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Caminho das Índias

dezembro 22, 2012
A MRF 2000 surgiu na Índia e é disputada fora da temporada europeia

A MRF 2000 surgiu na Índia e é disputada fora da temporada europeia

Um dos processos mais curiosos do automobilismo no cenário atual é a eterna luta pelo corte de custos, na tentativa de tornar o esporte mais acessível, se é que podemos chamar assim. Uma das soluções encontradas pelos dirigentes para economizar foi limitar o tempo de pista. Ou seja, para que os pilotos não precisem gastar muito dinheiro, eles praticamente são proibidos de entrar nos carros fora dos finais de semana de corrida, além de uma ou outra data de treino coletivo no início do campeonato.

No entanto, essa tática teve um efeito colateral. Como os pilotos são proibidos de treinar em seus campeonatos originais, a solução encontrada pelos mais ricos para continuar competindo foi se aproveitar de certames emergentes, mas com um padrão um pouco menor daquele que é praticado na Europa. É nesse contexto que a Toyota Racing Series, da Nova Zelândia, se popularizou e a MRF 2000 foi criada na Índia.

Esses são campeonatos pré-F3, já que embora tenham carros potentes, eles têm equipamento defasado ao usado no Europa. A grande vantagem é que eles acontecem em épocas do ano que não há mais atividade no Velho Mundo, fazendo com que os jovens pilotos deixem a Europa para competir nesses países periféricos.

A MRF 2000, por exemplo, foi criada há dois anos, mas dessa vez conseguiu atrair uma boa gama de pilotos por causa do novo pacote técnico. Até mesmo pelos laços históricos e geopolíticos, o certame viu em 2012 uma invasão de pilotos ingleses. O líder do campeonato é Jordan King, que fez carreira na F-Renault. Além deles, os britânicos são representados por Luciano Bacheta (atual campeão da F2), Alice Powell (da GP3), Jon Lancaster (GP2), Hector Hurst (F2), entre outros menos conhecidos.

Quem também apareceu na Índia foi o americano Conor Daly, que até ganhou uma das corridas preliminares do GP indiano em Buddh.

Gustavo Myasava (2º à equerda) em meio à colônia anglófona, com Rupert Svendsen-Cook, Conor Daly, Jon Lancaster e Alice Powell

Gustavo Myasava (2º à equerda) em meio à colônia anglófona, com Rupert Svendsen-Cook, Conor Daly, Jon Lancaster e Alice Powell

Fora a colônia anglófona, a maior delegação por lá curiosamente é a brasileira, que conta com dois representantes. O primeiro é Henrique Baptista, que fez carreira em um campeonato de F-Renault na Inglaterra e está retornando ao automobilismo depois de se formar em uma universidade local.

O segundo é Gustavo Myasava, um dos principais nomes do kartismo brasileiro em 2012. O piloto paranaense já havia disputado algumas corridas na F3 Sul-americana, mas acabou se mandando para o outro lado do mundo para dar os primeiros passos na carreira nos monopostos.

Só que essa excursão pela Índia tem sido levada bem a sério pelo garoto. Gustavo chegou até mesmo a abrir mão de participar da Seletiva Petrobras de Kart para correr na Ásia, pois havia um choque de datas entre os dois campeonatos.

Curiosamente, a escolha deu resultado, e Myasava conquistou a melhor colocação final da carreira justamente no fim de semana da Seletiva. Na segunda prova da segunda rodada de Buddh, o piloto terminou na sétima colocação. Assim, com seis provas disputadas até agora, o brasileiro soma sete pontos é o 15º na classificação do campeonato, que usa um sistema de pontuação semelhante ao da F1.

Em termos de desempenho, eu acho que é muito cedo para fazer qualquer análise. Tanto Gustavo quanto Henrique estão disputando contra pilotos infinitamente mais experientes. Por isso, o mais importante é ver como vai ser a evolução deles dentro do grid.

Além disso, também é interessante ver como é essa nova geografia do automobilismo. Por todas as críticas que cansamos de fazer às entidades que chancelam o esporte a motor no Brasil, chegamos ao momento em que os garotos precisam ir para Índia para começar a competir, enquanto por aqui não há muito o que fazer.

Aí chegamos em uma estatística que diz muito. Sabe quantas corridas Myasava e Baptista já fizeram em Interlagos em toda a carreira? Zero. Porém, já conhecem Buddh como a palma da mão.

A próxima etapa da MRF 2000 acontece entre os dias 1º e 3 de fevereiro, no circuito de Chennai, também na Índia.

Jejum na ART Grand Prix

novembro 6, 2012

O carro de Conor Daly em Mônaco mostra como foi o ano da ART Grand Prix

Não tá fácil para ninguém. Talvez a maior equipe do automobilismo de base deste século, a ART Grand Prix encerra 2012 com um nó na garganta. Pela primeira vez desde 2004, a escuderia francesa não ganhou nenhum dos títulos de piloto que disputou neste ano.

Aliás, essa é a primeira vez que o título escapou desde que o time mudou de nome para ART Grand Prix, em 2005, quando Nicolas Todt se tornou um dos sócios.

A sequência de triunfos começou em 2004, ainda com o nome de ASM, com Jamie Green vencendo a F3 Euro Series. Nos cinco anos seguintes, Paul Di Resta, Romain Grosjean, Nico Hulkenberg e Jules Bianchi mantiveram a sequência vitoriosa.

A primeira derrota na F3 veio em 2010, quando o motor Volkswagen da Signature foi muito mais competitivo. Com isso, o veterano Edoardo Mortara não teve maiores dificuldades para ficar com a taça, derrotando Valtteri Bottas no equipamento da ART. No entanto, a escuderia francesa já estava mais interessada na GP3. E naquele mesmo ano ficou com a taça do recém-criado campeonato com Esteban Gutiérrez. Para terminar a sequências, Bottas triunfou também na GP3 no último ano.

Para tentar manter a sequência vencedora, na atual temporada, a equipe esteve presente na GP2, na GP3 e na Blancpain Endurance Series. Apesar de ter acumulado vitórias em todos esses campeonatos, a escuderia não foi capaz de levar seus pilotos ao título de campeão.

Jules Bianchi vence o campeonato da F3 Euro de 2009

Em um passado não muito distante, a ART não sabia o que era a derrota

A melhor chance veio na GP3. Para ficar com a taça, Daniel Abt precisava ganhar as duas corridas da etapa de Monza, além de torcer para um tropeço de Mitch Evans. Digamos que o neozelandês fez sua parte, abandonando as duas provas da rodada dupla. O problema é que o alemão não conseguiu contabilizar. Depois de ter ganhado na primeira corrida, Abt foi incrivelmente ultrapassado na penúltima volta da corrida decisiva, perdendo a vitória para Tio Ellinas. O triunfo do cipriota, assim, abriu espaço para que Evans se sagrasse campeão.

Na GP3 também veio o único prêmio de consolação. A ART venceu o campeonato de equipes, ao somar 378,5 pontos contra 309,5 da MW Arden.

A situação na GP2 também não foi tão ruim. Contando com Gutiérrez e James Calado, o time ficou com a segunda colocação no campeonato entre equipes. Já entre os pilotos, o duo não teve chances contra Davide Valsecchi e Luiz Razia, que monopolizaram a disputa pelo título. Com isso, Gutiérrez terminou em terceiro, com três vitórias, enquanto Calado foi o quinto, somando dois triunfos e sendo o melhor novato do campeonato.

Por fim, na Blancpain Endurance Series, a escuderia inscreveu uma McLaren MP4-12C para  Duncan Tappy e Grégoire Demoustier. No campeonato de coridas de longa duração, a dupla venceu a etapa de Navarra, na categoria Pro-Am, mas ficou apenas com a quinta colocação na classificação final.

Nem mesmo na F-Renault a situação melhorou. A R-Ace, uma espécie de irmã menor da ART, também passou longe da disputa pelo título. Nyck De Vries ficou com a quinta colocação no campeonato europeu, enquanto Pierre Gasly foi o décimo e Andrea Pizzitola terminou em 21º.

James Calado foi um dos destaques da ART em um ano tão ruim

Entretanto, apesar desse cenário aterrador, o desempenho da ART foi muito melhor do que os resultados sugerem. Na GP2, por exemplo, é o terceiro ano consecutivo que a escuderia francesa coloca um piloto na terceira colocação no campeonato. Derrota mesmo, só em 2010, quando Bianchi terminou atrás de Sergio Pérez – e do campeão Pastor Maldonado – na classificação final.

Depois, eles só perderam para veteraníssimos como Romain Grosjean, Luca Filippi, Razia e Valsecchi, mas inscrevendo carros para no máximo segundanistas na categoria. Em outras palavras, eles se mantiveram fieis ao desenvolvimento de jovens pilotos – sem apostar em megaexperientes para ficar com o título – e fizeram isso com muito sucesso.

Na GP3, a derrota veio por puro acaso. Ser ultrapassado na última volta, não tira o mérito de Daniel Abt de ter levado a disputa pelo campeonato até a corrida final.  E também não dá para desmerecer o trabalho de Mitch Evans, que dominou desde o início da pré-temporada e é um piloto muito acima da média.

Por fim, na F-Renault, 2012 serviu como um ano de afirmação na categoria. A estreia, em 2011, não foi boa, com o oitavo lugar na classificação de equipes, mas agora tanto De Vries quanto Gasly conquistaram pódios de forma frequente para fecharem no quinto lugar entre as escuderias.

Por que Dmitry Suranovich não deve levar toda culpa pelo acidente em Mônaco

maio 27, 2012

Dmitry Suranovich em um raro momento com o aerofólio traseiro no carro

Dmitry Suranovich não imaginava que ia se tornar um dos protagonistas do final de semana em Mônaco. Com F1, GP2, GP3, World Series e Porsche SuperCup dividindo as ruas do Principado, o novo contratado da Marussia Manor na categoria menor da F1 não tinha muitos motivos para ganhar destaque.

No entanto, as coisas fugiram um pouco do roteiro na segunda prova da GP3, disputada na tarde – quase início de noite – do sábado. Suranovich estava na 11ª posição e se defendia dos ataques de Conor Daly. O americano, por sua vez, no poderoso carro da Lotus – ex-ART Grand Prix –, vivia um final de semana bastante frustrante.

Antes de encontrar o russo pela pista, Daly havia abandonado a corrida da sexta-feira com um problema na bomba do combustível. Um resultado bastante desanimador após ter vencido em Barcelona e tendo entrado na briga pelo título. Assim, o americano estava motivado em conseguir o melhor resultado possível para tentar compensar a falha mecânica.

Daly tentou de tudo nas ruas do Principado para superar Suranovich, mas os dois pilotos acabaram se tocando, com a asa traseira do carro do russo se soltando com a batida. A partir daí, era natural imaginar que o piloto da Manor fosse recolher para os boxes e abandonar a corrida. Passou uma volta, e Suranovich não tomou o caminho do pit-lane. Passou outra volta e nada.

Surpreendentemente, três giros depois e sem aerofólio, o russo seguia na pista. Sem a asa, naturalmente o ritmo dele era pior, o que permitiu uma longa fila de carros se formar atrás de Daly. O americano, por sua vez, fazia de tudo para conseguir a ultrapassagem na tentativa de somar algum ponto importante.

O resultado possivelmente você já tenha visto. O carro de Daly foi catapultado na saída do túnel ao tocar na roda traseira de Suranovich, atingindo o alambrado com violência. Por sorte, o ângulo dos impactos foi favorável ao piloto americano, que nada sofreu embora o carro tenha ficado completamente destruído. Assim, Conor praticamente renasceu após o choque, enquanto o piloto russo saiu como vilão do acidente.

É evidente que Suranovich foi bastante imprudente no lance com Daly ao bloquear com um carro sem aerofólio um adversário visivelmente mais rápido. É claro que ele merece ser punido por todo o acontecido, mas o acidente é mais do que isso. É mais do que ver um carro voando em direção ao alambrado em Mônaco.

Em primeiro lugar, após a prova, a GP3 emitiu um comunicado desclassificando o russo da corrida não só pelo acidente, mas também por ter ignorado a bandeira preta com o circulo laranja – indicação de que era obrigado a retornar aos boxes para fazer os reparos necessários. Pessoalmente, eu não vi nenhuma bandeira ser acenada. Mas é claro que fico limitado pela transmissão. Ele pode ter recebido a indicação, enquanto a televisão mostrava o duelo pela liderança.

Mas me parece muito imaturo da direção de prova jogar toda a culpa do incidente em um piloto de apenas 16 anos, que faz apenas a segunda temporada da carreira desde que saiu do kart.

Para começar, do toque entre os dois pilotos até o voo de Daly não se passaram apenas duas curvas. Foram voltas e mais voltas. Quer dizer, então, que mesmo com centenas de fiscais, além de comissários de prova e dos membros da equipe, em nenhum momento ninguém conseguiu tirar um carro sem aerofólio da pista?

Ou seja, durante três ou quatro voltas, a direção de prova mostrava a bandeira negra exaustivamente para Suranovich, a equipe gritava para que ele recolhesse aos boxes, mas o garoto endoidou e resolveu pilotar um carro quebrado – mesmo com a desclassificação iminente – pelas ruas de Monte Carlo como se não tivesse acontecido nada? Eu acho que não. Que o russo errou em não ter voltado aos boxes, isso está mais do que claro. Mas colocar a culpa toda nele pelo acidente, ainda mais em se tratando de uma categoria-escola me parece uma afobação muito grande para fazer a corda arrebentar do lado mais fraco.

Em segundo lugar, a conduta do russo no acidente não me parece tão errada. No momento em que ele bloqueou o americano, a impressão foi do piloto ter feito apenas um movimento – para a direita – para impedir a ultrapassagem. Depois, ele praticamente manteve a trajetória em que estava na curva. Levando em conta alguns lances da F1 neste ano, em que não houve punição, seguindo a mesma lógica, também não deveria ter acontecido nada em Mônaco.

Outra coisa que precisa ser levada em conta é que os dois pilotos estavam se tocando há algumas voltas. Enquanto os dois batiam rodas, os fiscais assistiam a tudo como se não fosse nada demais. O lance no fim do túnel não foi tão diferente do embate travado na Mirabeau naquela mesma volta. É claro que existe o agravante de um dos competidores estar sem aerofólio. Mas, novamente, apenas a defesa de posição não foi algo desleal.

Não encontrei uma imagem do Suranovich sem a asa, então usei todo meu talento para fabricar essa acima para voce entende o estado do piloto durante a prova

Por fim, o acidente na GP3 mostra o fracasso que é este ano. Desde o momento em que os planteis das equipes foram anunciados, estava claro que alguns pilotos não tinham a menor condição de pilotar um carro da categoria. Aí nessas horas sempre tem alguém que fala algo como: “tem um piloto das Filipinas e outro do Chipre, não tem como dar certo!”

Só que se engana quem falar isso. O filipino (Marlon Stockinger, vencedor em Mônaco) e o cipriota (Tio Ellinas) fizeram por merecer para chegar à GP3. Começaram no kart, passaram anos nas categorias menores antes de avançar ao campeonato preliminar na F1. Por outro lado, há pilotos que chegaram à categoria com experiência mínima em monopostos.

E olha que Suranovich não está entre os piores. O russo até pode ser considerado como alguém no limite entre os pilotos bons/profissionais e aqueles que descolaram uma vaga na GP3 para fazer figuração. O problema é que, na maioria das etapas, os pilotos dessas duas realidades não se encontram. Os atletas de ponta geralmente disputam as primeiras colocações, enquanto os demais brigam no fim do grid. Só que em Mônaco foi diferente. Daly – que está entre os bons pilotos – teve o problema mecânico e precisou fazer a corrida de recuperação no sábado. Deu no que deu.

Depois de tudo isso, tem gente que acha mais fácil jogar toda a culpa no garoto de 16 e acordar no dia seguinte achando que está tudo bem na categoria. Então tá…

Salvador Daly

maio 16, 2012

Conor Daly foi esperto. Assim que venceu em Barcelona, rapidamente pegou a bandeira americana para comemorar

Dizer que, em se tratando de automobilismo, americano não gosta de F1 e só acompanha a Nascar não é mentira. Mas é uma generalização que não conta toda a verdade. É a mesma coisa que falar que o esporte a motor terminou para os torcedores brasileiros com a morte de Ayrton Senna. Para muita gente, realmente aconteceu isso, mas ainda tem quem acompanhe a modalidade.

Por que estou dizendo isso? É que esse post trata sobre o automobilismo americano voltado para a F1. Eu sei que a maior parte dos estadunidenses não está preocupada com a categoria de Bernie Ecclestone, mas o assunto desse texto é justamente aqueles que estão. Então quando eu falar americanos é sobre esse pequeno grupo ao qual estou me referindo.

Digo isso pois o interesse pela F1 deve aumentar na terra de Barack Obama. Além de dois GPs a partir das próximas temporadas, o país da América do Norte está cada vez mais próximo de voltar a ter um representante na categoria máxima dos monopostos, algo que não acontece desde Scott Speed.

Neste final de semana, em Barcelona, Conor Daly venceu a corrida curta da GP3. O garoto, que é filho do ex-piloto irlandês Derek Daly, mas possui cidadania americana, aos poucos vem se tornando a principal esperança dos EUA de retornar à F1. Além do bom desempenho na categoria de acesso e uma série de patrocinadores dispostos a abrir o bolso, Conor também se está se beneficiando da má-fase de Alexander Rossi, que ainda não conseguiu estourar na Europa.

O momento de Daly é tão bom que o garoto foi chamado pela Force India para participar de um teste aerodinâmico em linha reta na Inglaterra. Apesar de a atividade parecer boba, ela tem alguma importância já que será a estreia do americano em um carro da F1.

Apesar disso, nada garante que Conor Daly consiga chegar à categoria principal. Por exemplo, em 2011, o vencedor da corrida curta de Barcelona da GP3 foi Tamas Pal Kiss e mesmo a Hungria sediando um GP de F1 você não vê o piloto especulado por alguma equipe.

Felix Serralles escolheu defender as cores de Porto Rico na Europa

Só que Conor é um alento para a má-fase dos Estados Unidos nas pistas europeias. Na realidade, os pilotos americanos nunca foram tão vencedores no Velho Continente, o problema é que eles não se identificam com os EUA. Nos últimos anos, Gabby Chaves, Felix Serralles e Eddie Cheever III deixaram as categorias de base norte-americanas para tentar um lugar na F1.

Tirando Chaves, que já retornou à América e disputa a Star Mazda, os outros dois seguem firme e forte na F3, tendo inclusive já vencido corridas em 2012. O problema é que eles optaram por defender outros países nas pistas. Gabby Chaves, por exemplo, passou boa parte da carreira correndo com a licença norte-americana. No entanto, de dois anos para cá, o garoto resolveu voltar a representar a Colômbia, onde de fato nasceu.

Serralles passa por um problema ainda mais complicado. O garoto nasceu em Porto Rico, que não deixa de ser um território norte-americano, então pode optar por qualquer uma das duas nacionalidades. Durante muito tempo, Felix correu mesmo com a licença dos EUA, principalmente para se aproveitar das bolsas dadas aos pilotos nascidos por lá. Só que desde que começou a competir na Europa, em 2011, ele assumiu de vez a identidade porto-riquenha.

Cheever, por fim, é filho daquele Eddie Cheever que esteve na F1 na década de 1980 e depois também fez carreira na Indy. A exemplo de Serralles, ele também correu com a bandeira americana no início, mas acabou optando pela cidadania italiana quando foi competir na Europa. Não por acaso, Cheever é o atual líder da F3 Italiana.

Sem ter maiores opções no mercado, os americanos acabavam torcendo mesmo por esses pilotos. Mas devia ser bem frustrante no fim do dia ter que ouvir o hino de outro país e não rolar aquela comemoração.

Eddie Cheever III, por sua vez, optou pela licença italiana enquanto persegue a F1

Com Conor Daly, no entanto, as coisas mudaram. O piloto, digamos, realmente veste a camisa, com direito a comemorar a vitória com a bandeira americana. É claro que tem um pouco de autopromoção perante os fãs. Mas é essa identificação entre torcida e atleta que justamente pode levar a F1 a voltar a fazer sucesso um dia nos Estados Unidos.

Para encerrar, é curioso como a ascensão de Daly coincide com certo declínio de Alexander Rossi. O atual piloto reserva da Caterham era cotado para ser o próximo americano na F1, mas a falta de resultado – e de patrocínios pessoais – pode acabar pesando. Assim, pode ser que a experiência de Rossi na categoria fique resumida apenas a alguns treinos livres de sexta-feira. O que é uma pena. Na comparação direta, acho que Rossi é mais piloto. Só faltou um lobby maior durante a carreira e provocar essa identificação com a torcida.

Conor Daly: disputado por GP3 e Indy Lights

fevereiro 18, 2011

 

Conor Daly

Conor Daly irá disputar a GP3 em 2011. E Conor Daly irá disputar a Indy Lights em 2011. Pode isso?

Quando a GP3 foi criada, trazendo mais 30 vagas para pilotos recém-saídos de categorias como F-Renault e F-BMW, é bem verdade que os times não conseguiram preencher todos esses espaços. Como as equipes são obrigadas a correrem com três carros em todos as etapas, elas foram obrigadas a buscar pilotos em lugares antes solenemente ignorados.

Prova disso foi a participação de Felipe Guimarães pela Addax, visto que o brasileiro já se preparava para seguir na Indy Lights. E esse nem foi o caso mais marcante. O russo Ivan Lukashevich estava havia um ano afastado das pistas – e sequer tinha uma vitória na carreira – quando foi contatado pela Status. E olha que essa lista poderia ficar ainda maior por conta de Daniel Morad, Pablo Sanchez López e Patrick Reiterer.

A situação não mudou muito em 2011. Até o momento o filipino Marlon Stockinger é o que há de mais exótico da lista de inscritos. Além dele, aparece também o neo-zelandês Mitch Evans, um velho conhecido de quem acompanha o blog. Se você não o conhece, clique aqui.

Mas o caso mais interessante é o de Conor Daly. Não achem que estou dizendo que o americano é um mau piloto. Pelo contrário. Pela forma com que conquistou a Star Mazda em 2010, Daly é uma das gratas promessas do país. No entanto, a contratação dele pela Carlin é curiosa por dois bons motivos.

Primeiro porque é algo incomum alguém fazer essa transição América -> Europa. Ainda mais em se tratando de um vencedor da Star Mazda, categoria até então pouco observada no Velho Continente. Quer um exemplo? Vejamos os campeões que antecederam Daly. A lista começa com o inglês Adam Christodolou e segue com John Michael Edwards, Dane Cameron, Adrian Carrio, Rapha Matos, Michael McDowell…

A grande maioria sequer teve sucesso nos próprios Estados Unidos. Daí a um americano conseguir vaga na GP3 por uma equipe tradicional como a Carlin – que não anunciou mais nenhum outro piloto até agora, o que significa que não está desesperada por gente – prova como foi estranha a mudança. Repito: isso é algo incomum, não estou desdenhando da habilidade Daly.

O segundo ponto da contratação de Conor é que ele foi liberado pelo time inglês para correr também na Indy Lights, nas etapas em circuitos mistos cuja agenda não seja conflituosa com os eventos na Europa.

Se a minha memória não estiver falhando, a última vez que um piloto competiu na Indy Lights e participou da F1 foi Cristiano da Matta, em situação muito diferente da de Conor Daly.

Conor Daly GP3

Conor Daly testando um carro da GP3

De qualquer forma, o acordo com a Sam Schmidt parece agradar a todas as partes. A Carlin passa a ter um piloto que terá mais seat time que qualquer outro na categoria pois irá participar de dois campeonatos distintos. Daly poderá somar o aprendizado das pistas dos Estados Unidos aos da GP3, afinal, quanto mais souber sobre os diferentes tipos de pista, melhor para ele. Além disso, o piloto também acaba tendo uma garantia de futuro caso a carreira na Europa não dê certo.

Por fim, a equipe de Sam Schmidt ainda conseguiu montar um plantel de respeito no principal carro do time. Além de Daly nos circuitos mistos, Bryan Clauson – vencedor da bolsa da Indy dada ao campeão da USAC – irá competir financiado nas pistas ovais. Lembrando que o brasileiro Victor Carbone será companheiro da dupla e fará a temporada completa da Indy Lights.

A opção da Carlin por Conor Daly mostra que o automobilismo dos Estados Unidos não está morto para o mundo e é bom o programa Road to Indy ter cuidado, senão os jovens talentos podem acabar se mudando para a Europa ao invés de seguir carreira na América.

2011: Connor De Phillipi sabe o caminho para o sucesso

dezembro 25, 2010

Connor De Phillipi

Connor De Phillipi é candidato a ser o principal nome dos Estados Unidos em 2011

Quando eu fiz o post sobre Daniel Abt, falei que a Alemanha teve, durante a década, a capacidade de revelar novos pilotos ano após ano sem perder a qualidade. Era quase rotina os jovens do país abocanharem títulos nas categorias de acesso à F1.

Os Estados Unidos, de forma mais discreta, começa a viver essa realidade. Se alguns anos atrás, as revelações americanas não passavam de um ou outro gato pingado – como JR Hildebrand, A.J. Allmendinger e Graham Rahal – hoje a situação está um pouco melhor. John Michael Edwards foi o principal nome do país em 2009 e inclusive já tem a estreia na Indy especulada para as próximas 500 Milhas, pela Rahal/Letterman/Laningan.

Depois foi a vez de Conor Daly impressionar. Em 2010, o jovem dominou a Star Mazda e é disputado pelas principais equipes da Indy Lights e pela Carlin, na GP3, para seguir a carreira. Como o objetivo desta seção é falar das promessas de 2011, o assunto aqui é o sucessor de Daly: Connor De Phillipi.

Conor Daly e Connor De Phillipi

Conor Daly e Connor De Phillipi: as semelhanças vão muito além do nome

As semelhanças entre Conor Daly e Connor De Phillipi não param no nome. Os dois xarás tiveram uma trajetória muito parecida na curta carreira no automobilismo. Daly foi campeão da Skip Barber em 2008 e ainda conquistou, no Reino Unido, o Trofeu Walter Hayes de Fórmula Ford – uma das competições mais importantes da categoria. No ano seguinte, adivinha quem foi o vencedor da Skip Barber. É, foi De Phillipi. E chutem qual foi o outro triunfo dele no ano. Trofeu Walter Hayes? Exato.

Enquanto o xará mais novo seguia seus passos, em 2009, Conor Daly foi correr na Star Mazda. No ano de estreia, terminou na terceira posição, mas acumulou bastante experiência como um novato. Em 2010, Daly conquistou o título da categoria usando o que aprendera no ano anterior. E adivinhem quem foi o novato que terminou justamente na terceira colocação. É, Connor De Phillipi.

Connor De Phillipi

Curiosamente, Connor De Phillipi estampa o cavalinho da Ferrari no topo do capacete (clique na imagem para ampliar)

De Phillipi tem 18 anos recém-completados. Caso você esteja lendo ainda hoje – no Natal – esse post, então ainda há tempo para mandar os parabéns ao piloto, já que ainda é aniversário dele. Aliás, voltando a Conor Daly, sabem quando ele faz aniversário? Errado! O atual campeão da Star Mazda completou 19 anos no dia 17 de dezembro. Quase hein.

Levando em conta todas as semelhanças, Connor De Phillipi tem bons motivos para acreditar no título da temporada 2011 da Star Mazda. O piloto ainda não confirmou a participação na categoria, mas deve continuar no time JDC, onde correu na temporada passada.

O garoto evoluiu muito ao longo da última temporada. Nas primeiras dez corridas, terminou cinco vezes em quarto ou quinto, sendo esses os melhores resultados obtidos. Nas três etapas finais, De Phillipi não só subiu ao pódio pela primeira vez, como tornou isso uma constante. Foram dois terceiros lugares e uma vitória, justamente na corrida final, em Road Atlanta. Na penúltima prova, em Mosport, o piloto já havia sido o destaque do final de semana ao fazer uma corrida de recuperação, cheia de ultrapassagens, mas terminando atrás de Conor Daly.

As semelhanças entre os dois xarás, além do bom desempenho nas últimas etapas, colocam Connor De Phillipi não só como favorito para a temporada 2011 da Star Mazda como também um dos principais candidatos a se destacarem no ano. Para ler os demais textos sobre as jovens promessas para 2011, basta clicar aqui.

Treinos da GP3 em Estoril

outubro 15, 2010

Mitch Evans

Mitch Evans foi um dos destaques dos primeiros testes coletivos da GP3 visando a temporada 2011

Continuando com os posts sobre os testes de pré-temporada, agora é a vez de falar da GP3. A categoria que estreou em 2010 realizou três dias de testes coletivos na saudosa pista de Estoril, em Portugal.

Cada equipe pôde inscrever três pilotos para treinar por dia, fazendo com que os trinta carros do grid pudessem ir à pista simultaneamente. Ao contrário da temporada 2010 quando havia quatro brasileiros no grid, nesses treinos apenas Adriano Buzaid e Pedro Nunes estiveram presentes.

Na quarta-feira, dia 13, primeiro dia de treinos, o líder foi Nico Muller, que retornava à equipe Jenzer depois de renovar o contrato por mais um ano na categoria. O piloto suíço terminou a temporada em terceiro lugar, sendo um dos destaques, e era esperado que ele fosse um dos que subissem para a GP2.

Quem também surpreendeu foi a equipe Addax. O time espanhol andou entre os primeiros, com Miki Monrás sendo o segundo mais rápido pela manhã, enquanto Roberto Merhi foi o vice-líder durante a tarde. Adriano Buzaid foi o oitavo no turno matutino.

Menção honrosa também para James Calado (ART) e Adrian Tambay (Manor), que estiveram entre os ponteiros em ambas as sessões, além de Michael Christensen (Status), e Tamas Pál Kiss (Atech). Outro que chamou a atenção foi o americano Conor Daly, que estreava na Europa depois de dominar a Star Mazda. Com um carro da Manor, o piloto terminou em nono na primeira sessão e em 12º na segunda, lembrando que nunca tinha competido na GP3, tampouco em Estoril. Pedro Nunes novamente com a ART finalizou em 14º e 19º.

Lewis Williamson

Lewis Williamson é outro dos nomes para lembrar para 2011

Na quinta-feira, a Addax voltou a mostrar força, liderando a primeira sessão com Antonio Félix da Costa. O português ainda terminaria o segundo treino no terceiro posto. Christensen andou novamente entre os líderes, mas foi a equipe Mücke que foi o grande destaque do dia. Nigel Melker, outro que já renovou contrato, foi terceiro e depois segundo, enquanto Willi Steindl, terminou em quinto e em oitavo. Pedro Nunes também teve destaque ao liderar a ART com o quarto tempo pela manhã e com o sexto posto durante a tarde.

O segundo dia de treinos também antecipou alguns destaques do terceiro dia. Mitch Evans, de apenas 16 anos, surpreendeu a todos ao terminar em quinto na parte da manhã em um carro da MW Arden. Na mesma equipe esteve Robin Frijns, que finalizou em sexto, enquanto Conor Daly, na Manor, permaneceu entre os dez primeiros. No entanto, ninguém chamou mais a atenção que Lewis Williamson. O britânico, vice-campeão da F-Renault UK, liderou a última sessão do dia desbancando favoritos como Melker e Félix da Costa.

No último dia de treinos, Tambay voltou a entrar em cena ao liderar a sessão matutina, novamente em um carro da Manor. Williamson terminou em segundo, seguido por Melker, Pedro Nunes e por Gabby Chaves, que estreava na ART. O colombo-americano, aliás, é apontado como o sucessor de Esteban Gutierrez no time francês. O piloto esteve bem perto de integrar o Ferrari Driver Academy, mas acabou sendo preterido, mas ficou na Itália para a disputa da F3 Italiana, aproveitando da proximidade com a Scuderia de F1. Mitch Evans manteve o bom momento ao finalizar a sessão em décimo, enquanto Adriano Buzaid foi apenas o 23º.

Durante a tarde, Lewis Williamson, da ATECH, cravou o melhor tempo da sessão, encerrando os treinos coletivos da GP3 na frente. Robin Frijns foi o segundo, mostrando que a equipe de Mark Webber (MW Arden) pode vislumbrar em 2011 um desempenho melhor que o da atual temporada, quando terminou em último entre os times. O terceiro foi Dean Smith, com um carro da Addax.

Calado e Chaves completaram os cinco primeiros, sendo que ambos testaram pela ART. O britânico já está fechado com a equipe e o colombo-americano deve ser anunciado tão logo a temporada na Itália termine. Evans voltou a ir bem, finalizando em sexto, seguido por Nigel Melker, Julian Leal, Rio Haryanto e Simon Trummer, no terceiro carro da MW Arden. Adriano Buzaid foi o 15º e Pedro Nunes, o 16º.

Como se pode ver, alguns pilotos como Adrian Tambay, Mitch Evans e Lewis Williamson aproveitaram o primeiro teste coletivo para fazer um nome na categoria e entrar na briga pelas vagas de 2011. Outros, como Pedro Nunes, Dean Smith e Michael Christensen precisam mostrar serviço, já que entram no segundo ano na categoria. Nesse primeiro teste, pelo menos, se saíram bem. A GP3 volta a treinar entre os dias 20 e 22 de outubro, em Jerez.

A Star Mazda tem um novo campeão

agosto 28, 2010

Conor Daly

Pode comemorar, Conor, afinal é o novo campeão da Star Mazda

Conor Daly venceu neste sábado, dia 28, a etapa de Mosport da Star Mazda e conquistou por antecipação o campeonato da Star Mazda. O piloto americano venceu pela sétima vez no ano, igualando o recorde da categoria. Conor é um daqueles pilotos apontados desde cedo como uma futura promessa do automobilismo.

Ele foi o vencedor de um programa seletivo para jovens pilotos americanos chamado de Team USA e depois conquistou o prestigiado troféu Walter Hayes de Fórmula Ford. Em 2008, foi campeão de Skip Barber e agora triunfou na Star Mazda. O próximo passo, teoricamente seria a Indy Lights.

Conor Daly

Daly venceu sete corridas na atual temporada. Um recorde na Star Mazda

Tomara que Conor não seja mais um bom piloto americano das categorias de base a sumir por aí. Afinal, a lista de promessas que não tiveram espaço na Indy (e claro que na F1 também não) é muito extensa. É só tomarmos JR Hildebrand, atual campeão da Lights, como exemplo. Nesse ano, ele fez duas provas de ALMS e duas na Indy, em substituição a Mike Conway.


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