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A vitória de Nelsinho Piquet e os estrangeiros na Nascar

junho 23, 2012
Nelsinho Piquet

Essa é a imagem que estava no site de mídia da Nascar

Provavelmente você já sabe que Nelsinho Piquet venceu a etapa de Road America, da Nationwide, disputada no sábado (23). O brasileiro, que disputava a primeira corrida na categoria em 2012, foi o piloto dominante durante toda a prova e precisou apenas deixar Michael McDowell para trás para ficar com a vitória.

O que talvez você não saiba é que Piquet é apenas o quarto não americano a vencer na categoria e o quinto a triunfar em alguma divisão da Nascar.

Antes de Nelsinho, Ron Fellows, Juan Pablo Montoya e Marcos Ambrose já haviam vencido na Nationwide, além do canadense Earl Ross, que triunfou na etapa de Martinsville, de 1974, do que hoje é a Sprint Cup.

O último do grupo dos não nascidos nos Estados Unidos a vencer na Nascar é Mario Andretti, que terminou na primeira posição na Daytona 500 de 1967. Só que o piloto já era naturalizado americano desde 1964. Por causa da dupla nacionalidade, Andretti não aparece em todas as estatísticas que dizem respeito a estrangeiros.

Voltando aos pilotos que ganharam na Nationwide, Ron Fellows e Marcos Ambrose são os de maior sucesso, com quatro vitórias cada um, todas em circuitos de rua. Além disso, cada um tem uma particularidade na carreira. Enquanto o canadense praticamente não disputou etapas em oval na Nascar – mas sendo figurinha carimbada nos circuitos mistos –, o australiano começou no turismo americano na Truck Series, antes de avançar até a Sprint Cup.

Só que a primeira vitória de Ambrose veio apenas em 2008, quando o australiano já disputava algumas corridas da Cup. Depois disso, todos os demais triunfos do aussie vieram quando ele já estava na divisão principal.

No caso de Montoya, o colombiano estreou na Nascar em 2006, mas só começou a participar de forma integral no ano seguinte. Para ganhar experiência, o ex-piloto de F1 também corria na Nationwide. Uma dessas etapas foi no México, onde terminou com a vitória após um duelo com Scott Pruett.

Sendo assim, Nelsinho é o primeiro piloto estrangeiro a vencer na Nationwide sem jamais ter disputado uma corrida da Sprint Cup antes.

A épica etapa da Nationwide em Elkhart Lake, ou Fora Kyle Busch! Fora Carl Edwards! Fora Keselowski!

junho 25, 2011
Reed Sorenson e Ron Fellows

A corrida da Nationwide foi tão disputada, que veio a bandeirada e precisou de mais duas voltas até saber quem ganhou

Antes de mais nada, quero dizer que não tenho nada contra Kyle Busch, Brad Keselowski ou Carl Edwards, mas a etapa da Nationwide Series, disputada neste sábado, dia 25, provou que a divisão de acesso da Nascar não precisa deles. Caso você não tenha visto a prova épica, com três prorrogações e muito drama, basta clicar aqui e ver o texto com a qualidade de sempre.

Quando Brad Keselowski venceu a etapa do Kansas da Sprint Cup, escrevi aqui que esse era o resultado que a Nascar queria para justificar de forma acertada a mudança na regra sobre a forma de classificação para o Chase em 2011. É possível traçar um paralelo e dizer que o triunfo de Reed Sorenson em Elkhart Lake foi o que a categoria precisava para confirmar o sucesso da medida adotada que proíbe um piloto de somar pontos nas três principais divisões.

Sem pontuar na Nationwide, Kyle Busch e Brad Keselowski já haviam decidido de antemão não participar da corrida em Road America, afinal, em termos logísticos, esse é o pior final de semana da Nascar. Como a Sprint Cup está na Califórnia para a corrida de Sonoma, voar para Wisconsin e correr no misto de Elkhart Lake é uma correria sem tamanho entre jatinhos e helicópteros. O último ingrediente acabou sendo a desistência de última hora de Carl Edwards, que optou por ficar em Infineon para melhorar o carro e defender a liderança na Cup.

Assim, essa foi a primeira corrida desde a etapa de Nashville de 2005 sem Edwards competindo na divisão de acesso. Para você ter uma ideia, eu não acompanhava a Nascar nessa época e hoje você lê o que eu escrevo sobre a categoria.

Michael McDowell

Imagina se na primeira corrida sem pilotos da Sprint desde 2005, o carro número 18 vence?

Da mesma forma, essa também foi a primeira corrida sem nenhum piloto da Sprint Cup desde então. Aliás, quase foi. Isso porque Michael McDowell é um piloto da divisão principal que corre para a fraquíssima equipe Parsons que só faz start-and-park. Ainda assim, seria um anti-clímax tremendo na primeira etapa sem Edwards deste milênio, ser vencida por um piloto meia-boca da Sprint e, pior, correndo no carro número 18, do sempre dominante Kyle Busch.

Para piorar, McDowell dominou boa parte da prova e só foi perder a ponta na segunda prorrogação. De qualquer forma, foi bom que ele não tenha vencido. Em caso de triunfo dele, geraria muita especulação envolvendo aquele famoso questionamento se o primeiro colocado teria sido ele mesmo ou qualquer um no 18 conseguiria repetir a façanha.

Só que ainda bem que McDowell não é Kyle Busch. Além de ter perdido a liderança de forma limpa para Justin Allgaier, o hoje piloto da Joe Gibbs perdeu a cabeça ao ver a primeira vitória da carreira na Nascar indo por água abaixo. Depois de fazer uma corrida sólida, o piloto se envolveu em uma série de acidentes em um intervalo de três ou quatro curvas (!!). Um salseiro, um melê completo, que acabou chamando a bandeira amarela novamente.

Essa besteira generalizada de McDowell e de tantos outros deu ainda mais emoção à corrida que já estava dramática. Allgaier viria a sofrer uma pane seca, enquanto Sorenson e Ron Fellows continuariam brigando pela vitória mesmo duas voltas após a bandeirada final (!!!). Desculpe Kyle Busch e Carl Edwards, mas ter tanta gente ruim e em desenvolvimento correndo junto foi o que deu a graça dessa etapa da Nationwide.

Aos dois, assim como a Keselowski, Kevin Harvick, Joey Logano e todos outros que insistem em fazer as duas categorias de forma simultânea, tenho um pedido a fazer: FORA! Hoje ficou comprovado que a categoria não precisa de nenhum de vocês para ser divertida. É claro que não estou levando em conta os valores comerciais que significam a não participação deles nessas provas, mas quanto à emoção, as corridas ficam muito melhores sem eles.

Nessas horas, aliás, eu sempre faço uma comparação interessante. Se o Neymar fosse jogar a Copa São Paulo de Futebol Júnior, é claro que esse torneio ia ter mais audiência, assim como se Vettel e Alonso voltassem à GP2, ou LeBron James desistisse de conquistar o título da NBA pelo Miami Heat e fosse disputar o basquete universitário novamente. Claro que eles seriam reis nesses casos, mas a época deles nesses torneios já passou. O mesmo vale para a Nascar.

Só que como no turismo americano não há nenhuma proibição – e acertadamente não deve ter – caberia ao bom senso de patrocinadores, equipes, pilotos e fãs não dar espaço para esse tipo de invasão. Algo que, infelizmente, não existe. Assim só resta fazer uma campanha, ‘Fora Kyle Busch! A Nationwide não precisa de você’. O mesmo, claro, vale para Carl Edwards e Brad Keselowski.

P.S.: pelas questões comerciais já citadas, é impossível que os pilotos da Sprint Cup deixem à Nationwide, mas um bom caminho para a Nascar seria fazer a logística entre essas duas categorias ser mais vezes impossível ao longo do ano. Se os circuitos mistos já são colocados no calendário a conta-gotas para não banalizar o tipo de prova que tivemos neste sábado, também seria legal que mais eventos fossem controlados de forma tão detalhada para desencorajar os pilotos da divisão principal a participarem

P.S.2: vendo a Nascar nesses últimos anos, aprendi que não importa o quão boa a prova da Nationwide for, a da Sprint será sempre muito melhor no dia seguinte. A etapa em Sonoma, portanto, deverá ser um corridão. Caso você esteja lendo esse post após a corrida na Califórnia, diga aí embaixo se eu acertei

P.S.3: campanha Fora Kyle Busch! Já!


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