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Danica e Simona

fevereiro 14, 2014
Danica Patrick

Danica teve um ano de altos e baixos na estreia na Nascar

Essa foi uma longa semana para as mulheres no automobilismo. Dois dos principais nomes da modalidade, Danica Patrick e Simona de Silvestro, estiveram no noticiário pelos motivos mais distintos.

Tudo começou na segunda-feira quando Richard Petty, o maior vencedor da história da Nascar, foi questionado sobre as chances de vitória de Danica em 2014 em um evento que participava no Canadá.

Petty respondeu que a americana só vai ganhar “se todos os outros pilotos ficarem em casa”. O heptacampeão também abusou de todos os chavões machistas para dizer que a pilota “se fosse homem, ninguém perceberia que estava na pista”.

O que The King talvez tenha esquecido é que Danica foi uma novata na Nascar no ano passado, por isso teve um desempenho abaixo dos demais pilotos. Talvez seja mais justo compará-la a outro competidor que também tenha deixado os monopostos para andar no principal campeonato do turismo norte-americano.

Um bom exemplo seria AJ Allmendinger, que trocou a Indy pela Red Bull da Nascar em 2007. Naquele ano, o piloto se classificou para apenas 17 das 36 corridas, não terminou no top-10, não largou na pole e liderou apenas uma única volta das 5373 que completou.

Danica, por outro lado, correu em todas as 36 etapas de 2013, liderou cinco voltas, conquistou um top-10 e largou na primeira colocação em Daytona. Enquanto teve um desempenho muito ruim em alguns circuitos no começo da temporada, mostrou boa habilidade nos superovais onde, ao contrário do que pensa Petty, ela realmente tem chances de vitória.

Simona será reserva da Sauber na F1

Simona será reserva da Sauber na F1

Pela lógica do heptacampeão, com o desempenho mostrado nas primeiras temporadas na Nascar, ninguém teria notado que Allmendinger estava nas pistas. O irônico disso tudo é que, ao ser demitido pela Red Bull, AJ foi contratado pela equipe de Petty e acabou até mesmo dirigindo o icônico carro de número 43.

A outra mulher nas notícias é Simona de Silvestro, que também deixou a Indy. No entanto, ao contrário dos colegas, a piloto suíça recebeu uma proposta da Sauber na F1 para ser reserva e tentar uma vaga na equipe em 2015.

O curioso dessa história é que Simona é a terceira reserva que o time europeu contratou para este ano. Além dela, a escuderia já tinha acertado com Sergey Sirotkin e com Giedo van der Garde.

Levando em conta que os dois titulares – Adrian Sutil e Esteban Gutiérrez – também contam com bons patrocinadores, será interessante ver a disputa pelos assentos na próxima temporada. Espero que com Simona não comece a ladainha de que só conseguiu essa oportunidade por ser mulher.

Rycas

agosto 6, 2013
Danica Patrick é a quinta mulher mais bem paga nos esportes, o que é algo bom para o automobilismo

Danica Patrick é a quinta mulher mais bem paga nos esportes, o que é algo bom para o automobilismo

A revista americana Forbes divulgou na segunda-feira, dia 5, a lista das dez mulheres mais bem pagas nos esportes. Encabeçado por Maria Sharapova o ranking tem três aspectos interessantes: ele é completamente dominado por tenistas, das dez primeiras colocadas, apenas três estão entre os 100 maiores vencimentos do mundo do esporte (ou seja, os outros 97 são homens) e, para nós ligados ao automobilismo, a presença de Danica Patrick.

Para chegar ao resultado final, a Forbes somou o que as esportistas ganham de salário e de premiação nos campeonatos com o que recebem dos patrocinadores. Assim, Sharapova, que ganhou ‘apenas’ US$ 6 milhões em prêmios entre os meses de junho de 2012 e junho de 2013, aparece na frente de Serena Williams, cujos ganhos no circuito foram US$ 8,5 milhões, mas recebe US$ 11 milhões a menos que a colega de patrocínio.

Dito isso, levando em conta apenas o ganho em premiação/salário, Serena só perde no mundo do tênis para Novak Djokovic, que embolsou US$ 12,9 milhões nesse período. Ela esta à frente de nomes como Roger Federer e Rafael Nadal. Entretanto, nesse quesito ela é apenas a 90ª atleta mais bem paga do mundo. Neymar, por exemplo, é o 89º, com US$ 10,5 milhões de salário, enquanto o líder é o jogador de futebol americano Aaron Rodgers, com US$ 43 milhões.

Por que estou dizendo isso? É que apesar de Serena ganhar cinco vezes menos que Rodgers, ela recebe uma quantia que está de acordo com o cenário do tênis mundial. O esporte das bolinhas e das raquetes, aliás, foi um dos primeiros no mundo a equiparar a premiação dada a homens e mulheres. Ou seja, os campeões de cada torneio, independentemente do sexo, embolsam o mesmo dinheiro. Assim, os vencimentos no fim do ano dependem apenas daquilo que produzem nas quadras.

Portanto não é coincidência que sete das dez mulheres mais bem pagas no esporte sejam tenistas.

Maria Sharapova é a mais bem paga entre as mulheres

Maria Sharapova é a mais bem paga entre as mulheres

Nisso aparece Danica Patrick. Você até pode argumentar que o desempenho dela nas pistas não é suficientemente bom para colocá-la entre as atletas mais bem pagas. Eu concordo, mas os US$ 6 milhões ganhos entre salários e prêmios pela americana estão bem distantes dos US$ 17,3 milhões de Jimmie Johnson ou dos US$ 13 milhões de Dale Earnhardt Jr.

Na verdade, eu até acho que ela recebe menos do que deveria. De acordo com o site Racing Reference, Danica embolsou US$ 2,13 milhões como prêmio nas primeiras 21 etapas da Nascar neste ano. Apesar de ser uma quantia elevada, ela é a 32ª colocada no ranking do dinheiro, mesmo ocupando a 27ª colocação na tabela de pontos e já tendo conquistado uma pole-position e um top-10 em 2013.

A efeito de comparação, o namorado da pilota, Ricky Stenhouse Jr, também novato na Nascar, é o 14º que mais prêmios recebeu em 2013, com US$ 3,1 milhões. Apesar disso, ele é somente o 21º na tabela de pontos e não conquistou pole, tampouco terminou alguma prova entre os dez primeiros.

Mas pode haver uma explicação por trás disso. Como no sistema de premiação da Nascar a posição em que um piloto termina a corrida é apenas um quesito para determinar o quanto ele ganha, Danica pode ter andado melhor em corridas que pagam menos, enquanto andou mal em provas que dão mais grana aos competidores. Por isso acabaria não havendo uma correspondência entre a posição na tabela e a posição no dinheiro.

Por fim, não é novidade que as mulheres sofrem no meio esportivo. Além de todo o assédio e da agressão sexual que acontece durante o trabalho, a lista da Forbes está aí para provar a tremenda desigualdade que existe entre os gêneros em termos de pagamento.

Enquanto, ainda segundo a Forbes, no basquete americano o teto salarial é de US$ 107 mil para as mulheres e o piso para os homens é de cerca de US$ 500 mil, ao menos o automobilismo parece remar na direção oposta, premiando os competidores pelo resultado na pista independentemente do gênero.

Efeito Danica na Austrália

fevereiro 15, 2013
Casey Stoner é o único motivo pelo qual a Dunlop Series ficou conhecida no mundo

Casey Stoner é o único motivo pelo qual a Dunlop Series ficou conhecida no mundo

Quando Danica Patrick disputou a Nationwide de forma integral no ano passado – e já havia largado na pole-position em Daytona – a principal reclamação dos pilotos era que ela monopolizava as atenções. Ou seja, não importava a qualidade do grid, mesmo contando com nomes como Justin Allgaier, Sam Hornish Jr e o campeão Ricky Stenhouse, todo mundo só falava da americana.

De qualquer forma, é inegável que já naquela época a Nationwide tinha uma penetração no mundo razoavelmente grande. Hornish, Allgaier e Stenhouse podem não ser pilotos famosos para um torcedor comum, mas são nomes razoavelmente conhecidos, já que estão no esporte faz algum tempo.

Mas o que dizer da Dunlop Series, a equivalente à Nationwide na V8 Supercars da Austrália, uma categoria que praticamente ninguém nunca ouviu falar? É que agora ela está em evidência, pois Casey Stoner, bicampeão da MotoGP, vai correr por lá neste ano enquanto se prepara para pular para a categoria principal.

Nesta semana, a V8 Supercars disputa a abertura do campeonato 2013 naquele velho conhecido circuito de rua de Adelaide. Stoner, evidentemente, esteve presente nos treinos e não fez feio. O agora piloto da Holden conquistou a nona colocação no primeiro treino livre e avançou ao oitavo posto na segunda atividade, isso em um grid de 30 carros.

O curioso dessa história é que o resultado da Dunlop Series rodou o mundo, obviamente pela presença de Stoner. Quanto aos treinos da divisão principal da V8 Supercars, ninguém faz ideia de quem foi o mais rápido. Aliás, o próprio líder da divisão de acesso foi um mistério. Pouca gente ficou sabendo que Chaz Mostert e Dale Wood comandaram as atividades. Menos pessoas ainda fazem ideia de quem são esses caras. Assim, não deixa de algo parecido ao efeito Danica, mas agora na Austrália.

De qualquer forma, há algumas diferenças entre esses dois casos. Inegavelmente, Danica já conseguiu resultados expressivos na Nascar, como as poles em Daytona e um top-5 na Nationwide. Stoner ainda está zerado, embora a perspectiva é de obter resultados promissores já nesta etapa.

Além disso, a expectativa é que o australiano tenha uma carreira duradoura nessa nova empreitada, que não só pule para a divisão principal, mas que também possa brigar por vitórias e títulos em alguns anos.

Como funcionam os treinos em Daytona (edição 2013)

fevereiro 8, 2013
Danica Patrick e Jeff Gordon estão garantidos na primeira fila da Daytona 500 de 2013

Danica Patrick e Jeff Gordon estão garantidos na primeira fila da Daytona 500 de 2013

Depois de torneios de inverno e competições em lugares longínquos, a temporada 2013 do automobilismo mundial começou para valer neste fim de semana. E logo de cara tivemos um resultado histórico, com Danica Patrick se tornando a primeira mulher a largar na pole-position na Nascar. O feito foi ainda mais especial, pois foi conquistado justamente na principal corrida do ano, na Daytona 500.

Portanto, no próximo domingo, a ex-pilota da Indy vai comandar o grid de 43 carros, sendo seguida por Jeff Gordon, o segundo no treino deste domingo, dia 17.

Mas quem vem depois? Quem larga entre as posições 3 e 43 do grid? Em Daytona, o regulamento é diferente das demais etapas do campeonato, pois além do qualifying ainda conta com corridas de classificação – chamadas de Budweiser Duels –, que serão disputadas na quinta-feira.

Além disso, o regulamento para 2013 mudou, dando ênfase ao desempenho nos treinos classificatórios. Por isso, o World of Motorsport faz uma breve explicação de como o grid de largada da Daytona 500 será formado. Antes disso, vale uma observação. Primeiro vou explicar como são as novas regras deste ano e depois comento as diferenças com relação a 2012. Farei dessa forma para não confundir e deixar tudo mais claro.

Com já dito anteriormente, o treino classificatório das 500 Milhas de Daytona foi disputado neste domingo, coroando Danica Patrick. Além dela, quem também já tem posicionamento garantido na corrida é Jeff Gordon. O tetracampeão ficou com o segundo tempo na tomada de tempo e completa a primeira fila no próximo domingo.

Trevor Bayne foi o terceiro colocado neste domingo, mas ainda não sabe em que posição larga na 500

Trevor Bayne foi o terceiro colocado neste domingo, mas ainda não sabe em que posição larga na 500

A partir daí, do terceiro ao 32º colocado serão definidos a partir das corridas de quinta, os Duels. No primeiro duelo, vão participar todos os pilotos que se classificaram em posições ímpares neste domingo. Ou seja, Danica vai largar na pole, seguida por Trevor Bayne, Tony Stewart, Denny Hamlin e Joey Logano. Também vão competir nomes como Dale Earnhardt Jr, Jimmie Johnson, Brad Keselowski e Kevin Harvick. No segundo duelo, Jeff Gordon sai na frente, seguido por Ryan Newman, Kasey Kahne e Kyle Busch.

Assim, os 15 primeiros colocados de cada prova – sem contar Danica e Gordon – alinham entre os terceiro e 32º posto. Vamos supor que o resultado do Duel 1 seja Harvick, Hamlin e Bayne. Com isso, Harvick vai largar em terceiro na 500, Hamlin será o quinto, Bayne partirá do sétimo lugar e assim por diante, até o 31º. No segundo Duel, acontece a mesma coisa. O ganhador da corrida partirá da quarta colocação, o segundo sairá em sexto e dessa forma até completar os 32.

As posições 33 a 36 são destinadas aos quatro mais rápidos do treino deste domingo, mas que não terminarem no top-15 de cada duelo. Ou seja, neste momento, Bayne, Newman, Stewart e Kahne já estão garantidos na Daytona 500 mesmo que se acidentem ou tenham problemas mecânicos na quinta-feira. Se eles terminarem no meio da semana entre os 15 primeiros de seu duelo, essas vagas vão para o próximo mais rápido.

De qualquer forma, caso algum piloto tenha problemas nos Duels e não consiga se classificar nas vagas destinadas aos mais rápidos do treino, ainda há uma esperança de participar da tradicional corrida. Isso porque as vagas entre o 37º e o 42º lugar são destinadas aos seis primeiros colocados da temporada de 2012, no campeonato de donos de equipe.

Ou seja, mesmo que tenha todos os problemas do mundo nos próximos dias, Brad Keselowski ao menos larga em 37º, já que o carro número 2 de Roger Penske foi o vencedor entre os donos de equipe no ano passado. Além dele, também já estão garantidos na corrida por esse critério Clint Bowyer, Jimmie Johnson, Greg Biffle, Denny Hamlin e Ricky Stenhouse Jr (via pontos obtidos por Matt Kenseth no carro número 17 de Jack Roush). Kasey Kahne também poderia entrar por pontos, mas ele já garantiu classificação por velocidade, que tem a prioridade, como dito acima.

Ok, fotos da Danica nunca são demais (espero que o Stenhouse não leia isso)

Ok, fotos da Danica nunca são demais (espero que o Stenhouse não leia isso)

Por fim, resta uma última posição. O 43º lugar é destinado a um ex-campeão que não tenha entrado por nenhum critério anterior. Neste momento, é Kurt Busch quem assume esta vaga. No entanto, caso o polêmico piloto consiga se classificar via Duels, velocidade ou pontos, Matt Kenseth, Bobby e Terry Labonte também podem se aproveitar dessa regra.

Caso todos os ex-campeões consigam classificação por algum dos critérios anteriores, o último lugar do grid será destinado ao próximo piloto no campeonato de donos de equipe de 2012, Kevin Harvick.

Com relação a 2012, as novas regras alteraram principalmente a premiação de cada duelo. Antes, na primeira prova de quinta-feira largavam, além do pole deste domingo, os pilotos cujos carros terminaram em posições ímpares no campeonato dos donos de equipe da temporada anterior. Já no Duel 2, os classificados em posições pares e mais o segundo deste domingo. Cada Duel classificava dois pilotos fora do top-35 para a corrida, além de definir o grid pelo resultado de chegada, da mesma forma que acontece hoje.

Aí sobrariam quatro ou cinco vagas. Elas eram destinadas aos quatro pilotos mais rápidos no treino classificatório, mas que não conseguiram entrar via Duel nem largar na primeira fila. A última posição também era destinada a um ex-campeão.

Na prática, a grande mudança é que hoje apenas 13 pilotos já estão garantidos na Daytona 500, enquanto no ano passado, após o treino classificatório, 39 já estavam definidos. Além de ficar mais fácil de entender como funciona, ainda valorizou as corridas de quinta-feira, já que nomes como Kyle Busch, Dale Earnhardt Jr e Carl Edwards ainda podem ficar de fora.

P.S.: você pode clicar aqui e ver um post que eu escrevi ainda em 2010 explicando as antigas regras do treino classificatório de Daytona

A quase vitória de Milka Duno

julho 2, 2012
Milka Duno

Aos 40 anos, Milka Duno, está, digamos, cheia de charme

Quando Nelsinho Piquet venceu em Road America, pela Nationwide, inegavelmente Danica Patrick também havia sido um dos destaques da corrida. A americana estava na briga para terminar na terceira colocação, quando foi tocada por Jacques Villeneuve, sendo obrigada a abandonar a prova na última volta.

Neste final de semana, uma antiga rival da americana teve um desempenho parecido. A icônica Milka Duno reapareceu na Arca, onde disputou a etapa no circuito misto de New Jersey. Correndo com o carro de número 94 da equipe de David Leiner, a venezuelana – agora com 40 anos, mas mantendo o charme de sempre – terminou a corrida na décima colocação. E, pasme, 32 pilotos largaram!

Embora Danica – e principalmente Milka – não tenha sido destaques da Indy nos circuitos mistos, as duas aos poucos vão mostrando que pegaram a mão desse tipo de pista. Ainda que a adaptação aos ovais esteja demorando, elas começam a conseguir alguns bons resultados nas categorias onde resolveram seguir carreira.

É bastante curioso ver Milka Duno brigando por uma boa posição. Aliás, o décimo lugar em New Jersey é o melhor resultado da pilota desde a vitória (!) na categoria LMP2 da Petit Le Mans de 2004. Depois disso, ela conseguiu um 11º lugar no Texas, já correndo pela Indy, em 2007, mas naquele ano a categoria ainda não havia se juntado com a Champ Car e mal colocava 20 carros na pista.

Pela Dale Coyne, em 2010, o melhor resultado de Milka veio nas etapas de Chicago, Kentucky e Motegi, quando terminou em uma excelente 19ª posição. Nesse ritmo de evolução, será que poderemos ver alguma vitória?

P.S.: Ah sim, a corrida foi vencida por Andrew Ranger, que já participou da Champ Car, mas fez carreira na Nascar do Canadá.

Guia da Nascar Nationwide Series 2012

fevereiro 23, 2012
Nascar Nationwide 2012

Nascar Nationwide Series, mas também pode chamar de Sprint Cup B

Para dar continuidade às celebrações pelo retorno da temporada 2012 da Nascar, hoje é a vez do guia da Nascar Nationwide Series aqui no World of Motorsport. Bom, para falar a verdade, você não precisa ler nada do que eu escrevi aqui. Só passar o mouse para ver umas fotos da Danica e está de bom tamanho. Isso porque a Nationwide virou uma mentira. A Nascar finge que a categoria é uma divisão de acesso e a gente finge que assiste. Então, não perca seu tempo, leia o guia da Sprint Cup que é a mesma coisa. Os pilotos cada vez mais são os mesmos.

Ok, ainda há alguns jovens talentos no certame. Vou apresentá-los aqui nos primeiros parágrafos e depois eu meto o pau na categoria no restante.

Para começar, não dá para falar na Nationwide em 2012 sem citar a participação integral de Danica Patrick, essa que é a verdade. Finalmente a americana escolheu participar apenas dos campeonatos de turismo, deixando a Indy para trás. É uma decisão sensata. Nos monopostos, Danica já estava com a carreira estagnada, agora chegou o momento de ela tentar algo novo, mesmo que os resultados devem continuar iguais os de antes: nulos.

Danica Patrick

Não dá para ignorar a presença de Danica Patrick na Nationwide em 2012. Ela será o centro das atrações

No entanto, a expectativa em relação a piloto para esse primeiro ano completo é bastante grande. Pelo que ela demonstrou nas etapas em que participou em 2011, não é absurdo pensar em título. Quando ela deixou a Nationwide para se dedicar exclusivamente à Indy, estava no top-5 da classificação geral, então, a tendência é que ela tenha melhorado em relação ao ano passado. No entanto, essa é uma previsão muito otimista. Terminar o ano entre os cinco primeiros pode ser considerado de bom tamanho para a nova centro das atenções.

Em 2012, Danica terá Cole Whitt como companheiro na equipe de Dale Earnhardt Jr. O piloto mais popular da categoria pode receber todas as críticas do mundo pela falta de vitórias na Sprint Cup, mas ele comanda uma das equipes mais sérias que tem na divisão de acesso. Nos últimos anos, Dale Jr. foi um dos poucos pilotos a darem espaço para jovens talentos. Foi ele, por exemplo, quem descobriu Brad Keselowski praticamente do nada.

No ano passado, Jr. teve Aric Almirola no segundo carro e o piloto de origem cubana conseguiu subir para a Sprint na atual temporada. Para substituí-lo, Earnhardt Jr. aproveitou a extensa rede de contatos que tem para saber quem ele poderia contratar. As indicações foram de forma quase unânime em Cole Whitt, tirado à força do programa da Red Bull. Agora, a JR Motorsport tem um novo garoto para apostar. Dale Jr. já mostrou que ele é um chefe rígido. Demite mesmo, se for necessário. Mas caso o jovem consiga prevalecer na categoria, então estará em um bom caminho para seguir os passos de Keselowski e de Almirola, que chegaram à divisão principal.

O outro novato de destaque na Nationwide em 2012 é Austin Dillon, neto de Richard Childress e atual campeão da Truck Series. O piloto, que corre com o histórico número 3 – usado por Dale Earnhardt Sr. – foi tão bem na truck, que chega à divisão intermediária considerado um dos favoritos, mesmo ainda sendo apenas um novato.

Além de Dillon, os outros nomes na briga pelo título são do atual campeão Ricky Stenhouse Jr., Trevor Bayne (que ainda não está confirmado de forma integral, mas vai pilotar o carro 60, que tinha Carl Edwards), Elliott Sadler, Brian Scott, Justin Allgaier e Michael Annett. O restante, ou é novato, ou vai fazer figuaração.

Além de Dillon, há outros nomes interessantes na briga pelo título. Ricky Stenhouse Jr., o atual campeão, é certamente o favorito. Também na equipe de Jack Roush, Trevor Bayne (que ainda não está confirmado de forma integral, mas vai pilotar o carro 60, que foi de Carl Edwards desde a última era glacial) tem boas chances de terminar com o título, afinal ele é um dos pilotos mais experientes na divisão e terminou 2011 em alta com a vitória no Texas.

Brian Scott, que compete para Joe Gibbs, corre por fora, mas o piloto pode ser beneficiado pelo fato de que Kyle Busch não vai disputar etapas pela equipe (correrá somente pelo próprio time).  Justin Allgaier, da Turner, é outro que venceu no certame em 2011 e pode entrar na briga pela taça caso acabe com o problema da inconsistência que o acompanhou nos últimos anos.

Sam Hornish Jr.

Sam Hornish Jr. venceu pela primeira em 2011 e pode ser considerado um dos favoritos ao título

O último que merece algum destaque é Sam Hornish Jr., que volta a correr de forma integral pela Penske. Com a vitória em Phoenix, no final do ano passado, o americano tem boas chances de título e seria muito interessante se isso acontecer, afinal não é possível que ele tenha desaprendido a correr em ovais desde que deixou a Indy.

Elliott Sadler, Blake Koch, Tayler Malsam e Michael Annett (este agora na equipe de Richard Petty) são os últimos nomes de interesse nesse campeonato. O restante, ou é novato, ou vai fazer figuração.

Bom, para terminar de apresentar os novatos, ainda há a presença de Johanna Long, que vai competir de igual para igual com Danica Patrick no campeonato feminino. A pilota menos famosa, no entanto, só vai disputar 20 das 33 etapas ao longo do ano pela equipe MB, a única localizada no estado de Indiana (lar da Indy) e não na Carolina do Norte. (Curioso né? Deveria ser Danica e não Johanna nesse time, vendo por esse lado.

Jason Bowles, campeão da Nascar West em 2009, também é outro que garantiu vaga em tempo integral e vai competir pelo Novato do Ano, assim como o desconhecido Joey Gase, que alguns anos atrás ganhou uma bolsa depois de se destacar naquele programa Richard Petty Driver Experience, onde você pode pilotar um carro da Nascar em alguns ovais nos Estados Unidos.

P.S.: no fim, eu até acabei esquecendo de dizer que Nelsinho Piquet vai participar de algumas etapas da categoria em 2012, mais para o final do ano. Dependendo do resultado na Truck Series, ele poderá fazer a transição de certames em 2013. Miguel Paludo também pode estar em algumas corridas, mas isso ainda não é certo.

Agora com os principais pilotos devidamente apresentados, chegou a esperada hora de criticar a Nationwide.

Kyle Busch Nationwide

Cerca de 60% das pouco mais de 100 vitórias na carreira de Kyle Busch foram conquistadas na Nationwide

Acostumada a ter grid cheios de jovens promissores, a Nationwide se tornou nos últimos anos a divisão mais chata da Nascar. Ao invés de garotos querendo aparecer, pouco a pouco a categoria passou a ser invadida pelos pilotos da divisão principal – recebendo a alcunha de Sprint B – o que fez com que as provas de sábado, se tornassem uma preliminar malfeita das corridas dos domingos.

Nos últimos anos, Carl Edwards, Brad Keselowski Kasey Kahne, Brian Vickers, Clint Bowyer, Joey Logano e Kevin Harvick se tornaram nomes dominantes na categoria em detrimento dos jovens talentos. E o que falar de Kyle Busch? Ele se tornou o piloto mais vitorioso da história da categoria de acesso, mas que colecionou vexames pela falta de competitividade nos momentos decisivos da Sprint Cup, além de ser marcado por um comportamento no mínimo controverso.

No entanto, desde 2011, a situação da Nationwide começou a melhorar. A Nascar instituiu uma regra que obriga os pilotos a escolherem apenas uma divisão para somarem pontos. Assim, mesmo que disputem a temporada completa, os pilotos da Sprint Cup passaram a uma posição de coadjuvantes, embora ainda continuem dominando as provas.

Com os pilotos da Sprint não pontuando, a consequência foi um aumento dos participantes exclusivos da Nationwide. É verdade que nem todo mundo confirmado na categoria é jovem talento. Um dos nomes presentes em 2011 foi o de Elliott Sadler, que tem uma longa história na Cup. Pilotos como Aric Almirola e Reed Sorenson também participaram do campeonato, mas mesmo experientes eles ainda são jovens que buscam se firmar na divisão principal.

Para Almirola, por exemplo, deu certo. O piloto foi chamado pela Richard Petty para substituir AJ Allmendinger – que foi para Penske – na Sprint. É claro que a experiência do piloto na divisão principal contou, mas o quarto lugar na temporada 2011 da Nationwide foi um resultado para ser levado em conta.

Para 2012, Sadler mais uma vez foi confirmado pela equipe de Richard Childress para a disputa da Nationwide. Teoricamente, ele seria o vovô da categoria, mas com gente como Morgan Shepherd e Mike Wallace competindo é sacanagem chamá-lo assim.

Carl Edwards

Carl Edwards participou da Nationwide de forma integral desde 2004. Finalmente largou o osso

Apesar disso, a categoria parece muito mais interessante para o próximo ano. Em primeiro lugar, pela primeira vez nos últimos anos não haverá pilotos da Sprint Cup competindo de forma integral. O que, no entanto, não significa muita coisa. Nas etapas em que as duas principais categorias da Nascar dividirem uma mesma em um final de semana, a tendência é que boa parte do grid da categoria de acesso continue sendo formada por gente da principal.

Por exemplo, Joey Logano e Brad Keselowski devem disputar 2/3 da temporada. Kevin Harvick, Kyle Busch e Kurt Busch vão estar presentes em meio campeonato, com os irmãos dividindo um mesmo carro de forma integral. Kasey Kahne estará em pouco mais de 1/3 do calendário e até mesmo gente como David Ragan deve dar as caras em algum momento.

Se até 2011, Carl Edwards estava presente em todas as corridas, a decisão do piloto em deixar a categoria de acesso não adiantou para dar esse ânimo às disputas entre jovens promissores. Afinal, mesmo quando Nationwide e Sprint estejam em circuitos diferentes em um mesmo final de semana, ao menos Kurt Busch (mais em fim de carreira impossível) será nome certo nas duas categorias.

Talvez você esteja se perguntando por que a Nascar permite esse tipo de ‘invasão’. Certamente por ela ter interesse nisso. Muita gente defende a presença dos pilotos da Cup dizendo que eles atraem audiência e patrocínios para a categoria. É mentira. Todas as corridas da Nationwide contam com as arquibancadas praticamente vazias com um ou outro gato pingado assistindo. Se fosse uma disputa na pista apenas entre garotos, o resultado não seria muito diferente. Audiência da televisão também não é o ponto forte. A categoria tem mais telespectadores que a Truck Series, mas apresenta um crescimento inferior, porém. Muita gente que acompanha a Nationwide já a assistia antes da presença dos pilotos da Cup, então não são eles que necessariamente atraem a atenção.

Kyle Busch Kurt Busch Nationwide Monster

Com a nova equipe, os irmaõs Busch seguem de forma integral na Nationwde. Pergunto, para quê? Será que eles não cansam de se queimar?

Quanto à questão do patrocínio, é verdade que eles conseguem atrair as empresas top do mercado. Mas isso pouco importa. Se gente como Ricky Stenhouse Jr, Trevor Bayne, Steve Wallace e tantos outros vivem constantemente o drama da falta de investidor é justamente culpa dos atletas da divisão principal. Como eles atraem as grandes empresas, as equipes não têm dó na hora de desperdiçar investir o dinheiro, e o equipamento delas acaba sendo muito superior. Assim, o único jeito das revelações terem um carro à altura seria torrar a mesma grana.

Ou seja, sem os pilotos da Sprint, todo mundo gastaria pouco, mas gastaria mais ou menos por igual. Se hoje precisa de X dólares para operar da mesma forma com que se corre na Cup, então os times poderiam gastar 60% de X no futuro, se não tivessem esse custo por conta das grandes estrelas. E se a fonte das grandes empresas secar, a Nationwide continuaria existindo firme e forte.

O automobilismo jamais vai acabar por falta de interesse de empresas patrocinadoras. Sempre teve gente disposta a inscrever equipes com orçamentos apertados e fazendo milagres para terminar o campeonato. O problema é que esse tipo de gente foi passado a ser visto com desprezo por quem nada na grana. Quando a crise econômica chegou, as grandes equipes perderam esse dinheiro fácil e, para não ficarem longe das vitórias, acabaram demitindo os jovens pilotos ao invés de diminuir a agenda dos pilotos da Cup em campeonatos sem importância. O outro cara que se esforçava para manter dois carros correndo com o budget contado segue na categoria da mesma forma. E esses, sim, dão oportunidades aos jovens talentos.

A Nationwide, portanto, se tornou esse circo armado onde a competitividade é apenas um rascunho do que deveria ser uma categoria de acesso. Faz três anos praticamente que não tem um novato de verdade na Sprint Cup e parece que ninguém nas grandes equipes percebeu que a causa disso foi a morte da categoria de acesso. Enquanto Kyle Busch domina um sábado sim e o outro também, Joe Gibbs falhou em desenvolver Joey Logano, mas também não pôde substituir o piloto, pois não havia ninguém preparado. Jack Roush, que cansou de inscrever carros do próprio bolso na divisão de acesso, viu a crise chegar na divisão principal e tem cortado carros a torto e a direito. O resultado é a bela audiência que dizem que a Nationwide tem. Francamente viu?

Indo à parte burocrática: clique aqui para ver a lista de pilotos confirmados. As especificações técnicas estão aqui e o calendário de provas pode ser encontrado aqui.

P.S.2: Clique aqui para ver o guia da Nascar Camping World Truck Series. O guia da Nascar Sprint Cup 2012 está aqui.

P.S.3: O jogo do Ho-Pin Tung na F1 pode ser encontrado aqui. Dica: antes de clicar, desligue o som se você estiver no trabalho.

Danica Patrick contra os pilotos brasileiros

setembro 15, 2011
Danica Patrick

Uma semana depois de acertar Brad Keselowski, Danica Patrick chamou os pilotos brasileiros de batedores

Às vésperas de mudar definitivamente para a Nascar, Danica Patrick declarou guerra aos pilotos brasileiros. Em uma entrevista à agência AP – que eu recomendo que você leia na íntegra clicando aqui antes de ver os meus argumentos –, a americana disse que os atletas nascidos por aqui são inconsequentes ao volante.

“Pode parecer estranho, mas eu diria que estou ficando mais agressiva na pista conforme vou envelhecendo. Será que isso é estranho? Eu não comecei na Nascar como um piloto brasileiro, que sobe no carro, grita ‘Whoooo’, sai batendo em todo mundo e só percebe o que aconteceu depois”, disse a ainda piloto da Andretti.

Apesar de escolher mal as palavras, a declaração de Danica não foi sobre Miguel Paludo nem sobre Beto Monteiro tampouco tinha como alvo Pietro Fittipaldi. Também não era sobre Tony Kanaan, Helio Castroneves, Vitor Meira ou Bia Figueiredo. A americana falava sobre Nelsinho Piquet.

Tanto o ex-piloto da Renault quanto Danica estrearam no turismo americano na mesma corrida: a etapa da ARCA em Daytona, realizada no início de 2010 – você pode clicar aqui e relembrar como foi (tem até um vídeo). Na prova, Nelsinho não foi bem e se envolveu em uma série de acidentes, incluindo um toque justamente na adversária. Danica, porém, salvou o carro e terminou na sexta colocação ao ultrapassar Ricky Carmichael já na entrada do tri-oval.

Danica Patrick e Nelsinho Piquet ARCA

Danica Patrick e Nelsinho Piquet se estranharam na ARCA pela primeira vez

Voltando à entrevista, é possível compreender porque a piloto possa considerar Piquet como um desafeto. Ainda assim, chama a atenção esse ataque cerca de um ano e meio depois, levando em conta o histórico dela de ser companheira de Tony Kanaan por tantos anos, além de colega de profissão de Helio Castroneves e tantos outros.

Por isso mesmo, alguns elementos na fala de Danica não estão claros. O primeiro deles é o contexto em que ela cita os brasileiros. O assunto acabou ali? A frase foi editada? O dito foi colocado ali só para causar mais impacto? Ela citava todos os brasileiros ou realmente tinha endereço certo? Nada disso é possível afirmar com certeza.

Em um segundo momento, ela foi extremamente infeliz na escolha das palavras. Isto é, independente das respostas paras as perguntas acima, Danica disse que os brasileiros têm fama de inconsequentes e batedores. Se ela queria falar de Nelsinho, de Rapha Matos ou de Helio Castroneves, deveria ter citado quem é o problema. Sem especificar, ela esquece que trabalhou meia década com Tony Kanaan, na mesma equipe, e quase toda semana encontra Helio, Vitor Meira e/ou Bia.

Ainda que Danica tenha realmente criticado Nelsinho, ela foi bastante irresponsável não só em ter escondido o nome do desafeto como também de ter guardado todas as reclamações até agora. Na entrevista, a americana diz que foi paciente e respeitosa com os adversários, ao contrário dos brasileiros. No entanto, ela esquece que na etapa de Richmond da Nationwide, realizada na última sexta-feira, dia 9, ela própria se envolveu em um acidente com o atual campeão Brad Keselowski.

O piloto da Penske poderia ter saído do carro e falado que ao contrário de quem vem da Indy ele não saia batendo em qualquer um no começo da carreira, era paciente e respeitoso. Apesar disso, ele fez o contrário. É verdade que Brad colocou a culpa na americana, mas disse que não poderia ficar chateado ao ter sido alvo da batida, já que a Nationwide é considerada uma categoria-escola, onde os pilotos estão aprendendo. Portanto, os pilotos da Sprint sabem do risco que correm ao descer para correrem com o bando de jovens.

Ora, tanto Piquet quanto Danica eram novatos na etapa da ARCA. Ao contrário dela, ele fazia a primeira corrida da carreira em um oval. Se a ainda piloto da Andretti foi compreendida por Keselowski, não caberia a ela ter feito o mesmo em relação ao brasileiro?

Danica Patrick

Danica Patrick salvou o carro na estreia em Daytona, mas não as palavras

Por mais negativa que tenha sido a repercussão da entrevista, não acredito que Danica tenha destilado xenofobia nas palavras. Acho que faz mais sentido enxergar o acontecido como mais um episódio em que a piloto escolheu mal as palavras e não conseguiu montar uma frase com aquilo que queria dizer. Basta ver, por exemplo, a entrevista da americana sobre a etapa de Motegi.

Na ocasião, Danica disse que não queria correr no Japão por conta da comida japonesa. Pela estrutura da frase “The radiation seems like it’s OK, but I’m concerned about the food, to be honest.”, parece que ela não gosta de sushi, mas depois ela explicou ter lido algumas reportagens e recomendações que pedem que as pessoas evitem comer carne vinda da região de Fukushima. Ainda nessa mesma entrevista ela fala dos perigos dos fenômenos naturais em território nipônico, mas se esquece que às vésperas da corrida Baltimore a Costa Leste americana foi alvo de terremoto e furacão.

Com dois relativos foras em tão pouco tempo, parece que Danica não tem noção da repercussão que as coisas que ela fala têm. Se você vai ao bar e fala com um amigo sobre não se comportar feito um piloto brasileiro, no máximo ele pode perguntar o que você quer dizer com aquilo caso não opte apenas por virar outro copo. Mas usar essa frase em uma entrevista com uma agência de notícias internacional é óbvio que não poderia sair coisa boa.

O que esperar da Danica na Nascar em 2012?

agosto 25, 2011
Danica Patrick

Danica Patrick tem boas razões para chegar confiante à Nascar

Finalmente Danica Patrick resolveu revelar ao mundo o que todos já sabiam: ela deixa a Indy e vai correr na Nascar Nationwide de forma integral em 2012.

A princípio, a Indy não depende mais tanto dela. Se há alguns anos a categoria mal conseguia colocar 15 carros na pista e via em Danica o único jeito de atrair novos fãs, hoje o campeonato vive uma melhor situação com longos grid de quase 30 participantes. É claro que a categoria sai perdendo ao se despedir da principal estrela, mas esse episódio passa longe de ser uma crise. Como consequência imediata, quando muito o mercado de pilotos se agita com uma vaga se abrindo em uma equipe de ponta como é a Andretti.

Do outro lado da decisão da americana, o que se pode esperar de Danica na Nascar em 2012? Sendo direto, a expectativa é unicamente que ela brigue pelo título da próxima temporada. Qualquer coisa diferente disso pode ser considerada frustrante.

Em 2010, a americana decidiu dividir o tempo entre Indy e Nascar, mas o começo não foi promissor. Em 13 corridas, a piloto só terminou uma vez na volta do líder e teve a 28ª colocação como média de chegada.

Na atual temporada, porém, a situação mudou sensivelmente. Danica começou o ano conquistando a quarta colocação no grid de largada em Daytona e finalizando a prova em 14ª. Depois foi 17ª em Phoenix, antes de conseguir o melhor resultado de uma mulher na história da Nascar ao finalizar a etapa de Las Vegas na quarta colocação. Após essas três corridas, a pilota era a quarta colocada na tabela de pontos. Com o 33º lugar em Bristol, ela caiu para o nono posto e deixou a categoria após quatro etapas para se dedicar à Indy.

Danica ainda retornou em Chicago e em Daytona, quando conseguiu dois décimos lugares e brigou pela vitória de forma intensa na segunda etapa.

Com essa melhora em relação ao ano de estreia, o que se pode esperar para 2012 é que a piloto siga evoluindo na categoria, ainda mais podendo participar de todas as etapas, tendo mais tempo no carro. E se ela deixou a temporada 2011 brigando pela quarta colocação na tabela de pontos, o próximo passo só pode ser disputar o título.

Danica, aliás, não esconde de ninguém que 2012 é apenas um ano de transição e que – caso o mundo não acabe até lá – a Sprint Cup será o destino daqui a dois anos. Considerando essa pressa, pilota e equipe devem entrar motivados para tentar levantar a taça no fim da temporada.

A ainda atual pilota da Andretti, no entanto, não deve ter vida fácil em 2012. Ricky Stenhouse Jr e Trevor Bayne devem voltar para a disputa do título. Austin Dillon e James Buescher devem se graduar da Truck Series, além de uma série de outros pilotos ainda vai fechar acordos para competir de forma integral no próximo ano.

Sendo realista, portanto, a expectativa é que Danica brigue pelo título, mas continuar em um duelo pela quarta colocação na tabela, além de fazer uma temporada sem erros parece um resultado bastante promissor para a nova estrela da Nascar.

A grande história da Nascar 2012 não é Danica Patrick

agosto 2, 2011
Danica Patrick

Danica Patrick era a principal negociação da Nascar para 2012. Era...

A temporada 2011 da Nascar está chegando a um momento crucial de definição. Não falo dos 12 classificados para o Chase, mas, sim, da hora em que os boatos deixam de ser somente boatos, e as equipes passam a trabalhar pesado pensando em reforçar o plantel para o próximo ano.

Em 2011, duas grandes estrelas do automobilismo americano são consideradas free agents, isto é, estão no último ano de contrato com as respectivas equipes e podem se transferir para outro time a custo zero.

O maior dos nomes até então era o de Danica Patrick. No ano passado, a piloto começou a transição da Indy para a Nascar fazendo algumas provas esporádicas na Nationwide. Apesar disso, os primeiros resultados foram muito fracos, mas neste ano a americana demonstrou uma considerável melhora e parece estar cada vez mais adaptada aos carros de turismo. Tanto que o recorde do melhor resultado de uma mulher na história da Nascar, em qualquer divisão, foi quebrado pela atual piloto da Andretti, no início do ano, em Las Vegas, quando ela terminou na quarta colocação.

A agência AP publicou uma matéria nesta terça-feira, dia 2, dizendo que Danica está muito perto de acertar a transferência para a Nascar, faltando poucos detalhes do contrato. De acordo com a notícia, ela vai disputar a Nationwide em tempo integral no próximo ano com o time de Dale Jr e deve fazer algumas corridas pela equipe de Tony Stewart no final do campeonato na Sprint Cup. Além disso, a americana deve participar normalmente da Indy 500.

Danica Patrick

Danica Patrick está cada vez mais adaptada à Nascar. Em Daytona, em julho, ela lideou mais voltas do que em toda a temporada da Indy até aqui

Sem dúvida nenhuma, no início do ano, Danica era a maior free agent do esporte a motor americano. Entretanto, a situação mudou nos últimos meses. A Indy parece não depender mais somente dela para atrair popularidade. Embora o campeonato seja ainda uma disputa de Will Power x Dario Franchitti, as corridas estão sendo legais, as 500 Milhas deste ano – a do centenário – foi épica e os patrocinadores, ainda que timidamente, estão começando a entrar no esporte. Prova disso foi a marca de 26 carros no grid ter sido atingida em quase todas as etapas. Outro ponto é que a transição Indy Lights/Indy funcionou pela primeira vez na história.

Claro que Danica ainda é uma das principais pilotos da Indy, mas uma saída dela não é mais tão prejudicial para o certame, que flerta com nomes como Travis Pastrana e Kasey Kahne para a corrida de Las Vegas. Por outro lado, a saída da GoDaddy, que deve acompanhar a americana, deve ser mais um golpe duro na Andretti, que perdeu pilotos e patrocinadores constantemente nas últimas temporadas.

A transferência da Danica para a Nascar seria a principal história do esporte, caso Carl Edwards não estivesse tão próximo de mudar para a equipe de Joe Gibbs. A atual piloto da Andretti é, sem dúvida, uma das maiores celebridades do automobilismo mundial, mas, na Nascar, ela chega para disputar a segunda divisão e completar o processo de adaptação. A ida de Edwards para a Gibbs, por outro lado, é similar ao que o Miami Heat fez no início da última temporada da NBA ao contratar em uma tacada só Chris Bosh e LeBron James, além de manter Dwayne Wade, que são alguns dos melhores jogadores da liga.

Se o Miami teve um time com Bosh, Wade e LeBron para tentar superar o então dominante Los Angeles Lakers, a equipe de Joe Gibbs, se tiver Kyle Busch, Carl Edwards e Denny Hamlin em 2012, terá um plantel de jovens promissores da categoria que podem parar Jimmie ‘Kobe’ Johnson.

Carl Edwards

Carl Edwards superou Danica e é o principal assunto da Nascar

Só que o caso de Carl Edwards é ainda mais interessante. Ele pode ser campeão da Sprint Cup ainda este ano, pois é o líder na tabela de pontos na temporada regular. No entanto, mesmo com o bom desempenho, ele parece cada vez mais inclinado a mudar de equipe, mesmo que levantando a taça.

No mês passado, Edwards disse que não vai disputar a Nationwide de forma integral em 2012, ao contrário do que tem feito desde que entrou na categoria. Na Roush, embora tenha enfrentado falta de patrocínio em 2011 na divis, o piloto dificilmente seria impedido de correr por lá. Por outro lado, na equipe de Joe Gibbs, com o time tendo dificuldades financeiras para inscrever o carro 20 – de Joey Logano – em todas as provas da divisão de acesso, seria complicado imaginar que ele pudesse tomar o lugar de Kyle Busch no 18.

O outro grande aspecto envolvendo a transferência de Edwards é a pressão do patrocinador. A Home Depot é rival da Lowe’s, que patrocina Jimmie Johnson. Enquanto a primeira tinha Tony Stewart, a popularidade e o valor da marca era praticamente o mesmo ainda que considerando o domínio recente do carro 48. Com Joey Logano passando por uma longa adaptação à Nascar, a Home Depot investiu pesado em marketing no novo piloto, mas não viu os resultados esperados chegarem. Por isso a pressão para que ele seja substituído por alguém que possa rivalizar com Johnson.

Caso essa transferência realmente aconteça, ficam algumas perguntas no ar. Para onde vai Logano? Um quarto carro da Gibbs é especulado, mas para isso precisaria de patrocinador. Além disso, seria de certa forma irônico caso Logano voltasse à Nationwide. Outra questão é quem vai substituir Carl Edwards? Jack Roush já disse que a ideia é promover um dos jovens pilotos – Ricky Stenhouse ou Trevor Bayne –, mas qual? O primeiro pode ser campeão da Nationwide este ano, enquanto o segundo já tem experiência na Sprint, é o atual vencedor da Daytona 500 e só não está na briga da categoria de acesso, pois perdeu cinco provas internado com uma doença misteriosa. Eu escolheria Bayne, mas aí abre outra questão: qual o destino do que não for escolhido?

O lado bom de todo esse impasse entre Carl Edwards/Roush-Fenway/Joe Gibbs é que Danica passou a ter mais tempo para trabalhar no novo contrato sem que a atenção ficasse voltada para ela. Com duas negociações importantes sendo travadas, é possível que um anúncio acabe ofuscando o outro nos próximos dias. Eu acho que para o esporte como um todo a mudança de equipe de Edwards é mais importante, mas Danica é Danica. E para você, qual dessas mudanças de equipe é a principal?

Rapidinhas da Nascar em Daytona

julho 4, 2011
David Ragan

David Ragan venceu a etapa de Daytona da Sprint Cup depois de perder a chance de vencer a 500 ao queimar a última relargada

Com a vitória em Daytona, David Ragan se tornou o 12º vencedor diferente na temporada 2011 da Sprint Cup. Além dele, já haviam vencido Trevor Bayne, Jeff Gordon, Carl Edwards, Kyle Busch, Kevin Harvick, Jimmie Johnson, Matt Kenseth, Denny Hamlin, Regan Smith, Brad Keselowski e Kurt Busch. Lembrando que o recorde é de 19 ganhadores distintos em uma temporada só e aconteceu quatro vezes: 1956, 1958, 1961 e 2001. Somente a última na Modern Era.

Com as conquistas de Trevor Bayne na Daytona 500 e de Ragan na Coke 400, essa é a primeira vez na história que dois pilotos conseguem conquistar a primeira vitória da carreira em Daytona no mesmo ano. Quem percebeu isso foi o jornalista Rodrigo Mattar, do SporTV. Em 1963, Tiny Lund e Johnny Rutherford venceram a primeira da carreira em Daytona, mas Rutherford conquistara um dos Duels – que valia ponto na época – e antecede a 500.

Bayne, aliás, conquistou o recorde curioso: entre todos os vencedores da Daytona 500, ele é o que teve o pior resultado da história na corrida disputada em julho na mesma pista. O piloto da Wood Brothers bateu no sábado na quinta volta e terminou em 41º.

Com o triunfo, Ragan está em posição de se classificar para o Chase pois é um dos dois pilotos que estão entre a 11ª e a 20ª colocação do campeonato e já venceram uma corrida. O outro é Denny Hamlin. Curiosamente, no momento, Greg Biffle vai ficando como único piloto da Roush-Fenway fora do playoff.

A próxima etapa da Nascar é no Kentucky, onde a Sprint Cup vai correr pela primeira vez. A tendência é que os carros da Ford sejam mais uma vez dominantes. Olho também em Joey Logano, que conquistou a primeira vitória da carreira na Nationwide justamente nessa pista.

Na Nationwide, depois da épica etapa de Road America, a normalidade voltou em Daytona. Ou quase. O destaque da corrida ficou com Danica Patrick que liderou mais voltas na corrida disputada na sexta-feira – 14 – do que em toda a temporada da Indy até agora – 10.

Ainda na Nationwide, chamou a atenção o carro utilizado por Jeffrey Earnhardt, que é neto de Dale Sr e filho de Kerry Earnhardt. Não, eu não estou falando do patrocínio do Voodoo colocado estrategicamente no mesmo local em que o da (antiga?) GoDaddy no carro de Danica. Falo do esquema de pintura igual ao utilizado pelo avô. Lembrando que há um tabu por conta do uso de qualquer coisa referente a Dale Sr na pista. Ryan Newman, por exemplo, competiu em 2009 com um carro similar a esse debaixo e foi alvo de reclamações tremendas pelos fãs mais fiéis do falecido heptacampeão. Coloquei as fotos dos carros de Jeffrey e de Dale Sr para que você possa comparar.

Jeffrey Earnhardt

Dale Earnhardt Sr.


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