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O domínio de Felipe Guimarães na F3 Sudamericana

abril 6, 2013
Felipe Guimarães não teve adversários na F3 Sudamericana (Foto: Bruno Terena/Vicar)

Felipe Guimarães não teve adversários na F3 Sudamericana

Felipe Guimarães foi o nome da rodada de abertura da temporada 2013 da F3 Sudamericana, no último fim de semana em Interlagos. Competindo mais uma vez pela Hitech, o piloto radicado em Brasília foi imbatível. Ele venceu a primeira corrida por, acredite, 58s de vantagem para o segundo colocado, enquanto fechou a segunda bateria – onde largou em sexto – com ‘apenas’ 38s na frente.

Assim, resta questionar, seria o garoto o novo fenômeno do automobilismo brasileiro ou o resto do grid da F3 Sudamericana é formado por um bando de miolo-mole? Obviamente, nem uma coisa, nem outra.

O segredo do domínio de Guimarães é sua experiência no automobilismo. Aos 22 anos, o piloto já passou por A1GP, GP3, Indy Lights e estaria na idade de disputar a GP2, por exemplo. Entretanto, como muitos outros competidores, Felipe sofreu com a falta de patrocínio e problemas de apoio, perdendo o passo da carreira.

A solução para continuar no esporte foi voltar ao Brasil e correr de kart. Com bons resultados, o piloto decidiu retornar aos monopostos, na F3 Sudam, onde venceu quatro das seis corridas em que disputou na temporada passada, além de triunfar no Brazil Open, no início deste ano.

Com o momento da carreira recuperado, Guimarães espera retornar à Europa neste ano. Ele chegou a sondar uma vaga na GP3, treinou até com a equipe Bamboo, na última semana, e ainda está avaliando as opções.

O piloto erradicado em Brasília chegou a terinar pela GP3 na última semana

O piloto radicado em Brasília chegou a treinar pela GP3 na última semana

Enquanto o piloto da Hitech está pronto para dar um novo passo na carreira, a F3 Sudam assumiu a função de categoria-escola do automobilismo brasileiro. Dos 13 pilotos que disputaram a etapa de Interlagos, Gaetano Di Mauro, Artur Fortunato, Rodolfo Toni, Alexandre Doretto e Elias Azevedo estavam estreando nos monopostos. Gustavo Myasava e Gustavo Frigotto participaram de apenas uma rodada da competição no ano passado, enquanto Nicholas Silva veio da Skip Barber. Por fim, Higor Hoffmann e Raphael Raucci estavam estreando na divisão principal após competirem na F3 Light em 2012.

Por isso, é mais do que natural o domínio de Guimarães nesta primeira etapa. De qualquer forma, o piloto foi bastante inteligente em saber da própria situação. Sendo o mais experiente do grid, ele não podia permitir que os adversários tivessem o mesmo desempenho que ele. Ou seja, não bastava apenas vencer, tinha que impor o próprio ritmo para chegar preparado na Europa, e foi isso o que aconteceu.

A tendência para as próximas etapas do ano é que a diferença de Guimarães para os demais pilotos diminua, conforme os menos experientes forem se adaptando à categoria. Além disso, o automobilismo é imprevisível. É verdade que o piloto da Hitech é favorito ao título, mas alguns abandonos podem complicar a vida dele, ainda mais em um torneio em que há apenas cinco pilotos na divisão principal, e não há muito espaço para um comer pontos do outro.

Ainda há esperança

fevereiro 17, 2013
A F3 voltou ao centro do automobilismo brasileiro ao ser um dos focos de Carlos Col na corrida pela presidência da CBA

A F3 voltou ao centro do automobilismo brasileiro ao ser um dos focos de Carlos Col na corrida pela presidência da CBA

Uma das notícias mais importantes do automobilismo brasileiro neste fim de semana foi a demissão de Carlos Col da Vicar. O criador da Stock Car e responsável pelo retorno do Brasileiro de Marcas já havia vendido sua parte na empresa e acabou chutado de lá após divergências internas.

Além de ter conseguido uma boa grana com a venda, Col tem outros projetos em mente. Um deles é passar os próximos anos arquitetando uma aliança para se candidatar ao cargo de presidente da CBA e tomar as rédeas do automobilismo nacional.

Não é surpreendente, mas um dos pilares dessa candidatura deve ser uma reestruturação do kartismo e das categorias de base nos monopostos para que o Brasil volte a revelar bons pilotos constantemente como fazia em um passado não tão distante.

Para que isso aconteça, o primeiro passo será endireitar a F3 Sudamericana. Neste fim de semana, estive em Interlagos para cobrir a abertura da temporada 2013 da Stock Car e ouvi que Col continua dono da F3 neste ano. Apesar disso, a categoria deve continuar como preliminar do Brasileiro de Marcas (este nas mãos da Vicar), conforme o calendário já divulgado.

É claro que não deixa de incoerente que mesmo demitido Col continue com laços com a Vicar. Porém, romper o contrato nessa altura do ano seria um tiro na proporia categoria, já que seria necessário reconstruir o campeonato praticamente da noite para o dia. Lembrando que isso foi feito no ano passado e o resultado foi péssimo, com apenas três pilotos disputando todas as etapas.

Gustavo Myasava está confirmado na Hitech em 2013

Gustavo Myasava está confirmado na Hitech em 2013

Essa também não é a primeira vez que há promessas de dias melhoras para a F3 Sudam. Em cada um dos últimos cinco anos em algum momento houve notícias – de certa forma mirabolantes – que davam conta do ressurgimento do campeonato. Obviamente, nenhuma delas deu certo até agora.

Então, o que torna o plano de Col tão diferente? Em primeiro lugar é que está sendo tocado por alguém sério. Não que os dirigentes anteriores tenham sido amadores. Pelo contrário, mas é inegável que a Col e Vicar têm crédito pelo crescimento da Stock Car na última década e pelo sucesso relativo do Brasileiro de Marcas.

O segundo ponto é que a F3 precisava passar por uma reestruturação interna. E ela já aconteceu no ano passado. As equipes estão mais unidas em prol da sobrevivência do campeonato, assim como o certame passou a ter um calendário mais próximo da realidade financeira do automobilismo de base no país. Desde 2012, o certame voltou a ter rodadas duplas e sem viagens distantes para países da América do Sul.

É claro que gostaríamos que a F3 Sudam voltasse a correr em Argentina, Chile e Uruguai como já aconteceu em outros anos. No entanto, se as provas estrangeiras significam um custo desnecessário e um empecilho para a formação de um grid fortalecido, então é melhor não tê-las por enquanto.

Ainda em Interlagos, ouvi que há uma estimativa de 16 carros disputando a temporada completa em 2013. Acho uma previsão bastante otimista, mas pode acontecer. Por mim, eu já ficaria feliz se tivermos de nove a 12 pilotos em todas as etapas, além de alguns inscritos a mais aqui ou ali.

A Vicar disse que deve soltar uma lista provisória de participantes ainda nesta semana. Ao menos três nomes já estão garantidos. A Hitech terá mais uma vez Felipe Guimarães, que não conseguiu retornar à Europa em 2013, além dos novatos Gustavo Frigotto e Gustavo Myasava, este retornando da MRF 2000, na Índia.

Deem o título da F3 Sudam ao campeão da Light!

outubro 28, 2012

Lucas de la Vega é um dos novatos da F3 em 2012

Todo mundo sabe que a F3 Sudamericana não é mais aquele mar de talentos que um dia foi no século passado. É mentira dizer que ela não consegue mais revelar bons pilotos – basta ver o desempenho de Guilherme Silva e Bruno Bonifácio em 2012 –, mas eles são exceções. O que mais temos visto é o atleta sair daqui para andar nas últimas posições lá fora.

Apesar disso, neste ano, a situação prometia mudar. Depois de uma negociação fracassada com a Top Race argentina, o antigo promotor – Dilson Motta – se afastou do campeonato por motivos particulares. Para que a categoria não morresse, quem assumiu a F3 foi a Vicar, que a incorporou ao Brasileiro de Marcas.

O problema é que com essas idas e vindas o campeonato só começou no dia 21 de julho e, até o mês de junho, ninguém tinha certeza se o torneio iria acontecer. Por isso, para muitos pilotos, ficou tarde demais para negociar com patrocinadores. Dessa forma, por mais que a Vicar tenha trabalhado para encher o grid, a temporada 2012 já estava caminhando para um fracasso.

Só que ninguém imaginava que seria tão ruim. Neste fim de semana, a quarta das seis etapas do campeonato foi disputada no circuito de Tarumã. Embora o grid até tenha reunido uma razoável marca de dez carros – até mesmo um progresso com relação aos últimos anos –, mais uma vez os líderes da tabela não estiveram presente.

Assim, Felipe Guimarães – aquele mesmo com passagens por A1GP, GP3 e Indy Lights – conquistou duas vitórias fáceis ao vencer Rodrigo Gonzalez (piloto do próprio Rio Grande do Sul) e Leonardo de Souza.

Com os resultados, a tabela de pontos não poderia estar mais bizarra. A liderança é de Fernando ‘Kid’ Resende, que só disputou as primeiras duas etapas e ninguém faz ideia se ele volta a competir. Depois, aparece Leonardo de Souza, o único piloto da divisão principal a tomar parte de todas as corridas. André Pedralli, outro que correu só as duas primeiras etapas, é o terceiro, enquanto Rodrigo Gonzalez e Christian Castro (dois pilotos do RS, que correram as duas últimas corridas no RS) completam o top-5.

Em outras palavras, faltando rodadas em Londrina e em Curitiba, é impossível apontar um favorito ao título, já que não dá para se ter certeza de quem vai competir por lá. Isto é, se os pilotos gaúchos não aparecerem e De Souza tiver problemas mecânicos nas últimas rodadas, é capaz que Kid seja o campeão tendo participado de apenas quatro de 12 corridas.

Da mesma forma, nada impede que alguém estreie em Londrina, vença as quatro provas restantes e termine com a taça de campeão.

Raphael Raucci (no carro laranja) lidera a F3 Light com um ponto de vantagem para Higor Hoffman (azul)

Por outro lado, a situação da categoria Light está um pouco melhor. Três pilotos competiram em todas as etapas – Raphael Raucci, Higor Hoffman e Lucas de la Vega – sendo que os dois primeiros estão separados por um único ponto no campeonato. É claro que não é o ideal, mas ao menos estamos tendo algum tipo de competição.

Por isso, a minha sugestão é que a Vicar decida que o campeão da divisão Light seja de fato o campeão da F3 Sudam de 2012. E isso passe a valer tanto para premiações – se houver alguma – e fins estatísticos.

Não sei se existe qualquer possibilidade de mudar o regulamento nesse momento, mas em meio a um campeonato tão bagunçado como foi esse de 2012 não acho essa uma ideia ruim. E ainda é legal porque valoriza quem acreditou no certame competiu o ano todo.

De resto, para quem gosta da F3 Sudam, já está na hora de pensar em 2013…

Mitch Evans é campeão da GP3 2012

setembro 12, 2012

Mitch Evans chegou à GP3 2012 como favorito, convenceu e saiu com taça

Se você viu a GP3 em 2012, viu. Caso contrário, não dá mais tempo porque já acabou. Talvez estejamos falando do campeonato mais curto da Europa. São apenas quatro meses, e quando você começa a se acostumar com os pilotos o certame termina. Frustrante.

No entanto, quem assistiu às corridas de 2012 viu um campeonato muito legal, bem disputado e que coroou Mitch Evans como campeão após apenas oito etapas em um final épico em Monza, quando o jovem neozelandês ficou com a taça, já que Tio Ellinas ultrapassou Daniel Abt – o vice-campeão – na penúltima volta da última corrida.

Mas hoje falo sobre Evans. Talvez a GP3 nunca teve um piloto tão favorito ao título quanto o protegido de Mark Webber. Desde o primeiro treino de pós-temporada, ainda em 2011, o garoto de apenas 18 anos se colocou na primeira colocação e se manteve assim até o final. Ou algo parecido. Nas últimas cinco corrida, o piloto somou apenas 15 pontos (de 95 possíveis), mas mesmo com todo o esforço para perder o título conseguiu terminar com a taça.

Evans, aliás, é um caso curioso no automobilismo. Desde muito jovem já era apontado como um piloto fora de série e que tinha tudo para ser dar bem no esporte a motor. Ou seja, nada mais natural que disputar os principais campeonatos do mundo sempre com o melhor equipamento disponível, certo?

No caso do neozelandês errado. Como a maior parte dos pilotos nascidos na Oceania, Evans disputou pequenos campeonatos locais antes de cair na Toyota Racing Series – onde foi bicampeão correndo pela equipe do pai – e na F-Ford Australiana, um campeonato que costuma reunir jovens da própria Oceania e teve gente como Nick Percat (vencedor em Bathurst) e Richie Stanaway descobertos na mesma geração.

Vou me entregar que vejo novela, mas nessa foto Mitch Evans não está a cara de Fabian, da novela das 7?

No entanto, o mais surpreendente aconteceu em 2010, quando o piloto decidiu participar da F3 Australiana, um campeonato com equipamento extremamente defasado com relação às demais F3 e que mal consegue colocar dez carros no grid. Parece familiar, não é mesmo?

Pois é, Evans terminou aquele ano como vice-campeão, mas já tinha chamado a atenção de Mark Webber, que acabou levando-o para a Inglaterra. Aí fica a pergunta. Por que Evans pode disputar um campeonato como a F3 Australiana, sequer ser campeão e mesmo assim chegar à Europa como um piloto valorizado? Por que isso não acontece aqui na F3 Sul-americana? Será que os pilotos daqui são piores que os de lá?

Eu acho que não. A cada ano fica mais provado que dizer que um determinado campeonato não pode desenvolver um bom piloto é besteira. Qualquer certame tem potencial, sim, para revelar jovens talentos. Então por que nós vemos um ex-piloto da F3 Australiana em um lado da tabela da GP3 e os ex-F3 Sudam do outro?

Acho essa resposta simples. Sem levar em conta o combustível financeiro, um piloto com talento natural e que trabalhe muito duro sempre vai levar vantagem, independentemente de onde correr. Mitch Evans aproveitou cada oportunidade e está próximo de se tornar apenas o segundo neozelandês a disputar a GP2. Enquanto isso, ainda esperamos a tal renovação dos pilotos brasileiros.

A primeira etapa da F3 Sudam de 2012

julho 25, 2012

Nicolas Costa foi o principal nome na primeira rodada da F3 em Curitiba

Esperança. Esse era o principal sentimento quando a F3 Sudamericana anunciou o tardio cronograma da temporada 2012, no mês de julho. Desde então, a categoria levou 12 pilotos a um treino coletivo, mas só conseguiu alinhar dez na primeira corrida do campeonato, disputada no último final de semana em Curitiba.

Na realidade, uma dezena de competidores não deixa de ser uma evolução com relação a 2011, quando apenas oito atletas tomaram parte da rodada inicial no Velopark. O problema fica na parte da esperança, já que o primeiro grid da F3 neste ano deixou a desejar em relação ao treino coletivo.

Alguns dos nomes promissores da primeira atividade, como Guilherme Salas, Luir Miranda e Gustavo Myasava não conseguiram fechar contrato para a prova curitibana. Na verdade, isso obviamente já era algo esperado. Alguns pilotos usaram os ensaios coletivos apenas para se acostumar à categoria – seja pensando para 2013, seja analisando as opções parecidas na Europa/Estados Unidos.

Outros realmente não reuniram as condições necessárias – $ – para participar da etapa de Curitiba. Miranda, por exemplo, chegou a viajar ao Paraná e conversou com a Cesário para pilotar um dos carros da equipe, mas a falta de dinheiro foi fundamental para deixar o carioca de fora.

Entre os sobreviventes, digamos assim, Nicolas Costa – primeiro campeão da F-Futuro – liderou um grid que também contou com Fernando ‘Kid’ Resende, Gabriel Casagrande, André Pedralli, entre outros.

No caso de Costa, a opção pela F3 Sudamericana é perfeitamente compreensível, afinal, com três anos em categorias menores, ele já está de olho na transição para alguma F3 da Europa. Assim, a participação no torneio do Cone Sul é uma forma de se adaptar ao carro e ganhar uma quilometragem extra já pensando em 2013.

Um detalhe curioso é que Nicolas está empatado na liderança da F-Abarth com o também brasileiro Bruno Bonifácio. Só que enquanto o carioca retornou ao Brasil para correr de F3, após dois anos no certame italiano, o paulista competiu na F3 no ano passado antes de se mandar para a Itália. A diferença é que Bonifácio disputou a divisão Light, enquanto Costa corre na principal.

Lucas Biagioni não teve muito tempo para se mostrar no Paraná

Depois de Nicolas, os nomes mais interessantes são os de Casagrande e Pedralli. Mas eles vivem em situação bem oposta. Sinceramente, achei curiosa a presença de Gabriel Casagrande. O paranaense estreou nos monopostos em 2012 e vem conseguindo uma evolução tremenda correndo em diversas F-Renault da Europa – sendo que até já foi um assunto de um post aqui do blog. Basta clicar aqui para relembrar.

Justamente por isso, ter competido na F3 nesse momento me parece um exagero. Na minha opinião, seria mais interessante para Casagrande se firmar em alguma categoria europeia, lutando por vitórias e título, antes de pensar na transição para a F3. Por outro lado, levando em conta que o garoto é paranaense, então ter alguma experiência no Autódromo de Curitiba é importante, mas fico com pé-atrás nessa decisão.

No caso de Pedralli, a presença do piloto foi uma surpresa bastante agradável. O garoto fechou contrato com a Bassan de última hora e conseguiu participar da etapa curitibana. De quebra, conquistou dois terceiros lugares. É incrível o aproveitamento que André tem de pódios. Em seis corridas disputadas entre F3 e F-Futuro, o piloto terminou três vezes entre os três primeiros. É um número bastante respeitável para quem praticamente não tem condições de treinar.

No caso de Pedralli, a presença do piloto foi uma surpresa bastante agradável. O garoto fechou contrato com a Bassan de última hora e conseguiu participar da etapa curitibana. De quebra, conquistou dois terceiros lugares, mantendo um aproveitamento incrível de resultados. Em quatro corridas disputadas entre F3 e F-Futuro, nos dois últimos anos, o piloto sempre terminou entre os cinco primeiros. É um número bastante respeitável para quem praticamente não tem condições de treinar.

Para não me alongar muito, só alguns comentários sobre o resto dos participantes. Embora tenha vencido uma das corridas, Kid não foi bem, sendo que ele só triunfou porque Costa teve um problema mecânico. Em três anos na categoria, o piloto ainda não mostrou muito. Lucas Biagioni, por outro lado, também não muito o que comemorar. O piloto bateu na primeira volta da primeira corrida e destruiu o equipamento da Hitech. Certamente, não foi a estreia que ele esperava.

Para terminar, mais importante que os pilotos acho que é o número de equipes presentes em Curitiba. Ao todo, sete escuderias estiveram no AIC: Cesário, Hitech, Capital, Bassan, EMB, Kembra e RR. Levando em conta que PropCar e Dragão têm carros da F3 e apenas precisam de um piloto – $ – para voltar às pistas, é bastante interessante pensar que há nove escuderias de F3 aqui no Cone Sul. Isso quer dizer que o grid pode crescer nas próximas etapas. Ou talvez apenas em 2013. Mas há espaço para isso, o que é importante.

O início da F3 Sudam 2012

julho 4, 2012

Nicolas Costa é o nome mais famoso de uma possível geração 2012 da F3

Depois de uma longa espera, a temporada 2012 da F3 Sudamericana começou na última semana, com uma sessão de treinos coletivos no Autódromo de Pinhais, em Curitiba. A atividade aconteceu mais de seis meses depois da última etapa de 2011, que havia sido disputada em 17 de dezembro.

Nesses seis meses, a categoria foi extinta e voltou a dizer. Quer dizer, o antigo promotor deixou o campeonato por motivos pessoais, em um momento que a categoria negociava para se juntar à Top Race argentina e se tornar um verdadeiro certame sul-americano. No entanto, a manobra não deu certo e a F3 acabou caindo no colo da Vicar, que também é a responsável pela Stock Car e pelo Brasileiro de Marcas.

Assim, aos poucos, a temporada 2012 começou a tomar forma. O calendário foi anunciado com seis etapas – todas no Brasil e juntas com o Brasileiro de Marcas – além de alguns treinos.

No primeiro ensaio, um bom número (levando em contas as últimas temporadas) de dez carros estiveram presentes. A Hitech levou quatro carros pilotados por Lucas Biagioni, Gustavo Frigotto, Gustavo Myasava e Nicolas Costa. Ainda treinaram Leonardo De Souza e William Silva (Kemba), Guilherme Salas e Raphael Raucci (Dragão), Luca de la Vega (EMB) e Luir Miranda (Prop Car).

A lista é formada principalmente por gente vinda da extinta F-Futuro, além de algumas revelações do kart. O grande nome foi o de Nicolas Costa, primeiro campeão da F-Futuro e que já está na F-Abarth há dois anos. (Por outro lado, vale ressaltar que a megacampeã Cesário não esteve presente).

Gustavo Myasava também foi um dos pilotos a treinarem na F3

Apesar de um número satisfatório de participantes nesse primeiro treino, muitos desses pilotos não vão competir de forma integral em 2012. Ainda assim, é possível tirar algumas conclusões dessa primeira atividade.

A primeira delas diz respeito à F-Futuro. Acho que ficou mais do que provado que a categoria não acabou por falta de pilotos, no sentido de que o kartismo não tinha condições de renovar o grid do certame. Além desses dez garotos da F3, vale lembrar que Felipe Fraga, Gabriel Casagrande, Gustavo Lima, Roberto Lorena, Henrique Baptista e Antonio Furlan fizeram a transição do kart para os monopostos em 2012, mas optaram por correr na Europa ou nos Estados Unidos. Portanto, havia pilotos, o campeonato é que não conseguiu atraí-los.

A outra conclusão é que a F3 não é tão ruim quanto faziam parecer. A temporada 2011 foi marcada por um péssimo grid de quatro ou cinco pilotos tomando parte de todas as etapas, mas conseguiu revelar Guilherme Silva e Bruno Bonifácio, além de Felipe Fraga, que havia testado durante todo o ano pela categoria. No ano anterior, foi a vez de Pietro Fantin surgir e, há dois anos, Lucas Foresti. Assim, em um grid de dez carros, a chance de surgir um ou dois nomes é bastante grande.

O que favorece à descoberta de novos pilotos é o calendário encurtado deste ano. São apenas 12 corridas em seis rodadas duplas, enquanto no ano passado foram 25 provas em nove rodadas, sendo uma na Argentina. O que isso significa? O campeonato está mais barato. Então, pilotos que tivessem dificuldade para fechar o contrato para correr podem estar presentes em 2012. Isso é muito importante para a categoria. Ter um grid forte nessas seis rodadas é um passo fundamental para a reestruturação do certame em 2013.

Uma vez entrevistei Michel Jourdain Jr. (que nunca disputou uma categoria de base na carreira) e perguntei o que ele achava dos campeonatos de base do México, como a PanAmGP e Latam Challenge. Ele respondeu que são torneios ainda muito fracos e que é melhor para os jovens mexicanos começar a carreira logo na Europa, pela falta de competitividade em casa. Portanto, a F3 Sudam precisa mostrar em 2012 que tem condições de continuar sendo um passo fundamental para os jovens pilotos.

Procuram-se pilotos

abril 5, 2012
Agustin Canapino

A Hitech competiu em 2011 tanto na F3 Inglesa quanto na F3 Sudam, onde revelou Pietro Fantin e Guilherme Silva

Não tenho o hábito de ler revistas internacionais sobre o automobilismo. Por trabalhar em uma aqui do Brasil – a Warm Up –, acabo apenas folheando as concorrentes, digamos assim, para saber o que eles estão fazendo. Não só em termos de conteúdo, mas também em abordagem e técnica.

Nesses quesitos, a Autosport realmente se destaca. Levando em conta que eles têm uma semana para fazer cada edição, é realmente interessante o trabalho desenvolvido. Caso você tenha interesse, eu procurar na internet um link para baixar algum exemplar, que realmente vale à pena. (Ou então comprar em alguma banca na Inglaterra, caso você more fora do país).

Mas, bom, por que eu estou dizendo tudo isso? É que na verdade acho que tão legal quanto folhear a revista inglesa é ler a parte de classificados. No meio de anúncios de macacões para pilotos e de vagas para engenheiros em equipes de F1, sempre há algum quadrinho que chama a atenção. De vez em quando, por esses destaques, é possível entender um pouco mais do mundo do automobilismo com aquilo que não é dito nem publicado.

Um dos anúncios da última edição da Autosport é da equipe Hitech. A mesma que não apareceu para a disputa da temporada 2012 da F3 Inglesa. De acordo com a chamada, o time tem vaga subsidiadas para pilotos competirem neste ano, basta alguém entrar em contato com eles.

Mas qual a minha surpresa ao descobrir que não se trata de uma vaga para correr na Inglaterra, mas, sim, na F3 Sudamericana. A Hitech, que estreou por aqui há três anos, resolveu anunciar na Autosport ver se atrai algum interessado para a nova temporada.

São duas vagas oferecidas. Uma na divisão principal, pelo preço de 300 mil euros, e outra na Light, ao custo de 150 mil euros.

Em um primeiro momento é uma pechincha. O orçamento que eles estão pedindo para a categoria principal é pouco mais do que o necessário para disputar a temporada da F-Renault Eurocup. E olha que estamos falando de um desenvolvimento feito em um carro de F3.

Mas voltando à realidade, algo que custa R$ 600 mil jamais pode ser considerado barato. Eu adoraria ter esse dinheiro, mas não tenho e imagino que a maior parte dos pilotos interessados na vaga está nessa mesma situação. Sabem que é um produto decente, só que precisam de algum patrocinador para conseguir todo o orçamento.

Outro problema que joga contra a Hitech nesse momento é a total falta de informação sobre a F3. O anúncio diz que são 18 corridas em nove finais de semana, em três países da América do Sul. Até onde sei, a organização da F3 ainda não soltou um calendário oficial, ou seja, como um piloto pode ir atrás de investidor assim às escuras sobre onde vai correr?

E outra, se são 18 corridas em nove finais de semana, quer dizer que o campeonato desistiu da rodada tripla implantada nos últimos anos? Outra coisa que também ainda não foi anunciada.

De qualquer forma, acho que é uma vaga interessante. Minha torcida pessoal é para que algum piloto de fora – que está com problemas para fechar orçamento em um campeonato internacional de F3 ou até mesmo na GP3 – venha correr aqui na América do Sul. Obviamente, nada contra os brasileiros, mas seria interessante ver essa inversão no automobilismo. Ao invés de mandar os garotos correrem na Europa cada vez mais cedo, um atleta de outro país viria se desenvolver por aqui.

Entretanto, para os pilotos estrangeiros pesa o fato de que além de pagar pela vaga ainda precisam se mudar para o Brasil, o que representa custos extras, fora toda a questão de adaptação.

Assim, sem maiores informações sobre o campeonato, é difícil gerar interesse. É verdade que a organização da F3 tem se movimentado nos bastidores para uma reestruturação em 2012, mas faltando um mês para começar a disputa – segundo o anúncio, a temporada vai de maio até dezembro – será difícil arrumar pilotos interessados de uma hora para outra.

Enquanto isso, o jeito é pagar anúncio numa revista para ver se, por milagre, alguém vê.

Abaixo você pode ver o anúncio publicado pela Hitech na Autosport:

Hitech F3 Sudam anúncio

O fim da F3 Sudamericana 2011

dezembro 17, 2011
Fabiano Machado

Fabiano Machado venceu 17 vezes em 2011. Mas muitas dessas vitórias podem ser contestadas pela qualidade duvidosa dos adversários

A temporada 2011 da F3 Sudamericana finalmente chegou ao fim. Não que alguém ainda tivesse acompanhando o que acontecia nas pistas, mas fica anunciado que acabou. Registro feito, podemos fazer outra coisa. Até o próximo post!

Opa, não é isso. O campeonato de 2011 foi um amontoado de erros que resultaram no fracasso da competição. O torneio começou no dia 26 de março, no Velopark, e terminou neste sábado, dia 17 de dezembro, em Campo Grande. A efeito de comparação, a F1 começou dia 27 de março e terminou em 27 de novembro. A F3 foi maior, portanto.

Não era intenção da organização fazer um calendário tão ruim, mas esse foi o resultado de uma série de mudanças ao longo do ano. Entre as etapas do Velopark e de Interlagos, houve um intervalo de quatro meses sem correr. Essa pausa, entre outros motivos, aconteceu para igualar o calendário da F3 com o do Brasileiro de Marcas. Assim, algumas corridas marcadas acabaram não acontecendo e tudo foi amontoado em sete rodadas ao longo de três meses e meio.

Depois, para piorar, a etapa de Londrina não ocorreu por conta das reformas na pista após o vexame durante a corrida da Stock Car, que o asfalto se soltava por conta do precário recapeamento, e no lugar entrou a corrida natalina de Campo Grande.

Qual o resultado desse calendário bagunçado? O total desinteresse pela categoria. Apenas dois pilotos que largaram no Velopark também correram em Campo Grande: Fabiano Machado, o campeão, e Ronaldo Freitas.

Os poucos bons nomes que o campeonato revelou passaram longe do Mato Grosso do Sul. Bruno Bonifácio e Guilherme Silva perceberam a furada que a F3 Sudamericana foi e se mandaram no meio da temporada. Enquanto o paulista esperou para garantir o título da divisão Light antes de se mudar para Itália, onde passou a competir na F-Abarth, Silva largou a F3 a tempo de garantir o título da F-Futuro. Muito mais lucrativo.

Agustin Canapino

Agustin Canapino, ídolo na Argentina, foi o primeiro sinal da chegada dos hermanos na F3

Entre os que sobraram na F3, Fabiano Machado correu sozinho. Foram 17 vitórias em 2011, mas a maioria delas contra ninguém. O piloto da Cesário teve dificuldades contra Bonifácio – em um carro da Light –, Fernando ‘Kid’ Resende e Agustin Canapino, que não deveria ter havido. Sem Silva e outro piloto que pudesse gerar disputa, o paulista deveria ter dominado as provas.

Para abusar um pouco mais dos números, de acordo com site Driver Database – que funciona de uma forma similar que a Wikipedia por isso não é 100% seguro – o australiano Caine Lobb venceu as mesmas 17 vezes em 2011. Foi o sétimo maior vencedor do ano. Fabiano Machado estaria nessa mesma colocação. Acima deles, apenas Scott Malvern, Sean Rayhall, Jason Johnson, Hayden Cooper, Craig Baird e Kyle Busch.

Nos treinos da World Series, o primeiro treino que há registro de tempo com o brasileiro foi no dia 9 de novembro, em Navarra. Machado marcou 1min32s395, enquanto Igor Salaquarda, o penúltimo, cravou 1min30s768. O paulista testou pela Tech 1 ao lado de Will Stevens, que obteve 1min30s757. Nesse treino, não é possível saber pelos registros se Machado testou o dia todo ou apenas durante a tarde, já que Steven andou somente de manhã.

No treino dos campeões, também da World Series, realizado no dia 28 de novembro, Machado foi melhor. Marcou 1min45s828 com o carro da Epic/Dams em Alcañiz. Foi 2s7 mais lento que o líder Richie Stanaway e apenas 1s pior que Felipe Nasr, companheiro de equipe na atividade.

Isso tudo prova que Fabiano Machado é ruim? Claro que não. Ele é só um parâmetro de exemplo. As explicações para esse fraco desempenho internacional passam pela bagunça que foi o calendário da F3 em 2011, pelo calendário do automobilismo brasileiro que não permite um jovem piloto a ir à Europa para testar regularmente na pós-temporada e pela falta de orientação que alguns atletas recebem ao terem a carreira queimada em dar passo maior que a perna, entre outras razões.

Ainda sobre estatística de 17 vitórias de Machado, ela fica um pouco melhor quando colocada no confronto direto com Guilherme Silva. Ambos correram juntos em 13 etapas. O mineiro venceu cinco, o paulista, sete. E outra foi de Leonardo de Souza. Aí sim um resultado bem mais equilibrado e que mostra a realidade do que esperar desses pilotos.

Para 2012, existe a possibilidade de a F3 se reerguer devido ao interesse dos argentinos na competição. Ao que tudo indica, a organização da Top Race deve abraçar o campeonato e inscrever alguns carros para pilotos nascidos por lá. Ao mesmo tempo, metade das etapas do campeonato deve ser disputada fora do Brasil, com uma corrida no Uruguai sendo bastante possível.

Isso pode resolver o problema da categoria em parte. Com um grid forte, acaba atraindo pilotos melhores preparados, que vão chegar à Europa em condição de brigar relativamente de igual para igual com garotos de outras nacionalidades.

Mas isso não é um milagre. Pelo contrário, os argentinos estão fazendo aquilo que acabou no Brasil: estão demonstrando interesse na categoria. Se ela vai servir para revelar para o mercado interno deles ou para tentar alçar pilotos de lá para Europa/Estados Unidos ainda não dá para saber.

Da mesma forma, ainda não dá para saber qual vai ser o futuro da F3 no Brasil. É possível ver o que foi no passado. Um campeonato que nos últimos cinco anos desandou por falta de interesse de pilotos e equipes, mas, principalmente, por erros de quem organiza e de quem deveria promover o esporte no Brasil.

A promissora geração 2011 do automobilismo brasileiro

outubro 30, 2011
F-Futuro grid

Mesmo com grids vazios, as categorias de base brasileiras conseguiram revelar alguns bons pilotos

Este domingo, dia 30, marcou o final da temporada 2011 das categorias de base no Brasil. Tanto a F-Futuro quanto a F3 Sudamericana tiveram as etapas derradeiras e conheceram os respectivos campeões.

Ok, na F3 ninguém sabe se essa foi a última etapa, pois sumiram com a rodada de Londrina. Devido aos problemas no asfalto de lá, que se soltava durante a etapa da Stock Car, cancelaram a etapa, mas não houve, até o momento, o anúncio de que ela será ou não substituída. De qualquer forma, Fabiano Machado e Bruno Bonifácio já haviam conquistado o título da divisão principal e da Light, respectivamente, por antecipação.

Correndo sozinho, Bruno foi campeão da divisão Light com tamanha antecdência, que se mandou para a Itália onde foi correr de F-Abarth pela equipe Prema. Em quatro rodadas, teve um sexto lugar como melhor resultado, mas teve como ponto fraco o desempenho na primeira corrida do final de semana, ao acumular dois abandonos e uma 14ª colocação. Como a segunda prova conta com a regra do grid invertido, o piloto teve sempre o resultado do final de semana comprometido.

Fabiano, por sua vez, se tornou o maior nome da história recente da F3 Sudamericana. O paulista venceu 16 das 23 corridas realizadas no ano para garantir o título. Embora ele não tenha competido sozinho, literalmente falando, enfrentou poucas dificuldades para garantir o título, já que os principais adversários não fizeram a temporada completa da categoria. Por conta da taça, Machado vai testar pela World Series by Renault no já tradicional treino dos campeões e planeja ficar pela Europa no próximo ano.

Fabiano Machado

Fabiano Machado venceu com facilidade a temporada 2011 da F3 e bateu uma série de recordes da categoria

Ao contrário de Bruno, que deixou o Brasil aos 17 anos de idade, Fabiano tem 25. Não o conheço e não sei que planos ele tem para a carreira, mas se visa a F1 ou a Indy a idade é um fator que vai pesar na hora da decisão da equipe, caso ele não tenha nenhum outro recurso $$. Por isso mesmo, acho que pode ser interessante ele pensar em caminhos alternativos na carreira, como correr de F2 ou AutoGP, que embora não contem com pilotos do primeiro escalão, são disputadas por carros mais potentes que o F3 e garantem como prêmio treinos na F1 e na GP2.

Ainda sobre a F3 Sudamericana, como você pode suspeitar, a categoria sofreu o ano todo com o problema de poucos carros no grid. Em Brasília, na etapa realizada neste final de semana, não foi diferente. A organização do campeonato anunciou extensivamente a estreia do piloto Felipe Fraga no certame. Fraga, para quem não conhece, é um dos principais kartistas brasileiros e que começa a fazer a transição para os monopostos. Quando o garoto viu que só iam ter seis carros na disputa e mesmo assim sendo necessário um budget elevado, ele foi embora e deixou os organizadores da F3 naquela situação constrangedora em que precisaram desmentir o divulgado por um problema estrutural da própria categoria.

Saindo da F3 e indo para a F-Futuro, Guilherme Silva garantiu o título do campeonato da Fiat ao vencer a última corrida realizada Velopark e contar com o abandono de Jonathan Louis. O piloto mineiro já foi assunto aqui do World of Motorsport em outras oportunidades e foi o grande nome do automobilismo de base no Brasil em 2011. Guilherme começou o ano correndo tanto na F3 quanto na F-Futuro e chegou a ser o líder de ambas até as categorias elas terem conflito de datas.

Mesmo assim, o garoto tentou voar de uma cidade para outra no meio de um final de semana para tentar perder o menor número de provas possível. O resultado dessa experiência foi péssimo, pois ele perdeu a ponta dos dois campeonatos, só recuperando a liderança da F-Futuro justamente nessa última etapa quando se sagrou campeão. O título da categoria, aliás, veio quando Guilherme passou a focar somente neste campeonato, deixando a F3 para quando não tivesse concorrência na agenda. Deu certo e ele foi campeão.

Guilherme Silva

Guilherme Silva estreou na F3 Inglesa na etapa de Silverstone, participando como convidado. Conseguiu o 14º lugar como melhor resultado

Como prêmio, o garoto ganhou uma bolsa para disputar um campeonato europeu de base. Não sei exatamente o que os organizadores consideraram um campeonato de base. Para mim, a GP2 é um desses certames, mas não creio que ele tenha ganhado € 2 milhões – que é o preço da GP2 – pelo título. Ao contrário de Fabiano Machado, Guilherme Silva tem idade para disputar os campeonatos de base na ordem certa. Isto é, para o próximo ano ele poderia competir na F3/GP3, por exemplo, pois já demonstrou estar preparado para isso. Além de ser bastante jovem, o garoto ainda conta com o apoio da equipe inglesa Hitech, para quem correu na F3 daqui.

Ainda na F-Futuro, outro piloto que merece destaque é Victor Franzoni. Acho que quem acompanha o automobilismo de base no Brasil sabe que fazia muito tempo que não surgia um piloto arrojado igual o paulista. Mesmo tendo apenas 16 anos, Franzoni demonstrou ser um piloto extremamente brigador por posições e com capacidade de fazer voltas rápidas dentro de uma corrida. Por isso mesmo, acumulou também uma série de erros e acidentes.

No restante, Luir Miranda e Guilherme Salas, ambos da F-Futuro, foram gratas surpresa, principalmente o carioca, que viu o equipamento deixá-lo na mão, quando era favorito. O importante agora é esses dois – assim como os demais garotos da categoria – não deixarem a carreira estagnar. Seja voltando para a F-Futuro no ano que vem ou dando um passo maior,o ideal é que eles continuem em atividade. Não pode acontecer igual ao ano passado em que apenas três garotos – Nicolas Costa, João Jardim e John Louis – deram prosseguimento à carreira. Os demais tiveram problemas orçamentários e/ou sumiram.

No geral, o ano de 2011 foi marcado por grids curtos tanto na F3 Sudamericana quanto na F-Futuro. Apesar disso, as categorias conseguiram cumprir o papel de revelar bons pilotos. Prova disso são os bons resultados de Bonifácio, Silva e Franzoni competindo de igual para igual com os adversários nos certames europeus. É claro que é cedo para falar se essa geração é melhor do que a dos anos anteriores,  mas pode ser o início da renovação dos pilotos brasileiros pelo mundo.

A estreia de Guilherme Silva na Europa

outubro 6, 2011
Guilherme Silva

Guilherme Silva segue o desenvolvimento na Hitech e estreia na F3 Inglesa em Silverstone

A temporada 2011 da F3 Sudamericana terá uma etapa decisiva neste final de semana, em Silverstone. Não é uma etapa no sentido de carros irem à pista para correr, mas é um momento importante para a categoria.

Em 2011, a F3 daqui da América do Sul sofreu com grids pífios. Por exemplo, na última etapa, na Argentina, apenas sete carros competiram. Ao todo, só três pilotos participaram de todas as etapas e o título foi decidido com muita antecipação em favor de Fabiano Machado e de Bruno Bonifácio.

Apesar desse cenário aterrador, a categoria teve bons nomes em 2011. Bonifácio, por exemplo, é um personagem recorrente aqui do World of Motorsport. Desde que garantiu o título da divisão Light, o piloto se mandou para a Itália onde tem se destacado na F-Abarth. No último final de semana, terminou na sexta colocação a segunda corrida em Mugello, superando o badalado Nick Cassidy, além do compatriota Nicolas Costa.

Depois, foi o décimo colocado no treino coletivo da categoria, nesta quinta-feira, dia 6, em Monza, onde mais de 30 pilotos participaram da atividade. Além de ter sido o melhor entre os novatos – considerando quem estreou na categoria nessas últimas provas de 2011 – o piloto voltou a terminar na frente de Costa.

Bruno Bonifacio

Acho curioso que os novos pilotos pilotos brasileiros, como Bruno Bonifácio, não competem com carros lisos, sem patrocínio

Se Bruno Bonifácio começa a ter um bom desempenho em solo europeu, outro piloto da F3 Sudamericana se prepara para fazer essa transição: Guilherme Silva. Vencedor de cinco etapas em 2011, o mineiro vai competir pela Hitech na rodada de Silverstone da F3 Inglesa, marcada para este final de semana.

Na realidade, não há muitas expectativas em relação ao desempenho de Guilherme. Correndo contra pilotos muito, mas muito mais experientes e em uma pista que nunca pisou antes, não há como cobrar resultado. No entanto, isso não o impede de fazer uma boa apresentação.

Bruno e Guilherme são exemplos de pilotos que optaram por competir na F3 Sudamericana no início de carreira no Brasil. Embora soubessem da fase de declínio do campeonato, resolveram apostar e, a princípio, parece que está dando resultados. Agora, os dois precisam mostrar nas pistas europeias o que aprenderam por aqui.

A F3 daqui da América do Sul, portanto, chega a um curioso momento. Com duas das principais promessas ganhando destaque no continente europeu justamente no ano que o campeonato teve os grid mais curtos, fica a dúvida de que a razão para a falta de pilotos de alto nível revelados nos últimos anos talvez não seja em decorrência do pacote técnico oferecido por aqui. Talvez, a F3 sempre tenha mantido a qualidade do aprendizado e só não tivesse – por infinitos problemas estruturais – captado bons alunos.


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