa. É difícil questionar o desempenho do piloto luso na World Series by Renault . Quando foi chamado para substituir Lewis Williamson no programa de jovens pilotos da Red Bull, o escocês estava na última posição do campeonato, sofrendo com um carro mal acertado, principalmente após uma pré-temporada muito mal feita.

Demorou cinco corridas para que Félix da Costa se encontrasse. Depois de um desempenho irregular nas primeiras etapas, o luso terminou em segundo lugar na corrida 2 de Silverstone. A partir daí, a história foi feita. Nas últimas cinco corridas do campeonato, o piloto venceu quatro e terminou a outra em segundo para mostrar que poderia ter disputado o título caso tivesse participado de todas as etapas da temporada.

O bom desempenho do português é ainda mais expressivo, já que a própria World Series by Renault foi vencida por um novato, Robin Frijns. No entanto, apesar de o holandês ter mostrado um desempenho excepcional, ele não teve a menor chance desde que Félix da Costa se juntou à categoria.

No Brasil: Augusto Farfus. Reconhecimento mais do que merecido para o segundo melhor piloto da BMW no DTM. ‘Ninho’, como é chamado pela esposa, conquistou duas pole-position em 2012 e se tornou o primeiro brasileiro a triunfar no certame, com a primeira colocação conquistada em Valência.

Piloto do ano: Sebastian Vettel. Acho que se havia alguma dúvida quanto ao desempenho do tricampeão da F1 em 2012 todas elas foram desfeitas com as quatro vitórias seguidas na temporada asiática e com as recuperações nos GPs de Abu Dhabi – quando largou em último – e do Brasil.

No Brasil: Nelsinho Piquet. É inegável que o ex-piloto da F1 fez história na Nascar com as conquistas de 2012. Agora é ver se ele va continuar marcando seu nome na categoria nos próximos anos.

Recapitulando:

Revelação: Johan Kristoffersson / Gabriel Casagrande
Piloto de turismo: Bruno Spengler / Nelsinho Piquet
Kartista: a definir/ Sergio Sette Câmara
Surpresa: Luiz Razia / Ryan Hunter-Reay
Piloto de monopostos: Sebastian Vettel / Luiz Razia e Helio Castroneves
Novato: António Félix da Costa/Augusto Farfus
Piloto do ano: Sebastian Vettel / Nelsinho Piquet

Concorda com a lista? E a sua, como seria?

As vitórias do Brasil em 2012

dezembro 26, 2012
A vitória de Oswaldo Negri em Daytona foi uma das mais marcantes de 2012

A vitória de Oswaldo Negri em Daytona foi uma das mais marcantes de 2012

Como já é tradição aqui no World of Motorsport, essa última semana de 2012 será destinada a uma extensa programação especial de fim de ano. Você verá uma série de posts que faz um balanço de tudo o que aconteceu na temporada, além de já adiantar um pouco o que pode acontecer em 2013.

Dito isso, todos os anos eu faço um levantamento de todas as vitórias obtidas pelos pilotos brasileiros ao longo da temporada. E esse é o assunto deste primeiro post do especial. Antes de começar, faço um aviso. Eu posso ter esquecido algum piloto ou vitória. Isso acontece e juro que não é perseguição com ninguém. Se você sentir falta de algum nome, basta me avisar nos comentários que eu corrijo.

Indo às conquistas, em 2012, os representantes do Brasil alcançaram 48 vitórias no automobilismo internacional, o que mostra uma evolução com relação ao ano passado, quando os triunfos somaram apenas 40.

Esse crescimento, claro, tem uma explicação. Nos últimos 12 meses, vários pilotos brasileiros conseguiram encerrar jejuns de vitórias. Nomes como Luiz Razia, Helio Castroneves, Bruno Junqueira, Nelsinho Piquet, Oswaldo Negri, Henrique Martins e Nicolas Costa voltaram a subir ao degrau mais alto do pódio, após alguns anos longe. Isso, aliás, foi tema de um post aqui no blog, que você pode clicar aqui para relembrar.

Nicolas Costa foi o único piloto campeão nos monopostos em 2012

Nicolas Costa foi o único piloto campeão nos monopostos em 2012

Outra coisa é que houve um desempenho positivo nas categorias de base, ainda que Costa tenha conquistado o único título do Brasil na modalidade. Dos seis pilotos que mais venceram em 2012, cinco vem dos campeonatos de base (o outro é Nelsinho Piquet), encabeçados justamente pelo campeão da F-Abarth.

O outro nome que merece destaque é o de Danilo Estrela, vice-campeão da Skip Barber de inverno. Só que vale uma observação na campanha do piloto goiano. Embora ele também tenha conquistado seis vitórias rumo ao segundo lugar, dois desses triunfos aconteceram em 2011, mas como é um campeonato bianual, que acontece nos mesmos moldes do futebol europeu, essas vitórias só foram contabilizadas agora.

Por fim, um último detalhe. As quatro vitórias de Lucas Foresti no F3 Brazil Open este ano, ao contrário de 2011, entraram como conquistas internacionais, pois dessa vez havia pilotos de outros países competindo em Interlagos. Como no ano passado foram apenas brasileiros, contei como vitórias nacionais. Agora, voltaram a ser internacionais.

Abaixo você pode conferir cada uma das vitórias internacionais em 2012, lembrando que há distinção de triunfos em categorias diferentes que dividem a mesma pista. Como é o caso das provas de endurance, com carros protótipos e GTs, por exemplos.

Nicolas Costa 6 6x F-Abarth
Danilo Estrela 6 6x Skip Barber Winter
Bruno Bonifácio 4 4x F-Abarth
Luiz Razia 4 4x GP2
Nelsinho Piquet 4 2x Truck Series, Nationwide, Nascar East
Lucas Foresti 4 Brazil Open, corrida 1,2,3 e 4
Henrique Martins 3 3x F3 Italiana
Antonio Pizzonia 2 2x Auto GP
Helio Castroneves 2 2x Indy
Pierre Kleinubing 2 2x Continental Series (categoria ST)
Pipo Derani 2 2x F3 Inglesa
João Paulo de Oliveira 2 1x F-Nippon e 1x SuperGT
Bruno Junqueira 1 1x ALMS (categoria PC)
Augusto Farfus 1 1x DTM
Alan Chanoski 1 1x Latam Challenge
Oswaldo Negri 1 1x GrandAm
Pietro Fantin 1 1x F3 Inglesa
Adriano Medeiros 1 1x Nascar EuroRacecar
Pietro Fittipaldi 1 1x Nascar AllAmerican
Cacá Bueno foi mesmo o nome a ser batido no Brasil

Cacá Bueno foi mesmo o nome a ser batido no Brasil

No Brasil, sem contar Mini Challenge, Audi DTCC e Mercedes Challenge, os pilotos brasileiros conquistaram 130 vitórias em 2012. O número foi sensivelmente menor que no ano passado, quando foram 175 triunfos em território nacional.

O culpado, digamos assim, por essa diminuição foram os campeonatos de monopostos. A F-Futuro foi extinta, enquanto a F3 Sudamericana teve um calendário reduzido e com rodadas duplas, ao contrário das triplas de 2011. A diminuição do número de provas da Copa Montana deu números finais.

Como resultado dessas alterações, o panorama de vitórias ficou um pouco mais próximo da realidade. No ano passado, o campeão de conquistas foi Fabiano Machado, da F3, com 17. Dessa vez, a primeira posição coube a Cacá Bueno, que terminou o ano com 11 conquistas.

Nada mais justo, para falar a verdade. O filho do narrador global competiu em três categorias em 2012 – Stock Car, Copa Fiat e GT Brasil – disputando o título de todas. Venceu nas duas primeiras e ficou com o vice da segunda. Nas campanhas, foram três vitórias na Stock, cinco no certame de Felipe Massa e outras três no GT Brasil, correndo ao lado de Claudio Dahruj.

A segunda colocação teve um empate entre André Bragantini e Higor Hoffman. Ambos venceram sete etapas, sendo que o primeiro se dividiu entre quatro conquistas no Brasileiro de Marcas e três na Copa Fiat. Higor, por sua vez, conseguiu uma marcar curiosa ao se tornar o primeiro piloto da categoria Light a vencer uma corrida da divisão principal da F3 nos últimos anos. A vitória aconteceu no encerramento do campeonato, em Curitiba. Os outros seis triunfos do garoto foram pela Light.

Abaixo você pode conferir os principais vencedores no Brasil em 2011. Lembrando que eu posso ter esquecido alguém em ambas as relações. Caso você perceba um nome faltando, pode avisar que será alterado.

Cacá Bueno 11 3x Stock Car, 5x Copa Fiat, 3x GT Brasil
André Bragantini 7 4x Br de Marcas, 3x Copa Fiat
Higor Hoffman 7 F3 Sudam e 6x F3 Sudam Light
Allam Khodair 6 2x Stock Car e 4x GT Brasil
Leandro Totti 6 6x F-Truck
Clemente Lunardi 6 6x Porsche Cup
Thiago Camilo 5 2x Stock Car, 2x Br de Marcas e 1x Copa Fiat
Ricardo Baptista 5 5x Porsche Cup
Felipe Guimarães 4 4x F3 Sudam
Raphael Raucci 4 4x F3 Sudam Light
Marcelo Hahn 4 4x GT Brasil

Quem brilhou no treino dos novatos da F1

novembro 9, 2012

A Red Bull mais uma vez esteve presente em Abu Dhabi para o treino dos novatos

A F1 encerrou nesta semana, em Abu Dhabi, o chamado treino dos novatos. Essa atividade foi criada, há dois anos, a partir de uma reclamação da FIA e de outros figurões das categorias de base para que os jovens pilotos passassem a ter mais oportunidade de testar os carros da F1, principalmente após a proibição de treinos ao longo da temporada. Por isso, apenas atletas sem experiência na categoria – além de Gary Paffett – podem participar.

Só que o treino dos novatos foi desfigurado em 2012. A discussão começou já no fim do último campeonato, quando a FIA divulgou o calendário da atual temporada. Com a inclusão do GP dos EUA, ter o treino em Abu Dhabi apenas uma semana antes da viagem a Austin, se tornou um pesadelo logístico. Assim, algumas equipes quiseram mudar a data para o mês de julho, em Silverstone, em plena temporada europeia.

Dez das 12 equipes concordaram com a mudança, apenas Red Bull e Toro Rosso bateram o pé e afirmaram que só aceitavam testar em Abu Dhabi. Sem escolha diante desse impasse, a FIA liberou que cada equipe escolhesse quando e onde iriam andar.

Por causa disso, o treino foi dividido em três partes. Williams, Marussia e HRT seguiram o plano original e testaram em Silverstone, em julho. No entanto, essas equipes só puderam ter dois dias de pista, já que a atividade foi marcada em cima da hora. Outras três equipes – Ferrari, Mercedes e Force India – optaram por seguir para Nevers Magny-Cours, entre os dias 11 e 13 de setembro, para evitar a logística de Abu Dhabi, mas garantir os três dias de treinos. As últimas seis – Red Bull, McLaren, Lotus, Sauber, Toro Rosso e Caterham – estiveram na Marina de Yas, nesta semana.

Devido a essa fragmentação, é difícil analisar a atividade como um todo. Por exemplo, como avaliar o desempenho de Valtteri Bottas, que liderou todos os dias que participou, com cerca de 2s de vantagem para os demais adversários, mas só competiu contra os piores carros do grid? Para tentar responder isso, o World of Motorsport faz uma lista de cinco pilotos que se destacaram ao longo dos oito dias de treinos dos novatos de 2012.

1)      Kevin Magnussen – McLaren

Ninguém aproveitou o treino dos novatos tanto quanto o jovem dinamarquês. Depois de fazer uma boa temporada na World Series by Renault, quando terminou com três pole-position e uma vitória, Magnussen chegou a Abu Dhabi menos badalado que seus companheiros de categoria António Félix da Costa e Robin Frijns.

Para piorar a situação, o dinamarquês ainda teria que enfrentar concorrência dentro da própria McLaren, já que Oliver Turvey e Gary Paffett – ambos com larga experiência na F1 – também iam testar. Só que Kevin não se importou com nada disso. O piloto terminou na liderança geral no primeiro dia, em Yas Marina, e foi o vice-líder no terceiro dia de atividades.

Na comparação dentro da equipe inglesa, Kevin colocou 0s7 de vantagem em Paffett e 0s8 em Turvey, tendo testado com o mesmo carro e no mesmo dia dos companheiros. Assim, o dinamarquês sai do país asiático deixando de ser apenas mais um na linha sucessória da escuderia para se tornar, sim, uma opção para um futuro não tão distante.

Jules Bianchi

2)      Jules Bianchi – Ferrari e Force India

Se Magnussen foi o maior nome dos treinos de Abu Dhabi, Bianchi aproveitou as atividades de Nevers Magny-Cours para impressionar. A eterna promessa da Academia da Ferrari tinha chegado ao circuito francês em um início de temporada bastante irregular da World Series by Renault: havia conquistado duas vitórias, mas terminado quatro vezes fora da zona de pontos.

Mesmo assim, nos testes ele não fez feio. Treinando pela Ferrari, o piloto dominou os dois primeiros dias, colocando mais de 1s no segundo lugar. Até aí tudo bem, isso era mais do que esperado. Só que o grande momento de Bianchi aconteceu no terceiro dia de treinos, quando trocou a escuderia italiana pela Force India.

Aí, trabalhando com o mesmo time em que participa dos treinos livres da F1, o piloto deslanchou. Mesmo com uma equipe mediana, o gaulês voltou a dominar os treinos, sendo 1s4 mais rápido que o próprio carro da Ferrari, dessa vez comandado por Davide Rigon. Sam Bird, na Mercedes, também não foi páreo para o colega de World Series, fechando 1s atrás.

Com esse desempenho, não restam dúvidas de que Bianchi está pronto para a F1. O problema é que não há muitas vagas para o próximo ano. A única chance, provavelmente, seja a própria Force India.

3)      Davide Valsecchi – Lotus

A participação de Valsecchi no treino dos novatos não deixou de ser uma surpresa. O atual campeão da GP2 não havia sido especulado em nenhuma equipe, mas acabou descolando uma vaga na Lotus ao lado de outras eternas promessas como Edoardo Mortara e Nicolas Prost.

Contando com o bom equipamento da equipe britânica, que havia vencido o GP de Abu Dhabi com Kimi Raikkonen, o italiano pôde mostrar que o título do campeonato de acesso não veio por acaso. Competindo contra Magnussen e Esteban Gutiérrez, além de Robin Frijns – no duelo particular entre o campeão da GP2 contra o vencedor da World Series –, o piloto terminou na liderança do terceiro dia de treinos em Yas Marina, na única vez em que testou.

O resultado, porém, não deve ser o suficiente para garanti-lo na F1 no próximo, pelo menos como titular. Com apenas Force India e Caterham com vagas em aberto, o italiano pode usar o desempenho em Abu Dhabi para tentar comprar a função de reserva em algum time. Por outro lado, talvez seja melhor pensar no automobilismo fora da F1 e levar um currículo recheado e vitorioso para algum outro campeonato.

4)      Valtteri Bottas – Williams

Como eu disse lá em cima, é bastante difícil falar qualquer coisa sobre Bottas, já que o piloto da Williams teve apenas os carros da Marussia e da HRT como rivais em Silverstone. No entanto, o finlandês fez o que era esperado. Dominou os treinos sem maiores problemas, colocando um século de vantagem para os rivais e mostrando que está cada vez mais próximo da função de titular da equipe inglesa.

Porém, é difícil comparar o Bottas do treino dos novatos do piloto que ele se tornou neste final de campeonato. Na época dos testes, ele ainda era o reserva da Williams, que tentava se adaptar à F1 após o título da GP3. Agora, alguns meses depois, o nórdico já se credenciou como um piloto de F1. Pior para Bruno Senna, que deverá abrir a vaga na equipe inglesa.

5)      António Félix da Costa – Red Bull

Alguns leitores portugueses aqui do blog dizem que eu implico com Félix da Costa. Acho que eles têm razão. Por exemplo, o piloto luso teve os mesmos resultados de Magnussen em Abu Dhabi: terminou o primeiro dia na vice-liderança e foi o mais rápido no segundo dia, então, por qual motivo o piloto da McLaren ficou com a primeira colocação dessa lista, enquanto o da Red Bull fechou o top-5?

A resposta é simples. Todo mundo esperava que FDC terminasse na frente nos dois dias de treinos, enquanto o dinamarquês, no máximo, estaria ali no meio do pelotão. O que aconteceu foi o contrário. Magnussen encenrrou na ponta, vencendo o confronto direto contra o próprio piloto português.

Isso, no entanto, não tira o mérito de Félix da Costa. Sem dúvida nenhuma, ele foi o jovem piloto de 2012. A grande questão agora é saber o que vai fazer em 2013. Será que ele terá a oportunidade de participar de treinos livres pela Toro Rosso? Ou então repetirá Daniel Ricciardo e entrará como titular da HRT? O mais provável é que ele dispute novamente a World Series by Renault enquanto trabalha no simulador da Red Bull.

Para encerrar a lista, quem também merece uma menção especial é Luiz Razia. O brasileiro foi um dos poucos pilotos – ao lado de Bianchi e Frijns – a testar por duas equipes diferentes e teve o melhor desempenho em Magny-Cours, quando ficou apenas 0s5 atrás da Ferrari, andando pela Force India. Talvez seja baseado nesse desempenho, que o vice-campeão da GP2 espera arrumar uma vaga na F1 em 2013.

Não há mais espaço para Roberto Moreno na F1

outubro 31, 2012

Luiz Razia e Davide Valsecchi podem ficar fora da F1 em 2013

Campeão e vice da temporada 2012 da GP2, Luiz Razia e Davide Valsecchi estão encontrando dificuldades para fazer a transição para a F1 no próximo ano. O número de vagas abertas é pequeno, e dezenas de pilotos se digladiam por elas.

Se os dois quiserem correr em 2013, as poucas chances são negociar com Force India, Sauber (onde Esteban Gutiérrez deve ser anunciado) e Williams (que deve fechar com Valtteri Bottas).

Embora os pilotos pagantes sejam sempre apontados como culpados pela falta de vagas na F1, essa é apenas metade da história. A verdade é que o grid da categoria nunca esteve tão forte. Praticamente todos os pilotos das equipes medianas, como Nico Hülkenberg, Paul Di Resta, Daniel Ricciardo, Jean-Éric Vergne, Romain Grosjean e até mesmo Bottas e Gutiérrez têm currículos lotados de títulos e vitórias nas categorias de base e foram classificados como acima da média muito antes de estrearem na F1.

Ou seja, não estou dizendo que Razia e Valsecchi sejam maus pilotos. Pelo contrário, eles mais uma vez demonstraram que podem brigar pelas primeiras colocações. O problema é que enfrentam pilotos melhores na briga pela F1. Desse jeito, a eles só sobram as vagas destinadas aos pagantes – algo que eu escrevi esses dias –, e por isso são obrigados a levantar uma elevada quantia se quiserem correr.

Às vezes, competir por Marussia e Caterham não é tão ruim

Por isso não entendo essa rejeição pelas equipes menores. Se Razia e Valsecchi têm currículos inferiores, seria de certa forma natural buscar equipes pequenas para poder continuar no esporte. É verdade que o ritmo de prova de Caterham, Marussia e HRT não agrada, mas acho que são muito mais rápidas que ficar no sofá de casa.

Outra coisa que precisa ser levada em conta é que os pilotos nunca sabem o dia de amanhã. Ninguém sabe o que vai acontecer em 2013. Vai que algum competidor dos times intermediários sofre um acidente de helicóptero, perde o braço e obrigue a escuderia a buscar alguém nos times menores.

Não estou desejando o mal a ninguém, mas isso já aconteceu na F1. Em 1990, Alessandro Nannini sofreu um grave acidente aéreo e foi obrigado a encerrar a carreira. Para a vaga do italiano, a Benetton contratou o brasileiro Roberto Pupo Moreno, que estava na pequena EuroBrun.

Agora veja como as coisas se encaixam. Moreno foi campeão da F3000, em 1988, depois de quatro temporadas (apenas duas completas) na categoria. No entanto, o brasileiro não encontrou nenhuma vaga em equipes de ponta na categoria principal e acabou fechando com a Coloni, antes de se transferir para a EuroBrun.

Por esses dois times, o piloto se inscreveu para participar de 30 GPs, dos quais sequer passou da pré-classificação em 16. Em outros sete, não conseguiu se classificar. E a única vez que conseguiu terminar uma corrida foi no GP dos EUA de 1990. Ou seja, correr hoje por Caterham, Marussia e HRT é uma situação muito, mas muito melhor que essa.

Moreno e a terrível EuroBrun

Claro que Moreno deu sorte e conseguiu sair dessa situação ao acertar com a Benetton. Pelo time italiano, o brasileiro subiu ao pódio em uma oportunidade e ainda conquistou outros três top-5.

Obviamente, Moreno é uma exceção. A maior parte dos pilotos que correram por times pequenos acabou se afundando antes de conseguirem ir para uma equipe maior. No entanto, eles tiveram coragem e souberam admitir quando era preciso começar de baixo para crescer na F1.

Claro que ninguém precisa de uma tragédia para ser dar bem. Por exemplo, em 2013, a HRT, pode surpreender e construir um carro rápido. Não para somar pontos, mas ao menos para brigar com Marussia e Caterham. Com isso, em uma próxima temporada, os pilotos do time espanhol vão estar em melhor posição para negociar com as demais escuderias.

Vendo o que aconteceu com Moreno – e com tantos outros campeões e vices da F3000/F2 – talvez a F1 não tenha mudado tanto assim nos últimos anos. Algumas coisas ainda são bastante parecidas. Talvez o que tenha mudado seja a mentalidade dos pilotos.

O fim da GP2 2012

setembro 22, 2012

Depois de 30 anos na GP2, Davide Valsecchi conquistou o título da categoria

A GP2 enfim terminou. Depois de seis meses, 12 etapas e 24 corridas, Davide Valsecchi superou Luiz Razia e se sagrou campeão daquela que foi considerada uma das temporadas mais fracas da história da categoria.

Em 2012, o principal campeonato de acesso da F1 sofreu com um grid abaixo da média. Desde o advento dos novos carros, no último ano, a categoria se tornou bastante cara, o que acabou afugentando pilotos menos abastados. Como resultado, a qualidade do pelotão como um todo desabou.

Isso, porém, não quer dizer que não tivemos bons pilotos. O problema foi com os coadjuvantes de uma maneira geral. Como a GP2 se tornou uma categoria cara, os pilotos com menos chances de títulos acabaram optando por correr na World Series by Renault. Assim, as vagas abertas foram ocupadas por garotos endinheirados, mas de talento questionável.

Isso acabou acelerando o processo de entressafra. A geração de Jules Bianchi, Sam Bird e Christian Vietoris deixou o campeonato, mas não foi reposta. É verdade que surgiram alguns bons nomes como James Calado – o melhor novato de 2012 –, Felipe Nasr e Rio Haryanto, além de alguns pilotos medianos e os tais pagantes.

Quem se aproveitou de tudo isso foram os velhos conhecidos do pessoal: Davide Valsecchi e Luiz Razia, que se fizeram valer da experiência secular no campeonato para deixar os demais adversários para trás e monopolizarem a briga pelo título.

Agora vai ser interessante ver como Valsecchi e Razia vão levar a carreira adiante

Apesar disso, há um consenso. Não importa quem vencesse, o campeão de 2012 não empolgou. Não é que os dois sejam pilotos ruins, mas depois de quatro ou cinco anos na GP2 eles não mostraram que podem fazer algo diferente dos atletas que já estão na F1. Muito provavelmente, Razia e Valsecchi – se tiverem os recursos $ necessários – podem construir carreiras vencedoras em outro lugar, mas a impressão nesse momento é que a F1 não é para eles.

Na verdade, acho que isso é até saudável para ambos. Ao invés de gastar cada centavo e patrocínio para se arrastarem por HRT, Marussia ou até mesmo apenas disputando os treinos livres de sexta-feira, eles estão livres para buscar outras categorias onde podem ser campeões.

Na Indy, por exemplo, há uma vaga aberta na equipe satélite da Ganassi e outra na Penske. Recentemente, a BMW anunciou que vai expandir de seis para oito carros em 2012 no DTM. No Mundial de Endurance, Dindo Capello se aposentou e abriu espaço na Audi, enquanto os japoneses adorariam um piloto de qualidade internacional para correr na F-Nippon e no SuperGT. E estamos falando do campeão e do vice da GP2. É difícil que haja pilotos com currículos tão vencedores na briga por esses lugares.

E realmente acho essas oportunidades boas. São a chance que os dois pilotos têm para aproveitar o bom momento em que vivem.

A carreira de Luiz Razia pode ser uma verdadeira roda gigante. Ou não

Razia, por exemplo, chegou à GP2 depois de ter vencido a F3 Sul-americana e só não ter triunfado na F3000 Italiana – atual Auto GP – porque não competiu na última etapa para focar na adaptação à nova categoria. Valsecchi, por sua vez, sempre se mostrou muito rápido, mas demorou para se encontrar na GP2. O italiano ficou duas temporadas na péssima Durango e mesmo tendo vencido uma corrida sabia que de lá não iria a lugar algum. As passagens por Addax – em substituição a Romain Grosjean – e pela estreante Air Asia, no último ano, evidenciaram um piloto desesperado para mostrar resultado e que pegaria qualquer vaga disponível. Em 2012, tendo uma equipe estável como a Dams como suporte, o piloto conseguiu reproduzir o desempenho que o fez chamado de promissor uma vez.

Quanto ao restante do grid, não vejo muito futuro. Gente como Max Chilton e Johnny Cecotto fizeram uma excelente temporada se fossem considerados novatos. O problema é que eles acabaram de encerrar o terceiro ano na categoria e só agora conseguiram mostrar valor. Um quarto na GP2 no máximo acabaria transformando-os nos novos Valsecchi e Razia.

Giedo Van Der Garde, por sua vez, foi uma decepção. O holandês, que já foi campeão mundial de kart, concluiu o quarto ano no campeonato e passou longe da briga pelo título. Um quinto ano na categoria seria sacal, enquanto uma eventual ida à F1 parece ainda mais distante que em 2011 visto o fraco desempenho neste ano.

No geral, agora é torcer para que o grid de 2013 seja mais forte com a saída de tantos veteranos. Pessoalmente, não vejo muitas melhoras. A GP3 sofreu esse ano com a falta de qualidade da maior parte dos pilotos. As F3 foram esvaziadas e o pulo para a GP2 está cada vez mais inviável pela diferença monetária entre os campeonatos. E a própria World Series by Renault não é uma opção, já que os pilotos que estão se destacando neste campeonato em 2012 são justamente aqueles que tiveram passagens pela GP2, como Jules Bianchi e Sam Bird.

James Calado é o destaque da GP em 2012

junho 24, 2012

Davide Valsecchi e Luiz Razia têm melhores resultados, mas quem vem se destacando na GP2 2012 é James Calado

A longa temporada 2012 da GP2 finalmente chegou à metade. Seis rodadas já foram (Malásia, Bahrein 2x, Barcelona, Mônaco e Valência) e outras seis ainda estão por vir (Inglaterra, Alemanha, Hungria, Bélgica, Itália e Cingapura). Assim, com 50% do campeonato disputado, já é possível tirar algumas conclusões.

Em primeiro lugar, o título parece que vai ficar entre Davide Valsecchi e Luiz Razia, os pilotos mais experientes do certame, que juntos acumulam nove temporadas no campeonato. É verdade que o italiano era favorito desde os treinos coletivos, no início do ano, mas o brasileiro não deixa de ser uma surpresa na briga. Em qualquer lista de previsões da pré-temporada, Razia no máximo aparecia correndo por fora, enquanto Esteban Gutiérrez detinha o posto de forte candidato.

Só que o mexicano da Lotus não tem feito uma boa temporada, ocupando apenas a sexta colocação na tabela, e olha que ele ainda herdou a vitória em Valência, para dar um aumento na pontuação.

Mas se Gutiérrez não tem ido bem, a Lotus ainda tem motivos para comemorar. Nessa primeira metade do campeonato, é difícil pensar que alguma estrela brilhou mais que a de James Calado. O estreante ficou em evidência em Valência, ao ficar preso atrás do safety-car na primeira corrida e perder uma vitória certa, quando era cerca de 2s por volta mais rápido que os adversários.

Mas antes da etapa espanhola, o britânico já vinha se mostrando um piloto diferenciado. Nas 12 corridas até aqui, já subiu ao pódio em quatro oportunidades, incluindo a vitória na corrida curta de Sepang. Mesmo sendo menos experiente, não teve problema em deixar Gutiérrez para trás desde o início do campeonato e dessa forma ocupa a terceira colocação na tabela, com 95 pontos.

Nesse momento do ano, o inglês entra em um momento decisivo para deixar claro suas pretensões para o restante de 2012. Ele pode se espelhar em Jules Bianchi, por exemplo, que com a mesma Lotus (antes chamada de ART Grand Prix) terminou o campeonato de 2010 na mesma terceira colocação, mas sem conquistar vitórias e longe da briga pelo título com Pastor Maldonado e Sergio Pérez.

Ou então, Calado pode tomar Nico Hulkenberg como exemplo. Em 2009, o atual titular da Force India começou com resultados discretos, mas entrou na briga pelo título a partir da etapa da Alemanha, onde venceu as duas provas correndo em casa. Desde a corrida germânica, Hulk venceu cinco vezes, subiu ao pódio em oito oportunidades e garantiu a taça em um raro domínio de um novato na GP2

Calado, assim, tem todas as chances de colocar o plano em prática. Para começar, ele já tem uma vitória em 2012. Depois, a próxima etapa é em Silverstone, onde o piloto deve conhecer como a própria mão, já que fez carreira no automobilismo inglês. Se o garoto começar uma virada à Hulkenberg, talvez ainda dê tempo de pensar na taça no final do ano.

Para terminar, o britânico ainda pode se aproveitar do retrospecto de seus principais concorrentes. Valsecchi, por exemplo, é um piloto que costuma ir melhor na primeira metade da temporada. Em 2011, 100% dos pontos do italiano foram conquistados nas cinco etapas iniciais. No ano anterior, nas oito corridas entre a rodada da Alemanha e da Itália, ele só pontuou uma única vez. Além disso, o histórico de Razia não é tão diferente, mas no caso do brasileiro é difícil fazer uma comparação mais precisa, já que apenas em 2012 ele teve a chance de pontuar constantemente.

Quem são os pilotos brasileiros no mundo em 2012

maio 1, 2012

Nenhum dos pilotos no exterior gera tanta expectativa quanto Felipe Nasr

Pilotos brasileiros: quem são? Como vivem? E o que pensam? Ok, brincadeiras à parte, neste final de semana começam algumas das principais categorias do automobilismo mundial como a World Series by Renault, a F-Renault Eurocup e F3 Alemã. Assim, salvo a GP3, praticamente todos os campeonatos do esporte a motor já deram o pontapé inicial da temporada 2012.

Aproveitando a data comemorativa, como já é tradição, o World of Motorsport faz uma lista com todos os pilotos brasileiros que correm no exterior para que você saiba onde cada um corre e possa acompanhar o desenvolvimento deles. Além de apontar os atletas, o blog também faz um pequeno comentário, que avalia a chance de título de cada um deles.

Para isso, uma pequena ordem será respeitada: apenas quem já foi confirmado oficialmente pelas equipes aparece aqui, a lista está em ordem alfabética e ao lado de cada um se encontra a categoria que compete, além das chances de título.

P.S.: obviamente não é possível conhecer todo mundo, então posso ter esquecido um ou outro piloto. Se for esse o caso, me avise ali nos comentários e eu atualizo aqui o mais rápido possível.

Oswaldo Negri já conquistou uma vitória em 2012

Alan Chanoski – LATAM Challenge – desconhecida. Não conheço o rapaz. Pelo pouco que pude ver, não compete em uma prova profissional desde 2007, mas isso não significa muita coisa

André Negrão – World Series by Renault – média. Negrão fez uma boa pré-temporada. Não vejo o paulista lutando pelo título, mas é possível fazer uma boa campanha

Augusto Farfus – DTM – baixíssima. É o primeiro ano do brasileiro no DTM, assim como a estreia da BMW. São uma parceria para evoluir, mas no momento estão atrás não só da Audi e da Mercedes como de alguns outros pilotos da própria BMW

Bruno Bonifácio – F-Abarth – alta. A pré-temporada de Bruno Bonifácio foi muito boa, terminando a maioria das sessões na segunda colocação. Na rodada de abertura do campeonato não foi tão bem, mas ainda é um dos favoritos

Bruno Junqueria – ALMS – baixíssima. Bruno é bom piloto, mas corre pela limitada equipe Rocketsports de Paul Gentizolli. Na própria categoria LMPC há times mais estruturados

Bruno Senna – F1 – nula. Williams né?

Cacá Bueno – Super TC2000 – alta. As chances de Cacá Bueno ser campeão na Argentina dependem dele disputar a temporada completa ou não

Carlos Iaconelli – Nascar East – nula.

Daniel Oliveira – WRC – nula.

Danilo Estrela – Skip Barber – altíssima. É o cara a ser vencido. Experiente e em boa fase seria uma surpresa muito grande se ele perder

Enrique Bernoldi – GT Italiano – desconhecida. Não conheço o campeonato para avaliar as chances de Bernoldi

Eric Granado – Moto2 – nula

Fabiano Machado – GP3 – nula

Fábio Orsolon – F2000 – alta. É experiente, tem boas chances de título se correr a temporada completa

Felipe Fraga – F-Renault Alps – baixa. O problema de Fraga é ser um estreante em 2012. Mas o desempenho que o garoto vem tendo nos treinos coletivos e nas primeiras corridas da carreira está sendo sensacional. Vencer parece ser questão de tempo

Felipe Massa – F1 – nula.

Felipe Nasr – GP2 – baixa. Felipe vem fazendo uma excelente temporada para um novato. Mas ainda não é boa o bastante para falar em título. A expectativa é que o brasilense consiga melhorar o desempenho na fase europeia e principalmente na segunda perna asiática do campeonato

Gabriel Casagrande – F-Renault NEC – nula. Outro que acaba de fazer a transição do kart para os monospostos. Se a mudança de carro não fosse por si só traumática, Gabriel tinha assinado para correr a F-Renault UK, mas o campeonato faliu e a participação na versão NEC só foi acertada de última hora. É bom piloto, mas agora o que conta é o aprendizado

Guilherme Silva – F-Renault Alps – média. Com adversários mais fracos que o da F-Renault Eurocup, o piloto mineiro tem chances melhores de fazer uma boa temporada

Guilherme Silva – F-Renault Eurocup – nula. Em termos relativos, a F-Renault Eurocup é atualmente o campeonato mais difícil do mundo para ser vencido. Então, não dá

Gustavo Lima – F-Renault Alps – baixa. Gustavo está estreando na Europa (e nos monopostos) em 2012. Avaliá-lo agora é um baita exagero

Helio Castroneves – Indy – média. Helio vem fazendo uma temporada muito boa, o problema é a fase de Will Power. Talvez após a temporada de ovais as chances do brasileiro fiquem um pouco mais claras

Henrique Baptista – F-Renault BARC – nula. Seb Morris, Scott Malvern e Josh Webster estão muito acima dos demais adversários. Ademais, Baptista está fazendo a transição do kart para os monopostos e precisa de tempo

Henrique Martins – F3 Italiana – média. É o atual líder do campeonato, o que é surpreendente. Mas pode ser que competir em carros mais potentes fosse o que o garoto precisava

Jaime Melo – European Le Mans Series – alta. Não sei se Jaime Melo vai disputar a temporada completa da ELMS ou se correu apenas em Paul Ricard. Mas na divisão GTE-Pro, que ele participou, tem apenas três carros inscritos e levando em conta a experiência do brasileiro, as chances são elevadas

Jaime Melo – WEC – baixa. São cinco carros na classe GTE-Pro do Mundial de Endurance. Duas Ferrari de fábrica, um Aston Martin de fábrica, o Porsche atual campeão e a Ferrari em que está Jaime Melo. Não me parece um cenário positivo

João Paulo de Oliveira – F-Nippon – alta. Ele é sempre favorito na F-Nippon, mas não será um campeonato fácil

João Paulo de Oliveira – SuperGT – média. Geralmente JP tem mais dificuldade de conseguir bons resultados no SuperGT que na F-Nippon, então as chances aqui também são menores

JV Horto – Indy Lights – nula. Já perdeu uma etapa por falta de patrocinador…

Leonardo Jafet – Skip Barber – média. Jafet ainda não foi confirmado de forma oficial na Skip Barber, mas disputou o campeonato de inverno da categoria, onde foi bem. O problema é que há pilotos mais experientes (como Danilo Estrela) no certame

Lucas Foresti – World Series by Renault – baixa. Lucas não fez um bom trabalho na pré-temporada e costuma apresentar bons resultados no segundo ano em uma categoria. Acho que 2012 não é o ano do brasiliense

Luiz Razia – GP2 – alta. É uma surpresa, mas Razia parece o desafiante de Davide Valsecchi na batalha pelo título

Marco Túlio Souza – F-Renault Challenge – média. É um campeonato longo, mas o brasileiro é um estreante e não foi bem na primeira etapa. No entanto, ele ainda tem boas chances de se recuperar

Matheus Stumpf – Iber GT (GT Espanhol) – desconhecida. Não conheço o campeonato para avaliar as chances de Stumpf, mas imagino que sejam baixas

Miguel Paludo – Nascar Truck Series – baixíssima. Paludo ainda não demonstrou uma evolução com relação ao desempenho que teve em 2011

Nelsinho Piquet – Nascar Truck Series – alta. Nelsinho está em uma excelente fase, não há dúvidas. A grande questão é se ele será capaz de bater James Buescher e Timothy Peters

Nicolas Costa – F-Abarth – alta. No segundo ano na categoria, Nicolas Costa corre por fora na briga pelo título, mas pode surpreender, já que conta com bom equipamento

Oswaldo Negri – GrandAM – média. Depois da vitória em Daytona, se esperava mais de Negri, mas o brasileiro não conseguiu bons resultados nas duas corridas seguintes

Paulo Nobre – WRC – nula.

Pierre Kleinubing – Continental Series – alta. Megavencedor no turismo norte-americano, Pierre tem boas chances de título. Atualmente, ocupa a vice-liderança do campeonato na categoria ST

Pietro Fantin – F3 Inglesa – média. Pietro precisa usar a experiência de um ano na categoria para poder duelar com Carlos Sainz pelo título. O espanhol, no entanto é o favorito

Pietro Fittipaldi – Nascar All American – baixa. Ano passado Pietro venceu na divisão Limited Late Models em Hickory. Agora o brasileiro está no campeonato principal da pista, o buraco é mais embaixo, então acho que 2012 é um ano de aprendizado

Pipo Derani – F3 Inglesa – baixa. Pipo tem sido uma surpresa no início de 2012. A dúvida é se ele será capaz de manter a boa fase

Rafael Suzuki – F3 Japonesa – nula. É o único piloto correndo com o F308 contra o adversários de F312. Aí fica difícil

Roberto Lorena – F1600 – baixa. Lorena estreia nos monopostos em um campeonato difícil. Após a primeira rodada, a equipe de Bryan Herta (onde não compete o brasileiro) parece superior às demais

Rubens Barrichello – Indy – baixa. Eu acho que todo mundo esperava uma temporada um pouco melhor de Barrichello em 2012. Ele conseguiu três top-10 consecutivos, mas ainda é pouco, ainda mais com a boa fase de Will Power

Thiago Calvet – Ginetta Challenge – média para alta.

Tony Kanaan – Indy – baixa. Em primeiro lugar, a KV está perdendo para ela mesma. Aí não tem milagre de Tony, Barrichello ou E.J. Viso que resolva

Victor Carbone – Indy Lights – alta. Os americanos têm uma expressão ‘put all together’, que pode ser traduzida como ‘dar tudo certo’. É o que o paulista precisa no momento para ter chances de ficar com a taça

Victor Franzoni – F-Renault Alps – baixa. Franzoni fez a pré-temporada pela equipe Cram, mas resolveu assinar com a Koiranen de última hora. A mudança é positiva em termos de desempenho da nova equipe, mas requer uma adaptação. Assim, os resultados do paulista devem aparecer no segundo semestre principalmente

Victor Guerin – Auto GP – nula. Em seis corridas, o brasileiro somou 16 pontos. O líder do campeonato é Adrian Quaife-Hobbs com 105. Não acredito em uma recuperação milagrosa. Minha opinião é que Guerin precisa parar de pular de categoria todos os anos para ter alguma chance

Vinícius Alvarenga – F-Abarth Italiana – nula. Ainda não foi confirmado na categoria, mas as chances são nulas

Yann Cunha – World Series by Renault – nula. É outro que precisa parar de pular de categoria para ter alguma chance

Yukio Duzanowski – F-Abarth Italiana – baixa. Ainda não foi confirmado na categoria, mas as chances são pequenas até pelo poder das demais equipes

O fim do jejum para os pilotos brasileiros

março 31, 2012
Oswaldo Negri

Em Daytona, Oswldo Negri encerrou um jejum de vitórias que já durava desde.... ahm... meu deus, fazia tempo hein?

O que Oswaldo Negri, Helio Castroneves, Luiz Razia, Henrique Martins, Nelsinho Piquet e Nicolas Costa têm em comum? Bom, todos são pilotos brasileiros e competem no exterior faz alguns anos. Mas mais do que isso, os cinco seis encerraram longos jejuns de vitórias em 2012.

O primeiro a comemorar foi Negri, que triunfou nas tradicionais 24 Horas de Daytona ao lado de John Pew, AJ Allmendinger e Justin Wilson, ainda no início de fevereiro. Competindo pela equipe de Michael Shank, o quarteto era avaliado como o candidato que corria por fora diante do favoritismo dos novos Corvette DP.

No entanto, na corrida, os carros com motores Chevrolet foram ficando pelo caminho, enquanto Negri e Allmendinger, com pilotagens muito agressivas, garantiram a conquista do Ford de número 60. Essa foi a primeira vitória do brasileiro desde o dia 31 de agosto de 2008, quando triunfou ao lado de Mark Patterson na etapa de New Jersey na GrandAM.

Depois, as vitórias de Razia, Castroneves e Nelsinho, na última semana, foram separadas por apenas algumas horas. O primeiro a triunfar foi o piloto baiano, na madrugada da última sexta-feira, já tarde de sábado na Malásia.

Largando da segunda colocação na abertura da temporada 2012 da GP2, Razia ultrapassou o favorito Davide Valsecchi na saída e assumiu a liderança da prova. A partir daí, o brasileiro só precisou economizar os pneus e administrar a vantagem para o antigo companheiro de equipe até receber a bandeira quadriculada.

Razia não estava entre os favoritos para a GP2 em 2012, mas deixou Sepang na liderança do campeonato. O triunfo, aliás, foi o primeiro desde o fim de 2009, quando ganhou a corrida curta da rodada de Monza do mesmo certame. Para comemorar o fim da seca, os malaios deixaram o hino nacional tocar por longos 3min10s. Uma eternidade “deitado eternamente em berço esplêndido”.

Helio Castroneves

Depois de um 2011 muito irregular e completamente ofuscado pelo companheiro Will Power, Helio Castroneves voltou a vencer na Indy

Algumas horas depois da vitória do baiano, foi a vez de Nelsinho Piquet comemorar a primeira conquista nos Estados Unidos. Como convidado na etapa de abertura da East Series, o ex-piloto de F1 dominou todas as atividades em Bristol e segurou o promissor Ryan Blaney para receber a bandeira quadriculada na frente.

O jejum de vitórias de Piquet era tão grande, que provavelmente você não lembra quando foi a última. Na verdade, foi em 2010. Nem faz tanto tempo, não é mesmo? Só que o triunfo tinha acontecido em uma etapa do International GT Open, o equivalente ao GT Brasil da Espanha. Na ocasião, o brasileiro tinha sido convidado pela equipe lusa Aurora Racing a disputar a etapa da Catalunha ao lado do português Álvaro Parente em uma Ferrari.

Sem maiores dificuldades, os dois ex-pilotos da GP2 dominaram a primeira corrida do final de semana catalão e ficaram com a vitória. Em 2010, Piquet já havia disputado algumas corridas da Truck Series e da ARCA, mas não tinha feito a temporada integral nos Estados Unidos. Se não fosse essa conquista peculiar, a última conquista do brasileiro havia sido em 2006, ainda na GP2.

No último domingo, Helio Castroneves também encerrou um jejum de vitórias na Indy ao ultrapassar Scott Dixon e J.R. Hildebrand para vencer pela terceira vez em São Petersburgo. Depois de uma temporada muito irregular em 2011, o piloto da Penske, obviamente, é o líder do campeonato e finalmente conseguiu tirar um pouco da atenção dada a Will Power nos circuitos mistos.

A última vez que Castroneves pôde exibir a tradicional comemoração do Homem Aranha havia sido em 2010, quando o piloto vencera de forma consecutiva as etapas do Kentucky e de Motegi da Indy. Curiosamente, as duas em ovais.

Henrique Martins

Henrique Martins venceu logo na rodada de estreia na F3 Italiana

O último penúltimo dos cinco seis brasileiros a encerrar a seca de vitórias foi Henrique Martins. Neste sábado, dia 31, o piloto de apenas 19 anos de idade ganhou a segunda corrida da rodada de abertura da F3 Italiana, em Valência, ao se beneficiar da regra do grid invertido. Essa foi a estreia de Martins na competição.

O curioso é que o garoto jamais havia vencido nos monopostos, então o jejum de conquistas devia durar desde o kart. Apesar disso, Henrique foi o campeão da F3 Sudam na divisão Light, em 2009, quando foi nove vezes o piloto mais bem classificado entre os que corriam com o antigo Dallara F301. Conta como vitória, é verdade, mas imagino que o triunfo deste sábado tenha sido especial.

Com esses pilotos tendo um desempenho tão bom em 2012, depois de momentos de baixa nas respectivas carreiras, acho que Felipe Massa e Rubens Barrichello têm em quem se inspirar para voltarem a brigar pelas primeiras colocações em suas respectivas categorias. Afinal, o quinteto acima mostrou que nunca se deve afirmar que um piloto não tem chances de vitória.

P.S.: Desde que eu comecei a contabilizar as vitórias dos pilotos brasileiros, em 2010, acho que essa é o primeiro ano com tanta gente vencendo as corridas de abertura dos seus campeonatos.

P.S.2: Neste domingo, Nicolas Costa, o primeiro campeão da história da F-Futuro venceu uma das três provas da rodada de abertura da F-Abarth em 2012, também em Valência. O carioca não triunfava desde 2010, quando vencera tanto no torneio de inverno da F-Abarth quanto na própria F-Futuro.

O que esperar dos brasileiros na GP2 2012

março 24, 2012
Luiz Razia GP2 Malásia

Ah, o pódio na Malásia. Essa cena pareceu ter durado para sempre..

A etapa da Malásia da GP2 teve sabor especial para Max Chilton. No terceiro ano na categoria, a eterna promessa inglesa conseguiu o primeiro pódio na carreira ao terminar a corrida longa no terceiro lugar, na prova que foi realizada na manhã do sábado em Sepang – madrugada de sexta por aqui.

Assim, nada mais justo que o inglês pudesse aproveitar cada segundo desse debute no pódio, não é mesmo? A sensação deveria ser tão boa que, para Chilton, a cerimônia na Malásia pareceu que não ia acabar nunca. Louco para abrir o merecido champagne, o britânico parecia em êxtase enquanto ouvia o hino brasileiro por eras.

Por que estou contando isso? Bom, caso você não tenha assistido, a corrida foi vencida por Luiz Razia. O baiano subiu ao pódio e o hino nacional começou a tocar. Sabe-se lá o motivo, ao invés de tocarem aquela versão curta da música – tradicional em competições –, a melodia tocada deu um loop eterno e ficou no ar durante incríveis três minutos e dez segundos. Um recorde mundial.

O vídeo dessa longa cerimônia está no fim desse post e é hilário. No início, os mecânicos estranham a música longa e ficam com aquela sensação de que não acaba. Depois de um tempo, constrangido com o mal estar, o cinegrafista para de filmar os funcionários e passa a mostrar apenas Luiz Razia. Sensacional.

Na verdade, a cerimônia toda foi um desastre para os brasileiros. Além da longa música, a bandeira também estava desproporcional. Se eu fosse patriota – com muito orgulho e com muito amor – ficaria chocado, como não ligo, acho fantástico essas coisas saírem erradas uma vez ou outra.

Luiz Razia GP2 Malásia

Verdade seja dita, Luiz Razia jamais teve um desempenho tão dominante na GP2 quanto na prova em Sepang

Talvez todos esses erros tenham acontecido pela falta de vitórias brasileiras na GP2. A última havia sido no dia 13 de setembro de 2009, quando o próprio Luiz Razia terminou na primeira colocação na corrida curta da etapa de Monza.

Falando no piloto baiano, o resultado foi importante para ele. Mesmo na quarta temporada na categoria, Razia não apareceu em nenhuma lista de favoritos ao campeonato. O principal nome, claro, sempre foi de Davide Valsecchi, mas o igualmente veterano Giedo Van Der Garde também estava bem cotado. Em um patamar menor, Fabio Leimer, Stefano Coletti e Esteban Gutiérrez eram bem elogiados.

Não é por acaso que Razia tenha uma cotação tão baixa. Em três temporadas, o brasileiro nunca teve um desempenho tão dominante quanto o de Sepang. É verdade que ele já havia triunfado em Monza, mas por se tratar da corrida curta, a dificuldade era muito menor.

Felipe Nasr GP2 Malásia

Felipe Nasr também descolou um pódio na Malásia

De qualquer forma, com esse triunfo, será possível mudarmos as chances de Razia e colocá-lo como um dos favoritos ao título? Acho que sim, mas ainda não seria tão otimista. O carro da Arden é bom, mas não é nada fora de série, tanto que todo ano eles beliscam algumas vitórias aqui e ali.

Ou seja, obviamente para que Razia tenha chances de brigar pelo título, ele precisa manter esse nível de desempenho ao longo de todo o ano. E é aí que mora o perigo. Se nas próximas etapas o brasileiro voltar a aquela maré de azar, com acidentes e fracos resultados a rodo, a pressão em cima do baiano pode ser maior do que ele possa aguentar.

E não falo isso no achismo. Estatisticamente, nas três temporadas anteriores, Razia marcou pontos nas corridas de abertura em duas: foi sétimo na Espanha, em 2010, e sexto na Turquia, no campeonato passado. Apesar disso, em 2010, o brasileiro enfrentou um jejum de 12 corridas sem pontuar. No ano passado, nas últimas dez provas, Razia só pontuou em uma: o terceiro lugar na Hungria, quando largou na pole-position.

Nesses dois anos, o brasileiro também contabilizou 12 abandonos, pelas mais variadas razões. Errou, foi tocado e teve problemas mecânicos. Assim, é essa inconsistência que joga contra o próprio piloto. Se Razia nunca esteve nas listas de favoritos, é justamente por não ter conseguido dar sequencia aos bons resultados. Agora, cabe ao próprio piloto mostrar reação se quiser levantar a taça no final do ano.

Para não deixar passar, que corrida fez Felipe Nasr hein? Largou mal, mas aproveitou-se dos problemas com os pilotos da Lotus para terminar na sexta colocação na estreia. O pódio na manhã deste domingo foi a cereja no bolo da grande atuação no final de semana para um novato.

Ocupando a quinta colocação no campeonato, se conseguir manter a consistência em somar pontos nessa temporada, o atual campeão da F3 Inglesa já pode imaginar um bom resultado no final do ano. Título não estaria descartado, mas é realmente algo muito difícil no momento. Apesar disso, acho que Nasr começa a justificar o porquê de ser considerado um dos pilotos mais promissores entre os que não estão na F1.

Por fim, confira o looooongo hino nacional na Malásia:

Quem paga a conta dos pilotos brasileiros?

agosto 11, 2011
Luiz Razia

Além de alguns patrocinadores menores, Luiz Razia corre com o apoio da Razia Sports, que é da família Razia

Na quarta-feira, dia 10, cinco carros da World Series by Renault testaram na pista de Snetterton, na Inglaterra, de olho na etapa de Silverstone da categoria, marcada para os dias 20 e 21 de agosto. Entre eles, o mais rápido foi Cesar Ramos, da Fortec, que conseguiu um grande resultado mesmo com tão poucos participantes.

A marca do brasileiro foi cerca de 0s5 mais veloz que a do companheiro de equipe, o badalado Alexander Rossi. Apesar disso, Cesar disse que talvez não possa usar o que aprendeu no teste, pois não tem garantias financeiras de poder continuar no campeonato. Em resumo: o dinheiro do patrocínio acabou.

Cesar Ramos, que tem no currículo o título invicto do Campeonato de Inverno da F-Renault Italiana, da F3 Italiana e a sexta colocação na F-Renault Eurocup (correndo contra Valtteri Bottas, Daniel Ricciardo e Jean-Eric Vergne), é mais um piloto brasileiro na complicada situação de não poder prosseguir na carreira por estar sem dinheiro. Aí fica difícil falar em renovação na F1 e na Indy se ninguém investe nos jovens daqui.

Eu poderia fazer uma lista enorme de pilotos brasileiros que precisaram abandonar a carreira, ou voltar ao Brasil recentemente por conta da falta de patrocínio. Mas, para simplificar, é mais fácil dizer logo de uma vez que são todos.

Levando em conta a GP2 e a Indy Lights, portas de entrada para F1 e Indy, respectivamente, o Brasil tem dois representantes de forma integral em 2011: Luiz Razia e Victor Carbone.

Razia tem alguns patrocinadores pequenos, mas na lateral do carro – na área nobre para os investidores – está estampado o próprio nome do piloto, ou da equipe homônima na F3, não importa. Isso significa que o dinheiro ali está saindo da família e que o baiano mal conta com apoiadores.

Victor Carbone

Victor Carbone tem apoio da Nevoni, que é da família Carbone

Na Indy Lights, a situação é a mesma. Victor Carbone, atual campeão da F2000, corre pela poderosa Sam Schmidt com o logo da Nevoni estampado no carro de número 3. A Nevoni é uma empresa da própria família Carbone, então, assim como acontece com Razia, não há ninguém de fora na operação financeira.

É claro que tanto a Nevoni quanto os patrocinadores do Razia têm retorno por mostrar a marca ali para o mundo todo (ou para os EUA). A questão, aqui, não é essa. É a falta de investidores fora da própria família dos pilotos.

Aí a gente olha para Felipe Nasr na F3 Inglesa. O piloto de 19 anos, que logo terá a responsabilidade de ser o maior nome do país no automobilismo mundial, tem um carro completamente em branco (ok, é amarelo, branco é modo de dizer que não tem patrocinador). Só que alguém tem que pagar esse carro, o principal equipamento da Carlin – o do carro 31 – não é barato. Alguém está colocando dinheiro ali e não deve ser uma empresa, do contrário teríamos os logos dela ali presente.

Assim, se os dois pilotos do Brasil na GP2 e na Indy Lights mal contam com apoio fora das famílias e se Felipe Nasr não tem nenhuma referência a patrocínio no carro, o que podemos esperar do restante da temporada de Cesar Ramos?

P.S.: eu sequer tenho ainda diploma universitário, então, obviamente, não tenho recursos para patrocinar piloto algum. Porém, alguém aí talvez possa ter esse interesse. Caso você tenha vontade e dinheiro suficiente para isso, escreva nos comentários que eu entro em contato e passo o endereço do manager do Cesar Ramos. Da mesma fora, se quiser patrocinar Nasr, Razia, Carbone, ou qualquer outro, pode comentar do mesmo jeito, que a gente encontra uma forma de entrar em contato com eles.


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