O clássico do futebol europeu chegou às pistas da F1
No futebol, Alemanha e França vem revivendo uma nova rivalidade nos últimos anos. Campeões do mundo e celeiros de craques icônicos em outras eras, agora esses times, com elencos renovados, buscam incomodar a Espanha na posição de maior equipe da Europa e do mundo.
Na F1, a situação não é muito diferente, afinal os dois países estão entre os maiores vencedores da história da categoria. E no mercado de pilotos para a temporada 2013 eles voltaram a viver uma nova batalha.
De olho na segunda vaga na Force India, Alemanha e França disputaram a hegemonia do país com mais pilotos na categoria. Com a escolha de Adrian Sutil como companheiro de Paul Di Resta, os germânicos seguem na frente, com quatro representantes. Além do returneé, os alemães ainda contam com Sebastian Vettel, Nico Rosberg e Nico Hülkenberg.
Isso porque Timo Glock e Michael Schumacher deixaram a categoria nos últimos meses, além de Nick Heidfeld, chutado em meados de 2011.
O curioso é que na época da saída de Heidfeld não havia pilotos franceses na categoria. Em um ano e meio, chegaram três: Romain Grosejan, Jean-Éric Vergne e Charles Pic. Além de Jules Bianchi, que estava na briga para deixar a França como país com maior delegação na F1. Nada mau para quem estava em crise alguns anos atrás.
A Alemanha chegou a ter sete pilotos há alguns anos
Apesar desse renascimento relâmpago, a verdade é que a França sempre será uma exceção no cenário do automobilismo mundial. Um país que conta com um esporte construído em torno das 24 Horas de Le Mans e com a maciça presença de uma montadora – a Renault – na F1 e nas categorias de base jamais pode ficar de fora de um campeonato.
Mesmo assim, desde Sébastien Bourdais não havia pilotos do país na categoria. Para piorar, o último triunfo foi em 1996, quando Olivier Panis venceu o caótico GP de Mônaco em que apenas quatro carros receberam a bandeira quadriculada.
Nesse cenário, os franceses perceberam que não bastava se agarrar à glórias do passado, à força de Le Mans e à presença da Renault como garantia de sucesso na F1. Era necessário criar os caminhos necessários para que novos atletas entrassem na principal categoria do automobilismo mundial.
Para isso, duas coisas foram feitas. A primeira foi a reestruturação das categorias de base, para que os pilotos do país chegassem à F-Renault, por exemplo, com chances de serem competitivos. Para se ter ideia do sucesso, dos 41 pilotos que treinaram nesta semana em Aragón, 13 eram franceses.
A segunda medida é garantir que esses garotos tenham condições de avançar na carreira. Assim a federação de automobilismo da França (FFSA) criou o Team France, uma espécie de programa de jovens pilotos para fazer com que os garotos do país consigam dar prosseguimento no automobilismo até caminharem com as próprias pernas.
Com tudo isso, foi questão de tempo para surgir bons pilotos. Portanto, se Jean-Éric Vergne chegou à F1 com apoio da Red Bull, se Romain Grosjean conta com a Renault, Gravity e Total e se Jules Bianchi é empresariado por Nicolas Todt não é apenas coincidência. Não foram casos isolados de pilotos que surgiram no meio do nada, em um automobilismo inóspito. Pelo contrário. Eles são nomes que apareceram a partir do trabalho da França em revelar cada vez mis atletas com o passar dos anos.
Tal qual esta foto, Jean-Éric Vergne teve uma temporada com partes altas e partes baixas em 2012
Quando estreei o World of Motorsport, em 2010, uma das coisas que propus a fazer era criar um sistema de pontuação para analisar o desempenho dos pilotos novatos na F1. Como a principal categoria do automobilismo mundial não tem uma classificação à parte para os estreantes – assim como acontece nos esportes americanos – era necessário montar um método que pudesse ser usado em qualquer temporada.
Para poder avaliar os jovens pilotos do campeonato, decidi montar essa classificação. Assim, após cada GP do ano, pontuei os novatos no clássico esquema 10-6-4-3-2-1, além de dar bônus para cada ponto que marcassem no campeonato normal da Fórmula 1.
No primeiro ano, Vitaly Petrov – então na Lotus – superou Nico Hülkenberg e Kamui Kobayashi para terminar como novato do ano (você pode clicar aqui para ver como foi), enquanto no campeonato passado Paul Di Resta venceu Sergio Pérez e Pastor Maldonado. O post de 2011 está aqui.
Nesses dois anos, o número de estreantes na F1 foi grande, então o sistema razoavelmente deu certo. É claro que hoje podemos discutir o que aconteceu com Petrov e Di Resta e se de fato eram pilotos melhores que Hulk, Koba, Pérez e Maldonado. Entretanto, naquela época eles foram, como comprova o desempenho na pista.
Dessa vez, a F1 teve apenas dois novatos: Jean-Éric Vergne e Charles Pic. Um competindo pela Toro Rosso e o outro pela fraquíssima Marussia. Quer dizer, você não precisa chegar até o final deste post para saber que JEV teve um desempenho final melhor que o compatriota. Isso é óbvio.
Por isso, em 2012, é possível dizer que o sistema falhou pela primeira vez. É claro que Vergne resultados superiores aos de Pic, justamente por ter um carro muito melhor, e por isso o título de Novato do Ano é inquestionável.
Charles Pic passou despercebido por 2012, mas o desempenho do francês foi bom no geral
Entretanto, a impressão que veio da pista é justamente a contrária. De uma forma geral, Pic andou melhor que Vergne se não levarmos em conta a limitação do equipamento. Embora tenha pontuado quatro vezes no ano, sempre com oitavos lugares, JEV chamou a atenção negativamente em dois momentos no campeonato. O primeiro, em Valência, ao se envolver em um acidente bobo com Heikki Kovalainen em plena ponte.
Esse incidente ainda tem um agravante, já que o francês estava disputando posições com um carro da Caterham. Em situações normais, seria inconcebível a Toro Rosso duelar com as equipes nanicas. O segundo ponto em que JEV pecou foi nos treinos classificatórios. Dos 20 disputados em 2012, ele foi eliminado no Q1 em nove oportunidades e só largou à frente de Ricciardo nos GPs da Espanha, Hungria, Bélgica e Estados Unidos.
Pic, por sua vez, foi um piloto que pouco errou em 2012. Por mais que ele não tivesse um bom ritmo de prova, foram poucas batidas ou rodadas. Na verdade, os seis abandonos do francês foram por causa de problemas mecânicos. O desempenho GP do Brasil, por fim, foi uma espécie de cereja do bolo. Em Interlagos, por muito pouco Pic não conseguiu segurar Vitaly Petrov para garantir o décimo lugar da Marussia no Mundial de Construtores.
Vale lembrar que Pic não tinha Kers, enquanto o adversário podia usar, além do artifício, também a asa traseira móvel.
Na comparação contra o companheiro de equipe, que completava o sexto ano na F1, Pic largou seis vezes na frente e superou o parceiro em sete resultados finais, incluindo o importante GP do Brasil. O ponto fraco do francês, no entanto, também veio nos treinos classificatórios, quando largou em último em três oportunidades.
Embora pouco signifiquem esses números relativos entre Pic e Glock são melhores que os apresentados por JEV contra Ricciardo.
Aliás, falando no australiano, cabe uma explicação de por que ele – nem Romain Grosjean – não disputou o título de Rookie of The Year em 2012. Ambos já tinham uma passagem pela F1, quando estouraram o número mínimo de provas para serem considerados novatos. De acordo com o sistema criado por mim, um piloto pode participar desta competição à parte desde que tenha estreado na categoria após a temporada europeia da F1 no ano anterior.
É por isso que Kamui Kobayashi foi considerado novato em 2010, mas Grosjean e Ricciardo não puderam repetir isso nesta temporada.
Indo às formalidades, Jean-Éric Vergne somou 200 pontos ao longo do campeonato para conquistar o prêmio de World of Motorsport Rookie of the Year de 2012. Pic, por sua vez, ficou com 136, finalizando na frente do compatriota em apenas quatro oportunidades.
Daniil Kyvat conquistou duas vitórias na Rússia e assumiu a liderança da temporada 2012 da F-Renault
A F-Renault Eurocup passou apertos neste final de semana, em Moscou. A pouca estrutura do entorno do autódromo russo para receber a categoria fez os pilotos passarem poucas e boas fora das pistas. Dentro dela, os comissários não ajudaram e, para piorar ainda mais, a chuva esteve presente como uma fina garoa na manhã deste domingo.
Apesar disso, as corridas aconteceram sem maiores problemas e Daniil Kyvat fez a alegria da torcida da casa ao vencer as duas baterias do campeonato de acesso. De quebra, o jovem piloto da Red Bull assumiu a liderança do campeonato com uma vantagem de apenas um ponto para o belga Stoffel Vandoorne, da Josef Kauffmann.
Agora, a categoria entre um hiato de dois meses até a próxima etapa, já que as corridas na Hungria acontecem apenas nos dias 15 e 16 de setembro. Por isso, não é absurdo pensar que a disputa do título deve mesmo ficar entre Kyvat e Vandoorne. Basta ver que o terceiro colocado, Norman Nato, tem apenas 72 pontos, menos da metade dos dois ponteiros.
O interessante disso tudo é pensar que essa não é uma situação nova para o campeonato. Nos últimos anos, a decisão da F-Renault tem sido entre um piloto da Red Bull e um atleta desafiante e – surpresa! – o rubro-taurino saindo derrotado sempre.
Se Kyvat conseguir se sagrar campeão da F-Renault lá no mês de outubro, essa será a primeira vez desde 2007 que um piloto da equipe energética levantará a taça. A última vez aconteceu com Brendon Hartley, que precisou superar Jon Lancaster e Charles Pic para ser campeão. No entanto, Jaime Alguersuari fez parte daquela geração, mas havia terminado apenas na sexta colocação no campeonato. Mika Maki, por sua vez, foi apenas o nono.
Hartley encerrou um período de bastante sucesso da Red Bull na categoria. Entre os anos de 2004 e 2007, os pilotos energizados foram campeões em três oportunidades e ainda conseguiram um vice. Além do neozelandês, Scott Speed e Filipe Albuquerque também ergueram a taça de campeão. Já Michael Ammermüller, em 2005, foi derrotado por um nipônico abusado de nome Kamui Kobaysahi.
Brendon Hartley, também conhecido como L.J. Hooker, foi o último rubro-taurino a vencer a F-Renault. E talvez você nem saiba de quem se trate
Só que a torneira secou a partir daí. Em 2008, a Red Bull escalou uma dupla que se aparentava bastante promissora para dar sequências às conquistas, formada por Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne (que coisa não?), mas o título ficou com Valtteri Bottas. Na ocasião, o finlandês superou Ricciardo por apenas três pontos e recebeu uma proposta para se tornar piloto em desenvolvimento da Renault, mas acabou recusando-a.
Em 2009, a Red Bull deixou Vergne no campeonato para que ele abusasse da experiência e conquistasse a taça. O francês venceu quatro corridas, mas os abandonos na rodada de Barcelona acabaram pesando. No final, JEV somou 128 pontos e foi batido pelo espanhol Albert Costa. Curiosamente, Antonio Félix da Costa – hoje rubro-taurino – fez parte daquela geração e havia sido o piloto a ser batido em toda a temporada. No entanto, uma desclassificação na etapa de Nürburgring acabou literalmente custando o título, e o luso encerrou com os mesmos 128 pontos do futuro companheiro de energético.
Em 2010, o alvo da Red Bull foi a F-BMW e por isso Kevin Korjus sagrou-se campeão da F-Renault sem enfrentar um piloto rubro-taurino. Porém, no outro certame, Carlos Sainz Jr. e Daniil Kyvat não deram muitos motivos para a turma de Helmut Marko comemorar, já que ambos ficaram longe da briga pelo título entre Robin Frijns e Jack Harvey.
O problema é que o duelo se repetiu em 2011. Com o fim da F-BMW, a Red Bull voltou a prestar atenção na F-Renault trazendo Sainz e Kyvat para conquistar a taça. O espanhol dominou boa parte do campeonato, mas acabou batido por Frijns, que pôde celebrar a segunda conquista em cima do espanhol. Isto é, em bom português, Sainz é um freguês de Frijns.
Aí chegamos em 2012. Com três anos nas categorias de base, Kyvat tem tudo para encerrar o jejum de títulos da Red Bull na F-Renault. Só faltou combinar com Vandoorne, que fará o possível para estragar a festa rubro-taurina mais uma vez.
Para encerrar, o jejum só acontece na F-Renault Eurocup. Em demais campeonatos, como a Italiana ou a Norte-Europeia, a Red Bull tem conseguido comemorar as conquistas de seus pupilos. Mas levando em conta que o Europeu é o principal certame, não é absurdo dizer que essas taças às vezes não passam de prêmios de consolação.
Se a carreira de Daniel Ricciardo na F1 não der certo, o piloto pode tentar ser ator, afinal, ele leva jeito na frente das câmeras
Você gosta de séries, dessas que passam na televisão? Nos últimos, esse formato tipicamente americano de programação tem ganhado força no mundo inteiro. É difícil encontrar alguém que nunca tenha assistido a um episódio desses programas.
Só para ficar entre as mais recentes, Friends, House, Two and Half Men, The Big Bang Theory, Law & Order, Lost, Glee e 24 Horas são exemplos de shows que fazem sucesso no mundo todo e em praticamente todas as faixas etárias.
Talvez você esteja se perguntando por que estou falando isso, se o World of Motorsport é um blog voltado para o automobilismo. Não se preocupe, eu não mudei a temática daqui! É que eu precisava enrolar um pouco este post, do contrário ele ficaria muito pequeno.
Bom, na verdade, o assunto de hoje é justamente esse. Inspirada no sucesso das séries americanas, a Red Bull produziu um programa chamado ‘Destination One’, que foi exibido nos últimos meses na Red Bull TV, no site da empresa de energéticos.
O programa conta a história de quatro garotos que sonham em um dia chegar à F1: Daniel Ricciardo, Jean-Éric Vergne, Daniil Kyvat e Carlos Sainz Jr. Não por acaso, o quarteto que fez parte do Red Bull Junior Team nos últimos dois anos.
Em uma superprodução, a Red Bull acompanhou a temporada 2011 desses garotos em um documentário que mistura ação nas pistas, cenas dos bastidores, depoimentos e fatos curiosos em um ritmo bastante interessante. Por exemplo, você sabia que Jean-Éric Vergne pilotou um kart antes mesmo de completar um ano de idade? E que Daniel Ricciardo é um dos poucos australianos que nunca surfou na vida?
Histórias como essas e muitas outras são contadas na série. Para não estragar a surpresa de quem for assistir, comento brevemente apenas os dois primeiros episódios, onde é narrada a batalha entre Ricciardo e Mikhail Aleshin pelo título da World Series by Renault em 2010. Enquanto toda a ação se desenrola na pista, os pilotos dão depoimentos do que aconteceu, assim como todo o staff da Red Bull. A edição foi caprichada e mostra a reação de cada um a cada reviravolta na disputa pelo título.
Nos demais episódios, todos muito curtos com apenas 12 minutos de duração, além de Ricciardo, a rotina de Sainz, Kyvat e Vergne também é conhecida de perto.
O único problema da série é que ela foi feita pela própria Red Bull, então tem aquela maquiagem toda nos maus momentos. Você não vê ninguém criticando os pilotos, não tem os momentos de pressão e todos os garotos que passaram pelo Junior Team, mas falharam são completamente ignorados. Ou seja, mesmo que tivesse importância dentro de um contexto, Jaime Alguersuari, Sébastien Buemi e Brendon Hartley, por exemplo, não estão no vídeo.
Outro personagem curioso é Helmut Marko. Conhecido por liderar o Red Bull Junior Team com mãos de ferro, o austríaco é retratado como um velhinho bonzinho que descobriu Ricciardo e Vergne e tem um carinho quase familiar por eles.
Sabendo separar o que é divulgação e promoção da própria Red Bull do que é conteúdo informativo, a ‘Destination One’ é uma série que realmente recomendo. Principalmente porque a produção é impecável e mostra muitos e muitos detalhes dos bastidores da vida dos pilotos.
Ela também é interessante para quem pensa ou está tentando seguir carreira no esporte a motor. Os detalhes colocados principalmente nas dificuldades dos pilotos mostram que para se ter chance na F1 em uma equipe competitiva não basta apenas ter alguém que pague. Nesse aspecto, o pai do Jean-Éric Vergne é um personagem-chave. Embora ele seja um pouco arrogante, ele serve como um contraponto e mostra que o mundo do esporte a motor não e só maravilhas.
Mesmo com a contratação de Mike Coughlan, a Williams foi bastante conservadora para criar o FW34
A primeira bateria de treinos coletivos para a temporada 2012 da F1 vai chegando ao fim. Após nove lançamentos de carros e quatro dias de atividades de pista é possível chegar a alguma conclusão: os novos carros são feios.
Meio decepcionante, não? Se ainda não dá para se empolgar ao saber quem é quem na disputa pelo título, o visual dos novos modelos não ajuda muito a melhorar a animação para o novo campeonato. Desse jeito, talvez a melhor coisa seja desvendar os segredos das equipes para esquentar um pouco as coisas.
Em posts anteriores – os links estão lá embaixo –, as primeiras impressões dos carros da Red Bull, Ferrari, McLaren, Lotus, Caterham e Force India já foram expostas. Agora é vez da Williams, Sauber e Toro Rosso, quando finalmente será possível responder quais chances Bruno Senna terá na F1 em 2011.
Ao analisar o carro da Williams, não são muitas, na realidade. Mesmo com a equipe tendo passado por uma revolução dentro do departamento técnico, com a substituição de Sam Michael e Patrick Head por Mike Coughlan, o FW34, o carro de 2012, não parece ter correspondido a essa mudança drástica.
A traseira curta, com bastante espaço para o ar, é um dos destaques do novo carro da Williams para a F1 2012
O novo modelo, na verdade, parece uma evolução do carro de 2011. A primeira impressão é que a Williams manteve tudo o que deu certo e resolveu mudar o resto. Só que o resultado na pista sugere que o time ainda vá sofrer no novo campeonato, embora os primeiros treinos não signifiquem muita coisa.
O primeiro destaque do FW34 é a asa dianteira ser presa na pontinha do suporte do bico, o que possivelmente significa a falta do duto frontal. Depois, o modelo segue a tendência do bico de ornitorrinco, para aumentar o fluxo de ar para o difusor. O degrau é similar ao da Ferrari, sendo bastante conservador.
O restante do modelo – sidepods, entrada de ar e tampa do motor – continua bastante similar ao carro de 2011. A grande inovação do carro do ano passado (e que não deu certo) foi a caixa de câmbio reduzida. Dessa vez, parece que esse artifício foi novamente utilizado, deixando a parte traseira muito curta.
A tampa do motor termina muito cedo – com os escapamentos posicionados em posição mais conservadora e apontados para a asa traseira – a asa, aliás, também fica presa na pontinha, a exemplo da peça dianteira. O resultado é ter muito espaço para que o ar flua e chegue ao difusor.
Há alguma expectativa em relação às principais inovações da Williams serem invisíveis, isto é, por baixo da carroceria. Sendo assim, fica difícil analisar qualquer coisa após um único teste.
Nessa foto fica bem claro o buraco após o degrau e a posição dos escapamentos do novo carro da Sauber apra a F1 2012
Sauber C31:
Indo direto ao ponto no carro da Sauber, o C31 apresenta três maiores inovações: bico, entrada de ar e escapamento. Menos importante que essas partes vem a pintura. É óbvio que layout não ganha corrida, mas carro mais feio que o da equipe suíça não há.
Heh, indo ao que interessa, o bico da Sauber é um dos mais curiosos. Comparado ao das outras equipes, ele é bastante avantajado. Parece ser um dos bicos mais longos até agora e, ao contrário dos rivais, os suíços optaram por colocar a câmera quase na metade da peça.
A justificativa para essas escolhas é direcionar o fluxo de ar para o restante do carro. O grande problema do degrau parece ser a turbulência que ele causa, fazendo com que o ar não siga junto ao carro, prejudicando a geração da downforce. Além do bico, a grande inovação é um buraco – assim como a Red Bull – após o desnível. No entanto, ao invés da equipe austríaca, o buraco é localizado após o degrau, pouco antes do monocoque.
A Sauber apareceu em Jerez com uma nova tampa do motor, com o escapamento, digamos, escondido
Seguindo até a entrada de ar, a exemplo da Ferrari – ou da Force India em 2011 – o Sauber C31 tem a entrada principal, ovalada, além de um segundo buraco para a refrigeração do equipamento, localizado logo abaixo. O restante do equipamento é bastante similar ao do ano passado.
O último ponto é a tendência da Sauber em colocar a saída do escapamento encoberta pela tampa do motor, sem o bocal para fora. Essa é uma escolha que outras equipes ainda devem se utilizar. Por fim, o escapamento da Sauber segue de forma tradicional, apontando para a asa traseira.
Depois de investir pesado no final de 2011, a Toro Rosso manteve muitos dos novos componentes no STR7
Toro Rosso STR7:
Como a equipe satélite da Red Bull foi um dos times que mais investiu no final de 2011, já era esperado que eles mantivessem muitas das atualizações. A aerodinâmica, por exemplo, é praticamente a mesma, salvo o degrau no bico, que apresenta uma borda em ‘V’, para tentar amenizar os efeitos da turbulência.
O bico de ornitorrinco, evidentemente, também é uma novidade. No restante, o carro é bastante similar ao do ano passado. A base dos sidepods manteve o corte para melhorar o fluxo de ar, enquanto a peça – assim como a tampa do motor – é mais longa que o da Red Bull.
Apesar disso, o carro tem algumas novidades. Assim como a Sauber, há duas entradas de ar na parte de cima: a principal, além de uma localizada logo abaixo. E o outro destaque é o escapamento localizado próximo ao duto do freio da roda traseira, para aumentar a downforce.
Com o bom desempenho da Toro Rosso no final da temporada passada, a adição de uma dupla mais habilidosa que a anterior e inovações não tão conservadoras, a equipe italiana pode ser uma forte candidata ao quinto lugar no Mundial de Construtores.
A World Series by Renault voltou a ser a casa da Red Bull em 2011
Como já é tradição aqui no World of Motorsport, chegou a hora de relembrar os melhores momentos de 2011. Para isso, nada melhor que começar com retrospectiva da temporada da World Series by Renault, que tirou Robert Wickens da fama de eterno vice-campeão que o perseguia.
Wickens, na realidade, não foi o único piloto que se destacou este ano. A WSbR foi dominada por quatro garotos que ganharam a alcunha de ‘Quarteto Fantástico’. Além do canadense, o grupo também teve Jean-Éric Vergne, Daniel Ricciardo e Alexander Rossi. Os quatro, aliás, só não terminaram nas quatro primeiras colocações do campeonato, pois Ricciardo já estava pilotando pela Hispania na F1 e a agenda não permitiu disputar a última rodada do certame.
Apesar de o quarteto ter ficado em evidência tanto tempo, a pré-temporada foi marcada pela expectativa da montagem dos planteis. A Carlin, que conquistara o título de 2010, resolveu apostar em pilotos experientes, trazendo Wickens e Vergne para substituir o então campeão Mikhail Aleshin.
Rival do time de Trevor Carlin na F3 Inglesa, a Fortec resolveu investir pesado para 2011. Trouxe Rossi e o brasileiro Cesar Ramos – campeão da F3 Italiana – para as vagas de Sten Pentus e Jon Lancaster. Por fim, Daniel Ricciardo deixou a Tech1 para correr pela ISR, que havia disputado o título da última temporada com Esteban Guerrieri.
Ricciardo teria Dean Stoneman – campeão da F2 – como companheiro, mas o inglês foi diagnosticado com um câncer nos testículos pouco antes da primeira etapa e acabou substituído por Nathanaël Berthon. A Tech1, por sua vez, promoveu dois novatos da F-Renault, Kevin Korjus e Arthur Pic, enquanto André Negrão subiu para a Draco. O último destaque ficaria com a venda da tradicionalíssima Epsilon Euskadi, que se tornou Epic, e passou a inscrever carros para Albert Costa e Pentus.
Jake Rosenzweig trocou a Carlin pela Mofaz em 2011. Não importa na verdade, esse é meu carro favorito da temporada
Após uma pré-temporada com bom desempenho dos pilotos brasileiros, a World Series by Renault iniciou 2011 no dia 16 de abril no Motorland Aragón, em Alcañiz. Robert Wickens confirmou o favoritismo e marcou a pole-position, mas foi Daniil Move, da P1, quem assumiu a liderança da prova. O russo manteve a ponta até ser pressionado por Rossi, que conseguiu uma senhora ultrapassagem no rival.
Sabe aquele lance no GP da Hungria do ano passado, quando Michael Schumacher espremeu Rubens Barrichello no pit-wall? Então. Move fez o mesmo com Rossi, mas o americano foi persistente e conseguiu a ultrapassagem. Após a prova, o piloto da Fortec disse que contava com as equipes tirarem as placas de sinalização do pit-wall para que ele finalizasse a ultrapassagem sem ser atingido. Wickens e Nelson Pantiaciti completaram o pódio.
Na segunda corrida do final de semana, Cesar Ramos conseguiu a pole-position. A primeira de um piloto brasileiro desde Fábio Carbone, se não me falha a memória. Apesar disso, o gaúcho largou mal e foi ultrapassado por Korjus e Costa. O estoniano manteve a ponta e conquistou a primeira vitória da carreira na categoria e bateu o recorde que pertencia a Charles Pic de piloto mais jovem a ganhar uma corrida. Rossi e Costa completaram o pódio, com Ramos sendo o quarto.
Alexander Rossi conquistou a vitória em Aragón
Em Motorland, os meninos da Red Bull não tiveram um bom final de semana. Ricciardo sequer participou da rodada – sendo substituído por Lewis Williamson – por estar na F1 em um treino livre pela Toro Rosso. Jean-Éric Vergne, por sua vez, não foi liberado pelos rubro-taurinos para participar dos treinos. Chegou direto para correr, praticamente, e não conseguiu top-5, mesmo terminando as duas provas nos pontos.
Com a oportunidade de treinar em Spa-Francorchamps, o rendimento do francês melhorou. Wickens venceu a primeira corrida na Bélgica e JEV foi o segundo. Os dois se inverteram na segunda prova, com a Carlin dominando o final de semana com duas dobradinhas. Costa e Chris van der Drift conseguiram um pódio cada. Os brasileiros não pontuaram.
Enquanto JEV aproveitou a etapa belga para entrar na briga pelo título, Ricciardo foi bastante criticado. O australiano terminou em décimo e em nono, muito longe de alguém que era considerado o favorito absoluto ao título. Em Monza, a fase do piloto não melhorou. Ricciardo foi punido após o treino classificatório sendo obrigado a largar em último. Vitória de Korjus após nova pole de Cesar Ramos.
A segunda corrida da rodada italiana só terminou meses depois. JEV venceu, enquanto Ricciardo conquistou a segunda colocação. Apesar disso, o francês foi punido em 10s por cortar uma chicane, dando a vitória para o companheiro de Red Bull Junior Team. A Carlin recorreu, e a decisão saiu só no segundo semestre do ano devolvendo os pontos a Vergne.
A largada em Mônaco até pareceu F1. Carros com as corres da Red Bull, da Marussia e da Renault nas primeiras posições
O bom desempenho em Monza motivou Ricciardo. Em Mônaco, o piloto da ISR se aproveitou do tempo extra de pista – ao também ter testado pela Toro Rosso – para conseguir a pole-position com facilidade. Ricciardo largou na frente e dominou a corrida de ponta a ponta, apesar de ter sido pressionado por Wickens durante toda a prova. Com Brendon Hartley terminando na terceira colocação, o pódio foi formado por três pilotos que já fizeram parte do Red Bull Junior Team em algum momento.
Quem não andou bem em Mônaco foram Vergne e Rossi. Enquanto o francês foi apenas o 12º, o americano abandonou. A sorte de ambos não melhorou muito em Nürburgring. Vergne voltou a não conseguir terminar uma prova, terminando a outra em quarto. Rossi sequer completou uma volta na pista alemã.
O fraco desempenho do francês não podia ter vindo em uma etapa pior. O líder da temporada após a corrida alemã ganharia um treino com um carro antigo da Renault e o piloto era um dos que estava na briga, ao lado do companheiro de equipe, Robert Wickens. O canadense se aproveitou dos problemas do companheiro para conquistar duas pole-position, vencer uma prova e terminar a outra em segundo.
Aliás, foi justamente em Nurburgring que Kevin Korjus venceu pela terceira vez na temporada. O estoniano de apenas 19 anos fez uma prova história ao receber a bandeira quadriculada na frente mesmo largando em último. É claro que ele contou com a entrada do safety-car após um acidente entre Jake Rosenzweig e Anton Nebylitsiy e foi beneficiado por já ter ido aos boxes, mas é uma tática justa. Cesar Ramos e André Negrão conseguiram bons resultados no geral.
A briga pelo título ficou entre Robert Wickens e Jean-Éric Vergne
Com a luta pelo título praticamente restrita aos garotos da Carlin, JEV se recuperou em Hungaroring ao conquistar duas vitórias e vendo Wickens terminando uma na quinta colocação e a outra em sétimo. O canadense deu o troco em Silverstone ao vencer as duas, enquanto o companheiro-rival acumulou apenas um quarto lugar.
A temporada nesse momento entrou em uma fase dramática para Cesar Ramos. Apesar de ter conseguido duas pole-position, o brasileiro começou a sofrer para conseguir o orçamento necessário para competir, chegando a correr o risco de ser obrigado a ceder a vaga a outro piloto. Um investidor apareceu e Ramos pode continuar.
No dia 17 de setembro a World Series chegou ao circuito de Paul Ricard para a penúltima etapa da temporada. Correndo em casa, JEV mostrou que estava recuperado ao cravar a pole-position para a primeira corrida. O piloto novamente venceu com facilidade, mas não conseguiu descontar pontos importantes para o campeonato, já que o canadense terminou logo em seguida.
Vergne voltou a largar na frente na segunda prova, mas o piloto não foi páreo para Alexander Rossi e Daniel Ricciardo. O quarteto fantástico voltou a mostrar a melhor forma com três representantes no pódio e Wickens só não completando a fila por conta de problemas durante a prova. Apesar disso, o canadense ainda marcou a melhor volta.
Robert Wickens e Jean-Éric Vergne chegaram a Barcelona para a rodada decisiva separados apenas por dois pontos. O clima para a decisão era tenso, com os pilotos decidindo não trabalhar na mesma garagem, mesmo sendo companheiros de equipe. Na manhã do sábado, Wickens deu um enorme passo para o título ao marcar a pole-position para a primeira prova. JEV não foi bem, largando apenas em nono.
Na corrida, enquanto o francês passou cada um dos rivais, Wickens disparou na frente. O canadense recebeu a bandeirada com uma vantagem de 21s para o companheiro de equipe e abriu uma diferença de nove pontos. A prova ainda foi marcada pelo forte acidente de Adrien Tambay, motivado por uma falha nos freios do carro do francês. Para azar do garoto, ele só competiu na rodada catalã devido a uma crise de labirintite de André Negrão. O desfecho da temporada, portanto, não foi o mais animador para nenhum dos dois.
Na corrida decisiva, pole-position para Albert Costa. Wickens largaria em segundo, enquanto Vergne, em quinto. No início da prova, o canadense tentou ganhar posições por fora, mas foi bloqueado pelos rivais. JEV mergulhou para ultrapassar o companheiro, mas ambos se tocaram duas vezes. O carro de Wickens teve a suspensão quebrada e se encaminhou à área de escape, mas também atingindo Nathanael Berthon.
Vergne seguiu na corrida, conquistando o título se as posições não se alterassem. Mas o carro da Carlin estava danificado e ele foi obrigado a ir aos boxes para fazer os reparos. No retorno à pista, o francês brigava para entrar na zona de pontos e pode sonhar com a taça até ser acertado por Fairuz Fauzy. Fim de prova para JEV e título de Wickens.
No final, com os dois carros da Carlin tendo abandonado, a vitória ficou com Albert Costa, a primeira do espanhol na categoria. Após a vitória, o piloto falou que essa pode ter sido a última corrida da carreira, já que sofreu com a falta de investidores em 2011.
No campeonato, Wickens levantou a taça depois dos vice-campeonatos da F2 e da GP3 em sequência. O piloto somou 241 pontos contra 233 de JEV. Alexander Rossi terminou o ano em terceiro, enquanto Costa foi o quarto. Daniel Ricciardo foi apenas o quinto, mas o australiano também não correu em Barcelona por conta do GP de Cingapura da F1, que aconteceu na mesma data.
Ao longo das 18 etapas de 2011, apenas quatro pole-position e quatro vitórias não foram obtidas pelo quarteto fantástico. Para 2012, JEV e Ricciardo serão a dupla da Toro Rosso na F1, enquanto Alex Rossi deve correr pela Air Asia na GP2. Wickens, mesmo com o título, ainda não anunciou planos, embora conte com apoio da Marussia.
Destaque de 2011 com três vitórias, Korjus deve voltar a competir na categoria. O estoniano terminou o ano na sexta colocação. Cesar Ramos, o 11º, também negocia para permanecer na World Series by Renault, enquanto a participação de André Negrão (20º) deve ser confirmada no início do próximo ano. O piloto deve seguir com a Draco.
Em 2012, nas vagas ocupadas pelo quarteto fantástico, a Carlin já confirmou que terá Kevin Magnussen e Will Stevens, enquanto a Fortec anunciou Carlos Huertas. A ISR ainda não falou em nenhum nome, mas deve ter Laurens Vanthoor, além do retorno de Dean Stoneman, enfim recuperado do câncer. Yann Cunha, na Pons, é o único brasileiro confirmado até o momento, mas Lucas Foresti e Felipe Nasr também podem aparecer.
Do ponto de vista esportivo, a mudança na dupla da Toro Rosso foi sensacional
A Toro Rosso surpreendeu a todos ao anunciar a reformulação completa do plantel para a temporada 2012 da F1. Sébastien Buemi e Jaime Alguersuari foram chutados para a chegada de Daniel Ricciardo e de Jean-Eric Vergne.
Há duas maneiras de se analisar essa troca: do ponto de vista esportivo e do ponto profissional.
Falando desportivamente, não há nada de errado uma equipe decidir fazer uma reconstrução interna ao abrir mão dos dois pilotos titulares em prol de dois jovens promissores.
Alguém mais apressado pode até reclamar de injustiça com o Alguer em ser demitido justamente no momento em que parecia estar se adaptando à F1. Não é esse o caso na Toro. Prefiro ficar com a opinião do jornalista Edd Straw, da Autosport, que afirmou não ver problemas nessa mudança. Pelo contrário. A Red Bull bancou a carreira da dupla até a F1 praticamente toda e mesmo na categoria principal eles tiveram dois anos e meio, no mínimo, para provarem o talento. Assim, Straw diz que um monte de pilotos adoraria passar por esse tipo de injustiça de ter a carreira financiada.
O que deu errado para Buemi e para Alguersuari foi não ter conseguido impressionar na F1. É claro que ninguém esperava por vitória levando em conta a mudança de regulamento, que passou a obrigar a Toro Rosso a construir o próprio carro – sem comprar da Red Bull – desde 2009. Mas o antigo duo titular sequer conseguiu marcar pontos de forma constante, com o catalão tendo algum destaque agora no fim do ano.
Além disso, com a aposentadoria de Mark Webber cada vez mais próxima, a Red Bull tinha pressa em dar uma chance aos dois garotos para ver se algum deles tem condição de substituir o australiano no time principal. Não seria um bom parâmetro, por exemplo, colocar Vergne – considerado mais habilidoso – e deixar Ricciardo mofando na Caterham.
Do ponto de vista profissional, a Toro Rosso parece ter pisado na bola. Ao que tudo indica, os dois antigos titulares não sabiam da dispensa até poucos dias atrás. Assim é complicado para que ambos possam restabelecer a carreira e passar a negociar com outras equipes. Restam apenas os lugares da Williams e da HRT. Ou seja, é muito difícil que um dos dois siga na F1. Se eu fosse arriscar, diria que Alguer tem chance na Hispania apenas por ser espanhol. Buemi, por sua vez, não seria surpresa se seguisse os passos do compatriota Neel Jani e fosse correr de GT e de endurance.
A vaga de companheiro de Kimi Raikkonen na Renault está indefinida
O mês de dezembro chegou e, de uma forma até mesmo surpreendente, ainda há vagas abertas na F1, que estão relativamente longe de uma definição. Parecia que na metade da temporada o mercado de pilotos seria parado, já que as equipes grandes optaram por manter as duplas. No entanto, uma semana depois do encerramento do campeonato, quatro equipes estão com o futuro indefinido.
Os fracos resultados de Renault e Williams em 2011 forçaram as equipes passarem por profundas reestruturações. A primeira perdeu Robert Kubica ainda na pré-temporada e cometeu uma série de erros ao longo do ano, que obrigou a Vitaly Petrov e Bruno Senna se arrastarem pelo final do campeonato. Nesse meio tempo, Nick Heidfeld recebeu uma chance e Romain Grosjean venceu a GP2.
Só que os resultados não vieram e a cúpula da Genii, dona da equipe, ficou bastante irritada. Há um boato que aponta a demissão de Eric Boullier – que arquitetou as trocas de piloto e foi o responsável por trazer Heidfeld – e a contratação de Gerhard Berger para a função de chefe de equipe.
Berger assumiria a mesma função que teve na Toro Rosso, quando precisou reconstruir a equipe em 2008. Na época, o austríaco demitiu Scott Speed e Vitantonio Liuzzi para trazer Sebastian Vettel e Sébastien Bourdais, uma das duplas mais promissoras da história recente da F1.
Na Renault, Berger foi apontado como um ponto favorável pela permanência de Bruno Senna. Acho que a ligação do ex-piloto com Ayrton não seja o bastante para garantir o futuro do sobrinho. Por outro lado, também significa um duro golpe nas chances de Romain Grosjean. O francês é o favorito de Boullier, mas não tem muito prestígio com o austríaco.
A situação de Adrian Sutil é complicada. Tudo por conta da briga no início do ano
Na realidade, Petrov, Senna e Grosjean são pilotos equivalentes. O francês é mais talentoso, o russo tem mais experiência e o brasileiro é um Senna, mas na média todos estão no mesmo nível. A Renault não vai ganhar nada com a escolha de um deles. Por isso, se a equipe quiser fazer a reestruturação de um jeito mais amplo, ela precisa de um piloto top para ser companheiro de Kimi Raikkonen. Na F1, são poucos os nomes disponíveis. Rubens Barrichello, Timo Glock, Heikki Kovalainen e Jarno Trulli. Uma dupla Raikkonen/Barrichello ou Raikkonen/Trulli seria muito mais interessante, até em termos de desenvolvimento do carro que Grosjean/Petrov.
A Williams é outra equipe que tem uma vaga disponível. Mas ao contrário da Renault é a vaga de primeiro piloto. Por isso mesmo, não dá para imaginar que a equipe inglesa, depois de mexer em todo o staff técnico, trazendo Mike Coughlan, vai deixar o desenvolvimento do carro nas mãos de Pastor Maldonado, Valtteri Bottas e um terceiro novato endinheirado.
Está bastante claro que a segunda vaga da Williams será de um piloto experiente. É verdade que Rubens Barrichello pode ficar, mas Adrian Sutil também pode exercer essa função. Afinal, o alemão foi o responsável pelo progresso feito pela Force India nas últimas temporadas.
Falando em Sutil, é curioso ver que o piloto terminou e temporada em nono lugar e até agora não tem uma vaga garantida para 2012. E mesmo que feche com a Williams, estaria indo para uma equipe pior que a de Vijay Mallya. Lembra aquela briga no início do ano com Eric lux, da Gravity, na China? Então… alguém está encontrando uma série de portas fechadas na F1 e só deve arrumar uma vaga pelo dinheiro que tem.
Nico Hülkenberg e Paul Di Resta terão um ano decisivo em 2012
A Force India não deve ter nenhuma grande mudança. A saída de Sutil é praticamente um fato consumado, enquanto a nova dupla será Paul Di Resta e Nico Hülkenberg. De longe, essa é a parceria mais promissora de todo o grid. Di Resta e Hülk parecem ser dois pilotos foras de série, que têm condições de substituir os grandes nomes do esporte nos próximos anos. É bom lembrar que os contratos de Felipe Massa, Mark Webber, Michael Schumacher e da segunda vaga da Renault terminam no final do próximo ano. Portanto, uma boa temporada da dupla, pode significar voos maiores em 2013.
Por fim, tem a Toro Rosso. A tendência, no momento, é que Sébastien Buemi e Jaime Alguersuari fiquem para 2012. Em primeiro lugar, o campeonato já acabou. Não há mais nada que eles possam fazer para mostrar à equipe que podem continuar na F1. Nenhum dos dois provou que pode ser um piloto fora de série, então por qual motivo a decisão sobre o próximo ano ainda não foi comunicada?
Pior que isso. O coitado que for dispensado vai encontrar um mercado da F1 totalmente fechado, com a única vaga disponível sendo a da Hispania. Ou seja, a Red Bull investiu em Buemi e Alguersuari durante anos. Um vai ser dispensado e pronto, acabou a carreira dele. Muito legal, não é mesmo? E segundo, há uma especulação que coloca Daniel Ricciardo na Lotus, no lugar de Trulli.
Não faz o menor sentido o australiano ir para a Lotus se Buemi ou Alguersuari rodarem. Vai entrar quem no lugar? Jean-Éric Vergne, que tem a experiência de ter liderado um único treino dos novatos?
A situação na Toro Rosso parece que é a seguinte. Os dirigentes sabem que não vão conseguir extrair muita coisa de Buemi e Alguersuari, mas não querem tirar os dois da equipe. O suíço é mais lento e pouco promissor, enquanto o espanhol dizem que é incapaz de dar um feedback consistente. Ou seja, não dá para confiar o desenvolvimento do carro no catalão. Mas caso o equipamento de 2012 seja bom, não dá para ficar com o suíço, pois ele vai continuar tendo um fraco resultado. Aí que fica o impasse em quem demitir.
Carlos Sainz Jr será um dos pilotos da Carlin na temporada 2012 da F3 Inglesa
A Carlin anunciou nesta quinta-feira, dia 3, o espanhol Carlos Sainz Jr como substituto de Felipe Nasr para a temporada 2012 da F3 Inglesa.
Faltam seis meses para o início do próximo campeonato e nem mesmo começaram os treinos coletivos de pós-temporada, ainda assim, mesmo que Sainz mal tenha participado de alguns poucos testes privados, é inegável que o espanhol assume o posto de favorito ao título de 2012.
Sainz é piloto em desenvolvimento da Red Bull, cargo em que já estiveram presentes nomes como Jaime Alguersuari, Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne. Todos competiram na F3 Inglesa pela Carlin e venceram o título na temporada de estreia na categoria. Do trio, apenas Alguersuari teve trabalho para levantar a taça, mas também foi o único que teve concorrência de outro piloto rubro-taurino (Brandon Hartley na ocasião).
O que poderia pesar contra Sainz nesse primeiro ano de F3 Inglesa é o fato de ele só ter um único título na carreira – o da inexpressiva F-Renault NEC. Quando o garoto esteve na F-BMW e na F-Renault Eurocup – competindo contra os principais nomes da geração – não conseguiu confirmar o favoritismo e ficou sem a taça no final do ano.
Alguém mais apressado poderia dizer que esse retrospecto condena Sainz, que deverá ter muitas dificuldades em 2012. Ainda que isso possa ser verdade, o espanhol não vive uma situação inédita dentro da Red Bull. Do trio Alguersuari-Ricciardo-Vergne, apenas o australiano chegou à F3 Inglesa com um título na carreira, a exemplo de Sainz, era o da menos importante F-Renault WEC.
Alguersuari, por exemplo, havia sido vice-campeão da F-Renault Italiana e apenas quinto colocado no certame europeu, enquanto Vergne acumulara vice-campeonatos na WEC e na Eurocup.
O que pode dificultar a vida de Sainz é encontrar adversários melhores preparados que os enfrentados pelos companheiros de Red Bull. Alguersuari e Vergne só tiveram novatos como concorrentes ao título. Enquanto o catalão duelou com o já citado Hartley, além de Oliver Turvey (apoiado pela Racing Steps Foundation), Marcus Ericsson e Sergio Pérez, o francês teve James Calado (também da RSF) e Oli Webb como principais rivais. Ricciardo, por sua vez, teve a vida muito mais fácil ao disputar contra nomes como Max Chilton e Walter Grubmuller, fora Renger van der Zande, que sequer participou de todas as provas.
Sainz, em 2012, cai em uma categoria que teve certa valorização nos últimos anos. O espanhol pode ter que enfrentar Jack Harvey (mais um da RSF) na luta pelo título. O inglês, que teve um 2011 bastante irregular na F3, é conhecido por demorar a se adaptar ao equipamento, mas é muito habilidoso e, em situação parecida, derrotou Sainz na F-BMW de 2010 (embora o campeão tenha sido Robin Frijns).
A chegada de Sainz, portanto, pode afetar o próprio mercado de pilotos da F3 Inglesa para 2012. Com um piloto forte – e que terá a preferência da Carlin – alguns garotos, que precisem de resultados mais imediatos na carreira, podem ser afugentados. Não seria bom, por exemplo, alguém escolher o campeonato inglês para correr caso haja a pressão de patrocinadores por títulos. Para esses, talvez fosse melhor optar por um campeonato mais equilibrado em termos de equipes.
Outros nomes já confirmados para o próximo ano incluem Alex Lynn, atual campeão da F-Renault UK, na Fortec, ao lado do brasileiro Pipo Derani. Como já é de praxe, o World of Motorsport acompanha tudo o que acontecer na F3 Inglesa em 2012.
Fãs mais exaltados da World Series by Renault compararam o duelo entre Jean-Eric Vergne e Robert Wickens a Senna e Prost
A temporada 2011 da World Series by Renault terminou neste domingo, dia 9, confirmando a máxima de que as corridas decisivas desse certame são geralmente cheias de drama e emoção.
Na última prova do campeonato, em Barcelona, Robert Wickens alinhou na segunda colocação do grid com uma vantagem de nove pontos em relação a Jean-Eric Vergne, que sairia em quinto. Caso o canadense não somasse pontos, o francês precisaria justamente de um quinto lugar para ficar com a taça.
A decisão do título em si não durou muito tempo. Wickens largou mal, permitindo que Nick Yelloly tomasse a segunda colocação. Enquanto isso, JEV também aproveitou o vacilo do companheiro de equipe para tentar a ultrapassagem.
Wickens, por outro lado, não estava disposta a entregar a posição fácil. Os dois se tocaram antes mesmo de chegar à primeira curva, com os carros ficando pouco danificados. Na segunda parte do ‘esse’ inicial, o canadense mais uma vez bloqueou o piloto da Red Bull, mas não teve jeito.
Não é tão absurdo pensar que Wickens jogou o carro para se defender do novo ataque, mas a manobra não deu certo e a suspensão do carro quebrou. O piloto virou passageiro e foi ao encontro de Nathanaël Berthon, que capotou. Vergne, por sua vez, até conseguiu se manter em quinto por um tempo, mas o carro quebrado não tinha ritmo para acompanhar os ponteiros. Depois, Fairuz Fauzy tratou de eliminar o francês da prova, decidindo a taça em favor de Wickens.
Após a prova, alguns fãs mais exaltados compararam a decisão do campeonato deste domingo com os famosos enroscos entre Senna e Prost, em Suzuka. É claro que é um baita exagero, mas é legal ver que mesmo nas categorias de base os pilotos estão dispostos a fazer de tudo para conquistar o título.
Aliás, o resultado deste domingo serviu para duas coisas. Primeiro, enfim coroar Wickens, que já acumulava uma sequência incômoda de vice-campeonatos, começando pela F2 e passando pela GP3 nos últimos anos. A outra é provar de uma vez por todas que a World Series by Renault é bem mais legal que a GP2 e as corridas insossas. Apenas o Leandro Verde, fã declarado do Jules Bianchi, acha a GP2 melhor. P.S.: não leve esse último comentário a sério. P.S.2: Clicando aqui você pode tanto ver como foi a prova quanto ler a vida e obra do campeão Wickens.
Veja abaixo o vídeo do pega entre Robert Wickens e Jean-Eric Vergne, que quase decidiu o título da temporada 2011 da World Series:
Paulista, estudante de jornalismo na Universidade de Brasília. Entusiasmado por qualquer coisa que tenha quatro rodas, um motor e possa fazer ultrapassagens.
Criou o World of Motorsport para poder contar a alguém tudo que acontece no mundo dos esportes a motor, desde as quatro curvas de Bristol até os 13,6km de Le Sarthe.