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O bilhete premiado de James Calado

abril 21, 2013
James Calado deu passos largos rumo à F1

James Calado deu passos largos rumo à F1

A temporada 2013 da GP2 ainda está no começo, mas James Calado já pode se considerar um vencedor. É que nesta terça-feira, dia 30, o britânico anunciou que terá Nicolas Todt como empresário a partir de agora, integrando o programa All Road Management. E isso com certeza é motivo de comemoração.

Apesar das boas relações com a Ferrari desde a época que o pai, Jean Todt, trabalhava na escuderia, o francês tem trânsito livre por praticamente todas as equipes do grid da F1. Além de Calado, ele também é empresário de Felipe Massa, Pastor Maldonado e Jules Bianchi. Fora Alex Baron, ainda na F-Renault, e o kartista Charles Leclerc.

Ou seja, vendo a influência de Todt, a menos que tenha uma temporada muito ruim neste ano na GP2, Calado já carimbou o passaporte rumo à principal categoria do automobilismo mundial nos próximos anos.

E isso tem uma consequência direta em um brasileiro, Felipe Nasr. Não é nenhuma novidade que o grande duelo na categoria de acesso na atual temporada é entre esses dois pilotos. Embora Fabio Leimer e Stefano Coletti tenham brilhado nas duas primeiras rodadas, eles encaram o mesmo problema que atrapalhou Davide Valsecchi e Luiz Razia no último ano: já são veteranos no certame e não empolgam mais as equipes da F1.

As escuderias acreditam que eles já mostraram o que tinham para mostrar, por isso é mais do que obrigação andarem na frente neste momento. Eles até podem alcançar a categoria principal no próximo ano, mas sempre condicionado a um bom suporte financeiro.

Nasr e Calado, por outro lado, são a novidade no grid. Eles tiveram um bom ano de estreia na categoria em 2012 – principalmente o piloto inglês –, agradaram e foram alçados ao posto de favoritos neste ano.

Como ambos têm um empresário forte por trás (o de Nasr é Steven Robertson, o mesmo de Kimi Raikkonen e que já trabalhou com Jenson Button), o resultado na pista a partir de agora passa a ser um diferencial. Quem terminar na frente, certamente terá um poder de barganha melhor para chegar à F1.

Neste momento, eu diria que há um empate entre eles. Enquanto Calado conta com uma equipe mais estruturada na GP2 – a ART Grand Prix –, o brasileiro tem patrocinadores mais fortes, que podem garantir o próximo passo da carreira. É por isso que, nesse momento, o confronto direto é tão importante.

F1 2013 no Bahrein

abril 13, 2013
As equipes fizeram algumas modificações nos carros para se prepararem para o GP do Bahrein

As equipes fizeram algumas modificações nos carros para se prepararem para o GP do Bahrein

Uma semana depois de usufruir de todos os confortos em um país livre como a China, a F1 chega ao Bahrein para a disputa da quarta etapa da temporada 2013. Dessa vez, porém, as equipes vão precisar ficar mais espertas, já que as ruas de Sakhir e Manama não são os locais mais seguros do mundo, e a primavera árabe ainda ronda a pequena ilha do Golfo.

Embora a sensação de insegurança seja menor neste ano, mais uma vez a F1 se mete em um país marcado por uma profunda crise política. Manifestantes contrários ao governo local e polícia se enfrentam todos os dias, e as ordens vindas da monarquia ditatorial é prender qualquer um que possa representar uma ameaça à corrida e à segurança nacional.

É nesse clima que os carros vão à pista a partir desta sexta-feira, dia 19. Não acho que essas são as melhores condições para que o esporte seja praticado, por isso a corrida deste fim de semana não deveria acontecer. Aliás, não se importar com os valores humanos apenas para que a prova aconteça vai de encontro aos ensinamentos do próprio esporte, como lealdade e respeito ao adversário.

Mas como Bernie Ecclestone não se importa muito com a filosofia e com a sociologia do esporte a corrida vai acontecer. E deve ser uma prova um pouco diferente das da semana passada, em que os pneus tomaram conta da corrida.

Parece que a Pirelli percebeu ter errado a mão com os compostos deste ano. A corrida na China foi confusa com os pilotos espalhados pela pista em estratégias diferentes. Por isso, quando um carro aparecia para ultrapassar outro, era difícil saber se valia alguma posição ou se era apenas para restabelecer a ordem dos pneus. Chegou ao cúmulo de Jenson Button perguntar pelo rádio à McLaren se deveria se defender de Lewis Hamilton, mostrando que as disputas na pista não tem a menor importância para o resultado final.

Aliás, falando dos antigos companheiros de McLaren, eles estão em situação opostas neste fim de semana. Enquanto Button vai aos poucos comandando a recuperação da equipe inglesa, Hamilton sabe que o rendimento da Mercedes não é tão bom quanto parece. Os carros prateados, sem dúvida, são muito rápidos em uma única volta rápida, mas desgastam pneus demais e perdem ritmo de corrida. É por isso que o britânico saiu da pole-position, mas quase perdeu o pódio em Xangai.

A1 GP do Bahrein, ok, brincadeira, esse é o carro de Hamad al Fardan na F-Renault V6 Asiática

A1 GP do Bahrein, ok, brincadeira, esse é o carro de Hamad al Fardan na F-Renault V6 Asiática

Ainda nas equipes de ponta, a Red Bull também vive em guerra com os pneus. Na China, eles abriram mão de desempenho em uma única volta para fazer a borracha durar mais. Quase deu certo, com Sebastian Vettel terminando na quarta colocação. O problema é que a escuderia mais uma vez abriu mão de participar do treino classificatório para ter uma tática mais tranquila na corrida.

O problema é que largando em nono e sem ter o carro dominante é complicado chegar na frente. É verdade que o alemão lutou pela vitória em alguns pontos da prova, mas no fim ficou apenas com o quarto lugar.

Assim, dos quatro times de ponta, quem vive a situação melhor é a Ferrari, cujo carro é bom nas tomadas de tempo, mas ainda melhor em ritmo de corrida. Tanto é que Fernando Alonso terminou duas das três corridas da temporada até agora e já tem uma vitória e um segundo lugar. Felipe Massa, por outro lado, segue com problemas para aquecer o pneu duro e por isso não tem um bom desempenho de corrida.

Como a corrida do Bahrein é disputada no deserto, a temperatura pode ser um fator positivo para o brasileiro. Por outro lado, como a Pirelli vai levar o composto médio e o pneu duro, ele terá que trabalhar ainda mais para deixá-los na temperatura correta.

De qualquer forma, o desempenho de Massa é muito melhor que o de Sergio Pérez, que foi especulado em Maranello durante boa parte do ano passado. Na China, o mexicano errou feio no treino livre e bateu na entrada dos boxes. Depois, o fim de semana todo deu errado e ele terminou em 11º, sem pontos.

O outro mexicano do grid, Esteban Gutiérrez, na Sauber, também não vive boa fase, sendo eliminado mais uma vez no Q1 e se envolvendo em um acidente nas voltas iniciais. Situação completamente oposta à de Nico Hulkenberg. Curiosamente, o alemão é o piloto que mais liderou voltas nas últimas quatro corridas, com 38 giros no primeiro lugar. Fernando Alonso, com 37, é o segundo. Vettel tem 33 e Mark Webber 32.

Para encerrar, falo das equipes pequenas. Neste fim de semana, a Caterham vai promover o retorno de Heikki Kovalainen no primeiro treino livre, enquanto Rodolfo González substitui Jules Bianchi na mesma atividade na Marussia. Ou seja, enquanto uma equipe está trabalhando para voltar ao décimo lugar, a outra deixa seu melhor piloto de fora de um treino. Daí acaba ultrapassada e não sabe por quê.

Bom, meu palpite furado para o fim de semana é vitória de Kimi Raikkonen, seguido por Fernando Alonso e Sebastian Vettel. Obviamente, a partir de agora não há a menor chance de isso acontecer.

Confira os horários do GP da Malásia de 2013:

Treino livre 1 – 4h quinta-feira
Treino livre 2 – 8h sexta-feira
Treino livre 3 – 5h sábado
Treino Classificatório – 8h sábado
Corrida – 9h domingo

O que aprendemos com o GP da Malásia de F1?

março 28, 2013
Mark Webber mostrando como está feliz com Sebastian Vettel

Mark Webber mostrando como está feliz com Sebastian Vettel

Já se passou uma semana praticamente do polêmico fim de GP da Malásia, quando Sebastian Vettel desobedeceu a um acordo da Red Bull e ultrapassou Mark Webber nas voltas finais. Assim, passado o período de reflexão, resta perguntar o que aprendemos desde então? Acho que não muita coisa.

A maior lição que tiramos é que na F1 vale a máxima de que uma mentira contada várias vezes se torna uma verdade.

A principal mentira até agora é que é totalmente normal haver um acordo nas ultimas voltas para que dois pilotos de uma mesma equipe mantenham as posições e não duelem na pista. Em Sepang, isso não só aconteceu na Red Bull, mas também na Mercedes, onde Ross Brawn — sempre ele — impediu que Nico Rosberg passasse Lewis Hamilton pelo terceiro lugar.

Só que isso não deveria ser algo normal. É uma deformação do esporte criada pelas equipes, com a suposta justificativa de evitar desgaste do equipamento no fim da corrida, além de um eventual abandono duplo em caso de um acidente.

Mas em qual outro esporte acontece algo parecido? Será que no futebol há algum acordo para que o time que estiver na frente aos 30 minutos do segundo tempo saia vencedor? Com isso, o técnico poderia até poupar alguns jogadores. É algo que faz sentido na realidade brasileira, com os times precisando jogar toda quarta e domingo.

Ou então podemos falar de outro esporte de velocidade, como a natação. Talvez possa haver um pacto entre os atletas de quem fizer a última virada na frente será o vencedor. Dá para argumentar que são situações diferentes, pois na F1 acontece entre pilotos da mesma equipe, enquanto nessas modalidades seriam entre adversários.

Ok, mas o que me impede de montar uma equipe de natação e contratar quatro ou cinco atletas de ponta e propor algo assim entre eles. E quem garante que isso nunca aconteceu? Faria sentido pensar em algo assim em uma seletiva, por exemplo, para que um atleta se poupasse durante as eliminatórias de olho na decisão.

Uso essa mensagem de Webber para expressar o que penso sobre esses jogos de equipe

Uso essa mensagem de Webber para expressar o que penso sobre esses jogos de equipe

Só que isso não é esporte. A definição esportiva determina que o vencedor é o mais capaz durante todo o período de disputa. E se Webber tivesse ganhado na Malásia não seria isso p que teríamos visto. Esse acordo que existe é um assalto. Você assiste à corrida achando que ela vale até o fim, mas na verdade já há um pacto pelo vencedor.

A segunda mentira é que a Red Bull está muito desapontada com a atitude de Vettel. É claro que não estão. Webber é muito lúcido ao dizer que a equipe vai proteger o alemão. Prova disso é que o australiano deixou o GP da Malásia dizendo que iria rever a carreira e poderia deixar a equipe austríaca.

A resposta veio nesta quarta-feira, dia 26, quando o jornal alemão Bild disse que a equipe decidiu não renovar com o veterano para a próxima temporada. Coitado, que mal ele fez? Tudo o que queria era tentar vencer uma corrida, mas acabou usurpado nas voltas finais.

E a última mentira é que as pessoas, espectadores inclusive, se importam com jogo de equipe. Claro que não. Talvez se importem quando é um brasileiro envolvido, tendo que abrir mão de posição para um companheiro de equipe. Quando não tem um piloto do país, as justificativas das equipes até que parecem razoáveis não é mesmo?

Afinal, qual a diferença entre pedir para um piloto ceder uma posição e para outro não ultrapassar. Será que existe uma escala de desonestidade esportiva na F1? Assim, a Red Bull é mais boazinha que a Ferrari porque infringiu apenas algumas regras? Acho que não.

Para mim, embora já tenha lido que essa é uma opinião ingênua no meio da F1, os princípios do esporte devem ser respeitados. Só que não são quando a Ferrari rompe o lacre de Felipe Massa para beneficiar Fernando Alonso, ou obriga Rubens Barrichello a ceder a primeira posição. E também não são quando a Red Bull até cria um nome bonitinho – Multi21 – para manipular o resultado de uma prova.

F1 2013 na Austrália

fevereiro 26, 2013
Casey Stoner na F1. Não tem nada a ver com o GP da Austrália, mas ele já pilotou o simulador da Red Bull

Casey Stoner na F1. Não tem nada a ver com o GP da Austrália, mas ele já pilotou o simulador da Red Bull

Antigamente, o início de temporada de F1 era mais legal. Embora os treinos ao longo do ano fossem liberados, as equipes chegavam à abertura do campeonato sem saber muito o que esperar dos carros. Aí, a primeira etapa do ano virava uma verdadeira corrida de resistência, onde os pilotos largavam sem a certeza de que chegariam ao final.

Em situações mais absurdas, dava para contar nos dedos quantos carros de fato recebiam a bandeira quadriculada. Foi assim há 20 anos, quando Rubens Barrichello estreou na F1. Naquele 14 de março de 1993, o então piloto da Jordan foi um dos muitos que deixou o GP da África do Sul – disputado em meio a uma chuva torrencial – antes do final.

Assim, apenas cinco pilotos completaram todas as voltas. Alain Prost foi o vencedor, seguido por Ayrton Senna e Mark Blundell, de Ligier. Christian Fittipaldi e JJ Lehto foram os outros que terminaram a corrida.

A menos que aconteça algum fenômeno natural bizarro, essa situação não vai se repetir na Austrália. Nos últimos 15 anos, as equipes entenderam que mais importante que ter um carro rápido é ter um equipamento que chegasse ao final das provas, por isso os abandonos são cada vez mais raros.

O regulamento também propiciou isso. Com as limitações para troca de motores e câmbio por temporada, as escuderias não forçam esses componentes ao máximo, consequentemente aqueles estouradas de motores espetaculares, que parecia o anúncio da escolha de um novo papa,  quase não existem mais.

Dessa forma, o resultado do GP da Austrália é previsível. Embora seja difícil cravar quem vai terminar na frente, dificilmente ficará com outra equipe além de Ferrari e Red Bull. Lotus e Mercedes aparecem neste momento em um segundo escalão, enquanto a McLaren parece não ter se encontrado desde os treinos da pré-temporada.

(A1)GP da Austrália

(A1)GP da Austrália

Por isso, há dois elementos-chaves para esse primeiro GP do ano. Um é o treino classificatório, onde largar na frente dos principais rivais pode significar meio caminho para a vitória. E o outro – mais importante – é ser o primeiro a entender o comportamento dos pneus, para fazer as paradas nos boxes nos momentos corretos.

Há dois anos, a Sauber surpreendeu ao fazer apenas uma parada em Melbourne quando as demais equipes foram ao pit-lante duas ou três vezes. Naquela prova, tanto Kamui Kobayashi quanto Sergio Pérez terminaram na zona de pontos, mas acabariam desclassificados por não serem aprovados na inspeção técnica horas depois. Se alguma equipe de ponta conseguir reproduzir isso ou ao menos ter mais tempo de pista no auge dos pneus, certamente estará mais perto da vitória.

Por isso, meu palpite é de uma corrida emocionante, com muitas mudanças de posição em virtude das paradas nos boxes, mas com um resultado previsível: duelo entre Fernando Alonso e Sebastian Vettel, com o alemão levando a melhor. Felipe Massa completa o pódio. No entanto, minha torcida é para Kimi Raikkonen, e a verdade é que o finlandês vai vencer colocando três voltas no segundo colocado. Ok, ignore isso.

Para encerrar, chamo a atenção para dois pilotos do grid: Daniel Ricciardo e Jules Bianchi.

O australiano tem boas chances de conseguir um resultado satisfatório por dois motivos. O primeiro é o carro da Toro Rosso, que teve um desempenho decente ao longo da pré-temporada, e o segundo, óbvio, é que ele corre em casa. Já o francês não tomou conhecimento de Max Chilton e, levando em conta que a Marussia começa o ano melhor que a Caterham, ele tem tudo para sumir nessa batalha das equipes menores. Pena que ele precisa de uma tempestade como aquela da estreia de Barrichello para pensar em marcar pontos.

Confira os horários do GP da Austrália de 2013:

Treino livre 1 – 22h30 quinta-feira
Treino livre 2 – 2h30 sexta-feira
Treino livre 3 – meia-noite sábado
Treino Classificatório – 3h sábado
Corrida – 3h domingo

Bianchi, le campeão

janeiro 10, 2013
Jule Bianchi fazendo ele mesmo alguns ajustes no carro

Jules Bianchi fazendo ele mesmo alguns ajustes no carro

Para encerrar o assunto Desafio das Estrelas aqui no World of Motorsport, falo de Jules Bianchi, o vencedor da competição.

Após a vitória na bateria noturna do sábado, dia 12, um jornalista o questionou na coletiva de imprensa se ele esperava ser convidado para a próxima edição da competição depois de vencer com facilidade e sobrando na pista pelo segundo ano consecutivo.

É claro que essa pergunta tinha certa dose de humor. Até porque dificilmente Felipe Massa deixaria de convidar um colega por causa do desempenho. Se Bianchi é muito bom no kart, então não deixa de ser uma motivação para os demais pilotos do Desafio superá-lo.

No entanto, a pergunta também tem um aspecto de vilanização do francês, como o cara que vem ao Brasil e ganha facilmente dos pilotos brasileiros, por isso poderia até mesmo ser proibido de correr. É o mesmo que aconteceu com Will Power, na etapa do Anhembi na Indy, quando a transmissão oficial chegava literalmente a perguntar ao público se o australiano era o vilão da categoria norte-americana.

Como Bianchi está próximo de acertar com a Force India na F1, eu resolvi acompanhar o trabalho dele em Santa Catarina. Assim, posso dizer que o desempenho dominante do francês não foi por acaso. Muitas e muitas vezes ele era o único piloto na garagem, checando o que era feito em seu kart. (Para não ser injusto, Vitantonio Liuzzi também ficava por lá, mas menos que o reserva da FI).

Quando Bianchi chegou ao kartódromo do Beto Carrero World ao lado de Sébastien Buemi, na sexta-feira, a primeira coisa que ele fez foi checar o kart. E ficou na garagem enquanto o equipamento todo era montado. Depois, após cada treino, era ele mesmo quem fazia os ajustes necessários, como a pressão dos pneus, e não os mecânicos.

Isso sem falar no próprio trabalho de piloto e analisar as informações de cronometragem depois de cada sessão de pista.

No fim do evento, perguntei a ele sobre esses métodos de trabalho, mesmo em um evento festivo. Questionei se era assim, controlando tudo, que ele gostava de trabalhar ou se, por exemplo, não confiava em passar as instruções para os mecânicos.

Bianchi respondeu que, mesmo que não pudesse fazer grandes ajustes no equipamento usado no Desafio, ele próprio gosta de mexer no kart e acompanhar todos os trabalhos feitos, uma prática adotada desde quando ainda estava no kartismo, há cinco ou seis anos.

É claro que esse não é o único motivo de Bianchi ter vencido a competição. Mas é curioso pensar que mais de 60 anos após a Copa do Mundo no Brasil, um estrangeiro vencendo aqui no país ainda gere tanta comoção.

Luzinhas de Natal da F1

dezembro 24, 2012
Alguém poderia dizer que a Ferrari de Lego teria um desempenho melhor nas pistas

Alguém poderia dizer que a Ferrari de Lego teria um desempenho melhor nas pistas

É engraçado como o Natal significa coisas diferentes para as pessoas. Na F1, por exemplo, é uma das poucas épocas do ano em que os pilotos têm para descansar, esquecer um pouco a preparação física e relaxar pensando em começar a nova temporada com as baterias recarregadas.

No caso deles, é até curioso ver como estão na contramão das outras pessoas. Geralmente, nessa época do ano, todo mundo quer viajar para aproveitar as festividades curtindo algum lugar distante. Já tudo o que os pilotos querem é voltar ao país natal e passar alguns dias com a família e com os amigos, principalmente depois de encarar viagens ao redor do mundo durante o ano todo.

Para mim, o Natal agora é bem diferente de antes. Quando era pequeno, tudo o que eu queria saber era de ganhar presente. Imagino que com toda criança fosse assim. É claro que eu gostava de estar com toda a família reunia, mas naquela época a gente se via várias e várias vezes durante o ano, então o fim de ano não era assim tão especial.

Bom, as coisas mudaram um pouco. Agora eu praticamente só tenho contato com a família – tirando meus pais – duas vezes por ano. Uma no Natal e a outra no Ano Novo, então já faz algum tempo que eu não a vejo.

De qualquer forma, para falar a verdade, a época de ganhar presentes era bem mais legal. Por isso, como eu sou muito legal, trouxe algumas lembrancinhas natalinas para você, leitor.

A primeira é a Ferrari de Lego que abre este post. Em um evento de marketing da Shell, em setembro, a empresa holandesa exibiu uma réplica do equipamento usado por Felipe Massa e por Fernando Alonso montado pelas tradicionais pecinhas. Quem sabe se o espanhol tivesse usado esse carro, ao invés do titular, ele não teria conseguido superar Sebastian Vettel e ser campeão do mundo?

Bom, se não desse certo, ao menos seria muito mais fácil desmontar o lacre do câmbio do carro do brasileiro para ganhar algumas posições no grid dos Estados Unidos. Seria só tirar umas pecinhas.

Aliás, montar carros de Lego é algo bastante comum no automobilismo. Volta e meia alguém acaba fazendo. No Natal de 2010, eu escrevi sobre um cara que montou uma réplica das 500 Milhas de Indianápolis, que você pode clicar aqui para relembrar, eu recomendo.

Para encerrar e deixar você se empanturrar com a ceia, o segundo presente é a decoração de Natal da F1. Nada melhor que as tradicionais luzinhas (pisca-pisca) com uma temática do esporte a motor. Ah, antes disso, um feliz Natal para você.

grid

O pulo do gato de Bottas

novembro 29, 2012
Valtteri Bottas será piloto da Williams em 2013

Valtteri Bottas será piloto da Williams em 2013

Qual é melhor, World Series by Renault ou GP2? Quem não está muito preocupado com essa velha discussão é Valtteri Bottas. Anunciado no início da semana como titular da Williams na temporada 2013 da F1, o finlandês fez história e se tornou o primeiro piloto em algum tempo a pular de categorias menores direto para a F1.

Depois de dois anos correndo na F3 Euro Series, onde não conseguiu conquistar o título, Bottas se tornou campeão da GP3, em 2011, ao superar James Calado nas corridas finais daquela temporada.

A partir daí, negociou principalmente com a Tech 1 e com ISR, na World Series, mas com um orçamento enxuto resolveu arriscar. Ao invés de continuar correndo nas categorias de base, o nórdico resolveu se mandar para a F1. Como não podia competir com a grana trazida por Bruno Senna, a solução foi acertar um contrato de piloto de testes e participar de 15 treinos livres ao longo do ano.

O bom desempenho nos treinos chamou a atenção da equipe inglesa, e o piloto garantiu a vaga de 2013, mesmo levando menos dinheiro que Pastor Maldonado e Senna.

Só que Bottas não é o único piloto do grid da F1 a não ter participado de GP2 ou World Series (e suas antecessoras). Na realidade, dos 25 pilotos que disputaram ao menos uma etapa no último campeonato seis percorreram caminhos bastante alternativos na carreira: Jenson Button, Felipe Massa, Michael Schumacher, Kimi Raikkonen, Paul Di Resta e Pedro de la Rosa.

Se você ler o título desse post com atenção, verá que falo sobre esse felino saltitando

Se você ler o título deste post com atenção, verá que falo sobre esse felino saltitando

De todos, o caso mais surpreendente foi o do também finlandês Raikkonen. O atual piloto da Lotus estreou na categoria, em 2001, pela Sauber, depois de ter disputado apenas a F-Renault UK. Na época, a equipe suíça foi criticada por dar chance a um piloto sem experiência. Apesar disso, Kimi mostrou que tinha lugar para ele na F1, pontuando na corrida de estreia.

Só que aquela era uma época em que os treinos estavam liberados ao longo da temporada. Assim, quando Kimi estreou no GP da Austrália, já tinha percorrido a quilometragem de vários e vários GPs antes do campeonato começar.

No entanto, quem passou por uma situação mais parecida à de Bottas foi Jenson Button. O inglês foi chamado pela Williams, em 2000, tendo apenas disputado uma única temporada da F3 Inglesa. Paul Di Resta e Michael Schumacher também pularam da F3 para a F1. Só que no caso deles não foi algo direto.

O alemão, por exemplo, foi campeão da F3 Alemã em 1990 e estreou na F1 no ano seguinte. O debute, porém, aconteceu apenas no dia 25 de agosto, em Spa-Francorchamps. Nesse intervalo todo, o piloto participou de quase duas temporadas no Mundial de Carros Protótipos. Di Resta, por sua vez, entre o título da F3 Euro de 2006 e a estreia na Force India, foram quatro anos de DTM, com direito a um título.

Felipe Massa e Pedro de la Rosa tiveram experiências com carros mais potentes. O brasileiro disputou a chamada F3000 Europeia (hoje conhecida como Auto GP) antes de acertar com a Sauber. De La Rosa, por fim, correu no Japão, onde foi um dos poucos pilotos a vencer F-Nippon e SuperGT no mesmo ano.

A diferença desses pilotos para Bottas é que todos – menos Di Resta – tiveram a chance de treinar exaustivamente com o equipamento da F1 antes da estreia. Então, quando chegaram à primeira corrida do ano já conheciam o carro como a palma da mão.

Mercado de pilotos da F1 2013 – parte 1

agosto 18, 2012

Sebastian Vettel está de olho no mercado de pilotos de 2013 para saber quem serão seus adversários

Aproveitando as férias de verão da F1, a partir de hoje, o World of Motorsport inicia uma série especial retomando o que aconteceu nessa primeira metade de temporada. Para isso falo de cada equipe e onde elas se encontram no mercado de pilotos para 2013.

Além de citar onde cada equipe se encontra no mercado de pilotos para a próxima temporada, também farei algumas análises sobre esse troca-troca de lugares. Nesta primeira parte, veja como Red Bull, McLaren e Ferrari passaram pelas primeiras corridas do ano e como essas equipes já planejam a próxima temporada.

Red Bull

A Red Bull está oficialmente fora do mercado de pilotos para 2013. Como Sebastian Vettel tem contrato até 2014<<, restava apenas a segunda vaga na equipe. No entanto, no início do ano, o time anunciou a renovação de Mark Webber por mais uma temporada, o que acabou com qualquer possibilidade de mudança na escalação.

Na verdade, a dupla de pilotos da RBR era o menor dos problemas. A equipe sabe que houve uma queda de rendimento do carro em 2012 – principalmente se levado em conta o domínio no último campeonato –, e o tricampeonato já está ameaçado.

Além disso, os rubro-taurinos também vivem em crise dentro do programa de jovens pilotos. Por mais bem conceituado que o Red Bull Junior Team seja, seus integrantes não estão vivendo um bom momento neste ano. Lewis Williamson já foi demitido para a chegada de Antonio Félix da Costa, enquanto Carlos Sainz Jr, Stefan Wackerbauer e Alex Albon não devem conquistar taça nenhuma na atual temporada.

Como isso atrasou o planejamento da turma de Helmut Marko, substituir Mark Webber seria criar mais um problema, já que seria necessário subir um garoto da Toro Rosso sem nenhuma experiência e, para piorar, não teria ninguém para ocupar essa vaga aberta na escuderia italiana.

Portanto, a permanência de Webber significa que, ao menos por enquanto, a Red Bull estará focada em corrigir todos os outros problemas.

A Red Bull vai continuar com Sebastian Vettel e Mark Webber por mais um ano

McLaren

A McLaren também não deve mudar seus pilotos na próxima temporada. No ano passado, Jenson Button assinou um longo contrato com a escuderia inglesa, enquanto Lewis Hamilton deve também acertar a permanência na equipe. Um site italiano afirmou que o piloto já acertou um pré-contrato para ganhar 25 milhões de EUROS nos próximos cinco anos, mas o valor me parece bastante exagerado, pois é cerca de 30% do atual salário.

De qualquer forma, Hamilton não deve sair da equipe. Mesmo o inglês sendo o mais badalado entre os free-agents (sem contrato para 2013), não há uma equipe que possa recebê-lo. A Lotus já fez uma sondagem, mas é muito difícil que o britânico aceite correr por um time sem vitórias desde 2008.

As outras opções seriam a segunda vaga na Ferrari como companheiro de Fernando Alonso – um verdadeiro suicídio profissional – ou substituir Michael Schumacher na Mercedes, caso o heptacampeão deseje se aposentar novamente no final da temporada. O problema é que a montadora alemã já afirmou que deseja rever a participação na F1 em 2014. Ou seja, eles não devem estar dispostos a arcar com um contrato pesado como o de Hamilton se sequer têm certeza de continuar no certame.

Calma, Massa! A Ferrari não ter pego sua opção não quer dizer que você está fora da equipe

Ferrari

Falar da Ferrari é meio difícil, já que meio grid já foi especulado na vaga de Felipe Massa. Apesar disso, o brasileiro tem se mantido firme e forte na escuderia. Na realidade, as chances de substituição são pequenas porque não há um piloto pronto na F1 para substituir o brasileiro.

Nos últimos anos, o grid da F1 envelheceu de uma forma que os pilotos mais experientes já estão nas principais equipes. Consequentemente, os times intermediários ficaram a cargo de jovens tentando mostrar trabalho. Assim, nos três últimos anos, a F1 foi dominada sempre pelos mesmos pilotos, enquanto as equipes médias não tiveram oportunidade de mostrar resultado.

Agora, as grandes escuderias precisam renovar os planteis, mas não há pilotos para isso. É verdade que Sergio Pérez, Kamui Kobayashi, Nico Hülkenberg e Paul Di Resta conseguiram algum destaque, mas eles ainda são muito inexperientes para assumir um carro de ponta.

Assim, a conta que a Ferrari faz é a seguinte. Com Massa está ruim, mas até um desses garotos pegar o jeito vai continuar ruim. Só que o brasileiro é bem quisto por todos na escuderia e também pelos patrocinadores. Então, substituí-lo talvez não seja a melhor solução.

Para terminar a Ferrari, recentemente saiu a notícia de que a escuderia deixou passar o prazo para da opção de renovação do brasileiro. Isso é normal. É uma forma de a Ferrari assumir oficialmente que pensa em contratar outro piloto e, ao mesmo tempo, dizer a Massa que ele pode procurar outra equipe. Como ainda estamos em agosto, ele tem muito tempo para se arrumar para 2013.

Só que tudo isso não significa que Massa está fora da Ferrari na próxima temporada. Se o próprio piloto já admitiu que precisa melhorar o rendimento para permanecer na equipe, nada mais natural que esperar ao máximo para tomar alguma decisão. Assim, passou-se o prazo para renovar o contrato automaticamente, mas a Ferrari segue de olho no desempenho do piloto pensando na próxima temporada.

A F-Futuro acabou. Mas não é o fim do mundo

abril 19, 2012
F-Futuro grid

A F-Futuro ficou conhecida pelo grid vazio. Mas havia pilotos, a categoria que não conseguiu atraí-los

Como você já deve saber, a F-Futuro acabou. Conforme foi amplamente noticiado, a categoria-escola criada por Felipe Massa para tentar revelar novos nomes no automobilismo brasileiro não aguentou duas temporadas de poucos carros e decidiu pedir as contas.

Curiosamente, o fim da F-Futuro é como se tivesse morrido alguém. Gente que passou a vida criticando a categoria – pelos seus oito carros no máximo no grid –, agora lamenta o fim do campeonato. Apesar disso, a verdade é que o campeonato criado por Massa pouco teve a ver com a formação de pilotos.

Em dois anos, 13 garotos disputaram o certame de forma integral. Entre todos eles, apenas três conseguiram sair do Brasil: Nicolas Costa, Guilherme Silva e Victor Franzoni. Sendo os dois primeiros, os campeões da categoria, que se aproveitaram da bolsa dada ao vencedor. De qualquer forma, não é absurdo dizer que eles tinham todas as condições de dar prosseguimento à carreira se não fosse o campeonato de Massa.

Costa tinha começado a carreira nos Estados Unidos e já tinha aberto negociações com algumas equipes de lá quando optou por correr no certame de Felipe Massa. Guilherme Silva, por sua vez, era piloto da Hitech na F3 e teria um desenvolvimento parecido ao que a equipe fez com Pietro Fantin, enquanto Franzoni, por ser o único a mudar para a Europa sem a bolsa-prêmio, poderia ter dado esse passo na carreira quando quisesse. Para ele, disputar a F-Futuro na verdade foi a antecipação da saída do kart.

Dos demais pilotos que disputaram o campeonato de Massa, apenas Vinícius Alvarenga é especulado pela imprensa italiana para correr na F-Abarth em 2012. Todos os outros sumiram ou pretendiam permanecer no Brasil nesta temporada. E fazer um segundo ano na F-Futuro sempre significou queimar um ano de aprendizado na Europa.

Guilherme Silva

Guilherme Silva (assim como Nicolas Costa e Victor Franzoni) tinha todas as condições de continuar a carreira sem competir na F-Futuro

Ou seja, repetir a finada categoria só era válido em caso de um garoto que precisasse da bolsa para correr fora do país. Generalizando um pouco, se um piloto precisa do prêmio para disputar um campeonato europeu que custa menos de 300 mil euros, jamais poderá pensar em GP2 e F1, onde as equipes pedem milhões e milhões.

Dito isso, há outra mentira contada sobre o fim da F-Futuro: que ela morreu pela falta de pilotos interessados. Talvez essa frase não esteja totalmente errada, mas é uma meia-verdade. Não vou discutir a capacidade do kartismo nacional abastecer de pilotos campeonatos como a F-Futuro, a F3 Sul-americana e os certames europeus. Obviamente, algum dia ele pôde fazer isso, hoje não mais.

Mas também não adianta jogar toda a culpa no kartismo. A F-Futuro era um produto ruim quando comparado às demais categorias europeias. Talvez a única vantagem de correr por aqui fosse a não necessidade de adaptação ao país, além do prêmio em dinheiro dado ao campeão. Com tão poucos atrativos, boa parte dos pilotos preferiu se mandar para a Europa.

Mesmo com a F-Futuro, em 2012, Felipe Fraga, Gabriel Casagrande, Gustavo Lima, Henrique Baptista, e Roberto Lorena optaram por fazer a transição do kart para o automobilismo direto na Europa ou nos Estados Unidos. O mesmo vale para Leonardo Jafet, que disputou a Skip Barber e já tinha testado pela categoria de Felipe Massa. E isso tudo sem citar nomes como Marco Túlio Souza, Yukio Duzanowski e Sabrina Kuronuma, que tinham feito a transição para o automobilismo internacional sem jamais ter corrido na F-Futuro, passando apenas pela 1.6 Gaúcha. Além deles, João Câmara fez toda a pré-temporada pela equipe holandesa Van Amersfoort, mas acabou não acertando para correr de F-Renault com eles.

Gabriel Casagrande

Gabriel Casagrande é um dos pilotos que ignorou completamente a F-Futuro

Ou seja, se a F-Futuro fosse atrativa, muitos desses garotos teriam corrido nela. Aí a tal falta de pilotos que matou a categoria não teria acontecido. Portanto, não é difícil concluir que a categoria-escola foi um campeonato criado visando a um nicho muito específico de atletas: os que vislumbravam o prêmio ou os que não tinham dinheiro para correr fora do Brasil.

Não é por acaso que tantos nomes sumiram após uma única temporada. São pilotos que não tinham condições financeiras de manter a carreira. É triste ver um monte de garotos precisando abrir mão do automobilismo?  É. Mas isso não é exclusivo da realidade brasileira. Infelizmente, o esporte a motor é uma modalidade muito cara e nem todo mundo tem condições de praticá-la. Então, a F-Futuro servia como o último respiro para muita gente que deixou o kart naquela esperança quase milagrosa de estourar na carreira e arrumar um patrocinador. Uma tarefa praticamente impossível de se realizar aqui no Brasil.

Por outro lado, acredito que a organização da F-Futuro fez de tudo para manter o campeonato ativo até o último momento. Só que o bom pacote apresentado pelos promotores era muito inferior ao que os principais campeonatos europeus oferecem. Por exemplo, ninguém sabe como a F-Renault Eurocup explodiu de um dia para o outro, mas hoje conta com um grid de 38 carros. Isso depois de receber 52 inscritos, com 14 deles tendo a vaga negada para 2012.

Agora, pensando como um garoto que acabara de sair do kart, o que é mais interessante, correr na F-Renault contra pilotos da McLaren, Caterham, Lotus e Red Bull e aprender na marra contra eles ou vir para a F-Futuro e duelar contra seis ou sete garotos? É contra esse tipo de coisa que a F-Futuro não conseguia  competir, independentemente de bolsa ou de investimentos feitos pela Felipe Massa. É por isso que eu falei em nicho específico, quem optava por começar a carreira por aqui não tinha muita escolha de ter tentado algo diferente. E o caso de Felipe Fraga retrata bem isso. Para quem não conhece, o garoto é tido como um desses prodígios do automobilismo, mas fez a transição na Europa, justamente pelo motivo citado aqui.

Para encerrar, um último erro que a F-Futuro cometeu foi se distanciar da F3 Sudamericana. O campeonato de Felipe Massa sempre tentou passar a impressão de que era um certame que não sofria dos mesmos males que a categoria maior. Só que isso acabou matando o torneio. A partir do momento que a bolsa para campeão era destinada a correr em um campeonato europeu – e não havia prêmio como treinos em equipes da F3 Sudam – a ideia é que de que haveria uma ruptura no desenvolvimento dos atletas aqui no Brasil.

Isto é, depois de disputar a F-Futuro, a própria organização do campeonato indicava que o próximo passo seria correr na Europa. Consequentemente, os pilotos perceberam que era muito mais fácil começar a carreira no continente europeu ao invés de iniciar o desenvolvimento por aqui. Então para que a F-Futuro? Mais fácil fazer a transição direto na F-Renault não é mesmo?

Antes de terminar, só vou dar uns pitacos. Para os garotos que pretendiam fazer a transição do kart para a F-Futuro neste ano e agora ficaram sem correr, minha sugestão seria continuar no kartismo em 2012. Enquanto isso, treinar com os vários carros de F-Renault que estão espalhados por aí e tentar negociar com alguma equipe para correr no segundo semestre na Europa. Já quem estava na categoria, acho que a F3 Sudam é a melhor opção, mesmo que seja para correr na Light, até porque o campeonato ainda não começou. Outros campeonatos que também não deram o início são o italiano de F-Abarth, a JK Asia (antiga F-BMW do Pacífico) e a F-Pilota China (a F-Abarth do país asiático). Equivalente à F-Futuro existe a F4 Francesa, mas essa começa a temporada dia 29 de abril.

Hitech F3 Sudam anúncio

Eu devia cobrar royalties por colocar esse anúncio de novo aqui. Mas acho bem apropriado

O divertido treino classificatório do GP da Austrália

março 16, 2012
Romain Grosjean GP da Austrália Melbourne

Confesso que torci para a pole-position de Romain Grosjean, assim como agora quero vê-lo vencer. Mas é preciso admitir que o planejamento da McLaren para 2012 deu certo

Não costumo fazer textos analisando o que acontece na F1. Tem um monte de gente que já faz isso – muitos mais gabaritados do que eu –, então acabaria falando apenas mais do mesmo. Quem diria falar algo tão pontual quanto um treino classificatório.

Pois bem, hoje abro uma exceção. Confesso que eu me diverti no treino classificatório para o GP da Austrália ao ver a frustração da Ferrari, o erro de Kimi, o picolé de chuchu da Red Bull, a superação de Romain Grosjean e o domínio da McLaren. Por causa dessa euforia escrevi palavras inúteis e repetitivas que você já deve ter lido por aí.

Se você não quiser perde tempo por aqui, só descer o scroll do mouse que o próximo post é sobre a Pamela Anderson e tem as pernas dela de fora. Faça bom proveito!

Ok, se você ficou para ler meu texto, eu agradeço muito, então trago algumas informações úteis que ajudam desvendar o que aconteceu no Albert Park.

A McLaren nunca escondeu que o objetivo na criação do MP4/27 era fazer o carro ser rápido em apenas uma volta. Justamente a decisiva no Q3 do treino classificatório. Ao final de 2011, a equipe inglesa julgou que o ritmo de prova era melhor que o da Red Bull, mas a principal dificuldade que Jenson Button e Lewis Hamilton era acompanha o ritmo de Sebastian Vettel, já que o alemão conseguia abrir caminho por largar na pole-position.

Ao que tudo indica após esse primeiro treino, a tática da McLaren deu certo. Quando a equipe adotou por um monocoque mais baixo fugindo do degrau no bico, também possibilitou acertos mais agressivos para essas voltas lançadas ao custo da aerodinâmica. Essa aposta deu resultado e Lewis Hamilton e Jenson Button dividem a primeira fila do grid de largada na Austrália.

Romain Grosjean Melbourne

Alguém mais ficou com a impressão de que Grosjean estava meio deslocado na comemoração?

Romain Grosjean, no terceiro lugar, é a surpresa que todo mundo já sabia. A Lotus cansou de andar na frente na pré-temporada e não tinha motivos para que fosse diferente hoje, a menos que eles tivessem blefado nos treinos coletivos. No preview do GP da Austrália, eu escrevi que a equipe inglesa era grande história desse início de temporada 2012 e torcia para o sucesso deles. Eles corresponderam, mas treino é treino e corrida é corrida.

Agora resta ver se Grosjean vai conseguir manter o resultado durante a prova e, principalmente, se a McLaren vai fazer bom uso do ar limpo por largar na frente. Se o time d Woking reclamou de passar 2011 perseguindo Vettel, eles são a presa agora.

Para finalizar, que belo carro é esse da Ferrari, hein? Meu deus, isso que o vexame só não foi maior porque Felipe Massa avançou ao Q2 devido a um erro de Kimi Raikkonen na volta rápida. Com a terceira colocação de Grosjean, alguém dúvida que o finlandês tinha condições de superar o brasileiro em situação normal?


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