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O novo prodígio da Ferrari

junho 5, 2012
Raffaele Marciello

Não há muitas dúvidas de que Raffaele Marciello é bom piloto, mas será bom o suficiente para um dia correr pela Ferrari na F1?

A Ferrari nunca foi conhecida por revelar jovens pilotos para a F1. Pelo contrário. Nos últimos anos, a equipe ficou marcada por negociar de forma agressiva com os competidores e pagando o que fosse necessário para contar com os atletas que quisesse. Dessa forma, o time trouxe Michael Schumacher, Kimi Raikkonen e Fernando Alonso.

Por isso, até foi uma surpresa a Ferrari ter anunciado em 2010 a criação de um programa para jovens pilotos, a Ferrari Driver Academy.

No entanto, a postura da escuderia não foi tão diferente. O time até montou um plantel recheado de jovens italianos e garotos promissores que estavam deixando o kart, mas os principais nomes – Jules Bianchi e Sergio Pérez – praticamente foram contratados, já que a equipe italiana praticamente não teve participação no desenvolvimento deles como pilotos.

Assim, enquanto Pérez e Bianchi chegavam à F1, os demais garotos da Academia da Ferrari sofriam para mostrar resultado. Após apenas um ano, Mirko Bortolotti e Daniel Zampieri foram cortados do programa. Já Raffaele Marciello e Brandon Maisano, mesmo com o título da F-Abarh de 2010, tiveram uma temporada para esquecer na F3 Italiana, no ano seguinte, onde não só ficaram longe da disputa pelo título como também perderam a batalha do novato do ano para o americano Michael Lewis.

Só que as coisas mudaram em 2012. Ao que tudo indica, Marciello finalmente parece ter pegado a mão do automobilismo. Depois de um desempenho decepcionante na Toyota Racing Series, no início do ano, o piloto vem surpreendentemente vem conseguindo bons resultados na F3 Euro Series. Aliás, mais do que isso, o garoto de apenas 17 anos se tornou o piloto dominante do certame.

Das últimas dez corridas disputas, o italiano venceu seis, sendo que apenas um triunfo em Hockenheimring aconteceu na corrida curta, com o grid invertido. O desempenho do piloto é tão bom que ele não tem se importado com o regulamento. Em Pau, quando a F3 Europeia correu segundo as regras da F3 Inglesa, Marciello venceu com facilidade as duas corridas e deu início à arrancada. Na sequência, foram dois triunfos nas corridas principais em Brands Hatch, além de mais uma vitória no Red Bull Ring, em Zeltweg.

Raffaele Marciello

O surgimento de Marciello também coincide com a saída dos pilotos italianos da F1

Enquanto isso, Marciello também se mostrou um piloto mais maduro, já que apenas nas corridas na França ele largou na pole-position. Nas demais, o garoto soube esperar os erros dos adversários para contabilizar as vitórias.

E a tática tem dado certo. Por exemplo, nesse tempo todo, ninguém falou de Carlos Sainz Jr. O piloto da Red Bull, favorito absoluto ao título da F3 Inglesa e um dos nomes mais badalados das categorias de base, esteve em todas essas corridas, mas sequer subiu ao pódio. Ou seja, nesse primeiro duelo entre Ferrari e RBR, os italianos parecem ter levado a melhor.

Por outro lado, o bom desempenho de Marciello ainda gera alguma desconfiança. Da mesma forma que o garoto apareceu praticamente do nada para dominar a F3 Europeia, ele também pode desaparecer caso enfrente uma sequência de maus resultados. Mas supondo que o piloto consiga manter a boa fase na carreira, aí fica uma dúvida: será que a Ferrari está preparada para lidar com um prodígio em seus domínios?

Em algum momento, Marciello vai completar seu desenvolvimento como piloto. Se tudo der certo, daqui uns dois ou três anos, a expectativa é ver o piloto chegar à GP2 e começar a brigar por vitórias e por títulos. Mas e depois? A Ferrari nunca foi conhecida por apostar em jovens pilotos. Com o time tendo Pérez e Bianchi (além de Fernando Alonso e talvez Felipe Massa) e também podendo contratar qualquer nome do grid será que há espaço para a nova revelação?

A tendência é que a resposta seja não. No momento, se Marciello um dia chegar à F1, deve acabar emprestado pela Ferrari à alguma equipe e só acabaria contratado caso mostrasse que está pronto para pilotar os carros vermelhos. Outra opção seria o piloto ser contratado para a função de reserva e apenas figurar pelo paddock da categoria enquanto pilota carros GT em outros certames.

Certamente, a Ferrari sofreria com a pressão da mídia – e da torcida – italiana para escalar um jovem piloto do próprio país, mas nada que afetasse as decisões de Maranello. A GP2 já produziu uma série de competidores da Velha Bota e nenhum chegou à categoria principal pelo time italiano.

Assim, o sucesso de Marciello deve deixar a Academia da Ferrari ainda mais questionada. Se por um lado o programa terá mostrado que pode revelar bons pilotos, do outro ficará a dúvida se esses atletas são bons o bastante para pilotar para a Ferrari. Apenas chegar à F1 já é algo difícil, mas daí a ser contratado pela equipe mais tradicional do grid já é outra história.

Como a FIA e Volkswagen salvaram a F3 Euro Series

abril 20, 2012
F3 Euro Series Phillip Ellis

Phillip Ellis, da também estreante GU-Racing, é um dos novos recrutas da F3 Euro em 2012

A F3 Euro Series teve seus momentos de glória na segunda metade da década passada. Com mais de 20 carros por etapa, a categoria revelou gente como Nico Rosberg, Lewis Hamilton, Sebastian Vettel, Paul Di Resta, Lucas Di Grassi, Romain Grosjean, Kamui Kobayashi, Nico Hülkenberg e Jules Bianchi.

Entretanto, desde 2010, o campeonato estava esvaziado. Com a criação da GP3, uma série de equipes optou por mudar de certame. Primeiro, os times consideravam que o calendário dificultava atrair novos pilotos, afinal a série fazia as preliminares do DTM, correndo praticamente apenas na Alemanha. Depois, começava a ficar muito caro competir em um jogo de cartas marcadas para perder da ART no final do ano.

Surpreendentemente, a equipe francesa foi um dos times que também desistiu da F3 focando o desenvolvimento de pilotos apenas na GP3 desde a temporada passada. Enquanto isso, a F3 tinha grids cada vez menores. Foram 13 carros em 2010 e 12 no último ano.

Quando a situação parecia chegar ao fundo do poço para a atual temporada, a Signature, que servia como equipe oficial da Volkswagen anunciou que abandonaria o certame. Dessa maneira, era possível que em 2012 sequer dez carros alinhassem para a corrida de abertura, em Hockenheimring.

Para evitar esse cenário, aos poucos a direção da categoria começou a agir. Durante todo o final de 2011, os dirigentes bateram na porta de times interessados em participar do campeonato. Na realidade, muitas e muitas equipes afirmaram que desejam se juntar à F3 Euro, mas apenas em 2013, quando o novo regulamento de motores entra em vigor. Afinal, não faz muito sentido gastar rios de dinheiro nos propulsores agora e precisar trocá-los após uma única temporada.

Sandro Zeller F3 Euro

Sandro Zeller va correr no único F308 do grid

Mesmo assim, houve a chegada de três novas equipes: Jo Zeller Racing, URD Rennsport e GU-Racing. Apesar de parecem desconhecidos, são times bastante presentes no automobilismo de base na região da Alemanha, Suíça e Áustria. Com exceção da Jo Zeller (que vai alinhar um antigo F308), essas escuderias puderam entrar no certame com apenas um carro, para amenizar os custos. Depois, antes do final da pré-temporada, Luis Sá Silva, que foi vice-campeão da F-Pilota China em 2011, anunciou uma parceria com a Prema para a criação do Angola Racing Team.

A chegada dessas equipes, no entanto, serviram apenas para deixar o grid novamente com 11 participantes, já que além da Signature a Motorpark Academy também decidiu pular fora do certame. Depois de apanhar ao longo de duas temporadas, a esquadra alemã fechou uma parceria com a Lotus para correr na F3 Alemã. Assim, as 11 vagas só foram alcançadas com a Prema expandindo para quatro carros.

Nesse momento, havia um detalhe curioso: todas os carros eram equipados com motores Mercedes, já que a Signature – que tinha o apoio da Volkswagen – fechara as portas. Ao mesmo tempo, a FIA anunciou uma espécie de Campeonato Europeu de F3. O novo certame é composto por oito etapas, sendo seis em conjunto com a F3 Euro e três com a F3 Inglesa, sendo que a rodada de Norisring é comum aos dois torneios.

Como o custo de correr a F3 Euro e o Europeu de F3 é praticamente o mesmo, afinal, apenas duas etapas são disputadas de forma separada (e vale lembrar que os times da Euro sempre correram na etapa de Spa-Francorchamps da Inglesa), boa parte das equipes se inscreveu para a nova disputa da FIA.

De olho no novo certame, a Volkswagen também começou a negociar, para superar a debandada da Signature. A montadora acabou indo atrás do que havia de melhor no mercado: a Carlin, eterna parceira de triunfos na F3 Inglesa. O time britânico acabou aceitando participar do Europeu de F3 quase que de forma integral com Carlos Sainz Jr. (que continua normalmente na F3 Inglesa também), além de William Buller (confirmado para a GP3) e de Harry Tincknell, que só deve participar da primeira etapa.

Carlos Sainz Jr.

Um acordo no último momento trouxe Carlos Sainz Jr, a Red Bull e a Carlin para o novo certame

Aos 40 do segundo tempo, a montadora conseguiu puxar a ma-com Motorsport, que originalmente planejava correr na F3 Alemã. Com o apoio da Volkswagen, o time estreante vai disputar o Europeu, inscrevendo carros para os britânicos Emil Bernstorff – um dos destaques da ADAC Masters no último ano – e para o badalado Tom Blomqvist, que recentemente assinou com a McLaren para ser piloto em desenvolvimento da montadora.

Com os dois times da Volkswagen, a primeira etapa do Europeu de F3 já tem 16 carros confirmados. Se ainda não é um grid decente, ao menos é uma perspectiva muito melhor que os 11 iniciais. De quebra, em ao menos seis etapas de 2012, a F3 Euro vai contar com esse mesmo número de equipes, fora algum time que resolve entrar apenas para um round, como sempre acontece.

Quando Gerhard Berger – o novo homem forte da FIA para monopostos – anunciou a criação do Europeu de F3, a rejeição foi muito grande. Afinal, parecia que o dirigente não aprendera nada com o fracasso da F3 International no ano anterior. A grande sacada, aqui, foi fazer um torneio cujas equipes já disputariam boa parte das etapas, pois 75% das corridas já estão no calendário da F3 Euro.

Assim, e com alguma sorte, Berger conseguiu reunir um grid de 16 carros no Europeu de F3, ao mesmo tempo em que conseguiu fortalecer os números da F3 Euro e até mesmo da F3 Inglesa.

Temporadas para sempre: F3 Euro Series 2006

junho 18, 2011
Sebastian Vettel e Paul Di Resta

Sebastian Vettel e Paul Di Resta se enfrentaram na F3 Euro Series em 2006. E o alemão perdeu

O World of Motorsport estreia hoje uma nova série que vai relembrar as grandes disputas que marcaram a história do automobilismo: a Temporadas para Sempre. Ok, eu menti. Apesar de essa série estrear hoje, ela já teve um primeiro capítulo aqui no blog, quando contei sobre a passgem de Fernando Alonso pela F3000. Caso você queira relembrar, basta clicar aqui.

De forma oficial na nova série, o post de hoje conta a história da temporada 2006 da F3 Euro Series, que ficou mais conhecida como a única vez em que Sebastian Vettel foi derrotado no automobilismo em condições normais. O alemão, na época, aos 19 anos de idade, enfrentou um grid cheio de futuras estrelas do esporte a motor. No final, travou um duelo com o então companheiro Paul Di Resta pelo título, mas acabou sendo vencido. Durante esse post, além de Vettel e Di Resta, você vai ver um monte de outros nomes da história recente da F1 aparecendo.

O ano de 2006 da F3 Euro Series começou ainda com a sombra de Lewis Hamilton bastante presente. O inglês havia conquistado o título no último ano de forma dominante ao vencer 15 das 20 corridas, forçando os organizadores da categoria a criarem regras para evitar uma nova performance autoritária.

Para isso, a principal mudança no regulamento foi a criação do grid invertido na segunda corrida do final de semana. Assim, o oitavo colocado da primeira prova largaria na pole-position e assim por diante. Outra alteração foi a permissão concedida às equipes para expandir de dois para três/quatro carros, o que visava a aumentar o equilíbrio.

As mudanças nos planteis das equipes foram profundas. Team Rosberg e Midland (aquela mesma ex-F1) deixaram o campeonato, o que aumentou o número de jovens procurando pelo terceiro assento de cada time. Assim, a ASM (pré-ART Grand Prix), não perdeu tempo e assinou com Sebastian Vettel, protegido da Red Bull e que terminara o último ano em quinto. A ele se juntou Paul Di Resta, décimo colocado no ano anterior, mas com contrato com a Mercedes, que fornecia motores ao time. O terceiro nome da equipe foi Giedo van Der Garde, que ficara a pé desde a saída da equipe de Keke Rosberg. O último contratado foi o campeão da F-Renault Eurocup de 2005, um promissor piloto japonês chamado Kamui Kobayashi.

A Manor, por sua vez, perdeu a dupla de 2005 com as saídas de Di Resta e de Lucas Di Grassi, que avançara à GP2. Para compensar, a equipe inglesa aliou-se à Toyota e trouxe dois nipônicos que faziam parte do programa de jovens pilotos da montadora: Kohei Hirate (ex-Rosberg) e Kazuki Nakajima. A ideia era que Kobayashi também fizesse parte do time britânico, mas com o piloto indo para a ASM, o jeito foi trazer Esteban Guerrieri, que ficara sem vaga com a saída da Midland.

Entre as grandes equipes, a última mudança aconteceu na Mücke. Para substituir Sebastian Vettel e Átila Abreu, o time germânico trouxe Sébastien Buemi e Jonathan Summerton, vindos da F-BMW. Entre as outras contratações relevantes, Romain Grosjean assinou com a Signature para correr ao lado de Charlie Kimball, enquanto Richard Antinucci se estabeleceu na HBR. Havia a expectativa que a Prema assinasse com um promissor piloto alemão vindo da F-BMW, mas o garoto não conseguiu o dinheiro suficiente. Por isso, Nico Hülkenberg ficou de fora da temporada 2006 da F3 Euro Series, sendo obrigado a correr na F3 Alemã.

A primeira rodada da F3 Euro Series aconteceu no dia 8 de abril de 2006 na tradicional pista de Hockenheimring, onde a expectativa era ver ser o domínio da ASM no ano anterior seria mantido. Para surpresa – e alívio – de todos, Esteban Guerrieri levou a Manor à pole-position. O time inglês ainda colocou Kohei Hirate na segunda colocação e Nakajima em quarto, com Giedo van der Garde entre eles. Di Resta largou em quinto e Vettel, em sétimo. Na corrida, Hirate tomou a liderança logo na largada. Guerrieri rodou e Van Der Garde se envolveu em um acidente com Nakajima. Dessa forma, Kazuki terminou em segundo, em uma dobradinha nipônica e Paul Di Resta herdou o terceiro posto. Vettel finalizou em quinto.

Na corrida seguinte, com o grid invertido, o piloto da Red Bull fez uma largada sensacional e avançou do quarto posto para a liderança (embora Antinucci, segundo, não tenha participado da prova). Quem também largou bem foi Paul Di Resta, que passou a pressionar o companheiro de equipe pela ponta. Só que o escocês acabou errando e indo parar na barreira de pneus. Kobayashi, que era o terceiro, também acabou por tocar em Vettel, perdendo uma série de posições. Com os adversários abatidos, o ‘Wonder Boy’ venceu sem maiores problemas, seguido por Guillaume Moreau, da Signature, e por Esteban Guerrieri.

Três semanas mais tarde, na segunda rodada no Eurospeedway em Lausitz, a Manor continuou de forma dominante, mas Paul Di Resta acabou cravando a pole-position para a ASM. Na largada, entretanto, o primo de Dario Franchitti acabou perdendo a ponta para Guerrieri que seguiu livre para a vitória. O escocês finalizou em segundo, com Vettel em terceiro. Na segunda corrida, Kazuki Nakajima aproveitou o grid invertido para conquistar a terceira vitória da Manor em 2006. Antinucci encerrou em segundo, seguido por Di Resta, Grosjean, Guerrieri e Vettel.

Sebastian Vettel

Sebastian Vettel passou longe da vitória no Eurospeedway

Em Oschersleben, na terceira rodada, Di Resta deu o troco em Guerrieri em relação à primeira corrida de Lausitz e venceu depois de o argentino largar na pole-position. Grosjean completou o pódio, enquanto Vettel foi somente o quinto. Na segunda corrida, Buemi largou bem e tomou a ponta de Guillaume Moreau. Vettel veio junto e passou para a segunda colocação e começou a pressionar o suíço na briga pela liderança. O germânico, porém, rodou na terceira volta, caindo para 14º. Sem adversários, Buemi venceu, seguido por Hirate e Guerrieri. Di Resta foi 12º, duas posições na frente de Sebastian.

A quarta etapa do campeonato foi disputada em Brands Hatch. Correndo em casa, Paul Di Resta venceu a primeira corrida de ponta a ponta, enquanto Vettel completou o 1-2 da ASM. Richard Antinucci terminou em terceiro. Na segunda prova, também depois de largar na pole-position, Peter Elkmann levou o carro da fraca Jo Zeller à vitória. A segunda colocação foi de Michael Herck, e Kobayashi completou o pódio. Entre os rivais, Di Resta mais uma vez se saiu melhor ao finalizar em quinto ante ao sétimo posto do companheiro.

Peter Elkmann

Peter Elkmann venceu de forma surpreendente em Brands Hatch

A metade do campeonato foi disputada no apertado circuito de Norisring. A pole-position ficou com Giedo van der Garde, mas o holandês perdeu a posição logo na primeira volta ao rodar. Sebastian Vettel caiu para quinto ao tentar se desviar do holandês, mas conseguiu se recuperar e terminar a prova no segundo posto, logo atrás do vencedor Di Resta. Jonathan Summerton completou o pódio. Na segunda corrida, Van Der Garde se redimiu do erro anterior e conquistou a vitória em um pódio que teve Kobayashi e Elkmann. Di Resta abandonou após um toque com Koba na 26ª volta, enquanto Vettel foi acertado por Buemi, o que rendeu uma punição ao suíço.

Antes de retomar o campeonato, vamos a uma pequena pausa. Sebastian Vettel foi convidado a participar de uma rodada da World Series by Renault pela Carlin, que tinha acabado de dispensar o americano Colin Fleming. A corrida seria em Misano, onde o alemão jamais chegou perto de colocar o pé. Evidentemente não era possível esperar muita coisa do piloto da F3, que, de fato, não conseguiu grandes resultados. Terminou a primeira corrida na segunda posição e venceu a segunda ao se aproveitar de uma desclassificação imposta a Pastor Maldonado.

O desempenho de Vettel foi tão bom, que a Carlin o chamou para mais uma corrida, em Spa-Francorchamps. Só que dessa vez o alemão se envolveu em um acidente e quase teve o dedão decepado por um detrito que o atingiu na batida. Como resultado, o piloto foi direto para o hospital, teve a mão salva pelos médicos e passou o resto do ano vendo corridas pela televisão.

Ok, não foi nada disso. Na semana seguinte à fatídica batida, Vettel terminou o Masters de F3, em Zandvoort, na sexta colocação mesmo com o dedo quase caindo (ok, exagero à parte, mas foi algo assim). O vencedor foi Paul Di Resta.

Mesmo rapidamente recuperado, havia uma dúvida se Sebastian Vettel teria condições de completar o ano em grande estilo. Afinal, o desempenho até então tinha sido irregular, e o piloto estava com um dedo severamente machucado. As respostas vieram na sexta rodada, em Nurburgring. Adivinha quem largou na pole-position. Sim! O dedão – e o resto do corpo – de Vettel! Na corrida, vitória de ponta a ponta do alemão, com Di Resta e Van Der Garde completando o pódio da ASM.

Sebastian Vettel

Sebastian Vettel foi agressivo desde o começo em Nurburgring

A segunda corrida em Nurburgring é uma daquelas que merecia entrar para a história do automobilismo. Mesmo largando em oitavo, Vettel começou a avançar posições uma a uma, mas ainda assim o alemão estava bastante longe do líder Kobayashi. A corrida seguiu com Koba na frente, seguido por Van Der Garde, Di Resta e Vettel (os quatro da ASM) até a 13ª volta, quando uma chuva torrencial atingiu a pista. O safety-car foi acionado e alguns pilotos optaram por ir aos boxes.

A prova recomeçou com a situação um pouco melhor. Tão logo o safety-car saiu, Di Resta foi para cima de Van Der Garde, tocando no companheiro de equipe e forçando o abandono do holandês. Com isso, Vettel já era o terceiro. Koba não conseguiu segurar os dois companheiros, que passaram a duelar pela vitória. Di Resta saiu-se vencedor, mas a direção de prova o puniu pelo toque com Giedo. Assim, Vettel se tornou o primeiro piloto a vencer as duas corridas de um mesmo final de semana na história da F3 com a regra do grid invertido. De quebra, o alemão estava somente seis pontos atrás de Di Resta na classificação.

Em Zandvoort, na sétima etapa, Paul Di Resta venceu a primeira corrida depois de largar na frente, enquanto Van Der Garde e Kohei Hirate completaram o pódio. Logo na largada, Sebastian Vettel acabou dando uma pequena decolada, mas nada que o impedisse de continuar na corrida. Caindo para último, o alemão até tentou se recuperar, mas acabou abandonando depois de mais um erro. Na segunda prova, disputada no domingo, 3 de setembro, a pista de Zandvoort amanheceu bastante molhada pela chuva que caíra durante a noite, mas começou a secar antes da corrida. Assim, alguns pilotos optaram por largar com pneus para pista seca. Um desses foi Sebastian Vettel, que partindo da 24ª colocação do grid de largada, cruzou a primeira volta em 12º e foi avançando antes de terminar apenas 0s6 atrás do vencedor Charlie Kimball, que também apostara em compostos para pista seca. O americano se tornou o primeiro piloto do país a vencer na história da F3, enquanto Kazuki Nakajima completou o pódio. Di Resta viveu um inferno astral próprio e finalizou em 24º.

A rodada de Barcelona não teve a mesma emoção que as provas anteriores. A ASM dominou o grid de largada com Di Resta, Van Der Garde e Vettel, mas foi Kohei Hirate quem assumiu a liderança na primeira volta. Aos poucos Vettel conseguiu ultrapassar os adversários até chegar à primeira posição. Hirate, por sua vez, terminou em segundo, após Di Resta receber uma punição por queimar a largada, enquanto Esteban Guerrieri completou o pódio. Na segunda corrida, Richard Antinucci venceu por conta do grid invertido e liderou a dobradinha americana com Charlie Kimball em segundo. Kazuki Nakajima foi o terceiro. Com a sexta colocação, Di Resta abriu quatro pontos de vantagem para Vettel no campeonato. O alemão abandonou depois de bater em Kobayashi.

Charlie Kimball e Sebastian Vettel

Sebastian Vettel tentou fazer o impossível em Zandvoort, mas terminou a corrida 0s6 atrás de Charlie Kimball

Em Le Mans, na penúltima rodada do campeonato, Giedo Van Der Garde conquistou a pole-position, mas o carro do holandês quebrou na volta de apresentação. Sébastien Buemi acabou herdando a posição de honra, mas, logo na largada, abandonou a corrida ao bater em Romain Grosjean, que partira em segundo. Paul Di Resta agradeceu os infortúnios alheios e conquistou a quinta vitória da temporada, seguido por Jonathan Summerton e Guillaume Moreau. Vettel foi nono. Na segunda corrida, Richard Antinucci se aproveitou do grid invertido para vencer, com Kimball terminando em segundo. O terceiro posto de Kohei Hirate impediu um pódio todo americano, pois Summerton concluiu em quarto. Di Resta foi sexto e Vettel, nono.

A decisão da F3 Euro Series ficou para a rodada final, novamente disputada em Hockenheimring. Di Resta tinha uma confortável vantagem de 15 pontos para Vettel, mas 17 pontos estariam em disputa. O final de semana não começou bem para o então piloto de testes da BMW Sauber, que viu o rival conquistar a pole-position e somar um ponto extra. Assim, Vettel precisaria repetir o desempenho de Nurburgring e vencer as duas provas sem que o adversário pontuasse.

Largando apenas em sétimo, Vettel rapidamente começou a abrir caminho até alcançar a segunda colocação na quinta volta. Um novo drive-through para Di Resta fez parecer que o título do alemão seria possível. Só que em perseguição ao líder Esteban Guerrieri, Vettel acabou cometendo um erro, permitindo a Sébastien Buemi assumir a segunda colocação. Sem mais mudanças de posição, o argentino venceu, seguido pelo suíço e por Vettel. Melhor para Di Resta, que mesmo terminando em décimo conquistou o título por antecipação.

Na última corrida do ano, Jonathan Summerton largou na pole-position e se tornou o primeiro novato a vencer na temporada 2006 da F3 Euro Series. Giedo Van Der Garde foi o seguindo e Buemi, o terceiro. O brasileiro Roberto Streit participou apenas da última rodada e conseguiu um sétimo e um quinto lugar (depois de largar na segunda posição). Di Resta comemorou o título com a sexta posição, enquanto Vettel acabou em 12º depois de uma rodada.

Paul Di Resta

Paul Di Resta acabou vencendo o título da F3 por 11 pontos em relação a Sebastian Vettel

No final, Di Resta campeão com 86 pontos, contra 75 de Vettel. Kohei Hirate terminou em terceiro, com 61, enquanto Guerrieri foi o quarto com 58. Richard Antinucci, Giedo Van Der Garde, Kazuki Nakajima, Kamui Kobayashi, Jonathan Summerton e Guillaume Moreau completaram os dez primeiros.

O título fez com que Di Resta fosse levado ao DTM pela Mercedes, onde conquistaria o título em 2010, antes de estrear pela Force India na F1. Curiosamente, em 2010 Vettel também conquistou um título – o da F1 – onde já corrida desde 2007 depois de passar por World Series by Renault. Hirate fez uma temporada de GP2 sem destaque pela Trident antes de voltar ao Japão. Guerrieri faria carreira na World Series antes de se dedicar à Indy Lights, onde Antinucci foi vice-campeão em 2008. O sobrinho de Eddie Cheever,porém, poucas chances teve na categoria principal. Nakajima avançaria GP2 e F1 antes de voltar ao Japão. Kobayashi faria mais um ano de F3 antes de subir para a GP2, enquanto Summerton até hoje busca onde correr. Moreau corre de Le Mans Series.

De forma curiosa, Paul Di Resta nunca se conformou por ter ido ao DTM. O escocês caiu na velha história de ficar mais próximo da Mercedes (e da McLaren), mas não recebeu nenhuma chance na F1 até 2009, quando participou de um treino dos novatos pela Force India depois de muito insistir por uma chance. O britânico foi bem, ganhou a vaga de piloto reserva e, hoje, é novato na categoria em que o antigo rival é o atual campeão.

F3 Alemã inicia 2011 com dobro do grid da ‘prima’ F3 Euro Series

abril 22, 2011
Richie Stanaway

Richie Stanaway é o favorito para a temporada 2011 da F3 Alemã..

Se o último final de semana marcou o início da temporada europeia do automobilismo com as rodadas inaugurais de campeonatos como a F3 Inglesa e a World Series by Renault, este sábado, dia 23, campeonatos mais atrasados, digamos assim, iniciam a temporada 2011. Um desses certames é a F3 Alemã cuja rodada de abertura acontece em Oschersleben.

A versão alemã da F3 tenta aos poucos se estabilizar como o principal campeonato da região conhecida como norte da Europa ao atrair pilotos vindos de campeonatos disputados na Alemanha, Áustria, Holanda, Bélgica, Finlândia, República Tcheca, Rússia e Suíça. Torneios esses como a ADAC Masters, que levou Richie Stanaway para a F3, além da F-Renault do Norte da Europa e F-BMW da Suíça.

Assim, grande parte dos inscritos para 2011 vem desses campeonatos. Mesmo que nomes anunciados durante o inverno europeu, como Daniel Aho – melhor finlandês entre Valtteri Bottas e Aaro Vainio – e Michael Lamotte – primeiro americano a ser campeão na Europa desde Scott Speed – não terem se confirmado, o grid segue bem forte. Além de Stanaway, pilotos como Patrick Schranner, Jeroen Mul, Sandro Zeller e Yannick Mettler aparecem como favoritos.

Hannes van Asseldonk, vindo da F-BMW europeia e da F-Abarth italiana, é quem corre por fora na disputa. Isso porque o jovem piloto irá correr pela fortíssima Van Amersfoort, que, vinda da Holanda, costuma dar chances a pilotos do país, embora aposte em um neozelandês – Stanaway – para o título de 2011.

Richie Stanaway

..mesmo assim Stanaway teve alguns contratempos na pré-temporada, como esse em Spa-Francorchamps

O principal nome para o novo campeonato, entretanto, é o de Tom Blomqvist, atual campeão da F-Renault britânica. Tom esnobou tanto a GP3 quanto a F3 Inglesa para correr na Alemanha pela também sueca Performance.

No entanto, a nova temporada da F3 Alemã merece destaque por dois motivos. O primeiro deles é a presença de Mikhail Aleshin na classe Light. Isso mesmo, o atual campeão da World Series by Renault, que chegou até mesmo a sondar uma ida para a F1 e ficou sem patrocinador mesmo depois de acertar com a GP2, aceitou correr por um campeonato menor nesse ano para não ficar parado. Algo bastante cruel, mas admirável em se tratando de um campeão.

O outro motivo é a presença de 23 carros na etapa de abertura. Quase o dobro dos 12 presentes na prova da F3 Euro Series, que praticamente compete nas mesmas pistas. Se antes o certame europeu era considerado o primo extremamente rico e famoso do alemão, hoje o certame da terra de Schumacher parece ensinar lições de como fazer para se reestruturar. Não é por acaso que durante a pré-temporada, a organização da Euro Series sondou sem sucesso diversas equipes, como a própria Van Amersfoort, além da HS Technik e da Performance, para um transferência.

Ainda que o campeonato alemão não tenha o mesmo destaque da própria categoria europeia ou da inglesa, parece ser o melhor caminho para os pilotos nascidos no norte do Velho Continente conseguirem dar o primeiro passo das carreiras.

Respirando por aparelhos, a F3 Euro Series inicia 2011

março 31, 2011

Daniel Juncadella

Mesmo com 12 carros no grid, acho curioso o patrocínio de Daniel Juncadella: "visite o Casaquistão". Lembro do Borat essas horas

A F3 Euro Series começa neste final de semana para talvez a pior temporada da história. Quando apenas 13 carros alinharam para a disputa do título, no ano passado, acreditavam que a categoria tinha chegado ao fundo do poço. Com apenas 12 inscritos esse ano, a situação não poderia ser pior.

A situação é bastante crítica, visto que a direção da categoria fez de tudo em 2010 para que o atual campeonato não fosse tão fraco quanto o anterior. Entretanto, nada deu certo. A ART Grand Prix, por exemplo, foi uma das pioneiras em tentar formar uma união entre os times para fortalecer o certame e evitar uma debandada ainda maior. Só que o time francês também foi o primeiro a pular fora depois de ter sido vencido facilmente pela Signature.

Com o grid encolhendo e a ameaça das grandes equipes irem para a F3 Inglesa, os times fecharam um pacto para tentarem inscrever três carros cada, além de as rodadas passarem a ser triplas em etapas que não sejam necessariamente preliminares do DTM.

Essas alterações trouxeram o interesse da Performance e da HS Technik, duas das principais equipes da F3 Alemã. No entanto, os dois times acabaram desistindo de se juntar ao certame europeu devido ao alto custo da temporada 2011 e pelas mudanças que são prometidas para 2012. Assim, não faria sentido gastar dinheiro agora para formar um time e ter que gastar novamente com o novo regulamento do ano que vem.

O resultado, evidentemente, é o grid enxuto de 2011. Se a Signature, por sua vez, inscreve quatro carro, Mücke e Prema têm apenas dois, além de três da Motorpark e um da novata STAR.

Daniel Abt

Daniel Abt é um dos poucos bons nomes em 2011. Entretanto, o alemão decepcionou na pré-temporada

Entretanto, os escolhidos para essas vagas deixam um pouco a desejar. Ainda que nomes como Daniel Abt e Felix Rosenqvist, sensações da última temporada da F3 Alemã, e Roberto Merhi estejam presentes, o restante do grid é preenchido pelos pouco conhecidos Marco Wittmann, Jimmy Eriksson, Kimiya Sato, Gianmarco Raimondo e Kuba Giermaziak.

A Signature, de Abt, Wittmann, Carlos Muñoz e Laurens Vanthoor é a favorita para conquistar o campeonato. Eu apostaria em Abt, mas ele não foi bem na pré-temporada. A lógica, então, coloca Vanthoor como principal piloto, afinal o belga está entrando no quarto (!) ano na F3.

A desafiante deve ser a Prema, de Merhi e Daniel Juncadella. Enquanto o primeiro entra no terceiro ano na categoria e deve ser a principal ameaça a Vanthoor, o outro é um segundanista, que impressionou na estreia, embora tenha sido excessivamente incostante. No restante do grid, apenas Rosenqvist, da Mücke, merece citação pois pode surpreender.

Apesar de não acreditar em determinismo nessas horas, a F3 Euro Series realmente parece ter sido morta pela criação da GP3. A organização da categoria mais antiga ignorou o fato de que os custos estavam se tornando muito elevados e a competitividade diminuía. Fora que fazer preliminar da DTM em algumas pistas alemãs não era exatamente o que os pilotos esperavam para o desenvolvimento.

Ver a categoria nessa situação é uma pena. Sendo que em 2005 – em próximos seis anos atrás – o certame contava com nomes como Lewis Hamilton, Adrian Sutil, Loic Duval, Giedo Van der Garde, Lucas Di Grassi, Paul Di Resta, Sebastian Vettel, Esteban Guerrieri, entre outros.

Um país dividido

abril 7, 2010

Jules Bianchi vence o campeonato da F3 Euro de 2009

Jules Bianchi exibe o domínio da ART na F3 Euro Series

Durante 25 anos, o Muro de Berlin dividiu a Alemanha em Ocidental e Oriental. Este país europeu parece estar habituado a viver segmentado. No dia 10 de abril, sábado, duas das principais Fórmula 3 do mundo começam a  temporada 2010: a Fórmula 3 Alemã e a Fórmula 3 Euro Series, que, apesar do nome, corre majoritariamente em solo germânico. Apesar de começarem no mesmo dia e correrem praticamente nas mesmas pistas, a realidade de ambas as categorias é distinta.

O certame europeu inicia a oitava temporada da história com um currículo invejável. Entre os sete campeões anteriores, um foi para a Indy, dois para o DTM e três passaram pela F1, fora Jules Bianchi, que correrá de GP2, mas faz parte do Ferrari Driver Academy. A categoria alemã não emplaca um piloto na principal categoria de monopostos desde Giorgio Pantano, vencedor de 2000. Embora entre 1987 e 1997, apenas os campeões Jorg Muller e Tom Kristensen não subiram à F1.

Enquanto na F3 Euro Series, de 2006 para cá, seis pilotos já alcançaram a F1, o campeonato alemão de 2009 viu apenas dez pilotos conseguirem completar toda a temporada pela equipe que a iniciaram, embora a metade tenha ficado na parte de baixo da tabela principalmente por serem pilotos pagantes de talento duvidoso, mas que mantiveram o assento, por não atravessarem problemas financeiros.

A situação começou a mudar no início de 2010. Das sete temporadas da categoria européia, seis foram vencidas por pilotos da ART Grand Prix. As demais equipes perceberam que ficou muito caro competir para perder e resolveram buscar novos ares em outros campeonatos, como a GP3 e a F3 Italiana. Assim, apenas 13 pilotos foram confirmados para a abertura do sábado. Pouco se comparado aos grid beirando 30 alguns anos atrás.

Laurens Vanthoor foi o campeão da F3 Alemã de 2009

Laurens Vanthoor comemora o título da F3 Alemã de 2009, mas o destino não o afastou da antiga categoria

Enquanto uma perdia equipes, a outra ganhava. No final de 2009, a equipe de Fórmula Renault e Fórmula 3, Motorpark Academy anunciou que também iria disputar o campeonato alemão (eles já competem no europeu), contando com o apoio da Volkswagen. O objetivo da equipe é claro: acabar com o domínio do time Van Amersfoort.

Pilotos e equipes do norte da Europa, viram na nova rivalidade criada a oportunidade de crescimento ao competir contra estes dois grandes times. Estão inscritos pilotos treze nacionalidade diferentes, incluindo o brasileiro Pipo Derani, além de três campeões de categorias locais em 2009: o israelense Alon Day, o sueco Felix Rosenqvist e o alemão Daniel Abt.

Curiosamente, apenas dois campeões estarão no grid da F3 Euro Series: o português Antonio Felix da Costa, que compete pela própria Motorpark Academy e o belga Laurens Vanthoor, atual campeão da F3 Alemã.

Aqui você pode ver os pilotos confirmados para o campeonato europeu, assim como a agenda. E aqui o mesmo valendo para o alemão.

É possível arriscar e dizer qual das categorias se dará melhor no final do ano? Melhor dizendo, pode dizer que haverá um vencedor?

Dia de treinamento

março 23, 2010

Pastor Maldonado em Pau

Pastor Maldonado foi o mais rápido, na GP2, com o carro da Rapax

Esta semana, de 22 a 26 de março, é decisiva para uma grande leva das categorias ao redor do mundo. Muitos campeonatos começam agora no mês de abril. Para se prepararem, nada menos que oito certames diferentes estiveram na pista nestes dois dias. O World of Motorsport faz o panorama de como foram esses treinos e o que podemos esperar para os campeonatos.

GP2- A principal categoria de acesso à F1 realizou os treinos coletivos em Pau Ricard. Diferentemente dos últimos testes, quando as equipes levaram vários pilotos, dessa vez quase todos os participantes estão confirmados no campeonato. Vale lembrar que as atividades vão até quinta-feira.

O mais rápido de hoje foi o venezuelano Pastor Maldonado da Rapax, time que comprou o espólio da Piquet GP. Aliás, a situação da equipe italiana lembra muito à da Brawn: desacreditada após uma péssima aparição na GP2 asiática, quando não somou nenhum ponto, marcou o melhor tempo da sessão, além do quinto lugar do brasileiro Luiz Razia.

Os favoritos não decepcionaram. Jules Bianchi, da ART, foi o segundo, a menos de um décimo do líder. Depois veio Giedo van der Garde, da Addax, e Jerome D’Ambrosio, da Renault F1 Jr Team (ex-DAMS). Entre os notáveis, Christian Vietoris foi sexto; Giacomo Ricci, sétimo; Oliver Turvey, décimo; Marcus Ericsson, 12º e Davide Valsecchi, campeão da GP2 Asia, terminou apenas em 17º. O outro brasileiro, Alberto Valério, da Coloni, foi o 20º entre 24 carros.

World Series by Renault – A categoria fez testes de motor, na segunda-feira dia 21, na pista francesa de Nevers Magny-Cours. O mais rápido foi o piloto da casa Nathanael Berthon, que substitui Bertrand Baguette, campeão de 2009, na Draco. Curiosamente, o outro piloto da equipe, o colombiano Julian Leal, foi o mais lento dos 17 carros presentes.

O monegasco Stefano Coletti, com um carro da Comtec, foi o segundo, dois décimos atrás do líder. Depois veio a dupla da Red Bull/Tech 1, formada por Daniel Ricciardo e Brendon Hartley, que tiveram que voar rapidamente para a Austrália porque são reservas das equipes RBR e STR de F1. Sorte que não sofrem tanto com o fuso horário, já que nasceram na Oceania.

Depois, destaque para Greg Mansell, filho do Leão, em quinto. Daniel Zampieri, do Ferrari Driver Academy, em sexto e Nelson Panciatici, da Lotus Junior em sétimo.

Fórmula 3 Euro Series Este campeonato, que sofreu com a debandada de vários times, realizou os testes em Valência. Surpreendentemente, os carros da ART não foram os mais rápidos em nenhum dia de teste. Ontem, dia 21, o mais veloz foi Laurens Vanthoor, atual campeão da F3 Alemã, com um carro da Signature. De qualquer forma, os melhores tempos foram obtidos hoje.

Quem liderou a última sessão foi o colombiano Carlos Muñoz, da Mücke, seguido pelo espanhol Daniel Juncadella, da Prema, e de Vanthoor. Depois, dois carros da ART, com Alexander Sims e Valtteri Bottas respectivamente. Detalhe para os treze carros terem sido separados por apenas oito décimos.

Jean-Eric Vergne em Silverstone

Jean-Eric Vergne novamente dominou os testes da F3 Inglesa

Fórmula 3 InglesaOs últimos testes livres seguem antes da abertura do campeonato em Oulton, no final de semana da Páscoa, estão sendo realizados em Silverstone. O dia começou com a curiosa mudança de Lucas Foresti da Hitech para a Carlin, que passará a alinhar seis carros. Comenta-se que o piloto do DF também participará da GP3.

O mais rápido no primeiro dia de treinos marcado pela chuva esparsa foi Jean-Eric Vergne, da Carlin / Red Bull. Depois veio o companheiro Rupert Svendsen-Cook e os favoritos Oli Webb e Adriano Buzaid. Hywell Lloyd, após anunciar a parceria da equipe CF com a Manor, marcou um ótimo quinto tempo.

Carlos Huertas foi o sexto, com um carro da Double R, James Calado cravou a sétima marca com outro Carlin e Felipe Nasr foi o oitavo, após andar entre os líderes pela manhã. Os brasileiros Gabriel Dias, Lucas Foresti e Pietro Fantin andaram no pelotão intermediário. O mais rápido da National Class foi Menasheh Idafar. Amanhã, o World of Motorsport vai detalhar melhor esses últimos dias de treino da F3 Inglesa.

Fórmula 3 Italiana – O certame italiano testou em Vallelunga, mas contou com apenas 16 presentes. Favoritos como o brasileiro César Ramos e o transalpino Andrea Caldarelli não foram à pista.

O mais rápido foi o monegasco Stephane Richelmi, da Lucidi. O companheiro Sergio Campana foi o segundo, seguido por Daniel Mancinelli (Ghinzani),  Francesco Castelacci (RC) e Gabby Chaves (Eurointernational). Vale a menção a Christopher Zanella, também vindo da F3 Euro Series, que andou em sexto. Uma posição depois veio Wayne Boyd, vindo da categoria inglesa.

Fórmula BMW – Outra categoria esvaziada. Os testes foram em Barcelona, mas nesta terça-feira, dia 22, choveu fazendo com que poucos pilotos se aventurassem.

Ontem, o mais rápido foi Robin Frijns, terceiro colocado no campeonato de 2009 e que dirige para a equipe de Josef Kaufmann. Depois veio Carlos Sainz Jr. e o americano Michael Lewis, da Eurointernational. Entre os notáveis, Daniil Kyvat andou em sexto, Facundo Regalia foi o oitavo e Jack Harvey, o nono.

Fórmula Abarth – O campeonato italiano, que conta com quatro brasileiros, foi à pista em Vallelunga. Sem surpresas, Raffaele Marciello, da JD, foi o mais rápido do dia. Depois veio a surpresa: a equipe Jenzer colocou três carros entre os cinco primeiros. Zoel Amberg (2º), Eddie Cheever (3º) e Mans Grenhagen (5º). Entre eles ficou o brasileiro Victor Guerin. Todos separados por oito décimos.

Entre os brasileiros, Francisco Weiler foi o 12º e Zeca Feffer andou em 17º e último, mas tomou apenas cinco segundos e meio do líder. Muito melhor que os dez atrás da segunda-feira. Henrique Martins não treinou.

Fórmula Renault Internacional – Apesar do nome, é mais uma categoria italiana. Vale o registro que o russo Maxim Zimin, da Jenzer, foi o mais veloz.

Fórmula 3 Euro esvaziada

março 17, 2010

Daniel Juncadella foi o segundo mais rápido em Barcelona

O espanhol Daniel Juncadella foi o segundo mais rápido nos testes em Barcelona

A Fórmula 3 Euro Series parece estar na derradeira temporada. Para quem se acostumou a ver grid com quase 30 carros, nos últimos anos, parece inexplicável que só há 13 pilotos confirmados até o momento para a temporada 2010. Os remanescentes estão em Barcelona para os primeiros testes coletivos da categoria.

“Ficou muito caro perder para a ART.” Este foi o argumento dos diretores de equipes para justificar a desistência do certame europeu. As equipes Carlin e Manor se mudaram para a GP3, enquanto SG Formula e Kolles & Heinz Union apenas deixaram a categoria. Mas hoje não teve ART na frente. O mais rápido foi o estreante Adrian Quaife-Hobbs da Motorpark Academy, que foi na contramão e resolveu apostar na F3 européia.

Em segundo veio outro estreante: Daniel Juncadella, que veio da F-BMW para a equipe Prema.  O primeiro carro da ART foi somente o terceiro, com o favorito Valtteri Bottas, seguido pelo colombiano Carlos Muñoz, da Mücke, e pelo português Antonio Félix da Costa, que também estreia pela Motorpark Academy.

Apesar de apenas 13 carros terem treinado, não podemos reclamar da competitividade. Os 12 primeiros estiveram separados por apenas oito décimos. O 13º foi o francês Nicolas Marroc, companheiro de Juncadella na Prema.

Segundo os anúncios feitos pelas equipes após a temporada 2009, ainda restam seis vagas na categoria. Uma na Mücke, outra na Prema e duas na HBR Motorsport e mais duas na Jo Zeller Racing. Dos três brasileiros que disputaram a temporada passada, apenas Tiago Geronimi ainda não anunciou planos para 2010. Pedro Enrique Nunes foi para a GP3, enquanto César Ramos migrou para a Fórmula 3 Italiana.

Presente de grego

janeiro 5, 2010

Entrevista do finlandes Valtteri Bottas

O futuro pode ser sombrio para Valtteri Bottas - Foto: Stella-Maria Thomas (F3 Euro)

Uma rápida curiosidade de hoje, envolvendo a Fórmula 3 Euro Series.

A categoria anunciou prêmios para os três primeiro colocados na temporada 2010. Eles vão participar de testes pela World Series by Renault. Além disso, o melhor piloto com motor Mercedes testará um carro da montadora no DTM, assim como o melhor Volkswagen testará um Audi.

A princípio, pode parecer um bom prêmio, mas é muito pouco se compararmos com o que categorias menores, como a Fórmula 3000 Euroseries ou a International Fórmula Master, oferecem. A primeira financiou uma temporada de GP2 pela equipe Coloni para o campeão de 2009, o britânico Will Bratt. Só que em raríssimas oportunidades a categoria chegou a ter mais que dez carros no grid.

A International Fórmula Master já ofereceu teste em GP2, Rolex GrandAm e, salvo engano, Fórmula 1 pela extinta equipe Honda.

O que torna a premiação da F3 Euro Series ainda mais descabida é se analisarmos o caminho seguido pelos três primeiros nas temporadas 2009, 2008 e 2007.

2009: O campeão Jules Bianchi assinou com a Ferrari, como piloto em desenvolvimento, e vai disputar a GP2 com a atual campeã ART Grand Prix. O segundo colocado, Christian Vietoris, deve ser confirmado pela DAMS na GP2, por quem disputa a versão asiática. A Genii, que administra a carreira do alemão, comprou parte da Renault e o nome de Vietoris foi ventilado na Fórmula 1. Valtteri Bottas já foi confirmado pela ART para a F3 Euro e é o favorito na temporada 2010.

2008: Nico Hulkenberg foi o campeão. O alemão venceu a GP2, em 2009, e foi confirmado como piloto da Williams. Edoardo Mortara, no ano passado, disputou a GP2 pela Arden International. O terceiro colocado foi Jules Bianchi, que permaneceu na categoria.

2007: Título de Romain Grosjean, que, em 2008, se mudou para a GP2. Após um ano e meio, subiu para a Fórmula 1, onde não conseguiu bons resultados. Sebastien Buemi foi o vice-campeão e seguiu caminho similar ao de Grosjean, porém chegou à Fórmula 1 após apenas uma temporada de GP2. Buemi já foi confirmado na Toro Rosso. Nico Hulkenberg foi o terceiro colocado.

Por outro lado, vendo os campeões da World Series by Renault,os resultados são menos expressivos. Álvaro Parente, campeão de 2007 chegou à Fórmula 1, como piloto de testes da Virgin, após duas temporadas de GP2. Giedo van der Garde, vencedor de 2008, vai disputar sua segunda temporada de GP2. Já Bertrand Baguette, atual campeão, pode ser anunciado como piloto da Sauber, provavelmente de teste.

Seria esse prêmio uma confirmação da decadência da Fórmula 3 Euro Series em 2010?


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