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O bilhete premiado de James Calado

abril 21, 2013
James Calado deu passos largos rumo à F1

James Calado deu passos largos rumo à F1

A temporada 2013 da GP2 ainda está no começo, mas James Calado já pode se considerar um vencedor. É que nesta terça-feira, dia 30, o britânico anunciou que terá Nicolas Todt como empresário a partir de agora, integrando o programa All Road Management. E isso com certeza é motivo de comemoração.

Apesar das boas relações com a Ferrari desde a época que o pai, Jean Todt, trabalhava na escuderia, o francês tem trânsito livre por praticamente todas as equipes do grid da F1. Além de Calado, ele também é empresário de Felipe Massa, Pastor Maldonado e Jules Bianchi. Fora Alex Baron, ainda na F-Renault, e o kartista Charles Leclerc.

Ou seja, vendo a influência de Todt, a menos que tenha uma temporada muito ruim neste ano na GP2, Calado já carimbou o passaporte rumo à principal categoria do automobilismo mundial nos próximos anos.

E isso tem uma consequência direta em um brasileiro, Felipe Nasr. Não é nenhuma novidade que o grande duelo na categoria de acesso na atual temporada é entre esses dois pilotos. Embora Fabio Leimer e Stefano Coletti tenham brilhado nas duas primeiras rodadas, eles encaram o mesmo problema que atrapalhou Davide Valsecchi e Luiz Razia no último ano: já são veteranos no certame e não empolgam mais as equipes da F1.

As escuderias acreditam que eles já mostraram o que tinham para mostrar, por isso é mais do que obrigação andarem na frente neste momento. Eles até podem alcançar a categoria principal no próximo ano, mas sempre condicionado a um bom suporte financeiro.

Nasr e Calado, por outro lado, são a novidade no grid. Eles tiveram um bom ano de estreia na categoria em 2012 – principalmente o piloto inglês –, agradaram e foram alçados ao posto de favoritos neste ano.

Como ambos têm um empresário forte por trás (o de Nasr é Steven Robertson, o mesmo de Kimi Raikkonen e que já trabalhou com Jenson Button), o resultado na pista a partir de agora passa a ser um diferencial. Quem terminar na frente, certamente terá um poder de barganha melhor para chegar à F1.

Neste momento, eu diria que há um empate entre eles. Enquanto Calado conta com uma equipe mais estruturada na GP2 – a ART Grand Prix –, o brasileiro tem patrocinadores mais fortes, que podem garantir o próximo passo da carreira. É por isso que, nesse momento, o confronto direto é tão importante.

O sucesso da F-BMW

abril 14, 2013
Felipe Nasr (12) é um dos cinco campeões da F-BMW na GP2

Felipe Nasr (12) é um dos cinco campeões da F-BMW na GP2

A GP2 sofreu em 2012 com um grid enfraquecido e a proliferação de pilotos pagantes em quase todas as equipes. Entretanto, para a atual temporada, a situação mudou. O campeonato conseguiu atrair bons competidores, vindos de diversos certames do mundo, e a qualidade das corridas aumentou.

Para este fim de semana no Bahrein, a categoria ganhou mais dois reforços. Alexander Rossi, reserva da Caterham na F1, foi colocado no time da GP2 para compensar a chegada de Heikki Kovalainen, substituindo Qing Hua Ma. O outro nome estreando no grid é o do atual campeão da World Series by Renault, Robin Frijns, que entra na vaga de Conor Daly na Hilmer.

Há uma coisa em comum entre esses dois pilotos. Eles surgiram para o mundo ao serem campeões da extinta F-BMW. Rossi venceu a versão Americas do certame, em 2008, tendo disputado corridas nos Estados Unidos, no Canadá e no Brasil. Já Frijns triunfou na F-BMW Europeia, em 2010, superando nomes como Jack Harvey, Carlos Sainz Jr. e Michael Lewis.

Na GP2, curiosamente, eles vão encontrar pilotos com currículos parecidos. Felipe Nasr, por exemplo, foi campeão da F-BMW Europeia um ano antes de Frijns, enquanto Rio Haryanto triunfou na versão do Pacífico em 2009. E até mesmo Marcus Ericsson foi campeão da F-BMW Inglesa, em 2007.

Apesar disso, evidentemente nem todos os pilotos que passaram pela categoria criada pela montadora alemã na década passada tiveram sucesso nas carreiras. Por isso, o World of Motorsport lista aqui cinco brasileiros que tiveram boas passagens pela F-BMW, mas não conseguiram repetir os passos de Nasr, Rossi, Frijns, entre outros.

Antes de começar, faço uma observação. É curioso como os brasileiros tiveram desempenho muito bom na F-BMW como um todo. Uma pena que eles não conseguiram manter o bom momento e ficaram pelo caminho. Além disso, evitei colocar nomes muito obscuros como Marcos Vilhena e Marco Santos, dos quais eu nunca tinha ouvido falar até o dia de hoje.

Ricardo Favoretto

5) Ricardo Favoretto

Ricardo fez carreira no kartismo em São Paulo até 2006, quando foi o vencedor de uma das várias bolsas distribuídas pela BMW. Com ela, ele pôde fazer a transição para os monopostos no ano seguinte, onde disputou a F-BMW Americas pela equipe HBR. No primeiro ano, o paulista conquistou apenas um único pódio e terminou o campeonato com a oitava colocação, atrás de nomes como Daniel Morad (o campeão), Estaban Gutiérrez e Alexander Rossi.

Mesmo tendo passado longe do título, Favoretto continuou no certame no ano seguinte, fechando com a poderosa equipe Eurointernational, para ser companheiro de Rossi. Como o americano começou 2008 mal, o brasileiro aproveitou a vitória na etapa de Montreal para se colocar na briga pelo título. O problema é que o americano esteve imbatível depois disso.

Rossi venceu dez das últimas 12 corridas disputadas e garantiu a taça com uma ampla vantagem contra o concorrente. Favoretto, por outro lado, ainda se viu obrigado a trocar de equipe – da Eurointernational para a Autotecnica – para poder terminar o campeonato. Ainda assim, ele ainda somou outros cinco pódios (todos pelo time americano) para terminar com o vice-campeonato.

Depois da passagem pela América, o piloto voltou ao Brasil, onde deixou a carreira no automobilismo de lado para se dedicar à faculdade.

Henrique Martins

4) Henrique Martins

Nascido em 1992, Martins é dono de uma das carreiras mais longevas entre os brasileiros que passaram pela F-BMW. O paulista estreou no certame Europeu, em 2008, pela equipe Eifelland, onde não teve um bom desempenho. O melhor resultado dele foi o quinto lugar em Valência, mas essa foi a única vem em que terminou no top-10. Com isso, foi o 19º na classificação geral, com 38 pontos.

Para 2009, Henrique resolveu deixar a Europa para voltar a correr no Brasil. Pela equipe Cesário, ele foi campeão da divisão Light da F3 Sudamericana, com nove vitórias e 13 pole-position em 18 corridas. O bom momento da carreira o fez voltar à Europa para correr na F-Renault Europeia.

Entretanto, mais uma vez ele não foi bem. Andando pela Cram, o brasileiro disputou dez corridas, somou apenas três pontos e foi o 21º entre os 24 pilotos do certame. Mesmo assim, ele resolveu permanecer no campeonato em 2011, e o esforço foi recompensado. Em um grid muito mais cheio, Martins somou cinco pontos, mas apresentou um ritmo muito melhor que o do ano anterior, tendo até mesmo subido ao pódio em uma etapa da F-Renault Alps.

Para manter a evolução da carreira, ele disputou a F3 Italiana no ano passado, onde terminou com a quarta colocação e três vitórias, um desempenho muito bom para um novato. Infelizmente, depois disso ele parou de correr e não anunciou nenhum plano para 2013.

Giancarlo Vilarinho

3) Giancarlo Vilarinho

Quando Felipe Nasr conquistou o título da F-BMW Europeia em 2009, a expectativa era que o Brasil vencesse também a versão Americas, já que Vilarinho havia liderado boa parte da temporada. Correndo pela Eurointernational, o paulista venceu cinco corridas consecutivas, entre as sete primeiras etapas do ano, disparando na classificação.

O problema é que nas últimas sete etapas ele venceu apenas mais duas, abandonou algumas vezes e viu Gabby Chaves – que nunca terminou fora do pódio – ser campeão. De qualquer forma, o brasileiro fechou o ano com sete vitórias e nove pole-position, um desempenho muito bom para quem quisesse dar o próximo passo da carreira.

Só que Vilarinho estagnou aí. Ele chegou a participar de uma etapa da Star Mazda, ainda em 2009, em Laguna-Seca, onde abandonou. No ano seguinte, o brasileiro ficou boa parte do tempo sem correr, mas tomou parte de duas corridas da Indy Lights, em Mid-Ohio e em Sonoma, sendo 13º e décimo. Depois disso, nunca mais correu de nada. E pensar que Gabby Chaves só chegou à Indy Lights agora em 2013.

Tiago Geronimi

2) Tiago Geronimi

Se Favoretto e Vilarinho realmente chegaram próximos de serem campeões, Geronomi foi o brasileiro que mais encantou na Europa. O paulista estreou na F-BMW Alemã, em 2007, pela equipe Eifelland. Como novato, teve um ano bom, conquistando dois quintos lugares em Barcelona e fechando com a 11ª colocação na classificação geral.

O problema de Geronimi foi a fusão entre o certame alemão e inglês da categoria, formando a F-BMW Europeia, em 2008. No novo campeonato, ele não conseguiu se encontrar. Nas primeiras oito corridas, conquistou a 11ª posição como melhor resultado e sequer conseguiu pontuar – fechar no top-20 – em quatro delas.

Só que tudo mudou na segunda metade do campeonato. Tiago terminou duas vezes em sexto na Hungria e depois venceu três das últimas seis corridas, incluindo um 100% de aproveitamento em Monza. Com isso, ele pulou do limbo da classificação para o quinto lugar do campeonato. O desempenho nas últimas provas foi tão bom que ele era apontado como o único concorrente capaz de fazer frente a Esteban Gutiérrez, o campeão.

E de fato ele continuou em ascensão. Para 2009, ele fechou com a poderosa equipe Signature, da F3 Euro. Juntos somaram apenas dois pontos, graças ao quinto lugar em Norisring, mas o desempenho no geral foi bom para um novato, já que o brasileiro sempre terminava próximo à zona de pontos.  Porém, mesmo com proposta para correr novamente em 2010, ele optou por voltar ao Brasil, onde tomou parte da Copa Montana nas últimas três temporadas. Conquistou algumas vitórias e se mostrou um piloto extremamente rápido, mas bastante irregular.

Atila Abreu

1)      Átila Abreu

Átila é dono do melhor desempenho de um piloto brasileiro na F-BMW. Correndo pela equipe Mücke, o paulista conquistou duas vitórias, uma pole, 11 segundos lugares e dois terceiros, uma campanha digna de título, portanto. O problema era o outro piloto da escuderia, um tal de Sebastian Vettel, que terminou na frente em 18 das 20 provas disputadas e começou aí a construir o mito que todos conhecemos.

Assim como Vettel, Átila já havia disputado a F-BMW no ano anterior, sendo o nono colocado. Com o vice-campeonato de 2004, o brasileiro tentou continuar nos monopostos, onde participou da F3 Euro na temporada seguinte. Terminou em 15º, com 12 pontos e resolveu voltar ao Brasil para correr na Stock Car, pois, por ser muito alto, tinha problemas para andar em monopostos.

Levando em conta que o principal parâmetro de Átila na Europa era Vettel, é difícil pensar no que ele poderia ter alcançado se continuasse por lá.  Talvez conseguisse até chegar à F1.

GP2 2013

março 2, 2013
O que você não sabe sobre a GP2: apesar do nome James Calado é um cara que não sabe parar de falar

O que você não sabe sobre a GP2: apesar do nome James Calado é um cara que não sabe parar de falar

Principal campeonato de acesso à F1, a GP2 dá início à temporada 2013 do certame nesta semana, em Sepang na Malásia. Se no ano passado a categoria sofreu com a concorrência da World Series by Renault, neste ano ela retorna ao posto de honra como categoria principal na preparação de jovens pilotos. Afinal, dos cinco novatos que debutaram na F1 no último fim de semana, quatro – Esteban Gutiérrez, Giedo van der Garde, Max Chilton e Jules Bianchi – haviam corrido no certame de Bruno Michel.

Apesar disso, nenhum dos quatro foi protagonista da temporada passada. Dentre eles, Gutiérrez foi o melhor classificado, em terceiro, com Chilton aparecendo na sequência. Van Der Garde, por sua vez, foi apenas o sexto, enquanto Bianchi não correu, pois estava na World Series.

Por causa disso, há quem questione a necessidade de se passar pela GP2, pois campeão e vice de 2012 não estão na F1. Davide Valsecchi, que terminou o ano com a taça, se tornou apenas reserva da Lotus, já Luiz Razia perdeu o lugar na Marussia no último minuto em uma história muito mal explicada envolvendo os patrocinadores.

Mas essa é uma crítica incoerente. Uma das principais reclamações que a GP2 tem recebido é que ela favorece a veteranos. Nos últimos anos, nomes como Giorgio Pantano, Romain Grosejan, Luca Filippi, Pastor Maldonado e o próprio Valsecchi ficaram pelo menos quatro temporadas no certame antes de terminarem com o título (ou o vice). Ou seja, o trabalho de revelar novos pilotos praticamente não acontecia. E os próprios veteranos não impressionavam mais o paddock da F1. Não é por acaso que os italianos sequer chegaram à categoria.

Assim, justamente no ano em que as equipes da F1 ignoraram os veteranos e olharam apenas para os menos experientes – ainda que Gutiérrez e Chilton também não tenham impressionado – a GP2 é criticada.

Algumas equipes da GP2 apostam em pilotos experientes. Esse é Ken Smith, mas ele só corre na Nova Zelândia

Algumas equipes da GP2 apostam em pilotos experientes. Esse é Ken Smith, mas ele só corre em certames da Nova Zelândia

Outro problema que a categoria de base vai enfrentar neste ano é a estrutura precária de algumas equipes. Nomes tradicionais como a Super Nova e a iSport deixaram o campeonato para a chegada de conglomerados investidores como a Russian Time e a Hilmer. Eu escrevi um texto sobre isso no Grande Prêmio e você pode clicar aqui para relembrar.

De qualquer forma, a GP2 começa 2013 com um grid de qualidade onde mais uma vez novatos e veteranos se misturam. É muito cedo para apontar favoritos, pois nem sempre os treinos da pré-temporada dizem a verdade sobre o campeonato, e a experiência dos pilotos com os pneus Pirelli serão fundamentais para decidir o vencedor deste ano.

Ainda assim, fiz uma lista de cinco pilotos que devemos ficar de olho para a temporada 2013:

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5) Marcus Ericsson – Dams

Nos últimos quatro anos, o piloto sueco foi constantemente colocado como um dos favoritos para vencer a GP2. Tendo feito carreira na F3 Inglesa e na F3 Japonesa, Ericsson atraiu uma multidão de fãs no norte da Europa que fazia questão de colocá-lo como um dos pilotos mais brilhantes da geração.

Passados três anos da estreia na GP2, Ericsson parece ter desencantado só agora. Nas últimas seis corridas da temporada passada, ele foi o piloto que mais marcou pontos, tendo subido três vezes ao pódio. Para melhorar a situação, para 2013, ele assinou com a Dams, equipe que venceu os dois últimos títulos com Grosjean e Valsecchi.

Por começar o quarto ano na categoria com um time de ponta, Ericsson naturalmente seria o favorito para ficar com a taça. Entretanto, ele não foi tão bem nos treinos coletivos. Embora tenha sido o segundo colocado no último dia em Barcelona, ele jamais liderou uma sessão, fechando quatro dos seis dias de atividade entre o sexto e o oitavo posto.

Se o nórdico conseguir dar a volta por cima no início da temporada e deslanchar a vencer corridas, é capaz que termine com o título de 2013 sem maiores dificuldades. O problema, porém, vai ser convencer as equipes da F1 que ele merece uma chance no próximo ano, ao contrário de Davide Valsecchi e Luiz Razia.

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4) Tom Dillmann – Russian Time

Como eu disse anteriormente, é verdade que pré-temporada não define campeonato, mas no caso de Dillmann os treinos coletivos foram fundamentais. É que depois de liderar as duas primeiras sessões pela equipe Hilmer, as portas se abriram para o francês. Ele foi convidado a testar pela ISR, na World Series, e quando se preparava para negociar o contrato acabou chamado pela Russian Time, estreante na GP2.

Não há dúvidas de que Dillmann é bom piloto. No ano passado, por exemplo, ele disputou apenas meia temporada, mas conseguiu uma vitória na corrida curta da segunda etapa do Bahrein. Depois acabou sem dinheiro, pois o grupo que investia nele teve problemas fiscais. Agora, com os russos dispostos a pagarem para que ele corra, a chance de obter melhores resultados na GP2 é maior.

O problema é a falta de experiência da Russian Time. Ainda que eles tenham comprado a estrutura da iSport, a equipe é operada pela Motorpark Academy, um time apenas razoável da Alemanha. E desde que assinou com a nova escuderia, o desempenho nos treinos coletivos caiu. Ele foi sétimo, 16º e nono na última sessão de atividades.

Por isso, além de haver dúvidas quanto à capacidade de a Russian Time ser competitiva ainda dá para imaginar se o domínio nos testes com a Hilmer não foi algo fabricado para que a equipe estreante terminasse na primeira posição.

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3) Stefano Coletti – Rapax

Eu realmente não vejo o piloto monegasco como um candidato ao título neste ano, mas é verdade que ele reúne algumas das qualidades importantes para terminar com a taça. Contratado pela Rapax no fim do ano passado, Coletti inicia em 2013 a terceira temporada na GP2, tendo acumulado experiência importante na categoria.

E ele já se mostrou capaz de vencer corridas, tendo triunfado nas provas curtas da Turquia e da Hungria, em 2011, quando andou pela Trident. Depois de uma temporada decepcionante no ano passado, ainda mais por causa de toda a instabilidade envolvendo a presença da Coloni na GP2, o piloto pode mostrar em 2013 que o último campeonato foi apenas um mau momento.

Nos treinos de pré-temporada, o desempenho foi bastante positivo, tendo sido o mais rápido em dois dos três últimos dias de atividade em Barcelona. O único problema é que essa não é a primeira vez que a Rapax lidera os testes de inverno. Há dois anos, o time italiano dominou tudo com Fabio Leimer, mas quando chegou o campeonato…

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2) Felipe Nasr – Carlin

Depois de um ano de altos e baixos em 2012, o piloto brasileiro começa a nova temporada da GP2 como um dos favoritos ao título. Embora Marcus Ericsson esteja bem cotado por causa da experiência, o que todo mundo quer ver neste ano é um duelo emocionante entre o piloto da Carlin e James Calado pela taça.

Aliás, só por estar na equipe inglesa já é uma boa notícia para Nasr. Foi com essa equipe que ele venceu a F3 Inglesa, há dois anos, e é onde se sente em casa. Um ambiente muito diferente da Dams, no ano passado, onde Valsecchi era sabidamente o primeiro piloto do time.

Essa mudança de equipe já deu resultado na pré-temporada. Nos últimos três dias de atividade em Barcelona, o brasileiro foi duas vezes segundo colocado e uma terceiro, mostrando que é, sim, um dos nomes a ser batido em 2013.

Durante o Desafio das Estrelas, no início do ano, eu o entrevistei e perguntei se ele achava que o fato de pilotos como Gutiérrez, Chilton, Sergio Pérez e Charles Pic terem chegado à F1 mesmo sem o título da GP2 era algo que poderia beneficiá-lo. Ele concordou, mas disse que está focado em terminar o ano com a taça de campeão. Para isso, elegeu dois grandes rivais. Marcus Ericsson e…

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1)      James Calado – ART Grand Prix

Não acho que há palavras suficientes para descrever a temporada 2012 do piloto britânico. Estreando na GP2 pela ART Grand Prix e tendo a função primordial de escudeiro de Esteban Gutiérrez, James Calado mostrou desde a primeira corrida que estava pronto para alçar voos maiores.

Mesmo sendo um novato, ele só foi ultrapassado pelo companheiro de equipe na metade do campeonato. Durante toda a campanha, conquistou duas vitórias, duas poles, sete pódios, além da frustrante corrida em Valência, quando havia dominado de ponta a ponta, mas um safety-car pouco antes de fazer a parada obrigatória tirou-lhe as chances de vitória.

Por já ter disputado um ano da GP2, a Racing Steps Foundation deveria ter retirado o patrocínio para 2013 e focar apenas em garotos mais jovens. Mas eles acreditam tanto que Calado é, sim, a nova esperança do automobilismo britânico que resolveram ampliar o vínculo, mantendo-o na equipe mais estruturada do certame.

Se conseguir conquistar o título da GP2 em 2013, Calado vai encerrar um incômodo jejum. É que ele nunca foi campeão de nada na carreira. Os únicos títulos vieram nos campeonatos de inverno da F-Renault Inglesa e Portuguesa, ainda em 2008. Desde então, foi de forma consecutiva vice-campeão da F-Renault UK, da F3 Inglesa, da GP3 e quinto colocado na GP2 no ano passado.

Bom, se esse retrospecto de Vasco da Gama permanecer, Felipe Nasr tem bons motivos para iniciar o ano ainda mais confiante.

Velhos conhecidos

janeiro 13, 2013
Jazeman Jaafar está de volta à Carlin em 2013

Jazeman Jaafar está de volta à Carlin em 2013

Sempre favorita ao título da World Series by Renault, a Carlin confirmou nesta semana a dupla para a nova temporada. O malaio Jazeman Jaafar, atual vice-campeão da F3 Inglesa, terá como companheiro o colombiano Carlos Huertas, que estava na Fortec.

Curiosamente, essa não é a primeira vez que esses dois pilotos vão dividir a equipe. Eles foram parceiros em 2011, na F3 Inglesa, quando Huertas terminou com a terceira colocação e Jaafar foi o sexto.

Para uma escuderia que teve Will Power, Sebastian Vettel, Jean-Éric Vergne, Oliver Turvey e Jaime Alguersuari em suas canteras, a nova dupla foi recebida com certo desanimo, afinal trata-se de dois pilotos que pouco mostraram até agora em suas carreiras.

Jaafar é, de longe, quem teve mais sucesso. O malaio foi campeão da F-BMW Asiática antes de se mudar para a Europa. No entanto, no Velho Continente precisou de três temporadas na F3 Inglesa para ganhar a primeira corrida, terminando com o vice em 2012.

Huertas, por sua vez, também disputou o campeonato inglês por três anos – conquistando uma única vitória nesse período – antes de fechar 2011 com o terceiro lugar. O colombiano disputou, ainda, a World Series by Renault no ano passado, marcando apenas 35 pontos, sendo o 16º na classificação final.

Mesmo com a nova dupla não empolgando, a Carlin espera repetir uma receita de sucesso para ficar com o título de 2013. Nas duas vezes que a escuderia inglesa conquistou a taça da World Series by Renault, seus pilotos já eram velhos conhecidos.

Mikhail Aleshin só conseguiu bons resultados depois que passou um ano longe da Carlin

Mikhail Aleshin só conseguiu bons resultados depois que passou um ano longe da Carlin

Entre 2006 e 2008, a equipe inscreveu um carro para Mikhail Aleshin e, a partir de 2007, outro para Robert Wickens. Ambos faziam parte do programa de jovens pilotos da Red Bull, mas pouco renderam na categoria. Nesse tempo, eles conseguiram somente uma vitória cada, enquanto o russo teve o melhor resultado final com o quinto lugar em 2008.

Na temporada seguinte, a Red Bull decidiu que ambos iriam competir na então recém-criada F2, fazendo com que a Carlin fosse obrigada a apostar em outros pilotos. Na categoria da FIA, Wickens fechou com o vice-campeonato, enquanto Aleshin terminou com o terceiro lugar. Insatisfeita com o resultado, a empresa rubro-taurina acabou dispensando os dois.

Aí, quem entrou em cena foi a Carlin. Em 2010, a equipe inglesa resolveu dar uma nova chance a Aleshin. Mesmo competindo contra Daniel Ricciardo, da poderosa Tech 1, o russo finalmente conquistou o título da World Series, com três vitórias na campanha.

Em 2011, foi a vez de Wickens voltar ao time. Depois de ter ficado com o vice-campeonato da GP3, o canadense foi chamado pela escuderia inglesa para ser parceiro de Jean-Éric Vergne. Mesmo pressionado pelo francês até a última corrida, Robert conseguiu levantar a taça de campeão com cinco vitórias e sete poles.

Para a nova temporada, a estratégia é a mesma: apostar que o retorno de Huertas à escuderia seja o suficiente para levá-lo ao título.

A Carlin, na verdade, é uma das equipes que melhor trabalha a relação com os pilotos. Desde quando começou a participar da World Series, a escuderia ajudou na transição da F3 para os carros maiores de nomes como Narain Karthikeyan, Alguersuari, Turvey, Vergne e Kevin Magnussen, além de agora Jaafar. Isso sem contar Antonio Félix da Costa, que começou o relacionamento do time em Macau, em 2010, rendeu uma participação na GP3 e foi coroada com o título no Circuito da Guia no ano passado.

Apesar disso, o maior exemplo para nós aqui no Brasil é o de Felipe Nasr. Depois de conquistar o título da F3 Inglesa, em 2011, pela Carlin, o brasiliense acertou o retorno à escuderia no fim do ano passado, onde já competiu no GP de Macau, além de competir na GP2 neste ano.

GP de Macau de F3 2012: Todos contra Nasr e Félix da Costa

novembro 14, 2012

António Félix da Costa, no carro do dragão, tem a pole provisória em Macau

Se eu fosse apontar os melhores jovens pilotos das últimas duas temporadas, sem dúvida nenhuma diria que Felipe Nasr foi o grande nome de 2011, enquanto António Félix da Costa esteve imbatível neste ano.

Embora Nasr tenha competido na GP2, na última temporada, e Félix da Costa tenha se dividido entre World Series by Renault e GP3, os dois estão na disputa do GP de Macau de F3, que acontece neste fim de semana. Por isso, por causa de toda a experiência da dupla, não é nenhum absurdo dizer que a edição de 2012 da corrida asiática é um verdadeiro embate de todos os outros pilotos contra eles.

E isso ficou claro neste primeiro dia de treinos no Circuito da Guia. Felipe Nasr marcou o melhor tempo no único treino livre, enquanto Félix da Costa cravou a pole provisória no primeiro classificatório.

O carro cor de banana de Felipe Nasr está de volta em 2012, com muito mais patrocinadores que no último ano

Entre os outros 28 pilotos, que tentam honrar a classe da F3, a briga está aberta. Até agora, quem tem se destacado de forma surpreendente é Felix Rosenqvist, que colocou o carro da Mücke na segunda colocação em ambas as atividades. Essa é a terceira vez que o sueco compete em Macau, mostrando que a experiência faz, sim, diferença.

Outro que não pode ser esquecido é Daniel Juncadella. Campeão da F3 Euro e vencedor do GP de Macau do ano passado, o espanhol chegou ao antigo enclave português como favorito, mas ainda não conseguiu entrar na briga pelas primeiras colocações. No entanto, vale lembrar que o piloto também não estava entre os ponteiros, em 2011, mas acabou vencendo a prova.

Por fim, Carlos Sainz Jr., Felix Serralles, Daniel Abt e Raffaele Marciello formam um grupo de pilotos que corre por fora na luta pelo título.

Dito isso, o embate em 2012 parece estar mais aberto que nos últimos anos. Apesar da vitória de Juncadella na última edição do GP, quem teve o carro dominante nos últimos três anos foi a equipe Signature, que fechou as portas nesta temporada. Ou seja, não há mais uma escuderia franca favorita.

Sem o time francês, essa é a chance de ouro da Carlin, gigante equipe da F3 Inglesa, finalmente conquistar a primeira vitória em Macau desde Takuma Sato, em 2001. O bom desempenho de Nasr e Félix da Costa mostra que os britânicos estão no caminho certo. Prema, Mücke e Fortec, por sua vez, também estão na luta pela primeira vitória na prova asiática.

Para encerrar, é claro que ter um carro rápido é importantíssimo em Macau, mas o mais importante é sobreviver até a bandeira quadriculada. O fim de semana por lá é muito desgastante, cheio de treinos e corridas em vielas apertadas, e por isso a chance de acidentes é muito grande. Uma batida para qualquer um dos favoritos pode significar game over. Que o diga Valtteri Bottas no ano passado.

Mais do mesmo

outubro 30, 2012

Os treinos da GP2 começaram com três brasileiros: André Negrão, Lucas Foresti e Felipe Nasr

Depois de uma temporada sonolenta, sem brilho e ignorada pelos campeões das demais categorias de base, a GP2 voltou à pista nesta terça-feira, dia 30, para o primeiro dos dois dias de treinos coletivos no circuito de Barcelona. Dessa vez, a lista de inscritos prometia um pouco mais de emoção que o último ano.

Se nos primeiros treinos da pós-temporada de 2011 nomes como Fabio Onidi, Fabrizio Crestani e Giancarlo Serenelli eram o que havia de novidade – além da ausência de Valtteri Bottas, então campeão da GP3 –, agora 15 dos 27 pilotos presentes não haviam disputado o campeonato encerrado no mês passado.

Entre os estreantes, estavam Mitch Evans (campeão da GP3), Daniel Abt (vice da mesma GP3), Daniel Juncadella (campeão da F3 Euro), Adrian Quaife-Hobbs (campeão da AutoGP) e Gianmarco Raimondo (campeão da antiga F3 Espanhola). Além deles, os brasileiros André Negrão e Lucas Foreti, oriundos da World Series by Renault, também tomaram parte do treino.

É claro que a presença de tantos novatos nessa primeira atividade não significa um grid mais competitivo em 2013. Daqui até o início do campeonato, muita coisa ainda vai mudar. Mas esse primeiro treino já é uma esperança de que poderemos ter uma disputa melhor no próximo ano.

Daniel Abt testou pela Lotus. Juro que nunca vi tanto patrocínio em um carro da GP2 antes

No entanto, se levarmos em conta apenas o resultado deste primeiro dia de atividades, já podemos começar a pensar em 2014. Quem terminou na frente foi o veteraníssimo Luca Filippi, que colocou o carro da Coloni na primeira colocação. Porém, é preciso fazer uma ressalva aqui. A escuderia italiana já anunciou que não vai participar do campeonato de 2013, depois de se desentender com a organização da GP2. Não li nada a respeito, mas acredito que os treinos da pós-temporada façam parte do contrato das equipes, ou seja, se a Coloni não participasse dessa atividade seria obrigada a pagar uma multa altíssima.

Por isso, eles escolheram dois pilotos – Filippi e Daniel de Jong – sem se preocupar com o desenvolvimento do carro. Colocaram pneus novos, pouco combustível e lideraram a sessão. Não deixa de ser um jeito de, quando saírem de vez, tentaram mostrar que a GP2 está perdendo uma equipe grande, que esteve na frente em todos os treinos. Sendo que não é bem essa a verdade.

Levando em conta o desempenho da Ocean – que mal completou voltas com Kevin Ceccon e Ramon Piñeiro – também não duvido que a equipe portuguesa siga o mesmo caminho. Ou seja, ela está no treino porque é obrigada, mas terminando o ano vão desistir do campeonato, tentando achar algum comprador.

Voltando ao que aconteceu na pista, os pilotos mais experientes obviamente levaram vantagem. Dos dez primeiros, apenas três foram novatos: Quaife-Hobbs, Evans e Jake Rosenzweig. E isso é mais do que natural. Até os estreantes se adaptarem totalmente à categoria, eles ainda vão tomar tempo dos mais velhos.

Felipe Nasr assumiu o carro usado por Max Chilton em 2012

Por isso, nessa onda, a 13ª colocação de Felipe Nasr deixou um pouco a desejar. Pelo que vi, a Carlin não se preocupou em fazer voltas rápidas nesse primeiro dia, por isso o brasileiro não conseguiu entrar na briga pelo top-10. Por outro lado, ele também terminou 0s2 atrás do companheiro de equipe, Rio Haryanto, que ficou com a sexta colocação.

É claro que o primeiro treino não quer dizer nada e, em 2012, a pré-temporada de Nasr foi bastante ruim, tanto que o bom rendimento dele nas primeiras etapas do ano foi de certa forma surpreendente. Mas para quem precisa puxar para si o rótulo de favorito, não foi um bom começo.

Justamente pela necessidade de mostrar resultado no próximo ano, acho uma furada competir pela Carlin. Pelo time britânico, Nasr foi campeão da F3 Inglesa, em 2011, e terminou a corrida de Macau na segunda colocação. Como eles já estão trabalhando de olho em uma nova participação na etapa asiática, em novembro, era mais do que natural que o trabalho se estendesse até a GP2.

Por isso, até o momento, foi só um teste, e o brasileiro não tem nada fechado com a escuderia. O que Felipe pode apostar para 2013 é se juntar a um time o qual já conhece e tentar aproveitar o bom momento da escuderia, que terminou o último campeonato na quarta colocação, com Max Chilton conquistando duas vitórias.

Campeão da Auto GP, Adrian Quaife-Hobbs foi um dos pilotos da Addax

O problema, é que o bom rendimento da equipe inglesa se deu muito mais pela experiência de Chilton. Assim como a Arden teve um bom ano porque Luiz Razia estava lá e não porque o equipamento em si era um foguete. Esse, aliás, é um erro comum de acontecer. Na história recente da GP2, alguns pilotos fecharam contrato com equipes pensando em repetir o desempenho delas no ano anterior. Só que, na pista, a realidade foi bastante diferente.

Para citar alguns exemplos, Stefano Coletti acertou com a Coloni, em 2012, esperando andar no mesmo ritmo de Luca Filippi, que havia dominado a segunda metade da temporada anterior. O monegasco sequer aguentou até o fim do campeonato e trocou de time. No ano anterior, Fabio Leimer havia apostado na Rapax, esperando ter um desempenho similar ao de Pastor Maldonado na campanha pelo título. É claro que os quatro anos de experiência do venezuelano falaram mais alto, e Leimer foi apenas o 14º. Portanto, não é errado dizer que esses pilotos perderam um ano da carreira a partir de escolhas erradas.

Pessoalmente, ainda acredito que as equipes grandes são o porto seguro da GP2. Competir pela Lotus (ART) e pela Addax (e em grau menor pela Racing Engineering e pela iSport), ainda é uma vantagem muito grande. Essas escuderias fornecem bons equipamentos aos pilotos e, mesmo em um dia ruim dos competidores, elas conseguem fazer com que somem pontos importantes. Basta ver o oitavo lugar de James Calado, em Valência (onde poderia ter sido um prejuízo muito maior), e a vitória de Johnny Cecotto Jr em Hockenheimring.

Para encerrar, vale destacar o bom desempenho de André Negrão nesta terça. Depois de dois anos na World Series, o piloto paulista testou na GP2 pela Racing Engineering e terminou com a 12ª posição, colocando quase 1s em Gianmarco Raimondo, o outro piloto da escuderia.

Para ler a história completa e ver os tempos desse primeiro dia de atividades da GP2, basta clicar aqui.

A volta de Felipe Nasr a Macau

outubro 10, 2012

Felipe Nasr terminou com a segunda colocação no GP de Macau de 2011 com seu carro cor de banana

Felipe Nasr está de volta à F3. Depois de conquistar o título da F3 Inglesa em 2011, o brasileiro foi anunciado ao lado de outros 29 pilotos para a disputa do GP de Macau, marcado para o dia 18 de novembro, novamente pela Carlin.

Após o título britânico, Nasr disputou a GP2 na última temporada, terminando na décima colocação, com quatro pódios conquistados. Embora já esteja em um degrau mais acima do automobilismo, o brasiliense revelou que a vitória em Macau é uma espécie de objetivo da carreira.

Em 2011, o triunfo passou perto. O piloto brasileiro tinha um dos carros mais rápidos do grid, disputando a vitória até o final contra Marco Wittmann – o favorito – e Daniel Juncadella. O espanhol levou a melhor em batalhas que chegaram a ter quatro carros lado a lado nas retas e conquistou a taça. Você pode relembrar como foi a corrida clicando aqui.

Agora, para tentar a sonhada vitória em Macau, Nasr deixa a GP2 de lado por alguns dias para se dedicar novamente à F3.

Ao contrário de 2011, quando apesar de ter um dos melhores carros o brasileiro não tinha tanta pressão para ser o vencedor, dessa vez Felipe tem obrigação de vencer. De todos os 30 inscritos, Nasr é o piloto mais experiente tanto em termos de títulos quanto do momento de carreira.

Dos 30 participantes, 27 disputaram uma F3 ou a GP3 em 2012, enquanto Nasr já está na GP2. Para completar a conta, Kevin Korjus (inscrito pela pequena Double R) tomou parte da World Series by Renault e Alex Sims (da ainda menor T-Sport) disputou corridas de endurance. O último piloto com currículo mais extenso é Antonio Félix da Costa, que se dividiu entre GP3 e World Series neste ano e faz parte do programa de pilotos da Red Bull.

Além de ser o piloto mais experiente do grid, Nasr ainda conta com um histórico positivo de participação dos competidores da GP2 em Macau. Desde a criação da categoria de acesso da F1, em 2005, Felipe será o terceiro piloto a competir na tradicional prova asiática. Em 2007, Bruno Senna tomou parte da corrida pela equipe Double R, mas ficou pelo caminho em um final de semana bastante conturbado.

Em 2009, foi a vez de Edoardo Mortara retornar aos carrinhos da F3 após um ano bastante ruim na GP2, onde chegou com pinta e promissor, mas acabou superado com extrema facilidade pelo companheiro de equipe, um mexicano bastante rápido chamado Sergio Pérez. Em Macau, o italiano mostrou todo o talento e conquistou a primeira das duas vitórias da carreira no GP.

Edoardo Mortara venceu pela primeira vez em Macau, em 2009, depois de correr na GP2 por uma temporada

Fora da GP2, nos últimos anos, outros dois pilotos também fizeram a transição de carros mais potentes para o F3 em busca da vitória na antiga colônia portuguesa. Em 2008, Roberto Streit deixou a F-Nippon, mas acabou abandonando nas ruas de Macau. Três anos antes, em 2005, então campeão da World Series by Renault, Robert Kubica aceitou retornar à F3 para terminar no segundo lugar em uma prova que teve vitória de Lucas Di Grassi e Sebastian Vettel no pódio.

Dito isso, quais seriam as chances reais de Nasr vencer em 2012? Tudo vai depender do equipamento que ele tiver em mãos. Vale lembrar que a F3 mudou o carro nesta temporada, e o imbatível chassi #016 – com o qual Jaime Alguersuari, Daniel Ricciardo, Jean-Éric Vergne e Nasr foram campeões – agora é peça de museu.

Além desse problema de adaptação, também vai depender de qual equipe o brasileiro vai à disposição. Provavelmente, os engenheiros com quem trabalhou em 2011 já estão com outros pilotos, ou seja, dificilmente ele vai conseguir repetir o mesmo ambiente de trabalho do último ano. Portanto a grande questão é se o aprendizado por competir na GP2 será suficiente para superar esses obstáculos.

Por fim, vale lembrar que a Carlin está em uma situação um pouco melhor que no ano passado. Em 2011, a equipe disputava apenas a F3 Inglesa e por isso estava um pouco atrás das equipes da F3 Euro – que tem um regulamento ligeiramente diferente – nessas corridas combinadas. Neste ano, o time inglês tomou parte dos dois certames e certamente tem muito mais informações para ajudar seus seis piloto em busca do triunfo em Macau.

Harvey, Serralles ou Jaafar?

setembro 26, 2012

Jazeman Jaafar, Jack Harvey e Felix Serralles. Um dos três vai sair de Donington Park conhecido como campeão

Não é só a F-Abarth – assunto do post de ontem – que vive clima de decisão neste final de semana. Quem também vai conhecer o campeão de 2012 é a F3 Inglesa. Ou seja, será a vez de Felipe Nasr passar o bastão para mais uma jovem promessa do automobilismo mundial.

A exemplo do que acontece na F-Abarth, três pilotos chegam a Donington Park com chances de saírem com a taça. No entanto, ao contrário do campeonato italiano, a F3 está totalmente em aberto, já que apenas seis pontos separam os três concorrentes, Jazeman Jaafar, Felix Serralles e Jack Harvey.

Eu queria ter escrito sobre a F3 um pouco antes, mas preferi esperar até agora, pois nesta quarta-feira, dia 26, foi julgado o recurso da equipe Carlin contra a punição de Harvey na última rodada, em Silverstone. A federação inglesa – MSA – deu ganho de causa ao time britânico e com isso o piloto conseguiu anular os 30s tomados.

Explicando o que aconteceu, na segunda corrida de Silverstone, Harvey foi considerado culpado pela direção de prova por ter causado o acidente com o então pole-position, Pipo Derani, que levou ao abandono do brasileiro. Como resultado, o britânico teve 30s acrescidos ao seu tempo e caiu da segunda colocação naquela prova para o 12º posto.

A equipe Carlin apelou do resultado, ganhou e Harvey retornou à segunda posição. Assim, ao invés de o britânico chegar a Donington com 23 pontos de desvantagem, ele estará apenas seis atrás de Jazeman Jaafar. Ou seja, é difícil falar que há favoritos para ficar com o título.

Harvey voltou à briga depois de uma decisão do tribunal

Entretanto, apesar de a decisão do campeonato ter ficado para o que acontecer na pista, acho muito ruim o veredito da F3 Inglesa. Não tenho absolutamente nada contra Harvey, mas questiono se não houve algum tipo de proteção ao piloto já que ele é um inglês disputando o título da categoria do próprio país. E um piloto nascido na ilha da Grã-Bretanha não fica com a taça desde 2006, com Mike Conway.

Eu entendo o direito da MSA de tentar corrigir uma punição mal aplicada pelos comissários. Só que eu já coloquei aqui no World of Motorsport um vídeo do mesmo Harvey na mesma etapa de Silverstone, em que ele bloqueia Serralles e sequer é punido. Acho que se os dois incidentes tivessem acontecidos na F1, a direção de prova, sem dúvida alguma, teria agido. Dessa vez, deixaram passar. Não quero dizer que houve proteção ao britânico, mas questiono por que essas decisões são tão diferentes das que acontecem nas demais categorias do esporte a motor. Talvez seja por essa falta de critério que os pilotos cheguem tão mal preparados à F1.

Dito isso, vamos ao que interessa, o duelo na pista. Nesta quinta-feira, a F3 vai realizar um treino coletivo em Donington, com todos os carros presentes. A partir daí ficará mais fácil dizer quem é favorito nessa luta pelo título.

No entanto, já é possível clarear um pouco esse cenário. Pelo que fizeram em 2012, eu diria que Harvey é de fato quem tem mais chances de ser campeão. Nas corridas dentro da Inglaterra, foi o piloto da Carlin quem levou a melhor. Aí você pode até pensar que isso é natural, afinal ele conhece as pistas inglesas como poucos, já que cresceu correndo nesses traçados. Mas não. Desde que largou o kart, Jack disputou a F-BMW Europeia, então só conheceu lugares como Snetterton e Oulton Park quando se juntou à F3 no ano passado. Apesar disso, o desempenho caseiro foi tão bom que todas as cinco vitórias e oito pole-position vieram dentro das pistas localizadas no Reino Unido.

Se Serralles for campeão, será o primeiro título da Fortec na categoria e o primeiro de uma equipe diferente da Carlin desde 2007 (quando Marko Asmer/Hitech venceu)

O desempenho de Serralles foi o contrário. Na primeira parte da temporada, o porto-riquenho fez boas corridas, mas esteve longe da briga pelo título. No entanto, bastou que a F3 voasse para as etapas de Norisring (na Alemanha) e de Spa-Francorchamps (na Bélgica) para que ele tivesse uma reação impressionante e entrasse de vez na luta pelo caneco.

Felix venceu duas vezes na Inglaterra e duas fora dela, mas todas as suas três poles foram conquistadas longe da ilha. Apesar desse equilíbrio, a grande vantagem do piloto da Fortec aconteceu nas corridas estrangeiras. Nessas provas, os favoritos da F3 Inglesa não foram bem, e Serralles pode descontar grandes pontuações. Nas etapas no próprio Reino Unido, devido aos grids enxutos, todo mundo marcou muitos pontos, então por pior que tenham sido os resultados do piloto ele pôde se manter na briga pela taça.

Quem não teve nada a ver com essa situação foi Jazeman Jaafar. O malaio aproveitou os três anos de experiência na F3 Inglesa para brigar sempre por top-5. Assim, enquanto Harvey e Serralles tinham problemas de adaptação a algumas pistas ou não conseguiam colocar resultados consistentes, o piloto asiático somava pontos importantes. Dessa forma, ele saiu da posição de azarão e, com um final de semana quase perfeito em Silverstone, assumiu a liderança do campeonato.

Com uma batalha tão apertada, é difícil tentar prever o que vai acontecer. Mas algumas coisas são óbvias. Os três pilotos precisam, a todo custo, marcar pontos nas corridas. Um mau resultado no treino classificatório ou um abandono deve significar fim das chances de título. Outra coisa importante é que temos um carro da Fortec (Serralles) lutando contra dois da Carlin (Harvey e Jaafar). Ou seja, um deles vai ter tudo do bom e do melhor e atenção exclusiva da equipe. Já para os outros dois a guerra vai começar dentro da própria garagem.

O fim da GP2 2012

setembro 22, 2012

Depois de 30 anos na GP2, Davide Valsecchi conquistou o título da categoria

A GP2 enfim terminou. Depois de seis meses, 12 etapas e 24 corridas, Davide Valsecchi superou Luiz Razia e se sagrou campeão daquela que foi considerada uma das temporadas mais fracas da história da categoria.

Em 2012, o principal campeonato de acesso da F1 sofreu com um grid abaixo da média. Desde o advento dos novos carros, no último ano, a categoria se tornou bastante cara, o que acabou afugentando pilotos menos abastados. Como resultado, a qualidade do pelotão como um todo desabou.

Isso, porém, não quer dizer que não tivemos bons pilotos. O problema foi com os coadjuvantes de uma maneira geral. Como a GP2 se tornou uma categoria cara, os pilotos com menos chances de títulos acabaram optando por correr na World Series by Renault. Assim, as vagas abertas foram ocupadas por garotos endinheirados, mas de talento questionável.

Isso acabou acelerando o processo de entressafra. A geração de Jules Bianchi, Sam Bird e Christian Vietoris deixou o campeonato, mas não foi reposta. É verdade que surgiram alguns bons nomes como James Calado – o melhor novato de 2012 –, Felipe Nasr e Rio Haryanto, além de alguns pilotos medianos e os tais pagantes.

Quem se aproveitou de tudo isso foram os velhos conhecidos do pessoal: Davide Valsecchi e Luiz Razia, que se fizeram valer da experiência secular no campeonato para deixar os demais adversários para trás e monopolizarem a briga pelo título.

Agora vai ser interessante ver como Valsecchi e Razia vão levar a carreira adiante

Apesar disso, há um consenso. Não importa quem vencesse, o campeão de 2012 não empolgou. Não é que os dois sejam pilotos ruins, mas depois de quatro ou cinco anos na GP2 eles não mostraram que podem fazer algo diferente dos atletas que já estão na F1. Muito provavelmente, Razia e Valsecchi – se tiverem os recursos $ necessários – podem construir carreiras vencedoras em outro lugar, mas a impressão nesse momento é que a F1 não é para eles.

Na verdade, acho que isso é até saudável para ambos. Ao invés de gastar cada centavo e patrocínio para se arrastarem por HRT, Marussia ou até mesmo apenas disputando os treinos livres de sexta-feira, eles estão livres para buscar outras categorias onde podem ser campeões.

Na Indy, por exemplo, há uma vaga aberta na equipe satélite da Ganassi e outra na Penske. Recentemente, a BMW anunciou que vai expandir de seis para oito carros em 2012 no DTM. No Mundial de Endurance, Dindo Capello se aposentou e abriu espaço na Audi, enquanto os japoneses adorariam um piloto de qualidade internacional para correr na F-Nippon e no SuperGT. E estamos falando do campeão e do vice da GP2. É difícil que haja pilotos com currículos tão vencedores na briga por esses lugares.

E realmente acho essas oportunidades boas. São a chance que os dois pilotos têm para aproveitar o bom momento em que vivem.

A carreira de Luiz Razia pode ser uma verdadeira roda gigante. Ou não

Razia, por exemplo, chegou à GP2 depois de ter vencido a F3 Sul-americana e só não ter triunfado na F3000 Italiana – atual Auto GP – porque não competiu na última etapa para focar na adaptação à nova categoria. Valsecchi, por sua vez, sempre se mostrou muito rápido, mas demorou para se encontrar na GP2. O italiano ficou duas temporadas na péssima Durango e mesmo tendo vencido uma corrida sabia que de lá não iria a lugar algum. As passagens por Addax – em substituição a Romain Grosjean – e pela estreante Air Asia, no último ano, evidenciaram um piloto desesperado para mostrar resultado e que pegaria qualquer vaga disponível. Em 2012, tendo uma equipe estável como a Dams como suporte, o piloto conseguiu reproduzir o desempenho que o fez chamado de promissor uma vez.

Quanto ao restante do grid, não vejo muito futuro. Gente como Max Chilton e Johnny Cecotto fizeram uma excelente temporada se fossem considerados novatos. O problema é que eles acabaram de encerrar o terceiro ano na categoria e só agora conseguiram mostrar valor. Um quarto na GP2 no máximo acabaria transformando-os nos novos Valsecchi e Razia.

Giedo Van Der Garde, por sua vez, foi uma decepção. O holandês, que já foi campeão mundial de kart, concluiu o quarto ano no campeonato e passou longe da briga pelo título. Um quinto ano na categoria seria sacal, enquanto uma eventual ida à F1 parece ainda mais distante que em 2011 visto o fraco desempenho neste ano.

No geral, agora é torcer para que o grid de 2013 seja mais forte com a saída de tantos veteranos. Pessoalmente, não vejo muitas melhoras. A GP3 sofreu esse ano com a falta de qualidade da maior parte dos pilotos. As F3 foram esvaziadas e o pulo para a GP2 está cada vez mais inviável pela diferença monetária entre os campeonatos. E a própria World Series by Renault não é uma opção, já que os pilotos que estão se destacando neste campeonato em 2012 são justamente aqueles que tiveram passagens pela GP2, como Jules Bianchi e Sam Bird.

Habemus renovação

maio 10, 2012
Victor Guerin GP2

Victor Guerin é o terceiro brasileiro na temporada 2012 da GP2. Agora o Brasil é um dos países com mais representantes na categoria

A delegação brasileira na GP2 voltou a crescer. De uma forma até mesmo surpreendente, Victor Guerin anunciou na quarta-feira, dia 9, que vai disputar as próximas duas etapas da categoria pela Ocean. Assim, em Barcelona e em Mônaco, o paulista se junta a Luiz Razia e Felipe Nasr.

Assim, essa é a primeira vez desde 2008 que dois pilotos brasileiros estreiam no certame no mesmo ano (além de Guerin, Nasr também é um novato). Naquela época, Lucas Di Grassi e Bruno Senna ganharam a companhia de Alberto Valério e de Diego Nunes – e de mais um piloto tempos depois – que vieram participar do certame.

Aliás, há uma coincidência bastante grande entre as duas épocas. Valério chegara à GP2 depois de correr na F3 Inglesa, enquanto Nunes havia participado da F3000 Europeia. Agora, Nasr se graduou na mesma F3 da Inglaterra, enquanto Guerin veio da AutoGP, categoria a qual a F3000 Europeia deu origem.

Em termos de desempenho, no entanto, a situação é um pouco diferente. Nunes e Valério, somados, disputaram 40 corridas na temporada 2008 da GP2, afinal foram dez rodadas duplas. Apenas Diego pontuou, ao terminar na quarta colocação a corrida curta de Valência. Por outro lado, a dupla Nasr/Guerin já chegou aos pontos em quatro oportunidades em 2012, obviamente todas com o brasiliense.

No entanto, vale lembrar que naquela época apenas os oito primeiros pontuavam na corrida principal e seis, na corrida curta. Caso valesse o sistema de pontuação atual – com dez na longa e oito na curta –, Valério teria somado pontos em duas oportunidades, enquanto Nunes ainda se beneficiaria do décimo lugar na corrida longa de Valência. Nada, porém, que fosse mudar o resultado final da GP2.

A chegada de Felipe Nasr e de Victor Guerin também faz com que o Brasil volte a ser dono da maior delegação da GP2. A Inglaterra havia começado 2012 com quatro representantes na categoria, mas a saída de Jon Lancaster deixou o país com três. Mesmo número de Itália, Venezuela e agora do Brasil. Naquele ano de 2008, o país reinou absoluto com cinco pilotos nas últimas sete etapas, enquanto a Itália teve quatro.

Por curiosidade, em 2007 aconteceu o contrário. O Brasil começou com cinco pilotos (Di Grassi, Senna, Xandinho Negrão, Sérgio Jimenez e Antonio Pizzonia), mas os dois últimos ficaram pelo caminho. Quem terminou o ano como maior delegação foi a Espanha, que teve seis pilotos na rodada final de Valência.

Durante muitos anos, o Brasil foi um dos países dominantes da GP2. Tanto em desempenho quanto em número de pilotos

Voltando à temporada de 2008, desde o final daquele ano até a estreia de Nasr, no último mês de março, o Brasil só teve um estreante na GP2: Luiz Razia. Ou seja, embora o piloto baiano esteja na categoria há algum tempo, foi ele quem segurou o país no campeonato até a chegada de novos representantes.

Para encerrar, um breve comentário sobre Guerin. Sinceramente, eu acho que se trata de um piloto com potencial, já que ele mostrou que pode ganhar corridas nas categorias em que passou. Mas penso que essa ansiedade de pular campeonatos antes de completar o desenvolvimento não é legal.

Dois anos atrás, Guerin estava disputando a F-Abarth e agora vai estrear na GP2. Não consigo pensar em algum outro caso de atleta que tenha avançado de forma tão meteórica. Talvez Jenson Button, que saiu da F3 Inglesa para a F1, mas não acho que o paulista esteja nesse nível.

Em duas temporadas, o brasileiro foi 13º na F-Abarth e oitavo na F3 Italiana. Pela evolução que ele mostrou nos campeonatos, acho que ele seria um candidato ao título caso optasse por fazer um segundo ano nessas categorias ao invés de saltar para a próxima. E vale dizer que repetir um campeonato não é algo que queima um piloto com as equipes da F1.

Por outro lado, entrar em um torneio como a GP2 no meio do ano e não conseguir mostrar resultado é algo que pode destruir a carreira de um piloto. Voltando mais uma vez a 2008, naquele ano Marko Asmer, que tinha sido o campeão da F3 Inglesa no ano anterior e era o piloto reserva da BMW na F1, assumiu a segunda vaga na FMSI. O melhor resultado do estoniano foi o 11º lugar obtido logo na estreia. Depois disso, Asmer sumiu. Voltou ano passado, fazendo algumas corridas de F3. Acho que dar tempo ao tempo não é uma má-ideia.


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