Posted tagged ‘Ferrari’

F1 2013 no Canadá

junho 4, 2013
Falando em Canadá, esse é Greg Moore correndo pela Mercedes

Falando em Canadá, esse é o saudoso Greg Moore correndo pela Mercedes

A F1 chega ao Canadá, neste fim de semana, para a disputa da sétima etapa da temporada 2013. Duas semanas após o GP de Mônaco, como não poderia deixar de ser, o principal assunto no paddock são os pneus. Entretanto, dessa vez, mais se fala da borracha fora que dentro das pistas.

O treino secreto que a Mercedes fez com a Pirelli após o GP de Barcelona ainda está repercutindo, com boa parte das equipes dizendo que a montadora alemã levou vantagem com a atividade. Ross Brawn, por sua vez, se diz confiante em não sofrer nenhuma sanção pesada e por isso espera o julgamento do Tribunal Internacional, que deve acontecer em duas semanas.

Dentro da pista, por outro lado, hoje não se falou dos pneus. Talvez pelo tempo frio e chuvoso em Montreal, as equipes não tiveram um desgaste acentuado da borracha, fora aquele já esperado. Por isso, é possível que algumas escuderias, principalmente aqueles que cuidam melhor dos pneus, apostem em uma tática de uma só parada no domingo.

Aí vai entrar em cena aquele velho gráfico de performance x número de paradas. Isto é, será que vai compensar para as escuderias fazer um único pit-stop e se arrastar pela pista de Montreal com os pneus desgastados, enquanto outros carros vão poder fazer uma parada a mais, colocar compostos novos e andar muito mais rápido?

Levando em conta o GP do ano passado, eu diria que a segunda opção tem mais chances. Como há muitos pontos de ultrapassagem em Montreal, talvez seja melhor para algumas equipes colocarem o pneu novo faltando entre dez e 15 voltas e sair ultrapassando todo mundo. Foi isso o que Sergio Pérez e Romain Grosjean fizeram no ano passado, e eles terminaram no pódio.

Além disso, há sempre o risco de o safety-car dar as caras em Montreal. Pela proximidade do muro em alguns pontos, além das tangências fechadas na curva 2 e no hairpin, é sempre normal acontecer algum salseiro por lá. E nesta F1 com pneus Pirelli é sempre inteligente ir aos boxes quando o carro de segurança é acionado. Afinal, mesmo que um piloto perca uma ou outra posição, ele terá pneus mais novos para não só recuperar esses postos como também passar outros adversários, já que o pelotão ainda vai estar compacto.

A1 GP do Canadá

A1 GP do Canadá

Falando em parada nos boxes, como curiosidade, a Marussia vai aposentar o tradicional ‘pirulito’, aquela plaquinha que as escuderias usam para liberar o piloto após o pit-stop. Assim como diversas equipes, os russos vão usar o farol automático a partir deste fim de semana. É que eles têm uma parceria com a McLaren e ganharam o semáforo antigo do time inglês.

Ainda sobre a McLaren, nunca é bom desconsiderar as chances de vitória de Jenson Button e Sergio Pérez em Montreal, principalmente se chover e tivermos uma corrida maluca. Entretanto, no caso de pista seca, o duelo deve mesmo ficar mais uma vez entre a Ferrari e a Red Bull, enquanto o rendimento da Mercedes vai depender de como eles tratarem os pneus

Outro detalhe interessante dessa prova é ver como os novatos vão se sair. Montreal é conhecida por ser uma pista em que os pilotos jovens têm maior dificuldade, já que eles praticamente não andam por lá enquanto estão nas categorias de base. Por isso, ainda precisam se adaptar.

Por fim, vale uma estatística interessante para o fim de semana. Desde 2005 o Muro dos Campeões faz ao menos uma vítima por ano, com exceção de 2008. No ano passado, foram Pastor Maldonado e Bruno Senna que ficaram por lá. Quem será dessa vez? Nos treinos, quem mais passou perto foi Fernando Alonso, mas o espanhol da Ferrari conseguiu frear e segurar o carro. Aliás, você pode clicar aqui e ver todas as vítimas do lendário Muro.

Para terminar, preciso fazer um desabafo. No último GP, apostei em vitória de Romain Grosjean em Mônaco. Aí o cara bateu quatro vezes durante o fim de semana. Quatro. Tá louco viu. Por isso, dessa vez meu palpite é um pouco mais conservador. Vitória de Sebastian Vettel, seguido por Fernando Alonso e Sergio Pérez. E o qual é o seu?

Confira os horários do fim de semana em Montreal:

Treino livre 3: 11h, no sábado
Treino classificatório: 14h, no sábado
Corrida: 15h, no domingo

F1 2013 na China

abril 8, 2013
Yao Ming foi o maior piloto de F1 da história da China. Ok, ele não foi um piloto, mas ainda assim foi o maior

Yao Ming foi o maior piloto de F1 da história da China. Ok, ele não foi um piloto, mas ainda assim foi o maior

Depois de duas semanas de folga, a temporada 2013 da F1 retorna para o GP da China, neste fim de semana. Em uma época não muito distante, quando os pneus Pirelli e a asa traseira móvel ainda não existiam, teríamos apenas motivos para lamentar a etapa de Xangai, visivelmente menos emocionante que as de Sepang.

Porém, desde a chegada dos novos artifícios, os chineses têm visto corridas mais emocionantes, graças à enorme reta do traçado. De qualquer forma, sempre há exceções. No ano passado, por exemplo, a Mercedes foi tão dominante, que só não conseguiu a dobradinha, pois um dos mecânicos errou na hora de prender a roda de Michael Schumacher em um dos pit-stops.

O problema é que desde então a escuderia prateada não fez mais nada na F1. Com problemas para fazer o DRS duplo funcionar, o time não conseguiu repetir bons resultados em 2012. Depois, eles mudaram o foco para a atual temporada, mas ainda parecem estar em um segundo escalão, atrás de Lotus e de Red Bull.

Além disso, eles ainda estão sendo obrigados a administrar crises internas. Há três semanas, em Sepang, Rosberg deixou claro que não está satisfeito com a função de segundo piloto. Nas voltas finais daquela corrida, mesmo mais rápido, o alemão foi proibido pela Mercedes de ultrapassar o companheiro de equipe, Lewis Hamilton. Após a prova, o germânico reclamou, bufou e disse que é bom a escuderia, no futuro, lembrar o que havia se passado.

De qualquer forma, essa não é uma situação exclusiva da montadora alemã. Ainda mais pressionada está a Red Bull, onde Sebastian Vettel realmente desobedeceu à instrução da equipe e deixou Mark Webber para trás nas voltas finais de Sepang. Após toda a confusão, o time austríaco já disse que não deve renovar o contrato do australiano, mas também cogita acabar com o jogo de equipe.

Provavelmente nada deve acontecer, mas será interessante ver até aonde os ecos de Sepang vão chegar nesta temporada.

A1GP da China

A1GP da China

Ainda falando sobre as equipes grandes, Ferrari e McLaren também têm bons motivos para se preocupar. A escuderia italiana, por exemplo, tem visto Fernando Alonso tomar tempo constantemente de Felipe Massa, principalmente em uma única volta rápida. Não há dúvidas de que o espanhol é o concorrente ao título de Maranello, mas é questão de tempo para que o sinal amarelo se acenda por lá.

Por outro lado, Massa ainda está com problemas em fazer os pneus durarem, como ficou mostrado no GP da Malásia. Na última corrida, o brasileiro foi obrigado a fazer uma parada a mais, nas voltas finais, tamanha a degradação dos compostos. Essa situação deve se amenizar na China, onde as temperaturas – e consequentemente o desgaste – são menores que na Malásia. Ainda assim, a Ferrari vai precisar trabalhar para encontrar o ponto ótimo no desempenho do brasileiro, descobrindo quando ainda é vantagem ficar com pneus antigos e a partir de onde é melhor colocar compostos novos.

Por fim, a equipe inglesa mais uma vez começa uma temporada com um equipamento pouco competitivo. Desde 2009 – o que nem faz tanto tempo assim – já é a terceira ou quarta vez que os carros prateados não conseguem acompanhar o ritmo dos mais rápidos no início do campeonato, obrigando os engenheiros de Woking a mostrar o poder de reação.

Não tenho dúvidas de que Jenson Button e Sergio Pérez ainda vão brigar por pódios e vitórias em 2013, o problema é quando isso vai acontecer. Se a reação da McLaren demorar muito, qualquer chance de título pode ir embora. E como o time britânico já fala em ignorar 2014 e começar a trabalhar no carro de 2015 (quando terá o motor Honda), abrir mão do atual campeonato não é a melhor escolha.

Dentre as equipes do meio e do fim do pelotão, Caterham e Williams vivem as situações mais delicadas. Com desempenho abaixo do esperado nas duas primeiras corridas do ano, os dois times já admitem que precisam de atualizações para dar a volta por cima. O problema é que, como a F1 ainda está na Ásia, as novas peças só devem chegar para o GP de Barcelona, quando 20% do campeonato já vai ter ido embora. E, obviamente, as outras equipes não vão estar de braços cruzados enquanto elas trabalham.

Para encerrar, meu palpite – furado – para o GP da China é mais uma vitória de Sebastian Vettel, com Alonso e Lewis Hamilton completando o pódio.

Confira os horários do GP da Malásia de 2013:

Treino livre 1 – 23h quinta-feira
Treino livre 2 – 3h sexta-feira
Treino livre 3 – meia-noite sábado
Treino Classificatório – 3h sábado
Corrida – 4h domingo

O que aprendemos com o GP da Malásia de F1?

março 28, 2013
Mark Webber mostrando como está feliz com Sebastian Vettel

Mark Webber mostrando como está feliz com Sebastian Vettel

Já se passou uma semana praticamente do polêmico fim de GP da Malásia, quando Sebastian Vettel desobedeceu a um acordo da Red Bull e ultrapassou Mark Webber nas voltas finais. Assim, passado o período de reflexão, resta perguntar o que aprendemos desde então? Acho que não muita coisa.

A maior lição que tiramos é que na F1 vale a máxima de que uma mentira contada várias vezes se torna uma verdade.

A principal mentira até agora é que é totalmente normal haver um acordo nas ultimas voltas para que dois pilotos de uma mesma equipe mantenham as posições e não duelem na pista. Em Sepang, isso não só aconteceu na Red Bull, mas também na Mercedes, onde Ross Brawn — sempre ele — impediu que Nico Rosberg passasse Lewis Hamilton pelo terceiro lugar.

Só que isso não deveria ser algo normal. É uma deformação do esporte criada pelas equipes, com a suposta justificativa de evitar desgaste do equipamento no fim da corrida, além de um eventual abandono duplo em caso de um acidente.

Mas em qual outro esporte acontece algo parecido? Será que no futebol há algum acordo para que o time que estiver na frente aos 30 minutos do segundo tempo saia vencedor? Com isso, o técnico poderia até poupar alguns jogadores. É algo que faz sentido na realidade brasileira, com os times precisando jogar toda quarta e domingo.

Ou então podemos falar de outro esporte de velocidade, como a natação. Talvez possa haver um pacto entre os atletas de quem fizer a última virada na frente será o vencedor. Dá para argumentar que são situações diferentes, pois na F1 acontece entre pilotos da mesma equipe, enquanto nessas modalidades seriam entre adversários.

Ok, mas o que me impede de montar uma equipe de natação e contratar quatro ou cinco atletas de ponta e propor algo assim entre eles. E quem garante que isso nunca aconteceu? Faria sentido pensar em algo assim em uma seletiva, por exemplo, para que um atleta se poupasse durante as eliminatórias de olho na decisão.

Uso essa mensagem de Webber para expressar o que penso sobre esses jogos de equipe

Uso essa mensagem de Webber para expressar o que penso sobre esses jogos de equipe

Só que isso não é esporte. A definição esportiva determina que o vencedor é o mais capaz durante todo o período de disputa. E se Webber tivesse ganhado na Malásia não seria isso p que teríamos visto. Esse acordo que existe é um assalto. Você assiste à corrida achando que ela vale até o fim, mas na verdade já há um pacto pelo vencedor.

A segunda mentira é que a Red Bull está muito desapontada com a atitude de Vettel. É claro que não estão. Webber é muito lúcido ao dizer que a equipe vai proteger o alemão. Prova disso é que o australiano deixou o GP da Malásia dizendo que iria rever a carreira e poderia deixar a equipe austríaca.

A resposta veio nesta quarta-feira, dia 26, quando o jornal alemão Bild disse que a equipe decidiu não renovar com o veterano para a próxima temporada. Coitado, que mal ele fez? Tudo o que queria era tentar vencer uma corrida, mas acabou usurpado nas voltas finais.

E a última mentira é que as pessoas, espectadores inclusive, se importam com jogo de equipe. Claro que não. Talvez se importem quando é um brasileiro envolvido, tendo que abrir mão de posição para um companheiro de equipe. Quando não tem um piloto do país, as justificativas das equipes até que parecem razoáveis não é mesmo?

Afinal, qual a diferença entre pedir para um piloto ceder uma posição e para outro não ultrapassar. Será que existe uma escala de desonestidade esportiva na F1? Assim, a Red Bull é mais boazinha que a Ferrari porque infringiu apenas algumas regras? Acho que não.

Para mim, embora já tenha lido que essa é uma opinião ingênua no meio da F1, os princípios do esporte devem ser respeitados. Só que não são quando a Ferrari rompe o lacre de Felipe Massa para beneficiar Fernando Alonso, ou obriga Rubens Barrichello a ceder a primeira posição. E também não são quando a Red Bull até cria um nome bonitinho – Multi21 – para manipular o resultado de uma prova.

Luzinhas de Natal da F1

dezembro 24, 2012
Alguém poderia dizer que a Ferrari de Lego teria um desempenho melhor nas pistas

Alguém poderia dizer que a Ferrari de Lego teria um desempenho melhor nas pistas

É engraçado como o Natal significa coisas diferentes para as pessoas. Na F1, por exemplo, é uma das poucas épocas do ano em que os pilotos têm para descansar, esquecer um pouco a preparação física e relaxar pensando em começar a nova temporada com as baterias recarregadas.

No caso deles, é até curioso ver como estão na contramão das outras pessoas. Geralmente, nessa época do ano, todo mundo quer viajar para aproveitar as festividades curtindo algum lugar distante. Já tudo o que os pilotos querem é voltar ao país natal e passar alguns dias com a família e com os amigos, principalmente depois de encarar viagens ao redor do mundo durante o ano todo.

Para mim, o Natal agora é bem diferente de antes. Quando era pequeno, tudo o que eu queria saber era de ganhar presente. Imagino que com toda criança fosse assim. É claro que eu gostava de estar com toda a família reunia, mas naquela época a gente se via várias e várias vezes durante o ano, então o fim de ano não era assim tão especial.

Bom, as coisas mudaram um pouco. Agora eu praticamente só tenho contato com a família – tirando meus pais – duas vezes por ano. Uma no Natal e a outra no Ano Novo, então já faz algum tempo que eu não a vejo.

De qualquer forma, para falar a verdade, a época de ganhar presentes era bem mais legal. Por isso, como eu sou muito legal, trouxe algumas lembrancinhas natalinas para você, leitor.

A primeira é a Ferrari de Lego que abre este post. Em um evento de marketing da Shell, em setembro, a empresa holandesa exibiu uma réplica do equipamento usado por Felipe Massa e por Fernando Alonso montado pelas tradicionais pecinhas. Quem sabe se o espanhol tivesse usado esse carro, ao invés do titular, ele não teria conseguido superar Sebastian Vettel e ser campeão do mundo?

Bom, se não desse certo, ao menos seria muito mais fácil desmontar o lacre do câmbio do carro do brasileiro para ganhar algumas posições no grid dos Estados Unidos. Seria só tirar umas pecinhas.

Aliás, montar carros de Lego é algo bastante comum no automobilismo. Volta e meia alguém acaba fazendo. No Natal de 2010, eu escrevi sobre um cara que montou uma réplica das 500 Milhas de Indianápolis, que você pode clicar aqui para relembrar, eu recomendo.

Para encerrar e deixar você se empanturrar com a ceia, o segundo presente é a decoração de Natal da F1. Nada melhor que as tradicionais luzinhas (pisca-pisca) com uma temática do esporte a motor. Ah, antes disso, um feliz Natal para você.

grid

Para entender Hamilton na Mercedes e Pérez na McLaren

setembro 28, 2012

Lewis Hamilton trocou a McLaren (carro à direita dele) pela Mercedes (à esquerda)

Que dia! Se você gosta de F1, esta sexta-feira, 28, foi um dia e tanto em termos de notícias. Primeiro a Mercedes anunciou a contratação de Lewis Hamilton para a vaga de Michael Schumacher. O inglês assinou contrato de três anos e vai receber apenas US$ 100 milhões por esse período.

Depois, foi a vez de a McLaren agir e confirmar a chegada de Sergio Pérez como substituto do inglês em 2013. Como é de praxe da equipe britânica, eles não anunciaram o tempo de contrato nem o valor do acordo com o mexicano, se limitando a dizer que será válido por muitos anos.

Assim, nesse momento, naturalmente surgem algumas dúvidas. A primeira delas é o que fará Michael Schumacher? Se a dupla da Mercedes em 2013 será Hamilton e Nico Rosberg, o heptacampeão sobrou. Então, ele vai novamente se aposentar? Vai mudar para a Ferrari? Para a Williams?

A segunda é quanto ao futuro de Lewis Hamilton. Será que o britânico vai conseguir repetir o bom desempenho na equipe germânica, que em três anos de F1 ainda não desenvolveu um carro minimamente competitivo? E a terceira diz respeito a Pérez. Será que o mexicano é mesmo todo esse prodígio que dizem ser?

Nenhuma dessas respostas teremos agora. A maioria delas, aliás, só será respondida no ano que vem. Entretanto, essa sexta-feira conseguiu desatar alguns nós no rolo que é a F1.

Uma análise que tem sido relativamente feita à exaustão nessas últimas horas aponta uma espécie de chapéu da McLaren na Ferrari. Isto é, assinando com Pérez, a equipe inglesa teria conseguido roubar um piloto que estava sendo preparado por Maranello para ser a aposta deles para o futuro. Vale lembrar que o mexicano fez parte da Academia da Ferrari e era figura constante em treinos e em testes da equipe italiana.

Sergio Pérez era nome quase certo na Ferrari, mas…

Porém, isso é mentira. A McLaren não roubou ninguém. Se a Ferrari realmente tivesse Pérez como sua aposta para o futuro, não faria o menor sentido para ela não fazer o possível – e o impossível – para mantê-lo em Maranello. Também não daria para falar que os ingleses teriam feito uma proposta irrecusável ao mexicano que a Ferrari não conseguiu igualar. Oras, se Hamilton deixou o time de Woking por não concordar com a proposta salarial, como eles poderiam seduzir Pérez financeiramente a ponto de o mexicano deixar a Itália?

A verdade é que a Ferrari não fez o menor esforço para contar com o mexicano nos próximos anos, por isso ele foi embora. Dessa forma, a Ferrari liberou Pérez já de olho em um grande prêmio, na verdade, o maior de todos: Sebastian Vettel.

Quem anda pelo paddock da F1 já ouviu um rumor de que o alemão teria um pré-contrato assinado para correr pela equipe italiana a partir de 2014, levando em conta que o vínculo com a Red Bull termina ao final próximo ano. Bom, eu não ando pelo paddock, então não sei nada disso, mas copio aqui o que o jornalista Will Buxton, do canal Speed norte-americano e narrador oficial da GP2 e da GP3, escreveu em seu blog esses dias.

“A Ferrari, entretanto, não tem necessidade real de substituí-lo porque ela precisa esperar apenas um ano para a chegada de um novo piloto. Esse piloto será Sebastian Vettel, e ele correrá pela Ferrari em 2014. Esse é um desses segredos amplamente conhecidos no paddock, assim como todos sabiam de Robert Kubica. A Ferrari não age no calor do momento. Ela faz pré-contratos com ao menos 18 meses de antecedência. E Vettel deve ter assinado um desses acordos”.

Essa análise faz todo sentido. Por que a Ferrari manteria Felipe Massa para 2013 – se é que vai mantê-lo – e ainda deixando Sergio Pérez ir embora? Certamente não é porque ela acredita no brasileiro. É porque já está de olho no futuro. Assim, a partir de 2014 possivelmente teremos Vettel e Alonso dividindo os carros vermelhos. Agora a gente entende por que tantas vezes o alemão da Red Bull já foi obrigado a responder sobre dividir uma equipe com Alonso.

Poderemos ver Sebastian Vettel vestindo vermelho Ferrari a partir de 2014

Se esse rumor estiver correto, há uma peça que não se encaixa nessa história toda: a Academia da Ferrari. Por qual razão a Ferrari teria gastado milhões, nos últimos anos, para desenvolver Pérez e Jules Bianchi se no momento em que abre uma vaga de titular o escolhido é um atleta de outra equipe?

A resposta é simples. É isso o que ela sempre faz. Montadoras como a Ferrari, a McLaren e a Mercedes têm muito dinheiro. Eles podem apontar o dedo para alguém na F1 e escolher com quem vão correr. Esses times jamais precisaram de programa de jovens pilotos para se fortalecer, mas a chegada de Lewis Hamilton – naquela história de um dia ter falado a Ron Dennis que ia competir por sua equipe – e a descoberta de Sebastian Vettel mudaram a percepção das escuderias. Na pressa por descobrir um novo fenômeno das pistas, acabaram criando esses programas.

Hamilton ainda teve toda a sorte do mundo de chegar à F1 em um momento em que havia duas vagas abertas na McLaren. Assim, a equipe inglesa pôde contratar Fernando Alonso – então atual bicampeão – e dar chance a um novato. Mas isso certamente é a exceção. Dificilmente uma escuderia de ponta terá dois postos em aberto nos próximos anos, portanto esses jovens pilotos terão cada vez menos chances. Quando há apenas uma vaga disponível por qual razão escolheriam um novato do programa se podem ter qualquer um do grid?

Assim, as equipes da F1 acabam lidando de formas diferentes com esses programas. Um dos motivos da Renault ter deixado a categoria foi a cobrança de resultados em razão de todo o dinheiro investido pela empresa. Foi por isso, também, que apenas Fernando Alonso conseguiu ser firmar entre os pilotos da Renault Junior. De resto, Heikki Kovalainen, Nelsinho Piquet, Lucas Di Grassi e Romain Grosjean tiveram pouquíssimas chances de mostrarem resultados e acabaram sacados após uma única temporada em média.

Quem melhor conseguiu lidar com tudo isso foi a Red Bull. Em 2005, quando a equipe propôs aquele rodízio entre Christian Klien e Vitantonio Liuzzi na vaga de titular e, obviamente, não deu certo, a equipe austríaca entendeu que a única forma de ter sucesso nessa peneira de jovens talentos é dar tempo a eles se desenvolverem. Foi por isso que o time se separou em dois: a Red Bull principal e a Toro Rosso, que serve como maturação dos seus pilotos.

Por isso, Sebastian Vettel e Mark Webber tiveram toda tranquilidade do mundo nesses últimos anos para conquistarem o bicampeonato da F1, enquanto Helmut Marko ficou responsável por comandar o futuro da equipe levando os jovens talentos até a Toro Rosso e, se provarem que são bons o bastante, promovendo-os para o time principal.

Apesar disso, no final das contas, os programas de Red Bull, McLaren e Ferrari não são tão diferentes. A grande maioria dos pilotos que passarem por eles jamais terão chances nas escuderias principais. Os rubro-taurinos ficam mais em evidência porque eles, sim, conseguem subir à F1 ainda pela Toro Rosso. Os demais apenas vão alimentar alguma esperança de estar no lugar certo e na hora certa como aconteceu com Hamilton na estreia na F1.

Mercado de pilotos da F1 2013 – parte 1

agosto 18, 2012

Sebastian Vettel está de olho no mercado de pilotos de 2013 para saber quem serão seus adversários

Aproveitando as férias de verão da F1, a partir de hoje, o World of Motorsport inicia uma série especial retomando o que aconteceu nessa primeira metade de temporada. Para isso falo de cada equipe e onde elas se encontram no mercado de pilotos para 2013.

Além de citar onde cada equipe se encontra no mercado de pilotos para a próxima temporada, também farei algumas análises sobre esse troca-troca de lugares. Nesta primeira parte, veja como Red Bull, McLaren e Ferrari passaram pelas primeiras corridas do ano e como essas equipes já planejam a próxima temporada.

Red Bull

A Red Bull está oficialmente fora do mercado de pilotos para 2013. Como Sebastian Vettel tem contrato até 2014<<, restava apenas a segunda vaga na equipe. No entanto, no início do ano, o time anunciou a renovação de Mark Webber por mais uma temporada, o que acabou com qualquer possibilidade de mudança na escalação.

Na verdade, a dupla de pilotos da RBR era o menor dos problemas. A equipe sabe que houve uma queda de rendimento do carro em 2012 – principalmente se levado em conta o domínio no último campeonato –, e o tricampeonato já está ameaçado.

Além disso, os rubro-taurinos também vivem em crise dentro do programa de jovens pilotos. Por mais bem conceituado que o Red Bull Junior Team seja, seus integrantes não estão vivendo um bom momento neste ano. Lewis Williamson já foi demitido para a chegada de Antonio Félix da Costa, enquanto Carlos Sainz Jr, Stefan Wackerbauer e Alex Albon não devem conquistar taça nenhuma na atual temporada.

Como isso atrasou o planejamento da turma de Helmut Marko, substituir Mark Webber seria criar mais um problema, já que seria necessário subir um garoto da Toro Rosso sem nenhuma experiência e, para piorar, não teria ninguém para ocupar essa vaga aberta na escuderia italiana.

Portanto, a permanência de Webber significa que, ao menos por enquanto, a Red Bull estará focada em corrigir todos os outros problemas.

A Red Bull vai continuar com Sebastian Vettel e Mark Webber por mais um ano

McLaren

A McLaren também não deve mudar seus pilotos na próxima temporada. No ano passado, Jenson Button assinou um longo contrato com a escuderia inglesa, enquanto Lewis Hamilton deve também acertar a permanência na equipe. Um site italiano afirmou que o piloto já acertou um pré-contrato para ganhar 25 milhões de EUROS nos próximos cinco anos, mas o valor me parece bastante exagerado, pois é cerca de 30% do atual salário.

De qualquer forma, Hamilton não deve sair da equipe. Mesmo o inglês sendo o mais badalado entre os free-agents (sem contrato para 2013), não há uma equipe que possa recebê-lo. A Lotus já fez uma sondagem, mas é muito difícil que o britânico aceite correr por um time sem vitórias desde 2008.

As outras opções seriam a segunda vaga na Ferrari como companheiro de Fernando Alonso – um verdadeiro suicídio profissional – ou substituir Michael Schumacher na Mercedes, caso o heptacampeão deseje se aposentar novamente no final da temporada. O problema é que a montadora alemã já afirmou que deseja rever a participação na F1 em 2014. Ou seja, eles não devem estar dispostos a arcar com um contrato pesado como o de Hamilton se sequer têm certeza de continuar no certame.

Calma, Massa! A Ferrari não ter pego sua opção não quer dizer que você está fora da equipe

Ferrari

Falar da Ferrari é meio difícil, já que meio grid já foi especulado na vaga de Felipe Massa. Apesar disso, o brasileiro tem se mantido firme e forte na escuderia. Na realidade, as chances de substituição são pequenas porque não há um piloto pronto na F1 para substituir o brasileiro.

Nos últimos anos, o grid da F1 envelheceu de uma forma que os pilotos mais experientes já estão nas principais equipes. Consequentemente, os times intermediários ficaram a cargo de jovens tentando mostrar trabalho. Assim, nos três últimos anos, a F1 foi dominada sempre pelos mesmos pilotos, enquanto as equipes médias não tiveram oportunidade de mostrar resultado.

Agora, as grandes escuderias precisam renovar os planteis, mas não há pilotos para isso. É verdade que Sergio Pérez, Kamui Kobayashi, Nico Hülkenberg e Paul Di Resta conseguiram algum destaque, mas eles ainda são muito inexperientes para assumir um carro de ponta.

Assim, a conta que a Ferrari faz é a seguinte. Com Massa está ruim, mas até um desses garotos pegar o jeito vai continuar ruim. Só que o brasileiro é bem quisto por todos na escuderia e também pelos patrocinadores. Então, substituí-lo talvez não seja a melhor solução.

Para terminar a Ferrari, recentemente saiu a notícia de que a escuderia deixou passar o prazo para da opção de renovação do brasileiro. Isso é normal. É uma forma de a Ferrari assumir oficialmente que pensa em contratar outro piloto e, ao mesmo tempo, dizer a Massa que ele pode procurar outra equipe. Como ainda estamos em agosto, ele tem muito tempo para se arrumar para 2013.

Só que tudo isso não significa que Massa está fora da Ferrari na próxima temporada. Se o próprio piloto já admitiu que precisa melhorar o rendimento para permanecer na equipe, nada mais natural que esperar ao máximo para tomar alguma decisão. Assim, passou-se o prazo para renovar o contrato automaticamente, mas a Ferrari segue de olho no desempenho do piloto pensando na próxima temporada.

O novo prodígio da Ferrari

junho 5, 2012
Raffaele Marciello

Não há muitas dúvidas de que Raffaele Marciello é bom piloto, mas será bom o suficiente para um dia correr pela Ferrari na F1?

A Ferrari nunca foi conhecida por revelar jovens pilotos para a F1. Pelo contrário. Nos últimos anos, a equipe ficou marcada por negociar de forma agressiva com os competidores e pagando o que fosse necessário para contar com os atletas que quisesse. Dessa forma, o time trouxe Michael Schumacher, Kimi Raikkonen e Fernando Alonso.

Por isso, até foi uma surpresa a Ferrari ter anunciado em 2010 a criação de um programa para jovens pilotos, a Ferrari Driver Academy.

No entanto, a postura da escuderia não foi tão diferente. O time até montou um plantel recheado de jovens italianos e garotos promissores que estavam deixando o kart, mas os principais nomes – Jules Bianchi e Sergio Pérez – praticamente foram contratados, já que a equipe italiana praticamente não teve participação no desenvolvimento deles como pilotos.

Assim, enquanto Pérez e Bianchi chegavam à F1, os demais garotos da Academia da Ferrari sofriam para mostrar resultado. Após apenas um ano, Mirko Bortolotti e Daniel Zampieri foram cortados do programa. Já Raffaele Marciello e Brandon Maisano, mesmo com o título da F-Abarh de 2010, tiveram uma temporada para esquecer na F3 Italiana, no ano seguinte, onde não só ficaram longe da disputa pelo título como também perderam a batalha do novato do ano para o americano Michael Lewis.

Só que as coisas mudaram em 2012. Ao que tudo indica, Marciello finalmente parece ter pegado a mão do automobilismo. Depois de um desempenho decepcionante na Toyota Racing Series, no início do ano, o piloto vem surpreendentemente vem conseguindo bons resultados na F3 Euro Series. Aliás, mais do que isso, o garoto de apenas 17 anos se tornou o piloto dominante do certame.

Das últimas dez corridas disputas, o italiano venceu seis, sendo que apenas um triunfo em Hockenheimring aconteceu na corrida curta, com o grid invertido. O desempenho do piloto é tão bom que ele não tem se importado com o regulamento. Em Pau, quando a F3 Europeia correu segundo as regras da F3 Inglesa, Marciello venceu com facilidade as duas corridas e deu início à arrancada. Na sequência, foram dois triunfos nas corridas principais em Brands Hatch, além de mais uma vitória no Red Bull Ring, em Zeltweg.

Raffaele Marciello

O surgimento de Marciello também coincide com a saída dos pilotos italianos da F1

Enquanto isso, Marciello também se mostrou um piloto mais maduro, já que apenas nas corridas na França ele largou na pole-position. Nas demais, o garoto soube esperar os erros dos adversários para contabilizar as vitórias.

E a tática tem dado certo. Por exemplo, nesse tempo todo, ninguém falou de Carlos Sainz Jr. O piloto da Red Bull, favorito absoluto ao título da F3 Inglesa e um dos nomes mais badalados das categorias de base, esteve em todas essas corridas, mas sequer subiu ao pódio. Ou seja, nesse primeiro duelo entre Ferrari e RBR, os italianos parecem ter levado a melhor.

Por outro lado, o bom desempenho de Marciello ainda gera alguma desconfiança. Da mesma forma que o garoto apareceu praticamente do nada para dominar a F3 Europeia, ele também pode desaparecer caso enfrente uma sequência de maus resultados. Mas supondo que o piloto consiga manter a boa fase na carreira, aí fica uma dúvida: será que a Ferrari está preparada para lidar com um prodígio em seus domínios?

Em algum momento, Marciello vai completar seu desenvolvimento como piloto. Se tudo der certo, daqui uns dois ou três anos, a expectativa é ver o piloto chegar à GP2 e começar a brigar por vitórias e por títulos. Mas e depois? A Ferrari nunca foi conhecida por apostar em jovens pilotos. Com o time tendo Pérez e Bianchi (além de Fernando Alonso e talvez Felipe Massa) e também podendo contratar qualquer nome do grid será que há espaço para a nova revelação?

A tendência é que a resposta seja não. No momento, se Marciello um dia chegar à F1, deve acabar emprestado pela Ferrari à alguma equipe e só acabaria contratado caso mostrasse que está pronto para pilotar os carros vermelhos. Outra opção seria o piloto ser contratado para a função de reserva e apenas figurar pelo paddock da categoria enquanto pilota carros GT em outros certames.

Certamente, a Ferrari sofreria com a pressão da mídia – e da torcida – italiana para escalar um jovem piloto do próprio país, mas nada que afetasse as decisões de Maranello. A GP2 já produziu uma série de competidores da Velha Bota e nenhum chegou à categoria principal pelo time italiano.

Assim, o sucesso de Marciello deve deixar a Academia da Ferrari ainda mais questionada. Se por um lado o programa terá mostrado que pode revelar bons pilotos, do outro ficará a dúvida se esses atletas são bons o bastante para pilotar para a Ferrari. Apenas chegar à F1 já é algo difícil, mas daí a ser contratado pela equipe mais tradicional do grid já é outra história.

A invisível estreia da nova fase do GT1 em 2012

abril 9, 2012
largada GT1

O GT1 começou repaginado, mas em uma pista no meio do nada em plena segunda-feira

Em uma notícia não muito importante sobre o final de semana automobilístico na Páscoa, a temporada 2012 do GT1 deu o pontapé de partida no circuito de Nogaro, na França. Na realidade, a corrida aconteceu apenas nesta segunda-feira, dia 9, mas o evento fez parte do feriado.

Neste ano, o GT1 passou por uma nova reformulação para tentar continuar existindo. Stéphane Ratel, o cara que organiza o campeonato, decidiu no final do ano passado que não seria possível continuar o certame com pouco interesse de montadoras. Assim, ele resolveu mudar as regras na última hora, aproximando as configurações dos carros com as que são utilizadas no GT3.

A estratégia até que deu certo, e o campeonato conseguiu atrair Ferrari, McLaren, Mercedes, Lamborghini, Audi e BMW, com a maioria contando com times de fábrica. Além das especificações do campeonato, as montadoras ficaram interessadas na nova forma de disputa que limitou o fornecimento de carros para apenas uma equipe. Ou seja, somente um time alinha carros da Ferrari, que compete contra outro que inscreve as McLaren e etc. Isso acabou gerando uma maior identificação das marcas, além de poupar recursos.

Só que mesmo com essa melhora, o campeonato quase não aconteceu. Por contrato, o GT1 só pode acontecer caso haja nove equipes – 18 carros portanto – confirmados. Até o início do ano, apenas as seis fabricantes listadas acima havia se interessado em participar do certame, então, o que fazer para salvar a categoria?

Obviamente, Ratel foi atrás de novos times. Sem nenhum pudor, o dirigente afirmou que ele próprio comprou os carros, arrumou equipes para prepará-los, times para inscrevê-los e até mesmo buscou pilotos para competir. Assim, com a entrada (retorno) da Aston Martin, da Ford e da Porsche, o campeonato chegou aos 18 carros confirmados.

Ferrari GT1

No retorno ao GT1, a Ferrari conta com apoio da fábrica

Ratel em nenhum momento se incomodou ao falar que está pagando para que essas equipes corram e completem o grid. O chefão até disse algo como “você acha que a A1GP e a F-Superleague não faziam esse tipo de coisa? A única diferença é que eu não escondo isso” à revista Autosport.

Mesmo com esse pagar para correr, as equipes no geral ficaram satisfeitas, já que os patrocinadores também se empolgaram com a nova fase do campeonato. Com tanto interesse pelas marcas mais famosos, todo tipo de investidor se aproximou do certame para aparecer em algum dos carros.

O problema de tudo isso é que a rodada de abertura aconteceu em uma segunda-feira no circuito francês de Nogaro, que fica no meio do nada. Por mais que a pista tenha passado por algumas reformas estruturais nos últimos anos, ela não tem a menor condição de receber eventos grandes como o GT1 deveria ser tratado. Além de estar localizada no meio do nada, a pista mal tem arquibancadas, e o traçado praticamente impede que ultrapassagens sejam feitas.

Ou seja, Ratel buscou as grandes montadoras, depois pagou para que equipes privadas completassem o grid, mas resolveu levar o seu campeonato a uma pista que sequer está no segundo ou terceiro escalão do automobilismo. Só na França, correr em Magny-Cours, Paul Ricard, Pau e até mesmo Le Mans (no traçado de Bugatti) parece algo mais coerente.

A situação não para por aí. As quatro primeiras etapas acontecem em pistas que estão bem longe de figurarem entre as principais praças do esporte a motor. Depois de Nogaro, o GT1 corre em Zolder (que é clássica, mas deveras ultrapassada), em Navarra e no Slovakiaring.

Depois, há uma etapa em Portimão, que parece ser o único acerto do calendário, antes de duas rodadas na China, além de provas na Coreia do Sul, Rússia e Índia.

No final, é bastante interessante pensar se não há público para o GT1 nos principais países europeus. Quer dizer, um campeonato contando com nove grandes empresas – sendo seis de forma quase oficial – não geraria interesse em locais tradicionais como Reino Unido, Alemanha ou Itália? Será que não tem condições de o GT1 correr em locais como Silverstone, Spa-Francorchamps, Paul Ricard, Barcelona, Hockenheim ou Monza?

Acho que não. Vendo pelo calendário detalhado acima, a impressão que passa é que Ratel levou o GT1 para correr nas pistas que estiveram dispostas a fazer de tudo para sediar uma corrida, talvez até mesmo pagar para trazer a categoria ao invés de cobrar aluguel.

Não é absurdo pensar que os organizadores da etapa do Algarve, por exemplo, estão desesperados para atrair qualquer categoria grande. O circuito luso foi um grande investimento, mas não conseguiu fixar uma agenda de competições entre os principais campeonatos do mundo. Miraram a F1, mas mal recebem F3.

A pista coreana está ameaça de deixar a F1 porque é pouco lucrativa. O circuito de Yeongam é fruto de uma especulação imobiliária mal sucedida e agora corre contra o tempo para não virar um elefante branco e um prejuízo absurdo para os organizadores e promotores. A Índia não está em crise, mas vendo os exemplos luso e coreano já começou a se movimentar. Por fim, China e Rússia é onde o dinheiro está.

No fim, não adianta muito fazer um campeonato com esses supercarros para ninguém ver. Por mais que haja transmissão ao vivo no site oficial da categoria, é difícil apostar em uma categoria em que o próprio calendário joga contra.

O divertido treino classificatório do GP da Austrália

março 16, 2012
Romain Grosjean GP da Austrália Melbourne

Confesso que torci para a pole-position de Romain Grosjean, assim como agora quero vê-lo vencer. Mas é preciso admitir que o planejamento da McLaren para 2012 deu certo

Não costumo fazer textos analisando o que acontece na F1. Tem um monte de gente que já faz isso – muitos mais gabaritados do que eu –, então acabaria falando apenas mais do mesmo. Quem diria falar algo tão pontual quanto um treino classificatório.

Pois bem, hoje abro uma exceção. Confesso que eu me diverti no treino classificatório para o GP da Austrália ao ver a frustração da Ferrari, o erro de Kimi, o picolé de chuchu da Red Bull, a superação de Romain Grosjean e o domínio da McLaren. Por causa dessa euforia escrevi palavras inúteis e repetitivas que você já deve ter lido por aí.

Se você não quiser perde tempo por aqui, só descer o scroll do mouse que o próximo post é sobre a Pamela Anderson e tem as pernas dela de fora. Faça bom proveito!

Ok, se você ficou para ler meu texto, eu agradeço muito, então trago algumas informações úteis que ajudam desvendar o que aconteceu no Albert Park.

A McLaren nunca escondeu que o objetivo na criação do MP4/27 era fazer o carro ser rápido em apenas uma volta. Justamente a decisiva no Q3 do treino classificatório. Ao final de 2011, a equipe inglesa julgou que o ritmo de prova era melhor que o da Red Bull, mas a principal dificuldade que Jenson Button e Lewis Hamilton era acompanha o ritmo de Sebastian Vettel, já que o alemão conseguia abrir caminho por largar na pole-position.

Ao que tudo indica após esse primeiro treino, a tática da McLaren deu certo. Quando a equipe adotou por um monocoque mais baixo fugindo do degrau no bico, também possibilitou acertos mais agressivos para essas voltas lançadas ao custo da aerodinâmica. Essa aposta deu resultado e Lewis Hamilton e Jenson Button dividem a primeira fila do grid de largada na Austrália.

Romain Grosjean Melbourne

Alguém mais ficou com a impressão de que Grosjean estava meio deslocado na comemoração?

Romain Grosjean, no terceiro lugar, é a surpresa que todo mundo já sabia. A Lotus cansou de andar na frente na pré-temporada e não tinha motivos para que fosse diferente hoje, a menos que eles tivessem blefado nos treinos coletivos. No preview do GP da Austrália, eu escrevi que a equipe inglesa era grande história desse início de temporada 2012 e torcia para o sucesso deles. Eles corresponderam, mas treino é treino e corrida é corrida.

Agora resta ver se Grosjean vai conseguir manter o resultado durante a prova e, principalmente, se a McLaren vai fazer bom uso do ar limpo por largar na frente. Se o time d Woking reclamou de passar 2011 perseguindo Vettel, eles são a presa agora.

Para finalizar, que belo carro é esse da Ferrari, hein? Meu deus, isso que o vexame só não foi maior porque Felipe Massa avançou ao Q2 devido a um erro de Kimi Raikkonen na volta rápida. Com a terceira colocação de Grosjean, alguém dúvida que o finlandês tinha condições de superar o brasileiro em situação normal?

F1 2012 na Austrália

março 14, 2012
Opera House Sydney

A F1 chega à Austrália com a Lotus sendo a principal história até aqui. Se a temporada 2012 quiser ser mais interessante que uma peça do Opera House de Sydney, então é bom que o time inglês corresponda

Depois de um longo e rigoroso inverno, a F1 está de volta. Nos últimos meses, o noticiário esportivo no automobilismo foi tomado pelas mesmas matérias feitas exaustivamente. Luca Di Montezemolo, Bruno Senna, Felipe Massa, Bernie Ecclestone e Sebastian Vettel foram obrigados a responder as mesas perguntas o tempo todo.

Agora, isso acabou. Com os carros indo à pista em menos de 24 horas, o foco passa a ser o rendimento de cada um. Os repórteres agora vão querer saber por que determinado carro não foi bem ou por qual motivo determinado piloto está andando tão atrás do companheiro de equipe.

A maioria das respostas só será descoberta quando os carros forem à pista, mas o GP da Austrália já começa com alguns ingredientes nesse drama que se chama temporada 2012 da F1.

Certamente, o desempenho da Lotus nos treinos coletivos da pré-temporada não é a principal história da categoria nesta semana, mas é a mais divertida. Seria muito bom que a equipe inglesa conseguisse um bom resultado neste final de semana. Ainda que seja muito complicado para Kimi Raikkonen e Romain Grosjean desbancarem Sebastian Vettel, o campeonato ganharia bastante se os carros preto e dourados entrassem na briga com Red Bull e McLaren pelas primeiras colocações.

Claro, é possível que o Lotus E20 seja a nova Brawn, e Kimi Raikkonen conquiste o título de 2012 com um pé nas costas. Mas acho essa possibilidade um pouco mais improvável.

Se a Lotus chega à Melbourne contente com o desempenho até aqui, a Ferrari chega devendo. O time fez uma pré-temporada tão ruim, que foi obrigada a adotar a lei da mordaça, impedindo que os pilotos dessem entrevistas após os testes. E eu achava que essa prática era exclusiva do campeonato brasileiro de futebol.

Independentemente de quem inventou esse tipo de censura, a Ferrari entra em 2012 pressionada. No ano passado, a McLaren viveu uma situação bastante parecida, com o MP4/26 não conseguindo andar bem durante os treinos coletivos. A equipe de Woking praticamente refez o carro entre o último dia de testes e o primeiro GP do ano e pôde estrear com um modelo quase que totalmente novo.

O resultado dessa solução de emergência não poderia ter sido melhor. Lewis Hamilton terminou a etapa na segunda colocação, enquanto Jenson Button foi o sexto. Ou seja, caso a Ferrari comece o ano andando muito atrás, será um atestado de que eles não têm a capacidade da rival de se recuperar de uma crise técnica. Para piorar, imagina se o pessoal em Maranello já começar a adotar aquele discurso de esquecer a temporada 2012 para focar em 2013? Pô, mas a primeira corrida ainda nem aconteceu!

Heikki Kovalainen Angry Birds helmet

Heikki Kovalainen merece marcar todos os pontos do mundo depois de aparecer com um capacete desses em Melbourne

Para terminar de falar das equipes grandes, vale lembrar que Mark Webber tem aquela maldição da Austrália. O piloto estreou muito bem no Albert Park somando pontos quando ainda competia pela Minardi, mas jamais conseguiu bons resultados. Ano passado ele terminou na quinta posição e se disse bastante satisfeito. Será que esse ano o nosso amigo aussie vai conseguir desencantar em frente da própria torcida.

Entre os brasileiros, não há muito mistério para essa primeira prova. A grande curiosidade é saber o quanto atrás dos companheiros de equipe eles começam o ano. A partir daí será mais fácil traçar prognósticos para a dupla até o final da temporada.

Por fim, o grande destaque do primeiro dia em Melbourne é Heikki Kovalainen. Enquanto a Caterham abre a nova temporada na expectativa de somar os primeiros pontos da história, o finlandês resolveu inovar e apareceu para a corrida de abertura com um capacete homenageando o jogo ‘Angry Bird’. Espero que o nórdico entre em 2012 com sangue nos olhos iguais aos passarinhos.

Meu palpite para o GP é vitória de Sebastian Vettel seguido pelos dois carros da McLaren. Mas minha torcida é para a Lotus, até para termos uma temporada mais divertida em 2012.


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 96 outros seguidores