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O que acontece no automobilismo em janeiro

janeiro 2, 2013
Oswaldo Negri A.J Allmendinger 24 Horas de Daytona

As 24 Horas de Daytona é o carro chefe da programação de janeiro

O mês de janeiro geralmente não é o favorito entre os fãs do automobilismo. Neste momento, ainda faltam mais de quatro meses até o início das corridas na Europa e um pouco menos para que a Indy e a F1 comecem. Até mesmo a Nascar, que compete em quase todos os fins de semana do ano, tira uma folga e tudo o que realiza são alguns treinos coletivos sem importância em Daytona.

Para quem fica com saudades dos carros de corrida, trago uma boa notícia. O mês de janeiro não é tão parado quanto muita gente pensa.

Tradicionalmente, o rali Dakar é a primeira competição do ano. No entanto, ao contrário das últimas edições, dessa vez o evento não começa já no dia 1º. Os carros só começam a atravessar a América do Sul a partir do dia 5 e ao longo de duas longas semanas de disputa.

Já as competições no asfalto começam logo no segundo fim de semana do ano, entre os dias 12 e 13 de janeiro. Para quem gosta de corridas festivas e lotadas de nomes famosos, o Desafio das Estrelas, de Felipe Massa, acontece nesses dias.

Embora estejamos falando da edição de 2012, a competição foi adiada para 2013 para poder atrair alguns famosos do esporte a motor mundial. Entre aqueles que já confirmaram participação estão Fernando Alonso, Pastor Maldonado, Vitantonio Liuzzi, Nelsinho Piquet, Pietro Fittipaldi e, obviamente, Felipe Massa.

Equipe Gilles Toyota Racing Series

Mas a Toyota Racing Series é a melhor opção para quem gosta de competições completas

Por outro lado, para quem prefere campeonatos de verdade, a Toyota Racing Series terá a rodada de abertura nesse mesmo fim de semana, em Teretonga. Esse campeonato, lotado de garotos que tentam fazer carreira no esporte a motor – como os brasileiros Pipo Derani e Bruno Bonifácio –, acontece em cinco semanas consecutivas e terá seu campeão conhecido após 15 corridas, no GP da Nova Zelândia, em Manfield.

Enquanto a Toyota Racing Series acontece, outro campeonato que acontece é o F3 Brazil Open. No entanto, ao contrário do torneio da Nova Zelândia, o evento brasileiro é disputado em um único fim de semana, ao longo de quatro corridas. O campeão é aquele que chegar na frente na grande final. Até o momento, Felipe Guimarães e o venezuelano Roberto La Rocca são os principais nomes confirmados. O torneio está marcado de 17 a 20 de janeiro como parte das comemorações pelo aniversário da cidade de São Paulo.

Muito mais importante que o F3 Open, são as 24 Horas de Daytona, etapa que abre a temporada da Grand-Am. Em 2013, são 15 brasileiros confirmados, além de algumas das principais estrelas do automobilismo mundial, como Juan Pablo Montoya, Sébastien Bourdais e Allan McNish. A corrida começa no dia 26 e termina no dia 27.

Para encerrar, o mês de janeiro ainda é marcado pelo início dos lançamentos dos carros da F1. A Force India, por exemplo, já agendou o seu para o dia 31, sendo que a Caterham deve exibir o novo modelo ainda antes, assim como a Ferrari, que gosta de ser tradicionalmente a primeira. Os lançamentos dos carros continuam até a primeira semana de fevereiro, já que os treinos coletivos de 2013 começam no dia 5 de fevereiro, em Jerez de la Frontera.

Um pouco antes, no dia 1º de fevereiro, a MRF 2000 – que já foi assunto aqui do blog, basta clicar aqui para relembrar – realiza a terceira etapa da temporada, no autódromo indiano de Chennai, com os brasileiros Gustavo Myasava e Henrique Baptista.

Na terça-feira, dia 5, é a vez do campeonato de inverno da USF2000, que começa em Homestead-Miami e termina em Palm Beach. Com duas etapas na mesma semana. Depois disso, a Nascar dá a largada para a temporada normal na semana seguinte, quando voltamos à programação normal.

Dakar 2011 chega ao fim, e amanhã?

janeiro 15, 2011
Nasser Al-Attiyah

Nasser Al-Attiyah fez um Dakar sem aparecer muito e conquistou o título da competição ao se aproveitar dos problemas de Sainz e Peterhansel

A sorte não parecia estar do lado de Nasser Al-Attiyah durante a história do Dakar.O qatari apareceu como uma surpresa quando a competição ainda era disputada na África, mas foi na América do Sul que ele se firmou como um dos principais pilotos do mundo na modalidade. Se no caminho para o Senegal, Al-Attiyah era um azarão, vindo do longinquo Qatar, que conseguia uma vitória aqui outra lá, no Chile e Argentina, ele se consolidou como candidato ao título.

Mas a sorte era sempre um empecilho. Duas edições antes, ainda competindo pela BMW, o representante do Catar foi desclassificado do evento por pular quatro postos de controle, quando detinha uma liderança confortável. No Dacar de 2010, nova decepção. Com seis pneus furados ao longo do percurso, o piloto foi impedido de conquistar o título, ficando apenas 2min12s atrás de Carlos Sainz.

Sem margem para o azar, a vitória de Al-Attiyah é interessantíssima. Primeiro, um cara do Qatar – que sabiamente dúvida que eu alguém consiga localizar exatamente o país no mapa – venceu a edição 2011 do maior rali do mundo. Depois, precisamos entender que Nasser não é um Zé Ninguém do país asiático. Ele é apenas um dos príncipes do lugar. Como o piloto é parente de uma mulher que amamentou o emir (governante máximo do país) local, Nasser Al-Attiyah ganhou o título de príncipe. E por fim, ele quase foi medalhista olímpico em uma das modalidades de tiro nos Jogos Olímpicos da Grécia, em 2004. Na ocasião, o qatari perdeu o desempate pela medalha de bronze para um cubano.

Infelizmente, o príncipe piloto atleta olímpico não vai ganhar nenhum prêmio, em qualquer restrospectiva lá no fim de dezembro, de melhor piloto de rali do ano. Se, no WRC, Sebástian Loeb conquistar mais um título (oito?) certamente ficará com todos as glórias. Caso alguém derrote o francês, ficará com as honras por ter vencido o megacampeão.

Chegamos a uma conclusão: Nasser, entre no WRC e vença o Loeb, por favor. Grato.

Nasser Al-Attiyah

Noss campeão do Dakar em plena Olimpíadas de Atenas. No tiro, ele terminou em quarto

Piadas a parte, ficou claro que o qatari não vai ser reconhecido pela conquista do Dakar. Tudo bem. Agora imaginem alguém que é heptacampeão do maior rali do mundo. Que venceu 63 especiais na carreira, mais do que qualquer outro piloto na história da competição. Que detém o maior número de vitórias em uma mesma edição do Dakar. Que conseguiu virar uma situação de mais de 30 mins de atraso para uma vantagem do mesmo tamanho em uma única especial sem que os adversários tivessem problema.

O dono de todos esses feitos é Vladmir Chagin, que pilota um caminhão Kamaz. Todos os feitos listados acima poderiam colocar o ‘czar’, como ele é chamado, como o principal piloto da história do Dakar. Claro que isso não vai acontecer. O russo deve ser mais uma vez premiado na terra natal apenas. Talvez a Red Bull decida fazer mais um vídeo promocional sobre ele, mas os prêmios e homenagens vão parar por aí. Uma pena.

Por fim, Alejandro Patronelli fez história. Se tornou o segundo argentino a vencer o Dakar. Não só isso, foi a primeira vez que irmãos venceram a competição em anos consecutivos, já que, em 2010, a vitória entre os quadriciclos ficou com Marcos Patronelli. E sabe o que é mais legal? Eles sabem que amanhã vão sair na rua e, salvo raríssimas exceções, ninguém vai reconhecê-los. Por isso, já planejam correr nos carros a partir de 2012. Não seria surpresa se os brothers aparecessem na equipe de Robby Gordon.

Para finalizar esse post, preciso dizer que eu não estava falando sério. O tom de desabafo quanto à falta de reconhecimento deles não é real. Na realidade, a minha única intenção era só mostrar que no Dakar, uma competição sem muito destaque por aqui, também tem boas histórias.

Dakar: encurtando o longo dia

janeiro 9, 2011
Antofagasta

Mais uma vez o Dakar chega à Antofagasta

Apesar de o sábado, dia 8, ter sido um dia de descanso para os participantes do Dakar, muitos dos competidores só chegaram ao acampamento durante a madrugada, esgotados e com avarias sérias nos equipamentos. Vendo a situação desses pilotos, a organização da competição decidiu encurtar a especial deste domingo, entre Arica e Antofagasta, ainda no Chile.

Estavam previstos 938 km para a disputa, sendo que 631 km seriam cronometrados. Este seria o maior estágio da competição. Ainda no sábado, os participantes foram surpreendidos com a notícia que a especial passaria a apenas 272 km, o que correspondeu ao trecho inicial do dia.

Motos: Francisco López Contardo: “Tinha muita poeira no início. Eu fui um pouco mais rápido, mas acabei perdendo o meu escapamento mais ou menos na metade do estágio. Então, depois disso, eu fiquei com medo de meu motor estourar. Por sorte, hoje foi a especial mais curta desde o início, caso contrário teria perdido o motor. Semana passada eu fiquei gripado, mas estou bem agora. Eu ganhei e é isso o que importa”.

Cyril Despres: “O dia de descanso foi bom tanto para a máquina quanto para o homem. Hoje foi uma das melhores etapas de motos que eu já tive em toda a minha vida. Foi um belo dia também em termos de resultado [já que cortei 1min24s da diferença para Marc Coma. Pela manhã, pensávamos se apenas 272 km poderia matar a nossa fome e a resposta é SIM!”

Marc Coma: “Eu sofri na primeira parte porque estava atrás de Ruben Faria e fiquei preso na poeira. Foi difícil ultrapassar. Mas na parte final, nas dunas de areia, eu pude seguir no meu próprio ritmo”.

López Contardo tem uma máxima. Sempre quando o presidente chileno visita o acampamento do Dakar, o desempenho melhora. Em 2011 não foi diferente e o piloto da casa dominou a especial mesmo com os problemas no motor. Cyril Despres terminou o dia na segunda colocação, 2min21s atrás do líder. O resultado, porém, não foi de todo ruim, já que Marc Coma finalizou em terceiro, com todas as dificuldades explicadas pelo próprio piloto.

Os portugueses Hélder Rodrigues e Ruben Faria voltaram a apresentar um bom rendimento e finalizaram em quarto e quinto, respectivamente. Paulo Gonçalves, recuperado do problema na última especial encerrou em sétimo e colocou o terceiro luso entre os dez primeiros. Entre eles, Stefan Svitko foi o sexto. O grupo dos dez melhores ainda contou com Pal Ullevalseter, Frans Verhoeven e Juan Pedrero Garcia. Jean Azevedo finalizou em 13º, enquanto Vicente de Benedictis foi o 101º.

Na classificação geral, Coma permitiu que Despres se aproximasse, mas a diferença entre ambos é de 7min24s a favor do espanhol. Com o triunfo de hoje, Lopez Contardo tem um atraso de 18min27s em relação ao líder. Rodrigues e Faria repetiram a posição da etapa no geral. O sexto lugar é de Frans Verhoeven, enquanto Svitko aparece em sétimo. Em seguida, Jordi Viladoms, Pedrero Garcia e Ullevalseter. Jean Azevedo ocupa um excelente 12º posto, enquanto De Benedictis é o 81º.

Quadriciclos: O dia foi tão complicado para os líderes Alejandro Patronelli e Tomas Maffei, que ambos não quiseram falar. Com inúmeros problemas, Patronelli ainda conseguiu salvar uma 11ª posição com mais de 1h de atraso para o vencedor Sebastian Halpern. Por sua vez, Maffei comandou boa parte da especial, mas falhas mecânicas o deixaram na nona posição 58min51s atrás do ganhador.

Ainda assim, na classificação geral, a briga embolou. Maffei lidera com 3min03s para Patronelli. Halpern descontou mais de uma hora com o triunfo de hoje e está apenas 26min45s atrás.

Orlando Terranova

Orlando Terranova em dificuldades para seguir no caminho certo. O argentino precisou ser resgatado de helicóptero, já o carro perecerá para sempre no deserto

Carros: Nasser Al-Attiyah: “Nós rapidamente nos aproximamos de Carlos Sainz, mas era impossível ultrapassá-lo por conta da poeira. Decidimos, então, segui-lo de perto. Ainda assim recuperamos 1min20s dele e eu estou feliz em ter vencido a especial de hoje. A partir de agora terei que atacar e evitar pneus furados. Ano passado [ao perder por apenas 2min12s] tive seis, este ano estou me controlando”.

Carlos Sainz: “Estou feliz. Não foi fácil seguir hoje. Tinha uma duna muito traiçoeira no caminho, mas o Lucas [Cruz, navegador] fez um grande trabalho”.

Stéphane Peterhansel: “No início, um dos Volkswagens teve problema [o de Mark Miller] e terminamos na poeira dele. Foi difícil dirigir a 20km/h pois não havia vento. Depois de 15 km, tivemos um pneu furado, foi o suficiente para perder a confiança pelo restante do estágio. No final do rali, 2º, 3º ou 4º é tudo a mesma coisa, queremos a vitória final, mas com certeza ela está indo embora”.

Com a estratégia de seguir o companheiro de equipe de perto, Nasser Al-Attiyah conquistou um importante resultado na etapa deste domingo do Dakar. O piloto do Qatar venceu a especial e descontou 1min20s para o espanhol, segundo colocado. Ginniel De Villiers completou o domínio da Volkswagen ao terminar em terceiro, enquanto Stéphane Peterhansel segue em uma maré de azar, finalizando apenas em quarto, 7min40s atrás do líder. Também da BMW, Krzysztof Holowcyzc completou os cinco primeiros mas teve um atraso de 10mins em relação ao companheiro de equipe. A BMW ainda teve uma baixa na etapa, o argentino Orlando (ORLY?) Terranova capotou no trecho final e foi obrigado a abandonar o Dakar.

Christian Lavielle levou o Nissan a um heróico sexto lugar, enquanto Ricardo Leal dos Santos foi o sétimo. Guilherme Spinelli, Nani Roma e Tonni van Deijne completaram os dez primeiros. Marlon Koerich continua fazendo uma boa exibição no Dakar e finalizou em 14º.

Na classificação geral, a vantagem de Sainz para Al-Attiyah caiu para apenas 1min22s. Pelo segundo ano consecutivo a batalha entre ambos deve ser decidida na casa dos segundos. Peterhansel é o terceiro, 21min11s de atraso. De Villiers aparece em quarto, enquanto Holowczyc é o quinto. Mark Miller, Guilherme Spinelli, Lavielle, Leal dos Santos e Mattias Kahle, num buggie SMG, completam os dez primeiros. Koerich ocupa uma respeitável 13ª colocação.

Caminhões: Ales Loprais: “Quando nós não temos pneus furados, podemos vencer. O estágio foi difícil e, por causa das dunas, a navegação teve bastante trabalho. Eu vi o jovem russo [Vladimir Chagin] perder meia hora aqui, então alcançar o primeiro lugar não é impossível. Estamos 16mins atrás de Kabirov, mas podemos competir contra ele. O problema é Chagin, que não está muito atrás e é muito mais rápido, caso não cometa tantos erros”.

Loprais venceu a segunda especial seguida e apenas a terceira da carreira. De qualquer forma, quem se habituou a ver o domínio dos Kamaz, ficou surpreso com o desempenho supremo do tcheco da Tatra. O piloto venceu com uma vantagem considerável de 5min03s para Kabirov. Chagin terminou em terceiro depois de enfrentar inúmeros problemas, com 14min05s de atraso para o vencedor.

Na classificação geral, Kabirov detém uma vantagem de 16min22s para Loprais, o novo segundo colocado. Vladmir Chagin aparece em terceiro 28min22s atrás do líder, mas ainda não pode ser desconsiderado.

Na segunda-feira, os competidores permanecem em solo chileno e vão percorrer 768 km entre as cidades de Antofagasta e Copiapó, sendo 508 km cronometrados. Será um percurso de altos e baixos por conta do relevo local. Os veículos vão passar por antigas rotas mineiras e terminarão o dia em meio às nada amigáveis dunas.

Robby Gordon e o Dakar 2012

janeiro 8, 2011

 

Hummer de Robby Gordon

A população local se divertiu com o Hummer de Robby Gordon. Faltou só um "lave-me"

Neste sábado, dia 8, os participantes do Dakar que venceram todos os desafios da primeira semana de competições puderam tirar o dia para descansar. Este não é o caso de Robby Gordon. O americano abandonou a disputa ainda no quinto estágio, quando teve uma roda do poderoso Hummer quebrada e não foi capaz de realizar o conserto dentro do tempo permitido pelas regras.

 

Como o regulamento do Dakar não impede que os pilotos continuem a fazer o percurso mesmo fora do campeonato, Gordon seguiu com o comboio até a cidade litorânea de Aria, quase na fronteira do Chile com o Peru. Enquanto os pilotos que continuam na competição se preocupavam em descansar e deixar as máquinas prontas para o retorno à Buenos Aires, o piloto da Nascar resolveu fazer uma exibição com o Hummer.

Aliás, é para isso mesmo que Gordon está na América do Sul. Nas últimas temporadas, o piloto tem sofrido com a falta de patrocínios para manter a equipe funcionando tanto em competições offroad quanto na Nascar. Em 2010, para que pudesse disputar a Baja e completar o calendário da Sprint Cup, Gordon vendeu a vaga da própria equipe, em uma série de provas da Nascar, a um novato endinheirado.

Para que as dificuldades financeiras não voltem a atormentar, o americano resolveu criar o próprio enérgético – Speed – que também o patrocina. Basicamente, a renda da venda da bebida vai servir para manter a carreira do piloto. Dessa maneira, Gordon chegou ao Dakar ostentando as cores do novo produto, da mesma forma que pretende fazer na Nascar e na Indy500.  Fora do rali, a exibição para convidados serviu para garantir mais alguns flashs – e este post por exemplo – para a própria marca.

Esperto como alguém que conhece as dificuldades do esporte a motor, Gordon convidou Marcos Patronelli, atual campeão dos quadriciclos, para participar do evento. A exemplo do americano, o portenho também está junto do comboio mesmo depois de ter abandonado a competição.

 

Robby Gordon e Marcos Patronelli

Marcos Patronelli ficou entusiasmado com a oportunidade de ser o navegador de Robby Gordon durante a exibição

A bordo do Hummer durante o show, ingenuamente ou não, Marcos disse a Gordon que estava pensando em deixar os quadriciclos para competir ao lado do irmão Alejandro – líder entre os quads – nos carros. Levando em conta que os brothers são os maiores ídolos celestes no rali, coube ao dono do Hummer oferecer uma vaga para 2012 em um dos veículos da equipe.

 

O americano sabe a publicidade extra que poderá ganhar neste canto do mundo caso assine com os Patronelli. Afinal, o próprio Gordon já é um ídolo por aqui pelo estilo showman. Ter duas estelas do esporte local ao lado na equipe, poderia fazer os estoques do Speed acabarem mais rápido. Ou, pelo menos, atrair ainda mais atenção em um campeonato dominado pelas cores da Red Bull.

Em termos de competitividade, seria uma grande adição ao Dakar. Como é razoavelmente comum que os pilotos mudem de categoria – o próprio nove vezes campeão Stéphane Peterhansel já competiu e venceu nas motos -, a entrada dos Patronelli nos carros traria mais uma dupla competitiva a um campeonato cada vez mais esvaziado. Ah, antes que eu me esqueça, a ideia dos hermanos é que dividam um carro só, sendo Alejandro o piloto e Marcos, o navegador.

Dakar: o deserto vence os brasileiros

janeiro 7, 2011

 

Carlos Sainz

Carlos Sainz superou Nasser Al-Attiyah por apenas 9s

A sexta-feira, dia 7, do Dakar foi marcada pelas imensas dunas do Deserto do Atacama entre as cidades de Iquique e Aria. Ao todo, os participantes percorreram 721 km, dos quais 456 km eram cronometrados. A exemplo de ontem, deixo os próprios participantes e que chegaram ao final – o que não foi o caso de alguns brasileiros – comentarem como foi a especial.

Motos: Ruben Faria: “Eu comecei no meu próprio ritmo, então até o reabastecimento eu perdi algum tempo. Depois disso, acelerei. Faltando 200 km para o final, ultrapassei Cyril Despres, Marc Coma, Helder Rodrigues e Chaleco Lopez. Como fiquei junto com eles, devo ter ganhado [a especial de hoje]. Como carregador de água de Cyril, eu sempre sou cauteloso, mas tem vezes que posso tirar vantagem da situação. Acho que Cyril vai ficar feliz [pela minha vitória]”.

Hélder Rodrigues: “Foi uma excelente especial para mim. Eu comecei atrás de Despres e Coma, mas eu os ultrapassei”.

Cyril Despres: “Eu tive vibrações no motor no km 220, então no restante do dia a máquina o piloto não estavam bem. Depois do reabastecimento, a moto começou a vibrar e eu não sabia se deveria parar ou não, para não estourar o motor. Eu diminuí e terminei a corrida. Honestamente, é um milagre que eu tenha terminado”.

Ruben Faria acertou sobre a vitória. O piloto português terminou a especial de hoje 50s a frente do compatriota Helder Rodrigues. Mesmo com os problema, Cyril Despres encerrou em terceiro e descontou 1min26s para Marc Coma, o quarto. Stefan Svitko completou os cinco primeiros. Jean Azevedo foi o 16º e Vicente de Benedictis, o 82º. Já Zé Hélio não teve sorte e abandonou o rali ao sofrer uma queda e fraturar a clavícula depois de se chocar com uma pedra.

Na classificação geral, Marc Coma tem uma vantagem de 8min48s para Despres. A terceira posição é de Lopez Contardo, com um déficit de 22min12s em relação ao líder. Com a dobradinha de hoje, Helder Rodrigues e Ruben Faria avançaram para o quarto e quinto posto, respectivamente. Jordi Viladoms, Jonah Street, Frans Verhoeven, Javier Pedrero Garcia e Stefan Svtiko completam os dez primeiros. Jean Azevedo ocupa uma excelente 13ª  posição, enquanto De Benedictis é o 78º.

Quadricilos: Alejandro Patronelli: “Aconteceu de tudo comigo hoje. Eu caí, mas não danifiquei o quadriciclo nem me machuquei. Eu nunca tinha caído antes e nesse Dakar isso já aconteceu duas vezes. No meio de tanta poeira, a luz do Sol me impediu de ver a sinalização, então devo receber uma penalização por excesso de velocidade. Depois disso, eu acelerei o máximo que pude para me recuperar da punição. Minha motivação é chegar em Buenos Aires e comemorar com a multidão no pódio”.

Mesmo com tanta certeza, a punição de Patronelli ainda não foi confirmada e o piloto aparece como vencedor da especial com uma vantagem de 15min04s para Tomas Maffei. Josef Machacek terminou 48min01 atrás. Na classificação geral, Patronelli ampliou a vantagem para Maffei para 16min31s. Sebastian Halpern é o terceiro, mas aparece 1h48min atrás.

 

Ales Loprais

Ales Loprais venceu o "exército russo" e quebrou uma seca de quatro anos sem triunfos no Dakar

Carros: Stéphane Peterhansel: “Hoje não foi nada bom. Eu perdi um posto de controle e precisei voltar, levando 4 ou 5 minutos nisso. Depois disso, nossos pneus furaram várias vezes. Quatro no total e só tínhamos três estepes. Então tivemos que parar varias vezes para encher o pneu murcho”.

Nasser Al-Attiyah: “Eu alcancei Peterhansel em algum momento, mas então ele parou com algum problema. Depois disso, eu o deixei passar. Então ele teve problemas novamente em um lugar muito ruim para ter um pneu furado. Mas a partir daí eu já estava acelerando até o final. Eu não gostei da especial pois foi muito arriscada”.

Carlos Sainz: “Nós alcançamos Peterhansel e Nasser Al-Attiyah, que estavam juntos. Daí eu vi Peter parar. Fiquei na poeira de Nasser e acabei tendo um pneu furado e perdi muito tempo”.

Na realidade, Sainz apenas imaginou ter perdido tempo. O espanhol lutou bravamente com o companheiro de equipe durante toda a etapa e terminou o dia com uma vantagem de apenas 9s para o qatari, aberta no trecho final. Por conta dos problemas de Peterhansel, a Volkswagen dominou o estágio. Ginniel De Villiers finalizou em terceiro, seguido por Mark Miller. Stéphane foi apenas o quinto. Entre os brasileiros, Guilherme Spinelli encerrou na nona colocação e Marlon Koerich, em 19º.

Na classificação geral, Sainz tem uma vantagem de apenas 2min30s para Al-Attiyah. Será que, a exemplo de 2010, o Dakar deste ano se tornará uma disputa particular entre os dois? Stéphane Peterhansel é o terceiro, com um déficit de 14min51s para o líder. Ginniel De Villiers é o quarto e Krzysztof Holowczyc, o quinto. Mark Miller, Orlando Terranova, Guilherme Spinelli, o MINI de Guerland Chicherit e Chirstian Lavielle completam os dez primeiros. Marlon Koerich é o 18º.

Caminhões: Ales Loprais: “Os pilotos do Kamaz são muito fortes e têm uma técnica excelente. [Depois do abandono de André Azevedo, que bateu em um barranco] somos apenas um Tatra contra um exército russo de seis caminhões, mas vamos continuar acelerando. Nós trabalhamos para não ter um pneu furado e, assim, alguns dias as coisas dão certo e hoje foi um dia desses”.

Ales Loprais pôde comemorar a vitória na especial ao derrotar os Kamaz de Kabirov e Chagin. O triunfo de Loprais acabou com uma seca do piloto de quatro anos sem vitórias. Kabirov terminou 3min55s atrás do líder, enquanto Chagin teve um atraso de 9min39s. André Azevedo abandonou logo no início do dia ao bater em um morrinho e danificar o caminhão. As regras do Dakar impedem que os pilotos continuem no rali se não puderem participar de uma especial mesmo que consertem o caminhão.

Na classificação geral, Kabirov tem uma vantagem de 19min20s para Chagin, já Loprais cortou o déficit e está 21min25s atrás o líder.

No sábado, os pilotos vão ter um dia de descanso, enquanto no domingo começa a volta para a Argentina. Eles irão percorrer 839 km, dos quais 611 serão cronometrados entre Arica e Antofagasta, ainda no Deserto do Atacama.

Iquique aconteceu no Dakar

janeiro 6, 2011
Paulo Gonçalves

Paulo Gonçalves foi a surpresa do Dakar nesta quinta-feira

A quinta-feira, dia 6, do Dakar foi literalmente um dia de altos e baixos para os competidores. Isso porque a largada aconteceu a quase 3 mil metros de altitude, em plena cordilheira dos Andes, e a especial terminou na cidade portuária de Iquique, conhecida no Chile pelas belas praias. Para chegar até à cidade, os competidores enfrentaram 459 km, dos quais 423 km eram cronometrados. Com o percurso contando com rochas no início e dunas no final, essa foi considerada a especial mais difícil até aqui.

Depois de dois posts sobre contando como foram as etapas do Dakar, a partir de agora não farei mais isso. Quem vai contar ao leitor o que aconteceu ao longo do dia serão os próprios pilotos. [Da forma com que foram editados, a história aqui vai muito além dos quotes, então não ache que é apenas uma tradução tradicional do que fazem por aí, aproveite e diga o que achou!]

Motos: Cyril Despres: “De manhã, me disseram que eu havia sido punido. Eu tinha esquecido minhas luvas termais e voltei para buscá-las e não vi as placas [que indicavam limite de velocidade]. No km 70, eu vi Marc Coma fazendo reparos na moto. Eu nunca me importei com os problemas dos outros. O que é importante para mim é a maneira como eu piloto”.

Marc Coma: “Foi um dia difícil. Eu tive problemas no meu radiador e tive que consertar. Depois do reabastecimento, eu vi [o então surpreendente líder] Olivier Pain caído. Ele estava inconsciente, então acionei o alarme e fiquei com ele até a ajuda chegar. Perdi tempo para Despres, mas devo recuperar assim que a organização do Dakar corrigir os tempos”.

Frans Verhoeven: “Hoje foi um dia dos meus, pois gosto de longos estágios com muita navegação! Eu acelerei o dia todo e não cometi erros, mas faltando apenas 2 km, eu tive um acidente muito feio [e perdi a liderança]. Por sorte, não machuquei nada, mas estou vendo tudo dobrado”.

Paulo Gonçalves: “Depois do reabastecimento, eu parei para ajudar Olivier Pain. Fiquei com ele uns 4 ou 5 minutos e o importante é que ele está bem. Isso deve ter me tomado tempo no final”.

Francisco Lopez Contardo: “Eu errei o caminho duas vezes e precisei seguir Cyril Despres”

Apesar do pessimismo de Gonçalves, a organização do Dakar bonificou os pilotos que ajudaram Olivier Pain depois do acidente. Assim, o português venceu a especial de hoje, seguido por Lopez Contardo e Verhoeven. Coma terminou em quarto e Despres, em quinto. Entre os brasileiros, Jean De Azevedo finalizou em 14º, Zé Hélio, em 16º e Vicente De Benedictis encerrou na 88ª posição.

Na classificação geral, Coma lidera com 10min14s de vantagem para Despres. Lopez Contardo é o terceiro, 18min32s atrás do líder. Os portugueses Paulo Gonçalves, Helder Rodrigues e Ruben Faria avançam na classificação geral e completam os seis primeiros. Depois aparecem Jordi Pedrero Garcia, Jonah Street, Javier Viladoms, Frans Verhoeven e Zé Hélio. Jean Azevedo é o 14º e De Benedictis, o 83º.

Quadriciclos: Alejandro Patronelli: “Foi difícil e isso é o Dakar. Tomas Maffei [que eu ultrapassei para assumir a liderança] está pilotando muito bem, o que não é surpresa”.

Como lembrou Patronelli, a vitória no estágio de hoje foi importante para o argentino superar o compatriota, Tomas Maffei, na classificação geral, por apenas 1min27s. Sebastian Halpern é o terceiro, seguido pelos tchecos Machacek e Plechaty, mas esses mais de 1h atrás.

 

Stephane Peterhansel

Stephane Peterhansel apostou na experiência para vencer a especial sem cometer erros de navegação

Carros: Stéphane Peterhansel: “Foi um estágio cheio de surpresas. Nós conseguimos ultrapassar Carlos Sainz e Nasser Al-Attiyah por conta de um erro de navegação que eles cometeram. Depois, foi nossa vez de ter problemas, com um pneu furado. Eles nos ultrapassaram novamente, mas nós pudemos recuperar a posição no final”

Carlos Sainz: “No início, tivemos problemas de navegação e hesitamos por uns 5 km até retornarmos ao traçado [mas já tínhamos sido ultrapassados por Peterhansel]. Nas dunas, ficamos presos atrás de uma moto muito lenta, nós diminuímos o ritmo para evitar qualquer imprevisto”.

Nasser Al-Attiyah: “Eu estava seguindo Carlos e nos perdemos! Então Peterhansel nos ultrapassou. Depois decidimos dosar o ritmo pois Sainz estava muito rápido. Então eu pensei ‘ok, vamos apenas tentar terminar’, o que foi bom já que recuperamos 1min50”

A batalha entre Peterhansel e a dupla da Volkswagen foi a grande atração da especial de hoje, que culminou na primeira vitória da BMW em 2011. Em seguida, terminaram os quatro Touareg, com Sainz, Al-Attiyah, Ginniel De Villiers e Mark Miller. Os BMW de Krzysztof Holowczyc e Orlando Terranova finalizaram na sequência, com Guilherme Spinelli em oitavo, Nani Roma em nono e Guerland Chicherit completando os dez primeiros. Marlon Koerich e Emerson Cavassin encerraram em 21º.

Na classificação geral, Sainz ainda lidera com 2min26s de vantagem para Peterhansel. Nasser Al-Attiyah aparece apenas 7s atrás do francês. Ginniel De Villiers é o quarto, seguido por Holowczyc, Terranova, Miller, Spinelli, Roma e Lavielle. Koerich ocupa o mesmo 21º posto em que terminou a especial.

Caminhões: Como os caminhões demoraram a chegar, ninguém falou nada. Talvez Vladimir Chagin não tenha tido vontade de se manifestar depois de perder 20mins com problemas mecânicos. Com o ‘czar’ abatido, coube a Firdaus Kabirov manter a série imbatível do KAMAZ. O segundo lugar ficou com Nikolaev, também com um KAMAZ, enquanto Ales Loprais colocou um TATRA na terceira colocação. Chagin terminou em quarto, 22min17s atrás do líder. A sexta posição foi de André Azevedo.

No geral, Kabirov é o novo líder com 13min36s de vantagem para Chagin. Loprais é o terceiro, com um atraso de 25min20s em relação ao líder, enquanto André De Azevedo ocupa a mesma sexta colocação.

Na sexta-feira, os participantes vão encarar o Deserto do Atacama, percorrendo 721 km, dos quais 456 serão cronometrados, entre as cidades de Iquique e Arica. Sem mais dunas pela frente, os participantes que chegarem ao final da especial poderão aproveitar o sábado de folga para fazerem os reparos necessários nos veículos e terem um bom descanso.

Dakar: longo desafio entre San Miguel e Jujuy

janeiro 4, 2011

Nasser Al-Attiyah

Nasser Al-Attiyah entrou na briga pelo Dakar

O terceiro dia do Dakar foi o primeiro a apresentar um desafio real aos pilotos. Os trechos curtos ficaram para trás e dessa vez os participantes foram obrigados a atravessar 752 km, dos quais 521 km eram cronometrados, entre as cidade de San Miguel del Tucuman e Jujuy, ainda em território argentino.

Motos: Cyril Despres abriu o terceiro dia de competições na liderança do Dakar. O francês, no entanto, teve problemas antes mesmo do primeiro posto de controle e chegou a ocupar a 45ª posição do estágio. Enquanto isso, a briga pela liderança era entre o americano Jonah Street, da Yamaha, e do português Paulo Gonçalves da BMW.

A dupla no entanto logo foi superada por Marc Coma, que tentava forçar o ritmo para ampliar cada vez a diferença para Despres na classificação geral. O que se viu a seguir foi exatamente o contrário, com o atual campeão da competição descontando o tempo perdido. Se Despres cruzou o primeiro posto de controle 6min54s atrás do então líder Street, o gaulês finalizou o dia apenas 2min21 depois do vencedor Marc Coma.

Paulo Gonçalves encerrou em terceiro, seguido por Olivier Pain, da Yamaha, e por Ruben Faria, companheiro de Coma na KTM. Zé Hélio conquistou um excelente sexto lugar, Jordi Viladoms, Hélder Rodrigues, David Casteau e Juan Pedrero Garcia completando os dez primeiros. Jonah Street caiu da liderança inicial para o 11º lugar.  Entre os brasileiros, Jean De Azevedo finalizou em 16º, enquanto Vicente de Benedctis foi apenas o 102º.

Na classificação geral, o desempenho fantástico de Depres deixou o francês na liderança da competição com apenas 14s de vantagem para Coma. Ruben Faria, ainda beneficiado do bom desempenho na abertura do rali, aparece em terceiro, seguido por Olivier Pain e Zé Hélio. Jean De Azevedo é o 14º e De Benectis, o 86º.

Quadriciclos: Os irmãos Patronelli lideraram quase toda a especial, mas no final acabaram tendo problemas. O também portenho Tomas Maffei garantiu a vitória, sendo seguido pelos compatriotas Sebastian Halpern e Alejandro Patronelli. Os tchecos Plechaty e Machacek finalizaram 20 minutos depois do vencedor. Marcos Patronelli, por sua vez, salvou um nono lugar depois de brigar pela liderança durante todo o dia.

Na classificação geral, Halpern lidera com uma vantagem de 12s para Alejandro. Maffei pulou para terceiro, sendo seguido por Plechaty e Machacek.

Vladmir Chagin

Vladmir Chagin segue imbatível. Vou adiantar um monte de post com vitórias dele, aliás

Carros: O dia começou com Carlos Sainz sendo o primeiro a largar para a longa especial devido aos dois triunfos consecutivos no início da competição. Apesar de contar com pista limpa, o espanhol não conseguiu aproveitar a vantagem e viu o rival Stéphane Peterhansel assumir a liderança da especial.

O piloto da BMW conseguiu abrir vantagem para os adversários nos primeiros postos de controle, mas a partir da quinta marcação Nasser Al-Attiyah já aparecia na frente. Durante boa parte do estágio, os quatro Volkswagens ocupavam as cinco primeiras colocações, salvo o segundo lugar de Peterhansel. O francês, aliás, perdeu a posição para Sainz, que, montanha acima, se recuperara do fraco início de especial.

Já a nível do mar praticamente, Al-Attiyah seguia na frente com boa vantagem para Sainz. A situação do qatari piorou no trecho final ao perder cerca de 1min para o espanhol. No final, Nasser venceu com uma diferença de apenas 29s para Sainz e 59s para Peterhansel. O fim do estágio também foi muito bom para Krzysztof Holowczyc, que pulou de sexto para quarto, ao ultrapassar os Touareg de Ginniel De Villiers e Mark Miller. A terceira BMW, de Leonid Novitskiy finalizou em sétimo, seguido pelo companheiro Orlando Terranova  e pelo MINI de Guerland Chicherit.

Guilherme Spinelli e Youssef Haddad, com um Mitsubishi, encerraram o dia na décima posição, sendo este o melhor resultado de uma dupla sem o apoio oficial de fábrica. Marlon Koerich e Emerson Cavassin terminaram em 28º.

Na classificação geral, Sainz lidera com uma vantagem de 3min34s para Al-Attiyah, o novo segundo colocado. Peterhansel aparece em terceiro, 4min19s atrás do líder. Na sequência, De Villiers, Holowczyc, Terranova e Novitsky, sendo os três últimos de BMW. Guilherme Spinelli ocupa uma excelente oitava colocação, mas tem um déficit de 48min22s. Nani Roma e Christian Lavielle, ambos com Nissan, completam os dez primeiros.

Depois dos problemas na segunda-feira, quando foi rebocado por um Fiat 147, o Hummer de Robby Gordon aparece em 17º lugar. O compatriota Mark Miller, da Volkswagen, que também passou por problemas, aparece um pouco melhor classificado, em 12º. Os brasileiros Koenich/Cavassin ocupam uma boa 21ª posição, depois de um difícil estágio.

Caminhões: Com a especial reduzida para apenas 226 km, os KAMAZ foram imbatíveis mais uma vez. Vitória de Vladmir Chagin (jura?) seguido pelo companheiro Fidalus Kabirov. Ales Loprais, com um TATRA, segue fazendo um excelente rali, terminando na terceira posição. André De Azevedo não foi bem e acabou em 11º, 41min21s atrás do líder.

Na classificação geral, os KAMAZ dominam. Chagin tem uma vantagem de 6min23s para Kabirov. O terceiro lugar na etapa derrubou Loprais para a mesma terceira posição e está 14s longe do adversário mais próximo. André de Azevedo despencou para oitavo.

O quarto dia de Dakar será disputado entre as cidades de Jujuy e Calama. Comparado ao dia anterior, a especial de 207 km parece ser mais fácil. O problema será a descida dos Andes. O estágio começa a 3.300m de altitude e termina na cidade chilena. Pode haver dunas no caminho.

Dakar: deixando Victoria para trás

janeiro 2, 2011

 

Mark Miller

Mark Miller terminou o primeiro dia do Dakar em 4º

O Dakar começou com a largada oficial logo no dia 1º, mas na abertura da competição, os pilotos apenas fizeram um deslocamento de 377 km entre Buenos Aires e Victoria. O que valeu mesmo foi a festa de abertura, com carros e motos pulando pela rampa de partida levando os fãs ao delírio.

Competição mesmo apenas hoje, no dia 2. Os participantes deixaram a cidade de Victoria rumo à Córdoba. Entre as duas cidades, 788 km de percurso, sendo que apenas 222 desses km – no caso de carros e caminhões – eram cronometrados.

Motos: O duelo esperado era entre Cyril Despres e Marc Coma, os dois últimos vencedores do Dakar. Coma até acompanhou o ritmo do francês no início do percurso, mas não foi capaz de superá-lo. A cada posto de controle, no entanto, outro piloto começou a aparecer na disputa: o português Ruben Faria. Companheiro de Coma na KTM, Faria em momento algum ficou 1min atrás de Despres, no trecho final, ultrapassou o atual campeão da competição e levou para casa a primeira especial de 2011, com uma vantagem de 29s. No entanto, o português acabou sendo punido por excesso de velocidade, caindo para o segundo lugar e dando o triunfo ao adversário.

Coma terminou em terceiro, Juan Pedrero Garcia colocou a quarta KTM entre os quatro primeiros, enquanto Paulo Gonçalves, com uma BMW, foi o quinto colocado. Apesar do investimento em contratações, a Yamaha não foi bem. Jonah Street terminou em sexto, Jordi Viladoms, o nono e Pal Ullevalseter apenas o 29º. Para justificar o fraco desempenho, o norueguês culpou a mudança no regulamento – de 650cc para 450cc na potência das motos – e disse que estava fora de ritmo por ainda não ter competido este ano. Bom, ninguém competiu né, Ullevalseter? Papelão hein!

Entre os brasileiros, Zé Hélio chegou a ocupar o quinto posto na metade do percurso, mas acabou terminando a especial em oitavo, com outra BMW. Jean Azevedo finalizou em 16º, enquanto Vicente De Benedictis foi o 75º.

Quadriciclos: O atual campeão, Marcos Patronelli, teve a participação na competição descartada no início do dia. No entanto, o piloto surpreendeu a todos e correu no Dakar, finalizando em nono, mesmo enfrentando problemas elétricos, fora do trecho cronometrado. O vencedor foi o tcheco Josef Machacek, seguido pelo compatriota Martin Plechaty e pelo uruguaio Sergio La Fuente.

 

Robby Gordon

Sem repetir o pulo de 2010, Robby Gordon voltou a levantar a torcida na largada em Buenos Aires

Carros: Carlos Sainz e Nasser Al-Attiyah repetiram o duelo de 2010 no início da especial deste domingo. Nos primeiros postos de controle, o qatari passou na frente com uma vantagem de 2s, logo em seguida foi a vez de o espanhol abrir a mesma vantagem. A partir daí, Al-Attiyah adotou uma estratégia mais cautelosa e viu Stéphane Peterhansel, que busca o decacampeonato, ser o maior adversário de Sainz.

Mesmo sendo mais rápido no trecho intermediário, Peterhansel terminou 1min31s atrás do vencedor Carlos Sainz. Al-Attiyah finalizou em terceiro, com um déficit de 2min16s. Por curiosidade, a diferença entre o qatari e espanhol ao final da competição de 2010 foi de apenas 2min12s, ou seja, menos do que hoje.

Mark Miller e Ginniel De Villiers, ambos com Volkswagens, completaram os cinco primeiros. Em seguida apareceram os novos contratados da BMW: o polonês Krzysztof Holowczyz e o argentino Orlando Terranova. Robby Gordon fechou em oitavo com o poderoso Hummer, enquanto o brasileiro Guilherme Spinelliencerrou o dia na nona posição, 12min atrás de Sainz. O grupo dos dez primeiros foi completado por Leonid Novitskiy, com outro BMW.

A outra dupla brasileira, formada por Marlon Koerich e Emerson Cavassin, finalizou em um excelente 20º posto. Melhor sorte não teve Guerland Chicherit. A bordo de um MINI, o francês teve problemas elétricos e terminou em 77º, quase uma hora atrás dos líderes.

Caminhões: O ‘czar’ Chagin, com um Kamaz, venceu mais uma vez. Algo que deverá ser muito comum no ano. A surpresa foi o segundo lugar do tcheco Ales Loprais, com um Tatra. O outro caminhão da montadora, do brasileiro André de Azevedo, finalizou em quinto. O primeiro dia de rali também marcou o abandono de Gerard de Rooy, um dos favoritos. O holandês cometeu um erro e danificou a suspensão em um salto, abandonando na sequência.

Amanhã os competidores saem de Córdoba e partem rumo a San Miguel de Tucuman. Serão 764 km, sendo 324 km de trecho cronometrado.

Dakar 2011

dezembro 30, 2010

 

Carlos Sainz no Dakar 2010

Carlos Sainz comemorando a vitória no Dakar 2010

Tradicionalmente o primeiro evento de esporte a motor do ano é o Rali Dakar. Apesar do nome, faz alguns anos que a competição deixou a África (Dakar é a capital do Senegal) e acontece na América do Sul. Nada preocupante, já que, por exemplo, o Rock in Rio passou anos fora do Rio de Janeiro e o Grêmio Barueri é um time de futebol da cidade de Presidente Prudente.

A edição 2011 do maior rali de todos começa em Buenos Aires no dia 1º de janeiro e termina no dia 15 também na capital argentina. Ao todo, vão ser 13 dias de competição onde os participantes vão percorrer 9,5 mil km – dos quais 5 mil serão cronometrados – passando pela Argentina e pelo Chile.

Percurso do Dakar 2010

Percurso do Dakar 2010

O World of Motorsport faz agora um breve resumo de quem é quem na competição:

Motos: A mudança no regulamento entre as motocicletas – quando todas terão o limite de 450cc – prometeu um maior equilíbrio na categoria. A realidade, porém, é um tanto diferente. A disputa deve ficar reduzida ao espanhol Marc Coma e ao francês Cyril Despres, os dois últimos vencedores da competição. O também gaulês David Casteau corre por fora.

Além do trio, o norueguês Pal Ullevalseter, o chileno Francisco López Contardo e o português Hélder Rodrigues merecem destaque. Rodrigues, aliás, estreia pela equipe oficial da Yamaha e promete fazer uma boa competição. O americano Jonah Street também é outro competidor que pode surpreender.

Por fim, a BMW apostava todas as fichas em David Fretigné, mas o francês terminou 2010 lesionado e não vai correr. O substituto será o brasileiro Zé Helio, que fará a terceira participação no Dakar. Além dele, a equipe alemã também conta com o holandês Frans Verhoeven e com Paulo Gonçalves, de Portugal. Fora Hélio, o Brasil estará representado por Jean Azevedo, com uma KTM, que volta à disputar a competição nas motos depois de se aventurar nos carros, e por Vicente De Benedictis.

Quadriciclos: O domínio da família Patronelli dos hermanos (literalmente) Marcos e Alejandro foi tão grande em 2010, que para a nova edição da competição a expectativa é ver quem poderá pará-los. Os favoritos a esse tarefa são o polonês Rafal Sonik – atual campeão mundial -, o tcheco Josef Machacek, o francês Cristophe Declerck e o argentino Sebastian Halpern. Não há brasileiros na divisão.

 

Race Touareg 3

A Volkswagen trouxe o novo Race Touareg 3 para tentar o tricampeonato do Dakar

Carros: Na principal categoria, a Volkswagen estreia o novo Race Touareg 3 para a disputa da edição de 2011 do Dakar. O atual campeão Carlos Sainz é favorito, mas NasserAl-Attiyah também é um forte concorrente. Em 2010, o representante do Qatar terminou apenas 2min12s atrás do espanhol. Além dos dois, a montadora alemã ainda conta com o americano Mark Miller e com o sul-africano Giniel De Villiers.

A principal rival da Volkswagen também vem da Alemanha: a BMW. A concorrência entre os dois principais times vai muito além das montadoras. Nos últimos anos, os Touareg ficaram marcados pela predominancia da cor azul no esquema de pintura devido ao patrocínio da Red Bull. Em 2011, a BMW anunciou a parceria com a Monster – outro energético – para disputa da competição. Com a chegada do novo investidor o time pôde melhorar o plantel. O megacampeão Stephane Petterhansel, favoritíssmo ao Dakar, continua com a montadora, que ainda contratou o polonês Krzysztof Holowczyc, o francês Guerlain Chicherit e o argentino Orlando Terranova, que forma parceria com Filipe Palmeiro.

 

Guilherme Spinelli

O Mitsubishi de Guilherme Spinelli. O brasileiro quer repetir o Top 10 da última edição

O navegador português, em 2010, formou dupla com o brasileiro Guilherme Spinelli na Mitsubishi. Aliás, tanto Palmeiro quanto Terranova vieram da montadora japonesa, que não participa com apoio da fábrica. Mesmo assim, Spinelli está de volta à competição com um Mistubishi Lancer Dakar, ao lado do compatriota Youssef Haddad. Os brasileiros também estão representados por Marlon Koerich e Emerson Cavasin, que substituem Jean Azevedo na equipe da Petrobrás.

Para encerrar as grandes equipes, temos a Nissan. Os japoneses perderam Holowczyc para a BMW, mas trouxeram Nani Roma – liberado pelos alemães – para a vaga em aberto. A equipe também conta com Alfie Cox e com os menos conhecidos Alexander Mironenko, da Rússia , e Boris Garafulic, de Liechenstein.

Por fim, a categoria ainda reúne uma série de pilotos notórios como os argentinos Norberto Fontana, ex-F1 e Indy e atual campeão da TC 2000, Emiliano Spataro e Juan Manuel Pato Silva, participantes da mesma competição portenha de turismo. Tim Coronel, que já correu no WTCC, vai para mais uma participação no rali. Apesar dos pilotos locais, a grande estrela no Dakar é Robby Gordon. Sempre presente entre os primeiros, o piloto da Nascar retorna ao rali com o poderoso Hummer – agora patrocinado pelo energético do próprio piloto – com o objetivo de recuperar o pódio obtido em 2009.

Caminhões: Na última das quatro categorias, em 2010 ninguém foi capaz de vencer os poderosos Kamaz de Vladimir Chaguin e Fidaurs Kabirov, e eles estão de volta. Para tentar desbancar os russos, aparecem o Iveco de Gerard De Rooy, o Man de Marchel Van Vliet e os Tatra, do francês Ales Loprais e do brasileiro André de Azevedo. Por fim, Jan Lammers, ex-piloto de F1, também retorna ao rali com um Ginaf.

A máquina do deserto

agosto 24, 2010

Race Touareg 3

O novo Race Touareg 3 da Volkswagen, com o carro de fábrica ao fundo

A Volkswagen revelou o Race Touareg 3, a evolução do carro utilizado no bicampeonato do Rali Dakar, que será utilizado em 2011 na competição que novamente será disputada entre o Chile e a Argentina.

Além dos campeões Ginniel De Villiers e Carlos Sainz, os pilotos Mark Miller e Nasser Al-Attiyah serão os responsáveis por guiar essa máquina.Vale lembrar que na edição deste ano, o brasileiro Maurício Neves também competiu em um Touareg 2.

A principal mudança é a entrada de ar localizada no capô do carro para resfriar radiador, amortecedores e célula de combustível. Além disso, o Touareg sofreu mudanças aerodinâmicas.

O grande adversário da Volkswagen deve ser Stepháne Peterhansel, da BMW. O francês pode ser beneficiado por uma eventual falta de confiabilidade do RT3 para tentar vencer na América do Sul. Estrear um novo carro no Dakar não é sinônimo de sucesso. O próprio Peterhansel sofreu quando a Mitsubishi estreou a Pajero Evo. Na ocasião, nenhum dos carros japoneses terminaram a competição e, no contexto da crise econômica, a montadora decidiu deixar de apoiar a competição.

Para que esse infortúnio não aconteça com a Volkswagen, os alemães testaram em Marrocos e na Espanha a distância equivalente a dois Dakar. Além disso, Sainz será responsável pelo shakedown do novo carro no tradicional Rali da Rota da Seda, em setembro.

Clicando aqui você pode ver outras imagens do novo Race Touareg 3.


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