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Kimi Raikkonen #7

janeiro 11, 2014
Kimi já tinha usado o 7 em 2013, incluindo no capacete

Kimi já tinha usado o 7 em 2013, incluindo no capacete

Enquanto a Toyota Racing Series é o que salva o automobilismo mundial nestas primeiras semanas de 2014, a F1 tem dificuldades para se destacar no noticiário. No momento em que todo mundo espera o lançamento dos novos carros, a principal categoria do automobilismo mundial teve um breve momento de evidência nesta sexta-feira, dia 10, quando a FIA divulgou a lista de inscritos já com o número que os pilotos vão usar por toda a carreira.

Isso aconteceu porque a entidade mudou as regras a partir deste ano e vai permitir que os pilotos usem um número fixo, de uma forma parecida como acontece na MotoGP e na Nascar.

Das escolhas feitas, o maior destaque foi Pastor Maldonado, que optou pelo 13. Devido à superstição – ele é associado ao Zagallo ao azar –, esse número não foi usado na categoria nas últimas quatro décadas, e o venezuelano se tornará apenas o quarto competidor na história da F1 a carregá-lo.

Outro que também teve alguns instantes de fama – embora negativos – foi Jules Bianchi. O francês já havia divulgado no fim de 2013 que escolhera 7, 27 e 77. O problema é que Kimi Raikkonen também quis o 7, Nico Hülkenberg pegou o 27 e Val77eri Bo77as será o 77. Como os três terminaram na frente na classificação do último campeonato, restou ao francês fazer uma quarta escolha e se tornar o 17.

Falando em Raikkonen, por causa da falta de notícias, ele acabou sendo personagem nessa seleção dos números. Algumas histórias publicadas apontaram que o piloto escolheu o 7 somente porque não quis mudar com relação ao ano passado, sem um motivo maior.

Não é exatamente verdade. O finlandês nunca escondeu que gosta do número 7 e por isso estava disposto a fazer de tudo para mantê-lo. A maior prova disso foi o capacete de 2013 já tendo esse numeral pintado. Que outro competidor já fez algo do tipo sem as regras obrigarem.

O que Raikkonen disse à Ferrari segue essa linha. De maneira seca e contida, como sempre fez, o piloto confirmou que já gostava do 7. “Não há uma história particular sobre isso. É o número que eu já tinha no ano passado, e não vi motivo para mudá-lo. Eu gosto dele, o que já é algo bom o bastante, não é?”

2013 World of Motorsport Rookie of the Year

dezembro 30, 2013
Esteban Gutiérrez teve uma segunda boa metade do campeonato

Esteban Gutiérrez teve uma segunda boa metade do campeonato

Quando estreei o World of Motorsport, em 2010, uma das coisas que propus a fazer era criar um sistema de pontuação para analisar o desempenho dos pilotos novatos na F1. Como a principal categoria do automobilismo mundial não tem uma classificação à parte para os estreantes – assim como acontece nos esportes americanos –, era necessário montar um método que pudesse ser usado em qualquer temporada.

Para poder avaliar os jovens pilotos, decidi montar essa classificação. Assim, após cada GP do ano, pontuei os novatos no clássico esquema 10-6-4-3-2-1, além de dar bônus para cada ponto que marcassem no campeonato normal da F1.

Em 2010, Vitaly Petrov – então na Lotus – superou Nico Hülkenberg e Kamui Kobayashi para terminar como novato do ano (você pode clicar aqui para ver como foi), enquanto no campeonato seguinte Paul Di Resta venceu Sergio Pérez e Pastor Maldonado. O post de 2011 está aqui. Sem maiores surpresas, Jean-Éric Vergne bateu Charles Pic, na fraca Marussia, no ano passado.

Se a classe de 2012 dos novatos foi esvaziada, o mesmo não podemos dizer do que aconteceu neste ano. Com as chegadas de Valtteri Bottas, Esteban Gutiérrez, Giedo van der Garde, Jules Bianchi e Max Chilton, cinco pilotos tiveram a chance de estrear na principal categoria do automobilismo mundial.

Na verdade, podemos separá-los em dois grupos diferentes. Enquanto Bottas e Gutiérrez tiveram carros competitivos e puderam brigar para chegar aos pontos durante boa parte do campeonato, os outros três ficaram naquela eterna briga de Caterham e Marussia para ver quem era o melhor entre os piores.

Giedo van der Garde foi o melhor novato na Hungria

Giedo van der Garde foi o melhor novato na Hungria

Mas os dois grupos tiveram muita coisa em comum neste ano. A primeira delas é que, embora Sauber e Williams tivessem carros mais competitivos, nenhum dos cinco pilotos pareceu muito próximo de marcar ponto. Na verdade, um novato só foi terminar no top-10 na 15ª corrida do ano, com o sétimo lugar de Gutiérrez no GP do Japão. Bottas ainda terminaria o GP dos EUA, algumas semanas depois, em nono.

A outra semelhança é que houve uma diferença muito clara na ordem de forças dos pilotos entre as primeiras oito corridas do ano e as demais. Isso não é por acaso. A oitava etapa de 2013 foi o GP da Inglaterra, aquela em que houve diversos estouros de pneus e obrigou a Pirelli a mudar a construção dos compostos para as demais corridas do ano.

Para se ter uma ideia, até a etapa de Silverstone, Bottas havia sido o novato mais bem classificado em seis das oito corridas. Bianchi, por sua vez, só havia terminado uma vez atrás de Van der Garde e de Chilton.

Mas tudo mudou com os novos pneus. Gutiérrez superou Bottas em nove das 11 provas seguintes, incluindo uma sequência de sete triunfos seguidos. Van der Garde e a Caterham também deram a volta por cima e conseguiram tirar o atraso para Bianchi. Para melhorar a situação, o piloto holandês ainda contou com os abandonos dos colegas de Sauber e da Williams para ser o melhor novato no GP da Hungria, talvez a única honra do time de Tony Fernandes neste ano.

Só que nem mesmo a vitória, digamos assim, na Hungria foi o suficiente para que Van der Garde conseguisse deixar Bianchi para trás. Nas últimas corridas do ano, o francês reagiu, superando o adversário em três dos últimos quatro GPs e terminando com a terceira colocação entre os estreantes.

Já Max Chilton, que terminou todas as corridas do ano, mais uma vez amargou o último lugar…

Monisha comemora a conquista do novato do ano com Gutiérrez

Monisha comemora a conquista do novato do ano com Gutiérrez

Assim, com 153 pontos marcados, Esteban Gutiérrez conquistou o prêmio World of Motorsport Rookie of the Year de 2013.

Rookie of the Year:

novato

 

 

(clique na imagem para redimensionar)

Nada de férias de verão

dezembro 21, 2013
A Ferrari lançou um novo campeonato nos EUA

A Ferrari lançou um novo campeonato nos EUA

O mês de janeiro é tradicionalmente parado para o automobilismo mundial. O inverno rigoroso na Europa e nos Estados Unidos impede qualquer tipo de atividade de pista, enquanto as únicas atenções estão voltadas para os lançamentos dos carros da F1. Para tentar melhorar a situação, nos últimos anos sugiram os torneios de verão, disputados em países do hemisfério sul, como uma digna pré-temporada.

O mais famoso desses campeonatos é a Toyota Racing Series, disputada na Nova Zelândia. Embora exista desde 2005, ela ganhou importância de três anos para cá, quando conseguiu atrair diversos pilotos da Europa, como Daniil Kvyat, hoje titular da Toro Rosso, e Raffaele Marciello, atual campeão da F3 Europeia.

Só que o monopólio da TRS ao longo inverno europeu acabou há dois anos. No ano passado, a categoria já teve a concorrência da MRF Challenge, da Índia, embora apenas em dois fins de semana houvesse choque de data. Em 2014, a situação é ainda melhor, com os dois certames se encontrando apenas uma vez.

Contudo, o campeonato neozelandês viu surgir um novo adversário. Para o ano que vem, a Ferrari anunciou a criação da Florida Winter Series, um torneio disputado nos Estados Unidos, nos meses de janeiro e fevereiro, com carros da F-Abarth e apoio da escuderia italiana.

Novamente, são apenas dois choques de data com a TRS, mas como eles acontecem em etapas decisivas inviabiliza algum piloto de tentar tomar parte de ambos. Por isso, uma das diversões deste mês de dezembro é acompanhar qual categoria terá o melhor grid.

Jann Mardenborough é o destaque da Toyota Racing Series

Jann Mardenborough é o destaque da Toyota Racing Series

Claro que pelo apoio da Ferrari, o campeonato americano saiu na frente. Entre os inscritos estão Jules Bianchi, da Marussia, e Simona De Silvestro, que compete normalmente na Indy. Não há dúvidas de que eles foram chamados para tentar levantar o interesse pelo certame na Europa e nos Estados Unidos, respectivamente. Fora isso, é difícil imaginar por que dois pilotos profissionais quereriam andar em carros da F-Abarth.

Isso também coloca uma situação engraçada: há um desequilíbrio tremendo. Enquanto alguns pilotos acabaram de sair do kart, outros já estão há anos nas categorias top. Aliás, já pensou como pode ser terrível para Bianchi ou Simona caso eles acabem derrotados por algum novato?

Entre os demais competidores, são os próprios pilotos da Ferrari que se destacam. Campeão da F3 Europeia, Marciello está confirmado, assim como Antonio Fuoco, que assumirá em 2014 o carro da Prema usado pelo compatriota na campanha vitoriosa. Até mesmo o canadense Lance Stroll está garantido e fará a primeira aparição nos monopostos após anos no kartismo.

De resto, os outros nomes não empolgam. Os melhores são o campeão da F3 Open (antiga Espanhola), Ed Jones, e Leonardo Pulcini, destaque do kartismo italiano. Nicholas Latifi e Dennis van de Laar pouco mostraram até agora ao longo da carreira.

A Toyota Racing Series, por outro lado, também não tem muitos motivos para comemorar. Após atrair os principais pilotos da F3 no ano passado, dessa vez a categoria está vivendo uma entressafra. Dos 16 pilotos já confirmados (de 23), o maior destaque é Jann Mardenborough, aquele garoto descoberto pela Nissan no Playstation e que já disputou a TRS no ano passado.

Depois de impressionar em 2013, o britânico trocou a equipe ETEC pela sempre favorita Gilles e chega à Nova Zelândia como principal nome para tentar tirar o título dos donos da casa. Outro que vale ficar de olho é Steijn Schothorst. Quarto colocado no ano passado, o holandês contará com a estrutura da M2 para tentar ser campeão.

Gustavo Lima é um dos brasileiros na TRS

Gustavo Lima é um dos brasileiros na TRS

O neerlandês, porém, não é um nome de peso para o grande público. Mais importante que ele, por exemplo, é a presença de Pedro Piquet, cujo sobrenome entrega o pedigree que tem. Ainda no ramo dos talentos desconhecidos, o estoniano Martin Rump é um dos bons pilotos que estará na Nova Zelândia, assim como o russo Egor Orudzhev.

Mas o mais interessante da escalação até agora é Neil Alberico. O americano, que vai competir pela equipe Victory, defenderá as cores do Team USA, uma organização criada nos Estados Unidos para dar chance a jovens pilotos nos primeiros passos da carreira, já tendo revelado nomes importantes como Jimmy Vasser e Bryan Herta.

Talvez você esteja se perguntando por que Alberico é tão importante. Para isso eu vou ter que responder com outro questionamento. Por que o Team USA optou por inscrever o garoto em um certame da Nova Zelândia, que fica literalmente do outro lado do mundo, se a Ferrari criou um campeonato nos próprios Estados Unidos para servir como concorrência?

Era uma vez no México

setembro 27, 2013
Sergio Pérez guarda a chave tanto do mercado de pilotos quanto do calendário da F1 em 2014

Sergio Pérez guarda a chave tanto do mercado de pilotos quanto do calendário da F1 em 2014

Se dentro das pistas a F1 vive um momento de marasmo com o domínio de Sebastian Vettel, fora delas a situação está um pouco mais animada. Se já não bastasse a ampla mudança no regulamento do ano que vem, com o retorno dos motores turbo de 1,6 L, nesta sexta-feira, dia 27, o Conselho Mundial da FIA divulgou o calendário de 2014, com 22 corridas e diversas mudanças.

Entre as maiores novidades estão provas na Áustria, Rússia, México e Nova Jersey e a saída da Índia. A Coreia do Sul passará a ter a corrida disputada no início do ano, enquanto a nova etapa de Sochi entra no primeiro fim de semana de outubro.

Apesar disso, ao que tudo indica, México, Nova Jersey e Coreia disputam uma única vaga no calendário. Bizarramente, o regulamento divulgado pela FIA limita o número de provas em 2014 para 20, e essas três aparecem com aquele asterisco ao lado, dizendo que ainda precisam de aprovação.

Enquanto a prova de Nova Jersey não deve acontecer por causa da falta de dinheiro dos organizadores e o atraso nas obras, a corrida mexicana aparece como favorita para levar a vaga. Só que nas últimas semanas surgiu um problema para a realização da prova: mesmo com a presença de Telmex, existe a possibilidade de não haver pilotos mexicanos do grid da F1 no ano que vem. Assim, obviamente, os organizadores da corrida estão meio receosos em investir todo o dinheiro necessário sem a certeza de um retorno.

Esses dois correm o risco de não estar na F1 em 2014

Esses dois correm o risco de não estar na F1 em 2014

Obviamente, essa indefinição diz respeito à McLaren. Não é novidade que a equipe inglesa não está satisfeita com os resultados obtidos neste ano. Enquanto o time reconhece que o carro não é bom, também não é segredo que o equipamento melhorou nas últimas provas. Algumas conversas no paddock de Cingapura indicavam que a cúpula da escuderia inglesa acredita que o carro atual seria capaz de chegar ao pódio caso Lewis Hamilton ainda estivesse por lá.

A conclusão da McLaren, portanto, é que precisa de um superpiloto para conseguir voltar a brigar com Ferrari, Red Bull e Mercedes. O problema é que Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen estão agora amarrados a contratos complicados. Sobrou Fernando Alonso, que já não vive mais uma lua de mel na Ferrari. Daí veio a notícia da BBC que a equipe de Woking procurou o espanhol para um possível retorno, mas ouviu um não como resposta.

Embora o mercado de pilotos deste ano indica que nada deve ser descartado, Alonso provavelmente continuará em Maranello em 2014. Ao mesmo tempo, a McLaren começou a se preparar para o ano que vem. Sem um superpiloto, o time acertou a renovação de Jenson Button por mais uma temporada. Até porque pior que não contratar uma estrela é perder quem consegue seus melhores resultados.

Quanto à segunda vaga no time, é muito difícil que Pérez deixe a escuderia. Mesmo que o desempenho do mexicano não seja bom (marcou apenas 22 pontos contra 57 de Button), é muito cedo dispensar um piloto após uma única temporada. Além disso, será que o time inglês está disposto a perder o dinheiro de Telmex e Vodafone em uma só tacada e não trazer alguém endinheirado para o lugar?

Enquanto espera para responder essas questões, a McLaren resolveu deixar todas as opções abertas. Entre elas, contratar o piloto da F1 atual avaliado como dono do maior potencial: Nico Hulkenberg. A ideia é simples. Se não foi possível acertar com alguma das superestrelas da F1, então basta produzir uma própria em Woking. Caso dê errado, é só dispensar o alemão mais tarde e apostar em uma volta por cima com o mercado de pilotos agitado de 2016 e a volta dos motores Honda.

O que emperra esse acerto é que Hülk não leva dinheiro aos times. O alemão é empresariado por Werner Heinz – o mesmo de Tom Kristensen, Bruno Spengler e André Lotterer, por exemplo –, um cara das antigas, que ainda acredita na supervalorização do talento e não está muito preocupado em bater de porta em porta de empresas atrás de milhões em patrocínios.

Dá para entender por que a McLaren cogita Hulk?

Dá para entender por que a McLaren cogita Hulk?

Continuando o grid, a negociação McLaren/Hulkenberg também tem reflexos em outras equipes. Um deles, obviamente, é a Lotus, onde Felipe Massa disputa a vaga aberta com a saída de Raikkonen. Esta semana, o jornal alemão Bild disse que a escuderia de Enstone fechou com um grupo de investidores árabes e está perto de anunciar o piloto alemão. O que está impedindo a conclusão das conversas, portanto, é a opção na McLaren.

A situação de Massa comprova essa tese. O brasileiro, reportadamente, já tem um acordo com a Lotus, mas precisa levar dinheiro para assinar o contrato. O mesmo Bild diz que Felipe já se arranjou com os patrocinadores aqui no Brasil. Só que ele acaba sobrando, uma vez que a equipe já tenha escolhido Hulk.

Por ter feito toda a carreira na Ferrari, o plano B de Massa poderia ser a Sauber. E contar com o brasileiro deixa a equipe suíça animada. Eles terão Sergey Sirotkin, de apenas 18 anos, como titular em 2014 e, obviamente, precisam de alguém não só para servir de mentor para o russo, mas também para desenvolver o carro. Os próprios investidores do leste europeu sabem disso e não devem colocar barreiras nesse acordo.

Mas Massa não é o único piloto de olho na Sauber. A Ferrari já disse que quer ver Jules Bianchi em um carro mais competitivo em 2014, e a equipe suíça aparece como melhor opção. Ainda em Cingapura, alguns boatos apontam que Adrian Sutil passou a negociar com o time de Hinwil. A experiência do alemão agrada aos russos pelo mesmo motivo do brasileiro.

Seguindo a lógica, quem passa a ter uma vaga com a saída de Sutil é a Force India. E aí a coisa fica interessante. Os três pilotos favoritos ao cockpit – Massa, Bianchi e James Calado – são empresariados pela mesma pessoa: Nicolas Todt. O que não deixa de ser uma vantagem para o brasileiro, uma vez que ele conta também com o suporte Bernie Ecclestone e Jean Todt para ficar na F1.

O problema nisso tudo? Lembra lá em cima que todas essas negociações só devem acontecer se Pérez de fato deixar a McLaren? Então, é improvável que o mexicano acabe sem vaga, mesmo que em um time intermediário, ainda mais contando com o apoio da Telmex. Quanto a Esteban Gutiérrez. Coitado. Esse precisa de um milagre.

A pior geração de todas?

maio 11, 2013
Os cinco novatos da F1 em 2013 passam por um jejum de pontos inédito na categoria

Os cinco novatos da F1 em 2013 passam por um jejum de pontos inédito na categoria

Valtteri Bottas, Esteban Gutiérrez, Jules Bianchi, Max Chilton e Giedo van der Garde. Os cinco novatos da temporada 2013 da F1 acumularam no GP da Espanha uma marca incômoda na carreira. Dos últimos 200 pilotos que estrearam na categoria – de 1980 até agora – este é o primeiro ano em que os estreantes levaram mais que cinco corridas para somar os primeiros pontos na F1 (ou então chegar entre os dez primeiros).

De 1980 até hoje, em 26 temporadas algum novato pontuou nas cinco primeiras provas do campeonato. Alain Prost, por exemplo, marcou pontos logo na estreia. O mesmo aconteceu com nomes como Johnny Herbert, Jacques Villeneuve, Pedro de la Rosa, Kimi Raikkonen, Mark Webber, Nico Rosberg, Lewis Hamilton, Sébastien Bourdais, Sébastian Buemi e Paul Di Resta.

Já gente como Gilles Villeneuve, Danny Sullivan, Cristiano da Matta, Michael Andretti e Ralph Firman demoraram um pouco mais. Eles levaram cinco corridas, mas conseguiram chegar ao seleto grupo de pontuadores.

Entretanto, em sete temporadas a situação não foi tão simples. A mais recente aconteceu em 2004, quando Gianmaria Bruni, Giorgio Pantano, Christian Klien e Timo Glock estrearam na categoria. Dos quatro, apenas o alemão conseguiu marcar pontos naquele ano, e foi justamente na estreia, no GP do Canadá. Entretanto, a prova de Montreal foi apenas a oitava do campeonato. Um pouco antes, na segunda prova do ano, na Malásia, Klien chegou em décimo, mas na época apenas os oito primeiros pontuavam. De qualquer modo, um resultado que lhe daria pontos nos dias de hoje.

Voltando um pouco mais no tempo, o ano de 1998 teve apenas Esteban Tuero e Tora Takagi como novatos. Os dois, claro, terminaram a temporada sem pontuar, mas o argentino teve um desempenho parecido com o de Klien e foi o oitavo colocado no GP de San Marino, quarta etapa daquele campeonato.

Alex Wurz marcou pontos em 1998 e salvou a alegria da galera daquele ano

Alex Wurz marcou pontos em 1998 e salvou a alegria da galera daquele ano

Além disso, Alex Wurz marcou pontos logo na segunda corrida de 1998. Só que o austríaco havia feito três corridas na F1 no ano anterior. Vamos falar a verdade, ele não deixa de ser um novato nesse caso, como se a experiência de ter feito três provas tivesse mudado muita coisa na situação dele. Por isso, considero que neste caso um novato tenha pontuado nas cinco primeiras provas daquele ano.

Em 1995, a situação foi mais simples. Em uma geração que contava com Pedro Paulo Diniz, Giovanni Lavaggi, Max Papis e Jean-Cristophe Boullion, ninguém pontuou nas primeiras corridas do ano, mas o brasileiro terminou duas vezes no décimo lugar nas cinco etapas de abertura do campeonato.

Três anos antes, a história se repetiu. Foi Ukyo Katayama, com um nono lugar na terceira corrida, que salvou a honra de um grupo de novatos que também tinha Christian Fittipaldi, Damon Hill, Paul Belmondo, Emanuele Naspetti, Gioavana Amati e Andrea Chiesa.

Se Alex Wurz foi o único novato a pontuar em 1998, dez anos antes a F1 viveu um momento parecido. Naquela época, Aguri Suzuki, Mauricio Gugelmin, Julian Bailey, Bernd Schneider, Pierre-Henri Raphael, Luiz-Perez Sala e Pierre Larrauri falharam na tarefa de terminar as primeiras corridas na zona de pontos. Coube, assim, a Nicola Larini e Gabriele Tarquini fecharem no top-10. Enquanto o primeiro terminou o GP de Mônaco em nono, o segundo foi o oitavo no Canadá.

Só que ambos já haviam corrido na F1 em 1987. Naquele ano, Tarquini disputou apenas o GP de San Marino, tendo abandonado a prova, enquanto Larini não conseguiu se classificar na Itália e abandonou na Espanha. Assim como Wurz, eles não eram realmente estreantes em 1988, mas não deixavam de ser novatos.

Raul Boesel foi o único a terminar no top-10 em 1982

Raul Boesel foi o único a terminar no top-10 em 1982

Também em 1982 nenhum piloto marcou pontos nas primeiras cinco corridas, mas o brasileiro Raul Boesel fechou em nono e em oitavo e teria pontuado se o regulamento fosse o mesmo dos dias de hoje.

A única vez na história da F1, desde 1980, que nenhum piloto estreante marcou ponto nas cinco primeiras corridas do ano nem mesmo com as exceções já citadas aqui foi em 1985, quando Christian Danner e Ivan Capelli estrearam na categoria. E isso aconteceu porque não tinha nenhum novato nas primeiras provas.

O alemão, por exemplo, só foi participar da primeira corrida no certame na 13ª etapa, na Bélgica, onde abandonou. Depois, ele ainda correu em Brands Hatch e mais uma vez não conseguiu completar. Capelli, por sua vez, estreou justamente na mesma etapa britânica e foi mais um a não chegar ao fim da corrida. O italiano, porém, conseguiu um heroico quarto lugar no GP da Austrália, na segunda prova que fazia na categoria, mas já no encerramento do campeonato.

O bilhete premiado de James Calado

abril 21, 2013
James Calado deu passos largos rumo à F1

James Calado deu passos largos rumo à F1

A temporada 2013 da GP2 ainda está no começo, mas James Calado já pode se considerar um vencedor. É que nesta terça-feira, dia 30, o britânico anunciou que terá Nicolas Todt como empresário a partir de agora, integrando o programa All Road Management. E isso com certeza é motivo de comemoração.

Apesar das boas relações com a Ferrari desde a época que o pai, Jean Todt, trabalhava na escuderia, o francês tem trânsito livre por praticamente todas as equipes do grid da F1. Além de Calado, ele também é empresário de Felipe Massa, Pastor Maldonado e Jules Bianchi. Fora Alex Baron, ainda na F-Renault, e o kartista Charles Leclerc.

Ou seja, vendo a influência de Todt, a menos que tenha uma temporada muito ruim neste ano na GP2, Calado já carimbou o passaporte rumo à principal categoria do automobilismo mundial nos próximos anos.

E isso tem uma consequência direta em um brasileiro, Felipe Nasr. Não é nenhuma novidade que o grande duelo na categoria de acesso na atual temporada é entre esses dois pilotos. Embora Fabio Leimer e Stefano Coletti tenham brilhado nas duas primeiras rodadas, eles encaram o mesmo problema que atrapalhou Davide Valsecchi e Luiz Razia no último ano: já são veteranos no certame e não empolgam mais as equipes da F1.

As escuderias acreditam que eles já mostraram o que tinham para mostrar, por isso é mais do que obrigação andarem na frente neste momento. Eles até podem alcançar a categoria principal no próximo ano, mas sempre condicionado a um bom suporte financeiro.

Nasr e Calado, por outro lado, são a novidade no grid. Eles tiveram um bom ano de estreia na categoria em 2012 – principalmente o piloto inglês –, agradaram e foram alçados ao posto de favoritos neste ano.

Como ambos têm um empresário forte por trás (o de Nasr é Steven Robertson, o mesmo de Kimi Raikkonen e que já trabalhou com Jenson Button), o resultado na pista a partir de agora passa a ser um diferencial. Quem terminar na frente, certamente terá um poder de barganha melhor para chegar à F1.

Neste momento, eu diria que há um empate entre eles. Enquanto Calado conta com uma equipe mais estruturada na GP2 – a ART Grand Prix –, o brasileiro tem patrocinadores mais fortes, que podem garantir o próximo passo da carreira. É por isso que, nesse momento, o confronto direto é tão importante.

F1 2013 na Malásia

março 4, 2013
Jazeman Jaafar não é titular da Mercedes. Mas ele nasceu na Malásia

Jazeman Jaafar não é titular da Mercedes. Mas ele nasceu na Malásia

Há quatro dias, Kimi Raikkonen venceu o GP da Austrália e mudou tudo o que sabíamos da F1 2013. Se Red Bull e Mercedes pareciam à frente das demais equipes após a pré-temporada, agora é a Lotus que surge como time a ser batido, principalmente porque o carro aurinegro é o que menos desgasta os pneus entre as equipes de ponta.

Entretanto, seria o resultado do GP da Austrália um presságio de que o finlandês pode entrar na briga pelo título de 2013 de uma forma muito mais aguda que na temporada passada ou o resultado não passa de algo semelhante ao GP de Abu Dhabi de 2012, apenas uma vitória por acaso, quando tudo deu certo?

Talvez a resposta sejam as duas coisas. É verdade, sim, que o grande trunfo da Lotus é não degradar os pneus. Por isso, Kimi conseguiu vencer o GP da Austrália, mesmo largando da sétima posição, ao forçar o ritmo nos momentos em que os adversários estavam com problemas para se manter na pista devido ao desgaste da borracha.

Por outro lado, é muito cedo para dizer o que poderia ter acontecido caso o finlandês fosse obrigado a fazer mais uma parada. Afinal, se a Lotus conseguiu fazer uma estratégia de apenas dois pit-stops, a temperatura amena de Melbourne certamente colaborou para isso. Situação bastante diferente deste fim de semana, na Malásia, onde a expectativa é de forte calor, na casa de 40ºC.

Por isso, não é absurdo pensar que Kimi só ganhou na Austrália porque dentro das condições específicas em que a corrida foi disputada, a Lotus se mostrou o melhor carro. Isso já havia acontecido em Abu Dhabi, no ano passado, e esteve perto de acontecer no Bahrein, Canadá, Valência e Hungria, quando os carros aurinegros terminaram na segunda colocação, faltando superar apenas um rival.

A1 GP da Malásia

A1 GP da Malásia

De qualquer forma, o triunfo de Kimi colocou os pneus em evidencia. Se não chover em Sepang, a expectativa é de mais uma corrida onde os produtos da Pirelli façam a diferença, mesmo que as escuderias tenham a opção de usar o composto médio e o duro (ao invés do médio e o supermacio em Melbourne) devido ao já citado calor.

Justamente pela importância dos pneus, o treino classificatório pode definir o que vai acontecer na corrida. Se passar ao Q3 não é mais uma certeza de bom resultado no fim de semana, a 11ª posição está mais cobiçada do que nunca. Como os pilotos eliminados no Q2 podem trocar de pneu antes da corrida, eles têm mais liberdade para montar a estratégia, além de começar a prova com a borracha sem estar gasta.

Foi por isso que Adrian Sutil chegou a liderar o GP da Austrália. Contando com o bom carro da Force India, o alemão saiu na 12ª posição – o 11º, Nico Hulkenberg, não largou – e conseguiu avançar até a liderança conforme os adversários foram indo aos boxes. Em Melbourne, o germânico não conseguiu manter o mesmo ritmo com os supermacios e terminou em sétimo. Na Malásia, pode ser que o 11º no grid tenha condições de fazer um trabalho melhor.

Falando nas equipes menores, mais uma vez a Marussia é o destaque indo para Sepang. Depois de deixarem a Caterham para trás com facilidade na última corrida, os carros rubro-negros terão mais uma oportunidade para provarem que não são a pior escuderia do grid. E no caso de uma tempestade, nunca é demais pensar em pontos para Jules Bianchi e Max Chilton.

Meu palpite para o GP da Malásia é vitória de Fernando Alonso, com os outros dois carros da Lotus terminando no pódio. No entanto, para a corrida da Austrália eu havia dito que dificilmente a vitória ficaria com outra equipe senão Red Bull e Ferrari e deu no que deu. Este é mais um palpite furado, portanto.

Confira os horários do GP da Malásia de 2013:

Treino livre 1 – 23h quinta-feira
Treino livre 2 – 3h sexta-feira
Treino livre 3 – 2h sábado
Treino Classificatório – 5h sábado
Corrida – 5h domingo

F1 2013 na Austrália

fevereiro 26, 2013
Casey Stoner na F1. Não tem nada a ver com o GP da Austrália, mas ele já pilotou o simulador da Red Bull

Casey Stoner na F1. Não tem nada a ver com o GP da Austrália, mas ele já pilotou o simulador da Red Bull

Antigamente, o início de temporada de F1 era mais legal. Embora os treinos ao longo do ano fossem liberados, as equipes chegavam à abertura do campeonato sem saber muito o que esperar dos carros. Aí, a primeira etapa do ano virava uma verdadeira corrida de resistência, onde os pilotos largavam sem a certeza de que chegariam ao final.

Em situações mais absurdas, dava para contar nos dedos quantos carros de fato recebiam a bandeira quadriculada. Foi assim há 20 anos, quando Rubens Barrichello estreou na F1. Naquele 14 de março de 1993, o então piloto da Jordan foi um dos muitos que deixou o GP da África do Sul – disputado em meio a uma chuva torrencial – antes do final.

Assim, apenas cinco pilotos completaram todas as voltas. Alain Prost foi o vencedor, seguido por Ayrton Senna e Mark Blundell, de Ligier. Christian Fittipaldi e JJ Lehto foram os outros que terminaram a corrida.

A menos que aconteça algum fenômeno natural bizarro, essa situação não vai se repetir na Austrália. Nos últimos 15 anos, as equipes entenderam que mais importante que ter um carro rápido é ter um equipamento que chegasse ao final das provas, por isso os abandonos são cada vez mais raros.

O regulamento também propiciou isso. Com as limitações para troca de motores e câmbio por temporada, as escuderias não forçam esses componentes ao máximo, consequentemente aqueles estouradas de motores espetaculares, que parecia o anúncio da escolha de um novo papa,  quase não existem mais.

Dessa forma, o resultado do GP da Austrália é previsível. Embora seja difícil cravar quem vai terminar na frente, dificilmente ficará com outra equipe além de Ferrari e Red Bull. Lotus e Mercedes aparecem neste momento em um segundo escalão, enquanto a McLaren parece não ter se encontrado desde os treinos da pré-temporada.

(A1)GP da Austrália

(A1)GP da Austrália

Por isso, há dois elementos-chaves para esse primeiro GP do ano. Um é o treino classificatório, onde largar na frente dos principais rivais pode significar meio caminho para a vitória. E o outro – mais importante – é ser o primeiro a entender o comportamento dos pneus, para fazer as paradas nos boxes nos momentos corretos.

Há dois anos, a Sauber surpreendeu ao fazer apenas uma parada em Melbourne quando as demais equipes foram ao pit-lante duas ou três vezes. Naquela prova, tanto Kamui Kobayashi quanto Sergio Pérez terminaram na zona de pontos, mas acabariam desclassificados por não serem aprovados na inspeção técnica horas depois. Se alguma equipe de ponta conseguir reproduzir isso ou ao menos ter mais tempo de pista no auge dos pneus, certamente estará mais perto da vitória.

Por isso, meu palpite é de uma corrida emocionante, com muitas mudanças de posição em virtude das paradas nos boxes, mas com um resultado previsível: duelo entre Fernando Alonso e Sebastian Vettel, com o alemão levando a melhor. Felipe Massa completa o pódio. No entanto, minha torcida é para Kimi Raikkonen, e a verdade é que o finlandês vai vencer colocando três voltas no segundo colocado. Ok, ignore isso.

Para encerrar, chamo a atenção para dois pilotos do grid: Daniel Ricciardo e Jules Bianchi.

O australiano tem boas chances de conseguir um resultado satisfatório por dois motivos. O primeiro é o carro da Toro Rosso, que teve um desempenho decente ao longo da pré-temporada, e o segundo, óbvio, é que ele corre em casa. Já o francês não tomou conhecimento de Max Chilton e, levando em conta que a Marussia começa o ano melhor que a Caterham, ele tem tudo para sumir nessa batalha das equipes menores. Pena que ele precisa de uma tempestade como aquela da estreia de Barrichello para pensar em marcar pontos.

Confira os horários do GP da Austrália de 2013:

Treino livre 1 – 22h30 quinta-feira
Treino livre 2 – 2h30 sexta-feira
Treino livre 3 – meia-noite sábado
Treino Classificatório – 3h sábado
Corrida – 3h domingo

Alemanha x França

fevereiro 14, 2013
O clássico do futebol europeu chegou às pistas da F1

O clássico do futebol europeu chegou às pistas da F1

No futebol, Alemanha e França vem revivendo uma nova rivalidade nos últimos anos. Campeões do mundo e celeiros de craques icônicos em outras eras, agora esses times, com elencos renovados, buscam incomodar a Espanha na posição de maior equipe da Europa e do mundo.

Na F1, a situação não é muito diferente, afinal os dois países estão entre os maiores vencedores da história da categoria. E no mercado de pilotos para a temporada 2013 eles voltaram a viver uma nova batalha.

De olho na segunda vaga na Force India, Alemanha e França disputaram a hegemonia do país com mais pilotos na categoria. Com a escolha de Adrian Sutil como companheiro de Paul Di Resta, os germânicos seguem na frente, com quatro representantes. Além do returneé, os alemães ainda contam com Sebastian Vettel, Nico Rosberg e Nico Hülkenberg.

Isso porque Timo Glock e Michael Schumacher deixaram a categoria nos últimos meses, além de Nick Heidfeld, chutado em meados de 2011.

O curioso é que na época da saída de Heidfeld não havia pilotos franceses na categoria. Em um ano e meio, chegaram três: Romain Grosejan, Jean-Éric Vergne e Charles Pic. Além de Jules Bianchi, que estava na briga para deixar a França como país com maior delegação na F1. Nada mau para quem estava em crise alguns anos atrás.

Pilotos da Alemanha na F1

A Alemanha chegou a ter sete pilotos há alguns anos

Apesar desse renascimento relâmpago, a verdade é que a França sempre será uma exceção no cenário do automobilismo mundial. Um país que conta com um esporte construído em torno das 24 Horas de Le Mans e com a maciça presença de uma montadora – a Renault – na F1 e nas categorias de base jamais pode ficar de fora de um campeonato.

Mesmo assim, desde Sébastien Bourdais não havia pilotos do país na categoria. Para piorar, o último triunfo foi em 1996, quando Olivier Panis venceu o caótico GP de Mônaco em que apenas quatro carros receberam a bandeira quadriculada.

Nesse cenário, os franceses perceberam que não bastava se agarrar à glórias do passado, à força de Le Mans e à presença da Renault como garantia de sucesso na F1. Era necessário criar os caminhos necessários para que novos atletas entrassem na principal categoria do automobilismo mundial.

Para isso, duas coisas foram feitas. A primeira foi a reestruturação das categorias de base, para que os pilotos do país chegassem à F-Renault, por exemplo, com chances de serem competitivos. Para se ter ideia do sucesso, dos 41 pilotos que treinaram nesta semana em Aragón, 13 eram franceses.

A segunda medida é garantir que esses garotos tenham condições de avançar na carreira. Assim a federação de automobilismo da França (FFSA) criou o Team France, uma espécie de programa de jovens pilotos para fazer com que os garotos do país consigam dar prosseguimento no automobilismo até caminharem com as próprias pernas.

Com tudo isso, foi questão de tempo para surgir bons pilotos. Portanto, se Jean-Éric Vergne chegou à F1 com apoio da Red Bull, se Romain Grosjean conta com a Renault, Gravity e Total e se Jules Bianchi é empresariado por Nicolas Todt não é apenas coincidência. Não foram casos isolados de pilotos que surgiram no meio do nada, em um automobilismo inóspito. Pelo contrário. Eles são nomes que apareceram a partir do trabalho da França em revelar cada vez mis atletas com o passar dos anos.

P.S.: bom, agora volta o empate 4×4.

Bianchi, le campeão

janeiro 10, 2013
Jule Bianchi fazendo ele mesmo alguns ajustes no carro

Jules Bianchi fazendo ele mesmo alguns ajustes no carro

Para encerrar o assunto Desafio das Estrelas aqui no World of Motorsport, falo de Jules Bianchi, o vencedor da competição.

Após a vitória na bateria noturna do sábado, dia 12, um jornalista o questionou na coletiva de imprensa se ele esperava ser convidado para a próxima edição da competição depois de vencer com facilidade e sobrando na pista pelo segundo ano consecutivo.

É claro que essa pergunta tinha certa dose de humor. Até porque dificilmente Felipe Massa deixaria de convidar um colega por causa do desempenho. Se Bianchi é muito bom no kart, então não deixa de ser uma motivação para os demais pilotos do Desafio superá-lo.

No entanto, a pergunta também tem um aspecto de vilanização do francês, como o cara que vem ao Brasil e ganha facilmente dos pilotos brasileiros, por isso poderia até mesmo ser proibido de correr. É o mesmo que aconteceu com Will Power, na etapa do Anhembi na Indy, quando a transmissão oficial chegava literalmente a perguntar ao público se o australiano era o vilão da categoria norte-americana.

Como Bianchi está próximo de acertar com a Force India na F1, eu resolvi acompanhar o trabalho dele em Santa Catarina. Assim, posso dizer que o desempenho dominante do francês não foi por acaso. Muitas e muitas vezes ele era o único piloto na garagem, checando o que era feito em seu kart. (Para não ser injusto, Vitantonio Liuzzi também ficava por lá, mas menos que o reserva da FI).

Quando Bianchi chegou ao kartódromo do Beto Carrero World ao lado de Sébastien Buemi, na sexta-feira, a primeira coisa que ele fez foi checar o kart. E ficou na garagem enquanto o equipamento todo era montado. Depois, após cada treino, era ele mesmo quem fazia os ajustes necessários, como a pressão dos pneus, e não os mecânicos.

Isso sem falar no próprio trabalho de piloto e analisar as informações de cronometragem depois de cada sessão de pista.

No fim do evento, perguntei a ele sobre esses métodos de trabalho, mesmo em um evento festivo. Questionei se era assim, controlando tudo, que ele gostava de trabalhar ou se, por exemplo, não confiava em passar as instruções para os mecânicos.

Bianchi respondeu que, mesmo que não pudesse fazer grandes ajustes no equipamento usado no Desafio, ele próprio gosta de mexer no kart e acompanhar todos os trabalhos feitos, uma prática adotada desde quando ainda estava no kartismo, há cinco ou seis anos.

É claro que esse não é o único motivo de Bianchi ter vencido a competição. Mas é curioso pensar que mais de 60 anos após a Copa do Mundo no Brasil, um estrangeiro vencendo aqui no país ainda gere tanta comoção.


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