Casey Stoner na F1. Não tem nada a ver com o GP da Austrália, mas ele já pilotou o simulador da Red Bull
Antigamente, o início de temporada de F1 era mais legal. Embora os treinos ao longo do ano fossem liberados, as equipes chegavam à abertura do campeonato sem saber muito o que esperar dos carros. Aí, a primeira etapa do ano virava uma verdadeira corrida de resistência, onde os pilotos largavam sem a certeza de que chegariam ao final.
Em situações mais absurdas, dava para contar nos dedos quantos carros de fato recebiam a bandeira quadriculada. Foi assim há 20 anos, quando Rubens Barrichello estreou na F1. Naquele 14 de março de 1993, o então piloto da Jordan foi um dos muitos que deixou o GP da África do Sul – disputado em meio a uma chuva torrencial – antes do final.
Assim, apenas cinco pilotos completaram todas as voltas. Alain Prost foi o vencedor, seguido por Ayrton Senna e Mark Blundell, de Ligier. Christian Fittipaldi e JJ Lehto foram os outros que terminaram a corrida.
A menos que aconteça algum fenômeno natural bizarro, essa situação não vai se repetir na Austrália. Nos últimos 15 anos, as equipes entenderam que mais importante que ter um carro rápido é ter um equipamento que chegasse ao final das provas, por isso os abandonos são cada vez mais raros.
O regulamento também propiciou isso. Com as limitações para troca de motores e câmbio por temporada, as escuderias não forçam esses componentes ao máximo, consequentemente aqueles estouradas de motores espetaculares, que parecia o anúncio da escolha de um novo papa, quase não existem mais.
Dessa forma, o resultado do GP da Austrália é previsível. Embora seja difícil cravar quem vai terminar na frente, dificilmente ficará com outra equipe além de Ferrari e Red Bull. Lotus e Mercedes aparecem neste momento em um segundo escalão, enquanto a McLaren parece não ter se encontrado desde os treinos da pré-temporada.
(A1)GP da Austrália
Por isso, há dois elementos-chaves para esse primeiro GP do ano. Um é o treino classificatório, onde largar na frente dos principais rivais pode significar meio caminho para a vitória. E o outro – mais importante – é ser o primeiro a entender o comportamento dos pneus, para fazer as paradas nos boxes nos momentos corretos.
Há dois anos, a Sauber surpreendeu ao fazer apenas uma parada em Melbourne quando as demais equipes foram ao pit-lante duas ou três vezes. Naquela prova, tanto Kamui Kobayashi quanto Sergio Pérez terminaram na zona de pontos, mas acabariam desclassificados por não serem aprovados na inspeção técnica horas depois. Se alguma equipe de ponta conseguir reproduzir isso ou ao menos ter mais tempo de pista no auge dos pneus, certamente estará mais perto da vitória.
Por isso, meu palpite é de uma corrida emocionante, com muitas mudanças de posição em virtude das paradas nos boxes, mas com um resultado previsível: duelo entre Fernando Alonso e Sebastian Vettel, com o alemão levando a melhor. Felipe Massa completa o pódio. No entanto, minha torcida é para Kimi Raikkonen, e a verdade é que o finlandês vai vencer colocando três voltas no segundo colocado. Ok, ignore isso.
Para encerrar, chamo a atenção para dois pilotos do grid: Daniel Ricciardo e Jules Bianchi.
O australiano tem boas chances de conseguir um resultado satisfatório por dois motivos. O primeiro é o carro da Toro Rosso, que teve um desempenho decente ao longo da pré-temporada, e o segundo, óbvio, é que ele corre em casa. Já o francês não tomou conhecimento de Max Chilton e, levando em conta que a Marussia começa o ano melhor que a Caterham, ele tem tudo para sumir nessa batalha das equipes menores. Pena que ele precisa de uma tempestade como aquela da estreia de Barrichello para pensar em marcar pontos.
Daniil Kyvat conquistou duas vitórias na Rússia e assumiu a liderança da temporada 2012 da F-Renault
A F-Renault Eurocup passou apertos neste final de semana, em Moscou. A pouca estrutura do entorno do autódromo russo para receber a categoria fez os pilotos passarem poucas e boas fora das pistas. Dentro dela, os comissários não ajudaram e, para piorar ainda mais, a chuva esteve presente como uma fina garoa na manhã deste domingo.
Apesar disso, as corridas aconteceram sem maiores problemas e Daniil Kyvat fez a alegria da torcida da casa ao vencer as duas baterias do campeonato de acesso. De quebra, o jovem piloto da Red Bull assumiu a liderança do campeonato com uma vantagem de apenas um ponto para o belga Stoffel Vandoorne, da Josef Kauffmann.
Agora, a categoria entre um hiato de dois meses até a próxima etapa, já que as corridas na Hungria acontecem apenas nos dias 15 e 16 de setembro. Por isso, não é absurdo pensar que a disputa do título deve mesmo ficar entre Kyvat e Vandoorne. Basta ver que o terceiro colocado, Norman Nato, tem apenas 72 pontos, menos da metade dos dois ponteiros.
O interessante disso tudo é pensar que essa não é uma situação nova para o campeonato. Nos últimos anos, a decisão da F-Renault tem sido entre um piloto da Red Bull e um atleta desafiante e – surpresa! – o rubro-taurino saindo derrotado sempre.
Se Kyvat conseguir se sagrar campeão da F-Renault lá no mês de outubro, essa será a primeira vez desde 2007 que um piloto da equipe energética levantará a taça. A última vez aconteceu com Brendon Hartley, que precisou superar Jon Lancaster e Charles Pic para ser campeão. No entanto, Jaime Alguersuari fez parte daquela geração, mas havia terminado apenas na sexta colocação no campeonato. Mika Maki, por sua vez, foi apenas o nono.
Hartley encerrou um período de bastante sucesso da Red Bull na categoria. Entre os anos de 2004 e 2007, os pilotos energizados foram campeões em três oportunidades e ainda conseguiram um vice. Além do neozelandês, Scott Speed e Filipe Albuquerque também ergueram a taça de campeão. Já Michael Ammermüller, em 2005, foi derrotado por um nipônico abusado de nome Kamui Kobaysahi.
Brendon Hartley, também conhecido como L.J. Hooker, foi o último rubro-taurino a vencer a F-Renault. E talvez você nem saiba de quem se trate
Só que a torneira secou a partir daí. Em 2008, a Red Bull escalou uma dupla que se aparentava bastante promissora para dar sequências às conquistas, formada por Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne (que coisa não?), mas o título ficou com Valtteri Bottas. Na ocasião, o finlandês superou Ricciardo por apenas três pontos e recebeu uma proposta para se tornar piloto em desenvolvimento da Renault, mas acabou recusando-a.
Em 2009, a Red Bull deixou Vergne no campeonato para que ele abusasse da experiência e conquistasse a taça. O francês venceu quatro corridas, mas os abandonos na rodada de Barcelona acabaram pesando. No final, JEV somou 128 pontos e foi batido pelo espanhol Albert Costa. Curiosamente, Antonio Félix da Costa – hoje rubro-taurino – fez parte daquela geração e havia sido o piloto a ser batido em toda a temporada. No entanto, uma desclassificação na etapa de Nürburgring acabou literalmente custando o título, e o luso encerrou com os mesmos 128 pontos do futuro companheiro de energético.
Em 2010, o alvo da Red Bull foi a F-BMW e por isso Kevin Korjus sagrou-se campeão da F-Renault sem enfrentar um piloto rubro-taurino. Porém, no outro certame, Carlos Sainz Jr. e Daniil Kyvat não deram muitos motivos para a turma de Helmut Marko comemorar, já que ambos ficaram longe da briga pelo título entre Robin Frijns e Jack Harvey.
O problema é que o duelo se repetiu em 2011. Com o fim da F-BMW, a Red Bull voltou a prestar atenção na F-Renault trazendo Sainz e Kyvat para conquistar a taça. O espanhol dominou boa parte do campeonato, mas acabou batido por Frijns, que pôde celebrar a segunda conquista em cima do espanhol. Isto é, em bom português, Sainz é um freguês de Frijns.
Aí chegamos em 2012. Com três anos nas categorias de base, Kyvat tem tudo para encerrar o jejum de títulos da Red Bull na F-Renault. Só faltou combinar com Vandoorne, que fará o possível para estragar a festa rubro-taurina mais uma vez.
Para encerrar, o jejum só acontece na F-Renault Eurocup. Em demais campeonatos, como a Italiana ou a Norte-Europeia, a Red Bull tem conseguido comemorar as conquistas de seus pupilos. Mas levando em conta que o Europeu é o principal certame, não é absurdo dizer que essas taças às vezes não passam de prêmios de consolação.
Se a carreira de Daniel Ricciardo na F1 não der certo, o piloto pode tentar ser ator, afinal, ele leva jeito na frente das câmeras
Você gosta de séries, dessas que passam na televisão? Nos últimos, esse formato tipicamente americano de programação tem ganhado força no mundo inteiro. É difícil encontrar alguém que nunca tenha assistido a um episódio desses programas.
Só para ficar entre as mais recentes, Friends, House, Two and Half Men, The Big Bang Theory, Law & Order, Lost, Glee e 24 Horas são exemplos de shows que fazem sucesso no mundo todo e em praticamente todas as faixas etárias.
Talvez você esteja se perguntando por que estou falando isso, se o World of Motorsport é um blog voltado para o automobilismo. Não se preocupe, eu não mudei a temática daqui! É que eu precisava enrolar um pouco este post, do contrário ele ficaria muito pequeno.
Bom, na verdade, o assunto de hoje é justamente esse. Inspirada no sucesso das séries americanas, a Red Bull produziu um programa chamado ‘Destination One’, que foi exibido nos últimos meses na Red Bull TV, no site da empresa de energéticos.
O programa conta a história de quatro garotos que sonham em um dia chegar à F1: Daniel Ricciardo, Jean-Éric Vergne, Daniil Kyvat e Carlos Sainz Jr. Não por acaso, o quarteto que fez parte do Red Bull Junior Team nos últimos dois anos.
Em uma superprodução, a Red Bull acompanhou a temporada 2011 desses garotos em um documentário que mistura ação nas pistas, cenas dos bastidores, depoimentos e fatos curiosos em um ritmo bastante interessante. Por exemplo, você sabia que Jean-Éric Vergne pilotou um kart antes mesmo de completar um ano de idade? E que Daniel Ricciardo é um dos poucos australianos que nunca surfou na vida?
Histórias como essas e muitas outras são contadas na série. Para não estragar a surpresa de quem for assistir, comento brevemente apenas os dois primeiros episódios, onde é narrada a batalha entre Ricciardo e Mikhail Aleshin pelo título da World Series by Renault em 2010. Enquanto toda a ação se desenrola na pista, os pilotos dão depoimentos do que aconteceu, assim como todo o staff da Red Bull. A edição foi caprichada e mostra a reação de cada um a cada reviravolta na disputa pelo título.
Nos demais episódios, todos muito curtos com apenas 12 minutos de duração, além de Ricciardo, a rotina de Sainz, Kyvat e Vergne também é conhecida de perto.
O único problema da série é que ela foi feita pela própria Red Bull, então tem aquela maquiagem toda nos maus momentos. Você não vê ninguém criticando os pilotos, não tem os momentos de pressão e todos os garotos que passaram pelo Junior Team, mas falharam são completamente ignorados. Ou seja, mesmo que tivesse importância dentro de um contexto, Jaime Alguersuari, Sébastien Buemi e Brendon Hartley, por exemplo, não estão no vídeo.
Outro personagem curioso é Helmut Marko. Conhecido por liderar o Red Bull Junior Team com mãos de ferro, o austríaco é retratado como um velhinho bonzinho que descobriu Ricciardo e Vergne e tem um carinho quase familiar por eles.
Sabendo separar o que é divulgação e promoção da própria Red Bull do que é conteúdo informativo, a ‘Destination One’ é uma série que realmente recomendo. Principalmente porque a produção é impecável e mostra muitos e muitos detalhes dos bastidores da vida dos pilotos.
Ela também é interessante para quem pensa ou está tentando seguir carreira no esporte a motor. Os detalhes colocados principalmente nas dificuldades dos pilotos mostram que para se ter chance na F1 em uma equipe competitiva não basta apenas ter alguém que pague. Nesse aspecto, o pai do Jean-Éric Vergne é um personagem-chave. Embora ele seja um pouco arrogante, ele serve como um contraponto e mostra que o mundo do esporte a motor não e só maravilhas.
Mesmo com a contratação de Mike Coughlan, a Williams foi bastante conservadora para criar o FW34
A primeira bateria de treinos coletivos para a temporada 2012 da F1 vai chegando ao fim. Após nove lançamentos de carros e quatro dias de atividades de pista é possível chegar a alguma conclusão: os novos carros são feios.
Meio decepcionante, não? Se ainda não dá para se empolgar ao saber quem é quem na disputa pelo título, o visual dos novos modelos não ajuda muito a melhorar a animação para o novo campeonato. Desse jeito, talvez a melhor coisa seja desvendar os segredos das equipes para esquentar um pouco as coisas.
Em posts anteriores – os links estão lá embaixo –, as primeiras impressões dos carros da Red Bull, Ferrari, McLaren, Lotus, Caterham e Force India já foram expostas. Agora é vez da Williams, Sauber e Toro Rosso, quando finalmente será possível responder quais chances Bruno Senna terá na F1 em 2011.
Ao analisar o carro da Williams, não são muitas, na realidade. Mesmo com a equipe tendo passado por uma revolução dentro do departamento técnico, com a substituição de Sam Michael e Patrick Head por Mike Coughlan, o FW34, o carro de 2012, não parece ter correspondido a essa mudança drástica.
A traseira curta, com bastante espaço para o ar, é um dos destaques do novo carro da Williams para a F1 2012
O novo modelo, na verdade, parece uma evolução do carro de 2011. A primeira impressão é que a Williams manteve tudo o que deu certo e resolveu mudar o resto. Só que o resultado na pista sugere que o time ainda vá sofrer no novo campeonato, embora os primeiros treinos não signifiquem muita coisa.
O primeiro destaque do FW34 é a asa dianteira ser presa na pontinha do suporte do bico, o que possivelmente significa a falta do duto frontal. Depois, o modelo segue a tendência do bico de ornitorrinco, para aumentar o fluxo de ar para o difusor. O degrau é similar ao da Ferrari, sendo bastante conservador.
O restante do modelo – sidepods, entrada de ar e tampa do motor – continua bastante similar ao carro de 2011. A grande inovação do carro do ano passado (e que não deu certo) foi a caixa de câmbio reduzida. Dessa vez, parece que esse artifício foi novamente utilizado, deixando a parte traseira muito curta.
A tampa do motor termina muito cedo – com os escapamentos posicionados em posição mais conservadora e apontados para a asa traseira – a asa, aliás, também fica presa na pontinha, a exemplo da peça dianteira. O resultado é ter muito espaço para que o ar flua e chegue ao difusor.
Há alguma expectativa em relação às principais inovações da Williams serem invisíveis, isto é, por baixo da carroceria. Sendo assim, fica difícil analisar qualquer coisa após um único teste.
Nessa foto fica bem claro o buraco após o degrau e a posição dos escapamentos do novo carro da Sauber apra a F1 2012
Sauber C31:
Indo direto ao ponto no carro da Sauber, o C31 apresenta três maiores inovações: bico, entrada de ar e escapamento. Menos importante que essas partes vem a pintura. É óbvio que layout não ganha corrida, mas carro mais feio que o da equipe suíça não há.
Heh, indo ao que interessa, o bico da Sauber é um dos mais curiosos. Comparado ao das outras equipes, ele é bastante avantajado. Parece ser um dos bicos mais longos até agora e, ao contrário dos rivais, os suíços optaram por colocar a câmera quase na metade da peça.
A justificativa para essas escolhas é direcionar o fluxo de ar para o restante do carro. O grande problema do degrau parece ser a turbulência que ele causa, fazendo com que o ar não siga junto ao carro, prejudicando a geração da downforce. Além do bico, a grande inovação é um buraco – assim como a Red Bull – após o desnível. No entanto, ao invés da equipe austríaca, o buraco é localizado após o degrau, pouco antes do monocoque.
A Sauber apareceu em Jerez com uma nova tampa do motor, com o escapamento, digamos, escondido
Seguindo até a entrada de ar, a exemplo da Ferrari – ou da Force India em 2011 – o Sauber C31 tem a entrada principal, ovalada, além de um segundo buraco para a refrigeração do equipamento, localizado logo abaixo. O restante do equipamento é bastante similar ao do ano passado.
O último ponto é a tendência da Sauber em colocar a saída do escapamento encoberta pela tampa do motor, sem o bocal para fora. Essa é uma escolha que outras equipes ainda devem se utilizar. Por fim, o escapamento da Sauber segue de forma tradicional, apontando para a asa traseira.
Depois de investir pesado no final de 2011, a Toro Rosso manteve muitos dos novos componentes no STR7
Toro Rosso STR7:
Como a equipe satélite da Red Bull foi um dos times que mais investiu no final de 2011, já era esperado que eles mantivessem muitas das atualizações. A aerodinâmica, por exemplo, é praticamente a mesma, salvo o degrau no bico, que apresenta uma borda em ‘V’, para tentar amenizar os efeitos da turbulência.
O bico de ornitorrinco, evidentemente, também é uma novidade. No restante, o carro é bastante similar ao do ano passado. A base dos sidepods manteve o corte para melhorar o fluxo de ar, enquanto a peça – assim como a tampa do motor – é mais longa que o da Red Bull.
Apesar disso, o carro tem algumas novidades. Assim como a Sauber, há duas entradas de ar na parte de cima: a principal, além de uma localizada logo abaixo. E o outro destaque é o escapamento localizado próximo ao duto do freio da roda traseira, para aumentar a downforce.
Com o bom desempenho da Toro Rosso no final da temporada passada, a adição de uma dupla mais habilidosa que a anterior e inovações não tão conservadoras, a equipe italiana pode ser uma forte candidata ao quinto lugar no Mundial de Construtores.
A World Series by Renault voltou a ser a casa da Red Bull em 2011
Como já é tradição aqui no World of Motorsport, chegou a hora de relembrar os melhores momentos de 2011. Para isso, nada melhor que começar com retrospectiva da temporada da World Series by Renault, que tirou Robert Wickens da fama de eterno vice-campeão que o perseguia.
Wickens, na realidade, não foi o único piloto que se destacou este ano. A WSbR foi dominada por quatro garotos que ganharam a alcunha de ‘Quarteto Fantástico’. Além do canadense, o grupo também teve Jean-Éric Vergne, Daniel Ricciardo e Alexander Rossi. Os quatro, aliás, só não terminaram nas quatro primeiras colocações do campeonato, pois Ricciardo já estava pilotando pela Hispania na F1 e a agenda não permitiu disputar a última rodada do certame.
Apesar de o quarteto ter ficado em evidência tanto tempo, a pré-temporada foi marcada pela expectativa da montagem dos planteis. A Carlin, que conquistara o título de 2010, resolveu apostar em pilotos experientes, trazendo Wickens e Vergne para substituir o então campeão Mikhail Aleshin.
Rival do time de Trevor Carlin na F3 Inglesa, a Fortec resolveu investir pesado para 2011. Trouxe Rossi e o brasileiro Cesar Ramos – campeão da F3 Italiana – para as vagas de Sten Pentus e Jon Lancaster. Por fim, Daniel Ricciardo deixou a Tech1 para correr pela ISR, que havia disputado o título da última temporada com Esteban Guerrieri.
Ricciardo teria Dean Stoneman – campeão da F2 – como companheiro, mas o inglês foi diagnosticado com um câncer nos testículos pouco antes da primeira etapa e acabou substituído por Nathanaël Berthon. A Tech1, por sua vez, promoveu dois novatos da F-Renault, Kevin Korjus e Arthur Pic, enquanto André Negrão subiu para a Draco. O último destaque ficaria com a venda da tradicionalíssima Epsilon Euskadi, que se tornou Epic, e passou a inscrever carros para Albert Costa e Pentus.
Jake Rosenzweig trocou a Carlin pela Mofaz em 2011. Não importa na verdade, esse é meu carro favorito da temporada
Após uma pré-temporada com bom desempenho dos pilotos brasileiros, a World Series by Renault iniciou 2011 no dia 16 de abril no Motorland Aragón, em Alcañiz. Robert Wickens confirmou o favoritismo e marcou a pole-position, mas foi Daniil Move, da P1, quem assumiu a liderança da prova. O russo manteve a ponta até ser pressionado por Rossi, que conseguiu uma senhora ultrapassagem no rival.
Sabe aquele lance no GP da Hungria do ano passado, quando Michael Schumacher espremeu Rubens Barrichello no pit-wall? Então. Move fez o mesmo com Rossi, mas o americano foi persistente e conseguiu a ultrapassagem. Após a prova, o piloto da Fortec disse que contava com as equipes tirarem as placas de sinalização do pit-wall para que ele finalizasse a ultrapassagem sem ser atingido. Wickens e Nelson Pantiaciti completaram o pódio.
Na segunda corrida do final de semana, Cesar Ramos conseguiu a pole-position. A primeira de um piloto brasileiro desde Fábio Carbone, se não me falha a memória. Apesar disso, o gaúcho largou mal e foi ultrapassado por Korjus e Costa. O estoniano manteve a ponta e conquistou a primeira vitória da carreira na categoria e bateu o recorde que pertencia a Charles Pic de piloto mais jovem a ganhar uma corrida. Rossi e Costa completaram o pódio, com Ramos sendo o quarto.
Alexander Rossi conquistou a vitória em Aragón
Em Motorland, os meninos da Red Bull não tiveram um bom final de semana. Ricciardo sequer participou da rodada – sendo substituído por Lewis Williamson – por estar na F1 em um treino livre pela Toro Rosso. Jean-Éric Vergne, por sua vez, não foi liberado pelos rubro-taurinos para participar dos treinos. Chegou direto para correr, praticamente, e não conseguiu top-5, mesmo terminando as duas provas nos pontos.
Com a oportunidade de treinar em Spa-Francorchamps, o rendimento do francês melhorou. Wickens venceu a primeira corrida na Bélgica e JEV foi o segundo. Os dois se inverteram na segunda prova, com a Carlin dominando o final de semana com duas dobradinhas. Costa e Chris van der Drift conseguiram um pódio cada. Os brasileiros não pontuaram.
Enquanto JEV aproveitou a etapa belga para entrar na briga pelo título, Ricciardo foi bastante criticado. O australiano terminou em décimo e em nono, muito longe de alguém que era considerado o favorito absoluto ao título. Em Monza, a fase do piloto não melhorou. Ricciardo foi punido após o treino classificatório sendo obrigado a largar em último. Vitória de Korjus após nova pole de Cesar Ramos.
A segunda corrida da rodada italiana só terminou meses depois. JEV venceu, enquanto Ricciardo conquistou a segunda colocação. Apesar disso, o francês foi punido em 10s por cortar uma chicane, dando a vitória para o companheiro de Red Bull Junior Team. A Carlin recorreu, e a decisão saiu só no segundo semestre do ano devolvendo os pontos a Vergne.
A largada em Mônaco até pareceu F1. Carros com as corres da Red Bull, da Marussia e da Renault nas primeiras posições
O bom desempenho em Monza motivou Ricciardo. Em Mônaco, o piloto da ISR se aproveitou do tempo extra de pista – ao também ter testado pela Toro Rosso – para conseguir a pole-position com facilidade. Ricciardo largou na frente e dominou a corrida de ponta a ponta, apesar de ter sido pressionado por Wickens durante toda a prova. Com Brendon Hartley terminando na terceira colocação, o pódio foi formado por três pilotos que já fizeram parte do Red Bull Junior Team em algum momento.
Quem não andou bem em Mônaco foram Vergne e Rossi. Enquanto o francês foi apenas o 12º, o americano abandonou. A sorte de ambos não melhorou muito em Nürburgring. Vergne voltou a não conseguir terminar uma prova, terminando a outra em quarto. Rossi sequer completou uma volta na pista alemã.
O fraco desempenho do francês não podia ter vindo em uma etapa pior. O líder da temporada após a corrida alemã ganharia um treino com um carro antigo da Renault e o piloto era um dos que estava na briga, ao lado do companheiro de equipe, Robert Wickens. O canadense se aproveitou dos problemas do companheiro para conquistar duas pole-position, vencer uma prova e terminar a outra em segundo.
Aliás, foi justamente em Nurburgring que Kevin Korjus venceu pela terceira vez na temporada. O estoniano de apenas 19 anos fez uma prova história ao receber a bandeira quadriculada na frente mesmo largando em último. É claro que ele contou com a entrada do safety-car após um acidente entre Jake Rosenzweig e Anton Nebylitsiy e foi beneficiado por já ter ido aos boxes, mas é uma tática justa. Cesar Ramos e André Negrão conseguiram bons resultados no geral.
A briga pelo título ficou entre Robert Wickens e Jean-Éric Vergne
Com a luta pelo título praticamente restrita aos garotos da Carlin, JEV se recuperou em Hungaroring ao conquistar duas vitórias e vendo Wickens terminando uma na quinta colocação e a outra em sétimo. O canadense deu o troco em Silverstone ao vencer as duas, enquanto o companheiro-rival acumulou apenas um quarto lugar.
A temporada nesse momento entrou em uma fase dramática para Cesar Ramos. Apesar de ter conseguido duas pole-position, o brasileiro começou a sofrer para conseguir o orçamento necessário para competir, chegando a correr o risco de ser obrigado a ceder a vaga a outro piloto. Um investidor apareceu e Ramos pode continuar.
No dia 17 de setembro a World Series chegou ao circuito de Paul Ricard para a penúltima etapa da temporada. Correndo em casa, JEV mostrou que estava recuperado ao cravar a pole-position para a primeira corrida. O piloto novamente venceu com facilidade, mas não conseguiu descontar pontos importantes para o campeonato, já que o canadense terminou logo em seguida.
Vergne voltou a largar na frente na segunda prova, mas o piloto não foi páreo para Alexander Rossi e Daniel Ricciardo. O quarteto fantástico voltou a mostrar a melhor forma com três representantes no pódio e Wickens só não completando a fila por conta de problemas durante a prova. Apesar disso, o canadense ainda marcou a melhor volta.
Robert Wickens e Jean-Éric Vergne chegaram a Barcelona para a rodada decisiva separados apenas por dois pontos. O clima para a decisão era tenso, com os pilotos decidindo não trabalhar na mesma garagem, mesmo sendo companheiros de equipe. Na manhã do sábado, Wickens deu um enorme passo para o título ao marcar a pole-position para a primeira prova. JEV não foi bem, largando apenas em nono.
Na corrida, enquanto o francês passou cada um dos rivais, Wickens disparou na frente. O canadense recebeu a bandeirada com uma vantagem de 21s para o companheiro de equipe e abriu uma diferença de nove pontos. A prova ainda foi marcada pelo forte acidente de Adrien Tambay, motivado por uma falha nos freios do carro do francês. Para azar do garoto, ele só competiu na rodada catalã devido a uma crise de labirintite de André Negrão. O desfecho da temporada, portanto, não foi o mais animador para nenhum dos dois.
Na corrida decisiva, pole-position para Albert Costa. Wickens largaria em segundo, enquanto Vergne, em quinto. No início da prova, o canadense tentou ganhar posições por fora, mas foi bloqueado pelos rivais. JEV mergulhou para ultrapassar o companheiro, mas ambos se tocaram duas vezes. O carro de Wickens teve a suspensão quebrada e se encaminhou à área de escape, mas também atingindo Nathanael Berthon.
Vergne seguiu na corrida, conquistando o título se as posições não se alterassem. Mas o carro da Carlin estava danificado e ele foi obrigado a ir aos boxes para fazer os reparos. No retorno à pista, o francês brigava para entrar na zona de pontos e pode sonhar com a taça até ser acertado por Fairuz Fauzy. Fim de prova para JEV e título de Wickens.
No final, com os dois carros da Carlin tendo abandonado, a vitória ficou com Albert Costa, a primeira do espanhol na categoria. Após a vitória, o piloto falou que essa pode ter sido a última corrida da carreira, já que sofreu com a falta de investidores em 2011.
No campeonato, Wickens levantou a taça depois dos vice-campeonatos da F2 e da GP3 em sequência. O piloto somou 241 pontos contra 233 de JEV. Alexander Rossi terminou o ano em terceiro, enquanto Costa foi o quarto. Daniel Ricciardo foi apenas o quinto, mas o australiano também não correu em Barcelona por conta do GP de Cingapura da F1, que aconteceu na mesma data.
Ao longo das 18 etapas de 2011, apenas quatro pole-position e quatro vitórias não foram obtidas pelo quarteto fantástico. Para 2012, JEV e Ricciardo serão a dupla da Toro Rosso na F1, enquanto Alex Rossi deve correr pela Air Asia na GP2. Wickens, mesmo com o título, ainda não anunciou planos, embora conte com apoio da Marussia.
Destaque de 2011 com três vitórias, Korjus deve voltar a competir na categoria. O estoniano terminou o ano na sexta colocação. Cesar Ramos, o 11º, também negocia para permanecer na World Series by Renault, enquanto a participação de André Negrão (20º) deve ser confirmada no início do próximo ano. O piloto deve seguir com a Draco.
Em 2012, nas vagas ocupadas pelo quarteto fantástico, a Carlin já confirmou que terá Kevin Magnussen e Will Stevens, enquanto a Fortec anunciou Carlos Huertas. A ISR ainda não falou em nenhum nome, mas deve ter Laurens Vanthoor, além do retorno de Dean Stoneman, enfim recuperado do câncer. Yann Cunha, na Pons, é o único brasileiro confirmado até o momento, mas Lucas Foresti e Felipe Nasr também podem aparecer.
Paul Di Resta comemorou muito quando soube ter sido eleito o Rookie of The Year por este blog
Para poder avaliar os cinco novatos da temporada 2011 da F1, o World of Motorsport fez um campeonato à parte entre esses pilotos. A cada prova, eles receberam pontos no clássico esquema 10-6-4-3-2-1, além de bônus para cada ponto que marcaram no campeonato normal da Fórmula 1.
Além dos quatro estreantes regulares – Pastor Maldonado, Paul Di Resta, Sergio Pérez e Jérôme D’Ambrosio – Daniel Ricciardo também entrou na competição por ter iniciado o campeonato na metade.
Assim, após o GP do Brasil, a pontuação dos cinco concorrentes foi contabilizada, e o resultado da tabela de pontos foi referendado. Paul Di Resta foi eleito o World of Motorsport Rookie of The Year de 2011, ao somar 176 pontos, em 2011.
Sergio Pérez ficou com a segunda colocação, com 133. O mexicano teve as chances de conquistar o título bastante comprometidas quando ficou de fora dos GPs de Mônaco e do Canadá. Enquanto o piloto da Sauber estagnou nessas duas etapas, Di Resta somou 16 pontos e disparou na liderança. A diferença final – de 43 pontos – no entanto, mostra que mesmo se Pérez tivesse corrido nessas duas provas dificilmente teria como desafiar o rival.
A terceira colocação foi de Pastor Maldonado, com 84, enquanto D’Ambrosio foi o quarto, com 72. O belga, aliás, recebeu 10 pontos apenas em um GP, no Canadá, quando os rivais abandonaram. Maldonado também conseguiu a pontuação máxima em uma única oportunidade, na Bélgica, quando também ganhou um ponto de bônus – garantindo 11 no total – devido à décima colocação na corrida.
Por ter entrado na temporada de forma atrasada e em um carro frágil como a Hispania, Ricciardo somou apenas 30 pontos.
Para relembrar, em 2010, Vitaly Petrov – que passou todo o final da temporada sem destaque – segurou Fernando Alonso na corrida de Abu Dhabi, garantiu os 10 pontos pela vitória entre os novatos e ainda ganhou oito pontos de bônus, para assumiu a liderança somando 147 pontos. Com isso, o russo foi o vencedor do primeiro prêmio World of Motorsport Rookie of The Year, de 2010. Em segundo lugar terminou Kamui Kobayashi com 135, seguido por Nico Hulkenberg, com 134. Depois vem Lucas Di Grassi, 55; Bruno Senna, 53 e Karun Chandhok, 38.
Para 2012, até o momento, apenas Jean-Éric Vergne e Charles Pic poderão participar da competição, já que Romain Grosjean, Daniel Ricciardo e Hulkenberg estão retornando à categoria. Obviamente, o mesmo vale também para Kimi Raikkonen e Pedro de la Rosa.
Do ponto de vista esportivo, a mudança na dupla da Toro Rosso foi sensacional
A Toro Rosso surpreendeu a todos ao anunciar a reformulação completa do plantel para a temporada 2012 da F1. Sébastien Buemi e Jaime Alguersuari foram chutados para a chegada de Daniel Ricciardo e de Jean-Eric Vergne.
Há duas maneiras de se analisar essa troca: do ponto de vista esportivo e do ponto profissional.
Falando desportivamente, não há nada de errado uma equipe decidir fazer uma reconstrução interna ao abrir mão dos dois pilotos titulares em prol de dois jovens promissores.
Alguém mais apressado pode até reclamar de injustiça com o Alguer em ser demitido justamente no momento em que parecia estar se adaptando à F1. Não é esse o caso na Toro. Prefiro ficar com a opinião do jornalista Edd Straw, da Autosport, que afirmou não ver problemas nessa mudança. Pelo contrário. A Red Bull bancou a carreira da dupla até a F1 praticamente toda e mesmo na categoria principal eles tiveram dois anos e meio, no mínimo, para provarem o talento. Assim, Straw diz que um monte de pilotos adoraria passar por esse tipo de injustiça de ter a carreira financiada.
O que deu errado para Buemi e para Alguersuari foi não ter conseguido impressionar na F1. É claro que ninguém esperava por vitória levando em conta a mudança de regulamento, que passou a obrigar a Toro Rosso a construir o próprio carro – sem comprar da Red Bull – desde 2009. Mas o antigo duo titular sequer conseguiu marcar pontos de forma constante, com o catalão tendo algum destaque agora no fim do ano.
Além disso, com a aposentadoria de Mark Webber cada vez mais próxima, a Red Bull tinha pressa em dar uma chance aos dois garotos para ver se algum deles tem condição de substituir o australiano no time principal. Não seria um bom parâmetro, por exemplo, colocar Vergne – considerado mais habilidoso – e deixar Ricciardo mofando na Caterham.
Do ponto de vista profissional, a Toro Rosso parece ter pisado na bola. Ao que tudo indica, os dois antigos titulares não sabiam da dispensa até poucos dias atrás. Assim é complicado para que ambos possam restabelecer a carreira e passar a negociar com outras equipes. Restam apenas os lugares da Williams e da HRT. Ou seja, é muito difícil que um dos dois siga na F1. Se eu fosse arriscar, diria que Alguer tem chance na Hispania apenas por ser espanhol. Buemi, por sua vez, não seria surpresa se seguisse os passos do compatriota Neel Jani e fosse correr de GT e de endurance.
A vaga de companheiro de Kimi Raikkonen na Renault está indefinida
O mês de dezembro chegou e, de uma forma até mesmo surpreendente, ainda há vagas abertas na F1, que estão relativamente longe de uma definição. Parecia que na metade da temporada o mercado de pilotos seria parado, já que as equipes grandes optaram por manter as duplas. No entanto, uma semana depois do encerramento do campeonato, quatro equipes estão com o futuro indefinido.
Os fracos resultados de Renault e Williams em 2011 forçaram as equipes passarem por profundas reestruturações. A primeira perdeu Robert Kubica ainda na pré-temporada e cometeu uma série de erros ao longo do ano, que obrigou a Vitaly Petrov e Bruno Senna se arrastarem pelo final do campeonato. Nesse meio tempo, Nick Heidfeld recebeu uma chance e Romain Grosjean venceu a GP2.
Só que os resultados não vieram e a cúpula da Genii, dona da equipe, ficou bastante irritada. Há um boato que aponta a demissão de Eric Boullier – que arquitetou as trocas de piloto e foi o responsável por trazer Heidfeld – e a contratação de Gerhard Berger para a função de chefe de equipe.
Berger assumiria a mesma função que teve na Toro Rosso, quando precisou reconstruir a equipe em 2008. Na época, o austríaco demitiu Scott Speed e Vitantonio Liuzzi para trazer Sebastian Vettel e Sébastien Bourdais, uma das duplas mais promissoras da história recente da F1.
Na Renault, Berger foi apontado como um ponto favorável pela permanência de Bruno Senna. Acho que a ligação do ex-piloto com Ayrton não seja o bastante para garantir o futuro do sobrinho. Por outro lado, também significa um duro golpe nas chances de Romain Grosjean. O francês é o favorito de Boullier, mas não tem muito prestígio com o austríaco.
A situação de Adrian Sutil é complicada. Tudo por conta da briga no início do ano
Na realidade, Petrov, Senna e Grosjean são pilotos equivalentes. O francês é mais talentoso, o russo tem mais experiência e o brasileiro é um Senna, mas na média todos estão no mesmo nível. A Renault não vai ganhar nada com a escolha de um deles. Por isso, se a equipe quiser fazer a reestruturação de um jeito mais amplo, ela precisa de um piloto top para ser companheiro de Kimi Raikkonen. Na F1, são poucos os nomes disponíveis. Rubens Barrichello, Timo Glock, Heikki Kovalainen e Jarno Trulli. Uma dupla Raikkonen/Barrichello ou Raikkonen/Trulli seria muito mais interessante, até em termos de desenvolvimento do carro que Grosjean/Petrov.
A Williams é outra equipe que tem uma vaga disponível. Mas ao contrário da Renault é a vaga de primeiro piloto. Por isso mesmo, não dá para imaginar que a equipe inglesa, depois de mexer em todo o staff técnico, trazendo Mike Coughlan, vai deixar o desenvolvimento do carro nas mãos de Pastor Maldonado, Valtteri Bottas e um terceiro novato endinheirado.
Está bastante claro que a segunda vaga da Williams será de um piloto experiente. É verdade que Rubens Barrichello pode ficar, mas Adrian Sutil também pode exercer essa função. Afinal, o alemão foi o responsável pelo progresso feito pela Force India nas últimas temporadas.
Falando em Sutil, é curioso ver que o piloto terminou e temporada em nono lugar e até agora não tem uma vaga garantida para 2012. E mesmo que feche com a Williams, estaria indo para uma equipe pior que a de Vijay Mallya. Lembra aquela briga no início do ano com Eric lux, da Gravity, na China? Então… alguém está encontrando uma série de portas fechadas na F1 e só deve arrumar uma vaga pelo dinheiro que tem.
Nico Hülkenberg e Paul Di Resta terão um ano decisivo em 2012
A Force India não deve ter nenhuma grande mudança. A saída de Sutil é praticamente um fato consumado, enquanto a nova dupla será Paul Di Resta e Nico Hülkenberg. De longe, essa é a parceria mais promissora de todo o grid. Di Resta e Hülk parecem ser dois pilotos foras de série, que têm condições de substituir os grandes nomes do esporte nos próximos anos. É bom lembrar que os contratos de Felipe Massa, Mark Webber, Michael Schumacher e da segunda vaga da Renault terminam no final do próximo ano. Portanto, uma boa temporada da dupla, pode significar voos maiores em 2013.
Por fim, tem a Toro Rosso. A tendência, no momento, é que Sébastien Buemi e Jaime Alguersuari fiquem para 2012. Em primeiro lugar, o campeonato já acabou. Não há mais nada que eles possam fazer para mostrar à equipe que podem continuar na F1. Nenhum dos dois provou que pode ser um piloto fora de série, então por qual motivo a decisão sobre o próximo ano ainda não foi comunicada?
Pior que isso. O coitado que for dispensado vai encontrar um mercado da F1 totalmente fechado, com a única vaga disponível sendo a da Hispania. Ou seja, a Red Bull investiu em Buemi e Alguersuari durante anos. Um vai ser dispensado e pronto, acabou a carreira dele. Muito legal, não é mesmo? E segundo, há uma especulação que coloca Daniel Ricciardo na Lotus, no lugar de Trulli.
Não faz o menor sentido o australiano ir para a Lotus se Buemi ou Alguersuari rodarem. Vai entrar quem no lugar? Jean-Éric Vergne, que tem a experiência de ter liderado um único treino dos novatos?
A situação na Toro Rosso parece que é a seguinte. Os dirigentes sabem que não vão conseguir extrair muita coisa de Buemi e Alguersuari, mas não querem tirar os dois da equipe. O suíço é mais lento e pouco promissor, enquanto o espanhol dizem que é incapaz de dar um feedback consistente. Ou seja, não dá para confiar o desenvolvimento do carro no catalão. Mas caso o equipamento de 2012 seja bom, não dá para ficar com o suíço, pois ele vai continuar tendo um fraco resultado. Aí que fica o impasse em quem demitir.
Carlos Sainz Jr será um dos pilotos da Carlin na temporada 2012 da F3 Inglesa
A Carlin anunciou nesta quinta-feira, dia 3, o espanhol Carlos Sainz Jr como substituto de Felipe Nasr para a temporada 2012 da F3 Inglesa.
Faltam seis meses para o início do próximo campeonato e nem mesmo começaram os treinos coletivos de pós-temporada, ainda assim, mesmo que Sainz mal tenha participado de alguns poucos testes privados, é inegável que o espanhol assume o posto de favorito ao título de 2012.
Sainz é piloto em desenvolvimento da Red Bull, cargo em que já estiveram presentes nomes como Jaime Alguersuari, Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne. Todos competiram na F3 Inglesa pela Carlin e venceram o título na temporada de estreia na categoria. Do trio, apenas Alguersuari teve trabalho para levantar a taça, mas também foi o único que teve concorrência de outro piloto rubro-taurino (Brandon Hartley na ocasião).
O que poderia pesar contra Sainz nesse primeiro ano de F3 Inglesa é o fato de ele só ter um único título na carreira – o da inexpressiva F-Renault NEC. Quando o garoto esteve na F-BMW e na F-Renault Eurocup – competindo contra os principais nomes da geração – não conseguiu confirmar o favoritismo e ficou sem a taça no final do ano.
Alguém mais apressado poderia dizer que esse retrospecto condena Sainz, que deverá ter muitas dificuldades em 2012. Ainda que isso possa ser verdade, o espanhol não vive uma situação inédita dentro da Red Bull. Do trio Alguersuari-Ricciardo-Vergne, apenas o australiano chegou à F3 Inglesa com um título na carreira, a exemplo de Sainz, era o da menos importante F-Renault WEC.
Alguersuari, por exemplo, havia sido vice-campeão da F-Renault Italiana e apenas quinto colocado no certame europeu, enquanto Vergne acumulara vice-campeonatos na WEC e na Eurocup.
O que pode dificultar a vida de Sainz é encontrar adversários melhores preparados que os enfrentados pelos companheiros de Red Bull. Alguersuari e Vergne só tiveram novatos como concorrentes ao título. Enquanto o catalão duelou com o já citado Hartley, além de Oliver Turvey (apoiado pela Racing Steps Foundation), Marcus Ericsson e Sergio Pérez, o francês teve James Calado (também da RSF) e Oli Webb como principais rivais. Ricciardo, por sua vez, teve a vida muito mais fácil ao disputar contra nomes como Max Chilton e Walter Grubmuller, fora Renger van der Zande, que sequer participou de todas as provas.
Sainz, em 2012, cai em uma categoria que teve certa valorização nos últimos anos. O espanhol pode ter que enfrentar Jack Harvey (mais um da RSF) na luta pelo título. O inglês, que teve um 2011 bastante irregular na F3, é conhecido por demorar a se adaptar ao equipamento, mas é muito habilidoso e, em situação parecida, derrotou Sainz na F-BMW de 2010 (embora o campeão tenha sido Robin Frijns).
A chegada de Sainz, portanto, pode afetar o próprio mercado de pilotos da F3 Inglesa para 2012. Com um piloto forte – e que terá a preferência da Carlin – alguns garotos, que precisem de resultados mais imediatos na carreira, podem ser afugentados. Não seria bom, por exemplo, alguém escolher o campeonato inglês para correr caso haja a pressão de patrocinadores por títulos. Para esses, talvez fosse melhor optar por um campeonato mais equilibrado em termos de equipes.
Outros nomes já confirmados para o próximo ano incluem Alex Lynn, atual campeão da F-Renault UK, na Fortec, ao lado do brasileiro Pipo Derani. Como já é de praxe, o World of Motorsport acompanha tudo o que acontecer na F3 Inglesa em 2012.
A F1 chega ao Japão para a etapa que pode definir Sebastian Vettel como bicampeão da categoria. Se em 2010, o piloto da Red Bull abusou dos erros e permitiu que o título fosse definido – de forma dramática – apenas na corrida final, em Abu Dhabi, neste ano, o alemão dominou de forma impressionante e pode conquistar a taça com quatro rodadas de antecipação.
Independente dos resultados que tiver nas últimas cinco corridas, Vettel só perde o título se Jenson Button vencer todas, o que é praticamente impossível. E ainda que o piloto da McLaren triunfe em todas essas etapas, o alemão só precisa marcar um ponto para assegurar a taça. Ou seja, Game Over desde já.
Ainda que a vantagem de Vettel seja bastante grande, o GP do Japão pode ser atípico, afinal é a chance de o alemão garantir o bicampeonato. É provável que caso o piloto da Red Bull não tenha o carro dominante, ele adote uma estratégia conservadora para tentar terminar em quarto ou quinto e levantar a taça. A outra opção é Vettel dominar desde o primeiro treino, marcar a pole-position e passear rumo à vitória, o que é bem mais provável.
No entanto, não importando qual das duas opções seja adotada pela Red Bull, Vettel vai evitar disputar posições desnecessárias. Isto é, correr um risco muito grande em uma corrida com tamanha importância.
Quem está disposto a correr riscos é Lewis Hamilton. O outro piloto da McLaren passou a semana bombardeado pela mídia por conta dos acidentes em Cingapura e ainda viu Felipe Massa afrontá-lo. Depois, o rádio da Ferrari vazou e a situação do brasileiro ficou bastante ruim, pois seu engenheiro o ordenara a “destruir a corrida de Hamilton”.
É claro que o engenheiro não falava literalmente, assim como é obvio que se Hamilton teve problemas em Marina Bay foi ele mesmo que causou. Mas essa confusão rendeu um extenso noticiário ao longo da semana. Minha opinião é que você não deve acreditar em tudo o que ler e ouvir por aí – exceto este blog. Se Galvão Bueno passa semana após semana falando que o piloto da McLaren está em má-fase e não tem condições mentais de pilotar um carro da F1, a imprensa inglesa encarna esse mesmo posto ao apontar as falas do engenheiro de Felipe Massa como criminosas e a atitude do brasileiro – de puxar briga – como deselegante.
Com Vettel, Button, Hamilton e Massa no centro das atenções, pouco pode se falar do pelotão do meio. De todas, o caso mais interessante é na Force India onde Paul Di Resta pode ultrapassar Adrian Sutil na tabela de pontos até o final de ano. É inegável que depois de Sebastian Vettel e Jenson Button, os pilotos mais valorizados em 2011 é justamente a dupla do time indiano, mas quem terminar atrás – principalmente Sutil (rapaz, como isso soou mal) – terá todas as desvantagens de ser a sombra do companheiro de equipe. Qual o problema disso? Basta lembrar que Nico Hulkenberg está sedento para voltar à F1.
A outra equipe que merece menção é a Renault, que teve um final de semana horrível em Cingapura e agora busca recuperação. Bruno Senna tem conseguido superar Vitaly Petrov com bastante facilidade, mas já cometeu erros tanto na Bélgica como em Marina Bay. A cúpula da equipe anglo-francesa já andou falando por aí que espera mais do brasileiro. O que é natural. Bruno tem chances de voltar aos pontos, principalmente se os rivais abandonarem. Do contrário, superar Petrov e chegar ao Q3 continuam sendo boas metas.
No pelotão de trás, não tem nada de interessante. O máximo é ver se Daniel Ricciardo consegue terminar na frente das Virgin, visto que o australiano já começa a superar regularmente o companheiro, Vitantonio Liuzzi.
Meu palpite furado para a corrida é pódio similar ao de Abu Dhabi. Vettel e os dois pilotos da McLaren. Em qual ordem? Vou apostar em Button, Hamilton e Vettel, mas acho que o alemão leva essa.
Paulista, estudante de jornalismo na Universidade de Brasília. Entusiasmado por qualquer coisa que tenha quatro rodas, um motor e possa fazer ultrapassagens.
Criou o World of Motorsport para poder contar a alguém tudo que acontece no mundo dos esportes a motor, desde as quatro curvas de Bristol até os 13,6km de Le Sarthe.