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O que esperar de Barrichello após o primeiro treino coletivo na Indy

março 9, 2012
Rubens Barrichello Indy Sebring

Não dá para negar que Rubens Barrichello foi a grande atração do primeiro treino coletivo da Indy em 2012

A Indy realizou nesta semana, em Sebring, o primeiro treino coletivo para a temporada 2012 da categoria. Evidentemente, a grande estrela das atividades foi Rubens Barrichello, que teve a rotina acompanhada de perto pelos figurões da categoria.

Só que não era apenas a presença do brasileiro que importava. Na realidade, todo mundo queria ver o desempenho do ex-piloto da Williams. Afinal, até agora, Barrichello havia participado de testes nunca com mais de dez pilotos, mas dessa vez ele teria a oportunidade de andar com casa cheia, já que praticamente todos os pilotos confirmados para 2012 estiveram presentes.

Para os treinos, a Indy propôs um regulamento esquisito. Na segunda e na terça-feira, cerca de metade do grid foi à pista. Esse primeiro grupo foi composto praticamente pelos pilotos da Penske e da Andretti, além de gente como Simona De Silvestro e Simon Pagenaud. Na quarta-feira houve um descanso, com os carros da Indy Lights entrando em ação, enquanto o segundo grupo de competidores tiveram quinta e sexta-feira para testar.

Com isso, Barrichello, Tony Kanaan e os carros da Ganassi ficaram apenas com os dois últimos dias e, portanto, jamais encontraram a pista nas mesmas condições que os rivais de Penske e Andretti.

Mesmo assim, é possível tirar algumas conclusões desse primeiro treino coletivo da Indy em 2012. Levando em conta a melhor volta de cada piloto ao longo dos quatro dias, Barrichello ficou com o quarto melhor tempo. O novo contratado da KV só ficou atrás da dupla principal da Ganassi – Scott Dixon e Dario Franchitti –, além de Helio Castroneves.

O ex-piloto da F1, portanto, superou Will Power, Ryan Briscoe, Graham Rahal e todos os carros da Andretti e da KV. Também foi o melhor estreante, evidentemente.

Rubens Barrichello Tony Kanaan Indy Sebring

Rubens Barrichello deixou o companheiro de equipe Tony Kanaan para trás no primeiro treino

É natural que com um resultado desses, a expectativa com relação a Barrichello para a temporada aumente. Se havia dúvidas quanto à adaptação do brasileiro à nova categoria, elas foram sanadas nessa semana. Afinal, competindo de igual para igual com todos os grid, o paulista conseguiu estar sempre entre os primeiros colocados.

Talvez a referência mais óbvia para Barrichello, ainda mais por causa desses primeiros resultados, seja Nigel Mansell. O inglês foi o último piloto do grande escalão da F1 a deixar a categoria para correr no mercado norte-americano. Mas para quem já começou a tecer essa comparação é preciso tomar cuidado a alguns fatores.

O primeiro deles é que Barrichello não é Mansell. Os dois certamente estão presentes na história da F1 como alguns dos pilotos mais talentosos da categoria, mas há uma clara diferença de habilidade entre eles. Outro fator é que apenas o inglês conseguiu chegar ao título no certame europeu.

Quando Mansell deixou a F1, ele era o atual campeão da categoria e acertou com a Newman/Haas, que tinha sido o melhor time da Indy nos últimos dois anos. Michael Andretti conquistara o título de 1991 pelo time e perdera o do ano seguinte para Bobby Rahal por causa da inconsistência nos resultados, embora o carro da NH tenha sido superior ao da Rahal.

Barrichello, por sua vez, acertou com uma equipe que ainda busca a primeira vitória na Indy. É lógico que os torcedores do brasileiro querem vê-lo brigando por vitórias e até mesmo pelo título, por que não? Mas falar em taça para um time que jamais venceu me parece um passo muito grande.

Nigel Mansell Newman/Haas

Nigel Mansell tinha uma equipe muito mais estruturada à disposição

A própria KV sabe das suas limitações estruturais. Em 2009, por exemplo, eles só inscreveram um carro na temporada toda, para Mario Moraes. Agora, três anos depois, são três máquinas, para Kanaan, Barrichello e E.J. Viso.

E os dirigentes do time – Jimmy Vasser e Kevin Kalkhoven – reconhecem que a contratação de cada um desses atletas (principalmente os brasileiros) elevou o nível da equipe. Então não é só Barrichello que precisa se adaptar à categoria, os integrantes da equipe também vão precisar se acostumar à pressão de trabalhar em alto nível na luta pela vitória em uma semana sim e em outra também.

Em termos práticos, eles serão obrigados a definir coisas como tática nos boxes e estratégia de combustível em cima da hora, no calor do momento. Na etapa do Anhembi do ano passado, foi uma dessas decisões – errada – que custou uma possível vitória de Takuma Sato. Na ocasião, o japonês vinha na liderança, mas acabou obrigado a fazer o reabastecimento em bandeira verde, enquanto os principais rivais aproveitaram o safety-car.

Além disso, vale lembrar que era o argentino Esteban Guerrieri que estava negociando com a KV para ficar com a terceira vaga. Barrichello apenas apareceu do nada e se tornou uma oportunidade irrecusável para o time americano. Então, os engenheiros e mecânicos que vão trabalhar com o brasileiro não são necessariamente os top de linha contratados para lutar pelo título, mas funcionários de Sato na temporada passada e que imaginavam Guerrieri como piloto.

Isso tudo não quer dizer que Barrichello não possa ser campeão nesse ano de estreia. Ele pode. Mas é preciso ficar claro que será uma tarefa muito mais difícil que a de Mansell, há 19 anos.

P.S.: a soma dos tempos dos treinos da Indy em Sebring você pode ver clicando aqui.

A agenda cheia de Takuma Sato em 2012

março 2, 2012
Takuma Sato

Takuma Sato sabe que terá muito trabalho em 2012

Meio sem querer, Takuma Sato foi pivô da grande contratação da Indy para a temporada de 2012. O japonês estreou na categoria norte-americana, dois anos atrás, quando a Honda viu uma boa oportunidade de atrair ainda mais o interesse do público nipônico pela categoria.

Na época, a montadora era a única fornecedora de motores do campeonato, mas para marcar presença entre os japoneses era obrigada a apoiar pilotos de qualidade questionável como Kousuke Matsuura, Roger Yasukawa e Hideki Mutoh. Assim, até mesmo na etapa de Motegi, a torcida local era obrigada a vibrar pelos pilotos ocidentais.

Para tentar melhorar um pouco as coisas, os diretores da Honda resolveram apostar em uma contratação de peso: Takuma Sato. O bom desempenho do japonês na F1 – ainda que nada extraordinário – tinha sido o suficiente para criar uma torcida apaixonada e fiel pelo atleta. Mas esses torcedores acabaram órfãos quando Takuma foi substituído por Rubens Barrichello na equipe da F1.

Na ideia de convencer Sato a correr nos Estados Unidos, o piloto foi levado à Indy 500 de 2009. Assistiu à corrida, gostou do que viu e começou a negociar com a KV para o ano seguinte. O contrato foi fechado e ele correu por duas temporadas pela equipe de Jimmy Vasser e Kevin Kalkhoven, onde acumulou duas pole-position, diversos acidentes e o sabor amargo de ter perdido a vitória no Brasil por um erro da equipe na estratégia nos boxes.

Para 2012, o piloto foi obrigado a procurar outro lugar para correr, já que a KV escolheu os motores Chevrolet, que retornam à categoria esse ano. Como Sato segue ligado à Honda, o jeito foi negociar com equipes que optaram pela montadora nipônica. Assim, em alguns meses, o acordo com a Rahal Letterman – que retorna à Indy de forma integral – foi costurado.

Foi dessa forma que Sato se tornou personagem da grande contratação da Indy. É verdade que o acordo com a Rahal Letterman é insignificante, mas acabou abrindo espaço para a chegada de Rubens Barrichello, que acertou com a KV, onde vai substituir o nipônico em uma equipe pela segunda vez na carreira.

Se engana, no entanto, quem pensa que Sato saiu cabisbaixo ao ver a antiga sendo a mais comentada da categoria nesse momento de pré-temporada. Profissional, o japonês seguiu o plano da Honda e já está treinando duro na nova equipe.

Mas a história não para por aí. Sato, enfim, também conseguiu chegar ao estrelato. O piloto é a grande novidade do automobilismo japonês em 2012, pois recebeu um convite da Mugen – equipe oficial da Honda – para disputar duas ou três etapas do campeonato da F-Nippon.

Mugen F-Nippon Naoki Yamamoto

A Mugen não foi bem na temporada 2011 da F-Nippon, mas será a grande atração do novo campeonato com a chegada de Takuma Sato

Essa será a primeira oportunidade que a torcida japonesa de ver um dos maiores ídolos dos últimos anos competindo em um certame no país. Lembrando que ele participou normalmente do GP do Japão enquanto esteve na F1, além das etapas de Motegi nesses dois anos de Indy. Também não é coincidência que esse convite chegou justamente quando a categoria americana abandonou a etapa japonesa para pilotar na China.

Só que essa primeira experiência de Sato no automobilismo japonês não deve ser essa moleza toda. A Mugen não foi bem em 2011. Contando com Naoki Yamamoto, a equipe conseguiu a pole-position para a etapa de abertura do campeonato, mas parou por aí. Depois disso, a única vez que chegou aos pontos foi com o quinto lugar em Autopolis, logo na segunda corrida.

A Honda ainda não anunciou em quais etapas Sato estará presente, mas obviamente será em alguma que não houver conflito de data com a Indy.

Para encerrar, é possível chegar a duas conclusões. A primeira é que dificilmente veremos um piloto top brasileiro participando de algum campeonato por aqui. Ano passado, Felipe Massa esteve em alguns treinos do Trofeo Linea e, neste ano, Augusto Farfus pode competir em algumas corridas do GT Brasil devido à chegada da BMW ao campeonato. Ainda assim, parece pouco.

A outra é que a Mugen deveria ficar de olho em Rubens Barrichello. Bom, o brasileiro já substitui Sato na F1 e agora também na Indy, então nunca se sabe, não é?

A influência de Emerson, Piquet e Senna no teste de Barrichello na Indy

janeiro 25, 2012
Tony Kanaan Rubens Barrichello

O teste de Rubens Barrichello na Indy, na realidade, é um convite do amigo Tony Kanaan

Rubens Barrichello deveria ganhar o prêmio de membro honorário da WikiLeaks. É impressionante como todas as notícias o envolvendo vazam antes da hora. Só para mencionar os últimos anos, tanto a troca da Brawn pela Williams quanto o treino na Indy ganharam as páginas do noticiário antes do anúncio oficial.

Piadinha à parte, esse post é para falar do teste que Rubens Barrichello vai fazer pela KV, em Sebring, na próxima segunda e terça-feira. O brasileiro aceitou um convite do amigo Tony Kanaan para dar umas voltas no novo carro da equipe e ajudar no desenvolvimento do equipamento, lembrando que a Indy estreia um novo modelo em 2012.

Sem vaga na F1, é quase inevitável dizer que esse teste pode levar o brasileiro à disputa da Indy em 2012, principalmente por conta do número cada vez menor de ovais. No entanto, tanto Barrichello quanto Kanaan já declararam que foi apenas um convite para trabalhar no desenvolvimento do carro, já que o antigo piloto da Williams não tem mais contrato na F1. Isso, em tese, desmentiria qualquer rumor sobre a troca de categoria.

Caso Rubens acerte para correr na Indy será algo bastante interessante. A categoria ganharia um nome de peso internacional – o que ajudaria a diminuir a rejeição pelo certame criada a partir da morte de Dan Wheldon –, e o piloto poderia mostrar que ainda pode brigar por vitória, mesmo aos 39 anos. Outro ponto a favor, é que Barrichello mora em Miami com a família, então ele já está adaptado ao país.

Talvez tão interessante quanto a mudança de categoria é entender que a participação de Barrichello na Indy só é possível porque ele esteve ligado ao auge do campeonato americano na década de 1990 e início dos anos 2000.

Ano passado, Felipe Nasr se tornou o 12º piloto brasileiro a vencer a F3 Inglesa – para lembrar todos eles, basta clicar aqui. Excluindo o garoto, por motivos óbvios, entre os outros 11, Barrichello vai se tornar o oitavo a pilotar um carro da Indy. Apenas José Carlos Pace, Chico Serra e Nelsinho Piquet não guiaram na categoria.

E o que isso tem a ver com o Rubens? Enquanto ele crescia e passava a se dedicar à F1, via os antigos ídolos – Emerson Fittipaldi, Nelsão Piquet e Ayrton Senna – darem uma chance ao automobilismo americano.

Ayrton Senna Indy

Ayrton Senna testou o carro da Penske, em 1992, para pressionar a McLaren

Aliás, Senna também só participou de um treino pela categoria. Foi no final do ano de 1992. O tricampeão não estava satisfeito com o desempenho da McLaren comparado ao da campeã Williams e cogitou a mudar de campeonato. Perto do Natal daquele ano, Ayrton guiou o carro da Penske em um circuito misto em Phoenix para conhecer o campeonato e dar uma pressionada no time de Ron Dennis.

O treino aconteceu como um convite de Emerson, que trabalhava junto com a Indy para colocar o maior número possível de campeões da F1 na categoria. Além dele próprio, Piquet, Mario Andretti e Nigel Mansell disputaram ao menos as 500 Milhas de Indianápolis. A ideia era que Senna fosse o quinto membro desse grupo, mas o brasileiro acabou permanecendo na McLaren.

Além de Senna, Emerson e Piquet, Barrichello também viu toda a geração de pilotos que o acompanhou nas categorias de base optarem pela Indy em algum momento da carreira.

Após o acidente fatal de Ayrton em San Marino, restaram na F1 apenas dois pilotos brasileiros: o próprio Rubens e Christian Fittipaldi. Este, como se sabe, acabou trocando o certame europeu pelo americano, onde competiria praticamente até o fim da carreira na Newman-Haas.

Na F3 Inglesa, Barrichello teve Gil de Ferran e André Ribeiro como adversários no título de 1991. Após alguns testes pela Footwork e uma cabeçada na porta do caminhão da equipe, Gil também seguiria para os Estados Unidos, onde foi bicampeão da Cart e venceu uma 500 Milhas de Indianápolis. André fez a mudança para o mercado americano antes e disputou quatro temporadas, correndo pela Tasman e pela Penske, conquistando três vitórias.

Gil de Ferran

Gil de Ferran deixou o automobilismo europeu para seguir carreira nos Estados Unidos

Só que enquanto essa geração optou por tentar os Estados Unidos, os novos pilotos brasileiros escolheram ignorar o mercado americano. Quem acabou correndo por lá não tinha opções muito melhores na carreira ou já estava decidido a crescer no mercado americano. Não é novidade que a Stock Car atraiu muito mais gente interessante que a Indy nas últimas temporadas.

Além disso, nos últimos anos, a Nascar ganhou o espaço que a Indy ocupava como alternativa para os pilotos. Nelsinho Piquet, por exemplo, outro dos campeões da F3 Inglesa, não titubeou na hora de optar pelo turismo americano.

E essa não é uma realidade apenas para os brasileiros. Antes de Barrichello, os últimos pilotos da F1 a terem feito a transição para a Indy foram Takuma Sato, Robert Doornbos, Enrique Bernoldi e Justin Wilson. Sendo que apenas Sato foi para a Indycar, todos os demais inicialmente buscaram correr na ChampCar, mas acabaram no outro certame após a união das categorias.

Entre eles pilotos citados, Sato foi o que teve maior relevância na F1. E ele só mudou para os Estados Unidos por conta da Honda, que era a fornecedora de motores.

Assim, caso Barrichello decida por fazer mais do que um teste na Indy, essa mudança de categoria só será possível porque o piloto conheceu o que o campeonato pôde oferecer de melhor ao longo dos últimos 20 anos. Acredito, portanto, que qualquer outro piloto da F1 nessa mesma situação acabaria considerando o DTM, o WEC, ou o GT1 como melhores opções. Vide Sébastien Buemi e Karun Chandhok praticamente fechados para correr o Mundial de Endurance.

A KV é a Brawn GP de Tony Kanaan

junho 19, 2011
Tony Kanaan

Tony Kanaan não está mais pressionado em 2011, mas os bons resultados continuam acontecendo aos montes

Acho curioso o ano que Tony Kanaan está vivendo em 2011. O piloto baiano não nutre mais aquela expectativa – e de certa forma obrigação – de vitórias e títulos que tinha na Andretti. Pelo contrário. Sem muita badalação na problemática, mas promissora KV, o baiano vai conquistando bons resultados de forma sequencial na Indy.

Da maneira com que o próprio Kanaan fala corrida após corrida, parece que a vencer pela KV está longe, e que o time formado às pressas faltando cinco dias antes de começar o campeonato ainda está se entrosando antes de poder brigar pelos bons resultados.

A tabela, porém, mostra uma realidade totalmente diferente. Em oito corridas realizadas até agora, o brasileiro terminou cinco vezes entre os dez primeiros, conseguiu um 11º lugar em outra e praticamente abandonou as demais. Isto é, salvo a etapa do Anhembi, com todos os problemas enfrentados, Tony ainda não teve uma etapa ruim neste ano. Um desempenho muito superior a qualquer ex-companheiro de Andretti, por exemplo.

Só que mesmo com um ritmo de prova e resultados comparáveis aos grandes destaques do atual campeonato – abaixo apenas de Dario Franchitti e Will Power –, a postura de Tony é de seguir falando que o objetivo é sempre melhorar na próxima corria e, se possível, vencer. E essa luta pela primeira vitória pela KV aparentemente já esteve mais longe de acontecer.

Em uma rápida retrospectiva, a temporada 2011 de Kanaan começou com o terceiro lugar em São Petersburgo, que significou uma prova de superação para quem tinha acabado de assinar contrato para correr pela KV na Indy. Depois, vieram os TOP 10 em Barber e em Long Beach antes do abandono no Brasil, sem culpa, ao ser atingido pelo carro de Danica. Nos ovais, Kanaan conquistou o quarto lugar em Indy e brigou pela vitória na segunda corrida do Texas e em Milwaukee.

Se há alguma frustração pelo desempenho, (tanto para nós, torcedores, quanto para o próprio piloto) foi pelas vitórias possíveis que escaparam tanto pela fragilidade do carro da KV – no Texas – ou por erro do piloto – em Milwaukee.

Para Iowa, aposto que Tony vai voltar a falar que o importante é vencer. Vai reclamar do carro, vai brigar com a KV, mas sempre pensando em ter o melhor equipamento possível para conquistar um grande resultado, o que certamente será possível.

Essa mudança de Tony 2011, quando os grandes resultados passaram a ser um objetivo de certa forma até prazeroso de se conseguir e não mais uma obrigação tem a ver com o fato de o baiano não tem mais  que liderar a equipe da qual faz parte.

Embora Kanaan seja o principal piloto da KV, caso ele vá mal, já será algo esperado. Afinal, é inegável que o resultado que se espera do time da Lotus no final do ano é completamente diferente daquele que é cobrado à Andretti. (Curiosamente, vale olhar qual dessas duas equipes está na frente da tabela de pontos).

Colocado ali na KV nos últimos minutos da pré-temporada de 2011, Tony Kanaan encontrou no time de Jimmy Vasser o sossego que Rubens Barrichello teve na Brawn. Se a equipe inglesa serviu para revitalizar o piloto da F1, o mesmo está acontecendo com o da Indy.

Indy Head 2 Head – São Paulo

maio 3, 2011
Ernesto Viso e Ryan Briscoe

Ernesto Viso foi um dos destaques da corrida ao tomar posições na marra. Afinal, se batesse, seria só mais um acidente para a coleção..

A etapa brasileira da Indy a cada ano vem ensinando aos organizadores como se faz uma corrida. Se em 2011, eles precisaram refazer todo o asfalto da pista, agora, para 2012, será o sistema de drenagem que precisa ser observado. Isso é algo terrível, na verdade. Como alguém se sujeita a fazer uma corrida em pista de rua e se esquece de ver coisas básicas como asfalto e drenagem? E olha que desde o lançamento da prova, no início do ano passado, as questões sobre o que aconteceria na pista caso chovesse já eram levantadas.

No entanto, mesmo com esses problemas, a corrida da Indy em São Paulo sempre é bem divertida. Ao contrário dos marasmos que foram as provas de São Petersburgo e de Barber, a etapa brasileira até teve uma certa dose de drama. Primeiro, porque a qualquer momento Will Power, ou outro piloto de ponta, poderia acabar escorregando em uma poça de água e ir parar no muro. Segundo, por conta da atuação de Takuma Sato (!), que conseguiu desafiar o australiano líder do campeonato e fez uma baita corrida.

Como a chuva não perdoou a cidade de São Paulo, a diversão ficou restrita aos momentos em que a bandeira verde eram acionadas. Cautelosos ou não, tirando o acidente logo na primeira volta ainda no domingo, os pilotos conseguiram passar bem pelas relargadas. Tanto é que gente como Sato, EJ Viso e Marco Andretti – conhecidos por causarem acidentes – se utilizaram das filas duplas para ganhar uma série de colocações. Infelizmente para eles e para o clímax da corrida, o trio acabou se perdendo na tática de paradas nos boxes e o triunfo ficou mesmo com Power. Um final insosso para uma etapa até que disputada.

Aliás, falando sobre as estratégias nos boxes, destaco mais uma vez a Andretti. Se em Barber já tinham apostado em um plano ruim de não trocar os pneus de Danica no final, no Brasil, Marco colocou pneus de pista seca faltando menos de dez voltas. Não deu certo e o piloto acabou sendo cerca de 5s por volta mais lento que os líderes. Por outro lado, valeu a tentativa, já que se desse certo poderia produzir um resultado tão surpreendente como foi a pole-position de Nico Hülkenberg no GP do Brasil de 2010 da F1, em condições muito parecidas.

Se Sato, Viso e Andretti tiveram seus momentos de fama, os brasileiros viveram uma péssima prova. Helio Castroneves está em uma tremenda má-fase, que até culminou em uma brincadeira de Justin Wilson colocando uma faixa sobre as batidas do piloto da Penske. Já Tony Kanaan, que além de ter sentido o carro de Danica cair sobre a mão esquerda – ainda bem que a ex-companheira é magrinha.. –,  viveu um dia típico do compatriota da Penske nessa temporada: foi coadjuvante do bom rendimento dos demais pilotos da equipe. (Embora aqui seja uma sacanagem comparar Viso/Sato a Briscoe/Power). Bia e Rapha Matos se envolveram em acidentes caseiros, enquanto Vitor Meira teve a corrida estragada depois de rodar na tempestade do domingo. É bem verdade que o piloto da Foyt, pelo segundo ano seguido, foi o brasileiro melhor classificado, mas creio que a 17ª posição ficou bem abaixo do esperado.

Entre os estrangeiros, quem merece destaque é JR Hildebrand. Salvo o acidente no final da etapa de Long Beach, o piloto da Panther vem se recuperando de treinos classificatórios muito ruins para terminar a corrida sempre próximo do décimo lugar. No Brasil, foi justamente ele quem completou o grupo de top-10. Hildebrand pode até estar sendo ofuscado pelo amigo James Hinchcliffe, da Newman/Haas, como melhor novato do ano, mas a evolução corrida após corrida está acontecendo.

Antes de encerrar o texto, a etapa brasileira marcou o fim da primeira fase de circuitos mistos do calendário. Com isso, os resultados em ovais devem mudar a dinâmica do campeonato. A Chip Ganassi e a Andretti devem crescer em detrimento de HVM, KV e Sam Schmidt.

Takuma Sato

Takuma Sato foi o nome da prova da Indy em São Paulo. Ironicamente, o único que proporcionou diversão ao não bater

Destaque:

Takuma Sato. Difícil falar outro nome essa hora. O japonês saiu passando todo mundo na chuva até tomar a liderança da corrida. A partir daí, mesmo com um carro rápido, Sato optou por economizar combustível e evitar uma nova parada por conta das bandeiras amarelas. Não deu, mas o asiático teve o melhor desempenho na Indy até agora.

Simona de Silvestro também merece ser mencionada. A suíça foi a autora da melhor volta da corrida e deu um banho em Helio Castroneves e Tony Kanaan na disputa entre os pilotos que estavam nove voltas atrás.

Decepção:

KV. Não é exagero dizer que a equipe tirou a vitória de Sato. A tática nos boxes não deu certo e o time precisou se conformar com o oitavo lugar do japonês e com o 13º de Viso, que chegaram a fazer 1-2 durante a corrida.

Ryan Hunter-Reay é outro que vai mal. O piloto rodou e bateu tanto no final de semana, que precisou pegar uma asa de Mike Conway emprestada para terminar a corrida. O americano é o 23º no campeonato. Na frente apenas de Viso, Bourdais e Bia.

Head 2 Head:

Em 2011, o World of Motorsport vai fazer uma competição diferente entre os pilotos da Indy. Eles foram sorteados de uma forma extremamente imparcial e pareados em chaves de duelos. A regra é simples: quem terminar na frente na corrida avança para a próxima fase, até chegarmos a uma final.

Haverá chaveamento tanto para ovais quanto para circuitos mistos. Assim, no final, chegaremos a um campeão dos mistos e um dos ovais. Na corrida seguinte, eles se enfrentam para definir quem será o campeão do World of Motorsport Indy Head 2 Head 2011.

Em São Paulo, o acidente na largada do domingo tirou as chances de Tony Kanaan e de Danica Patrick continuarem na competição. Eles precisariam que os adversários abandonassem para conseguir descontar as voltas e tomar a posição, mas isso não acabou acontecendo. Dessa forma, a final do Head 2 Head em circuitos mistos será entre Ryan Briscoe, da Penske, e Oriol Servia, da Newman-Haas. Maldosamente posso dizer que, assim, finalmente um deles ganhará algo na categoria.

Briscoe chegou à decisão passando a primeira fase como cabeça-de-chave e avançando nas três rodadas seguintes por abandonos de rivais. Embora, apenas em Barber o australiano não tenha feito uma atuação convincente. Servia, por sua vez, também avançou direto no duelo inicial, mas eliminou pilotos como Mike Conway e Will Power (talvez esta a grande surpresa do Head 2 Head) para chegar à grande final. A decisão está marcada para o dia 10 de julho, em Toronto. (clique na imagem para ampliar)


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