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Alguma coisa acontece na Red Bull na F3

maio 2, 2013
Daniil Kvyat foi chamado pela Red Bull para estrear na F3 neste fim de semana

Daniil Kvyat foi chamado pela Red Bull para estrear na F3 neste fim de semana

Antes de começar o texto de hoje aqui no World of Motorsport, quero pedir desculpas pelo blog ter ficado sem atualização nos últimos dias. É que nesse tempo estive no Anhembi para fazer a cobertura da Indy para o Grande Prêmio e não sobrou muito tempo livre para escrever algo após cerca 14h de expediente diárias.

Apesar disso, não foi só a categoria norte-americana que correu neste fim de semana. Quem também foi à pista foi a F3 Europeia, para a terceira etapa da temporada 2013, em Hockenheimring. Um dos destaques da rodada foi a retomada da parceria entre Red Bull e Carlin, que havia ficado de certa forma desgastada com o fiasco de Carlos Sainz Jr na F3 Inglesa no ano passado.

Juntas, Carlin e Red Bull já haviam conquistado o título da F3, entre 2008 e 2010, com Jaime Alguersuari, Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne, mas a empresa austríaca resolveu focar na GP3 neste ano – e apoiando a equipe MW Arden –, após Sainz sequer ter brigado pelo caneco na temporada passada.

Entretanto, a fabricante de energéticos ainda tem um representante na F3 Europeia em 2013: Tom Blomqvist, da Eurointernational. O britânico, na verdade, já havia assinado contrato com a escuderia italiana no fim de 2012, antes de ser chamado pelos rubro-taurinos no início deste ano. Por isso, a empresa decidiu deixá-lo no time.

Só que Blomqvist não começou o campeonato bem. Nas seis corridas disputadas em Monza e em Silverstone, o piloto subiu ao pódio apenas uma vez e terminou no top-5 em outra oportunidade. Fora isso, ainda houve dois décimos lugares, além de duas corridas fora da zona dos pontos.

Curiosamente, o russo competiu com um carro sem o layout da Red Bull

Curiosamente, o russo competiu com um carro sem o layout da Red Bull

Para tentar mudar a situação, a Eurointernational resolveu fazer algumas alterações. O time fez uma aliança técnica com a Romeo Ferraris, que acabou deixando o campeonato na última etapa. Fora isso, na última semana, Carlos Sainz Jr foi convocado pela Red Bull para testar pelo time italiano a fim de desenvolver o equipamento.

O envolvimento dos rubro-taurinos na recuperação da Eurointernational parecia que ia continuar quando a lista de inscritos para Hockenheim foi divulgada. Além dos pilotos regulares, quem também estava confirmado era Daniil Kvyat, mais um do programa da RBR. O problema é que o russo estava escalado para competir pela Carlin e não pelo time italiano.

Kvyat, aliás, até começou o fim de semana em alta, cravando a pole-position para a terceira corrida de etapa logo na estreia. Consequentemente, Blomqvist começou a ficar pressionado, afinal, mesmo sendo um veterano no campeonato, ele começou a ser superado com facilidade pelo colega russo.

Só que a pressão deu resultado. Blomqvist terminou na terceira colocação duas vezes, pulando para a sétima colocação no campeonato, com 62,5 pontos. O líder é Raffaele Marciello, da Academia da Ferrari, bem distante, com 171,5.

É muito cedo para falar qualquer coisa, mas já vimos essa história antes. Quando a Red Bull começa a testar outros pilotos e avaliar novas opções, é sempre um sinal de que mudanças drásticas podem acontecer.

Para entender a crise na F3 Inglesa

janeiro 26, 2013
A F3 Inglesa sofreu com falta de pilotos em 2012. Agora sofre com falta de etapas. Faz sentido

A F3 Inglesa sofreu com falta de pilotos em 2012. Agora sofre com falta de etapas. Faz sentido

A segunda-feira, dia 28, foi marcada pelo lançamento do novo carro da Lotus para a temporada de 2013 da F1. No entanto, a principal notícia daquele dia foi a redução da F3 Inglesa para apenas quatro etapas neste ano – sendo apenas duas na ilha da Grã-Bretanha – por causa da crise gravíssima que a categoria atravessa.

De acordo com o promotor do campeonato, Stephane Ratel, acabar com seis etapas foi a forma encontrada para a sobrevivência do certame. Sem isso, o torneio morreria após 62 anos de história, tendo revelado 12 pilotos brasileiros campeões.

Claro que essa foi a versão contada por Ratel. Muito provavelmente, manter a F3 Inglesa mesmo com um número mínimo de provas deve ter sido a solução para respeitar contratos já firmados e evitar possíveis batalhas judiciais. Vale lembrar que o próprio Ratel também é o comandante de certames como a F-Renault UK (extinta no início de 2012) e o GT1 (que sofre com grids pequenos e a ameaça de extinção faz três anos).

Entretanto, dessa vez não dá para jogar toda a culpa no organizador. Se for para acusar Ratel de alguma coisa, é apontar que ele criou todas as condições para que o campeonato acabasse, embora ao mesmo tempo tenha feito de tudo para garantir a sobrevivência.

Esses dois aspectos parecem contraditórios, certo? Verdade, mas eu explico. Acredito que, tirando a F1, o que mantém um campeonato vivo é a presença das equipes pequenas, aquelas que já sabem que vão perder antes mesmo de a temporada começar.

Em 2008, as equipes pequenas da F3 Inglesa eram maioria no grid

Em 2008, as equipes pequenas da F3 Inglesa eram maioria no grid

Para efeito de comparação, em 2008, ano conhecido como ressurgimento da F3 Inglesa com a chegada de empresas como Telmex e Red Bull, dez equipes disputaram a temporada completa, com cinco delas vencendo corrida. Esse número caiu para nove, em 2009; oito, em 2010; seis, em 2011 e apenas quatro no ano passado.

Nesse tempo, até mesmo as equipes tradicionais sofreram. A Hitech passou a se dedicar apenas à F3 Sudamericana, a Double R foi vendida por Kimi Raikkonen e Steven Robertson para Anthony Hieatt, e a T-Sport precisou se aliar à Nissan para ter condições de inscrever um carro no certame.

Isso começou a acontecer por um motivo: passou a ficar muito carro perder para a Carlin. Com a escuderia tendo conquistado os últimos cinco campeonatos, os pilotos perceberam que só teriam condições de vencer corridas e lutar pelo título se estivessem no time de Trevor Carlin. Assim, quem tinha dinheiro assinou com eles, os demais buscaram outros campeonatos.

E a SRO nada fez para mudar essa situação. Pelo contrário. Eles continuaram dificultando a vida das equipes menores aumentando os custos de competição ao adotar um novo carro no ano passado. Com isso, em 2012, o que se viu foi um duelo entre a Carlin (que contava com apoio de fábrica da Volkswagen) e a Fortec (com apoio da Mercedes). Os demais times eram meros coadjuvantes.

Enquanto isso, a F3 Inglesa começou a dividir a pista com a F3 Euro em algumas etapas, como uma forma de diminuir a crise nos dois campeonatos e aumentar a competitividade. Com quase 30 carros inscritos, essas provas foram um sucesso e deixaram maravilhado Gerhard Berger, apontado pela FIA há um ano e meio como responsável pelo gerenciamento das categorias de base do automobilismo.

A etapa conjunta de Norisring juntou cerca de 30 carros entre F3 Euro e F3 Inglesa em 2012

A etapa conjunta de Norisring juntou cerca de 30 carros entre F3 Euro e F3 Inglesa em 2012

Assim, o ex-companheiro de Ayrton Senna na F1 entendeu que o único jeito de a F3 sobrevier era se os campeonatos inglês e europeu se fundissem. Isso foi passado para Ratel, que negou prontamente. Afinal, não seria apenas uma união, já que a FIA passaria a comandar tudo, enquanto a SRO chuparia o dedo.

Para piorar, embora Ratel não tivesse aceitado a proposta, as montadoras começaram a fazer pressão para que Fortec e Carlin trocassem a F3 Inglesa para correr na F3 Euro, pois fazia mais sentido não ficarem limitadas apenas ao mercado britânico.

Com a ameaça de perder os dois principais times, Ratel trabalhou em montar um calendário em que não houvesse choque de datas entre os dois certames. Assim, tanto Carlin e Fortec quanto os times já confirmados do europeu poderiam disputar ambos os campeonatos. Além disso, ele montou uma série de regras com o objetivo de atrair novas escuderias. Eu até escrevi um post sobre isso, que você pode clicar aqui para relembrar.

Do outro lado, Berger não gostou nada da reação. Para evitar a concorrência da F3 Inglesa, o austríaco recriou uma antiga regra que impede os pilotos da F3 Euro de treinar e correr em circuitos que ainda vão receber a categoria. Como Brands Hatch, Silverstone, Paul Ricard e Nurburgring estavam em ambos os calendários, isso significou que mesmo os times da F3 Inglesa não podiam andar nessas pistas.

Claro que também não era uma coincidência que as etapas da F3 Euro nesses circuitos estavam marcadas para após as corridas do certame britânico. Ou seja, antes mesmo de o campeonato inglês começar, já havia a certeza de grids enxutos nessas provas.

Como resultado, a única alternativa encontrada por Ratel foi cortar o calendário para quatro etapas – Brands Hatch, Silverstone, Spa-Francorchamps e Nurburgring –, com elas acontecendo após as corridas da F3 Euro.

Com isso, 2013 vai ter uma situação inédita no automobilismo. A Inglaterra vai receber apenas 14 corridas da F3 neste ano. Além das duas rodadas triplas da F3 Inglesa, a F3 Euro também disputa seis provas entre Brands Hatch e Silverstone e a F3 Espanhola faz mais duas em Silverstone. Esse número é menor que as etapas da F3 Sul-americana no Brasil. O calendário do certame aqui do Cone Sul tem 18 etapas programadas para este ano, sendo 16 aqui no país e duas na Argentina.

O retorno de Richie Stanaway

janeiro 22, 2013
Richie Stanaway está próximo de disputar a F3 Europeia em 2013

Richie Stanaway está próximo de disputar a F3 Europeia em 2013

A revista Autosport desta semana trouxe uma matéria dizendo que Richie Stanaway deve competir na F3 Europeia neste ano após o grave acidente que sofreu em meados de 2012.

Apontado como um dos melhores pilotos das categorias de base nos últimos anos, o neozelandês sofreu fratura de algumas vértebras na segunda corrida da etapa de Spa-Francorchamps, da World Series by Renault, em junho do ano passado, ao ser catapultado pelo carro de Carlos Huertas.

Naquele fim de semana, aliás, escrevi um texto dizendo que é comum ver Stanaway batendo em Spa, basta clicar aqui para relembrar.

Como o acidente aconteceu na World Series, em que era apontado como um dos favoritos ao título, a notícia desta quinta-feira não deixou de surpreender, afinal, por qual razão o neozelandês acabou rebaixado se só agora ele está recuperado fisicamente?

A resposta é simples. A Gravity, empresa que gerencia sua carreira, considera que Stanaway perdeu o bom momento em que vivia. No ano passado, ele chegou à World Series após ser campeão da F3 Alemã ao vencer 13 das 18 corridas em que participou e tendo conquistado o título da Adac Masters, no ano anterior, com 12 vitórias também em 18 provas.

Dessa vez ele chegaria como alguém que praticamente não entrou em um carro de corrida em oito meses. Isso pode ser fatal para a confiança de Stanaway, que poderia entrar naquele buraco negro da carreira, por onde já passaram tantas jovens promessas.

A alternativa encontrada pela empresa é fazer uma temporada na F3 Europeia, onde ele terá condições de repetir o bom desempenho dos anos anteriores em um carro que já está mais acostumado.

A Gravity certamente não espera menos que o título de Stanaway em 2013

A Gravity certamente não espera menos que o título de Stanaway em 2013

Faz sentido. A Gravity é esperta em saber que um piloto como Stanaway não surge todos os anos. Portanto, é preciso ser inteligente nesse trabalho de recuperação. O único problema é se ele não conseguir repetir os resultados esperados – leia-se o título – na F3 neste ano. Uma vez rebaixado pela empresa gestora, certamente ele não terá uma segunda chance.

É inegável que pela experiência que tem o neozelandês é um dos favoritos ao título da F3 em 2013. Além disso, ele deverá contar com apoio de fábrica da Volkswagen, que estuda colocá-lo na ma-con, Van Amersfoort – a mesma da campanha da F3 Alemã –, ou até mesmo na Signature, que pretende voltar à categoria.

Mesmo assim, Stanaway não deverá ter vida fácil. Embora muitos pilotos ainda não tenham sido confirmados, o grid de 2013 aparenta ser bastante forte. Nomes como Tom Blomqvist – agora com apoio da Red Bull –, Felix Serralles, Rafaelle Marciello e Pascal Wehrlein também aparecem como fortes candidatos à vitória.

Para encerrar, o neozelandês precisa se conscientizar de que embora esteja caindo de categoria essa é a oportunidade que tem para mostrar que é tão bom como qualquer outro piloto. Ainda que ele tenha impressionado até 2011, dá para questionar a qualidade dos títulos, já que ele triunfou em certames de segundo escalão.

A corrida que ninguém venceu

junho 30, 2012
Daniel Juncadella

Embora Daniel Juncadella tenha terminado a primeira corrida em Norisring na frente, a prova não teve vencedor

A F3 está vivendo um final de semana histórico em Norisring. Como uma das medidas tomadas por Gerhard Berger para fortalecer a categoria, a F3 Inglesa, a F3 Europeia e a F3 Euro Series dividem o circuito de rua alemão para uma etapa conjunta, que vale ponto para todos os campeonatos.

Etapas conjuntas não é uma novidade na F3. Esse ano já tivemos uma em Pau, por exemplo, mas essa é a primeira vez que vale pontos para todos os campeonatos envolvidos.

No entanto, a etapa também está sendo um tormento para os organizadores. Para começar, na sexta-feira, o treino classificatório precisou ser adiado porque o asfalto da cidade de Nuremberg – onde o circuito de Norisring está localizado – começou a se desfazer. A F3 não é o único evento do final de semana, com o DTM, a Porsche Cup Alemã e a Scirocco Cup também correndo. Com tantos carros na pista, o asfalto não aguentou e acabou cedendo durante um treino da Scirocco, prejudicando não só a F3 como também a Porsche.

Mas nada se compara ao que aconteceu neste sábado. A primeira corrida da F3 não teve vencedor. Isso mesmo, ninguém ganhou. Só que Pietro Fantin, que terminou na quarta colocação, pôde comemorar a vitória! Pode isso, Arnaldo?

Com a punição ao espanhol, apenas Pietro Fantin (o quarto colocado) pôde comemorar a vitória em Norisring

Na verdade, a confusão começou quando Daniel Juncadella recebeu a bandeirada na primeira corrida do final de semana. Entretanto, assim que o espanhol cruzou a linha de chegada, a direção de prova anunciou que o resultado estava sob investigação, pois o piloto da Prema havia se envolvido em acidentes com o rival Raffaele Marciello e com Pascal Wehrlein.

A primeira batida aconteceu quando o italiano, que havia largado mal na pole-position, tentou ultrapassar o companheiro de equipe na briga pela segunda colocação. Os dois se tocaram na saída do S, e Marciello acabou batendo no muro na curva seguinte. Depois, no duelo pela liderança, Juncadella forçou a ultrapassagem em cima da Wehrlein e novamente os dois bateram. Enquanto o espanhol seguiu rumo à bandeira quadriculada, o alemão começou a perder posições com o carro danificado e foi somente o sétimo colocado.

Após analisar o que havia acontecido, a direção de prova puniu Juncadella, cassando a vitória. Ou seja, William Buller, que terminou em segundo, foi o novo ganhador, certo? Errado! Os comissários da F3 decidiram deixar o posto de vitorioso vago, ou seja, Buller ganhou os pontos pelo segundo lugar e assim sucessivamente. Até mesmo na segunda corrida, com a regra do grid invertido, a posição original de Juncadella não teve um substituto, deixando um espaço em aberto no meio da fila.

Mas lembra que essa foi uma etapa conjunta entre a F3 Inglesa, a F3 Euro e a F3 Europeia? Então, Juncadella compete apenas nos certames europeus. Como ele não pontua no torneio britânico, para os ingleses a corrida realmente teve um vencedor: o brasileiro Pietro Fantin. O paranaense terminou atrás do espanhol, de Buller e de Emil Berstorff, o terceiro colocado. Só que esses são pilotos dos campeonatos europeus.

Assim, para todos os efeitos, o vencedor da etapa de Norisring da F3 Inglesa foi Pietro Fantin. O único piloto a ganhar a primeira corrida na Alemanha, mesmo terminando na quarta colocação.

A incoerência da F3

maio 15, 2012

Em Pau, o grid da F3 Inglesa chegou a 24 carros com a ajuda dos colegas da F3 Euro

Em 2011, Yann Cunha terminou a temporada da F3 Inglesa com 36 pontos negativos. Ao longo das 30 corridas daquele ano, o brasileiro marcou quatro pontos, mas acabou sendo punido em 40 por ter participado da etapa de Spa-Francorchamps da F3 Espanhola.

Na ocasião, o regulamento da categoria determinava que um piloto não poderia disputar uma etapa de outro campeonato da F3 caso o certame inglês ainda fosse correr nesse circuito. Assim, Cunha correu na pista belga pelo torneio espanhol, nos dias 25 e 26 de junho, e retornou ao circuito um mês mais tarde para correr pela F3 Inglesa.

Assim que ficou sabendo do descumprimento da regra, a organização da F3 puniu o piloto, que acabou terminando a temporada na lanterninha. O brasileiro até tentou recorrer afirmando que o regulamento da categoria espanhola é diferente da inglesa e por isso não acarretaria na infração da regra, mas acabou não dando certo.

Avançando um pouco no tempo, nesta terça-feira, dia 15, a equipe Double R (da F3 Inglesa) anunciou que vai participar da rodada de Brands Hatch da F3 Euro e F3 Europeia marcada para este final de semana. De acordo com o dono da equipe, Anthony Hieatt, o objetivo é fazer com que os pilotos se adaptem aos pneus Hankook, que serão usados no round de Norisring, quando F3 Inglesa e F3 Euro voltam a dividir às pistas.

Além da Double R, a Carlin também estará presente em Brands Hatch, com Carlos Sainz Jr., Jazeman Jaafar e Harry Tincknell.

A equipe inglesa, como eu já escrevi aqui em outras oportunidades, foi um dos times recrutados pela Volkswagen para participar do novo campeonato Europeu de F3. Esse novo torneio, aliás, nada mais é do que um amontoado de etapas da F3 Inglesa e da F3 Euro. A ideia da FIA foi atrair as equipes de ambos os certames para aumentar os respectivos grids.

O problema agora é que a F3 Euro corre em Brands Hatch um mês antes da etapa da F3 Inglesa no local

Assim, na semana passada, a F3 Europeia disputou a rodada de Pau, que originalmente faz parte do calendário da F3 Inglesa. Ao invés dos 14 carros que participaram das primeiras rodadas do certame britânico, a etapa teve 24 inscritos, já que dez pilotos da F3 Euro se inscreveram para a competição. Agora, a etapa da F3 Europeia acontece em Brands Hatch, que é da F3 Euro. Mas algumas equipes da F3 Inglesa também se inscreveram para correr e o grid deve ter 19 carros.

A princípio, podemos dizer que essa medida foi um sucesso e conseguiu fazer com que os dois principais campeonatos de F3 do mundo voltassem a ter grids respeitáveis. O problema é a incoerência da medida. A rodada desse final de semana da F3 Europeia é válida pelo campeonato da F3 Euro Series. Só que a F3 Inglesa também volta a correr no tradicional circuito inglês nos dias 23 e 24 de junho. Então, teoricamente, aquela regra que puniu Yann Cunha no ano passado está sendo desrespeitada.

Evidentemente, esse trecho do regulamento não existe mais, e as equipes são livres para competir onde quiserem agora.

E nem é isso – a possibilidade de punição a Sainz, Jaafar, Tincknell e à dupla da Double R – que deveria ser discutido agora. O problema é como o regulamento original da categoria era primitivo.

A regra original servia em dois momentos. No primeiro, evitava uma escalada de custos nos campeonatos. Ou seja, uma equipe que tivesse mais recurso, na época em que as F3 de toda a Europa tinham mais ou menos o mesmo pacote técnico, poderia levar seus pilotos aos outros campeonatos para ganhar quilometragem nesses circuitos onde eles ainda iriam correr. Com essa vantagem, eles já sairiam na frente quando chegasse a hora de competir para valer.

Do outro lado, os campeonatos também adotaram essa regra como protecionismo. A maioria dos times ficou impedida de conhecer outros campeonatos, evitando que fossem atraídas por um certame com um custo menor ou maior competitividade. Dessa forma, todo mundo saiu ganhando.

Agora, com as F3 tradicionais cada vez mais esvaziadas, chegou-se a um consenso de que ou os grid juntam e se ajudam, ou as categorias acabam. Então, a pergunta que fica é por que essa regra não caiu antes?

Por uma lógica até que óbvia, se o novo campeonato europeu conseguiu aumentar o grid dos campeonatos, significa que a regra antiga foi uma das responsáveis pelo esvaziamento das F3 nos últimos anos. No fim, é possível concluir que a F3 agora luta contra ela mesma – e suas medidas conservadoras – para voltar ao posto de principal campeonato no automobilismo de base.


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