Posted tagged ‘GP do Canadá’

Todos contra Villeneuve

junho 10, 2012

Depois de irritar os estudantes canandeses, Jacques Villeneuve também não fez amigos na transmissão brasileira da F1

Quem acompanha a F1 já percebeu que a emissora oficial brasileira adotou uma nova postura na transmissão desde o GP de Mônaco. Agora, a cobertura começa algum tempo antes da corrida e se estende até a hora da largada, além da prova em si, obviamente.

Outra mudança, mas que também faz parte do novo pacote das transmissões, são as 625.312 novas câmeras que eles têm à disposição no final de semana. Assim, enquanto o mundo inteiro assiste a nada, nós continuamos vendo nada, mas a partir da câmera on-board de Felipe Massa.

Além disso, há câmeras acompanhando os repórteres também. Por acaso, em Montreal, uma dessas flagrou Jacques Villeneuve, que estava assistindo à corrida calmamente. O repórter global se aproximou e fez duas perguntas ao canadense – sobre Gilles e sobre a corrida. O piloto, por sua vez, educado como sempre é – e digo isso sem nenhum sarcasmo, juro – respondeu às questões. Falou que estava feliz em ver as homenagens ao pai, mas afirmou que a corrida não estava tão boa e disse que naquele momento estava entediado.

A verdade é que o canadense não mentiu. A corrida em Montreal realmente começou boa, mas deu uma esfriada no trecho intermediário. Em determinado momento, parecia que Sebastian Vettel, Lewis Hamilton e Fernando Alonso iam disparar e a briga pela liderança acabaria ali.

Claro que sempre pode acontecer alguma coisa para mudar esse cenário. Por exemplo, o safety-car poderia ter sido acionado ou então algum estrategista maluco ter achado que um carro de F1 pudesse completar mais de 50 voltas com o pneu macio na alta temperatura canadense sem perder desempenho. Mas essas são coisas improváveis, certo?

Errado! Por algum motivo desconhecido, os engenheiros de Ferrari e Red Bull acharam que não tinha problema fazer uma parada ainda antes da 20ª volta e ficar com o mesmo pneu por mais de 50 giros. Afinal, o que poderia dar errado? No final, tanto Vettel quanto Alonso perderam pódios garantidos e ficaram ali em uma desgostosa batalha pelo quarto lugar.

Ao final da prova, a transmissão oficial se lembrou de Villeneuve e, em uma espécie de revanchismo, disse algo como o canadense não ter assistido à mesma corrida. Para falar a verdade, achei desnecessário esse comentário.

É que são momentos distintos da prova. Villeneuve não estava contente com a corrida na metade e é óbvio que ele não sabia o que ainda iria acontecer até o final. Em nenhum momento ele criticou a F1 ou o evento como um todo, disse apenas que não estava gostando do que tinha visto até então. É a opinião de alguém que já deve ter disputado corridas em quase todos os países do mundo e, portanto, já viu muita coisa no esporte a motor.

No sábado à noite, a Indy realizou a etapa do Texas, e foi uma das provas mais emocionantes dos últimos tempos na categoria americana. Graham Rahal assumiu a liderança nas voltas finais, mas acabou tocando no muro no penúltimo giro, antes de entregar a vitória a Justin Wilson. Animado, não?

Pois é, mas antes disso, boa parte da corrida foi dominada por Scott Dixon. Ou seja, quem tivesse assistido à disputa até aquele momento poderia dizer que estava entediado, assim como Villeneuve no Canadá. Assim, tanto em Montreal quanto em Fort Worth, as voltas finais transformaram uma corrida boa, mas com momentos mornos em etapas que rapidamente se tornaram um clássico das respectivas categorias.

É por isso que a crítica a Villeneuve não foi legal. No entanto, vale lembrar que a F1 é um produto, vendido pela própria emissora a anunciantes e telespectadores. Aí,  justamente na transmissão desse produto, um dos entrevistados diz algo como “não está muito legal”. Então, comercialmente falando, dá para entender a revolta no final do prova, porém é estranho entrevistar um cara para tripudiar da opinião dele ainda mais um contexto diferente.

A virada da HRT

junho 9, 2012

A HRT atual pouco lembra a Hispania que estreou em 2010

O equilíbrios nos treinos para o GP do Canadá entre as três maiores equipes da F1 – Red Bull, Ferrari e McLaren – ganhou todas as atenções em Montreal. No entanto, o verdadeiro destaque das atividades na Ilha de Notre Dame é a HRT.

Quem diria que o dia em que a menor equipe do grid deixaria a última colocação finalmente chegou? Neste final de semana, os espanhóis não tiveram a menor dificuldade em deixar a Marussia para trás desde os primeiros treinos. Na definição do grid de largada, Pedro de la Rosa foi quase 0s8 mais rápido que Charles Pic e 0s5, que timo Glock. O pioto também terminou ‘apenas’ 0s8 atrás de Jean-Éric Vergne em uma Toro Rosso.

O bom desempenho fez com que De La Rosa soltasse uma frase que instantaneamente já virou um clássico da F1: “Podemos brigar com qualquer um”.

Há certo exagero na reação do experiente, piloto, claro, mas a HRT de hoje em nada lembra o time que estreou na F1 há dois anos. Hoje, a equipe tem uma nova – na Caja Mágica – em Madrid, onde os engenheiros (por incrível que pareça) trabalham em atualizações para os carros. Algo completamente impensável nos tempos de Bruno Senna e Karun Chandhok.

Um exemplo dessa evolução está no Speed trap, o famoso radar de velocidade da F1. Geralmente, ao longo do ano, a HRT fica com as últimas posições entre as maiores velocidades, brigando apenas com Marussia pela último posto. No Canadá, De La Rosa ficou com a segunda marca, perdendo apenas para o carro da Sauber de Kamui Kobayashi. Isso em uma pista que quase metade dela é formada por retas.

Assim, não dá para dizer que a equipe esteja crescendo a passos largos, mas já é uma melhora para quem acabou de deixar a última posição do grid.

Mas a verdade é que a HRT sempre foi bem no Canadá. Como o carro é aerodinamicamente inferior aos concorrentes, em uma pista que precisa de menos downforce, como Montreal, a tendência é que o time espanhol não tivesse um prejuízo tão grande. Mesmo em 2010, com o carro sofrível, Senna conseguiu se classificar na frente de Lucas Di Grassi (então na Virgin) e ficou ‘somente’ 4s5 atrás do pole-position, Lewis Hamilton.

Naquela época, a diferença do time espanhol para a Caterham também era de menos de 1s, com as três equipes estreantes tendo um ritmo de classificação muito parecido.

Outro detalhe é que o desempenho da HRT pode ser subavaliado devido ao nível dos pilotos. Isto é, muita gente acredita que a equipe não é tão ruim quanto parece, mas acaba ficando atrás da Marussia – e tomando um temporal da Caterham – porque a dupla de pilotos é inferior que a dos adversários.

Em 2010, por exemplo, por mais promissores que Senna e Chandhok fossem, a Virgin tinha o experiente Timo Glock, que conseguia colocar o carro rubro-negro na frente da HRT. Ano passado, quando Daniel Ricciardo entrou na equipe, foi uma questão de tempo para ele começar a superar Jérôme D’Ambrosio. O problema agora, em 2012, é que De La Rosa não é nenhum gênio do esporte – embora tenha séculos de experiência como reserva da McLaren – e Narain Karthikeyan de fato está abaixo dos concorrentes.

Assim, talvez o carro da HRT não é tão fraco quanto parece, ao menos em comparação com as demais equipes nanicas. É por isso que nos treinos dos novatos, nivelado por baixo, o time de Luis Pérez-Sala raramente termina na última posição.

Voltando ao Canadá, em termos gerais, a situação da HRT não mudou. A equipe vai continuar largando no fim do grid, enquanto busca o almejado décimo lugar – e suas premiações inclusas – no Mundial de Construtores. Obviamente, falar em pontos é um exagero muito grande, mas o time espanhol começa a fazer tudo certo para que isso aconteça.

Afinal, no dia que houver uma zebra muito grande entre as equipe estabelecidas, a HRT precisa estar na frente de Caterham e Marussia se quiser contabilizar o sucesso.

A escolha por Pedro de la Rosa no Canadá

junho 10, 2011
Pedro de La Rosa

Pedro de la Rosa era a escolha óbvia da Sauber, mas em uma F1 onde não se pode treinar, estaremos condenados a ver cada vez menos apostas em jovens talentos

A Sauber promoveu o (novo) retorno de Pedro de la Rosa à F1, neste final de semana de GP do Canadá, depois de Sergio Pérez ter se sentindo mal após o primeiro treino livre. Com toda certeza, essa foi a decisão mais sensata, mas é de lamentar que uma equipe como a Sauber não tenha dado uma chance a Esteban Gutiérrez.

Primeiro, falando sobre De La Rosa, era claro que ele seria o favorito a entrar no carro. Da mesma forma que não seria supreendente se Daniel Ricciardo ou Lucas  Di Grassi recebessem o mesmo tipo de convite. Afinal, esses são pilotos mais experientes que, mesmo não estando entre os titulares da F1, não deixaram de pilotar em 2011. Só que no caso do espanhol, pesa a demissão na metade do ano passado.

Para quem não se lembra, durante toda a metade da temporada 2010 era apontado que Pedro de la Rosa talvez não tivesse o dinheiro para fazer o ano todo, por isso o nome de Luca Filippi era especulado constantemente. Para o GP de Cingapura, de fato o catalão foi sacado, mas no lugar entrou Nick Heidfeld, que segue como substituto nº 1 de pilotos. Como o alemão já arrumou uma vaguinha por aí para este ano, Peter Sauber precisou recorrer justamente ao seu antigo piloto. É claro que em business não existe muito o que chamamos de hipocrisia, mas não deixa de ser algo a ser criticado.

Por outro lado, a Sauber sempre foi conhecida a dar chances a jovens promessas. Para não voltarmos muito no tempo, foi por esse próprio time que Kimi Raikkonen estreou em 2001, quando tinha corrido somente de F-Renault na carreira. Cinco anos depois, foi a vez de Robert Kubica pular da World Series para a vaga de Jacques Villeuneve, enquanto, no ano seguinte, Sebastian Vettel fez salto semelhante para cobrir o polonês que se acidentara no GP do Canadá de 2007.

A diferença entre esses três exemplos e Esteban Gutiérrez é quo trio conhecia um carro de F1 de cor. Eles eram pilotos de testes (ou puderam aproveitar a extensa pré-temporada no caso de Kimi) para se adaptar ao equipamento da categoria principal. O mexicano, por sua vez, quando muito participou de dois treinos para novatos.

Mas não ter treinado não é culpa de Gutiérrez. O regulamento hoje proíbe testes para todo mundo. Talvez seja por isso que tem tanto piloto na casa dos 40 correndo e os novatos que conseguem vaga na categoria são porque pagaram (e muito) pelas vagas. Paul Di Resta está aí para provar que isso não é mentira. Ele foi um dos poucos que conseguiu treinar nessa época de restrições, conseguiu uma vaga na F1 e está se destacando.

Voltando ao Esteban Gutiérrez, se a Sauber jamais considerou colocá-lo no carro para correr, pergunto por que assinou com ele como reserva. Será que foi para tirar mais um dinheirinho do Carlos Slim? Ou para evitar que outra equipe ficasse de olho nele? Não sei.

Outro ponto que pesa contra o mexicano é que ele não poderia fazer o salto para a F1 pois está indo muito mal na GP2. O companheiro dele, Kamui Kobayashi, ia mal na categoria de acesso. Isso não é parâmetro.

É claro que depois de apresentado todos os argumentos, fica claro que a decisão sensata era trazer De La Rosa. Só que é justamente quando se contraria a ordem das coisas que se consegue as grandes evoluções na F1. Jogar Kobayashi – que andava no meio do pelotão da GP2 – em Interlagos talvez não parecesse a coisa mais prudente. Nem colocar um Kimi cuja única experiência era F-Renault. Ou talvez tirar o competente Roberto Moreno da Benetton, em 1991, para colocar um tal Michael Schumacher vindo sem muito destaque dos carros protótipos não fosse algo tão elogiado.

Às vezes é necessário correr o risco. Hoje a Sauber perdeu essa chance.

F1 2011 no Canadá

junho 8, 2011
Circuit Gilles Villeneuve Montreal

A pista de Montreal, além de se muito bonita, também é um convite às ultrapassagens

Os assuntos extra-pista ganharam atenção nessas última duas semanas muito por conta de toda a indefinição que ronda a realização, ou não do GP do Bahrein. No entanto, não se pode esquecer que a F1 retorna às pistas nesse domingo, dia 12. Para essa ocasião fica uma pergunta a ser respondida: alguém pode parar Sebastian Vettel?

Afinal, o desempenho do piloto da Red Bull está acima até mesmo das previsões mais otimistas. Vettel só não largou na pole-position no GP da Espanha e só não venceu na China, quando terminou em uma péssima segunda colocação.

Mesmo com todo esse domínio, o GP do Canadá pode, sim, ter um vencedor diferente. O principal – e talvez único – rival do alemão será Lewis Hamilton. O piloto da McLaren correu três vezes em Montreal desde que chegou à F1. Venceu duas e abandonou a outra, sempre largando da pole-position.

Hamilton terá que apostar nos novos artifícios para conseguir vencer a Red Bull. Em primeiro lugar, o traçado da ilha de Notre Dame não necessita tanta downforce como em outros circuitos do calendário, assim, a equipe austríaca perde o que tem de mais forte. Os pneus também terão um papel importante. Com o asfalto destruindo rapidamenete os compostos de quem não souber economizar, o número de paradas pode ser um fator na hora de deicidir o resultado.

Por fim, Montreal é uma pista que permite ultrapassagem. São praticamente quatro ou cinco pontos em que é possível superar o carro da frente. Tanto é, que serão duas áreas para o uso da asa traseira móvel.

Fora da briga entre Vettel e Hamilton, o GP do Canadá vai servir para comprovar a evolução em Williams, Force India e Sauber. Em Mônaco, esses três times tiveram bons resultados – ou superiores aos que vinham tendo – e agora pegam uma pista completamente diferente pela frente. Quem também sabe que o GP do Canadá é fundamental é Nick Heidfeld. A Renault não anda muito contente com o desempenho do time, então, uma mudança de resultados o quanto antes é muito bem vinda.

O Circuit Gilles Villeuneve talvez seja atualmente o principal traçado  da F1 ao lado de lugares como Melbourne, Spa-Francorchamps e Interlagos. A Ilha de Notre Dame é um lugar belíssimo e ainda tem uma pista que permite ultrapassagens. Acho  que isso é tudo o que um fã da F1 pode querer.

Meu palpite (furado) é que Hamilton mantém o domínio canadense. Vettel termina em segundo e Button completa o pódio.

Sequência de corridas decisiva para Felipe Massa na F1

junho 2, 2011
Felipe Massa

Felipe Massa precisa vencer retrospecto negativo para dar a volta por cima na temporada 2011 da F1

O futuro de Felipe Massa na Ferrari deve ser decidido nas próximas quatro etapas da categoria. O brasileiro, que ainda tem um ano de contrato com o time italiano, é constantemente envolvido em especulações para deixar o time.

Em Mônaco, Massa completou três corridas seguidas sem pontuar. O brasileiro finalizou em 11º o GP da Turquia – quando viveu um inferno astral nos boxes – e abandonou o GP de Espanha e a prova no Principado, por problemas no câmbio e por um acidente, respectivamente.

Assim, nada melhor que as próximas corridas para que Felipe possa se recuperar no campeonato, onde ocupa uma péssima oitava colocação com cerca de 1/3 dos 69 pontos conquistados pelo companheiro Fernando Alonso.

Entretanto, os próximos GPs não são muito animadores para o brasileiro. A última vez em que Felipe havia deixado de pontuar por três corridas seguidas tinha sido entre os GPs do Canadá e da Inglaterra de 2010. E adivinhe quais são as próximas três etapas da F1? É claro que esta é uma previsão pessimista e Massa tem todas as condições de buscar bons resultados e dar a volta por cima.

Outro ponto positivo é que o GP da Alemanha é a etapa logo em seguida dessa fila e Felipe sempre andou bem nessa prova, seja em Hockenheimring, seja em Nurburgring. Como o final da temporada europeia da F1 coincidindo com as férias de verão, é positivo para o brasileiro estar em alta na hora de negociar a renovação com a Ferrari ou iniciar conversas com outros times.

Até porque, Felipe Massa vive uma fase semelhante a atravessada por Heikki Kovalainen na McLaren. Entre 2008 e 2009, o finlandês apenas em raras oportunidades conseguiu acompanhar o ritmo dos carros da Ferrari, McLaren (e até mesmo BMW Sauber, Alonso e Vettel) e acabou sendo substituído por Jenson Button. Curiosamente, o último boato sobre Maranello é de um interesse do time italiano justamente pelo inglês campeão do mundo de 2009.

Kovalainen, como todos sabem, só conseguiu se manter na categoria ao assinar contrato com a então novata Lotus. Embora a estadia na equipe malaia tenha feito o finlandês ressurgir para a F1 como um dos poucos (para não dizer único) destaques das novatas, Kovalainen sequer conseguiu pontuar nesse ano e meio. Uma realidade assim está bem longe dos planos de Felipe.


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