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Augusta Motor Speedway

abril 11, 2013
Denny Hamlin fazendo um bico de caddie em Augusta

Denny Hamlin fazendo um bico de caddie em Augusta

Adam Scott entrou para a história do esporte, neste fim de semana, como primeiro australiano a conquistar o Masters de Augusta, umas das principais competições do golfe do mundo. Por que estou dizendo se este é um blog sobre automobilismo? Por nada, é que nos últimos anos, o Masters não esteve tão distante da Nascar.

Em 2012, por exemplo, o campeão havia sido Bubba Watson. Na época, escrevi aqui que ele quase participou de uma corrida da Nascar, mas acabou impedido pela direção do certame. Você pode clicar aqui para relembrar como foi.

Entretanto, alguns participantes da competição de golfe, digamos assim, já tiveram melhor sorte dentro das pistas. Ainda no ano passado, Denny Hamlin esteve na competição de Augusta. Na semana que antecede o Masters, alguns atletas disputam um torneio informal, onde levam a família e até permitem que as crianças deem algumas tacadas.

Hamlin tomou parte dos primeiros dias do torneio, mas logo acabou eliminado. Só que ele continuou no evento como caddie de Watson. Os dois, na verdade, já eram velhos amigos, e o golfista aproveitou a oportunidade para dar algumas dicas ao piloto da Nascar. A experiência acabou dando sorte a Watson, que venceu o Masters alguns dias depois.

Kevin Harvick é um ávido golfista. Ou quase

Kevin Harvick é um ávido golfista. Ou quase

Outro piloto que já esteve em Augusta é Kevin Harvick. Ao contrário de Hamlin, o competidor da RCR não é lá muito habilidoso com os tacos, mas mesmo assim foi chamado para disputar um evento de caridade no famoso campo de golfe. Além dele, personalidades como o ator Kevin Costner e o jogador de futebol americano Drew Brees também estiveram no torneio.

Aliás, Harvick gostou tanto da experiência que ele resolveu montar um campeonato de caridade, onde convida outros pilotos para participarem. Há alguns anos, ele até fez uma campanha para que um golfista que conhecera arrumasse um patrocinador.

Mas talvez ninguém tenha uma história tão bizarra quanto a de Scott Speed. O ex-piloto da F1 jamais jogou em Augusta, mas é um fã fervoroso do esporte. Prova disso é que o spotter dele na Sprint Cup, Josh Williams, na verdade é um golfista.

No ano passado, Speed aproveitou a agenda mais espaçada da Sprint Cup, quando não disputava todas as etapas, para participar de um torneio de golfe na Carolina do Norte. Quando ele chegou ao local para encontrar com os demais jogadores da equipe dele, viu que todo mundo estava chapadão. E isso justamente com Speed que é, veja você, um dos pilotos mais certinhos do grid em termos de beber, fumar e coisas assim.

O ex-piloto da Red Bull saiu puto do local da competição e precisou procurar pelas redondezas um time para poder disputar o torneio.

Nascar Chase 2012 – as chances

setembro 10, 2012

O Chase de 2011 foi sensacional, mas será que alguem vai conseguir repetir o desempenho de Tony Stewart neste ano?

No último sábado, dia 8, os classificados para o Chase da Nascar Sprint Cup foram conhecidos. O World of Motorsport faz agora a análise da chance de cada um deles para a conquista do título nessas dez provas finais do campeonato. A lista a seguir está na ordem do favorito na opinião deste blog até o azarão.

1)      Jimmie Johnson – Com cinco títulos nos últimos seis anos, é bastante difícil não começar qualquer lista de favoritismo com Jimmie Johnson. No entanto, desde 2011, o piloto da Hendrick tem se envolvido em acidentes bobos e aquela consistência do pentacampeonato já parece ser coisa do passado. O americano, porém, tem a vantagem de ser um especialista nas pistas do Chase e é favorito à vitória em praticamente todas as dez etapas restantes, tendo apenas Talladega como ponto fraco. Outro bom motivo para apostar em Johnson é que ele é o típico piloto que cresce no Chase e não sente a pressão da disputa do título

2)      Tony Stewart – Depois do título do ano passado, quem é louco de colocar Stewart fora da briga? A diferença é que o carro número 14 não foi dominante ao logo da temporada regular e só conseguiu se classificar com a décima e última vaga. O ponto fraco do piloto são as etapas em circuitos curtos – como Dover, New Hampshire e Martinsville – embora ele já tenha vencido nas duas últimas em playoffs recentes. Além disso, Talladega também não costuma ser uma pista gentil com o tricampeão. Embora com tantos pontos contras, o atual campeão não vai precisar de um milagre como o do ano passado para levantar a nova taça. Assim como Johnson, é um piloto que cresce na decisão e não se intimida com a fase final.

3)      Denny Hamlin – O piloto da Joe Gibbs chega ao Chase em uma excelente fase com duas vitórias nas últimas três corridas. Depois do vice-campeonato de 2010, Hamlin aprendeu que o campeonato só termina na última volta em Homestead-Miami, uma lição dura, mas parece que o piloto da Toyota aprendeu. O carro número 11 praticamente não tem pontos fracos durante o Chase, talvez apenas Talladega e a própria decisão em Homestead sejam suas pistas menos favoráveis. Por outro lado, é favorito à vitória em Martinsville. Outro aspecto importante é que Hamlin não vai ter a concorrência de outros pilotos da Gibbs no Chase, então terá o melhor equipamento da equipe desde a primeira etapa. A grande dúvida é se o americano vai conseguir ter tranquilidade para não deixar o título escapar como aconteceu duas temporadas atrás.

Um desses pilotos será o campeão da Nascar em 2012

4)      Brad Keselowski – No ano passado, o piloto da Penske não conseguiu ter um bom desempenho, pois, mesmo com três vitórias na temporada regular, chegou ao Chase sem os pontos de bônus, já que conseguiu apenas uma das vagas do Wild Card. Dessa vez, Kese leva nove pontos a mais à fase final, o que pode ser fundamental na hora do título. É favorito à vitória em Talladega e no Kansas, além de ter bom desempenho em praticamente todos os ovais da fase final. Eu diria que Martinsville e talvez New Hampshire possam ser as maiores dificuldades. O grande problema de Keselowski é precisar ser consistente nos resultados. Para ser campeão, é preciso vencer quando é favorito e terminar no top-5 nas demais provas.

5)      Greg Biffle – O piloto da Roush liderou boa parte da temporada regular da Nascar, mas não é novidade que os carros da Ford tiveram um melhor desempenho apenas no início da temporada, quando há mais ovais de 1,5 milha. Curiosamente, no Chase esse tipo de pista corresponde a 50% do calendário, então o piloto tem bons motivos para ficar otimista. Biffle, aliás, foi vice-campeão em 2005 e não deve sentir a pressão dos playoffs. É favorito à vitória no Kansas e em Homestead, mas deve ter problemas em Martinsville.

6)      Matt Kenseth – O bom desempenho da Ford em circuitos de 1,5 milha também vale para Matt Kenseth. O piloto é conhecido pela consistência nos bons resultados e figura carimbada no Chase. O ponto forte do carro número 17 deve ser a etapa do Texas, enquanto Martinsville pode ser o maior problema. Outra coisa que eu apontaria é o fato de Kenseth deixar a Roush no final de 2012. Então, pode ser que na hora de priorizar algum carro o de Biffle seja o escolhido.

Será que ter assinado com a Gibbs pode prejudicar Matt Kenseth no Chase?

7)      Jeff Gordon – Jeff Gordon não fez uma boa temporada, mas pilotou como nunca em Richmond, quando garantiu a segunda vaga do Wild Card. Na minha opinião, para atingir o pentacampeonato, o piloto do carro número 24 vai precisar de um desempenho parecido com o de Tony Stewart na temporada passada. Somente assim para superar os favoritos. Outra coisa, acho que ter quatro carros no Chase pode fazer a Hendrick se perder. É difícil dar atenção a todos, então em algum momento eles vão precisar escolher alguém (leia-se Jimmie Johnon). Com quatro títulos na carreira, o americano certamente não sente a pressão pelo final de temporada e é justamente por isso que o seu desempenho pode crescer a partir de agora.

8)      Kevin Harvick – Se levássemos em conta o desempenho de Harvick até a etapa de Michigan, eu diria que piloto da RCR não deveria estar no Chase. Porém, desde Bristol tudo mudou. A equipe trocou o crew-chief do carro número 29, trazendo Gil Martin a bordo. A parceria Harvick-Martin terminou as duas últimas temporadas na terceira colocação e brigando pelo título, então eles têm, sim, boas chances de repetir o desempenho. A vantagem do piloto é que agora não tem outros pilotos da equipe classificados para a fase final, ou seja, equipamento de ponta até o final do ano.

9)      Dale Earnhardt Jr. – Dale Jr. foi um dos pilotos mais constantes da temporada, mas o principal problema a partir de agora será repetir esse desempenho. Não é que falte habilidade ao piloto, mas só dentro da Hendrick Jimmie Johnson e Jeff Gordon têm preferência. Obviamente, é o favorito à vitória em Talladega e pode ter um bom desempenho nos ovais maiores. Martinsville e Dover são os pontos fracos.

Será essa a hora e a vez de Dale Jr?

10)   Kasey Kahne – Mesmo fora do Chase e correndo pela péssima Red Bull, Kahne foi um dos pilotos que mais pontuou nas últimas dez etapas de 2011. Agora terá equipamento Hendrick e todas as chances de melhorar o resultado. É favorito em Charlotte e em Phoenix, mas precisa abrir o olho nos ovais menores. Além disso, o americano também sofre com o fato de os quatro carros da equipe estarem classificados para os playoffs e, portanto, terá o pior equipamento de todos.

11)   Clint Bowyer – Bowyer é um piloto melhor que o seu equipamento sugere. Mesmo assim, conquistou duas vitórias na temporada regular e entrou no Chase com a oitava posição. A partir de agora não deve sair disso. Tem boas chances de vitória em New Hampshire e em Phoenix, além de ser favorito em Talladega, mas não o vejo com a regularidade necessária para ser campeão. Além disso, a inexperiência da equipe de Michael Waltrip com o Chase pode pesar.

12)   Martin Truex Jr. – A última vez que Truex venceu uma corrida Obama ainda não era presidente dos Estados Unidos. Acho que essa estatística mostra o quão difícil será a tarefa do piloto na fase final. Para ele, participar do Chase já é algo a ser muito comemorado.

Contabilizando a história

agosto 28, 2012

Em Bristol, Denny Hamlin conquistou a vitória de número 200 do carro número 11

Ainda falando da Nascar, Denny Hamlin conquistou uma vitória história no último final de semana. Ao terminar na frente a etapa de Bristol, o americano conquistou o triunfo de número 200 do carro de número 11 em toda a história da categoria, independentemente do piloto ou equipe no comando.

O número é bastante emblemático, já que Richard Petty também se aposentou com 200 vitórias na Nascar. No entanto, há algumas diferenças entre os dois recordes.

Embora realmente tenha vencido duas centenas de vezes na categoria, apenas 192 triunfos do heptacampeão foram conquistados no carro de número 43. Apesar de ter pilotado esse número durante boa parte da carreira, entre os anos de 1962 e 1965, Petty venceu seis vezes correndo com o 41 e duas com o 42.

Ou seja, embora RP tenha sido o piloto mais vencedor da história da Nascar, o carro número 43 não ocupa o correspondente primeiro lugar. Ao todo, o numeral já terminou na frente 198 vezes, pois, além do heptacampeão, Lee Petty, Jim Paschal (duas vitórias), Bobby Hamilton (duas) e John Andretti também ganharam com o número.

Andretti, aliás, é o responsável pela última vitória ao terminar na frente a etapa de Martinsville de 1999, em um jejum que já dura mais de 13 anos.

Darrell Waltrip, irmão de Michael, foi um dos maiores vencedores com o carro 11

O 11, por outro lado, não teve um piloto dominante. Embora alguns campeões tenham usado o numeral ao longo da carreira, as 200 vitórias estão melhor distribuídas. Hamlin, por exemplo, ajudou a colaborar com 20 desses triunfos.

Porém, o maior ganhador de todos é Cale Yarborough, tricampeão da Nascar na década de 1960, que colaborou com 55 conquistas. Ned Jarrett vem logo atrás, com 49, enquanto Darrell Waltrip teve 43. Outros nomes importantes da história do certame também entram na conta. Junior Johnson, inventor do efeito estilingue, conquistou cabalísticos 11 triunfos, enquanto Bill Elliot ganhou em seis oportunidades.

Completam a conta Geoff Bodine (4), Terry Labonte (4), Bobby Allison (3), Buddy Baker (2) e os lendários  A.J. Foyt (1), Mario Andretti (1) e Parnelli Jones (1), embora o sucesso desse último trio tenha sido em outra categoria.

No final, é até curioso pensar qual número representou melhor a história da Nascar. É evidente que o 43 é mais emblemático, e o carro laranja e azul de Richard Petty é reconhecido facilmente até por quem nunca acompanhou a categoria. No entanto, o 11 reuniu uma coleção muito mais completa de pilotos, que resumem o que aconteceu no campeonato nos últimos 60 anos. Jamais vou desmerecer o 43, mas acho que o 11 tem, sim, uma história que precisa ser respeitada e imortalizada.

Para encerrar, por curiosidade, os outros números com mais vitórias na história da Nascar são o 3, com 97 conquistas, o 21, com 91, e o  24, com 86, sendo todos os triunfos do último obtidos por Jeff Gordon.

A subserviência da Nationwide

maio 12, 2012

O momento polêmico da prova. Joey Logano mandou Elliott Sadler para o muro e seguiu rumo à vitória

Pegou mal para a Nascar a vitória de Joey Logano na etapa da Nationwide, disputada na noite desta sexta-feira, dia 11, em Darlington. Se você não viu a corrida e para relembrar como foi, o piloto de Joe Gibbs empurrou Elliott Sadler no muro, nas voltas finais, antes de ultrapassar o companheiro de equipe Denny Hamlin para receber a bandeira quadriculada.

O problema não foi o acidente em si. Logano tentou um bumpdraft com o piloto da RCR – algo comum nas relargadas em Darlington –, mas a manobra não deu certo. Sadler havia patinado na hora de tracionar o carro, e o empurrão mal dado acabou mandando-o para o muro. Foi um acidente de corrida e, obviamente, a Nascar não deveria punir o piloto do carro número 20 pelo acontecido.

A controvérsia na situação toda é que no momento em que assumiu a primeira posição da corrida, Sadler também pulava para a liderança provisória do campeonato, já que Ricky Stenhouse Jr estava com dificuldades para se manter no top-5. Se a corrida tivesse acabado com vitória do piloto de RCR, Sadler deixaria Darlington com uma vantagem de no mínimo dois pontos para o adversário. Com o acidente, o americano terminou creditado com a 24ª colocação e agora está 23 pontos atrás de Stenhouse.

É verdade que acidentes fazem parte do automobilismo e não há muito do que reclamar quando um resultado promissor é estragado por uma batida. Só que o que pegou mau nesse incidente foi o fato de Logano não disputar o campeonato da Nationwide. Obviamente, no início da temporada, o garoto escolheu pontuar apenas na Sprint Cup, já que a Nascar obriga os pilotos a escolherem apenas uma divisão.

Ou seja, Logano foi a Darlington, estragou a corrida de Sadler, venceu a prova e foi embora como se nada tivesse acontecido. Tudo bem que ele pediu desculpas e assumiu a culpa do acidente. Mas a questão aqui não é uma punição ao garoto. É que não adianta nada a Nascar criar um campeonato em que apenas os competidores da Nationwide pontuem se as ações – algumas vezes descabidas – dos pilotos da Sprint Cup vão afetar o resultado.

Nesse caso, tanto faz se Logano e Sadler estavam brigando pela liderança ou se, por exemplo, fosse uma batida entre Michael Annett e David Reutimann válida pela a 13ª colocação. A questão é algo de fora da Nationwide acaba influenciando o campeonato.

Na Nationwide é assim: manda quem pode e obedece quem tem juízo..

Outra coisa que é possível questionar é a prudência dos pilotos da Sprint Cup. Será que Logano teria empurrado Sadler da mesma forma se fosse em uma corrida da divisão principal? Ou o piloto aceitaria que a terceira colocação é um bom resultado e significa pontos importantes na briga pelo Chase? Como não pontuam na Nationwide, atletas como Logano podem ter seus momentos kamikazes que no máximo vão dar PT nos carros. O campeonato, ao menos, não é afetado.

Após as primeiras etapas da temporada de 2012, quando James Buescher, Eliott Sadler e Ricky Stenhouse haviam vencido as quatro corridas, a Nascar fez uma pesquisa entre os fãs para saber o que estavam achando da Nationwide. A ampla maioria dos entrevistados respondeu que não se incomodava em ver o campeonato de acesso sem os pilotos da Sprint Cup e até que estava mais empolgada em ver a categoria disputada apenas pelos jovens talentos.

Bom, enquanto Logano segurava os companheiros de Sprint Denny Hamlin e Brad Keselowski para vencer em Darlington, gente como Trevor Bayne, Kenny Wallace e Ryan Truex assistia à corrida pela televisão.

No final, a Nationwide não mudou nada. Mesmo com a chegada de nomes de peso como Austin Dillon, Danica Patrick e Travis Pastrana, o campeonato vai seguir dominado por pilotos da Sprint Cup. E pior. Os atletas da divisão principal parecem querer que os regulares da Nationwide se curvem perante a eles.

Logano muito bem poderia ter dito algo como: “eu bati e venci. O campeonato? Eu não marco pontos, problema dele”. Vai bem a Nascar.

P.S.: para quem gosta do argumento de que os pilotos da Sprint Cup trazem audiência e patrocínio à Nationwide, a corrida em Darlington só teve 43 carros presentes porque mais uma vez a equipe Key alinhou quatro participantes. Todos adeptos do start-and-park. Aliás, foram dez competidores que largaram e pararam na Carolina do Sul.

Talvez as equipes menores devessem passar na loja da Dollar General para conseguir um empréstimo e ter um desempenho menos ruim, não é mesmo?

E se a Nascar usasse a pontuação da F1?

maio 11, 2012

O que aconteceria se a Nascar premiasse os pilotos da mesma maneira que a F1?

Corrida de carro é corrida de carro em qualquer lugar do mundo. Mas, historicamente, há algumas diferenças entre o esporte a motor disputado na Europa e nos Estados Unidos. A principal, claro, é a presença dos circuitos ovais, muito populares entre os americanos, mas que jamais pegaram entre os fãs europeus.

Outra diferença no esporte está no sistema de pontuação. Na Europa, o sistema adotado pela FIA reina de forma absoluto. Durante muito tempo se restringiu premiar apenas os seis melhores classificados de uma corrida. Agora pontuam dez, mas mesmo assim é pouco perto dos grid que chegam a ter 26 carros.

Nos EUA, por outro lado, qualquer piloto que larga em uma corrida termina pontuando. Exceção feita apenas ao endurance, mas aí por uma questão da própria essência da modalidade, onde é necessário completar a última volta/uma distância mínima para ser recompensado.

Essa diferença nos sistemas de pontuação está ligada à origem do automobilismo nesses locais. Na Europa, a FIA – e suas predecessoras – sempre valorizou os pilotos que terminassem uma corrida. Só que essa resistência dos carros, que praticamente não quebram, é algo recente. Durante muito tempo, largavam algumas dezenas de competidores, mas poucos chegavam ao fim das provas.

Nos EUA, o esporte sempre teve uma cultura de inclusão, desde que o competidor fosse branco e rico, obviamente. Todo mundo podia se inscrever, todo mundo corria, todo mundo marcava ponto, todo mundo dividia o prêmio, todo mundo ia beber a noite toda em algum bar localizado no meio da Costa Leste.

Mas e se a gente misturasse um pouco as coisas? E se pegássemos a principal categoria do automobilismo norte-americano, a Nascar, e aplicássemos a pontuação da FIA. Será que mudaria muito a classificação do campeonato? Bom, fiz o teste, e o resultado não chega a surpreender.

Até a etapa de Talladega, realizada no último domingo, a Nascar já havia disputado dez etapas. Greg Biffle é o líder do campeonato com 378 pontos, seguido por Matt Kenseth (371), Dale Jr (369), Denny Hamlin (351) e Kevin Harvick (333). Martin Truex Jr, Tony Stewart, Jimmie Johnson, Kyle Busch, Clint Bowyer, Carl Edwards e Brad Keselowski completam os 12 primeiros. A classificação toda você pode ver clicando aqui.

A primeira coisa foi recalcular os pontos com base no atual sistema da FIA. Assim, o vencedor de uma corrida recebeu 25 pontos, o segundo colocado ganhou 18, depois 15, 12, 10, 8, 6, 4, 2 e 1. Para fazer essa soma, obviamente não premiei os pilotos que terminaram corridas entre a 11ª e a 43ª posição.

O resultado final não é tão diferente da classificação verdadeira. Biffle seguiria na ponta, mas dessa vez com 98 pontos. Matt Kenseth, com 92, apareceria em segundo, seguido por Hamlin (82), que tomaria o terceiro lugar de Dale Jr (76). Jimmie Johnson saltaria para quinto (74), seguido por Tony Stewart (71) e Kyle Busch (70). Depois, os 12 primeiros ainda teriam Brad Keselowski, Martin Truex Jr, Kevin Harvick, Ryan Newman e Clint Bowyer.

Você também pode clicar aqui para ver como ficaria a classificação completa de acordo com o sistema da FIA.

Greg Biffle seguiria líder mesmo com a atual pontuação da FIA

Aí é possível chegar a algumas conclusões. A primeira delas é que a regularidade segue importante. Como na Nascar é fundamental terminar as provas entre os dez primeiros para ter chances de Chase e de título, os ponteiros com a pontuação da FIA são praticamente os mesmos nomes.

No entanto, há duas diferenças básicas. A primeira é que a vitória é mais valorizada com a pontuação europeia. Por isso gente como Hamlin, Stewart, Johnson e Keselowski ganharam posições em relação à classificação real. A outra é que quem costuma chegar próximo da décima posição parou de pontuar. Casos como Kevin Harvick (que tem dois 11º em 2012), Clint Bowyer e Carl Edwards acabaram ficando para trás justamente porque pela FIA tanto faz terminar fora do top-10 ou abandonar uma corrida.

Com esse resultado em mãos, resolvi fazer um segundo teste e aplicar a pontuação clássica da FIA 10-6-4-3-2-1, que foi usada durante boa parte da década de 1990. Aí o resultado final já foi bastante diferente.

Na nova classificação, Kenseth destronaria Biffle como ponteiro. O vencedor da Daytona 500 apareceria na frente com 28 pontos contra 27 do companheiro de equipe. Aliás, Denny Hamlin seria o novo segundo colocado. O piloto de Joe Gibbs teria os mesmos 27 pontos do adversário, mas ganharia nos critérios de desempate por ter vencido duas vezes em 2012 contra um triunfo do rival. Tony Stewart (24) seria o quinto colocado, seguido por Kyle Busch (23), Brad Keselowski (22), Dale Jr e Jimmie Johnson (20). Aí haveria um buraco até Martin Truex Jr e Ryan Newman, ambos com 13.

Clicando aqui, você pode ver a classficação completa com o sistema clássico.

Com essa pontuação, fica claro que as vitórias falam mais alto que a regularidade. Como poucos pilotos somariam pontos por etapa – 6 de 43 – chegar na frente virou quase obrigação. É por isso que quem tem dois triunfos em 2012 ganhou tantas posições contra quem ainda não venceu. A exceção é Dale Jr, que tem sido regular o ano todo, embora tenha despencado da terceira posição (real) para a sétima com este sistema.

Vendo essa classificação, com três pilotos separados por apenas um ponto, talvez a Nascar pudesse cogitar um sistema mais restritivo. Afinal, além de um campeonato mais emocionante na tabela de pontos, a competitividade na pista deveria aumentar, pois os pilotos saberiam que terminar na sétima colocação ou bater valeriam a mesma coisa: nada.

AJ Allmendinger seria um dos maiores beneficiados pelas novas pontuações

Por fim, fiz um último teste para checar se restringir a pontuação seria a melhor escolha. Adaptei o sistema atual da Nascar ao da FIA. Assim, o vencedor de uma corrida somaria seis pontos, o segundo ganharia quatro, depois três, dois e um. Ou seja, apenas o top-5 seria recompensado.

Dessa forma, Kenseth seguiria na ponta, mas agora com 18 pontos apenas. Depois apareceria Biffle, com 17, e Hamlin, com 16. Tony Stewart seria o quarto (15), seguido por Dale Jr e Kyle Busch (14) e Jimmie Johnson e Brad Keselowski (13). Truex Jr e Newman seguiriam empatados, mas com oito pontos cada.

A classificação desse último sistema, bolado por mim, está aqui, basta clicar.

Esse último sistema acabou tirando o peso das vitórias. Obviamente, quem já venceu duas vezes em 2012 apareceu no topo da tabela, mas gente como Greg Biffle e Dale Earnhardt Jr teve o prejuízo minimizado, pois a presença constante entre os cinco primeiros também foi recompensada. Mais uma vez, o equilíbrio seguiria existindo. Em um sistema que pontua com seis pontos o vencedor, os oito primeiros do campeonato apareceriam separados por apenas oito.

No final, acho que os sistemas de pontuação da FIA poderiam deixar a Nascar um pouco mais divertida. Porém, é preciso ressaltar que talvez isso possa ser um tiro no pé da própria categoria. Quer dizer, por que uma equipe inscreveria um carro se soubesse não ter condições de disputar além da 20ª posição? Imagino que isso pudesse minar o grid da categoria assim como acontece com a F1 e com outros campeonatos.

Por outro lado, uma vitória ou um bom resultado seria o suficiente para deixar um piloto mais perto do Chase. Nas duas últimas classificações, um nome que se destaca é o de AJ Allmendinger. Na pontuação real da Nascar, o piloto aparece apenas na 20ª posição. Porém, graças ao segundo lugar em Martinsville, ele avançaria para o 12º posto, já que seus acidentes e problemas mecânicos seriam ignorados.

Aliás, algo semelhante aconteceu com Rubens Barrichello, em 1997. O brasileiro só conquistou um segundo lugar em toda temporada – debaixo de chuva em Mônaco –, mas mesmo assim conseguiu ser o 13º na classificação final. A exemplo de comparação, Ralf Schumacher terminou em 11º, mas precisou visitar a zona de pontos em seis oportunidades, incluindo um pódio.

Nascar em Phoenix: é a hora Hamlin, Harvick e Kyle Busch?

março 4, 2012
Kyle Busch e Kevin Harvick Nascar Phoenix

O emocionante duelo entre os eternos rivais Kyle Busch e Kevin Harvick, ainda na metade da corrida, foi o ponto alto da etapa da Nascar em Phoenix

A segunda etapa da temporada 2012 da Nascar, em Phoenix, foi muito fácil de ser comentada. Como, tirando Tony Stewart e Jimmie Johnson, nenhum piloto entre os favoritos teve problemas durante a corrida ou cometeu erros, o resultado final foi equivalente a o que cada um produziu ao longo do final de semana.

Sendo assim, a grande história desse etapa é saber até quando esses pilotos da Sprint Cup – Denny Hamlin, Kevin Harvick, Brad Keselowski, Kyle Busch e Greg Biffle – vão continuar brigando pela primeira colocação na tabela de pontos sem a presença dos tradicionais favoritos de sempre (Johnson, Stewart, Jeff Gordon e Carl Edwards).

Afinal, neste domingo, dia 5, Hamlin ficou com a vitória depois de duelar com Harvick. Kese e Biffle também estiveram na briga pela primeira colocação e Kyle Busch foi protagonista da batalha mais emocionante do final de semana – contra Harvick – ainda na metade da prova.

Vale lembrar que em Daytona, esses mesmos pilotos também estiveram nas primeiras colocações. Biffle foi terceiro, Hamlin, quarto e Harvick, sétimo. Busch e Keselowski ficaram pelo meio do caminho, mas ambos provaram ao longo da Speedweek que são fortes candidatos à vitória nos super-ovais.

Denny Hamlin

Após uma péssima temporada em 2011, Denny Hamlin já conquistou dois TOP 5, incluindo a vitória em Phoenix. Será que ele está de volta?

Assim, após duas etapas da Nascar em 2012, cinco pilotos que jamais foram campeões se destacaram, mas o real embate vai acontecer quando os atletas já consagrados entrarem – se conseguirem – na briga pela primeira colocação.

Quem deu o primeiro passo para mudar isso foi Jimmie Johnson, que terminou em quarto no Arizona. No entanto, mesmo com o piloto da Hendrick tendo precisado fazer duas paradas extras nos boxes por causa de um problema no pneu traseiro do lado direito, o pentacampeão não conseguiu voltar à luta pela primeira colocação, tendo perdido muito tempo no duelo com Keselowksi e Busch pela então quinta posição.

Mas vale lembrar que Jonhson tinha começado a prova com pontuação negativa por conta da punição sofrida em Daytona, então ele vai precisar de finais de semana cada vez mais parecidos com este – ou até mesmo melhores – para tentar se recuperar. No momento, ocupa apenas a 37ª posição na tabela de pontos.

Para encerrar, quem não está nessa briga inicial pelo campeonato, mas que merece destaque após duas corridas é Joey Logano.  Pressionado para obter bons resultados e finalmente corresponder às expectativas, o garoto conquistou dois TOP 10 nas primeiras duas corridas e já ocupa a oitava colocação na tabela de pontos. Ainda é cedo para falar qualquer coisa, e os resultados não foram brilhantes, mas é esse tipo de consistência que ele precisa ter em 2012 – e no restante da carreira – se quiser permanecer na Nascar por mais tempo.

Depois da chuva e do fogo em Daytona e de uma prova em oval curto no Arizona, a Nascar vai a Las Vegas para a primeira corrida em um oval de 1,5 milha em 2012. Como essas pistas são maioria no calendário da categoria, quem começar forte pode conseguir uma vantagem importante até mesmo para pensar em Chase mais para frente.

A tendência é que Johnson e Edwards ganhem espaço no campeonato, pois são favoritos. No entanto, os pilotos de Joe Gibbs costumam andar bem nesse tipo de pista e podem igualar as coisas. Só que vale lembrar que em 2011, o motor Ford foi dominante nos ovais intermediários, então um resultado similar ao de Daytona, com os carros de Jack Roush sempre na frente, é bastante possível.

Nascar em Martinsville: Edwards ainda está com a mão na taça

novembro 1, 2011
Nascar em Martinsville

Martinsville é a única pista do calendário da Nascar que possibilita 'short track racing'

Faltando apenas três etapas para o final da temporada 2011 da Nascar, Carl Edwards deixa a etapa de Martinsville com uma mão na taça. Depois de ter um péssimo rendimento ao longo das primerias voltas da prova, o piloto conseguiu pouco a pouco recuperar posições até cruzar a linha de chegada na nona colocação, mantendo uma confortável vantagem de oito pontos para Tony Stewart, o vencedor da prova e novo vice-líder do campeonato.

Oito pontos na atual pontuação equivalem a 30 a 40 pontos na forma antiga. Uma vantagem pequena, mas mesmo assim difícil de ser retirada em condições normais. Para piorar o momento de Stewart, a Ford é favorita para a etapa do Texas – a deste domingo –, e Edwards venceu as duas últimas corridas de 2010, em Phoenix e em Homestead-Miami.

Edwards, portanto, só deve perder o título caso cometa algum erro ou tenha algum problema mecânico. A melhor chance de Stewart é conquistar uma vitória nas últimas corridas e se beneficiar dos ‘bônus’ dados ao vencedor. O por enquanto bicampeão da categoria já venceu três vezes no Chase atual, ao passo que Edwards, Brad Keselowski e Kevin Harvick – os outros com chances matemáticas de título – ainda não terminaram em primeiro.

Dito isso, é muito fácil falar que está fora da disputa por conta de um acidente, mas esses três não fizeram a partes para serem campeões.

Tony Stewart Jimmie Johnson

Tony Stewart ultrapassou Jimmie Johnson por fora para vencer em Martinsville

Outro ponto a ser destacado sobre os triunfos é a importância da temporada regular. Dos quatro que lutam pelo título, apenas Edwards e Harvick carregaram vitórias das primeiras 26 corridas. O piloto da Ford ganhou três pontos de bônus pela conquista em Las Vegas, enquanto o adversário somou 12 por ter vencido em Auto Club, Martinsville, Charlotte e Richmond. Se não fossem esses pontos, Edwards teria apenas cinco de vantagem para Stewart e 29 para Harvick, que apareceria apenas em quarto.

Ainda assim , a situação não seria tão diferente. Harvick ainda precisa de um abandono de Edwards para poder ter chances de lutar pelo título. Keselowski idem, mas este também precisa descontar 18 pontos para Stewart.

Apesar disso, a situação nos pontos poderia ter sido bastante diferente após Martinsville. O momento chave da corrida aconteceu a partir da volta 354 quando o então líder Denny Hamlin colou em Tony Stewart para deixar o antigo companheiro uma volta atrás. O bicampeão se debateu como pôde e conseguiu se defender – para fúria de Hamlin – até a bandeira amarela ser acionada.

Sem precisar largar no fim do pelotão como lucky dog, Stewart  pôde construir uma estratégia de ganhar posições nos boxes ao lado de uma pilotagem agressiva em meio a tantas bandeiras amarelas. O piloto ainda contou com a sorte ao ser obrigado a fazer uma parada extra quando assumiu a liderança da corrida. Embora parecesse o fim das chances de conquista, essa ida a mais aos boxes permitiu que o bicampeão pudesse colocar apenas dois pneus quando todos os demais adversários pararam, pulando para o top-5.

Com Edwards, Stewart (-8), Harvick (-21), Keselowski (-27) e Matt Kenseth (-36) com chances de título, a Nascar chega ao Texas para a disputa da antepenúltima etapa de 2011. A Ford é favorita, já que Kenseth venceu com tranquilidade no início do ano. Só que tanto Stewart quanto Harvick andam bem em pistas de 1,5 milha. Eles não são favoritos, mas podem conseguir o resultado que precisam.

A aventura virtual de Denny Hamlin

outubro 22, 2011
Denny Hamlin

Denny Hamlin está em alta com a FedEx, ao menos virtualmente

Denny Hamlin não vem fazendo uma boa temporada na Nascar. Depois do vice-campeonato obtido em 2010, o piloto da Joe Gibbs ocupa apenas a 12ª colocação no Chase, com 2117 pontos, 86 a menos que o líder Carl Edwards.

Ainda assim, a FedEx não parece se importar com os resultados do piloto. Pelo contrário, a empresa de entregas sabe que muito do sucesso alcançado na Nascar se deve ao desempenho de Hamlin desde 2006. A efeito de comparação, desde a aposentadoria de Dale Jarrett, a concorrente UPS não consegue se estabilizar. Os ‘Browns’ patrocinaram David Reutimann e David Ragan, mas já miram Carl Edwards para 2012.

Enquanto a concorrência não consegue se reafirmar, a FedEx aproveita os fracos resultados de Hamlin para seguir atraindo cada vez mais fãs – e clientes – na categoria. A empresa criou uma série de joguinhos simples estrelando o piloto da Gibbs para entreter os torcedores desocupados (e acabar com a produtividade no trabalho).

Agora, sendo bem sincero, esses jogos são terrivelmente difíceis. Em um, você controla o carro de Denny Hamlin e precisa ultrapassar 14 carros em 12 segundos. Em outro, você tem que montar o carro de Hamlin – que foi separado em 13 peças – nos mesmos 12s. Eu aproveitei uns minutinhos que tive livre para jogar e o máximo que consegui foi passar 12 e juntar nove partes.

Se você quiser tentar esses jogos da FedEx, basta clicar aqui e se divertir. Mas eu aviso desde já que o risco de você passar horas jogando é enorme.

Se alguém consegui bater meu ‘recorde’ coloque aí uma screenshot!

Nascar em New Hampshire: o Chase está aberto

setembro 26, 2011
Rick Hendrick, Jimmie Johnson, Chad Knaus

Rick Hendrick, Jimmie Johnson e Chad Knaus. Com 29 pontos de déficit, eles vão ter muito trabalho se quiserem conquistar o hexacampeonato

A corrida de New Hampshire da Nascar Sprint Cup, realizada neste domingo, dia 25, revelou que alguns pilotos estão na direção errada para conquistar o título da temporada 2011. O Chase do ano passado, com Jimmie Johnson, Kevin Harvick e Denny Hamlin chegando à última corrida praticamente empatados nos pontos, mostrou que a máxima de ‘não se pode vencer o título em uma corrida, mas se pode perdê-lo’ é realmente verdadeira.

Começando pelos três já citados, a participação de Denny Hamlin no Chase atual é patética. Se você não lembra, no final de 2010, quando ele era o líder do campeonato faltando duas corridas, a equipe do carro número 11 bateu boca com a de Jimmie Johnson em algumas oportunidades, dizendo que o piloto da Hendrick estava acabado e – principalmente após a troca de mecânicos entre Jeff Gordon e JJ – desesperado com a possibilidade de perder o título.

Um ano depois, Hamlin está 66 pontos atrás de Tony Stewart na tabela e praticamente precisa de um milagre para levantar a taça. Em Chicagoland, ele teve problemas com os pneus, enquanto em New Hampshire foi uma pane seca. Inadmissível alguém perder um título por ficar sem combustível. O desempenho de Hamlin é tão ruim que seria melhor ter deixado A.J. Allmendinger, por exemplo, participar do Chase. Fora dos 12 primeiros, ninguém ia perceber o vexame do carro número 11. Por outro, por pior que fossem os resultados de Allmendinger só de ele estar nos playoffs seria motivo de festa.

Jimmie Johnson é outro que está em uma fase terrível. Tudo bem que New Hampshire, ao lado de Talladega e Homestead-Miami, é um dos locais em que o pentacampeão não é favorito. Mas 29 pontos de déficit na tabela de pontos significariam Game Over para qualquer outro piloto. Não para Johnson. Se não fosse o retrospecto do pentacampeão em conseguir vitórias e segundos lugares sequenciais na fase final do campeonato, as chances de título teriam ido embora. Por outro lado, ainda que ele tenha chances, Johnson e toda a equipe Hendrick sabe que não pode mais errar se quiser conquistar o hexacampeonato.

Kevin Harvick

Kevin Harvick segue perdendo pontos preciosos em 2011. Assim nem fechando equipe o título fica fácil

Dos três, Kevin Harvick é o que está em melhor posição. Após duas corridas, o piloto está apenas sete pontos atrás de Stewart, na vice-liderança. No entanto, o piloto da RCR está repetindo um problema que já aconteceu em 2010: perder pontos fáceis. Em Chicagoland, Harvick vacilou em não ter ultrapassado Tony Stewart na briga pela vitória. Claro que não dá para exigir que alguém vença todas as corridas, mas caso o piloto da Budweiser tivesse completado a recuperação e triunfado nessa etapa, seria o líder. Com o segundo lugar, vai precisar torcer para algum tropeço de Stewart.

Em New Hampshire, a situação foi ainda pior. Com uma tática errada nos boxes, Harvick, que esteve o tempo todo na briga pelo TOP 5, terminou a corrida em 12º. Não foi um grande prejuízo na tabela, mas novamente deixou pontos importantes escaparem e que podem fazer falta no fim do ano. Aliás, é bom o piloto da RCR se recuperar, pois Dover, local da próxima etapa, é a pista onde ele deve ter maiores dificuldades.

Por fim, chegamos a Tony Stewart. É óbvio que com duas vitórias nas duas primeiras etapas do Chase o bicampeão é quem está em posição mais confortável para conquistar o título. Apesar disso, ainda não o considero um dos favoritos. Essa não é a primeira vez que um piloto começa os playoffs com duas vitórias consecutivas. Nas outras duas ocasiões – Greg Biffle em 2008 e Mark Martin em 2009 –, só o experiente piloto da Hendrick conseguiu chegar a Homestead-Miami com chances (muito, mas muito remotas) de ser campeão. Biffle caiu fora da disputa oficialmente em Phoenix, mas o grande prejuízo em pontos foi em Talladega, quando se envolveu em um acidente bisonhamente causado pelo companheiro de equipe Carl Edwards.

Como Stewart não teve um bom desempenho na temporada regular e só deve ser um candidato a vitória nas etapas de Kansas, Charlotte e Texas, ainda é cedo para colocá-lo como favorito absoluto. Uma sequência de bons resultados, no entanto, é o suficiente para catapultá-lo à função de possível vencedor da Sprint Cup.

Enquanto isso, a menos que seu nome seja Denny Hamlin, o campeonato continua aberto. Johnson pode estar 29 pontos atrás de Stewart, mas está apenas seis distante de Jeff Gordon, o sexto colocado. Os cinco pilotos na frente já deram sinais de inconsistência e podem acabar perdendo a taça até o final do ano. Além disso, ainda há o fator Brad Keselowski, que veio feito um foguete nessa segunda metade de temporada 2011 e ninguém sabe se ele poderá manter o ritmo.

A próxima etapa da Nascar é em Dover, onde Jimmie Johnson é considerado favorito. O local é uma excelente oportunidade para que o pentacampeão inicie uma recuperação. No entanto, vale um aviso: antes a Monster Mile era a segunda corrida do Chase, agora é a terceira. Pode ser que já seja tarde para uma volta por cima. Fora o piloto da Hendrick, Kyle Busch, Carl Edwards e Brad Keselowski são favoritos para a corrida. Por outro lado, Tony Stewart e Kevin Harvick são os que mais têm a perder.

Chase 2011 – as chances

setembro 12, 2011
Jimmie Johnson

Terá Jimmie Johnson espaço para uma sexta taça?

No último sábado, dia 10, os classificados para o Chase da Nascar Sprint Cup foram conhecidos. O World of Motorsport faz agora a análise da chance de cada um deles para a conquista do título nessas dez provas finais do campeonato.

Favoritos: Jimmie Johnson, Kyle Busch e Jeff Gordon.

Não dá para falar da história do Chase sem citar Jimmie Johnson. O atual pentacampeão já venceu 19 vezes em etapas dos playoffs, desde 2004, sempre esteve na briga pelo título e passeou em três das cinco conquistas. Nem mesmo os pontos negativos parecem influenciar Johnson este ano. É verdade que ele só venceu uma vez na temporada regular – em Talladega –, mas isso não o impediu de chegar a Richmond com uma vantagem de quase 30 pontos na liderança do campeonato. No fim, foi ultrapassado por Kyle Busch e entra em desvantagem pelo número de pontos dos bônus por vitória, mas nada que tire o favoritismo.

Pela segunda vez na carreira Kyle Busch terminou na frente na temporada regular. Na outra, em 2008, liderou toda a primeira fase da competição, venceu oito vezes, mas foi uma completa decepção na fase final ao terminar o ano apenas em décimo. Agora, o mais jovem dos irmãos Busch está mais consistente. Ao longo da temporada regular, terminou 11 etapas entre os três primeiros e brigou pela vitória em boa parte das corridas. Se não amarelar novamente, é um potencial adversário de Jimmie Johnson.

Jeff Gordon terminou a temporada regular falando que está na melhor forma da carreira. Besteira, o tetracampeão está bem longe do desempenho dominante dos quatro títulos conquistados. Ainda assim, o piloto do carro número 24 venceu três vezes no ano e nas últimas dez etapas terminou todas dentro do TOP 10 ou próximo a ele, isto é, mostrou que tem um equipamento forte para qualquer tipo de pista. No caso da Hendrick voltar a ser superior, Gordon pode ser o único a conseguir parar o companheiro de equipe.

Kevin Harvick

Kevin Harvick, que fechou a KHI, é o único representante da equipe de Richard Childress no Chase

Boas chances: Matt Kenseth, Kevin Harvick, Carl Edwards

A temporada de Kevin Harvick começou avassaladora com vitórias em Auto Club e em Martinsville. Depois, principalmente nas pistas de 1,5 milha, foi perdendo rendimento e passou da etapa do Kentucky à corrida em Bristol conquistando apenas um TOP 10, em Watkins Glen, sendo que nas duas últimas corridas da sequência, foi somente o 22º. Apesar desse cenário desanimador, a situação mudou nas duas provas antes do Chase. Harvick foi sétimo em Atlanta depois de brigar pela ponta no início da corrida e venceu em Richmond ao liderar 201 das 400 voltas.

Há uma explicação muito boa para isso. Com o piloto já garantido no Chase por conta das três vitórias conquistadas de forma prematura, a equipe de Richard Childress pode ter focado os esforços em tentar classificar os demais carros. Como não deu, a atenção voltou a Harvick. E esse é justamente o maior trunfo do piloto do carro 29. Não tendo nenhum companheiro na fase final, quer dizer que o que a RCR tem de top estará a seu dispor.

Matt Kenseth começou 2011 de uma forma bastante incomum: vencendo duas corridas. Mais conhecido pela regularidade do que por terminar no Victory Lane, o piloto da Roush se manteve entre os ponteiros ao longo da temporada regular ao acumular 14 TOP 10. É justamente apostando nessa regularidade somada a vitórias que ele espera acabar com o jejum de títulos que dura desde 2003, justamente o último ano antes da criação do Chase.

Carl Edwards começou o ano como o verdadeiro favorito, embalado pelos triunfos nas duas últimas corridas de 2010. Apesar disso, o piloto só venceu uma única vez e viu a liderança consolidada após as primeiras etapas ser rapidamente cortada durante as 26 corridas. Para conquistar o título, o piloto aposta em bom desempenho em todos os tipos de pista, além de repetir as vitórias de Phoenix e de Homestead-Miami, no último ano. Antigamente, Talladega seria o maior problema para Edwards, que chegou a perder o campeonato de 2009 na tal etapa. Desde então, o piloto tem se destacado em corridas nos super-ovais, embora tenha um desempenho melhor em Daytona.

Brad Keselowski

Caso não conquiste o título, Brad Keselowski poderá fazer o duelo das cervejas com Kevin Harvick, patrocinado pela Budweiser

Chances razoáveis: Brad Keselowski, Denny Hamlin, Kurt Busch

Brad Keselowski foi a grande surpresa positiva entre os 12 classificados para o Chase em 2012. Desde o grave acidente em Road Atlanta, o piloto foi o destaque da categoria ao vencer duas vezes (já tinha triunfado no Kansas) conseguir outros dois TOP 5 e um TOP 10. O piloto da Penske, no entanto, por ter terminado em 11º, não conseguiu transformar as três vitórias em bônus, por isso sai em desvantagem. Deve ter bom rendimento nas pistas de 1,5 milha e em Dover, enquanto Talladega e Phoenix devem ser os pontos fracos.

Denny Hamlin foi a decepção de 2011. Depois de brigar pelo título de 2010 e liderar até a antepenúltima prova, o piloto só garantiu a classificação para o Chase na etapa de Richmond. Apesar disso, tem conseguido alguns bons resultados e pode repetir o desempenho positivo nessas dez últimas corridas. Com Kyle Busch em boa fase para dividir as atenções da Gibbs, as chances de Hamlin são bem remotas.

Kurt Busch chega ao Chase falando que pela primeira vez nos últimos anos Jimmie Johnson tem um rival. A realidade, porém, é bastante diferente, e o piloto da Penske não chega como favorito. Assim como Keselowski, Busch tem nas pistas de 1,5 milha a melhor chance durante o Chase, só que esses também são os traçados onde Johnson tem bons resultados. Nas pistas em que Kurt não vai bem, o pentacampeão mantém a já reconhecida regularidade, e nesse cenário Kurt Busch já sai em desvantagem. Outra coisa, para ele vale o que foi dito sobre Hamlin. A Penske, pela primeira vez nos últimos seis anos, vai ter que dividir atenção entre dois pilotos.

Sem chances: Ryan Newman, Tony Stewart, Dale Earnhardt Jr

Entre esses três, Tony Stewart é quem pode incorporar o azarão na fase final. O problema é que ele não venceu em 2011 e dificilmente vai mudar da água para o vinho nessas últimas dez corridas. Caso esse milagre aconteça, é um candidato ao título, do contrário, quando muito vai brigar para chegar no TOP 5. Ryan Newman é inconsistente e Dale Jr não vence faz alguns muitos anos.


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