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Guia da Nascar Camping World Truck Series 2013

fevereiro 11, 2013
Depois do título de James Buescher em 2012, a Truck Series volta a Daytona

Depois do título de James Buescher em 2012, a Truck Series volta a Daytona

Após quase três meses de muito tédio, a Nascar está de volta nesta semana. Na verdade, os carros já voltaram à pista desde o último sábado, quando Kevin Harvick venceu o Sprint Unlimited pela terceira vez na carreira. No entanto, a primeira corrida valendo pontos será apenas nesta sexta-feira, dia 22, com a etapa de Daytona da Truck Series.

Por isso, como já é de praxe, o World of Motorsport faz um guia para você saber o que pode esperar dessa nova temporada. Hoje é dia da Truck Series, enquanto os posts da Nationwide e da Sprint Cup entram nos próximos dias.

Conhecida como terceira divisão da Nascar, a Camping World Truck Series vive um ano de transição. Isso acontece porque houve a chegada de muitos novatos, houve a manutenção de alguns veteranos, mas aquele núcleo de pilotos que disputou o título nos últimos anos acabou se dissipando.

Por isso, a tendência em 2013 é que a disputa pelo campeonato fique mesmo entre aqueles três ou quatro pilotos que já duelaram no ano passado. Obviamente, James Buescher abre a nova temporada como favorito, pois é o atual campeão da categoria e ele segue em uma escuderia comprovadamente vencedora, a Turner.

De qualquer forma, é curioso que Buescher não tenha feito a transição para a Nationwide neste momento. Talvez o problema tenha sido juntar o orçamento necessário para correr, de qualquer forma, o americano entra nesta temporada pressionado para conquistar novamente o título para não perder o bom momento da carreira.

Com novo patrocinador, James Buescher segue como favorito

Com novo patrocinador, James Buescher segue como favorito

Quem também está de olho na taça de campeão como uma forma de avançar nas divisões da Nascar é Ty Dillon. O neto de Richard Childress já havia sido um forte concorrente, em 2012, quando terminou com a quarta colocação, e agora volta mais experiente para repetir o irmão, Austin, e conquistar o título.

Os outros dois principais concorrentes, por outro lado, fazem parte de um perfil um pouco diferente de piloto. Os veteranos Johnny Sauter e Timothy Peters não são mais garotos que buscam evoluir dentro das categorias da Nascar rumo à Sprint Cup. É claro que eles aceitariam um convite para pilotar na divisão principal, mas neste momento eles perceberam que podem seguir correndo profissionalmente de forma estável na Truck Series.

Eu ficaria muito surpreso se o título de 2013 terminar com outro piloto fora os quatro citados acima. Até porque todos aqueles jovens pilotos que se destacaram nos últimos anos e agora estariam prontos para lutar pelo campeonato decidiram correr em outro lugar. Falo especificamente de Parker Kligerman e Nelsinho Piquet, que avançaram à Nationwide, e Justin Lofton, que vai correr em um torneio criado por Robby Gordon.

Para não dizer que toda uma geração de pilotos acabou indo embora, ainda há Joey Coulter, terceiro colocado no último campeonato. Apesar do bom resultado em 2012, o americano terá um desafio maior nessa temporada, pois trocou a equipe de Richard Childress – onde percebeu não ter muito espaço, pois o foco estava nos Dillon – e foi contratado por Kyle Busch. O ponto negativo dessa mudança é que, além da adaptção no novo time, o piloto terá a concorrência do próprio chefe. Ou seja, toda vez que Busch correr na Truck Series, há alguma dúvida de quem terá o melhor equipamento à disposição?

Outro piloto que tem evoluído nos últimos e chega em 2013 com ambições maiores é Miguel Paludo. O brasileiro foi o décimo na classificação geral, no ano passado, e agora está de olho em melhorar o desempenho. O principal problema do representante do Rio Grande do Sul é que até agora ele não mostrou consistência para lutar pelas primeiras posições. É alguém capaz de conseguir um top-5 aqui ou ali, mas não de lutar pelas vitórias.

É claro que Paludo tem chances de ganhar alguma corrida neste ano, mas não o vejo como um forte candidato ao título.

Johnny Sauter deve liderar a Thorsport mais uma vez

Johnny Sauter deve liderar a Thorsport mais uma vez

Para terminar a lista de pilotos com chance de serem campeões, há um grupo de veterano dispostos a mostrar que a experiência de décadas na Truck Series faz, sim, toda a diferença. Quem tem mais chances entre eles é Matt Crafton, que segue na equipe Thorsport, após fechar 2012 na sexta posição.

A boa estrutura da equipe de origem norueguesa faz com que o piloto do truck número 88 tenha mais chances que o tetracampeão Ron Hornaday – ainda na equipe de Joe Denette – e Brendan Gaughan, que assumiu a vaga de Coulter na RCR. Outro que pode pintar na lista de velhinhos é Todd Bodine, que vai será companheiro de Crafton em Daytona e pode seguir na escuderia nórdica caso arrume patrocínio para o restante da temporada.

Em uma situação completamente diferente, a Truck Series ainda terá uma boa geração de novatos em 2013. O principal e Ryan Blaney, que estreou no último ano, quando conquistou a primeira vitória na Nascar, em Iowa. O jovem piloto segue na equipe de Brad Keselowski e terá como principal problema o fato de pilotar um equipamento da Ford, já que não tem apoio da fábrica.

Blaney, porém, não é o único filho de piloto da Nascar que estreia na categoria. O garoto de Dave Blaney poderá acompanhar de perto a chegada de Jeb Burton, filho de Ward e sobrinho de Jeff Burton. O piloto nome parecido ao de um golpe de boxe é o substituto de Nelsinho Piquet na Turner, mas correrá com o número 4. De qualquer forma, ele já sabe que terá um equipamento de ponta se levar em conta o desempenho do brasileiro na temporada passada.

Ryan Blaney impressionou ao vencer 2012

Ryan Blaney impressionou ao vencer 2012

O grupo de estreantes ainda conta com Darrell Wallace Jr, que incrivelmente não faz parte da família Wallace de Rusty, Kenny, Mike, Steve, entre outros. Bubba, como também é chamado, faz parte do programa Drive for Diversity, em que a Nascar promove a inclusão de minorias no esporte. O piloto, porém, ainda chega ao campeonato com as credenciais  de ser (mais) uma aposta de Joe Gibbs para o futuro.

Entre os demais novatos estão Brennan Newberry e o mexicano German Quiroga.

Geralmente ainda costumo indicar alguns pilotos do meio do pelotão nos quais devemos ficar de olho. Infelizmente, não são muitos na atual geração da Truck Series. Vou colocar apenas John Wes Townley, que é conhecido por bater exageradamente, mas conquistou a vitória na etapa de Daytona da Arca, na última semana.

P.S.: antes que eu termine, vamos à parte burocrática. Se você quiser ver todos os pilotos confirmados, clique aqui. Para as especificações técnicas da Truck Series, aqui é o seu lugar. Já para o calendário da temporada 2013, clique aqui.

P.S.2: Você pode clicar aqui para ver o guia da Nationwide.

Reformulação na Turner Motorsports

janeiro 12, 2013
Dylan Kwasniewski é a grande contratação da Turner para 2013

Dylan Kwasniewski é a grande contratação da Turner para 2013

Depois de trabalhar com sucesso no desenvolvimento de pilotos como Nelsinho Piquet, James Buescher, Miguel Paludo e Brad Sweet, a Turner Motorsport (agora chamada de Turner Scott) está cada vez mais disposta em investir no automobilismo de base da Nascar.

Além de alinhar na Nationwide e na Truck Series, a escuderia anunciou nesta quarta-feira, dia 16, que vai entrar na Nascar East na próxima temporada, inscrevendo nada menos que cinco carros.

A cereja do bolo foi a contratação de Dylan Kwasniewski, atual campeão da Nascar West e que vinha sendo disputado a tapas entre as escuderias. Ele chegou a acertar com a Gibbs para fazer algumas etapas ainda em 2012, mas acabou preferindo se mudar para a Turner na nova temporada.

Além de Kwasniewski, o time montou um plantel estelar contando também com Austin Dyne (Rookie of the Year da Nascar West em 2012), Kenzie Ruston (pilota mais popular de Late Models no último ano), Brandon Jones (de apenas 15 anos) e Ben Rhodes (esse já estava na Nascar East).

Kenzie Ruston é um bom motivo para assistir às corridas

Kenzie Ruston é um bom motivo para assistir às corridas

Mas o que isso tudo significa? Afinal, ninguém faz um investimento de cinco carros e trazer a peso de ouro um piloto badalado como Kwasniewski por acaso. Significa que para a Turner a geração de Piquet, Paludo, Buescher, Sweet, Jason Leffler, Justin Allgaier e etc. já deu o que tinha que dar.

Buescher foi campeão da Truck em 2012, Piquet terminou em sétimo e deve continuar na equipe na Nationwide – ao lado de Justin Allgaier –, enquanto Leffler e Sweet já deixaram o time.

Isso não quer dizer, porém, que a atual geração vá deixar a equipe neste momento ou ser boicotada. Mas a escuderia tem noção que Piquet dificilmente vá ficar por lá em 2014 se quiser buscar o título da Nationwide e em algum momento Buescher vai precisar deixar a equipe do sogro se quiser seguir carreira rumo à Sprint Cup.

Quanto a Paludo, se ele permanecer no time ou não, não é algo que vá mudar esse planejamento. Assim, trazer os cinco jovens talentos é uma forma de deixar as bases acertadas pensando já no próximo passo da equipe.

O interessante agora vai ser ver como os cinco garotos vão se sair na Nascar East. Quando uma equipe faz um investimento desse tamanho, naturalmente a pressão por resultados é muito maior. Levando em conta que o grid da categoria está cada ano mais competitivo, a chance de termos boas corridas – e algumas bem quentes – são ainda maiores.

A estreia de Kwasniewski na Turner acontece durante a Speedweeks, em Daytona, quando ele vai participar da Battle of the Beach.

A temporada mais emocionante de todos os tempos

junho 14, 2012

Kevin Harvick foi um dos poucos pilotos da Sprint Cup a vencer na Truck Series em 2012

Certamente você já ouviu essa estatística em algum lugar: nunca um início de temporada foi tão emocionante, já que sete pilotos diferentes venceram em sete etapas até agora. No entanto, você se engana caso pense que falo da F1. O recorde acima é da Nascar Truck Series, que não tem a mesma badalação dos carrinhos de Bernie Ecclestone, mas também está bastante animada.

Em sete corridas na divisão das caminhonetes da Nascar, em 2012, sete pilotos distintos terminaram na primeira colocação. Tudo começou com o até então desconhecido John King, em Daytona. Depois, Kevin Harvick, Kasey Kahne, James Buescher, Justin Lofton, Todd Bodine e Johnny Sauter também puderam comemorar no Victory Lane.

Aliás, King, Lofton e Buescher tiveram bons motivos para comemorar em dobro, já que eles também venceram pela primeira vez na carreira na categoria. E olha que tudo isso aconteceu sem pneu Pirelli se desfazendo, ou componentes curiosos como Kers, asa traseira móvel ou degrau no bico.

O segredo do aumento da competitividade da Truck Series começa justamente com a saída dos pilotos da Sprint Cup da categoria. Ano passado, além de Harvick e Kahne, Michael Waltrip, Kyle Busch, Clint Bowyer e Denny Hamlin também triunfaram. Fora a vitória de Mike Wallace, em Talladega, embora o veterano não participe da divisão principal há algum tempo.

Em outras palavras, das 25 etapas de 2011, 14 (15 com Wallace) tiveram um piloto da Cup como ganhador. Entre os recordistas, sem nenhuma surpresa, estavam Kyle Busch, com seis conquistas, e Kevin Harvick, com quatro.

Justin Lofton aproveitou a competitividade da Truck Series para vencer pela primeira vez no campeonato

Mas o destino quis que os dois pilotos deixassem a Truck Series. Ainda por conta da confusão na etapa do Texas, quando empurrou Ron Hornaday para o muro, Kyle Busch acertou com Joe Gibbs para diminuir o número de participações nos campeonatos de acesso, disputando apenas a Nationwide em algumas etapas. Harvick, por sua vez, decidiu vender a própria equipe para se dedicar à Sprint Cup e ao filho(a) que está para nascer.

Outro fator que aumentou a competitividade é a renovação natural do grid. Por exemplo, o atual campeão, Austin Dillon, deixou o certame para correr na Nationwide. Em 2011, o americano havia triunfado em duas oportunidades. Ron Hornaday, por sua vez, não conseguiu fechar um bom contrato após o fim da KHI e está penando na fraca equipe do milionário Joe Denette. O veterano havia vencido quatro vezes no último ano, mas só liderou cinco voltas até agora em 2012.

No final, acho que os torcedores agradecem essa soma de fatores. Ao contrário do que acontece na F1, onde alguns pilotos já reclamaram do excesso de imprevisibilidade, a competitividade da Truck Series parece estar agradando a todos. E olha que vários outros atletas estão dispostos a estender ainda mais a sequência de ganhadores distintos.

Nesse momento, chega até ser surpreendente pensar que gente como Ty Dillon, Nelsinho Piquet, Parker Kligerman e Joey Coulter ainda não ganhou na Truck Series. Além deles, Hornaday, Timothy Peters e Matt Crafton também querem repetir as idas ao Victory Lane.

Dito isso, não é bizarro pensar que o recorde pode aumentar para oito vencedores diferentes em oito provas, nove em nove, ou até mesmo dez em dez. Mas para terminar a temporada com 22 ganhadores distintos nas 22 corridas, já acho mais difícil. Para isso, John Wes Townley e Paulie Harraka precisam parar de encontrar o muro e acertar uma tática que lhes deixem perto da bandeira quadriculada.

O erro de Nelsinho Piquet em Rockinhgam

abril 15, 2012
Nelsinho Piquet Nascar Rockingham

Durante boa parte da prova, Nelsinho Piquet só via os rivais em Rockingham pelo retrovisor

Que corrida Nelsinho Piquet fez em Rockingham! Neste domingo, dia 15, a Truck Series retornou ao tradicional oval do estado americana da Carolina da Norte, que havia sido abandonado pela Nascar, nos últimos anos, e desde o primeiro treino o brasileiro foi o piloto dominante.

Nelsinho não só foi o mais rápido em um dos treinos livres, como também cravou a pole-position e liderou 107 voltas durante a prova – sendo 85 na primeira metade de corrida.

No entanto, toda essa vantagem passou a não valer mais nada quando o brasileiro cometeu um erro na saída dos boxes, faltando menos de 20 voltas para o final, e foi flagrado pelo radar de velocidade, quando se preparava para desafiar Kasey Kahne na batalha pela primeira colocação.

Sobre esse episódio, vale alguns comentários. Em primeiro lugar, não há a menor hipótese de cogitar algum tipo de mutreta da Nascar para tirar a vitória do brasileiro. Não tem nenhum motivo para que isso acontecesse, até porque Piquet ocupava a segunda colocação e teria que ‘apenas’ ultrapassar um piloto da Sprint Cup se quisesse vencer.

Outra coisa que também não é possível questionar é o local da instalação do radar de velocidade. Como Nelsinho Piquet foi o pole-position, ele escolheu o último pit-stall, onde só precisaria acelerar para sair do pit-lane, assim como qualquer piloto que larga na primeira colocação faz.

Na maioria das pistas, o último sensor de velocidade é colocado logo na linha divisória do pit-stall, exigindo que apenas o piloto acelere sem se preocupar com o limite. Em Rockingham, no entanto, o radar estava alguns metros distantes do ponto em que Nelsinho parava para fazer a troca de pneus e o reabastecimento.

Assim, por causa dessa diferença, é absurdo que alguém questione a localização. Qual seria o argumento utilizado? “A Nascar não deveria instalar o radar em um lugar que realmente flagre quem ultrapassar o limite de velocidade, assim é impossível enganar a medição!” Mas espere, não é justamente essa a função do medidor? Talvez seja uma medida a ser pensada para as demais pistas.

A verdade é que Nelsinho perdeu a chance de vencer em Rockingham por um erro que ele mesmo cometeu – e reconheceu após a prova. Um detalhe bobo, mas que custou um triunfo bem encaminhado.

Traçando um paralelo, em 2011, James Buescher não conseguiu se classificar para a etapa de Phoenix da Truck Series. Apesar disso, o americano entrou na briga pelo título e chegou até mesmo a liderar a tabela de pontos. No entanto, na penúltima prova do campeonato, a equipe Turner errou o cálculo, e o piloto ficou sem combustível faltando apenas duas voltas para o final.  Obviamente a não classificação em Phoenix comprometeu o resultado final de Buescher, mas o erro da equipe impediu que qualquer reclamação desse tipo fosse feita, afinal eles não fizeram a parte deles.

O mesmo se aplica a Piquet. O brasileiro teve um desempenho incrível ao longo de toda a corrida. Chegou até mesmo a abrir mais de 10s – equivalente a meio circuito – para o segundo colocado em determinado momento, mas na hora que era para valer, foi o próprio Piquet que sabotou o resultado. Paciência.

Por outro lado, a etapa de Rockingham mostrou – mais uma vez – que o brasileiro está pronto para lutar de igual para igual com os principais pilotos da categoria. O domínio nas voltas iniciais foi digno de Kyle Busch nos dias em que está mais inspirado. E outra, Nelsinho tem se destacado nas corridas em pistas intermediárias, com 1,5 milha de distância. Se em Rockingham ele já liderou boa parte da prova, imagine o que poderá fazer quando chegar a hora de correr nesse tipo de circuito?

No final, é óbvio que fica a frustração por Nelsinho ter deixado escapar uma grande chance de vencer pela primeira vez na Truck Series, mas os pontos positivos da corrida são muito maiores que qualquer erro do brasileiro nos boxes.


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