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A maldição da Double R

fevereiro 21, 2013
Axcil Jefferies será obrigado a ver o automobilismo pela televisão em 2013

Axcil Jefferies será obrigado a ver o automobilismo pela televisão em 2013

Uma das notícias mais tristes do automobilismo nesta semana foi o anúncio de que Axcil Jefferies não vai disputar nada este ano por falta de dinheiro. É verdade que todos os anos muitos e muitos pilotos abandonam a carreira sem um patrocinador, mas o que torna este garoto especial é o fato de ele ser o único piloto do Zimbábue no automobilismo mundial.

Essa, na verdade, não é a primeira vez que o garoto de apenas 18 anos de idade para de correr. Depois de ter ganhado uma bolsa da BMW para disputar o campeonato asiático da categoria, em 2009, Jefferies só disputou algumas corridas no ano seguinte. Desde então, ele ficou longe do esporte e só voltou a correr em 2012, quando arrumou um patrocinador do próprio Zimbábue para participar das últimas seis rodadas da F2.

Para quem ficou tanto tempo longe das pistas, o desempenho não foi ruim. Ele marcou pontos em oito das últimas nove provas e terminou o campeonato na 12ª posição, com 17 pontos.

Para 2013, ele havia fechado um acordo com a equipe Double R, que planejava inscrever dois carros na F2. Só que a presença do time de Anthony Hieatt no certame ainda não estava garantida. Até o ano passado, a F2 não era aberta às equipes, com todos os carros sendo preparados pela organização do campeonato. Para tentar expandir a categoria, uma das soluções propostas era atrair diversas escuderias, motivadas pelo baixo custo do torneio.

Essa ideia, no entanto, acabou sendo voto vencido, e a F2 encerrou as atividades no fim do ano passado. Consequentemente, a Double R, que já havia anunciado a intenção de alinhar carros para Jefferies e para o britânico Daniel McKenzie, foi obrigada a ficar de fora do certame, deixando os dois garotos a pé.

Sem ter onde correr, a Double R cogitou participar da F3 Sibéria. Ok, esse campeonato não existe

Sem ter onde correr, a Double R cogitou participar da F3 Sibéria. Ok, esse campeonato não existe

De qualquer modo, vida que segue, e a Double R passou a focar as operações apenas na F3 Inglesa. O time, aliás, foi o primeiro a anunciar os pilotos para o campeonato de 2013, ao assinar com os promissores Antonio Giovinazzi e Sean Gelael, que haviam feito carreira na Ásia.

Só que o futuro não foi tão brilhante. Como apenas a Double R e a peque Eagle haviam confirmado participação, a organização da F3 Inglesa decidiu cortar o calendário da categoria de dez para quatro etapas como uma forma de sobrevivência – você pode clicar aqui e entender os motivos desta decisão.

Alguém pode dizer que é apenas coincidência o fato de a Double R ter sido a única equipe a anunciar participação nesses dois campeonatos, e eles terem fechado em sequência. Besteira, está cada vez mais claro que é tudo culpa da equipe de Anthony Hieatt.

Para não ficar sem correr e com medo de fechar mais algum certame, a Double R acabou acertando com a reformulada F3 Europeia – que deve ter cerca de 30 carros em 2013 – e ao que tudo indica vai conseguir colocar os carros na pista. Além de Giovinazzi e Gelael, o time ainda trouxe Tatiana Calderón para o terceiro carro.

Ao que tudo indica, eles vão conseguir competir em 2013. No entanto, se algo acontecer na F3 Europeia até o fim deste ano, você já sabe de quem é a culpa.

Para entender a crise na F3 Inglesa

janeiro 26, 2013
A F3 Inglesa sofreu com falta de pilotos em 2012. Agora sofre com falta de etapas. Faz sentido

A F3 Inglesa sofreu com falta de pilotos em 2012. Agora sofre com falta de etapas. Faz sentido

A segunda-feira, dia 28, foi marcada pelo lançamento do novo carro da Lotus para a temporada de 2013 da F1. No entanto, a principal notícia daquele dia foi a redução da F3 Inglesa para apenas quatro etapas neste ano – sendo apenas duas na ilha da Grã-Bretanha – por causa da crise gravíssima que a categoria atravessa.

De acordo com o promotor do campeonato, Stephane Ratel, acabar com seis etapas foi a forma encontrada para a sobrevivência do certame. Sem isso, o torneio morreria após 62 anos de história, tendo revelado 12 pilotos brasileiros campeões.

Claro que essa foi a versão contada por Ratel. Muito provavelmente, manter a F3 Inglesa mesmo com um número mínimo de provas deve ter sido a solução para respeitar contratos já firmados e evitar possíveis batalhas judiciais. Vale lembrar que o próprio Ratel também é o comandante de certames como a F-Renault UK (extinta no início de 2012) e o GT1 (que sofre com grids pequenos e a ameaça de extinção faz três anos).

Entretanto, dessa vez não dá para jogar toda a culpa no organizador. Se for para acusar Ratel de alguma coisa, é apontar que ele criou todas as condições para que o campeonato acabasse, embora ao mesmo tempo tenha feito de tudo para garantir a sobrevivência.

Esses dois aspectos parecem contraditórios, certo? Verdade, mas eu explico. Acredito que, tirando a F1, o que mantém um campeonato vivo é a presença das equipes pequenas, aquelas que já sabem que vão perder antes mesmo de a temporada começar.

Em 2008, as equipes pequenas da F3 Inglesa eram maioria no grid

Em 2008, as equipes pequenas da F3 Inglesa eram maioria no grid

Para efeito de comparação, em 2008, ano conhecido como ressurgimento da F3 Inglesa com a chegada de empresas como Telmex e Red Bull, dez equipes disputaram a temporada completa, com cinco delas vencendo corrida. Esse número caiu para nove, em 2009; oito, em 2010; seis, em 2011 e apenas quatro no ano passado.

Nesse tempo, até mesmo as equipes tradicionais sofreram. A Hitech passou a se dedicar apenas à F3 Sudamericana, a Double R foi vendida por Kimi Raikkonen e Steven Robertson para Anthony Hieatt, e a T-Sport precisou se aliar à Nissan para ter condições de inscrever um carro no certame.

Isso começou a acontecer por um motivo: passou a ficar muito carro perder para a Carlin. Com a escuderia tendo conquistado os últimos cinco campeonatos, os pilotos perceberam que só teriam condições de vencer corridas e lutar pelo título se estivessem no time de Trevor Carlin. Assim, quem tinha dinheiro assinou com eles, os demais buscaram outros campeonatos.

E a SRO nada fez para mudar essa situação. Pelo contrário. Eles continuaram dificultando a vida das equipes menores aumentando os custos de competição ao adotar um novo carro no ano passado. Com isso, em 2012, o que se viu foi um duelo entre a Carlin (que contava com apoio de fábrica da Volkswagen) e a Fortec (com apoio da Mercedes). Os demais times eram meros coadjuvantes.

Enquanto isso, a F3 Inglesa começou a dividir a pista com a F3 Euro em algumas etapas, como uma forma de diminuir a crise nos dois campeonatos e aumentar a competitividade. Com quase 30 carros inscritos, essas provas foram um sucesso e deixaram maravilhado Gerhard Berger, apontado pela FIA há um ano e meio como responsável pelo gerenciamento das categorias de base do automobilismo.

A etapa conjunta de Norisring juntou cerca de 30 carros entre F3 Euro e F3 Inglesa em 2012

A etapa conjunta de Norisring juntou cerca de 30 carros entre F3 Euro e F3 Inglesa em 2012

Assim, o ex-companheiro de Ayrton Senna na F1 entendeu que o único jeito de a F3 sobrevier era se os campeonatos inglês e europeu se fundissem. Isso foi passado para Ratel, que negou prontamente. Afinal, não seria apenas uma união, já que a FIA passaria a comandar tudo, enquanto a SRO chuparia o dedo.

Para piorar, embora Ratel não tivesse aceitado a proposta, as montadoras começaram a fazer pressão para que Fortec e Carlin trocassem a F3 Inglesa para correr na F3 Euro, pois fazia mais sentido não ficarem limitadas apenas ao mercado britânico.

Com a ameaça de perder os dois principais times, Ratel trabalhou em montar um calendário em que não houvesse choque de datas entre os dois certames. Assim, tanto Carlin e Fortec quanto os times já confirmados do europeu poderiam disputar ambos os campeonatos. Além disso, ele montou uma série de regras com o objetivo de atrair novas escuderias. Eu até escrevi um post sobre isso, que você pode clicar aqui para relembrar.

Do outro lado, Berger não gostou nada da reação. Para evitar a concorrência da F3 Inglesa, o austríaco recriou uma antiga regra que impede os pilotos da F3 Euro de treinar e correr em circuitos que ainda vão receber a categoria. Como Brands Hatch, Silverstone, Paul Ricard e Nurburgring estavam em ambos os calendários, isso significou que mesmo os times da F3 Inglesa não podiam andar nessas pistas.

Claro que também não era uma coincidência que as etapas da F3 Euro nesses circuitos estavam marcadas para após as corridas do certame britânico. Ou seja, antes mesmo de o campeonato inglês começar, já havia a certeza de grids enxutos nessas provas.

Como resultado, a única alternativa encontrada por Ratel foi cortar o calendário para quatro etapas – Brands Hatch, Silverstone, Spa-Francorchamps e Nurburgring –, com elas acontecendo após as corridas da F3 Euro.

Com isso, 2013 vai ter uma situação inédita no automobilismo. A Inglaterra vai receber apenas 14 corridas da F3 neste ano. Além das duas rodadas triplas da F3 Inglesa, a F3 Euro também disputa seis provas entre Brands Hatch e Silverstone e a F3 Espanhola faz mais duas em Silverstone. Esse número é menor que as etapas da F3 Sul-americana no Brasil. O calendário do certame aqui do Cone Sul tem 18 etapas programadas para este ano, sendo 16 aqui no país e duas na Argentina.

Novas equipes na F3 Inglesa

janeiro 16, 2013
A Performance, que corre na F3 Alemã, pode disputar algumas etapas da F3 Inglesa em 2013

A Performance, que corre na F3 Alemã, pode disputar algumas etapas da F3 Inglesa em 2013

A F3 Inglesa anunciou no fim do ano passado um pacote de regras para tentar superar a crise que está vivendo e continuar a existir. Afinal, um certame que teve apenas 14 carros de forma integral durante todo o campeonato de 2012 definitivamente precisava encontrar uma forma de se reciclar.

Para isso, uma das novidades apresentadas para a nova temporada foi a reformulação total da National Class. A partir de agora, ela passará a aceitar praticamente todo tipo de carro existente de F3. Ou seja, os antigos F308 usados na F3 Alemã, na extinta F3 Italiana e até mesmo na F3 Sudamericana poderão competir. Além deles, os carros da F3 Cup (categoria menor da Inglaterra) e da F3 Espanhola (Open) também estão liberados.

Para atrair as equipes, a organização da F3 Inglesa determinou que haverá um torneio à parte da National Class com rodadas nas etapas de Pau, Silverstone, Paul Ricard, Spa-Francorchamps e Nurburgring.

Embora tenha sido um tiro no escuro em um primeiro momento, os resultados já estão começando a aparecer. Enquanto as principais equipes do certame – Carlin e Fortec – ainda não anunciaram nada para o campeonato, quatro carros estão próximos de serem confirmados para a novíssima National Class.

O primeiro a anunciar a participação foi o desconhecido Kyle Tilley. O piloto inglês havia iniciado carreira nos monopostos, mas tinha se mudado para os carros de GT por causa dos custos elevados da categoria. Agora, podendo inscrever o próprio equipamento a um custo mais acessível na National Class, o piloto decidiu que estava na hora de dar uma chance à F3.

“Antes da mudança de regras para a temporada de 2013, a F3 era como um sonho irrealizável, por causa da falta de um orçamento enorme”, disse Tilley. Ele vai disputar a competição pela equipe Eagle, da própria família.

A outra equipe que está próxima da F3 Inglesa em 2013 é a sueca Performance, que participa também da F3 Alemã. A escuderia, aliás, disputou o campeonato britânico até o ano de 2007 e agora está disposta a tomar parte do novo troféu da National Class.

A equipe ainda não confirmou a participação, mas já afirmou que planeja inscrever carros para John Bryant-Meisner, Yannick Mettler e Thomas Jager já na pré-temporada e, quem sabe, andar também nas cinco corridas do novo campeonato da National Class.

Para encerrar, é inegável que as novas regras da F3 Inglesa já estejam dando resultado na expansão do grid. No entanto, a categoria pode acabar caindo no mesmo buraco em que está a MotoGP, onde há uma divisão entre as motos de fábrica e as CRT, que não são competitivas e só servem para encher o grid de largada na televisão.

Para evitar que isso aconteça na F3, a organização do campeonato precisa resolver duas questões importantes. A primeira é garantir o equilíbrio dentro da própria National Class para que uma equipe familiar como a Eagle tenha condições de disputar contra uma grande estrutura como é a Performance.

A outra é fazer com que os pilotos que se destaquem na National Class tenham a chance de avançar para a divisão principal e seguir a carreira em carros competitivos. Afinal, não adianta falar que o campeão terá uma bolsa se for para andar, no ano seguinte, na pior equipe do grid e sem maiores perspectivas.

O homem que pode mudar o automobilismo

dezembro 21, 2012
Jann Mardenborough pode revolucionar o automobilismo em 2013

Jann Mardenborough pode revolucionar o automobilismo em 2013

Jann Mardenborough. Guarde bem este nome. O garoto de apenas 20 anos pode iniciar em 2013 uma verdadeira revolução no automobilismo. Depois de uma boa temporada no campeonato britânico de GT, o galês andou testando com a Carlin e pode assinar contrato com a equipe para a próxima temporada da F3 Inglesa.

Mas não é apenas essa mudança de categoria que o torna especial, evidentemente. A grande revolução é porque Jann é um dos integrantes do GT Academy, aquele programa criado pela Nissan em parceria com a Sony e com o Playstation para revelar jovens pilotos a partir do jogo Gran Turismo. Eu escrevi um post no início do ano explicando como esse programa funciona, basta clicar aqui para relembrar.

Como integrante do GT Academy, Mardenborough foi escalado pela Nissan para participar em 2012 da Blancpain Endurance Series e do campeonato britânico de GT, onde terminou com o vice-campeonato, mas foi a grande sensação da temporada.

A boa fase fez com que a montadora japonesa o promovesse para o programa do Mundial de Endurance (WEC), onde ele deve pilotar um dos carros da Signatech, na categoria LMP2, em 2013. Para ele se acostumar aos carros mais potentes e com alta downforce, a solução encontrada pela empresa foi marcar uma série de testes com um carro da F3 da Carlin durante a pós-temporada.

Só que o desempenho do garoto foi tão bom, que Trevor Carlin entrou em contato com a Nissan para tentar convencer a montadora de liberar Mardenborough por um ano, para que ele pudesse competir na F3 Inglesa e, quem sabe, seguir carreira nos monopostos.

Com isso, pela primeira vez um piloto descoberto no ambiente virtual tem chance real de percorrer o caminho dos monopostos e brigar por uma vaga nas principais categorias do automobilismo mundial, incluindo até mesmo a F1.

Mardenborough testou com o carro da Carlin usado na F3 Inglesa até 2011

Mardenborough testou com o carro da Carlin usado na F3 Inglesa até 2011

Por isso, todo o mundo vai estar de olho em Mardenborough em 2013. Se o garoto realmente competir na F3, tiver um mínimo de sucesso e conseguir dar prosseguimento à carreira, uma série de paradigmas no esporte a motor poderão ser quebrados. Isto é, todo o percurso que um jovem faz hoje do kart às categorias menores poderá ser questionado.

Não estou dizendo que o sucesso de Jann pode ser o fim do kartismo. Pelo contrário, o que podemos vez nos próximos anos são as equipes dando cada vez mais espaço a garotos descobertos no videogame. Por exemplo, uma escuderia da F-Renault pode fechar uma parceria com alguma produtora de jogos e lançar um game – ou aproveitar algum do mercado como Forza, Burnout, Grid ou Need for Speed – para descobrir novos atletas.

A partir daí, o time seleciona alguns finalistas, leva-os à pista e faz uma série de testes físicos e de pilotagem em um carro. Com isso, dois jovens são selecionados e passam a integrar o plantel da escuderia na temporada seguinte, podendo até mesmo serem companheiros de alguém vindo do kart.

Essa é uma situação que pode acontecer ano após ano, contando também com a evolução dos softwares e dos videogames. Com isso, pode ser que em algum momento um piloto muito talentoso seja descoberto, podendo chegar à F1, Indy, DTM e etc.

E qual a grande vantagem desse processo? O custo. Correr de kart é caríssimo, e muitas empresas envolvidas no esporte não têm o menor interesse em diminuir o custo. Por outro lado, para jogar videogame, os garotos precisam adquirir apenas a televisão, o game, o volante/pedal e ter uma boa conexão com a internet, além de eventualmente precisar pagar uma taxa de subscriber para participar de um determinado programa similar ao GT Academy (que é de graça).

Como consequência, o campo de observação é muito maior. A edição de 2011 do GT Academy USA, por exemplo, teve 53 mil participantes e apenas um vencedor foi filtrado. Imagina o custo que uma equipe teria para analisar dezenas de milhares de kartista para tentar fechar contrato com o mais promissor?

É por isso que o sucesso de Mardenborough em 2013 é tão importante. Se ele alcançar bons resultados, a maneira como conhecemos o automobilismo de base pode mudar extraordinariamente, aproximando o mundo real ao ambiente virtual.

A gente vai poder começar a conferir o desempenho de Jann, a partir de janeiro, na Toyota Racing Series, quando ele competirá contra alguns dos jovens pilotos mais promissores da atual geração, como Felix Serralles, Lucas Auer e os brasileiros Pipo Derani e Bruno Bonifácio.

Para sobreviver

dezembro 18, 2012
A F3 Inglesa sofreu com gris enxutos em 2012, e a previsão é de piora para o ano que vem

A F3 Inglesa sofreu com gris enxutos em 2012, e a previsão é de piora para o ano que vem

Após uma temporada 2012 com grid enxuto, a F3 Inglesa terá em 2013 um ano decisivo. Com a nova expansão da F3 Euro, que passou a ser chancelada pela FIA e conseguiu atrair equipes, investimentos e pilotos, o certame britânico sabe que precisa se reinventar se quiser continuar a existir.

Para isso, a categoria divulgou nesta terça-feira, dia 18, um pacote de novas regras para tentar garantir a sobrevivência.

A principal mudança acontece no que diz respeito ao calendário. Em 2013, a F3 Inglesa terá nove etapas, sendo que nenhuma delas terá conflito de datas com o campeonato europeu. A ideia é óbvia: fazer com que os times da F3 Euro também possam participar das corridas na Inglaterra e vice-versa.

Essa mudança não é por acaso. A Fortec, por exemplo, já anunciou que Felix Serralles e Pipo Derani vão disputar a F3 Euro no próximo ano. Já a Carlin, que competiu em ambos os campeonatos em 2012, também se mostrou interessada em continuar a correr em toda a Europa.

Com a indefinição das principais equipes, os organizadores rapidamente se movimentaram para garantir um grid cheio. Para isso, eles decidiram reformular a National Class, que passará a aceitar praticamente todo tipo de carro existente de F3. Ou seja, os antigos F308 usados na F3 Alemã, na extinta F3 Italiana e até mesmo na F3 Sudamericana poderão competir. Além deles, os carros da F3 Cup (categoria menor da Inglaterra) e da F3 Espanhola (Open) também estão liberados.

Os carros da F3 Cup vão poder competir na F3 Inglesa em 2013

Os carros da F3 Cup vão poder competir na F3 Inglesa em 2013

Com isso, para tentar atrair equipes para a nova National Class, será disputado um campeonato à parte com etapas em Pau, Silverstone, Paul Ricard, Spa e Nurburgring. Aqui a ideia é que equipes desses países, com equipamentos da F3, decidam se juntar ao grid da F3 Inglesa, matando dois coelhos com uma só cajadada.

Como são justamente as etapas disputadas fora da ilha da Grã-Bretanha que têm menor grid – por causa das limitações financeiras das equipes pequenas –, esse minicampeonato extra serve para compensar o tamanho do grid com a chegada de novas escuderias oriundas desses países.

Por fim, as mudanças no regulamento determinam a diminuição da última corrida do fim de semana de 40 para 30 minutos e a redução da pontuação da corrida curta – com o grid invertido – para 12-9-8-6-5-4-3-2-1-0,5.

Todas essas mudanças são positivas para o campeonato, afinal, atrair pilotos é sempre um sinônimo de qualidade do grid. Só que é possível questionar como os carros defasados da nova National Class vão servir no desenvolvimento dos jovens pilotos.

Um piloto patrocinado pelo KFC e pela Pepsi não pode ser ruim

Um piloto patrocinado pelo KFC e pela Pepsi não pode ser ruim

Quem não está muito preocupado com isso é Anthony Hieatt, chefe da Double R. A equipe finlandesa anunciou, nesta semana, a contratação do italiano Antonio Giovinazzi, que é apontado como a grande esperança do automobilismo da Itália em um prazo não muito longo.

O garoto de 19 anos de idade foi campeão da F-Pilota China, em 2012, e surpreendeu ao vencer logo na estreia na F-Abarth, em Monza. É claro que talvez a sua contratação nada tenha a ver com as novas regras da F3, mas é desse tipo de atleta que o certame precisa, principalmente com o mercado de pilotos parecendo estar bastante esfriado.

Com isso, Giovinazzi pode ser a grande esperança de renovação de grid em um ano que a Red Bull já deu a entender que vai parar de investir no campeonato, passando a focar na GP3. Além disso, com a indefinição da Fortec sobre de qual F3 participar, o torneio parecia fadado a não atrair grandes nomes.

Até o momento, apenas três pilotos estão confirmados para 2013. Antonio e o indonésio Sean Gelael formam a dupla da Double R, enquanto Spike Goddard será piloto da T-Sport.

No entanto, alguns nomes devem ser anunciados em breve. Jordan King e Josh Hill devem fazer a transição da F-Renault NEC, enquanto Harry Tincknell pode permanecer com a Carlin. O canadense Nicolas Latifi também testou com o time de Trevor Carlin, enquanto o brasileiro Henrique Martins já disse que pretende disputar o certame.

Por fim, Oliver Rowland pode se tornar o novo alvo de disputa entre Fortec e Carlin. O britânico, que terminou na terceira colocação da F-Renault Europeia, apenas aguarda para saber se vai contar com o apoio da Racing Steps Foundation no próximo ano para definir aonde correr.

Harvey, Serralles ou Jaafar?

setembro 26, 2012

Jazeman Jaafar, Jack Harvey e Felix Serralles. Um dos três vai sair de Donington Park conhecido como campeão

Não é só a F-Abarth – assunto do post de ontem – que vive clima de decisão neste final de semana. Quem também vai conhecer o campeão de 2012 é a F3 Inglesa. Ou seja, será a vez de Felipe Nasr passar o bastão para mais uma jovem promessa do automobilismo mundial.

A exemplo do que acontece na F-Abarth, três pilotos chegam a Donington Park com chances de saírem com a taça. No entanto, ao contrário do campeonato italiano, a F3 está totalmente em aberto, já que apenas seis pontos separam os três concorrentes, Jazeman Jaafar, Felix Serralles e Jack Harvey.

Eu queria ter escrito sobre a F3 um pouco antes, mas preferi esperar até agora, pois nesta quarta-feira, dia 26, foi julgado o recurso da equipe Carlin contra a punição de Harvey na última rodada, em Silverstone. A federação inglesa – MSA – deu ganho de causa ao time britânico e com isso o piloto conseguiu anular os 30s tomados.

Explicando o que aconteceu, na segunda corrida de Silverstone, Harvey foi considerado culpado pela direção de prova por ter causado o acidente com o então pole-position, Pipo Derani, que levou ao abandono do brasileiro. Como resultado, o britânico teve 30s acrescidos ao seu tempo e caiu da segunda colocação naquela prova para o 12º posto.

A equipe Carlin apelou do resultado, ganhou e Harvey retornou à segunda posição. Assim, ao invés de o britânico chegar a Donington com 23 pontos de desvantagem, ele estará apenas seis atrás de Jazeman Jaafar. Ou seja, é difícil falar que há favoritos para ficar com o título.

Harvey voltou à briga depois de uma decisão do tribunal

Entretanto, apesar de a decisão do campeonato ter ficado para o que acontecer na pista, acho muito ruim o veredito da F3 Inglesa. Não tenho absolutamente nada contra Harvey, mas questiono se não houve algum tipo de proteção ao piloto já que ele é um inglês disputando o título da categoria do próprio país. E um piloto nascido na ilha da Grã-Bretanha não fica com a taça desde 2006, com Mike Conway.

Eu entendo o direito da MSA de tentar corrigir uma punição mal aplicada pelos comissários. Só que eu já coloquei aqui no World of Motorsport um vídeo do mesmo Harvey na mesma etapa de Silverstone, em que ele bloqueia Serralles e sequer é punido. Acho que se os dois incidentes tivessem acontecidos na F1, a direção de prova, sem dúvida alguma, teria agido. Dessa vez, deixaram passar. Não quero dizer que houve proteção ao britânico, mas questiono por que essas decisões são tão diferentes das que acontecem nas demais categorias do esporte a motor. Talvez seja por essa falta de critério que os pilotos cheguem tão mal preparados à F1.

Dito isso, vamos ao que interessa, o duelo na pista. Nesta quinta-feira, a F3 vai realizar um treino coletivo em Donington, com todos os carros presentes. A partir daí ficará mais fácil dizer quem é favorito nessa luta pelo título.

No entanto, já é possível clarear um pouco esse cenário. Pelo que fizeram em 2012, eu diria que Harvey é de fato quem tem mais chances de ser campeão. Nas corridas dentro da Inglaterra, foi o piloto da Carlin quem levou a melhor. Aí você pode até pensar que isso é natural, afinal ele conhece as pistas inglesas como poucos, já que cresceu correndo nesses traçados. Mas não. Desde que largou o kart, Jack disputou a F-BMW Europeia, então só conheceu lugares como Snetterton e Oulton Park quando se juntou à F3 no ano passado. Apesar disso, o desempenho caseiro foi tão bom que todas as cinco vitórias e oito pole-position vieram dentro das pistas localizadas no Reino Unido.

Se Serralles for campeão, será o primeiro título da Fortec na categoria e o primeiro de uma equipe diferente da Carlin desde 2007 (quando Marko Asmer/Hitech venceu)

O desempenho de Serralles foi o contrário. Na primeira parte da temporada, o porto-riquenho fez boas corridas, mas esteve longe da briga pelo título. No entanto, bastou que a F3 voasse para as etapas de Norisring (na Alemanha) e de Spa-Francorchamps (na Bélgica) para que ele tivesse uma reação impressionante e entrasse de vez na luta pelo caneco.

Felix venceu duas vezes na Inglaterra e duas fora dela, mas todas as suas três poles foram conquistadas longe da ilha. Apesar desse equilíbrio, a grande vantagem do piloto da Fortec aconteceu nas corridas estrangeiras. Nessas provas, os favoritos da F3 Inglesa não foram bem, e Serralles pode descontar grandes pontuações. Nas etapas no próprio Reino Unido, devido aos grids enxutos, todo mundo marcou muitos pontos, então por pior que tenham sido os resultados do piloto ele pôde se manter na briga pela taça.

Quem não teve nada a ver com essa situação foi Jazeman Jaafar. O malaio aproveitou os três anos de experiência na F3 Inglesa para brigar sempre por top-5. Assim, enquanto Harvey e Serralles tinham problemas de adaptação a algumas pistas ou não conseguiam colocar resultados consistentes, o piloto asiático somava pontos importantes. Dessa forma, ele saiu da posição de azarão e, com um final de semana quase perfeito em Silverstone, assumiu a liderança do campeonato.

Com uma batalha tão apertada, é difícil tentar prever o que vai acontecer. Mas algumas coisas são óbvias. Os três pilotos precisam, a todo custo, marcar pontos nas corridas. Um mau resultado no treino classificatório ou um abandono deve significar fim das chances de título. Outra coisa importante é que temos um carro da Fortec (Serralles) lutando contra dois da Carlin (Harvey e Jaafar). Ou seja, um deles vai ter tudo do bom e do melhor e atenção exclusiva da equipe. Já para os outros dois a guerra vai começar dentro da própria garagem.

O jejum de títulos dos britânicos na F3 Inglesa

setembro 5, 2012

Jack Harvey pode suceder Felipe Nasr como campeão da F3 Inglesa

Jack Harvey tem uma pequena chance de conquistar o título da F3 Inglesa neste final de semana, em Silverstone. Líder do campeonato, o britânico precisa marcar todos os pontos em jogo – vencer as três corridas e acumular os bônus de pole-position e volta mais rápida –, além de torcer para que Felix Serralles marque apenas quatro durante toda a etapa.

Ou seja, é improvável que Harvey leve o título por antecipação, mas não impossível. Caso o piloto seja bem sucedido nessa façanha, ele será apenas o segundo britânico a ganhar a F3 Inglesa nos últimos dez anos. O outro foi Mike Conway, que desbancou Bruno Senna e Jaime Green, em 2006.

Um eventual título de Harvey seria simbólico por dois motivos. Em primeiro lugar, seria uma espécie de joia da coroa no desempenho dos pilotos ingleses em 2012. Não é exagero dizer que neste ano, os britânicos dominaram o esporte a motor. Até agora, os pilotos nascidos no país já venceram um campeonato de grande expressão e estão na briga por vários outros.

O primeiro título veio na Auto GP, com Adrian Quaife-Hobbs. O segundo, na F-Renault Norte-Europeia, mas ainda é preciso definir quem vai levantar a taça, já que Jake Dennis, Jordan King e Josh Hill – filho de Damon – ainda estão no páreo. Completando o muro dos campeões, na Star Mazda é bastante difícil que Jack Hawksworth não seja o ganhador deste ano.

Quem também pode engrossar a lista são Gary Paffett e Jaime Green, que lideram o DTM, além de Robert Huff, do WTCC, que ocupa a segunda colocação do certame.  Já na World Series by Renault, Sam Bird também está no segundo posto. E olha a lista poderia crescer muito mais…

A diferença entre esses possíveis triunfos e o de Harvey é que o piloto da Carlin é o único que corre na própria Inglaterra. É uma forma não só de prestar contas, mas também de dar alguma alegria à torcida inglesa, sempre tão presente nos autódromos.

O segundo motivo tem a ver com esse primeiro. Em 2012, o automobilismo inglês foi bastante desfalcado. Estreando novos carros, a F3 Inglesa e a F-Ford tiveram que aguentar grids minúsculos durante a maior parte das etapas. Já a F-Renault UK não teve a mesma sorte e foi extinta no início de ano por falta de participantes.

Portanto, esses títulos são uma forma de os britânicos dizerem que apesar de todos os problemas internos eles continuam vencendo. Então, a crise no esporte a motor não é só um problema dos nascidos ali na Ilha da Grã-Bretanha, mas de todos os pilotos no geral.

Sainz ainda pode se recuperar?

julho 29, 2012

Carlos Sainz precisa quase de um milagre para ficar com o título da F3 Inglesa

A temporada 2012 da F3 Inglesa entra na fase decisiva restando apenas três etapas para o final. Depois de duas rodadas fora da ilha da Grã-Bretanha, com o grid se juntando aos carros da F3 Euro em Norisring e em Spa-Francorchamps, chegou a vez de os competidores se dedicarem apenas aos traçados britânicos para decidir quem vai fica com a taça de campeão.

Após as primeiras sete etapas, praticamente restam quatro pilotos na briga pelo título: Felix Serralles, Jack Harvey, Jazeman Jaafar e, correndo por fora, Carlos Sainz Jr.

Em primeiro lugar, essa é a temporada mais emocionante do certame desde 2008, quando Jaime Alguersuari, Oliver Turvey, Brendon Hartley e Sergio Pérez estavam na briga pela taça faltando as mesmas três rodadas. Desde então, os demais campeonatos foram marcados pelo domínio de um só atleta. Daniel Ricciardo não teve maiores problemas para ficar com o título em 2009, com o mesmo acontecendo a Jean-Éric Vergne e Felipe Nasr nos anos seguintes.

Isso nos leva a um segundo ponto de destaque. Se as coisas continuarem do jeito que estão, Carlos Sainz Jr pode se tornar o primeiro piloto da Red Bull a não conquistar o título da F3 desde que a parceria entre a Carlin e os rubro-taurinos foi formada em 2008.

Na verdade, a situação não anda nada boa para o espanhol. Mesmo tendo vencido uma das corridas do final de semana, em Spa-Francorchamps, o piloto ocupa apenas a quarta colocação na tabela, com 176 pontos. Enquanto isso, Serralles, o líder, tem 212.

O problema para Sainz é que em momento algum ele conseguiu engrenar no campeonato. Nas primeiras seis rodadas – 17 corridas – o piloto venceu apenas três vezes. Ainda assim, era o suficiente para se colocar na briga pela taça de campeão. Só que a má-fase começou na terceira corrida de Brands Hatch, quando o piloto da Carlin iniciou um jejum de quatro corridas seguidas tendo marcado apenas dois pontos no total.

Mesmo sem brilhar, Jack Harvey é o favorito ao título

Com isso, não só Harvey, Jaafar e Serralles se aproveitaram para ultrapassar o espanhol como também dispararam na tabela de pontos.

O que deixa a situação de Sainz ainda mais difícil é que só faltam três rodadas para o fim da temporada e apenas 12 carros competem na divisão principal da F3. Ou seja, a menos que os rivais abandonem, é muito difícil descontar uma grande quantidade de pontos em uma só corrida. Não são muito os carros competitivos, então é difícil pensar que os ponteiros vão terminar fora do top 5 as etapas restantes.

Nesse cenário, quem sai como favorito é Jack Harvey. Apesar de não ser um superpiloto, o britânico se mostrou o mais constante até agora. Foram quatro vitórias e dez pódios, além de seis pole-position, mas seus melhores resultados aconteceram todos dentro da Inglaterra, o que pode ser fundamental nessa reta final.

Com três anos na categoria, Jazeman Jaafar aparece em terceiro na tabela, com 204 pontos, mas eu o colocaria como segundo nas chances de título, justamente por essa experiência. Só que em todo esse tempo no certame, o malaio só venceu duas vezes – ambas esse ano –, então mesmo que ele leve a taça no final da temporada é difícil colocá-lo como um piloto promissor.

Mas quem lidera o campeonato é o surpreendente Felix Serralles

Por fim, temos Felix Serralles, a grande surpresa de 2012. Quem no início do ano poderia imaginar que um piloto de Porto Rico estaria na briga pelo título e liderando o campeonato nesse momento? Talvez nem o próprio garoto.

Só que Serralles foi muito bem ao longo de toda a temporada. Venceu corridas e subiu ao pódio de uma forma até que constante, mas também cometeu alguns erros típicos de um novato. Esse desempenho, claro, não o colocaria na briga pelo título. Mas tudo mudou da água para o vinho nas últimas rodadas.

Nas duas últimas etapas, a F3 Inglesa dividiu as pistas com os carros da F3 Euro, em Norisring e em Spa. Com 29 competidores, a chance de Serralles sobressair era muito menor, certo? Curiosamente, aconteceu justamente o contrário. Das cinco provas disputadas, o porto-riquenho terminou todas entre os cinco primeiros. Valendo apenas entre os participantes do certame britânico, Felix venceu duas e foi três vezes segundo.

Essa recuperação meteórica o colocou no topo da tabela de pontos. O grande desafio é se agora, apenas com os carros da F3 Inglesa na pista, ele vai conseguir manter a boa fase.

O grande trunfo de Serralles é correr pela Fortec, equipe que jamais foi campeã da F3 Inglesa, enquanto Sainz, Jaafar e Harvey devem roubar pontos um do outro por competirem pela Carlin. Quer dizer, alguma dúvida que o porto-riquenho terá o melhor equipamento do time?

A incoerência da F3

maio 15, 2012

Em Pau, o grid da F3 Inglesa chegou a 24 carros com a ajuda dos colegas da F3 Euro

Em 2011, Yann Cunha terminou a temporada da F3 Inglesa com 36 pontos negativos. Ao longo das 30 corridas daquele ano, o brasileiro marcou quatro pontos, mas acabou sendo punido em 40 por ter participado da etapa de Spa-Francorchamps da F3 Espanhola.

Na ocasião, o regulamento da categoria determinava que um piloto não poderia disputar uma etapa de outro campeonato da F3 caso o certame inglês ainda fosse correr nesse circuito. Assim, Cunha correu na pista belga pelo torneio espanhol, nos dias 25 e 26 de junho, e retornou ao circuito um mês mais tarde para correr pela F3 Inglesa.

Assim que ficou sabendo do descumprimento da regra, a organização da F3 puniu o piloto, que acabou terminando a temporada na lanterninha. O brasileiro até tentou recorrer afirmando que o regulamento da categoria espanhola é diferente da inglesa e por isso não acarretaria na infração da regra, mas acabou não dando certo.

Avançando um pouco no tempo, nesta terça-feira, dia 15, a equipe Double R (da F3 Inglesa) anunciou que vai participar da rodada de Brands Hatch da F3 Euro e F3 Europeia marcada para este final de semana. De acordo com o dono da equipe, Anthony Hieatt, o objetivo é fazer com que os pilotos se adaptem aos pneus Hankook, que serão usados no round de Norisring, quando F3 Inglesa e F3 Euro voltam a dividir às pistas.

Além da Double R, a Carlin também estará presente em Brands Hatch, com Carlos Sainz Jr., Jazeman Jaafar e Harry Tincknell.

A equipe inglesa, como eu já escrevi aqui em outras oportunidades, foi um dos times recrutados pela Volkswagen para participar do novo campeonato Europeu de F3. Esse novo torneio, aliás, nada mais é do que um amontoado de etapas da F3 Inglesa e da F3 Euro. A ideia da FIA foi atrair as equipes de ambos os certames para aumentar os respectivos grids.

O problema agora é que a F3 Euro corre em Brands Hatch um mês antes da etapa da F3 Inglesa no local

Assim, na semana passada, a F3 Europeia disputou a rodada de Pau, que originalmente faz parte do calendário da F3 Inglesa. Ao invés dos 14 carros que participaram das primeiras rodadas do certame britânico, a etapa teve 24 inscritos, já que dez pilotos da F3 Euro se inscreveram para a competição. Agora, a etapa da F3 Europeia acontece em Brands Hatch, que é da F3 Euro. Mas algumas equipes da F3 Inglesa também se inscreveram para correr e o grid deve ter 19 carros.

A princípio, podemos dizer que essa medida foi um sucesso e conseguiu fazer com que os dois principais campeonatos de F3 do mundo voltassem a ter grids respeitáveis. O problema é a incoerência da medida. A rodada desse final de semana da F3 Europeia é válida pelo campeonato da F3 Euro Series. Só que a F3 Inglesa também volta a correr no tradicional circuito inglês nos dias 23 e 24 de junho. Então, teoricamente, aquela regra que puniu Yann Cunha no ano passado está sendo desrespeitada.

Evidentemente, esse trecho do regulamento não existe mais, e as equipes são livres para competir onde quiserem agora.

E nem é isso – a possibilidade de punição a Sainz, Jaafar, Tincknell e à dupla da Double R – que deveria ser discutido agora. O problema é como o regulamento original da categoria era primitivo.

A regra original servia em dois momentos. No primeiro, evitava uma escalada de custos nos campeonatos. Ou seja, uma equipe que tivesse mais recurso, na época em que as F3 de toda a Europa tinham mais ou menos o mesmo pacote técnico, poderia levar seus pilotos aos outros campeonatos para ganhar quilometragem nesses circuitos onde eles ainda iriam correr. Com essa vantagem, eles já sairiam na frente quando chegasse a hora de competir para valer.

Do outro lado, os campeonatos também adotaram essa regra como protecionismo. A maioria dos times ficou impedida de conhecer outros campeonatos, evitando que fossem atraídas por um certame com um custo menor ou maior competitividade. Dessa forma, todo mundo saiu ganhando.

Agora, com as F3 tradicionais cada vez mais esvaziadas, chegou-se a um consenso de que ou os grid juntam e se ajudam, ou as categorias acabam. Então, a pergunta que fica é por que essa regra não caiu antes?

Por uma lógica até que óbvia, se o novo campeonato europeu conseguiu aumentar o grid dos campeonatos, significa que a regra antiga foi uma das responsáveis pelo esvaziamento das F3 nos últimos anos. No fim, é possível concluir que a F3 agora luta contra ela mesma – e suas medidas conservadoras – para voltar ao posto de principal campeonato no automobilismo de base.

S**t

abril 7, 2012
Pipo Derani

Pelas minhas contas, essa é a primeira câmera onboard da história movida a Instagram

Como você deve saber, a F3 Inglesa iniciou a temporada 2012 neste sábado, dia 7, em Oulton Park. Como a categoria já tem viagem marcada para a Itália – onde compete no próximo final de semana – e tradicionalmente não se corre no domingo de Páscoa, a organização da categoria promoveu as três corridas da rodada tripla para acontecerem no mesmo dia.

Durante a semana eu analiso com mais calma o que aconteceu em Oulton Park e o que podemos esperar do restante do campeonato. Hoje, conto uma curiosa história dos bastidores da F3.

Na segunda corrida da rodada – cujo relato você pode ver aqui –, Pipo Derani superou três adversários para conquistar a primeira vitória da carreira em 89 provas disputadas principalmente entre F-Renault, F3 Alemã e F3 Inglesa. O brasileiro fez tudo certo na etapa, quando se aproveitou da regra do grid invertido para ultrapassar carros mais lentos facilmente graças ao poderoso motor Mercedes da Fortec.

Só que o triunfo não foi assim tão fácil. Faltando poucas voltas para o final, o safety-car foi acionado após um acidente de Alex Lynn, o que reagrupou o pelotão. Assim, Pipo precisou se defender dos ataques de Pietro Fantin quando a corrida foi restabelecida para poder ficar com a vitória.

Como é de praxe, o piloto ganhador é entrevistado pela própria organização da categoria, além daquele bolo de repórteres presentes. Empolgado com a primeira vitória na carreira, Pipo não se segurou e contou exatamente como foi difícil o primeiro ao afirmar que “When I saw the safety car board I thought ‘s**t’, but I made a good restart”.

Em quase bom português, o garoto disse “Quando vi a placa indicando o safety-car, eu pensei m***a, mas consegui fazer uma boa relargada”. Sabe aquela repórter loira que aparece naqueles compactos da F3 exibidos pelo agora finado Speed Channel? Então, imagine a cara dela ao ouvir a declaração do piloto brasileiro.

Taki Inoue

Agora eu sei o que Taki Inoue pensou quando viu o safety-car no GP da Hungria

Bom, talvez você não precise imaginar, já que no relato oficial da corrida – publicado no site da F3 Inglesa – a frase de Pipo foi simplificada. “I had only one worry in the race, when the safety car came out and I had a good lead… But I managed to make a good restart”.

Ou seja “Eu só tive uma preocupação na corrida, quando vi o safety-car saindo e tinha uma boa liderança…. mas eu consegui fazer uma boa relargada”. Espertos esses assessores da F3. Deixaram no ar o que Pipo pensou… ou não…

Bom, por fim, o próprio assessor do Pipo também mandou um press-release com o que aconteceu na corrida. E ele disse “Quando eu vi o safety-car, a única coisa que fiz foi me concentrar para fazer uma boa relargada”. Não se preocupe, Pipo, nós sabemos que na hora você pensou em algo a mais além de se concentrar.

Brincadeiras à parte, é divertido quando um piloto dá uma declaração espontânea, fora daquelas falas pasteurizadas. Pipo poderia ter dito o tradicional “a equipe fez um bom trabalho, e estou muito satisfeito por todos na fábrica da Fortec que confiaram no meu talento e pude retribuir com essa vitória. Agora é pensar na próxima corrida e voltar a somar o maior número de pontos possível”.

Para finalizar, próxima vez que eu vir o safety-car entrando em uma corrida da F3 Inglesa já sei o que vou pensar.


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