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Nick Cassidy, o primeiro campeão de 2013

fevereiro 3, 2013
A geração de 2013 da TRS pode ter sido a última

A geração de 2013 da TRS pode ter sido a última

Há algumas incertezas sobre o futuro da Toyota Racing Series para 2014. Nas próximas semanas, a montadora japonesa vai se reunir lá na Nova Zelândia para decidir se renova o contrato com o campeonato por mais alguns anos. A tendência é que isso aconteça, mas em uma época de crise econômica ainda é cedo para cravar qualquer coisa. Caso isso realmente ocorra, é provável que o campeonato estreie um novo carro no ano que vem.

Do contrário, os organizadores têm bons motivos para encerrar a história do certame com a sensação de dever cumprido. No ano passado, a TRS recebeu críticas no final, vindas de gente grande, como Luca Baldisseri, responsável pela Academia da Ferrari. Dessa vez, nada deu errado, e o campeonato terminou em alta, com um recorde de participação de pilotos estrangeiros.

No entanto, quem comemorou o título foi um atleta da casa. Nick Cassidy não se importou com a presença de 17 pilotos de fora da Nova Zelândia e garantiu o bicampeonato do certame. O título foi mais do que merecido. Nas 15 corridas disputadas, o garoto terminou apenas duas vezes fora do top-5 e arrancou para o triunfo com uma sequência de cinco pódios nas últimas cinco corridas.

Mesmo assim, a definição do campeonato aconteceu apenas no último dia de TRS. Lucas Auer, que chegou à Nova Zelândia como favorito, teve problemas nas etapas finais, mas mesmo assim abriu o domingo com chances de ficar com a taça. O piloto começou bem, fazendo uma corrida de recuperação na segunda bateria e vencendo sem maiores problemas. Com isso, a diferença para Cassidy havia caído para apenas 19 pontos, e o austríaco ficaria com o caneco caso vencesse a prova decisiva e o adversário ficasse fora do pódio.

O problema é que horas depois da prova 2 a direção da TRS anunciou que Auer foi punido por ter jogado Steijn Schothorst para fora da pista quando fez a ultrapassagem. Com isso, o sobrinho de Berger caiu para a 14ª posição, garantindo o título por antecipação de Cassidy. Felix Serralles e Pipo Derani também foram penalizados, fazendo com que Bruno Bonifácio herdasse a vitória.

Nick Cassidy garantiu o bi da Toyota Racing Series

Nick Cassidy garantiu o bi da Toyota Racing Series

A punição de Auer também fez com que Alex Lynn garantisse o vice-campeonato. Experiente, o inglês foi um dos melhores pilotos da competição, tendo vencido três vezes e subido ao pódio em outras seis oportunidades. Apesar disso, um acidente ainda na rodada de abertura, em Teretonga, e um problema mecânico em Manfeild o deixaram longe da briga pelo título. Mesmo assim, Lynn encerra o primeiro campeonato do ano mantendo a boa fase que o acompanha desde o GP de Macau do ano passado, quando largou na pole-position.

Ainda falando de Auer, o sobrinho de Berger sofreu a chamada síndrome de refrigerante aberto. Ele começou a temporada bastante forte, com duas vitórias e mais três pódios nas primeiras oito corridas, mas acabou perdendo o gás e fechando entre os três primeiros somente uma vez nas sete provas restantes.

O quarto colocado foi Steijn Schothorst, uma das grandes revelações do campeonato. O holandês, vindo da F-Renault NEC, conquistou uma vitória em Manfeild e impressionou ao andar no mesmo ritmo de pilotos muito, mas muito mais experientes. Além de a adaptação ter sido imediata, o garoto praticamente não cometeu erros, mesmo sendo um novato. Ele é, sem dúvidas, um dos grandes vencedores da competição e agora já pode ser apontado como um dos favoritos ao título da F-Renault Europeia, onde já assinou com a equipe de Josef Kaufmann.

Steijn Schothorst voou na pista. Literalmente

Steijn Schothorst voou na pista. Literalmente

Entre os pilotos brasileiros, Bruno Bonifácio foi o mais bem classificado. Tendo herdado a vitória na segunda corrida de Manfeild, o paulista fechou as 15 corridas com dois triunfos, além de o recorde de mais pontos marcados por um piloto brasileiro – 650 – na competição. De negativo, fica a péssima etapa de Hampton Downs, quando se envolveu em acidentes bobos em praticamente todas as baterias. De qualquer forma, a experiência na TRS pode ser fundamental para uma boa campanha na F-Renault em 2013.

O outro piloto do país foi Pipo Derani, que venceu uma vez e terminou o certame em sétimo. O também paulista mostrou o que se esperava dele. Venceu uma prova, subiu outras duas vezes ao pódio e acompanhou o ritmo dos primeiros colocados quase sempre. Assim, há duas formas de avaliá-lo. A primeira é dizer que isso foi pouco, levando em conta que ele vai começar o quarto ano na F3. O outro é fazer a comparação com Felix Serralles, também piloto da Fortec na F3 Europeia.

O porto-riquenho também não foi bem e decepcionou ao chegar como favorito, mas terminar o certame com um péssimo ritmo de corrida, quando acabou disputando apenas posições contra pilotos do segundo escalão. Como houve uma queda de desempenho geral entre os carros da equipe Giles, o julgamento dos dois garotos da Fortec não precisa ser tão rigoroso.

Para terminar o grid, outro que decepcionou foi Damon Leitch. Terceiro colocado de 2012, o piloto da casa dessa vez subiu ao pódio em uma única oportunidade, fechando o ano apenas em oitavo. Jann Mardenborough, por sua vez, se envolveu nos acidentes com Bonifácio, mas mostrou ser capaz de beliscar posições competindo contra os adversários mais experientes. O que não deixa ser um bom resultado para alguém cuja experiência no automobilismo há dois anos se resumia a jogar Playstation.

De resto, Tanart Sathienthirakul fez valer a experiência para concluir em 12º. Por fim, vai ser interessante ver como os outros dois asiáticos – Akash Nandy e Andrew Tang, da Malásia e Cingapura, respectivamente – vão usar a experiência adquirida na TRS, onde duelaram com alguns dos jovens pilotos mais badalados do mundo, em torneios da Ásia ao longo de 2013.

O novo – e molhado – título de Dean Stoneman

novembro 2, 2012

A vida de Dean Stoneman mudou completamente após o treino pela Williams, em 2010

Dean Stoneman é dono de uma das carreiras mais sensacionais do esporte a motor. Com apenas 22 anos de idade, o britânico é uma daquelas pessoas que pode bater no peito com orgulho e dizer “só eu sei pelo que passei”.

Como muitos pilotos, Stoneman sempre teve problemas com dinheiro. Vindo de uma família não muito rica, ele disputou alguns campeonatos menores do automobilismo inglês até chegar à agora extinta F-Renault UK, em 2008. Como novato, terminou na quarta colocação, ao superar nomes como James Calado e Oli Webb. Depois, repetiu a dose no ano seguinte e voltou a encerrar o certame no quarto lugar.

De qualquer forma, foram resultados bastante expressivos, já que era difícil competir por uma pequena equipe inglesa contra gigantes como a Manor e a Fortec.

Só que o dinheiro não foi o principal problema para Stoneman. Mesmo sem muitos recursos, ele continuou correndo. Depois de se destacar na F-Renault, resolveu se mudar para a F2, onde poderia ser mais competitivo, já que o baixo custo sempre foi um dos motes do certame.

Mas veja só que posição ingrata o piloto se meteu. Enquanto ele tinha um engenheiro designado pela própria organização do campeonato – algo estipulado pelas regras –, era obrigado a competir contra o filho do dono do certame, Jolyon Palmer, que tinha o apoio de alguns profissionais com passagem pelas principais categorias automobilísticas do mundo.

Desnecessário dizer que foi campeão no final, certo? Pois é, foi Stoneman. Só que nesse momento, o drama do inglês ainda nem tinha começado. Pelo título da F2, ele acabou convidado a testar pela Williams, no treino dos novatos, e começou a negociar com a ISR, na World Series, para ser companheiro de Daniel Ricciardo, em 2011.

Quando finalmente acertou com a equipe tcheca, veio a bomba. Stoneman foi diagnosticado no início do ano passado com câncer no testículo e foi obrigado a deixar o esporte a motor para focar no tratamento.

Depois de um ano fora, um doloroso tratamento e algumas operações, o piloto foi liberado pelos médicos para voltar a correr. No fim de 2011, ele participou de alguns treinos coletivos da F2, a convite da categoria, para desenvolver o equipamento. Depois, foi chamado pela ISR para participar do chamado treino dos campeões da World Series.

Embora não tivesse sido campeão de nada no ano passado, nada mais justo que receber essa nova oportunidade. Por fim, ele chegou perto de anunciar a transferência para a Indy Lights, mas acabou de fora depois que Sebastian Saavedra e Carlos Muñoz fecharam com a Andretti. Com isso, foi obrigado a voltar à Inglaterra de mãos abanando.

Só que a história de Stoneman não poderia parar por aí. O ano de 2012 ainda reservou uma bela surpresa para o britânico. Ao invés de ficar lamentando a falta de vaga para correr, o piloto aceitou o convite para disputar um campeonato de corridas de barco na Inglaterra. Sabe aquelas superlanchas que praticamente não tocam na água? Então, foi disso que ele foi andar.

Sem nunca ter andado de barco, Dean Stoneman foi campeão

De maneira espetacular, mesmo sem nunca ter competido com esses barcos, Stoneman venceu nove corridas ao longo de 2012 para terminar com o título da competição, ao lado do copiloto Dean Paling.

Com a taça, Stoneman ainda não decidiu se vai continuar nos barcos no próximo ano ou se volta a tentar algo nos carros de corrida. Apesar disso, o garoto já tem mais um bom motivo para ficar contente. “Agora eu tenho títulos tanto na terra quanto na água”, disse.

Olha, para falar a verdade, não conheço nenhum piloto que consiga atravessar tantas recuperações como Dean Stoneman. Acho que se a história dele fosse um livro, seria um daqueles que a gente para e pensa “não sei como o autor teve tanta imaginação”. Só que no caso do inglês tudo isso é real.

O campeão invisível

outubro 23, 2012

Pierre Kleinubing (o com a taça na mão) comemorou o título da Continental Series

Em meados da década passada, quando o automobilismo brasileiro andava em baixa na Europa, todos os anos dois títulos eram garantidos. O primeiro vinha com Raphael Matos, que triunfou em praticamente todas as categorias de base dos Estados Unidos. O segundo era de Pierre Kleinubing, um piloto de 38 anos, nascido no Rio Grande do Sul e que se mostrou mestre em campeonatos menores de turismo nos próprios EUA.

Em 2012, a situação não foi tão diferente. O primeiro título brasileiro f0i nos monopostos, com Nicolas Costa se sagrando campeão da F-Abarth. O segundo, adivinha, foi mais uma vez do desconhecido Kleinubing, que triunfou na Continental Series na divisão ST – formada por carros derivados dos de rua.

Esse foi o mesmo campeonato em que Nelsinho Piquet participou da etapa da Road America como preliminar da Nationwide. Mas é mais fácil explicá-lo como sendo a categoria de acesso da Grand-Am.

O Mazda 31 foi usado por Kleinubing em 2012

A Continental Series é dividida em duas divisões. A principal é a GS (Grand Sport) com os carros GT, além de outros veículos montados para as corridas. A Street Turner (ST) tem carros menos menores e menos potentes, e foi nessa divisão que o brasileiro venceu.

O título veio apenas na última etapa, em Lime Rock, no final de setembro. O brasileiro ganhou a prova e ainda contou com a décima colocação dos então líderes do campeonato, Derek Whitis e Tom Long, para ficar com a taça. Além do triunfo na etapa decisiva, Pierre já havia triunfado na abertura do campeonato, em Daytona.

Apesar de disputar uma divisão menor do automobilismo americano, Kleinubing derrotou alguns pilotos bastante experientes. Entre aqueles que participaram do campeonato estavam nomes como Andy Lally (com passagem por ALMS e Nascar), Gunnar Jeannete (ALMS e LMS), Chad McCumbee (Nascar) e Terry Borcheller (Grand-Am e ALMS).

Pelo pouquíssimo que pude acompanhar, acho que se o brasileiro disputasse campeonatos mais badalados, como a própria Grand-Am ou ALMS, ele não faria feio com relação aos pilotos que disputam esses campeonatos. Não estou dizendo que seria campeão, mas acho que conseguiria tranquilamente andar no meio do bolo, entre GTs e protótipos.

Você pode ver maiores informações sobre Pierre Kleinubing no perfil que tem no site da equipe que ele defendeu em 2012, para isso basta clicar aqui.

O dramático final da F-Renault Eurocup em 2012

outubro 22, 2012

Daniil Kvyat e Stoffel Vandoorne chegaram a Barcelona com chances de título

Geralmente eu costumo dizer que o responsável pelo calendário da World Series by Renault – e suas categorias menores – merece um prêmio. Afinal, é terrível acompanhar uma decisão de campeonato em Barcelona, um lugar em que ninguém passa ninguém. Ou seja, a gente passa meses acompanhando as categorias, daí monta todos aqueles cenários possíveis para a decisão, mas a corrida final é um lenga-lenga sem maiores emoções.

Mas o que dizer da corrida decisiva da F-Renault Europeia? Foi drama de início ao fim, com o título sendo definido nos momentos finais.

Vou tentar resumir o que aconteceu. Na segunda prova da etapa de Barcelona, para ser campeão, Stoffel Vandoorne tinha que chegar ao pódio independentemente do resultado de Daniil Kvyat. O russo, por sua vez, precisava justamente do contrário. Se ele não terminasse entre os três primeiros, o belga seria campeão.

A prova começou a ficar emocionante antes mesmo de começar. Kvyat marcou a pole-position, enquanto Vandoorne se classificou apenas em 16º. No entanto, caiu um tremendo temporal antes da largada, e virou um verdadeiro salve-se quem puder na pista. O russo manteve a ponta no começo da prova, enquanto o belga subiu para a sexta colocação ainda na primeira volta.

O problema é que Vandoorne começou a perder rendimento e passou a ser pressionado por um adversário. Os dois acabaram se tocando, o belga abandonou ainda na segunda volta. Com isso, Kvyat colocou uma mão na taça e era só seguir tranquilo para a bandeirada, certo? Errado! O garoto da Red Bull acabou punido com um drive-through e viu a possibilidade de perder toda a vantagem que havia aberto.

Vandoorne cometeu um erro enquanto brigava por posições intermediárias

Só que ele deu toda a sorte do mundo e quando se dirigiu ao pit-lane para cumprir a punição, o safety-car foi acionado por causa de um acidente no meio do pelotão. Isto é, todos os pilotos diminuíram o ritmo, e ele pôde retornar à pista ainda na terceira colocação, mas como os dois ponteiros bem à frente.

Na relargada, Kvyat passou os dois adversários sem maior problema e partiu rumo ao título. Mas o drama não parou por aí.  O safety-car, na verdade, acabou matando as chances do russo de ser campeão. Explico. Como o pelotão foi reagrupado, ficou claro que o carro da Koiranen não era o que tinha o melhor acerto para pista molhada e ainda sofria com a degradação dos pneus de pista molhada, que estavam sendo obrigados a funcionar em um asfalto que secava.

Se o caro de segurança pareceu que ia salvar Kvyat da punição, acabou acontecendo justamente o contrário. Acabou entregando-o aos leões. Assim, foi uma questão de tempo para que ele fosse ultrapassado por Oliver Rowland, William Vermont e pelo brasileiro Felipe Fraga, que deu a punhalada final.

O desespero do belga enquanto via os problemas de Kvyat era notável

A cada posição que o piloto perdia, Vandoorne esboçava um leve sorriso nos boxes. No final, Kvyat terminou a corrida em uma horrível oitava colocação e viu o adversário poder celebrar o título. Para piorar, o jejum de triunfos da Red Bull na F-Renault Europeia continua. A última vez que os rubro-taurinos triunfaram por lá foi em 2007, com Brendon Hartley.

De qualquer forma, seja qual fosse o resultado, os dois garotos deixam 2012 em alta. Para se ter uma ideia do domínio de ambos, Kvyat terminou o ano com o vice-campeonato e 234 pontos marcados. O terceiro colocado na classificação foi justamente Rowland, que somou apenas 109, menos da metade do russo.

Assim, não há muitas dúvidas de que tento Vandoorne – que deve seguir para a World Series – quanto Kvyat – na F3 Inglesa – não terão maiores problemas para continuar a carreira. Para o russo, aliás, ainda fica o prêmio de consolação por ter sido o campeão da F-Renault Alps. É um campeonato menor, tem menos importância, mas é uma taça do mesmo jeito.

Qual o limite para Robin Frijns?

outubro 21, 2012

Para variar um pouco, Robin Frijns foi campeão

O que falar sobre Robin Frijns? Aos 21 anos, o holandês já conquistou tudo o que podia nas categorias de base. Foi campeão da F-BMW Europeia, em 2010, conquistou a F-Renault na temporada passada e agora se sagrou campeão da World Series by Renault.

Se antes era um desconhecido, agora o neerlandês já é nome certo na lista de qualquer equipe. Afinal, Frijns literalmente correu contra tudo e contra todos nos últimos anos e ganhou. Ano passado eu até escrevi um texto sobre ele aqui no World of Motorsportbasta clicar aqui para relembrar – e relendo-o agora até fico espantado com a precocidade que o garoto atingiu.

Dito isso, agora só resta uma dúvida: o que falta para o holandês? Na verdade, o piloto já deu a resposta neste fim de semana. Antes mesmo de ir à pista para conquistar o título da World Series, Robin afirmou que está negociando com algumas equipes da F1 – especialmente a Sauber – para o próximo ano, mas como não tem dinheiro precisa que algum time resolva apostar no talento.

Para isso, a primeira chance de impressionar acontece no mês de novembro, em Abu Dhabi, quando participará do treino dos novatos. Lá na Marina de Yas, Frijns tem todas as chances do mundo de garantir um lugar cativo no coração das equipes. Em primeiro lugar, ele vai treinar pela própria Sauber, onde terá uma espécie de confronto direto com Esteban Gutiérrez.

Embora ainda não tenha havido anúncio oficial, o mexicano deve estar garantido na equipe suíça em 2013 justamente pelo patrocínio da Telmex. Assim, se Frijns conseguir um rendimento melhor – e um entrosamento bom com os integrantes do time – ele pode arrumar uma vaga para o próximo ano. Seja de reserva na escuderia suíça – que também deverá ter Nico Hülkenberg –, seja de titular em outro time.

Mesmo com tanto sucesso, a falta de patrocinadores no carro de Frijns é notável (o F é de Frijns, da família dele)

Mas essa não é a maior chance de o piloto impressionar. Ele também vai testar o carro da Red Bull, já que a equipe austríaca oferece como prêmio ao campeão da World Series by Renault a participação no treino dos novatos. Como a Ferrari não estará na atividade por já ter andado em Magny-Cours, na pior das hipóteses, Frijns só terá como adversários os pilotos da McLaren.

É claro que essa previsão é um pouco otimista demais. Afinal, o garoto acabou de vencer a World Series e nada garante uma boa adaptação na F1. No entanto, estamos falando de um piloto que conquistou três títulos consecutivos em campeonatos de grande escalão, sendo duas vezes como novato. Ou seja, se acostumar com o equipamento não parece ser problema para ele.

De qualquer forma, independentemente do resultado que consiga em Abu Dhabi, dificilmente o holandês estará a pé em 2013. A hipótese mais provável é que ele tenha um bom rendimento nos treinos e arrume uma vaga de reserva – com participação às sextas-feiras – ou até mesmo de titular em um time menor da F1.

Com isso, não deverá ser tão difícil conseguir alguns patrocinadores holandeses, já que o último representante do país na F1 foi Christijan Albers e por lá há interesse no esporte a motor.

Mas se tudo isso der errado, alguém, em alguma categoria, provavelmente estará disposto a dar uma chance ao jovem holandês. Afinal, quem seria louco de abrir mão de um dos jovens pilotos mais badalados dos últimos tempos?

Os novos campeões

outubro 1, 2012

Jack Harvey ficou com o título da F3 Inglesa em 2012

Neste último domingo, dia 30 de setembro, tivemos o evento mais importante do ano, o meu aniversário. Em anos passados, aproveitei a data para pesquisar dados curiosos como os pilotos que já haviam vencido corridas no próprio aniversário – que você pode clicar aqui para relembrar – ou então atletas que já haviam conquistado títulos justamente no dia em que ficaram mais velhos – que você pode conferir aqui.

Bom, em 2011, Casey Stoner foi campeão da MotoGP no aniversário dele, em outubro, e acabou quebrando o meu post, mas está valendo mesmo assim.

Dessa vez eu resolvi fazer algo diferente. Não pesquisei absolutamente nada e apenas comi bolo. Aliás, estava muito bom, era um de mousse de chocolate com aquelas power ball (acho que é esse o nome). Recomendo.

Mas como estamos em um blog sobre automobilismo – World of Motorsport – e não World of Cakes ou World of Sobremesas, evidentemente o assunto de hoje não é o bolo e, sim, o que aconteceu no final de semana automobilístico.

Coincidentemente, um monte de categorias tiveram suas decisões neste domingo. Assim, ao invés de falar dos pilotos que foram campeões nos seus aniversários, falo dos atletas que conquistaram títulos no meu aniversário. Algo muito justo, portanto.

O vencedor mais importante desse final de semana, ao menos para nós brasileiros, foi Nicolas Costa, que ficou com as duas taças da F-Abarth. Para quem não lembra, o carioca ganhou destaque no automobilismo nacional ao ser o primeiro campeão da curta história da F-Futuro, em 2010, quando ganhou uma bolsa para competir no certame europeu. É verdade que ele demorou para engrenar por lá, mas voltou forte em 2012.

Nicolas Costa garantiu mais um título para a carreira

Nicolas fez uma temporada bastante regular, mas teve resultados mais fracos que os principais adversários – Bruno Bonifácio e Luca Ghiotto. No entanto, ele renasceu nas etapas finais, conseguiu tirar a diferença e ficou com o título.

A partir de agora é acompanhar o que ele vai fazer no restante da carreira. Ainda neste ano, o piloto pode conquistar um segundo título se disputar as etapas restantes da F3 Sudamericana. Além disso, já afirmou que pretende mudar para a GP3 ou para a Auto GP na próxima temporada.

Outro campeonato do qual eu já havia falado aqui no blog foi a F3 Inglesa, em que Jack Harvey ganhou um empurrãozinho da federação inglesa ao ter uma punição revogada antes da etapa final. O britânico fez bom uso da decisão do tribunal e conquistou o título com duas vitórias nas últimas três corridas.

Lamentavelmente, alguém teve a ideia de fazer a última etapa em Donington Park, um circuito em que ninguém passa ninguém. Então tivemos provas chatíssimas por lá, e a decisão do título não teve nenhuma emoção verdadeira. Ao contrário da F-Abarth, por exemplo, que correu em Monza e até o último momento não se sabia quem seria o campeão.

Além do campeonato inglês, a F3 Alemã também teve o campeão conhecido. Na verdade, a decisão foi na sexta-feira, já que Jimmy Erikson só precisava garantir que Lucas Auer não ficasse com a pole-position para terminar com a taça e foi justamente isso que aconteceu. O sueco marcou o melhor tempo no classificatório, somou os pontos de bônus e garantiu o caneco. Não precisava nem correr, na verdade. Mas o garoto entrou na pista e ganhou as corridas. Fácil.

Como este foi o terceiro ano do sueco na F3, tendo já disputado até mesmo a F3 Euro, de todos os novos campeões, Erikson foi o que menos empolgou. No entanto, ele tem todos os méritos de ter dominado o certame nesta temporada.

Marvin Kirchhöfer é mais um jovem alemão para ficarmos de olho

Ainda na Alemanha, a F-ADAC Masters também conheceu seu vencedor. O jovem Marvin Kirchhöfer venceu as três corridas do final de semana decisivo, em Hockenheim, e conseguiu reverter a vantagem do sueco Gustavo Malja para ficar com a taça. O garoto de 18 anos é mais um daqueles alemães que começaram a correr inspirados no recente sucesso de Michael Schumacher e percebeu-se que ele tem futuro. No kart, teve um currículo amplamente vitorioso e parece ter mantido esse bom desempenho também nos monopostos.

Na F2, Luciano Bacheta, piloto inglês de origem indiana, completou uma temporada muito forte e ficou com a taça de campeão ao superar o jovem Matheó Tuscher, de apenas 15 anos de idade. O resultado foi um pouco surpreendente, já que no início do ano a expectativa era que o título ficasse entre Christopher Zanella e Mihai Marinescu, mas os dois veteranos não conseguiram alcançar o ritmo dos novatos.

Apenas para não deixar passar, o final de semana ainda definiu que os alemães Marc Basseng e Markus Winkelhock foram os campeões do GT1, em uma temporada para esquecer do certame, onde foi uma lição de tudo o que não se deve fazer. Ronnie Quintarelli e Masataka Yanagida ficaram com o título do SuperGT e Scott Pruett e Memo Rojas triunfaram na Grand-Am.

O fim da GP2 2012

setembro 22, 2012

Depois de 30 anos na GP2, Davide Valsecchi conquistou o título da categoria

A GP2 enfim terminou. Depois de seis meses, 12 etapas e 24 corridas, Davide Valsecchi superou Luiz Razia e se sagrou campeão daquela que foi considerada uma das temporadas mais fracas da história da categoria.

Em 2012, o principal campeonato de acesso da F1 sofreu com um grid abaixo da média. Desde o advento dos novos carros, no último ano, a categoria se tornou bastante cara, o que acabou afugentando pilotos menos abastados. Como resultado, a qualidade do pelotão como um todo desabou.

Isso, porém, não quer dizer que não tivemos bons pilotos. O problema foi com os coadjuvantes de uma maneira geral. Como a GP2 se tornou uma categoria cara, os pilotos com menos chances de títulos acabaram optando por correr na World Series by Renault. Assim, as vagas abertas foram ocupadas por garotos endinheirados, mas de talento questionável.

Isso acabou acelerando o processo de entressafra. A geração de Jules Bianchi, Sam Bird e Christian Vietoris deixou o campeonato, mas não foi reposta. É verdade que surgiram alguns bons nomes como James Calado – o melhor novato de 2012 –, Felipe Nasr e Rio Haryanto, além de alguns pilotos medianos e os tais pagantes.

Quem se aproveitou de tudo isso foram os velhos conhecidos do pessoal: Davide Valsecchi e Luiz Razia, que se fizeram valer da experiência secular no campeonato para deixar os demais adversários para trás e monopolizarem a briga pelo título.

Agora vai ser interessante ver como Valsecchi e Razia vão levar a carreira adiante

Apesar disso, há um consenso. Não importa quem vencesse, o campeão de 2012 não empolgou. Não é que os dois sejam pilotos ruins, mas depois de quatro ou cinco anos na GP2 eles não mostraram que podem fazer algo diferente dos atletas que já estão na F1. Muito provavelmente, Razia e Valsecchi – se tiverem os recursos $ necessários – podem construir carreiras vencedoras em outro lugar, mas a impressão nesse momento é que a F1 não é para eles.

Na verdade, acho que isso é até saudável para ambos. Ao invés de gastar cada centavo e patrocínio para se arrastarem por HRT, Marussia ou até mesmo apenas disputando os treinos livres de sexta-feira, eles estão livres para buscar outras categorias onde podem ser campeões.

Na Indy, por exemplo, há uma vaga aberta na equipe satélite da Ganassi e outra na Penske. Recentemente, a BMW anunciou que vai expandir de seis para oito carros em 2012 no DTM. No Mundial de Endurance, Dindo Capello se aposentou e abriu espaço na Audi, enquanto os japoneses adorariam um piloto de qualidade internacional para correr na F-Nippon e no SuperGT. E estamos falando do campeão e do vice da GP2. É difícil que haja pilotos com currículos tão vencedores na briga por esses lugares.

E realmente acho essas oportunidades boas. São a chance que os dois pilotos têm para aproveitar o bom momento em que vivem.

A carreira de Luiz Razia pode ser uma verdadeira roda gigante. Ou não

Razia, por exemplo, chegou à GP2 depois de ter vencido a F3 Sul-americana e só não ter triunfado na F3000 Italiana – atual Auto GP – porque não competiu na última etapa para focar na adaptação à nova categoria. Valsecchi, por sua vez, sempre se mostrou muito rápido, mas demorou para se encontrar na GP2. O italiano ficou duas temporadas na péssima Durango e mesmo tendo vencido uma corrida sabia que de lá não iria a lugar algum. As passagens por Addax – em substituição a Romain Grosjean – e pela estreante Air Asia, no último ano, evidenciaram um piloto desesperado para mostrar resultado e que pegaria qualquer vaga disponível. Em 2012, tendo uma equipe estável como a Dams como suporte, o piloto conseguiu reproduzir o desempenho que o fez chamado de promissor uma vez.

Quanto ao restante do grid, não vejo muito futuro. Gente como Max Chilton e Johnny Cecotto fizeram uma excelente temporada se fossem considerados novatos. O problema é que eles acabaram de encerrar o terceiro ano na categoria e só agora conseguiram mostrar valor. Um quarto na GP2 no máximo acabaria transformando-os nos novos Valsecchi e Razia.

Giedo Van Der Garde, por sua vez, foi uma decepção. O holandês, que já foi campeão mundial de kart, concluiu o quarto ano no campeonato e passou longe da briga pelo título. Um quinto ano na categoria seria sacal, enquanto uma eventual ida à F1 parece ainda mais distante que em 2011 visto o fraco desempenho neste ano.

No geral, agora é torcer para que o grid de 2013 seja mais forte com a saída de tantos veteranos. Pessoalmente, não vejo muitas melhoras. A GP3 sofreu esse ano com a falta de qualidade da maior parte dos pilotos. As F3 foram esvaziadas e o pulo para a GP2 está cada vez mais inviável pela diferença monetária entre os campeonatos. E a própria World Series by Renault não é uma opção, já que os pilotos que estão se destacando neste campeonato em 2012 são justamente aqueles que tiveram passagens pela GP2, como Jules Bianchi e Sam Bird.

Adrian Quaife-Hobbs é campeão da Auto GP

julho 22, 2012

Adrian Quaife-Hobbs enfim pôde levantar a cobiçada taça de campeão da Auto GP

Não achei que este ano eu fosse fazer o primeiro post sobre um piloto campeão ainda no mês de julho. Geralmente as primeiras conquistas acontecem apenas no final de agosto, mas tudo bem.

Neste final de semana, Adrian Quaife-Hobbs finalmente conquistou a taça da Auto GP, em etapa realizada em Curitiba. O britânico dominou a temporada de uma forma inquestionável, mas teve péssimas exibições na capital paranaense. Ainda assim, toda aquela gordura acumulada pôde ser queimada, e o piloto garantiu a taça com uma rodada de antecipação.

É verdade que a precocidade da conquista aconteceu por causa do calendário bizarro da Auto GP, onde praticamente todas as etapas foram disputadas no primeiro semestre, tendo apenas os dois rounds da América – um no Brasil e outro em Sonoma, nos Estados Unidos – nos últimos meses de 2012. Mas esse é o preço que se paga para acompanhar o WTCC pelo mundo, então paciência.

De qualquer forma, o que eu mais gosto na Auto GP é a capacidade da categoria em premiar bons pilotos de forma significativa, mesmo com grids de qualidade questionável ou pistas distantes dos principais centros do esporte a motor.

Até agora, o campeão mais simbólico de todos foi Romain Grosjean. O título, conquistado em 2009, representou o início da reabilitação do francês, que havia sido defenestrado da F1 no ano anterior. Na ocasião, o atual titular da Lotus foi convidado a estrear no certame apenas na terceira rodada e mesmo assim garantiu a taça com uma etapa de antecipação. Ou seja, ele foi campeão tendo participado apenas de metade das corridas que os demais adversários.

No ano passado, foi a vez de Kevin Ceccon triunfar sobre Luca Filippi. Para o resto do mundo, a conquista não foi tão importante, mas para o automobilismo italiano representou uma renovação, afinal, um piloto de 19 anos (Ceccon) superou alguém que já estava na GP2 desde meados da década passada (Filippi).

Esse também foi o primeiro título da Super Nova desde… a era do gelo?

Mas o que tornaria a conquista de Quaife-Hobbs especial? Talvez ter sido a volta por cima da equipe Super Nova, que enfim pôde reviver os dias de glória na F3000 e voltar a ser campeã? Ou então o esquecido rival de Jean-Éric Vergne e Antonio Félix da Costa nas categorias de base finalmente ter seu talento reconhecido?

Na verdade, mais do que tudo isso, o título de Quaife é uma espécie de vitória do talento sobre o dinheiro. Desde o final da última temporada, o britânico negociou com algumas equipes da World Series by Renault – a Comtec e a Dams em especial – para se juntar à categoria em 2012. Aliás, mais do que isso, o piloto era quase considerado um nome certo no certame neste ano depois de dominar os treinos de pós-temporada em 2010.

Mas as negociações não evoluíram. A Dams e a Comtec acabaram escolhendo outros pilotos – e não digo que os atletas compararam a vaga –, mais atrativos que o inglês no pacote patrocínio + talento. Assim, longe do badalado grid da categoria, o piloto foi obrigado bater em outras portas para se manter em atividade.

Ele encontrou a tradicional equipe Super Nova e acabou decidindo participar de toda a temporada da Auto GP. No final, deu tudo certo. Nas primeiras cinco rodadas duplas, o inglês venceu cinco vezes, largou na pole-position em quatro oportunidades e só não terminou no pódio na segunda corrida do Marrocos, quando foi o quarto nas ruas de Marrakesh.

Aí veio a etapa brasileira, e Quaife mudou do vinho para a água. Ele errou na largada da primeira corrida e depois ainda foi prejudicado pela demora da equipe na parada dos boxes. Na segunda bateria, foi um desastre. O piloto liderava com uma vantagem de mais de 35s para Antonio Pizzonia, quando errou na entrada dos boxes, rodou, bateu e deu adeus à prova.

Como o domínio nas primeiras cinco etapas havia sido avassalador, esse erro patético acabou não sendo decisivo, e Quaife-Hobbes foi campeão da Auto GP em 2012.

No final, acho que o britânico fez um grande favor a si mesmo tendo vencido o campeonato. Como a GP2 tem procurado cada vez mais pilotos na Auto GP, acho que ele sai na frente por uma vaga em uma boa equipe em 2013. O problema é conseguir reunir o orçamento necessário, mas se conseguir é um nome fortíssimo para o próximo ano.

A decisão da Nascar em Homestead-Miami

dezembro 12, 2011
Tony Stewart

Tony Stewart pôde comemorar o terceiro título na Nascar depois de vencer o duelo contra Carl Edwards

A etapa de Homestead-Miami, realizada no dia 20 de novembro, talvez tenha sido uma das corridas mais disputadas da história da Nascar, sem contar as provas em Daytona e Talladega.

E mesmo que não tenha sido uma das provas mais emocionantes de todos os tempos, ao menos garantiu o final de campeonato mais acirrado. Pela primeira vez na Nascar, dois pilotos terminaram o ano empatados no número de pontos. Tony Stewart só garantiu o tricampeonato em cima de Carl Edwards por conta dos critérios de desempate – o número de vitórias.

Apesar de o campeonato ter terminado empatado, não foi essa a sensação que os torcedores tiveram, afinal o título foi literalmente definido na pista. Tony Stewart venceu e Edwards terminou em segundo, em uma corrida que ambos duelarem do início ao fim.

O título foi definido a partir de um lance de sorte no final da prova. Darian Grubb, então mecânico-chefe de Stewart, optou por levar o carro de número 14 a uma tática de economia de combustível, algo similar à utilizada por Dario Franchitti no primeiro título da Indy correndo pela Ganassi.

Analisando a corrida, é possível imaginar que a aposta de Grubb em forçar a economia de combustível não se deu somente por conta do perigo da chuva nem a uma aposta ao acaso. A tática era devolver Stewart à pista à frente do rival, por isso ele faria uma parada a menos, mesmo que em algum momento isso pudesse custar desempenho.

O posicionamento passou a ser fundamental na disputa pelo título, já que em toda a prova houve uma única ultrapassagem envolvendo os dois concorrentes. Foi no 4-wide, quando Stewart só conseguiu passar Edwards, porque este estava preso no tráfego.

Enquanto Stewart ficava na pista por conta da tática, todos os outros adversários foram aos boxes e voltaram à prova muito mais rápidos por conta dos pneus novos. O piloto, então, fez a parada e caiu para a nona colocação. Duas voltas mais tarde, começou a chover, obrigando todo mundo a retornar ao pit-lane. Menos Stewart.

O piloto do carro número 14 relargou em terceiro, enquanto Edwards era o quinto. Como os dois não tiveram mais um duelo direto. Stewart levou o tricampeonato.Vale ressaltar, também, que no final da corrida Stewart levou vantagem por ter trocado quatro pneus pouco antes da chuva e Edwards ter mudado apenas dois, para garantir posição de pista. Com dois pneus contra quatro, ficou difícil para o piloto da Ford.

A história da prova – e os bastidores de antes da corrida – você vê no vídeo abaixo:

Fabio Gamberini é campeão da divisão Copa da F3 Espanhola

novembro 2, 2011
Fabio Gamberini

Mais importante que o título de Fabio Gamberini na divisão Copa foi ter competido de igual para igual com os carros da divisão principal

Depois de Felipe Nasr e Pietro Fittipaldi, Fabio Gamberini foi o responsável por conquistar o terceiro título internacional do Brasil em 2011. O paulista foi campeão da divisão Copa – espécie de National Class – da F3 Espanhola no último domingo, ao terminar a primeira corrida da rodada de Barcelona na 13ª colocação, sendo o terceiro melhor classificado na divisão.

Apesar disso, Gamberini não conseguiu entrar para a história da F3. O paulista, que disputou a F3 Espanhola em 2011 terminou o ano apenas na terceira colocação na classificação geral, somando 79 pontos, contra 120 do campeão Alex Fontana. Caso tivesse sido campeão, o brasileiro teria sido o primeiro piloto na história da F3 a conquistar o título da divisão principal correndo com um carro defasado.

Ainda assim, o resultado do brasileiro foi muito bom. Mesmo com um equipamento inferior – Fabio pilotava um Dallara F306 ante aos F308 dos adversários –, o piloto competiu de igual para igual com os carros da divisão maior e conseguiu três pódios ao longo do ano, incluindo uma vitória em Spa-Francorchamps.

Vale destacar, também, que apesar dos três garotos terem 19 anos, o brasileiro era quem tinha menos experiência. Fumanelli já estava no terceiro ano na categoria, Fontana era um estreante embora tivesse corrido na F3 Italiana em 2010, enquanto Gamberini acabara de fazer a transição da F-Renault UK.

Dito isso, vale ressaltar alguns pontos. O primeiro deles é que a F3 Espanhola não é uma categoria do primeiro escalão, por isso mesmo é possível questionar a qualidade de muitos dos pilotos. Ainda assim, volta e meia aparece um piloto revelado pelo certame em alguns dos principais campeonatos europeus, como a GP2 ou a World Series by Renault.

Um bom exemplo para Gamberini pode ser o francês Nelson Panciatici. O piloto disputou a F3 Espanhola em 2008 – após dois anos de F-Renault – e terminou como vice-campeão também com um carro desatualizado em relação aos adversários. Ao contrário do brasileiro, Panciatici não venceu nenhuma corrida – embora tenha subido seis vezes ao pódio – nem venceu a divisão Copa. A pontuação, na época, também era diferente.

Depois de deixar a F3 após competir apenas em 2008, o francês já passou por GP2, F-Superleague  e este ano competiu na World Series by Renault, onde conquistou certo destaque ao fazer algumas boas corridas e finalizar a temporada na nona colocação.

A exemplo da F3 Espanhola, Panciatici também não é um piloto top das categorias de base, mas ele provou que o torneio ibérico é, sim, uma opção viável para os pilotos de um segundo ou terceiro escalão do automobilismo.

Voltando ao Fabio Gamberini, resta agora saber o que o garoto vai fazer em 2012. Se ele vai continuar na categoria e tentar também o título da divisão principal, como seria de praxe, ou se vai aproveitar a conquista para tentar voos mais altos.


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