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O esvaziado GP de Pau

maio 9, 2013
Oliver Rowland é um dos 12 pilotos no grid da F-Renault

Oliver Rowland é um dos 12 pilotos no grid da F-Renault

GP da Espanha, GP de Mônaco e GP do Brasil. Basta falar em GP que a primeira coisa que lembramos é uma corrida da F1. Apesar disso, algumas provas em todo o mundo resistem bravamente com a denominação Grand Prix, mesmo sem atrair a principal categoria do automobilismo.

Uma dessas provas é o GP de Pau, que acontece na França e, em 2013, está na 72ª edição. Nos últimos anos, a principal categoria do evento era a F3, já que a competição fazia parte tanto do calendário Inglês quanto do Europeu. Entretanto, com a diminuição da F3 Inglesa de dez para quatro etapas neste ano, o GP acabou sobrando.

Como a F3 Europeia está em Brands Hatch, os organizadores do evento francês precisaram correr para fechar com alguma categoria para que o GP de Pau também fosse disputado por monopostos em 2013. A escolhida foi a F-Renault. Só que embora este campeonato seja dividido em diversas versões pelo mundo – como Eurocup, Alps e NEC – a etapa na França se tornou um evento fora de qualquer certame, quase como uma competição entre os melhores pilotos de cada um deles.

O problema é que como houve pressa para que a F-Renault fechasse o contrato, o evento acabou encavalado no meio do calendário. A F-Renault Alps, por exemplo, esteve em Ímola na semana passa. Em duas semanas, será a vez da Eurocup correr em Spa-Francorchamps, enquanto a Norte-Europeia (NEC) também estará no traçado belga em três semanas.

Ou seja, as equipes que resolverem participar da prova em Pau podem ter uma dor de cabeça e tanto caso um carro seja avariado durante a corrida – lembrando que ela é disputada em um circuito de rua – e pode não haver tempo para deixar tudo pronto para alguma das corridas seguintes. Isso sem falar no custo extra de tomar parte de mais uma corrida.

Nesta foto você consegue ver metade do grid do GP de Pau. Ou quase isso...

Na foto você consegue ver metade do grid do GP de Pau. Ou quase isso…

O resultado é que o GP de Pau teve uma lista de inscritos curtíssima. Apenas 12 pilotos andaram nos treinos, sendo que dois são gentleman franceses convidados para participar do evento e quase não são competitivos. Um número decepcionante para uma prova com tradição quase centenária.

Por outro lado, quem tiver coragem de assistir às corridas de 12 carros na França não vai ter muita coisa para reclamar do grid, afinal, os principais pilotos da modalidade estão por lá. O destaque, claro, são Matthieu Vaxivière, líder da tabela de pontos na F-Renault Eurocup, e Matt Parry, o primeiro colocado na NEC.

Da Alps, Antonio Fuoco não está correndo, mas Pierre Gasly, o brasileiro Bruno Bonifácio e Luca Ghiotto (segundo, terceiro e quarto, respectivamente) estão presentes. Os outros cinco pilotos são Jake Dennis, Oliver Rowland, Egor Orudzhev, Alfonso Celis Jr e Tristan Papavoine. A eles ainda se juntam os franceses convidados Nicolas Pironneau e Marc Cattaneo.

É claro que ver um evento com apenas 12 carros significa que a competitividade vai ser menor. Entretanto, para os dez pilotos que estão participando praticamente da primeira corrida em circuito de rua da vida, a quilometragem acumulada pode ser inestimável para os próximos passos que derem na carreira.

Nos treinos deste sábado, Bonifácio não foi bem e terminou com a nona colocação nas duas atividades. Assim, ele fica um pouco mais distante de repetir Roberto Pupo Moreno, Gil de Ferran e Augusto Farfus como pilotos brasileiros que já venceram em Pau.

O esporte venceu na África do Sul

abril 20, 2013
Naomi Schiff disputou a etapa da F-Renault Eurocup em Aragón

Naomi Schiff disputou a etapa da F-Renault Eurocup em Aragón

Matthieu Vaxivière foi o grande nome da primeira etapa da F-Renault Eurocup, neste fim de semana, em Aragón. O piloto da Tech 1 largou na pole-position nas duas baterias e venceu de ponta a ponta. Apesar disso, ele não foi o grande destaque da rodada. Quem mereceu todas as atenções foi Naomi Schiff, pilota da África do Sul que estreou na categoria pela equipe RC.

A importância de Naomi é que ela representa a vitória do automobilismo sobre o apartheid, regime de segregação racial da África do Sul. Durante os quase 50 anos do regime, a F1 jamais se preocupou com a situação humanitária do país. Enquanto os negros tinham os direitos negados pela elite branca, a principal categoria do automobilismo mundial andou por lá praticamente todos os anos entre 1960 e 1985 e retornando em 1992, fingindo que tudo estava completamente normal. Uma vergonha para a categoria.

Por outro lado, outras modalidades tiveram uma relação mais drástica com o momento pelo qual a África do Sul passava. No futebol, por exemplo, o país sofreu diversas sanções pelos órgãos que chancelam o esporte e chegou a ser suspenso pela Fifa por cerca de duas décadas.

No início da década de 1990, o apartheid começou a ser extinto, culminando com a eleição de Nelson Mandela, em 1994, sacramentada no dia 10 de maio daquele ano, quando ele tomou posse. Naomi nasceu apenas oito dias depois.

Eu realmente gostei desse capacete meio estilo Kamen Raider

Eu realmente gostei desse capacete meio estilo Kamen Raider

A garota, na verdade, não teve muito a ver com o apartheid. Filha de um belga com uma mulher nascida em Ruanda, a pilota só voltou a morar na África do Sul quando tinha quatro anos de idade. Embora o pai tivesse conquistado um título de F-Ford nos Países Baixos, ela começou a se interessar pelo automobilismo de forma espontânea, sem saber do histórico da família.

Desde então, ela ganhou diversos campeonatos de kart na África do Sul e representou o país em alguns mundiais. Nos últimos anos, correu de F-Volkswagen no país de origem e fez a transição para a Europa, participando de provas de protótipos. Nesse tempo, porém, ela não deixou o kartismo de lado, onde defende o time Zanardi, o mesmo que já teve Nyck de Vries.

De qualquer forma, Naomi não é o primeiro atleta negro a representar a África do Sul no automobilismo. Só para citar um, algum tempo atrás Adrian Zaugg defendia o país na A1 GP e chegou até mesmo a competir na GP2. Entretanto, é inegável que até hoje a maior parte dos pilotos de lá são brancos.

Por isso, ter uma menina negra competindo em um dos principais campeonatos de base do automobilismo mundial é a prova de que o esporte venceu na África do Sul. Enterrando cada vez mais uma história marcada pelo preconceito e palco de F1 que jamais se importou com a origem do dinheiro.

A estreia de Pietro Fittipaldi na Europa

abril 10, 2013

Pietro Fittipaldi estreia na Europa neste fim de semana

Pietro Fittipaldi (77) estreia na Europa neste fim de semana

A aventura europeia de Pietro Fittipaldi começa neste fim de semana, em Donington Park. Depois de conquistar um título em uma divisão menor da Nascar nos EUA e parecer que ia seguir os passos de Nelsinho Piquet e Miguel Paludo rumo à Sprint Cup, o piloto de apenas 16 anos resolveu mudar de ares para 2013.

Neste ano, ele vai competir tanto na F-Renault Inglesa (antiga Barc) quanto na F4 Inglesa, fazendo a estreia nos monopostos. Embora em um primeiro momento tenha preferido continuar na Nascar, ele soube aproveitar a chance de uma vida para se mudar para a Europa e fazer carreira rumo à F1, com tudo pago por Carlos Slim Jr, filho do homem mais rico do mundo.

Enquanto a F4 só inicia em duas semansa, a estreia na F-Renault será neste domingo, e Pietro vai precisar trabalhar duro para ter o mesmo desempenho dos EUA.

Nos treinos coletivos da pré-temporada, realizados no fim do mês passado, o garoto não foi bem. A melhor volta do brasileiro, em uma versão reduzida do circuito de Silverstone, foi de 58s721, quase 3s mais lento que o mexicano Jorge Cevallos, que liderou as atividades com 56s130.

Só que esse resultado não precisa ser levado tão a sério. Enquanto Pietro ainda estava dando os primeiros passos na categoria, Cevallos já disputou a temporada passada, por isso é natural que ele andasse na frente nesse começo. Desde então, o neto de Emerson também participou de longas sessões de treinos com a equipe Jamun para se adaptar ao carro e deve ter um desempenho melhor nas atividades oficiais.

De qualquer forma, o maior problema para 2013 parece ser a falta de experiência. Enquanto o brasileiro ainda está se adaptando aos monopostos, ele será obrigado a enfrentar um grid cheio de pilotos experientes. Dos 18 que se inscreveram para a etapa de Donington, oito já haviam disputado a temporada passada, incluindo o também brasileiro Henrique Baptista. Há ainda casos como o de Jake Cook, apontado como um dos favoritos ao título, que disputou a F-Ford em 2012 e agora se concentra na F-Renault.

Ainda assim, as chances de Pietro conseguir bons resultados neste ano são maiores neste campeonato. Como apenas 18 carros competem, o brasileiro, com uma ultrapassagem aqui e outra ali, além de contar com problemas dos rivais, pode beliscar top-10 com maior facilidade. Além disso, ainda há um trunfo na manga. Ele compete exatamente com o mesmo carro com o qual Scott Malvern foi campeão no ano passado. Ou seja, ele estará com um equipamento comprovadamente vencedor.

Eu diria que as maiores chances do brasileiro são na F-Renault

Eu diria que as maiores chances do brasileiro são na F-Renault

A situação na F4 é um pouco diferente. Como todo mundo começa do zero, teoricamente o brasileiro teria chances de ir melhor. Mas esse é o problema. Iniciando os trabalhos sem uma base, vai depender de o próprio Pietro fazer o acerto do carro. Nisso, pilotos com mais experiência no automobilismo podem levar a melhor.

Até porque o grid da F4 conta com bons nomes, entre eles Diego Menchaca, companheiro de equipe do brasileiro, e os badalados Seb Morris e Matthew Graham, considerados jovens promessas do automobilismo britânico. Entre os 24 participantes que devem largar para a abertura do campeonato, em duas semanas, outro brasileiro pode estar no grid. É Gustavo Lima, que disputou a F-Renault Alps no ano passado, e treinou com a equipe de Chris Dittmann nesta semana.

Para concluir, o mais importante para Pietro neste ano é aprender os monopostos e conseguir evoluir ao longo da temporada. Quando ele competia na Nascar, era exatamente isso o que acontecia. Ele demorava um pouco para pegar o ritmo, mas deslanchava na fase final do campeonato, quando brigava constantemente por vitórias. E fazer dois campeonatos simultaneamente neste ano pode ajudar ainda mais na adaptação.

Eu espero vê-lo com um resultado melhor na F-Renault, mas me parece cedo para falar em pódios e vitórias.

UPDATE: Como muita gente está procurando os resultado do Pietro Fittipaldi neste fim de semana da F-Renault Inglesa, faço uma breve atualização. Ele se marcou o 12º tempo entre 17 carros no treino classificatório, mas apenas 0s8 atrás do pole, Sam MacLeod, e somente 0s2 atrás do companheiro de equipe. Nas corridas, ele abandonou a primeira e terminou em nono na segunda. Faz parte do aprendizado. O brasileiro volta à pista nos dias 27 e 28 de abril, em Silverstone, para a estreia da F4 Inglesa.

UPDATE 2: A má notícia do fim de semana foi que o outro brasileiro da F-Renault Inglesa, Henrique Baptista não correu. Não faço ideia do motivo

Resultado histórico de Bruno Bonifácio na F-Renault Alps

abril 7, 2013
Bruno Bonifácio conquistou a vitória em Vallelunga

Bruno Bonifácio conquistou a vitória em Vallelunga

Bruno Bonifácio conquistou um resultado histórico neste fim de semana, na etapa da F-Renault Alps em Vallelunga. Com a vitória na primeira bateria, o piloto da Prema se tornou o primeiro brasileiro a vencer uma corrida de uma F-Renault desde Adriano Buzaid, que triunfou na F-Renault UK em cinco oportunidades no ano de 2008.

Se levarmos em conta os resultados apenas no continente europeu, desconsiderando a ilha da Grã-Bretanha, a marca é ainda mais impressionante. O último triunfo havia acontecido em 2002, com Roberto Streit – coincidentemente hoje coach de Bonifácio – na F-Renault Italiana.

O resultado, na verdade, poderia ter sido ainda melhor. Na segunda corrida da etapa, o piloto paulista mais uma vez largou da pole-position e estava na liderança quando se envolveu em um acidente com Nyck de Vries, da McLaren, e foi obrigado a abandonar.

Em termos de campeonato, esse foi o pior desfecho possível para o brasileiro. Fora da corrida, a vitória caiu no colo de Antonio Fuoco, também da Prema, que disparou na liderança do campeonato, com 43 pontos. Bonifácio, por sua vez, caiu para quarto, com 25.

Uma coisa que ficou clara neste fim de semana é que a equipe Prema está anos-luz de distância dos demais times neste início de campeonato. Como a Koiranen, equipe de De Vries, não vai disputar a temporada completa, a briga pelas vitórias e pelo título deve ficar mesmo entre os pilotos da escuderia italiana.

O problema, portanto, é que Bonifácio já soma um abandono, enquanto os companheiros de equipe conquistaram dois top-5. Em outras palavras, mesmo sendo o favorito ao título neste momento, vai ser muito difícil para o brasileiro tirar a diferença para os demais pilotos da Prema, já que as outras equipes ainda não estão em condição de comer pontos deles.

Ou seja, mesmo que Bruno volte a vencer na segunda rodada, em Ímola, em maio, é provável que os outros pilotos da escuderia também terminem no pódio. Aí fica difícil recuperar o prejuízo desta rodada.

No entanto, nem tudo é tão ruim para o brasileiro. Vale lembrar que, mesmo com três anos de experiência no automobilismo, Bonifácio é um novato na F-Renault. Ainda assim, ele dominou a rodada de Vallelunga, tendo conquistado duas poles, duas voltas mais rápidas e uma vitória. Era esse o desempenho que se esperava de De Vries, que decepcionou ao somar apenas um quarto lugar e um abandono.

Evidentemente, isso não quer dizer muita coisa. O brasileiro, por exemplo, tinha a vantagem de conhecer a pista, enquanto o adversário estava estreando no traçado italiano. No entanto, ficou claro que De Vries começou a sentir a pressão. Para quem chegou à Itália como principal estrela da etapa de abertura da F-Renault Alps, sair das corridas como culpado pelo acidente entre ele e o brasileiro é um final, no mínimo, melancólico.

De quem é o sonho?

abril 4, 2013
Alguma dúvida de quem é 'the new kid on the block' da Escuderia Telmex?

Alguma dúvida de quem é ‘the new kid on the block’ da Escuderia Telmex?

Pietro Fittipaldi confirmou nesta quarta-feira, dia 3, que vai realmente trocar a Nascar pelo automobilismo europeu, conforme eu já tinha levantado a possibilidade aqui no World of Motorsport. O brasileiro vai disputar tanto a F-Renault Inglesa (antiga Barc) quanto a F4, tendo o apoio da Claro e da Embratel, empresas de Carlos Slim, filho do homem mais rico do mundo.

Outra novidade é que o neto de Emerson passa a integrar um programa similar ao da Escuderia Telmex, o mesmo que levou Sergio Pérez e Esteban Gutiérrez à F1 nos últimos anos. Pietro, portanto, passa a ser o único representante do país em um esquema de alguma grande equipe ou empresa ligada à principal categoria do automobilismo mundial.

Para quem é entusiasta do automobilismo brasileiro, essas obviamente são boas notícias. Entretanto, principalmente nas redes sociais, a reação foi um pouco diferente. A principal resposta ao anúncio de Pietro foi questionar “o que aconteceu com o sonho da Nascar?”

Imagino que nada. É completamente normal para um garoto de 16 anos – ou de qualquer outra idade – decidir mudar o que quer fazer da vida. Se ele optou por deixar o automobilismo americano de lado para tentar a sorte nos monopostos europeus, é algo compreensível. Afinal, quem nunca mudou de ideia sobre “o que quer ser quando crescer?”

A diferença é que no caso do neto de Emerson ele foi influenciado. Na entrevista coletiva, ele revelou que tanto o avô quanto Slim o convenceram a correr na Europa. Daí ele pensou um pouco, olhou para a Nascar, mas acabou acatando a sugestão. Mas vamos falar a verdade. Que piloto recusaria a oportunidade de ter a carreira paga rumo à F1 por um dos maiores magnatas do mundo? Certamente, nenhum.

Por isso não aconteceu nada com o sonho dele de correr na Nascar. Ele apenas teve a oportunidade de mudar de vida em um momento em que, se for necessário, ainda será possível voltar atrás.

Entretanto, acredito que a questão “o que aconteceu com o sonho da Nascar?” não seja sobre o jovem piloto. Ela é sobre os torcedores. Quem questiona a decisão de Pietro de deixar o automobilismo americano principalmente são aqueles que gostariam de ver mais brasileiros correndo nos Estados Unidos. Até porque depois de Nelsinho Piquet e Miguel Paludo a coisa deu uma estagnada. E obviamente o sobrenome Fittipaldi teria todas as condições de atrair um maior interesse pelo turismo norte-americano.

P.S.: como ainda faltam alguns pilotos serem anunciados na F4 e principalmente na F-Renault, ainda é cedo para avaliar as chances do brasileiro. Mas esse é um assunto que fica para a próxima semana, quando começa o campeonato.

O sucessor de Stoffel Vandoorne

março 3, 2013
Antes de Stoffel Vandoorne, Benjamin Bailly era a bola da vez no automobilismo belga

Antes de Stoffel Vandoorne, Benjamin Bailly era a bola da vez no automobilismo belga

Enquanto todo mundo se prepara para acompanhar o GP da Malásia da F1, neste fim de semana, uma notícia passou quase que despercebida. A equipe RC, da F-Renault Eurocup, contratou o belga Benjamin Bailly para a disputada da temporada 2013. Este é o retorno do piloto aos monopostos depois de passar os últimos dois anos correndo de protótipos.

Embora seja um acontecimento sem maior importância, o acordo não deixa de ser curioso. É que Bailly foi o primeiro selecionado pelo programa de pilotos da federação belga de automobilismo, em 2009. Ele, aliás, já havia sido dispensado depois de competir na F2 no ano seguinte e não conseguir bons resultados.

Até aí, não é uma história tão diferente do que acontece em qualquer lugar do mundo. O que torna o retorno do belga à F-Renault especial é que o sucessor dele no programa, Stoffel Vandoorne, é o atual campeão da categoria, conseguiu a promoção à World Series by Renault e entrou para o programa de jovens pilotos da McLaren.

Por isso, a volta de Bailly aos monopostos, justamente na categoria que consagrou o compatriota é simbólica. É a forma que ele encontrou de recolocar a carreira nos trilhos e tentar ambicionar um futuro melhor no esporte.

Apesar da volta de Bailly, a federação belga está mais interessada no futuro de Neal Van Vaerenbergh

Apesar da volta de Bailly, a federação belga está mais interessada no futuro de Neal Van Vaerenbergh

Talvez o grande problema de Bailly tenha sido justamente a principal conquista da carreira, o título da F4 Francesa (então chamada Formul’Academy) em 2009. Com a taça, ele foi promovido à não muito promissora F2 e encontrou um grid com pilotos mais experientes, onde não se destacou, mesmo com uma vitória e outros dois pódios.

Mas como praticamente todo mundo que passou pela F2, o belga acabou se queimando e não conseguiu dar prosseguimento à carreira. Enquanto isso, a federação da Bélgica aprendeu com o erro e levou Vandoorne, após o título da F4, para a F-Renault, onde o passo não foi tão maior.

Para encerrar, se Bailly voltou à categoria em que Vandoorne foi campeão, então agora ele virou o sucessor de quem um dia foi antecessor, certo? Não é bem assim. Satisfeita com o desempenho dos jovens pilotos, a federação belga já prepara uma nova promessa para o esporte a motor. Neste ano, eles vão inscrever Neal Van Vaerenbergh, de apenas 16 anos de idade, mais uma vez na F4 Francesa. Alguma dúvida de quem já é o favorito?

Brasileiros se destacam nos treinos da F-Renault

fevereiro 20, 2013
Conhecido mais pela constância que pelo arrojo, Guilherme Silva brigou pela liderança nos treinos de Paul Ricard

Conhecido mais pela constância que pelo arrojo, Guilherme Silva brigou pela liderança nos treinos de Paul Ricard

A F-Renault Eurocup encerrou nesta quarta-feira, dia 6, dois dias de treinos coletivos na pista de Paul Ricard. Essa foi a segunda das quatro de sessões antes do início do campeonato, em abril. É claro que os treinos da pré-temporada não refletem o que pode acontecer durante as corridas, mas pelo que aconteceu até agora não há dúvidas de que a expectativa é ver os brasileiros brigando pelo título.

No primeiro dia de treinos na França, Guilherme Silva foi o mais rápido entre os pilotos do país, terminando na terceira colocação na classificação geral. Bruno Bonifácio foi o 11º, seguido por Felipe Fraga. Victor Franzoni havia marcado o segundo melhor tempo, mas acabou desclassificado após ser reprovado na inspeção técnica depois da atividade.

No segundo dia, foi a vez de Fraga liderar os pilotos do país ao marcar o quinto tempo do dia. O piloto erradicado no Tocantins foi seguido de perto por Silva, enquanto Franzoni terminou em 17º. Bonifácio não treinou por causa do regulamento da categoria.

Levando em conta também os resultados de Aragón, no fim do mês passado, onde o quarteto brasileiro terminou todos os dias de treino dentro do top-15, o mínimo que podemos esperar é que eles briguem por pontos em todas as corridas do ano.

Mas essa meta talvez já não seja o suficiente, e os pilotos do país já possam ser alçados à condição de candidatos ao título, ainda que corram por fora nessa disputa.

Felipe Fraga terá forte concorrência na MP Manor

Felipe Fraga terá forte concorrência na MP Manor

A maior prova disso é o desempenho dentro da equipe Koiranen, onde Silva e Franzoni são companheiros do badalado Nyck De Vries, do programa de pilotos da McLaren. Pelo histórico da carreira, não há dúvidas de que o holandês começa 2013 como um dos favoritos a terminar coma taça. Entretanto, dos quatro dias de treino até agora, ele liderou a disputa interna da escuderia apenas no primeiro. Depois, perdeu uma vez para Franzoni e fechou atrás de Silva nas duas sessões de Paul Ricard.

Aí é questão de lógica. Se De Vries é favorito ao título, mas terminou atrás dos brasileiros, o que podemos esperar dos pilotos do país? Obviamente a taça. Entretanto, o quarteto vai precisar mostrar consistência na luta por pódios se quiser encerrar o ano na primeira colocação.

Além disso, o holandês da McLaren não é o único piloto na briga.  Esteban Ocon, por exemplo, é outro forte candidato. O piloto francês dominou três dos quatro dias de treinos coletivos até agora. Oliver Rowland é mais um que vem colocando tempos consistentes. Fora William Vermont, Jake Dennis, Andrea Pizzitola..

E também tem a equipe de Josef Kaufmann, que venceu os dois últimos campeonatos. O time alemão, porém, parece começar 2013 um pouco mais atrás. Eles só terminaram na frente no último dia de atividades, nesta quarta-feira, com Óscar Tunjo. Apesar desse bom resultado, falta uma maior consistência na frente. E não há dúvidas que a capacidade de conquistar bons resultados em todas as corridas é o que vai definir o campeão em um certame com tantos jovens pilotos rápidos e promissores.

Os dois lados da moeda da F-Renault

fevereiro 2, 2013
Bruno Bonifácio segue na Prema em 2013

Bruno Bonifácio segue na Prema em 2013

Quando Victor Franzoni e Guilherme Silva foram anunciados pela poderosa Koiranen para a disputa da temporada de 2013 da F-Renault Eurocup, escrevi aqui no World of Motorsport que não concordava com a posição deles em participar apenas do campeonato europeu, abrindo mão da F-Renault Alps. Você pode clicar aqui para relembrar.

Claro que essa não foi uma decisão apenas dos dois pilotos e provavelmente houve participação da equipe. Até porque essa não é uma escolha fácil. A organização da F-Renault mudou as regras para 2013 e exigiu que as escuderias optassem entre participar de dois certames (Europeu + Alps ou Norte-Europeu) e perder metade da pré-temporada ou fazer todos os treinos coletivos, mas se limitar apenas a um torneio.

Como a categoria está estreando um novo carro em 2013, fazer a pré-temporada completa como forma de adaptação e desenvolvimento do equipamento faz todo sentido, principalmente para as escuderias que realmente vão disputar o título e precisam chegar forte desde a primeira corrida.

Por outro lado, eu gosto da opção de fazer mais corridas, ainda mais para esses garotos que estão tão no início da carreira.  Acho que desenvolver um garoto de 17 ou 18 anos em apenas sete fins de semana é muito pouco, e não há como simular todas as situações de prova em um treino coletivo. Mas não sou piloto e posso estar enganado.

De qualquer forma, as demais grandes equipes da F-Renault seguiram a Koiranen. A Tech 1, por exemplo, anunciou que apenas o estreante Egor Orudzhev vai participar dos dois campeonatos. Matthieu Vaxivière e Pierre Gasly se dedicarão apenas ao europeu. A Josef Kaufmann, por exemplo, afirmou que o trio titular – Steijn Schothorst, Óscar Tunjo e Gustav Malja – vai correr em apenas algumas etapas do Norte-Europeu. Já a Fortec há muitos anos não mistura o programa da categoria europeia com os demais.

Dito isso, a única equipe que optou por fazer os dois campeonatos com os mesmos pilotos foi a Prema, que anunciou nesta semana a renovação do contrato de Bruno Bonifácio, além da permanência de Luca Ghiotto. Os dois já haviam competido pela escuderia no ano passado na F-Abarth e feito algumas etapas da F-Renault.

Por isso, vai ser interessante ver como será o desempenho quando for estrearem na Eurocup, levando em conta que a primeira corrida está marcada para os dias 27 e 28 de abril, em Aragón, enquanto a Alps – o outro certame que o time vai participar –  já vai ter disputado uma rodada antes. Aí vai dar para pesar e ver se ter perdido metade da pré-temporada fará toda a diferença.

Outra coisa importante é acompanhar como Ghiotto e Bonifácio vão chegar ao fim do ano. Ao contrário dos pilotos da Eurocup, que fazem apenas 14 corridas (ou 15 com Pau), eles vão disputar 28 (ou 29). Ou seja, em qual condição física e mental eles vão estar. Será que fazer o dobro de provas terá algum efeito?

Pode ser que outras equipes menores sigam a decisão da Prema e também disputem dois campeonatos. No entanto, é relevante ver o desempenho da equipe italiana, pois esperamos que eles briguem pelo título. Afinal, além de contar com uma dupla já experiente, estamos falando dos atuais bicampões da F3 Euro.

De qualquer forma, a grande vantagem da Prema na decisão de competir em dois certames é que eles são favoritos absolutos na Alps. Levando em conta os pilotos que foram anunciados até agora – a maioria novatos –, não é nenhum absurdo pensar que eles têm todas as chances de serem campeões.

E vamos falar a verdade. Um título, seja lá qual for, é o suficiente para salvar o ano da equipe. Às vezes até mesmo para que Ghiotto e Bonifácio consigam dar prosseguimento à carreira, já que é mais fácil tentar se vender a um patrocinador falando que é um campeão. É claro que para quem entende de automobilismo, é muito mais relevante terminar no top-5 da Eurocup ao invés de ser campeão da Alps, mas também é importante levar em conta o lado financeiro.

Victor Franzoni e Guilherme Silva na F-Renault 2013

janeiro 20, 2013
Victor Franzoni segue na Koiranen em 2013

Victor Franzoni segue na Koiranen em 2013

Victor Franzoni e Guilherme Silva vão disputar a temporada de 2013 da F-Renault Europeia. A confirmação aconteceu no início da semana, com o anúncio oficial de que os dois pilotos oriundos da F-Futuro fecharam contrato com a gigante equipe Koiranen para este ano. Assim, eles também serão companheiros de Nyck De Vries, da McLaren.

Para falar a verdade, a notícia foi de certa forma surpreendente. Os dois já estavam negociando com o time, mas essas eram vagas cobiçadas por cinco a cada quatro pilotos no grid da categoria.

Essa disputa pelos lugares na Koiranen não era para menos. Desde que estreou na F-Renault Europeia, há três anos, a equipe finlandesa conquistou um título – com Kevin Korjus em 2010 – dois vices e um terceiro lugar. Nesse período, ainda foram 20 vitórias e 15 poles, o que colocou o time norte-europeu como um dos principais do mundo nas categorias de base.

A boa fase fez com que a Koiranen garantisse o apoio da Red Bull nos dois últimos anos. Mas o desempenho abaixo do esperado de Carlos Sainz Jr, Daniil Kvyat – que terminaram com o vice campeonato – e principalmente Stefan Wackerbauer fizeram com que a empresa austríaca não renovasse o contrato e se mudasse para a Adac Masters.

Para compensar a saída dos austríacos, a Koiranen acertou com Nyck De Vries, piloto em desenvolvimento da McLaren – nos mesmos moldes que Lewis Hamilton –, além dos dois brasileiros.

É curioso que com isso a equipe abriu mão do jovem francês Esteban Ocon, do programa de pilotos da Lotus/Renault/Gravity/iRace, e também de atletas nascidos nos países nórdicos. Afinal, sempre foi uma tradição do time abrir espaço para que finlandeses, suecos, dinamarqueses e até mesmo estonianos pudessem se destacar nos principais centros da Europa.

De qualquer forma, essa escolha é mais do que justificada. De Vries é favorito absoluto ao título de 2013 e não deixa de ser uma surpresa muito grande vê-lo na Koiranen. O piloto era mais do que especulado na bicampeã Josef Kaufmann, mas acabou migrando para o time finlandês.

Franzoni, por sua vez, já estava na Koiranen em 2012, quando disputou a F-Renault Alps. No último ano, ele sofreu um forte acidente na etapa de Spa-Francorchamps, que o deixou afastado das pistas por mais de um mês. Logo no retorno, o paulista conquistou a pole para a etapa do Red Bull Ring e viu o desempenho mudar da água para o vinho. Se nas seis corridas antes do acidente, o brasileiro não somou pontos, nas seis após a volta terminou todas no top-10.

Guilherme Silva tem boas chances de adicionar um novo título ao currículo

Guilherme Silva tem boas chances de adicionar um novo título ao currículo

O último brasileiro no time é Guilherme Silva, campeão da F-Futuro, em 2011. Conhecido pelo desempenho constante, o piloto mineiro teve problemas nos treinos classificatórios no último ano, quando competiu pela Interwetten, mas conseguiu mostrar bom ritmo de prova, fazendo sempre muitas e muitas ultrapassagens.

O problema é que o desempenho ruim em treino classificatório o impediu de marcar mais pontos. Mesmo tendo terminado nove vezes no top-10 na Alps, Guilherme fechou o ano apenas em oitavo, com 59 pontos e um pódio. Na Eurocup, foi pior. Pontuou em seis oportunidades – sendo cinco nas primeiras sete provas – e fechou o ano em 17º, também com um pódio.

Ainda assim, o desempenho dos dois brasileiros foi bom dentro do que se espera para dois estreantes no automobilismo europeu.

Dito isso, a única coisa que me incomoda nessa negociação é que provavelmente os dois brasileiros não devam disputar as etapas da F-Renault Alps, focando apenas na Eurocup. Até o ano passado, era comum que os atletas da F-Renault participassem de mais de um certame. No entanto, a categoria mudou o regulamento para 2013 e decidiu que caso as equipes decidam inscrever um atleta em mais de um campeonato, então ela terá restrições na pré-temporada.

Eu sempre defendi que quilometragem em corrida é essencial para um jovem piloto. Como a F-Renault Eurocup terá apenas 14 corridas em 2013, acho que é um exagero muito grande exigir que um garoto consiga aprender tudo o que precisa em sete fins de semana. Por isso, acho interessante que além de disputar o certame europeu eles também participem da Alps.

Por outro lado, é inegável que as equipes que optarem por fazer a pré-temporada completa – e tomar parte de apenas uma F-Renault – devem começar o ano mais forte. É uma vantagem para quem planeja de fato brigar pelo título. Por isso a escolha da Koiranen e dos brasileiros faz sentido.

Outros pilotos do país que também devem aparecer na F-Renault Eurocup são Felipe Fraga, que treinou pela Tech 1, e Bruno Bonifácio, possivelmente com a Prema. Gabriel Casagrande e Gustavo Lima disputaram etapas em 2012 e podem surgir.

O dramático final da F-Renault Eurocup em 2012

outubro 22, 2012

Daniil Kvyat e Stoffel Vandoorne chegaram a Barcelona com chances de título

Geralmente eu costumo dizer que o responsável pelo calendário da World Series by Renault – e suas categorias menores – merece um prêmio. Afinal, é terrível acompanhar uma decisão de campeonato em Barcelona, um lugar em que ninguém passa ninguém. Ou seja, a gente passa meses acompanhando as categorias, daí monta todos aqueles cenários possíveis para a decisão, mas a corrida final é um lenga-lenga sem maiores emoções.

Mas o que dizer da corrida decisiva da F-Renault Europeia? Foi drama de início ao fim, com o título sendo definido nos momentos finais.

Vou tentar resumir o que aconteceu. Na segunda prova da etapa de Barcelona, para ser campeão, Stoffel Vandoorne tinha que chegar ao pódio independentemente do resultado de Daniil Kvyat. O russo, por sua vez, precisava justamente do contrário. Se ele não terminasse entre os três primeiros, o belga seria campeão.

A prova começou a ficar emocionante antes mesmo de começar. Kvyat marcou a pole-position, enquanto Vandoorne se classificou apenas em 16º. No entanto, caiu um tremendo temporal antes da largada, e virou um verdadeiro salve-se quem puder na pista. O russo manteve a ponta no começo da prova, enquanto o belga subiu para a sexta colocação ainda na primeira volta.

O problema é que Vandoorne começou a perder rendimento e passou a ser pressionado por um adversário. Os dois acabaram se tocando, o belga abandonou ainda na segunda volta. Com isso, Kvyat colocou uma mão na taça e era só seguir tranquilo para a bandeirada, certo? Errado! O garoto da Red Bull acabou punido com um drive-through e viu a possibilidade de perder toda a vantagem que havia aberto.

Vandoorne cometeu um erro enquanto brigava por posições intermediárias

Só que ele deu toda a sorte do mundo e quando se dirigiu ao pit-lane para cumprir a punição, o safety-car foi acionado por causa de um acidente no meio do pelotão. Isto é, todos os pilotos diminuíram o ritmo, e ele pôde retornar à pista ainda na terceira colocação, mas como os dois ponteiros bem à frente.

Na relargada, Kvyat passou os dois adversários sem maior problema e partiu rumo ao título. Mas o drama não parou por aí.  O safety-car, na verdade, acabou matando as chances do russo de ser campeão. Explico. Como o pelotão foi reagrupado, ficou claro que o carro da Koiranen não era o que tinha o melhor acerto para pista molhada e ainda sofria com a degradação dos pneus de pista molhada, que estavam sendo obrigados a funcionar em um asfalto que secava.

Se o caro de segurança pareceu que ia salvar Kvyat da punição, acabou acontecendo justamente o contrário. Acabou entregando-o aos leões. Assim, foi uma questão de tempo para que ele fosse ultrapassado por Oliver Rowland, William Vermont e pelo brasileiro Felipe Fraga, que deu a punhalada final.

O desespero do belga enquanto via os problemas de Kvyat era notável

A cada posição que o piloto perdia, Vandoorne esboçava um leve sorriso nos boxes. No final, Kvyat terminou a corrida em uma horrível oitava colocação e viu o adversário poder celebrar o título. Para piorar, o jejum de triunfos da Red Bull na F-Renault Europeia continua. A última vez que os rubro-taurinos triunfaram por lá foi em 2007, com Brendon Hartley.

De qualquer forma, seja qual fosse o resultado, os dois garotos deixam 2012 em alta. Para se ter uma ideia do domínio de ambos, Kvyat terminou o ano com o vice-campeonato e 234 pontos marcados. O terceiro colocado na classificação foi justamente Rowland, que somou apenas 109, menos da metade do russo.

Assim, não há muitas dúvidas de que tento Vandoorne – que deve seguir para a World Series – quanto Kvyat – na F3 Inglesa – não terão maiores problemas para continuar a carreira. Para o russo, aliás, ainda fica o prêmio de consolação por ter sido o campeão da F-Renault Alps. É um campeonato menor, tem menos importância, mas é uma taça do mesmo jeito.


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