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Brasil descobre o endurance

abril 2, 2013
Antonio Pizzonia vai correr no WEC em Silverstone

Antonio Pizzonia vai correr no WEC em Silverstone

É verdade que o futuro do Brasil na F1 e na Indy é tenebroso para os próximos anos, já que os representantes do país estão cada vez mais perto da aposentadoria e a renovação de pilotos é quase inexistente.

Apesar disso, essa situação não se repete em todos os campeonatos. Um bom exemplo é o Mundial de Endurance (WEC), que terá quatro pilotos do país em algumas etapas. Fernando Rees segue na Larbre, onde compete desde que passou a se dedicar às corridas de longa duração, enquanto Lucas Di Grassi (Audi) e Bruno Senna (Aston Martin) chegaram neste ano após passagens frustradas pela F1.

Dos dois, apenas Bruno está garantido na temporada toda. Lucas, por sua vez, vai disputar a corrida da Bélgica e as 24 Horas de Le Mans. É provável que o brasileiro também compita em São Paulo, mas ainda não houve um anuncio oficial por parte da Audi quanto à participação do piloto em Interlagos.

Já o último representante do país foi anunciado na última semana. De forma até que surpreendente, Antonio Pizzonia fechou com a equipe ADR Delta para correr na etapa de abertura do certame, em Silvertone, no dia 14 de abril.

A escuderia anglo-australiana já declarou que pretende contar com o manauara em toda a temporada, mas o acordo ainda não foi fechado.

Vale lembrar que Pizzonia também está confirmado para a disputa da Grand-Am, onde divide um dos carros da equipe de Michael Shank com Gustavo Yacaman.

É verdade que não há conflitos de datas entre as corridas da Grand-Am e do WEC, mas o ex-piloto de F1 precisará enfrentar uma maratona caso seja confirmado em ambos os campeonatos. É que praticamente há um choque de compromissos nas 24 Horas de Le Mans.

As cerimônias da corrida francesa começam no dia 16 de junho, uma semana antes do começo da prova. Ao mesmo tempo, a Grand-Am corre em Mid-Ohio no dia 15. Assim, o manauara precisaria pegar um voo no fim da corrida para chegar a Le Mans a tempo de participar de todas as festividades obrigatórias.

Além disso, em alguns momentos do ano o piloto vai precisar competir em fins de semana consecutivos. Isso talvez não seja um problema para uma categoria como a Nascar, mas a parte física pode falar mais alto em um certame com provas de longa duração, como o WEC.

Legado

janeiro 30, 2013
Essa talvez seja a foto mais emblemática da história da F1

Essa talvez seja a foto mais emblemática da história da F1

Uma das fotos mais importantes da história da F1 foi batida em 1986, na ocasião do GP de Portugal. A corrida do Estoril era a antepenúltima etapa daquele ano e tinha quatro pilotos na disputa pelo título. Aproveitando a batalha, Bernie Ecclestone juntou os quatro concorrentes, Ayrton Senna, Alain Prost, Nigel Mansell e Nelson Piquet no pit-wall do circuito para que a histórica imagem fosse feita.

Naquele momento, Mansell era o líder do campeonato, com 61 pontos, seguido por Piquet, Prost e Senna. Porém, quem terminou na frente foi o piloto francês, que venceu uma prova e acumulou dois segundos lugares nas últimas três etapas.

A importância da foto, no entanto, não se resumiu apenas à temporada de 1986. Para você ter uma ideia, desde que Ayrton Senna estreou na F1, em 1984, apenas naquele ano nenhum dos quatro foi campeão. O vencedor acabaria sendo Niki Lauda, que superou Prost por apenas 0,5 ponto. Para compensar, Nelson Piquet já tinha conquistado dois títulos mundiais.

A partir daí, a F1 foi dominada pelo quarteto. Senna foi tri, Prost conquistou o tetra, Mansell venceu em 1992 e Piquet levou mais uma taça para casa. O domínio só terminou em 1994, quando Ayrton morreu, Mansell já estava na Indy e os outros dois se aposentaram.

Mas é claro que o legado deles continuou na categoria. Piquet, Prost e Mansell tiveram filhos que militaram pelos campeonatos de base do esporte a motor. Senna, obviamente, não. Mas todo mundo sabe que o brasileiro inspirou o sobrinho Bruno, que recentemente trocou a F1 pelo Mundial de Endurance (WEC), onde vai disputar o campeonato pela equipe de fábrica da Aston Martin.

Curiosamente, Bruno não é o único, digamos, descendente que viu nas corridas de longa duração a oportunidade de continuar a carreira. No WEC, o sobrinho de Ayrton vai encontrar Nicolas Prost, filho do tetracampeão francês.

Nicolas Prost corre pela Rebellion no WEC

Nicolas Prost corre pela Rebellion no WEC

O piloto de 31 anos começou tarde no automobilismo, mas conseguiu alguns bons resultados nas categorias de base, como o terceiro lugar na F3 Espanhola e o título da F3000 Europeia (hoje AutoGP), quando correu contra Luiz Razia. Apesar disso, ele não encontrou uma vaga na F1 e passou a se dedicar ao endurance, onde compete pela Rebellion, melhor equipe da divisão LMP1, sem ser os protótipos de fábrica.

A prole de Mansell também não foi capaz de repetir o sucesso do pai. Durante anos, Leo e Greg Mansell militaram nas categorias de base, mas sem resultados expressivos. Com isso, o pai Nigel decidiu que estava na hora de levá-los às corridas de longa duração e para isso comprou uma equipe – a Beechdean – para que os dois competissem em 2010.

A tática até que deu certo, e os irmãos Mansell venceram a etapa de Hungaroring da Le Mans Series, quando o poderoso Peugeot da Oreca teve problemas mecânicos. No ano seguinte, os dois foram chamados pela Lotus para competir na Blancpain Endurance Series. Ao lado do italiano Edoardo Piscopo, os resultados até que foram bons, e o trio conquistou duas vitórias na classe GT4 em cinco corridas.

Apesar desse sucesso razoável, o grande momento dos Mansell no endurance veio na edição de 2010 das 24 Horas de Le Mans. Naquela prova, Nigel se juntou aos dois filhos para competir em família pela primeira vez na carreira. O problema é que o veterano estava fora de forma e se acidentou ainda na quarta volta da prova, forçando o abandono do time. Depois disso, Greg passou a se dedicar ao ciclismo, enquanto Leo continua sendo filho de Mansell.

No caso dos britânicos, por serem irmãos, isso certamente prejudicou a carreira. Durante muito tempo, os dois garotos competiram na mesma categoria e até pela mesma equipe. O problema é que, como acontece com qualquer atleta, o desenvolvimento de cada um foi diferente. Mesmo mais jovem, Greg se mostrou mais talentoso, mas precisou seguir o irmão por aí. No fim, quando se separaram, o caçula ainda chegou a correr na World Series by Renault, mas não teve sucesso. Outro problema de ter um irmão no automobilismo é que os custos são multiplicados por dois.

A experiência dos Mansell em Le Mans foi tragicômica

A experiência dos Mansell em Le Mans foi tragicômica

Por fim, chegamos a Nelsinho Piquet. De forma curiosa, a experiência do piloto erradicado em Brasília nas corridas de longa duração veio antes de ele chegar à F1. Em 2006, foi convidado para correr em Le Mans, fechando com a quarta colocação na categoria GT1 pilotando um Aston Martin – que coincidência, não? – ao lado de David Brabham e Antonio Garcia. Esse ano, ele voltou às corridas de 24, em Daytona, com Felipe Nasr e Christian Fittipaldi.

Concluindo, não é nenhuma coincidência que quatro dos cinco descendentes dos campeões terem optado pelo endurance, ao invés do DTM, Nascar ou campeonatos semelhantes. A primeira justificativa para isso é óbvia. Há mais vagas nas corridas de longa duração. Em Le Mans, por exemplo, competem 56 trios, ou 168 pilotos. Muito mais que os 22 do DTM ou os 43 da Nascar.

Outro motivo é o desenvolvimento técnico. As equipes da LMP1 só perdem para F1 em termos de estrutura e espaço para trabalhar no carro, incluindo compostos para serem usados nos veículos de rua. Por isso, é natural que haja um investimento muito maior das montadoras nesse tipo de categoria. E se tem a fábrica colocando dinheiro, então as escuderias podem ir atrás de quem quiser.

Para ficar claro, não estou dizendo que o endurance é melhor que o DTM ou a Nascar. Pelo contrário, são categorias distintas com foco diferente. E a carreira de Nelsinho Piquet resume bem isso. Basta ver todo o esforço que ele está tendo para chegar à Sprint Cup da Nascar, enquanto pôde correr em Le Mans quando ainda estava na GP2.

O Aston Martin de Nelsinho

O Aston Martin de Nelsinho

O renascimento de Bruno Senna

janeiro 29, 2013
Bruno Senna terá uma nova casa em 2013

Bruno Senna terá uma nova casa em 2013

Bruno Senna pegou muita gente de surpresa nesta terça-feira, dia 5, ao anunciar o acerto com a Aston Martin para a disputa da temporada 2013 do Mundial de Endurance, o WEC. Não estou dizendo que um piloto não tenha o direito de mudar de categoria e buscar novos ares, mas o brasileiro ficou conhecido nos últimos anos por fazer de tudo para permanecer na F1, mesmo que fosse para se arrastar por equipes de qualidade duvidosa.

Em três anos na principal categoria do automobilismo mundial, Bruno assinou com a Campos, mas foi estrear apenas pela Hispania. Depois passou por Lotus e Williams, antes de ter as portas fechadas e se mudar para as corridas de longa duração.

Nesse tempo todo, talvez mesmo que de forma não consciente, ele vendia a esperança de em algum momento ter um desempenho semelhante ao tio. É inegável que os torcedores ao vê-lo pilotar os carros aurinegros da Lotus e depois a Williams tinham de volta lembranças de outras décadas, nos anos gloriosos de Ayrton.

O problema é que Bruno nunca foi Ayton, da mesma forma que as equipes não eram mais as mesmas. A Lotus que o sobrinho pilotou, embora seja da mesma Enstone que a Toleman e com a tradicional pintura em amarelo e preto, era um carro bastante defasado com relação aos demais do grid de 2011. A equipe já havia desistido de desenvolvê-lo e estava focada em construir a máquina vencedora da temporada seguinte.

Por isso, é até injusto pensar que ele teve à disposição o mesmo equipamento com o qual Vitaly Petrov subiu ao pódio no GP da Austrália.

Quanto à Williams, o laço emocional com a equipe é ainda maior, afinal, Ayrton morreu em 1994 sem pontuar pelo time. Para algum fã, poderia haver a ideia de negócios inacabados entre a família Senna e a escuderia inglesa. Aí sobrou para Bruno resolvê-los.

Só que a equipe também não era a mesma da década de 1990. Além de não contar mais com uma fortuna dos patrocinadores nem com as criações de Adrian Newey, o time só aceitou a chegada de Bruno em um contrato, digamos, perigoso. Para ter a vaga de titular, o brasileiro teria que abrir mão de 75% dos treinos livres. E o próprio piloto já afirmou que isso foi uma das causas do fraco desempenho de 2012.

Por isso, na minha visão, Bruno fez de tudo para seguir na F1, mesmo que precisasse usar a imagem do tio ao seu favor. Deu no que deu. Para os fãs de Ayrton, as comparações não demoraram a acontecer, e eles naturalmente acabaram torcendo o nariz para o desempenho do sobrinho.

Portanto, a ida para a Aston Martin é a primeira vez em muito tempo que poderemos ver realmente quem é Bruno Senna, um piloto que não tem a responsabilidade de continuar o legado de Ayrton na F1 nem agradar a cada torcedor do tio. Um piloto cujo único objetivo a partir de agora é colocar o carro azul e laranja na frente de Ferrari, Porsche e Corvette

A volta de Felipe Nasr a Macau

outubro 10, 2012

Felipe Nasr terminou com a segunda colocação no GP de Macau de 2011 com seu carro cor de banana

Felipe Nasr está de volta à F3. Depois de conquistar o título da F3 Inglesa em 2011, o brasileiro foi anunciado ao lado de outros 29 pilotos para a disputa do GP de Macau, marcado para o dia 18 de novembro, novamente pela Carlin.

Após o título britânico, Nasr disputou a GP2 na última temporada, terminando na décima colocação, com quatro pódios conquistados. Embora já esteja em um degrau mais acima do automobilismo, o brasiliense revelou que a vitória em Macau é uma espécie de objetivo da carreira.

Em 2011, o triunfo passou perto. O piloto brasileiro tinha um dos carros mais rápidos do grid, disputando a vitória até o final contra Marco Wittmann – o favorito – e Daniel Juncadella. O espanhol levou a melhor em batalhas que chegaram a ter quatro carros lado a lado nas retas e conquistou a taça. Você pode relembrar como foi a corrida clicando aqui.

Agora, para tentar a sonhada vitória em Macau, Nasr deixa a GP2 de lado por alguns dias para se dedicar novamente à F3.

Ao contrário de 2011, quando apesar de ter um dos melhores carros o brasileiro não tinha tanta pressão para ser o vencedor, dessa vez Felipe tem obrigação de vencer. De todos os 30 inscritos, Nasr é o piloto mais experiente tanto em termos de títulos quanto do momento de carreira.

Dos 30 participantes, 27 disputaram uma F3 ou a GP3 em 2012, enquanto Nasr já está na GP2. Para completar a conta, Kevin Korjus (inscrito pela pequena Double R) tomou parte da World Series by Renault e Alex Sims (da ainda menor T-Sport) disputou corridas de endurance. O último piloto com currículo mais extenso é Antonio Félix da Costa, que se dividiu entre GP3 e World Series neste ano e faz parte do programa de pilotos da Red Bull.

Além de ser o piloto mais experiente do grid, Nasr ainda conta com um histórico positivo de participação dos competidores da GP2 em Macau. Desde a criação da categoria de acesso da F1, em 2005, Felipe será o terceiro piloto a competir na tradicional prova asiática. Em 2007, Bruno Senna tomou parte da corrida pela equipe Double R, mas ficou pelo caminho em um final de semana bastante conturbado.

Em 2009, foi a vez de Edoardo Mortara retornar aos carrinhos da F3 após um ano bastante ruim na GP2, onde chegou com pinta e promissor, mas acabou superado com extrema facilidade pelo companheiro de equipe, um mexicano bastante rápido chamado Sergio Pérez. Em Macau, o italiano mostrou todo o talento e conquistou a primeira das duas vitórias da carreira no GP.

Edoardo Mortara venceu pela primeira vez em Macau, em 2009, depois de correr na GP2 por uma temporada

Fora da GP2, nos últimos anos, outros dois pilotos também fizeram a transição de carros mais potentes para o F3 em busca da vitória na antiga colônia portuguesa. Em 2008, Roberto Streit deixou a F-Nippon, mas acabou abandonando nas ruas de Macau. Três anos antes, em 2005, então campeão da World Series by Renault, Robert Kubica aceitou retornar à F3 para terminar no segundo lugar em uma prova que teve vitória de Lucas Di Grassi e Sebastian Vettel no pódio.

Dito isso, quais seriam as chances reais de Nasr vencer em 2012? Tudo vai depender do equipamento que ele tiver em mãos. Vale lembrar que a F3 mudou o carro nesta temporada, e o imbatível chassi #016 – com o qual Jaime Alguersuari, Daniel Ricciardo, Jean-Éric Vergne e Nasr foram campeões – agora é peça de museu.

Além desse problema de adaptação, também vai depender de qual equipe o brasileiro vai à disposição. Provavelmente, os engenheiros com quem trabalhou em 2011 já estão com outros pilotos, ou seja, dificilmente ele vai conseguir repetir o mesmo ambiente de trabalho do último ano. Portanto a grande questão é se o aprendizado por competir na GP2 será suficiente para superar esses obstáculos.

Por fim, vale lembrar que a Carlin está em uma situação um pouco melhor que no ano passado. Em 2011, a equipe disputava apenas a F3 Inglesa e por isso estava um pouco atrás das equipes da F3 Euro – que tem um regulamento ligeiramente diferente – nessas corridas combinadas. Neste ano, o time inglês tomou parte dos dois certames e certamente tem muito mais informações para ajudar seus seis piloto em busca do triunfo em Macau.

Mercado de pilotos da F1 2013 – parte 2

agosto 19, 2012

Boa parte das movimentações do mercado de pilotos depende da aposentadoria ou não de Michael Schumacher

Nesta segunda parte sobre o mercado de pilotos da F1 2013, veja como Mercedes, Lotus, Williams, Sauber e Force India passaram pelas primeiras corridas do ano e como essas equipes já planejam a próxima temporada.

Merecedes:

No momento, a própria permanência da Mercedes na F1 é incerta. Não muito contente com a discussão sobre o novo Pacto de Concórdia, a montadora alemã já afirmou que pode ficar na categoria apenas como fornecedora de motores a partir de 2014.

De qualquer forma, o planejamento da escuderia para o próximo ano segue atrelado à decisão de Michael Schumacher. Se o heptacampeão decidir continuar correndo, ele é nome certo na equipe. Do contrário, a situação mais provável é a subida de alguém da Force India, como Di Resta, que foi campeão do DTM correndo pela própria Mercedes.

Outro que também já foi especulado nessa vaga foi Felipe Massa, mas isso já faz algum tempo.

Quanto a Nico Rosberg, embora ele sempre seja cotado em uma vaga nas outras grandes equipes, a tendência é que continue na escuderia germânica, afinal ele tem contrato vigente.

Lotus:

A Lotus é a equipe mais valorizada em 2012, tendo conquistado até agora oito pódios. Assim, é natural que a escuderia queira manter a atual dupla, formada por Kimi Raikkonen e Romain Grosejan.

Mas sempre pensando em melhorar, a equipe já sondou Lewis Hamilton, que poderia formar uma dupla interessantíssima com Raikkonen na próxima temporada. Só que isso é bastante improvável.  Em primeiro lugar, o britânico deve seguir na McLaren. E mesmo que ele trocasse de equipe, Kimi seria o substituto ideal, pois é o melhor piloto do grid que não está em um time grande.

Ontem eu falei que o envelhecimento das grandes equipes prejudicou o desenvolvimento dos times medianos. A Lotus foi quem menos sofreu com isso, já que conseguiu trazer Kimi Raikkonen de volta, e o finlandês rapidamente mostrou um bom desempenho. Só que agora o nórdico está valorizado e deve ser a principal opção de McLaren, Ferrari e Mercedes caso precisem cobrir alguma saída.

Se eu fosse o Raikkonen, ia beber aceitava a proposta de uma dessas equipes sem dúvida nenhuma. É claro que o projeto da Lotus é muito legal, mas é algo arriscado, já que a escuderia precisa dar um grande salto de qualidade. Ir para um dos times grandes significa voltar a brigar por vitórias e títulos.

Grosjean, por sua vez, parece o melhor piloto dessa nova geração. Fazendo a primeira temporada completa na F1, o francês já subiu ao pódio em três oportunidades e teve uma boa chance de vencer o GP da Europa, em Valência. Ele se tornou uma boa opção para qualquer equipe e só não fica na Lotus em 2013 caso a equipe consiga aquela improvável parceria entre Kimi e Hamilton.

Apesar de alguns problemas, Bruno Senna está valorizado na F1

Williams

A dupla da Williams se completa. Um piloto é muito rápido e extremamente inconstante, enquanto o outro consegue pontuar seguidamente, mas tem problemas para fazer voltas rápidas. O melhor seria juntar as melhores qualidades de cada um para formarum piloto ideal.

Talvez seja nisso que a equipe aposte. Para melhorar o desempenho ainda mais, Frank Williams pode ter chegado a conclusão que precise de um piloto completo, com o melhor de Senna e Maldonado. No entanto, como o dirigente é um conhecido pão duro, dificilmente ele fará uma contratação de peso.

A escolha mais provável é desenvolver alguém dentro da própria Williams para a vaga de titular. A escuderia parece acreditar que Valtteri Bottas é a melhor opção para o futuro. O finlandês tem um excelente currículo nas categorias de base e já se mostrou bastante rápido nos treinos livres. Talvez ele seja o responsável em guiar o time inglês de volta ao estrelato.

Aí sobra uma vaga. O problema de Senna é que não importa o que ele faça o escolhido será Maldonado. A Williams tem um longo contrato com a PDVSA, garantindo o poder de a petroleira escolher o segundo piloto da escuderia. A menos que Hugo Chávez planeje fazer negócios com o Brasil, o piloto venezuelano deve seguir no time.

Ao mesmo tempo, a saída de Bruno ainda não está consumada. Ele tem feito uma boa temporada – talvez até melhor que a de Maldonado se olharmos apenas os números fora a vitória – e ainda conta com patrocinadores fortes. Ou seja, Bottas precisaria superá-lo tanto em termos de desempenho quanto de investidores. Não será fácil.

E se acontecer de Senna sair da Williams, ele continua valorizado no mercado. Em 2012, ele mostrou que pode pontuar frequentemente, principalmente apostando na tática de uma parada a menos. Ou seja, ele tem conseguido economizar bem os pneus. E isso é importante para qualquer equipe.

E Sergio Pérez, será que ele fica na Sauber em 2013?

Sauber

A Sauber está em uma posição interessante para 2013. Ninguém imaginava que a escuderia suíça fosse fazer uma tremenda temporada neste ano, então todo mundo está de olho nela.

Para começar, Sergio Pérez é constantemente especulado na Ferrari, tendo até superado Kamui Kobayashi como principal nome na escuderia suíça. Depois, a própria vaga do nipônico já começa ser ameaçada, pois Peter Sauber acredita que precise de um piloto de ponta se quiser continuar a evolução da equipe.

Assim, é possível que a dupla de 2013 seja formada por dois novos pilotos, da mesma forma que é totalmente possível a manutenção da parceria Pérez/Kobayashi. De qualquer forma, os nomes ligados à Sauber são Felipe Massa, Heikki Kovalainen, Adrian Sutil, Esteban Gutiérrez e, correndo por fora, Jules Bianchi.

Tirando Sutil, acho que qualquer parceria escolhida pela escuderia é bastante interessante. Mas, em uma eventual saída de Pérez, eu escolheria Felipe Massa e Heikki Kovalainen. A experiência dos dois pode ser fundamental para fazer a equipe crescer, fora que ambos os pilotos podem ter um ganho de rendimento nessa mudança de ares.

O único problema pode ser a ida de James Key para a Toro Rosso. O engenheiro foi apontado como principal responsável pela reestruturação da Sauber, então será interessante ver se haverá queda de rendimento em 2013.

Force India

Depois de trocar um piloto nos últimos anos, a Force India parece ter se acalmado com Paul Di Resta e Nico Hülkenberg. Assim, é provável que essa parceria continue em 2013, embora nenhum tenha contrato garantido para a próxima temporada. Apesar disso, a única chance de mudança é se um dos titulares forem chamados por uma equipe grande (leia-se Paul Di Resta na Mercedes).

Como essa é uma decisão apenas de Schumacher, é difícil especular o futuro da Force India. No caso de precisar substituir Di Resta, a equipe pode fazer uso de algum piloto que sobrar no mercado, ou então promover algum jovem talento. As duas opções mais prováveis são Jules Bianchi (embora haja o conflito de interesses com a Ferrari) e Max Chilton, que já participou de alguns testes.

A escuderia indiana também pode ser uma boa opção para o campeão da GP2 deste ano. Mesmo um contrato de reserva em 2013 e titularidade garantida em 2014 não é de se jogar fora.

O contestado título de Bruno Senna

junho 12, 2012

Alguém achou que o desempenho de Bruno Senna em 2011 foi digno de prêmio. Vai entender…

Os fãs de Bruno Senna tiveram uma boa notícia nesta terça-feira, dia 12. O brasileiro foi o vencedor do Trofeu Lorenzo Bandini, que é dado ao jovem atleta de destaque da temporada anterior da F1.

No entanto, a escolha de Senna surpreendeu, afinal o brasileiro só disputou oito etapas com a Lotus (então Renault), chegando ao Q3 em Spa-Francorchamps e obtendo o nono lugar no GP da Itália apenas. Ou seja, ele não teve muitas exibições que pudessem justificar a conquista. Por isso, a eleição de Bruno chegou a ser contestada.

Mas a verdade é que não havia muitas opções para o título. O trofeu é dado para um piloto promissor, mas o vencedor nunca é repetido. Assim, em 2011, tivemos uma F1 previsível, dominada por um único piloto – Sebastian Vettel – que já havia sido o ganhador do Lorenzo Bandini há três edições.

Mark Webber, Jenson Button, Lewis Hamilton, Fernando Alonso, Felipe Massa e até mesmo Nico Rosberg já haviam vencido a premiação, então os organizadores não tinham grandes opções. Pela ordem da tabela de pontos de 2011, o primeiro competidor que jamais levou o trofeu foi Adrian Sutil, que terminou em nono lugar.

Porém, seria um anticlímax muito grande premiar um cara que sequer está na F1 e se viu envolvido no noticiário devido a uma luta em um bar contra um dirigente que saiu ensanguentado. Depois de Sutil, o próximo na classificação havia sido Vitaly Petrov. Em termos de desempenho, o russo merecia a condecoração: ele foi o primeiro piloto do país da vodka e da Lada a subir ao pódio da F1 e também não teve muitas dificuldades para acompanhar o ritmo de Nick Heidfeld.

Só que pelo conjunto da obra, a verdade é que Bruno Senna é um nome melhor. É verdade que o brasileiro ainda não teve muito tempo para mostrar na F1 do que é capaz, mas ele é inegavelmente um bom piloto. Não é um gênio, mas tanto nas categorias de acesso quanto no campeonato principal – especialmente em 2012 – ele já mostrou que está no mesmo nível dos pilotos que compõem a metade do pelotão.

E Bruno ainda tem uma história respeitável. Ele viu o tio – um dos maiores ídolos do esporte brasileiro – morrer justamente em uma corrida de F1, desistiu do esporte, voltou, chegou à categoria principal pela fraca Hispania, aceitou a vaga da reserva da Lotus e soube esperar o momento certo de voltar à titularidade e, por fim, vem fazendo boas corridas.

Alguém ainda poderia argumentar que Kamui Kobayashi e Paul Di Resta tiveram boas campanhas em 2011 e por isso mereciam o trofeu. É verdade, mas acho que os organizadores resolveram evitar uma nova encruzilhada. Como o grid da F1 não deve se renovar muito nos próximos anos, talvez eles tenham optado por deixar esses pilotos de fora nesse momento, sabendo que eles podem alcançar voos mais altos.

Assim, Di Resta e Kobayashi podem ser condecorados quando estiverem na briga por vitórias e, quem sabe, até mesmo pelo título Mundial. Os organizadores, por sua vez, também evitaram queimar a chance de premiar esses atletas e apenas empurrar a falta de opção para os próximos anos.

No fim, fica claro que Bruno Senna não era o melhor nome com relação ao que produziu na temporada passada, mas em um contexto geral e analisando também a carreira do brasileiro como um todo talvez não houvesse opção tão boa.

Novos carros da F1 2012 – Williams FW34, Sauber C31 e Toro Rosso STR7

fevereiro 9, 2012
Williams F1 2012 FW34

Mesmo com a contratação de Mike Coughlan, a Williams foi bastante conservadora para criar o FW34

A primeira bateria de treinos coletivos para a temporada 2012 da F1 vai chegando ao fim. Após nove lançamentos de carros e quatro dias de atividades de pista é possível chegar a alguma conclusão: os novos carros são feios.

Meio decepcionante, não? Se ainda não dá para se empolgar ao saber quem é quem na disputa pelo título, o visual dos novos modelos não ajuda muito a melhorar a animação para o novo campeonato. Desse jeito, talvez a melhor coisa seja desvendar os segredos das equipes para esquentar um pouco as coisas.

Em posts anteriores – os links estão lá embaixo –, as primeiras impressões dos carros da Red Bull, Ferrari, McLaren, Lotus, Caterham e Force India já foram expostas. Agora é vez da Williams, Sauber e Toro Rosso, quando finalmente será possível responder quais chances Bruno Senna terá na F1 em 2011.

Ao analisar o carro da Williams, não são muitas, na realidade. Mesmo com a equipe tendo passado por uma revolução dentro do departamento técnico, com a substituição de Sam Michael e Patrick Head por Mike Coughlan, o FW34, o carro de 2012, não parece ter correspondido a essa mudança drástica.

Williams F1 2012 FW34

A traseira curta, com bastante espaço para o ar, é um dos destaques do novo carro da Williams para a F1 2012

O novo modelo, na verdade, parece uma evolução do carro de 2011. A primeira impressão é que a Williams manteve tudo o que deu certo e resolveu mudar o resto. Só que o resultado na pista sugere que o time ainda vá sofrer no novo campeonato, embora os primeiros treinos não signifiquem muita coisa.

O primeiro destaque do FW34 é a asa dianteira ser presa na pontinha do suporte do bico, o que possivelmente significa a falta do duto frontal. Depois, o modelo segue a tendência do bico de ornitorrinco, para aumentar o fluxo de ar para o difusor. O degrau é similar ao da Ferrari, sendo bastante conservador.

O restante do modelo – sidepods, entrada de ar e tampa do motor – continua bastante similar ao carro de 2011. A grande inovação do carro do ano passado (e que não deu certo) foi a caixa de câmbio reduzida. Dessa vez, parece que esse artifício foi novamente utilizado, deixando a parte traseira muito curta.

A tampa do motor termina muito cedo – com os escapamentos posicionados em posição mais conservadora e apontados para a asa traseira – a asa, aliás, também fica presa na pontinha, a exemplo da peça dianteira. O resultado é ter muito espaço para que o ar flua e chegue ao difusor.

Há alguma expectativa em relação às principais inovações da Williams serem invisíveis, isto é, por baixo da carroceria. Sendo assim, fica difícil analisar qualquer coisa após um único teste.

Sauber F1 2012 C31

Nessa foto fica bem claro o buraco após o degrau e a posição dos escapamentos do novo carro da Sauber apra a F1 2012

Sauber C31:

Indo direto ao ponto no carro da Sauber, o C31 apresenta três maiores inovações: bico, entrada de ar e escapamento. Menos importante que essas partes vem a pintura. É óbvio que layout não ganha corrida, mas carro mais feio que o da equipe suíça não há.

Heh, indo ao que interessa, o bico da Sauber é um dos mais curiosos. Comparado ao das outras equipes, ele é bastante avantajado. Parece ser um dos bicos mais longos até agora e, ao contrário dos rivais, os suíços optaram por colocar a câmera quase na metade da peça.

A justificativa para essas escolhas é direcionar o fluxo de ar para o restante do carro. O grande problema do degrau parece ser a turbulência que ele causa, fazendo com que o ar não siga junto ao carro, prejudicando a geração da downforce. Além do bico, a grande inovação é um buraco – assim como a Red Bull – após o desnível. No entanto, ao invés da equipe austríaca, o buraco é localizado após o degrau, pouco antes do monocoque.

Sauber F1 2012 C31

A Sauber apareceu em Jerez com uma nova tampa do motor, com o escapamento, digamos, escondido

Seguindo até a entrada de ar, a exemplo da Ferrari – ou da Force India em 2011 – o Sauber C31 tem a entrada principal, ovalada, além de um segundo buraco para a refrigeração do equipamento, localizado logo abaixo.  O restante do equipamento é bastante similar ao do ano passado.

O último ponto é a tendência da Sauber em colocar a saída do escapamento encoberta pela tampa do motor, sem o bocal para fora. Essa é uma escolha que outras equipes ainda devem se utilizar. Por fim, o escapamento da Sauber segue de forma tradicional, apontando para a asa traseira.

Toro Rosso F1 2012 STR7

Depois de investir pesado no final de 2011, a Toro Rosso manteve muitos dos novos componentes no STR7

Toro Rosso STR7:

Como a equipe satélite da Red Bull foi um dos times que mais investiu no final de 2011, já era esperado que eles mantivessem muitas das atualizações. A aerodinâmica, por exemplo, é praticamente a mesma, salvo o degrau no bico, que apresenta uma borda em ‘V’, para tentar amenizar os efeitos da turbulência.

O bico de ornitorrinco, evidentemente, também é uma novidade. No restante, o carro é bastante similar ao do ano passado. A base dos sidepods manteve o corte para melhorar o fluxo de ar, enquanto a peça – assim como a tampa do motor – é mais longa que o da Red Bull.

Apesar disso, o carro tem algumas novidades. Assim como a Sauber,  há duas entradas de ar na parte de cima: a principal, além de uma localizada logo abaixo. E o outro destaque é o escapamento localizado próximo ao duto do freio da roda traseira, para aumentar a downforce.

Com o bom desempenho da Toro Rosso no final da temporada passada, a adição de uma dupla mais habilidosa que a anterior e inovações não tão conservadoras, a equipe italiana pode ser uma forte candidata ao quinto lugar no Mundial de Construtores.

Toro Rosso F1 2012 STR7 3DPara ver a apresentação do carro da Caterham para a F1 2012 basta clicar aqui. E para ver a apresentação do MP4/27, o novo carro da McLaren para a F1 2012, basta clicar aqui.  Os carros da Ferrari e da Force India na F1 2012 é só clicar aqui. Agora, se você estiver procurando sobre o novo carro da Red Bull é só clicar aqui. A Lotus está aqui. Para encerrar as equipes grandes, clique aqui para ver a nova Mercedes. Já as sempre atrasadas Marussia e HRT estão aqui.

O legado de Senna e Berger no automobilismo

janeiro 9, 2012
Ayrton Senna e Gerhard Berger

Ayrton Senna e Gerhard Berger eram brothers na F1 no início da década de 1990

No início da década de 1990, a McLaren era a equipe dominante na F1. O time tinha conquistado os dois últimos títulos da década anterior e, com saída de Alain Prost para a Ferrari, tinha também resolvido a briga interna entre os pilotos.

Entre 1990 e 1992, a equipe inscreveu carros para Ayrton Senna e Gerhard Berger, que ao longo desses três anos conquistaram dois títulos, 19 vitórias e 23 pole-position. Pode não ter sido o domínio exercido na época de Prost/Senna, mas esses anos ficaram marcados para os brasileiros devido ao bicampeonato de Ayrton (que já havia vencido em 1988).

Como todos sabem, Senna morreu dois anos mais tarde, em um acidente em Imola, enquanto Berger continuou na categoria por mais alguma temporadas, abandonando a carreira em 1997. Quase 15 anos depois da aposentadoria do piloto austríaco, o legado dos dois no automobilismo continua. De forma curiosa, o sobrinho de cada um, o filho da irmã, resolveu seguir carreira no esporte a motor.

Do lado brasileiro, Bruno Senna dispensa maiores apresentações. Por conta da morte do tio, o piloto ficou sem correr até 2004, quando disputou a F-BMW UK. Depois, passou por F3, GP2 e chegou à F1, onde competiu por Hispania e Renault e agora briga pela segunda vaga na Williams.

Berger também tem um sobrinho. Menos conhecido que Bruno Senna, Lucas Auer, de 17 anos, fez a transição do kart para os monopostos em 2011, quando conquistou o título da JK Racing Series, antiga F-BMW do Pacífico.

Bruno Senna

Bruno Senna sempre usou o sobrenome para dar prosseguimento à carreira. Mas também correspondeu relativamente bem às expectativas

É curioso ver como uma dupla que faz parte da história da F1 conseguiu coincidentemente ter sucesso com um mesmo membro da família. Apesar disso, também é interessante ver a diferença entre Bruno e Lucas. O brasileiro, por exemplo, seguiu carreira nos mercados mais tradicionais, competindo praticamente apenas por equipes inglesas – além da Hispania. Auer foi disputar um campeonato cuja maior parte das provas são realizadas em Sepang, com os adversários sendo garotos malaios.

Bruno aproveitou o sobrenome Senna para angariar patrocínio. Mas o próprio piloto já afirmou que não poderia ter sido diferente, afinal, para alguém da família do tricampeão, seria estranho correr com outro nome. Poderia até mesmo ser considerado uma forma de fugir da responsabilidade de suceder Ayrton. E o sobrinho tem sucedido o lendário tricampeão relativamente bem até agora.

Lucas Auer

Lucas Auer foi fazer carreira na Ásia. Mas o garoto até que lembra um pouco o tio Berger, não acha?

Lucas poderia correr com o nome de Lucas Berger – a mãe dele é irmã de Gerhard –, mas é inegável que o sucesso do austríaco na F1 foi muito, muito menor que o do companheiro brasileiro. Ao invés de aproveitar o nome do tio, o garoto optou por criar a própria história no automobilismo. Além disso, Lucas Auer também sempre pôde contar com a presença do tio não só para conselhos como em reuniões para negociar patrocínios e contratos. Algo que, obviamente, Bruno não teve em relaçã a Ayrton. Então, ter o sobrenome Senna deve ter feito a diferença nessas horas.

Quanto ao desempenho até agora, os dois podem ser considerado bons pilotos, embora não tão bons quanto os tios. A principal diferença é que Bruno começou a se destacar com carros maiores. Foi muito bem na GP2, quando ficou com o vice-campeonato, e conseguiu fazer algumas boas provas na F1 pela Renault.

Lucas conseguiu sucesso logo de cara na JK Racing Series, mas por ter corrido apenas contra asiáticos desconhecidos, ainda há dúvidas quanto ao real potencial do garoto. Afinal, por que o sobrinho de Berger teria ido fazer a carreira na Ásia, sendo que o tio poderia arrumar times de ponta na Europa? Seria essa uma forma de se desenvolver como piloto – já que a F1 tem meio calendário por aquelas terras orientais – ou um jeito de rechear o currículo de títulos, mas com dificuldade mais baixa que os certames europeus?

Independentemente das respostas – que só saberemos no futuro – Lucas Auer dificilmente reeditará com Bruno Senna a dupla dos tios na F1. Quando o brasileiro deixar a categoria, o austríaco ainda não deverá ter chegado (isso se chegar).

Mesmo assim, é curioso ver o legado deixado por Ayrton Senna e Berger. Principalmente se comparado com os herdeiros dos contemporâneos Alain Prost (Nicolas) e Nigel Mansell (Leo e Greg), que passaram muito, mas muito longe da F1.

A solução para falta de vagas na F1

janeiro 7, 2012
Lotus Renault

O carro de três lugares poderia evitar que muito piloto ficasse desempregado na F1

No final de 2011, a Lotus, antiga Renault, criou um certo suspense antes de escolher Romain Grosjean como companheiro de Kimi Raikkonen no próximo campeonato da F1. Na ocasião, movidos pelo combustível financeiro dos patrocinadores, Vitaly Petrov e Bruno Senna tinham esperanças de continuar na equipe para o próximo ano.

Mesmo assim, Eric Boullier – o chefe da equipe – e a Gravity optaram por Grosjean, que havia acabado de conquistar o título da GP2.

Um site russo – que você pode clicar aqui para tentar descobrir qual é – publicou a imagem acima como a solução para a falta de vagas na F1. Para nossos amigos europeus, ao invés de escolher apenas um piloto, a Lotus deveria ter ficado com os três. E com o trio competindo junto ao mesmo tempo!

A história do carro de três vagas é menos interessante do que parece. Ele foi pilotado durante a Race of Champions por Vitaly Petrov, que levou dois fãs para dar uma volta pela pista em uma F1. Eu já tinha visto carro de dois lugares, mas com três é uma tremenda novidade.

Petrov teve seu dia de motorista de taxi, mas foi chutado pela equipe sem dó. Agora, junta com Bruno Senna e meio mundo, o piloto tenta se manter na categoria brigando por uma das vagas na Williams.

E já tem gente dizendo que a Williams deveria resolver o leilão de pilotos montando copiando a ideia da Lotus e criando um carro de três lugares..

O retorno de Romain Grosjean à F1

dezembro 8, 2011
Romain Grosjean

Romain Grosjean desbancou Bruno Senna e está e volta à F1 em 2012

A novela envolvendo o companheiro de Kimi Raikkonen na Renault terminou, pois a equipe francesa anunciou a promoção de Romain Grosjean, atual campeão da GP2, para a vaga de titular.

Grosjean batalhava com Bruno Senna e Vitaly Petrov por esse segundo posto. Era o preferido tanto do chefe de equipe, Eric Boullier, quanto da Gravity, mas esbarrava na falta de dinheiro, algo que os outros dois candidatos poderiam trazer – e muito – para o time de Enstone. O francês, então, conseguiu fechar um acordo com a Total, fornecedora de combustíveis, que bancou a chegada à F1. Alguns outros patrocinadores do piloto, mas estes em menor escala, também contribuíram para a titularidade.

Independentemente da questão do dinheiro, Grosjean era o melhor nome entre os três. De todos, é o único que já conseguiu títulos na carreira (três desde que deixou a F1 em 2009) e foi mais rápido na pista durante os treinos livres de sexta-feira.

Torcer para Bruno Senna, que também um piloto muito bom, não deve impedir o torcedor de enxergar as qualidades do francês. Até porque Senna e Grosjean são bons amigos e até mesmo foram cunhados durante alguns anos.

O principal atributo do novo titular da Renault é, sem dúvidas, ter recuperado a carreira ao ser dispensado pela Renault ao final de 2009. Desde então, passou por GT1, AutoGP e GP2. Nos carros de turismo, venceu a corrida de estreia na categoria e estava na vice-liderança do campeonato quando resolveu voltar aos monopostos.

Na AutoGP, debutou com o campeonato já na terceira rodada e acabou conquistando o título com uma etapa de antecipação – correu metade das corridas, portanto. Por fim, retornou à GP2 e papou as taças tanto da versão asiática quanto da europeia em 2011. Foi essa recuperação vencedora que o colocou como queridinho da Gravity na briga por um lugar na F1.

Por fim, tem gente que rejeita o francês na F1 dizendo que ele já teve a chance dele – ao correr apenas sete corridas em 2009 – e não ter aproveitado. Mas esse argumento também pode ser usado para justificar a saída de Bruno Senna e de Vitaly Petrov da Renault. Afinal, o brasileiro disputou oito GPs (!!) e o russo teve direito a duas temporadas.

P.S.: é curioso ver a mudança do próprio Grosjean em dois anos. Quando ele chegou à F1 pela primeira vez, tinha aquela juba característica, que assustava os velhinhos mais conservadores da categoria. Agora, em 2012, o visual do piloto realmente remete a filho de algum grande banqueiro suíço. Alguém, digamo$, confiável.

P.S.2: abaixo você pode matar a saudade da juba do Grosjean

Wild Romain Grosjean

Romain Grosjean GP2


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