Posted tagged ‘Fernando Alonso’

Não se importe com os pneus

maio 6, 2013
Os pneus viraram o inimigo da F1 em 2013

Os pneus viraram o inimigo da F1 em 2013

Mais uma etapa da F1 ficou para trás. Como o mundo inteiro já deve saber – a menos que você more na Coreia do Norte –, Fernando Alonso venceu o GP da Espanha, neste fim de semana, com Kimi Raikkonen e Felipe Massa subindo ao pódio. Apesar disso, a grande história da prova foram os pneus, que mais uma vez se desgastaram rapidamente.

Só que isso não é totalmente verdade. Vou contar um segredo aqui. Desconfie de tudo o que você lê, principalmente sobre os compostos da Pirelli. Nesta segunda-feira, o jornalista Joe Saward publicou um texto dizendo que a imprensa inglesa elegeu os pneus como vilões da prova. Assim, os jornalistas de lá se juntaram e praticamente publicaram a mesma história tentando justificar o mau resultado de Hamilton e Button a partir dos compostos.

Como o noticiário brasileiro é pautado pela mídia inglesa, a história dos pneus repercutiu aqui. E por que eles foram escolhidos como vilões do fim de semana? É fácil. Os ingleses não têm mais nada para falar da corrida. A McLaren mais uma vez fracassou. Hamilton foi ainda pior, com um 12º lugar e Max Chilton não conta, pelamor…

Aí na hora de explicar para os leitores por qual razão os pilotos britânicos não estão indo bem, é mais fácil apontar o pneu como justificativa ao invés de falar que os outros carros são melhores. Para provar isso, basta ver quem aparece como fonte nessas matérias. Ou é a Mercedes, ou é a Red Bull. A Lotus, por outro lado, elogia os compostos. E a Ferrari, que está vencendo, não fala nada.

De qualquer forma, os ingleses estão certos em uma coisa: os pneus transformaram as corridas da F1 em algo chato.

Você não vê a Ferrari reclamando dos pneus

Você não vê a Ferrari reclamando dos pneus

Pessoalmente, não sou a favor de uma corrida com tantas paradas como as que estão acontecendo. É um pouco monótono e confuso ver um piloto indo ao pit-lane quatro vezes – seis no caso de Nico Hulkenberg – em um fim de semana –, agora multiplique isso pelos 22 pilotos do grid e veja o que a F1 virou. Da mesma forma, ver os atletas perguntando pelo rádio se devem disputar posições com os adversários ou apenas cuidar dos pneus vai contra o que entendemos como automobilismo.

Ainda assim, a grande pergunta que fica é o quão ruim os pneus são. Acredito que eles são melhores do que a imagem que passam. Ainda assim, não há muitas dúvidas de que a Pirelli errou a mão para 2013. Só que a própria empresa já reconheceu isso. Após o GP da Espanha, o diretor da fabricante Paul Hembery disse que esperava duas ou três paradas em Barcelona, mas houve quatro. Assim, ele está disposto a mudar os compostos a partir do GP da Inglaterra para ter corridas mais normais.

Seguindo o raciocínio de Hembery, duas ou três paradas é algo que sempre aconteceu na F1. Em uma corrida de 60 voltas, por exemplo, veríamos alguns pilotos parando no giro 20 e no 40, enquanto outros se dirigiriam aos boxes no 15, 30 e 45. Até aí, nada demais.

Com menos paradas, também veríamos os pilotos tendo mais espaço para brigarem por posições. Aí seria questão de estratégia. Quem ir aos boxes três vezes vai poder acelerar mais, enquanto os outros estarão mais preocupados em poupar a borracha.

A ideia de que veríamos os pilotos acelerando um contra o outro 100% do tempo de uma corrida é uma fantasia. Isso só vai acontecer em duas situações. Ou com os atletas com a mesma estratégia, ou com pneus ‘de concreto’, como eram os Bridgestone, em uma época em que ninguém passava ninguém.

É claro que ninguém quer esses dias de volta. Portanto, o trabalho da Pirelli é apenas para ter corridas mais movimentadas.

Como diz Joe Saward no artigo citado lá em cima, eu ficaria preocupado se os pneus Pirelli mudassem a ordem da F1, e a habilidade de pilotos, mecânicos e engenheiros não valessem mais nada. Mas não é isso que acontece. Quem culpa os pneus 100% das vezes é quem está tentando justificar – talvez até mesmo para o público – carros cujo projeto deram errado.

F1 2013 na Espanha

maio 5, 2013

Xabi Alonso, do Real Madrid, é o melhor piloto chamado Alonso vindo da Espanha. P.S.: esse é um carro com dois volantes #humor

Xabi Alonso, do Real Madrid, é o melhor piloto chamado Alonso vindo da Espanha. P.S.: esse é um carro com dois volantes #humor

Ferrari e McLaren são duas equipes conhecidas pelo poder de reação durante uma temporada. Enquanto a escuderia italiana começou com um carro ruim no ano passado, mas conseguiu se recuperar mesmo em um período em que testes durante o campeonato são proibidos, o time inglês fez o mesmo em 2009 e 2011.

Entretanto, esses casos são mais exceções à regra do que algo para ser levado a diante. Digo isso porque neste fim de semana acontece o GP da Espanha de F1, em Barcelona, e praticamente todos os times do grid estão focados em testar novos componentes. E na grande maioria dos casos a resposta é sempre decepcionante. “O carro melhorou, mas todo mundo também progrediu”, é o que dizem os pilotos.

Neste sábado, dia 11, não foi diferente. Após o treino, Nico Hülkenberg e Valtteri Bottas foram dois que jogaram a toalha. Com o início de temporada abaixo do esperado de Sauber e Williams, o duo esperava que os novos componentes melhorassem o desempenho do equipamento.

É claro que o rendimento deles melhorou, mas como todas as equipes também evoluíram, o resultado foi decepcionante. E isso só mostra que essa guerra por atualizações não é assim tão importante. Afinal, a menos que um time tenha uma grande sacada, o resultado final é praticamente o mesmo para todos.

Dito isso, quem gostaria que a história fosse um pouco diferente é Nico Rosberg. Largando na pole-position pela segunda vez consecutiva, o alemão sabe que não vai ter vida fácil neste domingo. A Mercedes desgasta muito os pneus e por isso deve se tornar presa fácil para Ferrari, Lotus e Red Bull durante a corrida.

A pole de Rosberg, aliás, serviu para dar continuidade ao passeio alemão pela Espanha. Depois de Barcelona e Real Madrid terem sido eliminados – com direito a goleadas – da Liga dos Campeões de futebol pelas equipes do Bayern de Munique e do Borussia Dortmund, agora é o representante da Mercedes que dá as cartas na Catalunha.

Barcelona

A1 GP de Barcelona. Ok, brincadeira, é só um carro fake feito por algum fã…

Entretanto, se em algum momento os torcedores catalães ficaram tristes com mais uma conquista germânica em seus terrenos, o futebol voltou a dar alegrias neste sábado. É que pouco depois do treino classificatório da F1, o Barcelona garantiu o titulo do campeonato espanhol, já que o Real Madrid apenas empatou com a equipe do Espanyol, também sediada na capital da Catalunha.

Por isso, ao menos em uma parte da Espanha, a noite deste sábado será de festa. Na outra parte, é bom os torcedores empurrarem Fernando Alonso, porque Nico Rosberg e Sebastian Vettel estão dispostos a fazer de tudo para continuar o domínio alemão no país ibérico. A esses torcedores trago uma má notícia.

O espanhol da Ferrari larga apenas na terceira colocação, mas desde 1981 o vencedor do GP da Espanha sai na primeira fila. Para piorar, em 15 das 22 corridas na Catalunha, o pole-position foi o vencedor. Ou seja, Rosberg tem tudo para fazer jus ao desempenho dos compatriotas Mario Götze, Marco Reus, Thomas Müller e Bastian Schweinsteiger neste fim de semana.

O meu palpite furado, porém, contraria essa previsão e vem da segunda fila. Como eu sempre erro, aposto em Kimi Räikkönen neste fim de semana. Alonso será o segundo e Sebastian Vettel, o terceiro.

F1 2013 no Bahrein

abril 13, 2013
As equipes fizeram algumas modificações nos carros para se prepararem para o GP do Bahrein

As equipes fizeram algumas modificações nos carros para se prepararem para o GP do Bahrein

Uma semana depois de usufruir de todos os confortos em um país livre como a China, a F1 chega ao Bahrein para a disputa da quarta etapa da temporada 2013. Dessa vez, porém, as equipes vão precisar ficar mais espertas, já que as ruas de Sakhir e Manama não são os locais mais seguros do mundo, e a primavera árabe ainda ronda a pequena ilha do Golfo.

Embora a sensação de insegurança seja menor neste ano, mais uma vez a F1 se mete em um país marcado por uma profunda crise política. Manifestantes contrários ao governo local e polícia se enfrentam todos os dias, e as ordens vindas da monarquia ditatorial é prender qualquer um que possa representar uma ameaça à corrida e à segurança nacional.

É nesse clima que os carros vão à pista a partir desta sexta-feira, dia 19. Não acho que essas são as melhores condições para que o esporte seja praticado, por isso a corrida deste fim de semana não deveria acontecer. Aliás, não se importar com os valores humanos apenas para que a prova aconteça vai de encontro aos ensinamentos do próprio esporte, como lealdade e respeito ao adversário.

Mas como Bernie Ecclestone não se importa muito com a filosofia e com a sociologia do esporte a corrida vai acontecer. E deve ser uma prova um pouco diferente das da semana passada, em que os pneus tomaram conta da corrida.

Parece que a Pirelli percebeu ter errado a mão com os compostos deste ano. A corrida na China foi confusa com os pilotos espalhados pela pista em estratégias diferentes. Por isso, quando um carro aparecia para ultrapassar outro, era difícil saber se valia alguma posição ou se era apenas para restabelecer a ordem dos pneus. Chegou ao cúmulo de Jenson Button perguntar pelo rádio à McLaren se deveria se defender de Lewis Hamilton, mostrando que as disputas na pista não tem a menor importância para o resultado final.

Aliás, falando dos antigos companheiros de McLaren, eles estão em situação opostas neste fim de semana. Enquanto Button vai aos poucos comandando a recuperação da equipe inglesa, Hamilton sabe que o rendimento da Mercedes não é tão bom quanto parece. Os carros prateados, sem dúvida, são muito rápidos em uma única volta rápida, mas desgastam pneus demais e perdem ritmo de corrida. É por isso que o britânico saiu da pole-position, mas quase perdeu o pódio em Xangai.

A1 GP do Bahrein, ok, brincadeira, esse é o carro de Hamad al Fardan na F-Renault V6 Asiática

A1 GP do Bahrein, ok, brincadeira, esse é o carro de Hamad al Fardan na F-Renault V6 Asiática

Ainda nas equipes de ponta, a Red Bull também vive em guerra com os pneus. Na China, eles abriram mão de desempenho em uma única volta para fazer a borracha durar mais. Quase deu certo, com Sebastian Vettel terminando na quarta colocação. O problema é que a escuderia mais uma vez abriu mão de participar do treino classificatório para ter uma tática mais tranquila na corrida.

O problema é que largando em nono e sem ter o carro dominante é complicado chegar na frente. É verdade que o alemão lutou pela vitória em alguns pontos da prova, mas no fim ficou apenas com o quarto lugar.

Assim, dos quatro times de ponta, quem vive a situação melhor é a Ferrari, cujo carro é bom nas tomadas de tempo, mas ainda melhor em ritmo de corrida. Tanto é que Fernando Alonso terminou duas das três corridas da temporada até agora e já tem uma vitória e um segundo lugar. Felipe Massa, por outro lado, segue com problemas para aquecer o pneu duro e por isso não tem um bom desempenho de corrida.

Como a corrida do Bahrein é disputada no deserto, a temperatura pode ser um fator positivo para o brasileiro. Por outro lado, como a Pirelli vai levar o composto médio e o pneu duro, ele terá que trabalhar ainda mais para deixá-los na temperatura correta.

De qualquer forma, o desempenho de Massa é muito melhor que o de Sergio Pérez, que foi especulado em Maranello durante boa parte do ano passado. Na China, o mexicano errou feio no treino livre e bateu na entrada dos boxes. Depois, o fim de semana todo deu errado e ele terminou em 11º, sem pontos.

O outro mexicano do grid, Esteban Gutiérrez, na Sauber, também não vive boa fase, sendo eliminado mais uma vez no Q1 e se envolvendo em um acidente nas voltas iniciais. Situação completamente oposta à de Nico Hulkenberg. Curiosamente, o alemão é o piloto que mais liderou voltas nas últimas quatro corridas, com 38 giros no primeiro lugar. Fernando Alonso, com 37, é o segundo. Vettel tem 33 e Mark Webber 32.

Para encerrar, falo das equipes pequenas. Neste fim de semana, a Caterham vai promover o retorno de Heikki Kovalainen no primeiro treino livre, enquanto Rodolfo González substitui Jules Bianchi na mesma atividade na Marussia. Ou seja, enquanto uma equipe está trabalhando para voltar ao décimo lugar, a outra deixa seu melhor piloto de fora de um treino. Daí acaba ultrapassada e não sabe por quê.

Bom, meu palpite furado para o fim de semana é vitória de Kimi Raikkonen, seguido por Fernando Alonso e Sebastian Vettel. Obviamente, a partir de agora não há a menor chance de isso acontecer.

Confira os horários do GP da Malásia de 2013:

Treino livre 1 – 4h quinta-feira
Treino livre 2 – 8h sexta-feira
Treino livre 3 – 5h sábado
Treino Classificatório – 8h sábado
Corrida – 9h domingo

F1 2013 na China

abril 8, 2013
Yao Ming foi o maior piloto de F1 da história da China. Ok, ele não foi um piloto, mas ainda assim foi o maior

Yao Ming foi o maior piloto de F1 da história da China. Ok, ele não foi um piloto, mas ainda assim foi o maior

Depois de duas semanas de folga, a temporada 2013 da F1 retorna para o GP da China, neste fim de semana. Em uma época não muito distante, quando os pneus Pirelli e a asa traseira móvel ainda não existiam, teríamos apenas motivos para lamentar a etapa de Xangai, visivelmente menos emocionante que as de Sepang.

Porém, desde a chegada dos novos artifícios, os chineses têm visto corridas mais emocionantes, graças à enorme reta do traçado. De qualquer forma, sempre há exceções. No ano passado, por exemplo, a Mercedes foi tão dominante, que só não conseguiu a dobradinha, pois um dos mecânicos errou na hora de prender a roda de Michael Schumacher em um dos pit-stops.

O problema é que desde então a escuderia prateada não fez mais nada na F1. Com problemas para fazer o DRS duplo funcionar, o time não conseguiu repetir bons resultados em 2012. Depois, eles mudaram o foco para a atual temporada, mas ainda parecem estar em um segundo escalão, atrás de Lotus e de Red Bull.

Além disso, eles ainda estão sendo obrigados a administrar crises internas. Há três semanas, em Sepang, Rosberg deixou claro que não está satisfeito com a função de segundo piloto. Nas voltas finais daquela corrida, mesmo mais rápido, o alemão foi proibido pela Mercedes de ultrapassar o companheiro de equipe, Lewis Hamilton. Após a prova, o germânico reclamou, bufou e disse que é bom a escuderia, no futuro, lembrar o que havia se passado.

De qualquer forma, essa não é uma situação exclusiva da montadora alemã. Ainda mais pressionada está a Red Bull, onde Sebastian Vettel realmente desobedeceu à instrução da equipe e deixou Mark Webber para trás nas voltas finais de Sepang. Após toda a confusão, o time austríaco já disse que não deve renovar o contrato do australiano, mas também cogita acabar com o jogo de equipe.

Provavelmente nada deve acontecer, mas será interessante ver até aonde os ecos de Sepang vão chegar nesta temporada.

A1GP da China

A1GP da China

Ainda falando sobre as equipes grandes, Ferrari e McLaren também têm bons motivos para se preocupar. A escuderia italiana, por exemplo, tem visto Fernando Alonso tomar tempo constantemente de Felipe Massa, principalmente em uma única volta rápida. Não há dúvidas de que o espanhol é o concorrente ao título de Maranello, mas é questão de tempo para que o sinal amarelo se acenda por lá.

Por outro lado, Massa ainda está com problemas em fazer os pneus durarem, como ficou mostrado no GP da Malásia. Na última corrida, o brasileiro foi obrigado a fazer uma parada a mais, nas voltas finais, tamanha a degradação dos compostos. Essa situação deve se amenizar na China, onde as temperaturas – e consequentemente o desgaste – são menores que na Malásia. Ainda assim, a Ferrari vai precisar trabalhar para encontrar o ponto ótimo no desempenho do brasileiro, descobrindo quando ainda é vantagem ficar com pneus antigos e a partir de onde é melhor colocar compostos novos.

Por fim, a equipe inglesa mais uma vez começa uma temporada com um equipamento pouco competitivo. Desde 2009 – o que nem faz tanto tempo assim – já é a terceira ou quarta vez que os carros prateados não conseguem acompanhar o ritmo dos mais rápidos no início do campeonato, obrigando os engenheiros de Woking a mostrar o poder de reação.

Não tenho dúvidas de que Jenson Button e Sergio Pérez ainda vão brigar por pódios e vitórias em 2013, o problema é quando isso vai acontecer. Se a reação da McLaren demorar muito, qualquer chance de título pode ir embora. E como o time britânico já fala em ignorar 2014 e começar a trabalhar no carro de 2015 (quando terá o motor Honda), abrir mão do atual campeonato não é a melhor escolha.

Dentre as equipes do meio e do fim do pelotão, Caterham e Williams vivem as situações mais delicadas. Com desempenho abaixo do esperado nas duas primeiras corridas do ano, os dois times já admitem que precisam de atualizações para dar a volta por cima. O problema é que, como a F1 ainda está na Ásia, as novas peças só devem chegar para o GP de Barcelona, quando 20% do campeonato já vai ter ido embora. E, obviamente, as outras equipes não vão estar de braços cruzados enquanto elas trabalham.

Para encerrar, meu palpite – furado – para o GP da China é mais uma vitória de Sebastian Vettel, com Alonso e Lewis Hamilton completando o pódio.

Confira os horários do GP da Malásia de 2013:

Treino livre 1 – 23h quinta-feira
Treino livre 2 – 3h sexta-feira
Treino livre 3 – meia-noite sábado
Treino Classificatório – 3h sábado
Corrida – 4h domingo

O que aprendemos com o GP da Malásia de F1?

março 28, 2013
Mark Webber mostrando como está feliz com Sebastian Vettel

Mark Webber mostrando como está feliz com Sebastian Vettel

Já se passou uma semana praticamente do polêmico fim de GP da Malásia, quando Sebastian Vettel desobedeceu a um acordo da Red Bull e ultrapassou Mark Webber nas voltas finais. Assim, passado o período de reflexão, resta perguntar o que aprendemos desde então? Acho que não muita coisa.

A maior lição que tiramos é que na F1 vale a máxima de que uma mentira contada várias vezes se torna uma verdade.

A principal mentira até agora é que é totalmente normal haver um acordo nas ultimas voltas para que dois pilotos de uma mesma equipe mantenham as posições e não duelem na pista. Em Sepang, isso não só aconteceu na Red Bull, mas também na Mercedes, onde Ross Brawn — sempre ele — impediu que Nico Rosberg passasse Lewis Hamilton pelo terceiro lugar.

Só que isso não deveria ser algo normal. É uma deformação do esporte criada pelas equipes, com a suposta justificativa de evitar desgaste do equipamento no fim da corrida, além de um eventual abandono duplo em caso de um acidente.

Mas em qual outro esporte acontece algo parecido? Será que no futebol há algum acordo para que o time que estiver na frente aos 30 minutos do segundo tempo saia vencedor? Com isso, o técnico poderia até poupar alguns jogadores. É algo que faz sentido na realidade brasileira, com os times precisando jogar toda quarta e domingo.

Ou então podemos falar de outro esporte de velocidade, como a natação. Talvez possa haver um pacto entre os atletas de quem fizer a última virada na frente será o vencedor. Dá para argumentar que são situações diferentes, pois na F1 acontece entre pilotos da mesma equipe, enquanto nessas modalidades seriam entre adversários.

Ok, mas o que me impede de montar uma equipe de natação e contratar quatro ou cinco atletas de ponta e propor algo assim entre eles. E quem garante que isso nunca aconteceu? Faria sentido pensar em algo assim em uma seletiva, por exemplo, para que um atleta se poupasse durante as eliminatórias de olho na decisão.

Uso essa mensagem de Webber para expressar o que penso sobre esses jogos de equipe

Uso essa mensagem de Webber para expressar o que penso sobre esses jogos de equipe

Só que isso não é esporte. A definição esportiva determina que o vencedor é o mais capaz durante todo o período de disputa. E se Webber tivesse ganhado na Malásia não seria isso p que teríamos visto. Esse acordo que existe é um assalto. Você assiste à corrida achando que ela vale até o fim, mas na verdade já há um pacto pelo vencedor.

A segunda mentira é que a Red Bull está muito desapontada com a atitude de Vettel. É claro que não estão. Webber é muito lúcido ao dizer que a equipe vai proteger o alemão. Prova disso é que o australiano deixou o GP da Malásia dizendo que iria rever a carreira e poderia deixar a equipe austríaca.

A resposta veio nesta quarta-feira, dia 26, quando o jornal alemão Bild disse que a equipe decidiu não renovar com o veterano para a próxima temporada. Coitado, que mal ele fez? Tudo o que queria era tentar vencer uma corrida, mas acabou usurpado nas voltas finais.

E a última mentira é que as pessoas, espectadores inclusive, se importam com jogo de equipe. Claro que não. Talvez se importem quando é um brasileiro envolvido, tendo que abrir mão de posição para um companheiro de equipe. Quando não tem um piloto do país, as justificativas das equipes até que parecem razoáveis não é mesmo?

Afinal, qual a diferença entre pedir para um piloto ceder uma posição e para outro não ultrapassar. Será que existe uma escala de desonestidade esportiva na F1? Assim, a Red Bull é mais boazinha que a Ferrari porque infringiu apenas algumas regras? Acho que não.

Para mim, embora já tenha lido que essa é uma opinião ingênua no meio da F1, os princípios do esporte devem ser respeitados. Só que não são quando a Ferrari rompe o lacre de Felipe Massa para beneficiar Fernando Alonso, ou obriga Rubens Barrichello a ceder a primeira posição. E também não são quando a Red Bull até cria um nome bonitinho – Multi21 – para manipular o resultado de uma prova.

F1 2013 na Malásia

março 4, 2013
Jazeman Jaafar não é titular da Mercedes. Mas ele nasceu na Malásia

Jazeman Jaafar não é titular da Mercedes. Mas ele nasceu na Malásia

Há quatro dias, Kimi Raikkonen venceu o GP da Austrália e mudou tudo o que sabíamos da F1 2013. Se Red Bull e Mercedes pareciam à frente das demais equipes após a pré-temporada, agora é a Lotus que surge como time a ser batido, principalmente porque o carro aurinegro é o que menos desgasta os pneus entre as equipes de ponta.

Entretanto, seria o resultado do GP da Austrália um presságio de que o finlandês pode entrar na briga pelo título de 2013 de uma forma muito mais aguda que na temporada passada ou o resultado não passa de algo semelhante ao GP de Abu Dhabi de 2012, apenas uma vitória por acaso, quando tudo deu certo?

Talvez a resposta sejam as duas coisas. É verdade, sim, que o grande trunfo da Lotus é não degradar os pneus. Por isso, Kimi conseguiu vencer o GP da Austrália, mesmo largando da sétima posição, ao forçar o ritmo nos momentos em que os adversários estavam com problemas para se manter na pista devido ao desgaste da borracha.

Por outro lado, é muito cedo para dizer o que poderia ter acontecido caso o finlandês fosse obrigado a fazer mais uma parada. Afinal, se a Lotus conseguiu fazer uma estratégia de apenas dois pit-stops, a temperatura amena de Melbourne certamente colaborou para isso. Situação bastante diferente deste fim de semana, na Malásia, onde a expectativa é de forte calor, na casa de 40ºC.

Por isso, não é absurdo pensar que Kimi só ganhou na Austrália porque dentro das condições específicas em que a corrida foi disputada, a Lotus se mostrou o melhor carro. Isso já havia acontecido em Abu Dhabi, no ano passado, e esteve perto de acontecer no Bahrein, Canadá, Valência e Hungria, quando os carros aurinegros terminaram na segunda colocação, faltando superar apenas um rival.

A1 GP da Malásia

A1 GP da Malásia

De qualquer forma, o triunfo de Kimi colocou os pneus em evidencia. Se não chover em Sepang, a expectativa é de mais uma corrida onde os produtos da Pirelli façam a diferença, mesmo que as escuderias tenham a opção de usar o composto médio e o duro (ao invés do médio e o supermacio em Melbourne) devido ao já citado calor.

Justamente pela importância dos pneus, o treino classificatório pode definir o que vai acontecer na corrida. Se passar ao Q3 não é mais uma certeza de bom resultado no fim de semana, a 11ª posição está mais cobiçada do que nunca. Como os pilotos eliminados no Q2 podem trocar de pneu antes da corrida, eles têm mais liberdade para montar a estratégia, além de começar a prova com a borracha sem estar gasta.

Foi por isso que Adrian Sutil chegou a liderar o GP da Austrália. Contando com o bom carro da Force India, o alemão saiu na 12ª posição – o 11º, Nico Hulkenberg, não largou – e conseguiu avançar até a liderança conforme os adversários foram indo aos boxes. Em Melbourne, o germânico não conseguiu manter o mesmo ritmo com os supermacios e terminou em sétimo. Na Malásia, pode ser que o 11º no grid tenha condições de fazer um trabalho melhor.

Falando nas equipes menores, mais uma vez a Marussia é o destaque indo para Sepang. Depois de deixarem a Caterham para trás com facilidade na última corrida, os carros rubro-negros terão mais uma oportunidade para provarem que não são a pior escuderia do grid. E no caso de uma tempestade, nunca é demais pensar em pontos para Jules Bianchi e Max Chilton.

Meu palpite para o GP da Malásia é vitória de Fernando Alonso, com os outros dois carros da Lotus terminando no pódio. No entanto, para a corrida da Austrália eu havia dito que dificilmente a vitória ficaria com outra equipe senão Red Bull e Ferrari e deu no que deu. Este é mais um palpite furado, portanto.

Confira os horários do GP da Malásia de 2013:

Treino livre 1 – 23h quinta-feira
Treino livre 2 – 3h sexta-feira
Treino livre 3 – 2h sábado
Treino Classificatório – 5h sábado
Corrida – 5h domingo

F1 2013 na Austrália

fevereiro 26, 2013
Casey Stoner na F1. Não tem nada a ver com o GP da Austrália, mas ele já pilotou o simulador da Red Bull

Casey Stoner na F1. Não tem nada a ver com o GP da Austrália, mas ele já pilotou o simulador da Red Bull

Antigamente, o início de temporada de F1 era mais legal. Embora os treinos ao longo do ano fossem liberados, as equipes chegavam à abertura do campeonato sem saber muito o que esperar dos carros. Aí, a primeira etapa do ano virava uma verdadeira corrida de resistência, onde os pilotos largavam sem a certeza de que chegariam ao final.

Em situações mais absurdas, dava para contar nos dedos quantos carros de fato recebiam a bandeira quadriculada. Foi assim há 20 anos, quando Rubens Barrichello estreou na F1. Naquele 14 de março de 1993, o então piloto da Jordan foi um dos muitos que deixou o GP da África do Sul – disputado em meio a uma chuva torrencial – antes do final.

Assim, apenas cinco pilotos completaram todas as voltas. Alain Prost foi o vencedor, seguido por Ayrton Senna e Mark Blundell, de Ligier. Christian Fittipaldi e JJ Lehto foram os outros que terminaram a corrida.

A menos que aconteça algum fenômeno natural bizarro, essa situação não vai se repetir na Austrália. Nos últimos 15 anos, as equipes entenderam que mais importante que ter um carro rápido é ter um equipamento que chegasse ao final das provas, por isso os abandonos são cada vez mais raros.

O regulamento também propiciou isso. Com as limitações para troca de motores e câmbio por temporada, as escuderias não forçam esses componentes ao máximo, consequentemente aqueles estouradas de motores espetaculares, que parecia o anúncio da escolha de um novo papa,  quase não existem mais.

Dessa forma, o resultado do GP da Austrália é previsível. Embora seja difícil cravar quem vai terminar na frente, dificilmente ficará com outra equipe além de Ferrari e Red Bull. Lotus e Mercedes aparecem neste momento em um segundo escalão, enquanto a McLaren parece não ter se encontrado desde os treinos da pré-temporada.

(A1)GP da Austrália

(A1)GP da Austrália

Por isso, há dois elementos-chaves para esse primeiro GP do ano. Um é o treino classificatório, onde largar na frente dos principais rivais pode significar meio caminho para a vitória. E o outro – mais importante – é ser o primeiro a entender o comportamento dos pneus, para fazer as paradas nos boxes nos momentos corretos.

Há dois anos, a Sauber surpreendeu ao fazer apenas uma parada em Melbourne quando as demais equipes foram ao pit-lante duas ou três vezes. Naquela prova, tanto Kamui Kobayashi quanto Sergio Pérez terminaram na zona de pontos, mas acabariam desclassificados por não serem aprovados na inspeção técnica horas depois. Se alguma equipe de ponta conseguir reproduzir isso ou ao menos ter mais tempo de pista no auge dos pneus, certamente estará mais perto da vitória.

Por isso, meu palpite é de uma corrida emocionante, com muitas mudanças de posição em virtude das paradas nos boxes, mas com um resultado previsível: duelo entre Fernando Alonso e Sebastian Vettel, com o alemão levando a melhor. Felipe Massa completa o pódio. No entanto, minha torcida é para Kimi Raikkonen, e a verdade é que o finlandês vai vencer colocando três voltas no segundo colocado. Ok, ignore isso.

Para encerrar, chamo a atenção para dois pilotos do grid: Daniel Ricciardo e Jules Bianchi.

O australiano tem boas chances de conseguir um resultado satisfatório por dois motivos. O primeiro é o carro da Toro Rosso, que teve um desempenho decente ao longo da pré-temporada, e o segundo, óbvio, é que ele corre em casa. Já o francês não tomou conhecimento de Max Chilton e, levando em conta que a Marussia começa o ano melhor que a Caterham, ele tem tudo para sumir nessa batalha das equipes menores. Pena que ele precisa de uma tempestade como aquela da estreia de Barrichello para pensar em marcar pontos.

Confira os horários do GP da Austrália de 2013:

Treino livre 1 – 22h30 quinta-feira
Treino livre 2 – 2h30 sexta-feira
Treino livre 3 – meia-noite sábado
Treino Classificatório – 3h sábado
Corrida – 3h domingo

Luzinhas de Natal da F1

dezembro 24, 2012
Alguém poderia dizer que a Ferrari de Lego teria um desempenho melhor nas pistas

Alguém poderia dizer que a Ferrari de Lego teria um desempenho melhor nas pistas

É engraçado como o Natal significa coisas diferentes para as pessoas. Na F1, por exemplo, é uma das poucas épocas do ano em que os pilotos têm para descansar, esquecer um pouco a preparação física e relaxar pensando em começar a nova temporada com as baterias recarregadas.

No caso deles, é até curioso ver como estão na contramão das outras pessoas. Geralmente, nessa época do ano, todo mundo quer viajar para aproveitar as festividades curtindo algum lugar distante. Já tudo o que os pilotos querem é voltar ao país natal e passar alguns dias com a família e com os amigos, principalmente depois de encarar viagens ao redor do mundo durante o ano todo.

Para mim, o Natal agora é bem diferente de antes. Quando era pequeno, tudo o que eu queria saber era de ganhar presente. Imagino que com toda criança fosse assim. É claro que eu gostava de estar com toda a família reunia, mas naquela época a gente se via várias e várias vezes durante o ano, então o fim de ano não era assim tão especial.

Bom, as coisas mudaram um pouco. Agora eu praticamente só tenho contato com a família – tirando meus pais – duas vezes por ano. Uma no Natal e a outra no Ano Novo, então já faz algum tempo que eu não a vejo.

De qualquer forma, para falar a verdade, a época de ganhar presentes era bem mais legal. Por isso, como eu sou muito legal, trouxe algumas lembrancinhas natalinas para você, leitor.

A primeira é a Ferrari de Lego que abre este post. Em um evento de marketing da Shell, em setembro, a empresa holandesa exibiu uma réplica do equipamento usado por Felipe Massa e por Fernando Alonso montado pelas tradicionais pecinhas. Quem sabe se o espanhol tivesse usado esse carro, ao invés do titular, ele não teria conseguido superar Sebastian Vettel e ser campeão do mundo?

Bom, se não desse certo, ao menos seria muito mais fácil desmontar o lacre do câmbio do carro do brasileiro para ganhar algumas posições no grid dos Estados Unidos. Seria só tirar umas pecinhas.

Aliás, montar carros de Lego é algo bastante comum no automobilismo. Volta e meia alguém acaba fazendo. No Natal de 2010, eu escrevi sobre um cara que montou uma réplica das 500 Milhas de Indianápolis, que você pode clicar aqui para relembrar, eu recomendo.

Para encerrar e deixar você se empanturrar com a ceia, o segundo presente é a decoração de Natal da F1. Nada melhor que as tradicionais luzinhas (pisca-pisca) com uma temática do esporte a motor. Ah, antes disso, um feliz Natal para você.

grid

A falta de critério da FIA

setembro 16, 2012

A punição a Sebastian Vettel em Monza foi completamente questionável

O desempenho de Fernando Alonso na temporada 2012 da F1 é inquestionável. Quando o carro da Ferrari era ruim, o espanhol conseguiu vencer uma corrida – o GP da Malásia – para se manter na briga pela liderança da tabela de pontos. Depois, com a evolução do equipamento italiano, o piloto ganhou mais duas vezes para disparar na classificação do campeonato.

Assim, após 13 etapas, o piloto da Ferrari lidera a tabela com uma vantagem de 37 pontos para Lewis Hamilton, o segundo colocado.

Embora o desempenho do espanhol seja quase uma unanimidade, o piloto também acabou envolvido em algumas polêmicas. Nas duas últimas etapas, Romain Grosjean e Sebastian Vettel foram punidos por incidentes envolvendo o espanhol.

No caso do piloto da Lotus, não restam muitas dúvidas de que ele realmente foi o culpado pelo salseiro na largada do GP da Bélgica. Apesar disso, a suspensão de uma corrida – o primeiro gancho desse tipo nos últimos 18 anos – pode ser questionada. Afinal, esse não foi o pior acidente nem o erro mais grave da história recente da F1.

A disputa com Vettel em Monza foi ainda mais gritante. Em uma disputa que não aconteceu absolutamente nada, o piloto da Red Bull acabou recebendo um drive-through por espremer o adversário para fora da pista. O problema é que esse tipo de lance é algo recorrente na F1. Nico Rosberg fez isso em duas oportunidades no Bahrein e até mesmo Alonso empurrou o próprio atual bicampeão na própria Monza no ano passado.

Esses episódios podem indicar um protecionismo com relação a Fernando Alonso, mas nada que tire o mérito do bom desempenho na temporada. Aliás, o mais importante aqui é identificar a falta de critério da FIA. Parece que os comissários punem baseado nos pilotos envolvidos – se tiver um campeão a gravidade é maior – e também na plasticidade da batida, não os atos em si.

Nesse final de semana, eu assisti o vídeo do duelo entre Felix Serralles e Jack Harvey na etapa de Silverstone da F3 Inglesa. Na batalha, o piloto da Carlin forçou o adversário para fora da pista, e por muito pouco o carro da Fortec não acabou decolando. Sabe o que a direção de prova fez? Nada!

Talvez esse seja o exemplo mais claro da falta de critério no automobilismo. Em um primeiro momento, podemos pensar que há o mesmo protecionismo em Harvey, que é o único britânico com chances de título na F3. Ou podemos achar que a direção de prova considerou um lance normal, de corrida.

Só que o problema disso tudo é que esses garotos acabam concluindo que podem fazer esse tipo de manobra. Aí, quando chegam à F1, podem eventualmente causar algum acidente à Grosjean ou se envolver em alguma polêmica como Vettel/Alonso em Monza.

Concluindo, o mais importante de tudo isso não é apontar o dedo e afirmar que há proteção com algum piloto. Pelo contrário, o fundamental é que as corridas parem de ser decididas nas salas de direção de prova. Ninguém quer ver uma competição terminar e, minutos depois, chegar um comunicado anunciando meia dúzia de punidos.

O ideal é que os pilotos saibam o que pode ser feito e o que não pode. Assim, evidentemente, o número de punições diminuiria. E qual o melhor jeito de garantir que os atletas aprendam o regulamento? É haver algum consenso desde as categorias de base até as principais.

Romain Grosjean é vítima de protecionismo?

setembro 3, 2012

Talvez Grosjean até merecesse ser suspenso por uma prova, mas a justificativa da FIA não convenceu

Nessa altura do campeonato, não é novidade para ninguém que Romain Grosjean foi suspenso por uma corrida após o forte acidente em que causou no início do GP da Bélgica, disputado no último domingo, dia 2, em Spa-Francorchamps.

Eu questiono se essa foi a decisão correta a ser tomada pelos comissários de prova. Não estou dizendo que Grosjean não merecia ser punido, mas acho que houve um exagero muito grande na pena aplicada.

Talvez o francês realmente precisasse ser suspenso por uma corrida, mas como nos últimos 18 anos nenhum piloto tomou um gancho semelhante, indago se o piloto da Lotus devesse ter sido o primeiro a ser penalizado para servir como exemplo. É claro que o acidente na Bélgica foi grave, mas nos últimos anos vimos algumas batidas tão feias quanto essa e sem uma punição similar.

Aliás, acho que suspender um piloto deveria ser uma pena para algo premeditado – como empurrar um adversário fora da pista ou tentar trapacear de alguma forma – e não apenas para um erro na largada. No entanto, a decisão da FIA foi pela suspensão e até faz sentido. Se chegou a hora de começar a barrar os pilotos, tinha que começar por alguém.

O que me incomoda nessa história toda é a justificativa dada para a pena imposta a Grosjean. Segundo a FIA, o fato de o acidente ter envolvido o líder do campeonato – Fernando Alonso – foi um agravante. Nas palavras da federação, “Os comissários consideram este incidente como uma violação extremamente grave dos regulamentos, pois teve o potencial de causar ferimentos a outras pessoas. Isso tirou os postulantes ao título da corrida”.

Como eu disse, não há como negar que esse acidente teve potencial para ferir outros pilotos. Mas outros enroscos parecidos nos últimos 18 anos também tiveram, e nada foi feito com os culpados.

Porém, ao afirmar que custou a participação de favoritos na corrida, como Lewis Hamilton e Fernando Alonso, a batida ganhou proporções maiores. Geralmente, eu concordaria que tirar os líderes do campeonato em um acidente bobo realmente devesse ser penalizado com maior dureza, mas estamos falando da largada da 12ª etapa de uma temporada com 20 corridas. Como é que se pode determinar nesse momento quem é postulante ao título e quem não é?

É óbvio que alguns competidores podem ser apontados como favoritos pelo que fizeram na primeira metade da temporada, mas será que não está havendo uma generalização? A FIA pode afirmar que os pilotos da Ferrari, McLaren, Lotus e Red Bull estão, de fato, brigando pela taça, mas não é isso que tem acontecido nos últimos três anos? Será que é um absurdo muito grande dizer que existe um protecionismo às principais equipes? Levando em conta o argumento da entidade nesse momento, eu acho que não.

Será que Romain Grosjean é o pior piloto da F1 nos últimos 18 anos? Eu acho que não

Mas eu penso um pouco diferente. Não acho que haja uma proteção tão grande assim aos times de ponta. Na verdade, imagino que os comissários decidiram suspender Grosjean por uma corrida, mas não estavam tão certos sobre qual a justificativa da punição. Então eles fizeram uma lista de fatores para explicar a pena na esperança de que algum item acabasse convencendo todo mundo. Dessa forma, jogaram um monte de argumentos no comunicado.

E isso foi um baita tiro no pé. Eu, por exemplo, estou questionando um suposto protecionismo com relação às grandes equipes. Outra pessoa pode perguntar se o acidente fosse causado por Pedro de la Rosa, com o carro da HRT passando em cima da Marussia de Charles Pic e da Caterham de Vitaly Petrov, teria a mesma punição, afinal não envolveu postulantes ao título.

No final, chegamos a uma conclusão: a FIA não tem a menor noção de suas punições. E esse é o problema. Se houvesse um padrão, não questionaríamos o gancho de Grosjean. Como não há, é melhor Charles Pic se cuidar. Se for com ele, um não postulante ao título, talvez não valha nem uma investigação.


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 89 outros seguidores