Posted tagged ‘F-Renault’

O exemplo vizinho

junho 7, 2013
Antes raros, pilotos argentinos se tornaram uma constância no exterior

Antes raros, pilotos argentinos se tornaram uma constância no exterior

Há duas semanas, praticamente o que há de melhor no automobilismo de base em todo o mundo esteve na pista, com a disputa de quatro diferentes versões da F-Renault. Além da Eurocup, que estava em Spa-Francorchamps, a Norte-Europeia (NEC) correu em Silverstone, a Inglesa competiu em Thruxton e a Argentina andou em La Pampa.

Levando em conta os diversos campeões que chegaram à F1 e passaram pelas três primeiras (incorporando o histórico da F-Renault UK à atual F-Renault Inglesa), não há dúvidas da importância delas para o automobilismo de base. Dessa vez, porém, falo da F-Renault Argentina, um campeonato geralmente deixado de lado no quesito revelar pilotos para o os certames europeus.

Fundada em 1980, a F-Renault Argentina usa um chassi chamado Tito, produzido aqui na América do Sul e defasado com relação ao equipamento europeu. Apesar disso, o grande motivo para a categoria ser ignorada é que durante muitos anos o foco foi abastecer o mercado interno, levando jovens pilotos para campeonatos como a Top Race e a TC 2000.

Por isso, não é por acaso que a Argentina sempre é usada como argumento por quem defende a não reestruturação do automobilismo de base no Brasil. Apontar para o país vizinho sempre foi uma forma de mostrar que ter uma categoria de base forte – a F-Renault teve 19 carros em La Pampa – não significa necessariamente o melhor caminho para se chegar à F1.

Pelo contrário, seguindo essa linha de pensamento, chegar à categoria principal do automobilismo mundial era mais uma questão do acaso em mesclar um garoto de talento excepcional do país, ao dinheiro que ele, família e empresários conseguissem levantar, além da sorte de estar no momento certo e na hora certa, com alguma vaga se abrindo quando ele tivesse a chance de dar o último passo da carreira.

A F-Renaul vizinha é sempre cheia

A F-Renault vizinha é sempre cheia

A realidade, porém, é bastante diferente. Se há alguns anos era praticamente impossível citar um piloto argentino no exterior, neste ano há vários deles nos campeonatos menores. E não é por acaso. A maioria correu na própria Argentina antes de cruzar o Atlântico. O mais experiente deles é Facundo Regalia, que defende a ART na GP3. E ele não é o único piloto do país na categoria.

O outro representante é Eric Lichtenstein, que correu na F-Metropolitana – outro campeonato de base do país vizinho – antes de se mudar para Ásia e Europa. Também desse certame veio Marcos Siebert, hoje na F-Renault Eurocup. Voltando à F-Renault, o atual campeão da categoria, Javier Merlo, seguiu os passos do compatriota e também está no torneio europeu da F-Renault. Outro ex-representante da categoria é Bruno Etman, que disputa a F3 Sul-americana pela Cesário.

Por fim, ainda temos Juan Ángel Rosso, atualmente na F-Ford Inglesa e com passagem pela F-Renault Plus, também da Argentina. Rosso ainda é companheiro de equipe de Nicolás Maranzana na categoria britânica, mas este veio do kart e contraria a minha regra.

E, se as condições econômicas permitirem, ao que tudo indica eles não serão os únicos a deixar a Argentina rumo ao exterior. Além dos 19 carros da F-Renault, outros 21 estiveram presentes na última etapa da F-Metropolitana, enquanto a F-Renault Plus teve 22 participantes. É óbvio que o foco da Argentina continua sendo o mercado interno, mas alguma dúvida de que eles têm todas as condições de a cada ano colocar um ou dois pilotos lá fora?

É por isso que não dá mais para apontar o exemplo argentino para justificar o que não é feito por aqui. Enquanto eles têm um automobilismo interno forte, aqui a gente tem apenas a Stock Car – e a Truck. Entretanto, a renovação de pilotos, seja para elas, seja para a F1 e Indy é feita a conta gotas e praticamente inexiste.

A estreia do Brasileiro de Turismo

junho 2, 2013
Gabriel Casagrande e Felipe Fraga dominaram a estreia do Brasileiro de Turismo

Gabriel Casagrande e Felipe Fraga dominaram a estreia do Brasileiro de Turismo

Depois de toda polêmica envolvendo a reforma malfeita do autódromo de Brasília, pode não parecer, mas até houve algumas corridas por lá neste fim de semana. Uma delas foi a estreia do Brasileiro de Turismo, categoria criada para ser o campeonato de acesso da Stock Car nos próximos anos.

E quem venceu a primeira corrida do novo campeonato foi Felipe Fraga, que até outro dia estava na Europa correndo de F-Renault. Aliás, os dois primeiros colocados trocaram o automobilismo europeu de monopostos pelos carros de turismo aqui no Brasil neste ano, já que Gabriel Casagrande terminou com a segunda posição.

Esse resultado foi um prato cheio às críticas de que praticamente não há categorias de base nos monopostos aqui no Brasil, além de não haver nenhum programa de apoio aos jovens que estão lá fora.

Obviamente, é claro que falta tudo isso, mas é preciso tomar cuidado neste momento. Ao contrário de Guilherme Salas, outro garoto competindo no Brasileiro de Turismo, Fraga e Casagrande não estão no Brasil porque não tiveram apoio para continuar lá fora. Pelo contrário, eles optaram por voltar ao país neste momento da carreira, mesmo tendo orçamento necessário para ficar no continente europeu por mais alguns anos.

Casagrande, por exemplo, fez uma temporada de estreia no automobilismo europeu muito boa no ano passado, tendo terminado o campeonato da F-Renault Norte-Europeia na oitava colocação, mesmo tendo perdido a rodada de Nurburgring e andando por uma equipe pequena. Por isso, ele tinha mercado para continuar por lá, mas optou por voltar devido aos custos elevados do automobilismo, principalmente na F1 e GP2.

Fraga, por sua vez, tinha negociado para disputar a F-Renault Eurocup pela equipe Tech 1 – a mesma com a qual havia andado no ano passado –, mas acabou fechando com a MP. Depois de não ficar satisfeito com o trabalho do time durante a pré-temporada, ele optou por deixar a escuderia e voltar ao Brasil.

Até outro dia, os dois estavam na Europa

Até outro dia, os dois estavam na Europa

Ah, mas se nós tivéssemos uma categoria de base forte aqui no país, então esses pilotos não precisariam ter ido para a Europa, alguém pode dizer. Não é verdade. Quando a F-Futuro acabou, escrevi aqui no World of Motorsport que um dos problemas de ter um campeonato aqui no país é a concorrência desleal dos certames europeus.

Enquanto aqui temos grids que sequer chegam a dez carros, lá na Europa os pilotos correm contra garotos que já tem o apoio de equipes da F1, como Ferrari, McLaren, Lotus, Caterham, Red Bul… por isso, onde você acha que eles vão escolher correr? Foi o que aconteceu com os dois garotos.

P.S.: ironicamente, enquanto Fraga e Casagrande corriam aqui no Brasil, quatro campeonatos diferentes de F-Renault foram à pista no último fim de semana. A Eurocup, a Norte-Europeia, a Inglesa e a Argentina. A corrida do campeonato europeu, em Spa-Francorchamps ainda teve vitória de Oliver Rowland, da MP

Galês ou britânico?

maio 10, 2013
Matt Parry é um dos pilotos do país de Gales por aí

Matt Parry é um dos pilotos do país de Gales por aí

Existe uma máxima no automobilismo da Escócia que diz o seguinte. Quando um piloto do país vai bem nas pistas, a imprensa inglesa o chama de britânico. Entretanto, quando ele comete um acidente bobo ou tem um péssimo resultado, então ele volta a ser considerado escocês pelos jornais de lá.

Embora seja uma piada, não deixa de ter um fundo de verdade. Basta ver o caso de Dario Franchitti. Quando o piloto ainda corria pela Andretti e sofreu aquela sequência de voos após acidentes, ele ganhou o apelido de ‘escocês voador’. Porém, depois de cada vitória em Indianápolis, ele é considerado um britânico se dando bem do outro lado do Atlântico. Vai entender…

Por que estou dizendo isso? É que a Escócia pouco a pouco vai perdendo o posto de segunda região desportivamente mais importante do Reino Unido para o País de Gales. Então, é bom os galeses se prepararem porque eles passarão a ser só reconhecidos na derrota.

Enquanto isso ainda não acontece, vale ficar de olho em alguns jovens pilotos galeses. Afinal, em 2013, três representantes da região estão dando algumas alegrias aos britânicos, digo, aos moradores de Gales.

Talvez o mais famoso do trio seja Jann Mardenborough, aquele piloto conhecido por ter sido descoberto pela Nissan através do programa GT Academy, que seleciona novos atletas a partir do game Gran Turismo do Playstation. Ano passado, Jann já havia disputado o título do campeonato britânico de GT e o bom desempenho fez com que a organização banisse os pilotos do GT Academy do campeonato.

Neste ano, Mardenborough estreou nos monopostos e está competindo na F3 Europeia. Ele já tomou parte da Toyota Racing Series no início do ano e está escalado para competir na F3 Inglesa, além de defender a Nissan nas 24 Horas de Le Mans.

Seb Morris leva a bandeira do país no capacete

Seb Morris leva a bandeira do país no capacete

O segundo piloto de Gales também é apoiado por uma montadora, mas ainda não tem o status global de Mardenborough. Rival de Pietro Fittipaldi na F4 Inglesa, Seb Morris deixou a rodada de abertura do certame, em Silverstone, na liderança do campeonato. Só que acidentes e problemas mecânicos na segunda etapa, neste fim de semana em Brands Hatch, o derrubaram na tabela de pontos.

O plano de Morris é competir na Europa nos próximos anos, seja na F3 Europeia, seja na World Series. No entanto, por ter o apoio da Ginetta, uma fabricante menor, fica a dúvida se ele vai conseguir se destacar no continente europeu ou se acabará fazendo carreira apenas dentro da Ilha da Grã-Bretanha, dentro dos certames locais.

O último piloto de Gales que vem tendo sucesso é Matt Parry. Último campeão da Intersteps Series, o garoto é o atual líder da F-Renault Norte-Europeia e espera repetir o desempenho de Jake Dennis, Jordan King e Josh Hill, que também correram em certames locais antes de fazerem sucesso no restante do continente europeu.

Mas o que diferencia Parry dos outros competidores é o fato de ele já ter apoio de uma equipe de F1. Desde o ano passado, o galês defende as cores da Caterham e é tratado como futuro da escuderia malaia. Só que a exemplo de Alexander Rossi – também do programa de jovens pilotos do time – resta saber se ele vai ter alguma chance de chegar à F1 ou vai ser deixado de lado por atletas mais endinheirados.

O esvaziado GP de Pau

maio 9, 2013
Oliver Rowland é um dos 12 pilotos no grid da F-Renault

Oliver Rowland é um dos 12 pilotos no grid da F-Renault

GP da Espanha, GP de Mônaco e GP do Brasil. Basta falar em GP que a primeira coisa que lembramos é uma corrida da F1. Apesar disso, algumas provas em todo o mundo resistem bravamente com a denominação Grand Prix, mesmo sem atrair a principal categoria do automobilismo.

Uma dessas provas é o GP de Pau, que acontece na França e, em 2013, está na 72ª edição. Nos últimos anos, a principal categoria do evento era a F3, já que a competição fazia parte tanto do calendário Inglês quanto do Europeu. Entretanto, com a diminuição da F3 Inglesa de dez para quatro etapas neste ano, o GP acabou sobrando.

Como a F3 Europeia está em Brands Hatch, os organizadores do evento francês precisaram correr para fechar com alguma categoria para que o GP de Pau também fosse disputado por monopostos em 2013. A escolhida foi a F-Renault. Só que embora este campeonato seja dividido em diversas versões pelo mundo – como Eurocup, Alps e NEC – a etapa na França se tornou um evento fora de qualquer certame, quase como uma competição entre os melhores pilotos de cada um deles.

O problema é que como houve pressa para que a F-Renault fechasse o contrato, o evento acabou encavalado no meio do calendário. A F-Renault Alps, por exemplo, esteve em Ímola na semana passa. Em duas semanas, será a vez da Eurocup correr em Spa-Francorchamps, enquanto a Norte-Europeia (NEC) também estará no traçado belga em três semanas.

Ou seja, as equipes que resolverem participar da prova em Pau podem ter uma dor de cabeça e tanto caso um carro seja avariado durante a corrida – lembrando que ela é disputada em um circuito de rua – e pode não haver tempo para deixar tudo pronto para alguma das corridas seguintes. Isso sem falar no custo extra de tomar parte de mais uma corrida.

Nesta foto você consegue ver metade do grid do GP de Pau. Ou quase isso...

Na foto você consegue ver metade do grid do GP de Pau. Ou quase isso…

O resultado é que o GP de Pau teve uma lista de inscritos curtíssima. Apenas 12 pilotos andaram nos treinos, sendo que dois são gentleman franceses convidados para participar do evento e quase não são competitivos. Um número decepcionante para uma prova com tradição quase centenária.

Por outro lado, quem tiver coragem de assistir às corridas de 12 carros na França não vai ter muita coisa para reclamar do grid, afinal, os principais pilotos da modalidade estão por lá. O destaque, claro, são Matthieu Vaxivière, líder da tabela de pontos na F-Renault Eurocup, e Matt Parry, o primeiro colocado na NEC.

Da Alps, Antonio Fuoco não está correndo, mas Pierre Gasly, o brasileiro Bruno Bonifácio e Luca Ghiotto (segundo, terceiro e quarto, respectivamente) estão presentes. Os outros cinco pilotos são Jake Dennis, Oliver Rowland, Egor Orudzhev, Alfonso Celis Jr e Tristan Papavoine. A eles ainda se juntam os franceses convidados Nicolas Pironneau e Marc Cattaneo.

É claro que ver um evento com apenas 12 carros significa que a competitividade vai ser menor. Entretanto, para os dez pilotos que estão participando praticamente da primeira corrida em circuito de rua da vida, a quilometragem acumulada pode ser inestimável para os próximos passos que derem na carreira.

Nos treinos deste sábado, Bonifácio não foi bem e terminou com a nona colocação nas duas atividades. Assim, ele fica um pouco mais distante de repetir Roberto Pupo Moreno, Gil de Ferran e Augusto Farfus como pilotos brasileiros que já venceram em Pau.

O esporte venceu na África do Sul

abril 20, 2013
Naomi Schiff disputou a etapa da F-Renault Eurocup em Aragón

Naomi Schiff disputou a etapa da F-Renault Eurocup em Aragón

Matthieu Vaxivière foi o grande nome da primeira etapa da F-Renault Eurocup, neste fim de semana, em Aragón. O piloto da Tech 1 largou na pole-position nas duas baterias e venceu de ponta a ponta. Apesar disso, ele não foi o grande destaque da rodada. Quem mereceu todas as atenções foi Naomi Schiff, pilota da África do Sul que estreou na categoria pela equipe RC.

A importância de Naomi é que ela representa a vitória do automobilismo sobre o apartheid, regime de segregação racial da África do Sul. Durante os quase 50 anos do regime, a F1 jamais se preocupou com a situação humanitária do país. Enquanto os negros tinham os direitos negados pela elite branca, a principal categoria do automobilismo mundial andou por lá praticamente todos os anos entre 1960 e 1985 e retornando em 1992, fingindo que tudo estava completamente normal. Uma vergonha para a categoria.

Por outro lado, outras modalidades tiveram uma relação mais drástica com o momento pelo qual a África do Sul passava. No futebol, por exemplo, o país sofreu diversas sanções pelos órgãos que chancelam o esporte e chegou a ser suspenso pela Fifa por cerca de duas décadas.

No início da década de 1990, o apartheid começou a ser extinto, culminando com a eleição de Nelson Mandela, em 1994, sacramentada no dia 10 de maio daquele ano, quando ele tomou posse. Naomi nasceu apenas oito dias depois.

Eu realmente gostei desse capacete meio estilo Kamen Raider

Eu realmente gostei desse capacete meio estilo Kamen Raider

A garota, na verdade, não teve muito a ver com o apartheid. Filha de um belga com uma mulher nascida em Ruanda, a pilota só voltou a morar na África do Sul quando tinha quatro anos de idade. Embora o pai tivesse conquistado um título de F-Ford nos Países Baixos, ela começou a se interessar pelo automobilismo de forma espontânea, sem saber do histórico da família.

Desde então, ela ganhou diversos campeonatos de kart na África do Sul e representou o país em alguns mundiais. Nos últimos anos, correu de F-Volkswagen no país de origem e fez a transição para a Europa, participando de provas de protótipos. Nesse tempo, porém, ela não deixou o kartismo de lado, onde defende o time Zanardi, o mesmo que já teve Nyck de Vries.

De qualquer forma, Naomi não é o primeiro atleta negro a representar a África do Sul no automobilismo. Só para citar um, algum tempo atrás Adrian Zaugg defendia o país na A1 GP e chegou até mesmo a competir na GP2. Entretanto, é inegável que até hoje a maior parte dos pilotos de lá são brancos.

Por isso, ter uma menina negra competindo em um dos principais campeonatos de base do automobilismo mundial é a prova de que o esporte venceu na África do Sul. Enterrando cada vez mais uma história marcada pelo preconceito e palco de F1 que jamais se importou com a origem do dinheiro.

A estreia de Pietro Fittipaldi na Europa

abril 10, 2013

Pietro Fittipaldi estreia na Europa neste fim de semana

Pietro Fittipaldi (77) estreia na Europa neste fim de semana

A aventura europeia de Pietro Fittipaldi começa neste fim de semana, em Donington Park. Depois de conquistar um título em uma divisão menor da Nascar nos EUA e parecer que ia seguir os passos de Nelsinho Piquet e Miguel Paludo rumo à Sprint Cup, o piloto de apenas 16 anos resolveu mudar de ares para 2013.

Neste ano, ele vai competir tanto na F-Renault Inglesa (antiga Barc) quanto na F4 Inglesa, fazendo a estreia nos monopostos. Embora em um primeiro momento tenha preferido continuar na Nascar, ele soube aproveitar a chance de uma vida para se mudar para a Europa e fazer carreira rumo à F1, com tudo pago por Carlos Slim Jr, filho do homem mais rico do mundo.

Enquanto a F4 só inicia em duas semansa, a estreia na F-Renault será neste domingo, e Pietro vai precisar trabalhar duro para ter o mesmo desempenho dos EUA.

Nos treinos coletivos da pré-temporada, realizados no fim do mês passado, o garoto não foi bem. A melhor volta do brasileiro, em uma versão reduzida do circuito de Silverstone, foi de 58s721, quase 3s mais lento que o mexicano Jorge Cevallos, que liderou as atividades com 56s130.

Só que esse resultado não precisa ser levado tão a sério. Enquanto Pietro ainda estava dando os primeiros passos na categoria, Cevallos já disputou a temporada passada, por isso é natural que ele andasse na frente nesse começo. Desde então, o neto de Emerson também participou de longas sessões de treinos com a equipe Jamun para se adaptar ao carro e deve ter um desempenho melhor nas atividades oficiais.

De qualquer forma, o maior problema para 2013 parece ser a falta de experiência. Enquanto o brasileiro ainda está se adaptando aos monopostos, ele será obrigado a enfrentar um grid cheio de pilotos experientes. Dos 18 que se inscreveram para a etapa de Donington, oito já haviam disputado a temporada passada, incluindo o também brasileiro Henrique Baptista. Há ainda casos como o de Jake Cook, apontado como um dos favoritos ao título, que disputou a F-Ford em 2012 e agora se concentra na F-Renault.

Ainda assim, as chances de Pietro conseguir bons resultados neste ano são maiores neste campeonato. Como apenas 18 carros competem, o brasileiro, com uma ultrapassagem aqui e outra ali, além de contar com problemas dos rivais, pode beliscar top-10 com maior facilidade. Além disso, ainda há um trunfo na manga. Ele compete exatamente com o mesmo carro com o qual Scott Malvern foi campeão no ano passado. Ou seja, ele estará com um equipamento comprovadamente vencedor.

Eu diria que as maiores chances do brasileiro são na F-Renault

Eu diria que as maiores chances do brasileiro são na F-Renault

A situação na F4 é um pouco diferente. Como todo mundo começa do zero, teoricamente o brasileiro teria chances de ir melhor. Mas esse é o problema. Iniciando os trabalhos sem uma base, vai depender de o próprio Pietro fazer o acerto do carro. Nisso, pilotos com mais experiência no automobilismo podem levar a melhor.

Até porque o grid da F4 conta com bons nomes, entre eles Diego Menchaca, companheiro de equipe do brasileiro, e os badalados Seb Morris e Matthew Graham, considerados jovens promessas do automobilismo britânico. Entre os 24 participantes que devem largar para a abertura do campeonato, em duas semanas, outro brasileiro pode estar no grid. É Gustavo Lima, que disputou a F-Renault Alps no ano passado, e treinou com a equipe de Chris Dittmann nesta semana.

Para concluir, o mais importante para Pietro neste ano é aprender os monopostos e conseguir evoluir ao longo da temporada. Quando ele competia na Nascar, era exatamente isso o que acontecia. Ele demorava um pouco para pegar o ritmo, mas deslanchava na fase final do campeonato, quando brigava constantemente por vitórias. E fazer dois campeonatos simultaneamente neste ano pode ajudar ainda mais na adaptação.

Eu espero vê-lo com um resultado melhor na F-Renault, mas me parece cedo para falar em pódios e vitórias.

UPDATE: Como muita gente está procurando os resultado do Pietro Fittipaldi neste fim de semana da F-Renault Inglesa, faço uma breve atualização. Ele se marcou o 12º tempo entre 17 carros no treino classificatório, mas apenas 0s8 atrás do pole, Sam MacLeod, e somente 0s2 atrás do companheiro de equipe. Nas corridas, ele abandonou a primeira e terminou em nono na segunda. Faz parte do aprendizado. O brasileiro volta à pista nos dias 27 e 28 de abril, em Silverstone, para a estreia da F4 Inglesa.

UPDATE 2: A má notícia do fim de semana foi que o outro brasileiro da F-Renault Inglesa, Henrique Baptista não correu. Não faço ideia do motivo

Resultado histórico de Bruno Bonifácio na F-Renault Alps

abril 7, 2013
Bruno Bonifácio conquistou a vitória em Vallelunga

Bruno Bonifácio conquistou a vitória em Vallelunga

Bruno Bonifácio conquistou um resultado histórico neste fim de semana, na etapa da F-Renault Alps em Vallelunga. Com a vitória na primeira bateria, o piloto da Prema se tornou o primeiro brasileiro a vencer uma corrida de uma F-Renault desde Adriano Buzaid, que triunfou na F-Renault UK em cinco oportunidades no ano de 2008.

Se levarmos em conta os resultados apenas no continente europeu, desconsiderando a ilha da Grã-Bretanha, a marca é ainda mais impressionante. O último triunfo havia acontecido em 2002, com Roberto Streit – coincidentemente hoje coach de Bonifácio – na F-Renault Italiana.

O resultado, na verdade, poderia ter sido ainda melhor. Na segunda corrida da etapa, o piloto paulista mais uma vez largou da pole-position e estava na liderança quando se envolveu em um acidente com Nyck de Vries, da McLaren, e foi obrigado a abandonar.

Em termos de campeonato, esse foi o pior desfecho possível para o brasileiro. Fora da corrida, a vitória caiu no colo de Antonio Fuoco, também da Prema, que disparou na liderança do campeonato, com 43 pontos. Bonifácio, por sua vez, caiu para quarto, com 25.

Uma coisa que ficou clara neste fim de semana é que a equipe Prema está anos-luz de distância dos demais times neste início de campeonato. Como a Koiranen, equipe de De Vries, não vai disputar a temporada completa, a briga pelas vitórias e pelo título deve ficar mesmo entre os pilotos da escuderia italiana.

O problema, portanto, é que Bonifácio já soma um abandono, enquanto os companheiros de equipe conquistaram dois top-5. Em outras palavras, mesmo sendo o favorito ao título neste momento, vai ser muito difícil para o brasileiro tirar a diferença para os demais pilotos da Prema, já que as outras equipes ainda não estão em condição de comer pontos deles.

Ou seja, mesmo que Bruno volte a vencer na segunda rodada, em Ímola, em maio, é provável que os outros pilotos da escuderia também terminem no pódio. Aí fica difícil recuperar o prejuízo desta rodada.

No entanto, nem tudo é tão ruim para o brasileiro. Vale lembrar que, mesmo com três anos de experiência no automobilismo, Bonifácio é um novato na F-Renault. Ainda assim, ele dominou a rodada de Vallelunga, tendo conquistado duas poles, duas voltas mais rápidas e uma vitória. Era esse o desempenho que se esperava de De Vries, que decepcionou ao somar apenas um quarto lugar e um abandono.

Evidentemente, isso não quer dizer muita coisa. O brasileiro, por exemplo, tinha a vantagem de conhecer a pista, enquanto o adversário estava estreando no traçado italiano. No entanto, ficou claro que De Vries começou a sentir a pressão. Para quem chegou à Itália como principal estrela da etapa de abertura da F-Renault Alps, sair das corridas como culpado pelo acidente entre ele e o brasileiro é um final, no mínimo, melancólico.

De quem é o sonho?

abril 4, 2013
Alguma dúvida de quem é 'the new kid on the block' da Escuderia Telmex?

Alguma dúvida de quem é ‘the new kid on the block’ da Escuderia Telmex?

Pietro Fittipaldi confirmou nesta quarta-feira, dia 3, que vai realmente trocar a Nascar pelo automobilismo europeu, conforme eu já tinha levantado a possibilidade aqui no World of Motorsport. O brasileiro vai disputar tanto a F-Renault Inglesa (antiga Barc) quanto a F4, tendo o apoio da Claro e da Embratel, empresas de Carlos Slim, filho do homem mais rico do mundo.

Outra novidade é que o neto de Emerson passa a integrar um programa similar ao da Escuderia Telmex, o mesmo que levou Sergio Pérez e Esteban Gutiérrez à F1 nos últimos anos. Pietro, portanto, passa a ser o único representante do país em um esquema de alguma grande equipe ou empresa ligada à principal categoria do automobilismo mundial.

Para quem é entusiasta do automobilismo brasileiro, essas obviamente são boas notícias. Entretanto, principalmente nas redes sociais, a reação foi um pouco diferente. A principal resposta ao anúncio de Pietro foi questionar “o que aconteceu com o sonho da Nascar?”

Imagino que nada. É completamente normal para um garoto de 16 anos – ou de qualquer outra idade – decidir mudar o que quer fazer da vida. Se ele optou por deixar o automobilismo americano de lado para tentar a sorte nos monopostos europeus, é algo compreensível. Afinal, quem nunca mudou de ideia sobre “o que quer ser quando crescer?”

A diferença é que no caso do neto de Emerson ele foi influenciado. Na entrevista coletiva, ele revelou que tanto o avô quanto Slim o convenceram a correr na Europa. Daí ele pensou um pouco, olhou para a Nascar, mas acabou acatando a sugestão. Mas vamos falar a verdade. Que piloto recusaria a oportunidade de ter a carreira paga rumo à F1 por um dos maiores magnatas do mundo? Certamente, nenhum.

Por isso não aconteceu nada com o sonho dele de correr na Nascar. Ele apenas teve a oportunidade de mudar de vida em um momento em que, se for necessário, ainda será possível voltar atrás.

Entretanto, acredito que a questão “o que aconteceu com o sonho da Nascar?” não seja sobre o jovem piloto. Ela é sobre os torcedores. Quem questiona a decisão de Pietro de deixar o automobilismo americano principalmente são aqueles que gostariam de ver mais brasileiros correndo nos Estados Unidos. Até porque depois de Nelsinho Piquet e Miguel Paludo a coisa deu uma estagnada. E obviamente o sobrenome Fittipaldi teria todas as condições de atrair um maior interesse pelo turismo norte-americano.

P.S.: como ainda faltam alguns pilotos serem anunciados na F4 e principalmente na F-Renault, ainda é cedo para avaliar as chances do brasileiro. Mas esse é um assunto que fica para a próxima semana, quando começa o campeonato.

Pietro Fittipaldi versão 2013

março 7, 2013
Pietro Fittipaldi parece estar garantido no automobilismo europeu em 2013

Pietro Fittipaldi parece estar garantido no automobilismo europeu em 2013

Emerson Fittipaldi aproveitou o GP do Brasil, no fim do ano passado, para anunciar que o neto Pietro, de 16 anos de idade, estava trocando as categorias de acesso da Nascar para fazer corridas de monopostos na Europa, em 2013.

Nesse tempo, a F1 já terminou, já começou de novo, já tivemos até a primeira polêmica da nova temporada envolvendo jogo de equipe, mas nada de um anúncio oficial sobre o futuro do garoto, seja na Nascar, seja no automobilismo europeu.

As poucas informações divulgadas até agora, porém, não significam que os Fittipaldi não estejam trabalhando para dar sequência à carreira de Pietro. Na mesma semana da morte do Barão, o garoto viajou à Inglaterra onde começou a dar os primeiros passos no automobilismo britânico.

Ele participou de um treino de F-Renault Inglesa (a antiga BARC) com a equipe Jamun de olho na temporada 2013. Ao mesmo tempo, Emerson deu uma entrevista a uma afiliada da Rede Globo, dizendo que o neto vai participar da nova F4 Inglesa neste ano. Dessa forma, em qual categoria, afinal, o garoto o vai correr?

Eu ouvi um rumor nesta semana – e vou chamar de rumor porque não posso confirmar – que será nas duas. Há apenas um choque de datas entre os campeonatos, com a rodada final de ambos acontecendo nos dias 28 e 29 de setembro. Enquanto a F4 estará em Donington, a F-Renault corre em Silverstone. Aí não é uma decisão muito difícil de tomar. Pietro correrá onde terá chances de melhores resultados, ou eventualmente estiver disputando o título.

Ainda segundo o boato que eu vi, o brasileiro vai competir pela equipe MGR na F4, enquanto o programa da F-Renault será pela Jamun, uma das gigantes da F-Ford. Não posso cravar que tudo isso esteja correto, mas ouvi de alguém bem informado dentro do automobilismo inglês, então nunca se sabe.

Antes de publicar o texto aqui, claro, fui atrás de algumas informações que comprovassem o que foi dito. E, veja você, encontrei algumas fotos do neto de Emerson testando pela F-Renault.

Pietro Fittipaldi ING

Sendo sincero. Testando com um carro assim, com layout e patrocinadores? Duvido que já não esteja fechado. Se fosse apenas um treino para avaliar a equipe ou a categoria, ninguém levaria o carro pronto desse jeito. No máximo dois ou três adesivos para exibir o patrocinador.

De qualquer modo, devemos ter notícias oficiais em breve. É que a temporada da F-Renault começa em três semanas, em 13 de abril, enquanto a F4 dá o pontapé inicial de sua existência duas semanas depois, em 27 de abril.

Por fim, volto a repetir um comentário que eu já publiquei no World of Motorsport e basta clicar aqui para relembrar. A mudança de Pietro para o automobilismo europeu pode dar certo. Ele é bastante jovem e ainda tem muito tempo para aprender. Por outro lado, se algo sair errado ou ele quiser voltar para a Nascar, ainda terá tempo suficiente para retornar aos EUA e recomeçar de onde parou.

O sucessor de Stoffel Vandoorne

março 3, 2013
Antes de Stoffel Vandoorne, Benjamin Bailly era a bola da vez no automobilismo belga

Antes de Stoffel Vandoorne, Benjamin Bailly era a bola da vez no automobilismo belga

Enquanto todo mundo se prepara para acompanhar o GP da Malásia da F1, neste fim de semana, uma notícia passou quase que despercebida. A equipe RC, da F-Renault Eurocup, contratou o belga Benjamin Bailly para a disputada da temporada 2013. Este é o retorno do piloto aos monopostos depois de passar os últimos dois anos correndo de protótipos.

Embora seja um acontecimento sem maior importância, o acordo não deixa de ser curioso. É que Bailly foi o primeiro selecionado pelo programa de pilotos da federação belga de automobilismo, em 2009. Ele, aliás, já havia sido dispensado depois de competir na F2 no ano seguinte e não conseguir bons resultados.

Até aí, não é uma história tão diferente do que acontece em qualquer lugar do mundo. O que torna o retorno do belga à F-Renault especial é que o sucessor dele no programa, Stoffel Vandoorne, é o atual campeão da categoria, conseguiu a promoção à World Series by Renault e entrou para o programa de jovens pilotos da McLaren.

Por isso, a volta de Bailly aos monopostos, justamente na categoria que consagrou o compatriota é simbólica. É a forma que ele encontrou de recolocar a carreira nos trilhos e tentar ambicionar um futuro melhor no esporte.

Apesar da volta de Bailly, a federação belga está mais interessada no futuro de Neal Van Vaerenbergh

Apesar da volta de Bailly, a federação belga está mais interessada no futuro de Neal Van Vaerenbergh

Talvez o grande problema de Bailly tenha sido justamente a principal conquista da carreira, o título da F4 Francesa (então chamada Formul’Academy) em 2009. Com a taça, ele foi promovido à não muito promissora F2 e encontrou um grid com pilotos mais experientes, onde não se destacou, mesmo com uma vitória e outros dois pódios.

Mas como praticamente todo mundo que passou pela F2, o belga acabou se queimando e não conseguiu dar prosseguimento à carreira. Enquanto isso, a federação da Bélgica aprendeu com o erro e levou Vandoorne, após o título da F4, para a F-Renault, onde o passo não foi tão maior.

Para encerrar, se Bailly voltou à categoria em que Vandoorne foi campeão, então agora ele virou o sucessor de quem um dia foi antecessor, certo? Não é bem assim. Satisfeita com o desempenho dos jovens pilotos, a federação belga já prepara uma nova promessa para o esporte a motor. Neste ano, eles vão inscrever Neal Van Vaerenbergh, de apenas 16 anos de idade, mais uma vez na F4 Francesa. Alguma dúvida de quem já é o favorito?


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