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A primeira vitória de John Wes Townley

fevereiro 7, 2013
Momento histórico: a primeira vitória de John Wes Townley

Momento histórico: a primeira vitória de John Wes Townley

Se você me perguntasse há algum tempo qual o pior piloto que eu já vi correr, certamente a resposta seria John Wes Townley. É verdade que ele não é o menos talentoso, mas ser o pior piloto não á apenas uma questão de habilidade na pista. É também o cara que não quer aprender, que guia como se não houvesse outros carros em volta, que acha que pode chegar ao topo só porque tem dinheiro.

Mas essa situação mudou neste sábado, dia 16. Townley incrivelmente venceu a etapa de Daytona da Arca, ao superar o badalado Kyle Larson, calando a minha boa e a de muitos críticos. Agora ele finalmente pode ser tirado da lista de pior piloto.

Para quem não está tão acostumado à história, o americano é conhecido por ser batedor de carros.  Para não ser repetitivo, vou deixar apenas um link sobre uma matéria feita pelo jornalista norte-americano Jeff Gluck, quando Townley quis estrear na Sprint Cup no ano passado. Clicando aqui, você pode ter uma ideia da rejeição que ele provoca.

E não são apenas os torcedores ou jornalistas que têm esse tipo de reação. Após a vitória de sábado, vários pilotos postaram mensagem no Twitter. Tim George Jr., que foi dispensado pela equipe de Richard Childress na Truck Series neste ano, foi mais comedido. “Se ele pode, eu também consigo”, disse. Já Scott Speed foi mais direto. “Para sua informação, o iPhone autocorrige ‘Townley venceu’ para ‘você só pode estar de sacanagem’”.

De qualquer forma, é justamente esse tipo de reação que impressiona. Não a dos outros pilotos, claro, mas a de Townley. Tente se colocar no lugar do americano, um gordinho endinheirado que todos os dias é sacaneado por pessoas do mundo inteiro, em todos os lugares por onde passa, apenas pelo seu talento indiscutível de bater carros.

Ele poderia desistir de correr a qualquer momento e continuar a viver do bom e do melhor como ex-piloto da Nascar, cercado de garotas e carrões e gastando todo o dinheiro da família, que é sócia da rede de restaurantes Zaxby’s. Ou então ele podia tentar algo mais fácil, como competir em alguma divisão para amadores da ALMS ou da Grand-Am, pagando a algum profissional para alcançar bons resultados.

Townley preso por dirigir bêbado, em 2012, e vencedor um ano depois. Quanta diferença, não?

Townley preso por dirigir bêbado, em 2012, e vencedor um ano depois. Quanta diferença, não?

Mas Townley não fez nada disso. Sempre que era criticado, ele tomou cada golpe. E voltava para correr. Obviamente, batia mais algumas vezes, voltava a ser motivo de chacota, mas estava novamente na pista. E mais forte.

Nesse tempo, a grande mudança foi que JWT entendeu que precisava aprender a guiar, pois só o dinheiro da família não o tornaria um piloto da Nascar. Assim, além de retornar à Truck Series, em 2012, ele seguiu disputando algumas etapas da Arca – categoria em que ele já havia tomado parte em 2008 – para acumular ainda mais quilometragem.

É claro que nesse tempo houve algumas decisões ruins como a estreia frustrada na Sprint Cup, mas é inegável que ele evoluiu. Tanto que conseguiu o oitavo lugar na etapa de Pocono da Truck Series, do ano passado, como melhor resultado da carreira na Nascar.

A vitória em Daytona, portanto, não é o fim da história para Townley. Pelo contrário. É a prova de que até mesmo um piloto com o histórico dele é capaz de se dar bem no automobilismo se resolver fazer as coisas certas. De qualquer forma, não acredito que vá brigar por alguma coisa na Truck Series neste ano, no máximo conquistar um top-10 aqui ou ali.

Para encerrar, ainda vale um detalhe curioso. A primeira vitória de Townley em um oval durante um fim de semana da Nascar aconteceu antes que o primeiro triunfo de Juan Pablo Montoya, Danica Patrick ou Marcos Ambrose nesse tipo de pista. Bom, talvez mais alguém precise aprender uma coisa ou outra.

A aposentadoria de um mito

fevereiro 5, 2013
Aos 78 anos, James Hylton vai se aposentar

Aos 78 anos, James Hylton vai se aposentar

Um dos pilotos mais velhos em atividade no automobilismo mundial resolveu se aposentar. Aos 78 anos de idade (!), James Hylton anunciou nesta semana que a temporada de 2013 da Arca vai marcar a sua despedida do automobilismo.

Para quem começou acompanhar a Nascar nos últimos anos, Hylton ganhou destaque quando tentou se classificar para a edição de 2007 da Daytona 500, aos 72 anos, podendo se tornar o piloto mais velho a participar de uma etapa da categoria. O veterano bem que tentou, mas acabou não conseguindo entrar na prova via Gatorade Duels e foi obrigado a voltar para casa.

Apesar disso, ele seguiu correndo na Arca, em que desde 2008 tem participado da temporada completa, mas sempre se arrastando pelas últimas colocações. Em resumo, podia ser apenas mais um veterano que não havia conseguido largar o osso e saber a hora de parar.

Mas essa é apenas uma mísera parte da história de Hylton. O americano, na verdade, foi um dos principais pilotos da Nascar na década de 1960. Ele estreou na categoria em 1966, quando conquistou o título de novato do ano e o vice-campeonato na classificação geral ao somar 20 top-5 em 41 corridas. O campeão foi David Pearson, enquanto Richard Petty terminou apenas em terceiro.

O americano estreou na Nascar em 1966 e logo de cara ficou com o vice-campeonato

O americano estreou na Nascar em 1966 e logo de cara ficou com o vice-campeonato

Nos primeiros dez anos de carreira, Hylton só terminou fora dos dez primeiros colocados em 1974. Nesse tempo, ele foi vice novamente em 1967 e em 1971, além de terminar em terceiro em 1969, 1970, 1972 e 1975. Uma carreira bastante digna, portanto. Em 27 anos na Nascar, o americano disputou 602 corridas, venceu apenas duas, mas conseguiu uma importante marca de 301 top-10 (exatos 50% de aproveitamento).

O mais incrível de tudo isso é que Hylton tem, sim, um título na Nascar. É que ele foi o mêcanico-chefe (crew chief) de Ned Jarrett na conquista de 1965, antes de virar piloto. Ele também foi um dos mecânicos de Rex White na campanha vitoriosa de 1960.

Com a aposentadoria de Hylton, a Nascar e o automobilismo americano veem se esvair o que pode ser considerado o elo-perdido entre a época do esporte amador, no sentido de quem competia por amor ao esporte, e a Era Moderna, iniciada em 1972.

Apesar de deixar as pistas, o americano já afirmou que não está disposto a abandonar o automobilismo. Ele já afirmou que planeja continuar como chefe de equipe em 2014, quando deverá inscrever o seu carro de número 48 para um jovem piloto. Bom, teoricamente para Hylton, Mark Martin pode ser considerado um jovem piloto. Aguardemos.

Michael Phelps

agosto 2, 2012

O nome no macacão não deixa dúvidas. Este é Michael Phelps

Deve ser difícil ser Michael Phelps. Em um dia você acorda, liga o computador e vê um monte de gente te chamando de amarelão e ex-atleta em atividade. No dia seguinte, você nada um pouquinho e consegue sua 20ª medalha – sendo 16 de ouro – na história das Olimpíadas.

É verdade que o americano não está mais no auge. Mas 20 medalhas olímpicas é uma marca extremamente significativa e dificilmente será alcançada em breve. De qualquer forma, a chamada ‘Era Phelps’ teve seu auge em 2008, em Pequim, quando o nadador obteve a medalha de ouro nas oito provas em que competiu.

Voltando ao início do texto, mais difícil que ser Michael Phelps é ser Michael Phelps. Mas não falo do nadador. Em 2008, enquanto o atleta de Maryland nadava no Cubo D’água chinês, um americano de apenas 18 anos, homônimo do olimpiano, começava a carreira nas pistas da Arca.

Até 2007, Phelps, o piloto, era um jovem com algum destaque nas categorias de acesso dos Estados Unidos. O bom desempenho chamou a atenção da Dodge, que o contratou para o programa de jovens pilotos. Assim, Michael fechou com a Cunningham para disputar a temporada completa da Arca em 2008.

Naquele ano, a categoria teve o grid mais forte da sua história recente. O campeão foi Justin Allgaier, mas nomes como Ricky Stenhouse Jr, Scott Speed, Matt Carter, John Wes Townley, Tayler Malsam e Justin Lofton também foram revelados. Isso além da presença constante de jovens talentos como James Buescher, Jeremy Clements e Brian Scott. Todos com passagem pela Nationwide em algum momento desde então.

Phelps foi companheiro de Tayler Malsam, na Cunningham, em 2008

Phelps foi até que bem, levando em conta que se tratava de um novato. O piloto começou 2008 não conseguindo se classificar para a etapa de Daytona, por causa de um acidente no quali, mas conseguiu três TOP 10, além do segundo lugar no grid no Kentucky, nas 19 etapas restantes para fechar o ano em 16º.

O problema é que a Arca tem um sistema de pontos que pune um competidor que não dispute todas as etapas. Como o piloto da Cunningham ficou fora de duas, ele perdeu ao menos duas posições na classificação final.

Para 2009, a Cunningham fechou uma parceria com a Penske e contratou os promissores Parker Kligerman e Dakoda Armstrong. Consequentemente, Phelps ficou sem ter onde correr e disputou apenas a etapa de Daytona por outro time. Depois, ainda participou de algumas corridas de categorias menores antes de pendurar as luvas.

O mais interessante é que enquanto disputava a Arca, em 2008, o americano ingressou na Universidade de Auburn para estudar engenharia civil.  Com o fim da carreira nas pistas, Phelps pôde se dedicar apenas aos estudos.

É muito difícil encontrar qualquer tipo de informação sobre o ex-piloto nesses últimos dias. Onde já se viu procurar no Google por Michael Phelps e não querer saber do nadador? Pelo pouco que pude ver, parece que ele se formou em engenharia e trabalha na área, mas não pude confirmar a informação. A única certeza é que Phelps foi obrigado a voltar a conviver com as piadinhas envolvendo seu nome nesses últimos dias.

A quase vitória de Milka Duno

julho 2, 2012
Milka Duno

Aos 40 anos, Milka Duno, está, digamos, cheia de charme

Quando Nelsinho Piquet venceu em Road America, pela Nationwide, inegavelmente Danica Patrick também havia sido um dos destaques da corrida. A americana estava na briga para terminar na terceira colocação, quando foi tocada por Jacques Villeneuve, sendo obrigada a abandonar a prova na última volta.

Neste final de semana, uma antiga rival da americana teve um desempenho parecido. A icônica Milka Duno reapareceu na Arca, onde disputou a etapa no circuito misto de New Jersey. Correndo com o carro de número 94 da equipe de David Leiner, a venezuelana – agora com 40 anos, mas mantendo o charme de sempre – terminou a corrida na décima colocação. E, pasme, 32 pilotos largaram!

Embora Danica – e principalmente Milka – não tenha sido destaques da Indy nos circuitos mistos, as duas aos poucos vão mostrando que pegaram a mão desse tipo de pista. Ainda que a adaptação aos ovais esteja demorando, elas começam a conseguir alguns bons resultados nas categorias onde resolveram seguir carreira.

É bastante curioso ver Milka Duno brigando por uma boa posição. Aliás, o décimo lugar em New Jersey é o melhor resultado da pilota desde a vitória (!) na categoria LMP2 da Petit Le Mans de 2004. Depois disso, ela conseguiu um 11º lugar no Texas, já correndo pela Indy, em 2007, mas naquele ano a categoria ainda não havia se juntado com a Champ Car e mal colocava 20 carros na pista.

Pela Dale Coyne, em 2010, o melhor resultado de Milka veio nas etapas de Chicago, Kentucky e Motegi, quando terminou em uma excelente 19ª posição. Nesse ritmo de evolução, será que poderemos ver alguma vitória?

P.S.: Ah sim, a corrida foi vencida por Andrew Ranger, que já participou da Champ Car, mas fez carreira na Nascar do Canadá.

Bobby Gerhart venceu, mas não mereceu

fevereiro 18, 2012
Bobby Gerhart ARCA Daytona 2012

Bobby Gerhart (com o carro da Lucas Oil) venceu a etapa da ARCA em Daytona após pane seca de todos os adversários

Antes da corrida da ARCA em Daytona, realizada neste sábado, dia 18, eu disse no Twitter de forma bem humorada que se eu fosse um chefe de mecânicos da categoria, minha estratégia seria seguir Bobby Gerhart nas paradas nos boxes para vencer a prova, afinal o veterano piloto venceu sete das últimas nove corridas do campeonato no super-oval da Flórida.

Quando Gerhart foi para os boxes logo no primeiro giro – perdendo a volta do líder – e os demais participantes se dirigiram ao pit-lane na quinta passagem, pensei que talvez eu pudesse ter errado a tática, e seguir o veterano não seria a coisa mais acertada do mundo.

Besteira, Gerhart recebeu o Lucky Dog e fez mais uma parada na décima volta para completar o tanque e poder chegar ao fim da corrida mesmo que houvesse uma prorrogação. Por acaso, foi justamente isso o que aconteceu. O experiente piloto não precisou poupar combustível nas voltas finais e ganhou quatro posições na última curva, quando todos os adversários sofreram com uma pane seca em pleno G-W-C.

No final, oito vitórias em dez anos para Gerhart em Daytona e mais uma vezes todos os participantes ignoraram a estratégia do vovô e acabaram sucumbindo.

Apesar do excelente aproveitamento, Gerhart não mereceu vencer dessa vez. Ele só conseguiu assumir a primeira colocação na volta final, pois todos os adversários, incluindo o então líder Brandon McReynolds, que liderara 64 das 80 voltas, tiveram uma pane seca devido às voltas extras da prorrogação.

Porém, o acidente de Chris Buescher, que ocasionou a derradeira entrada do safety-car é questionável. Restavam apenas duas voltas na prova quando o piloto rodou na saída do tri-oval, o carro não voltou para a pista, não estava em posição de perigo e sequer morreu. Levando em conta que faltavam apenas duas voltas e havia uma expectativa na briga pela ponta, a direção da ARCA se precipitou em acenar a bandeira amarela. Veja a seguir, o vídeo do incidente em péssima qualidade.

Embora não possa chamar isso de erro, a decisão acabou mudando o resultado da corrida. Tudo bem que o final de prova foi bastante emocionante, mas é questionável até que ponto valeu à pena influenciar no resultado. Se não fosse o drama do combustível, a chegada provavelmente seria chatíssima e sem disputas, já que os carros da ARCA, em um super-oval, precisam de algum tempo até alcançar a velocidade máxima e possibilitar as disputas.

Como eu não acredito em ‘vencedor moral’, o primeiro colocado foi Gerhart, enquanto McReynolds ficou no acidente do final. Mas o resultado poderia ter sido diferente se a ARCA não tivesse resolvido agir no fim da prova.

Apesar disso, vale destacar que não estou falando em proteção ao veterano. Ao longo de toda a corrida, a direção de prova se afobou na hora de acenar a bandeira amarela. A própria transmissão do canal Speed americano já havia levantado a questão quando Milka Duno rodou na quarta volta, mas conseguiu levar o carro ao pit-lane sem maiores problemas.

Nas batidas de Leilani Munter e de Bill Coffey, também não precisavam do safety-car, mas acredito que em situações parecidas a Nascar também teria acenado a bandeira amarela, então elas só entram em debate por conta do conjunto da obra, isto é, da afobação ao longo de todo o final de semana.

De qualquer forma, independente do comportamento da direção de prova em 2013, acredito que seria uma boa tática para os adversários ficarem de olho no que Bobby Gerhart for fazer. Veja o emocionante fim de prova a seguir:

Danica Patrick contra os pilotos brasileiros

setembro 15, 2011
Danica Patrick

Uma semana depois de acertar Brad Keselowski, Danica Patrick chamou os pilotos brasileiros de batedores

Às vésperas de mudar definitivamente para a Nascar, Danica Patrick declarou guerra aos pilotos brasileiros. Em uma entrevista à agência AP – que eu recomendo que você leia na íntegra clicando aqui antes de ver os meus argumentos –, a americana disse que os atletas nascidos por aqui são inconsequentes ao volante.

“Pode parecer estranho, mas eu diria que estou ficando mais agressiva na pista conforme vou envelhecendo. Será que isso é estranho? Eu não comecei na Nascar como um piloto brasileiro, que sobe no carro, grita ‘Whoooo’, sai batendo em todo mundo e só percebe o que aconteceu depois”, disse a ainda piloto da Andretti.

Apesar de escolher mal as palavras, a declaração de Danica não foi sobre Miguel Paludo nem sobre Beto Monteiro tampouco tinha como alvo Pietro Fittipaldi. Também não era sobre Tony Kanaan, Helio Castroneves, Vitor Meira ou Bia Figueiredo. A americana falava sobre Nelsinho Piquet.

Tanto o ex-piloto da Renault quanto Danica estrearam no turismo americano na mesma corrida: a etapa da ARCA em Daytona, realizada no início de 2010 – você pode clicar aqui e relembrar como foi (tem até um vídeo). Na prova, Nelsinho não foi bem e se envolveu em uma série de acidentes, incluindo um toque justamente na adversária. Danica, porém, salvou o carro e terminou na sexta colocação ao ultrapassar Ricky Carmichael já na entrada do tri-oval.

Danica Patrick e Nelsinho Piquet ARCA

Danica Patrick e Nelsinho Piquet se estranharam na ARCA pela primeira vez

Voltando à entrevista, é possível compreender porque a piloto possa considerar Piquet como um desafeto. Ainda assim, chama a atenção esse ataque cerca de um ano e meio depois, levando em conta o histórico dela de ser companheira de Tony Kanaan por tantos anos, além de colega de profissão de Helio Castroneves e tantos outros.

Por isso mesmo, alguns elementos na fala de Danica não estão claros. O primeiro deles é o contexto em que ela cita os brasileiros. O assunto acabou ali? A frase foi editada? O dito foi colocado ali só para causar mais impacto? Ela citava todos os brasileiros ou realmente tinha endereço certo? Nada disso é possível afirmar com certeza.

Em um segundo momento, ela foi extremamente infeliz na escolha das palavras. Isto é, independente das respostas paras as perguntas acima, Danica disse que os brasileiros têm fama de inconsequentes e batedores. Se ela queria falar de Nelsinho, de Rapha Matos ou de Helio Castroneves, deveria ter citado quem é o problema. Sem especificar, ela esquece que trabalhou meia década com Tony Kanaan, na mesma equipe, e quase toda semana encontra Helio, Vitor Meira e/ou Bia.

Ainda que Danica tenha realmente criticado Nelsinho, ela foi bastante irresponsável não só em ter escondido o nome do desafeto como também de ter guardado todas as reclamações até agora. Na entrevista, a americana diz que foi paciente e respeitosa com os adversários, ao contrário dos brasileiros. No entanto, ela esquece que na etapa de Richmond da Nationwide, realizada na última sexta-feira, dia 9, ela própria se envolveu em um acidente com o atual campeão Brad Keselowski.

O piloto da Penske poderia ter saído do carro e falado que ao contrário de quem vem da Indy ele não saia batendo em qualquer um no começo da carreira, era paciente e respeitoso. Apesar disso, ele fez o contrário. É verdade que Brad colocou a culpa na americana, mas disse que não poderia ficar chateado ao ter sido alvo da batida, já que a Nationwide é considerada uma categoria-escola, onde os pilotos estão aprendendo. Portanto, os pilotos da Sprint sabem do risco que correm ao descer para correrem com o bando de jovens.

Ora, tanto Piquet quanto Danica eram novatos na etapa da ARCA. Ao contrário dela, ele fazia a primeira corrida da carreira em um oval. Se a ainda piloto da Andretti foi compreendida por Keselowski, não caberia a ela ter feito o mesmo em relação ao brasileiro?

Danica Patrick

Danica Patrick salvou o carro na estreia em Daytona, mas não as palavras

Por mais negativa que tenha sido a repercussão da entrevista, não acredito que Danica tenha destilado xenofobia nas palavras. Acho que faz mais sentido enxergar o acontecido como mais um episódio em que a piloto escolheu mal as palavras e não conseguiu montar uma frase com aquilo que queria dizer. Basta ver, por exemplo, a entrevista da americana sobre a etapa de Motegi.

Na ocasião, Danica disse que não queria correr no Japão por conta da comida japonesa. Pela estrutura da frase “The radiation seems like it’s OK, but I’m concerned about the food, to be honest.”, parece que ela não gosta de sushi, mas depois ela explicou ter lido algumas reportagens e recomendações que pedem que as pessoas evitem comer carne vinda da região de Fukushima. Ainda nessa mesma entrevista ela fala dos perigos dos fenômenos naturais em território nipônico, mas se esquece que às vésperas da corrida Baltimore a Costa Leste americana foi alvo de terremoto e furacão.

Com dois relativos foras em tão pouco tempo, parece que Danica não tem noção da repercussão que as coisas que ela fala têm. Se você vai ao bar e fala com um amigo sobre não se comportar feito um piloto brasileiro, no máximo ele pode perguntar o que você quer dizer com aquilo caso não opte apenas por virar outro copo. Mas usar essa frase em uma entrevista com uma agência de notícias internacional é óbvio que não poderia sair coisa boa.

Em Talladega, Will Vaught correu para alertar à DMD

abril 20, 2011
Duchenne

Will Vaught teve a visita de um garoto que sofre da distrofia de Duchenne, na etapa da ARCA em Talladega

Para esgotar tudo o que aconteceu no último final de semana em se tratando do esporte a motor, a ARCA realizou a segunda etapa da temporada 2011 em Talladega, mais uma vez como preliminar da Sprint Cup.

O grande destaque da prova foi o anuncio de Milka Duno, ex-Indy, na equipe de Patrick Sheltra durante todo o campeonato. A piloto, apesar de ter se destacado nos treinos livres, não foi tão bem na corrida e terminou com a 26ª posição. A vitória ficou com Ty Dillon – irmão da Austin Dillon e neto de Richard Childress – que pulou para a vice-liderança do campeonato. Frank Kimmel terminou em segundo e o megaexperiente Bobby Gerhart foi o terceiro colocado e agora lidera na tabela de pontos.

A nona colocação ficou com Will Vaught, que fazia a primeira prova na categoria, em 2011, depois de fazer carreira em categorias de acesso, do tipo Modified, que corre na terra. No final, o piloto foi bastante elogiado pelo desempenho na segunda etapa do campeonato, mas ganhou ainda mais destaque por não ter patrocínios no carro. Mas na realidade, até aí é uma situação bem comum no automobilismo.

Só que Vaught não carregava nenhum patrocinador não por falta de apoio ou dinheiro. Ele fazia isso por ter optado em fazer campanha por maiores investimentos e pesquisas em uma doença chamada Distrofia Muscular de Duchenne. Não que o piloto sofra com a doença, mas sabendo das dificuldades de quem a tem, ele causou alguma comoção naqueles que assistiam à etapa por exibir a foto de um garoto que sofre dessa distrofia no capô do carro.

Will Vaught

Will Vaught em ação na prova da ARCA em Talladega

E esse é o principal motivo para que a distrofia de Duchenne tenha destaque. Ela ataca somente a crianças. Como aqui não é um blog médico, resumirei o que acontece. A distrofia de Duchenne é uma doença genética recessiva que só ataca meninos por atuar no cromossomo X. A criança que tem a doença acaba tendo uma deterioração da membrana do tecido muscular e passa a ter dificuldades muito grandes de locomoção. Ela se manifesta nos meninos quando eles estão aprendendo a andar. É característico ver esses garotos se apioarem nas pontas dos pés para tentar andar.

Essa não é a primeira nem a última vez que um alerta contra doença estará presente em um carro de corrida. Na Nascar mesmo, todos os anos existem campanhas alertando para o combate ao câncer de mama, e a etapa de Dover tem como patrocinadora uma fundação em prol de pessoas com autismo.

No entanto, é inegável que colocar criança no capô do carro, ainda mais alertando para uma doença em específico, chame a atenção. Tanto é que Will Vaught e a DMD ganharam um post aqui no blog.

Números da ARCA em 2011

fevereiro 10, 2011

 

Frank Kimmel ARCA 2011

O número 44 continua com Frank Kimmel em 2011, já os demais...

Para celebrar o início da temporada 2011 da ARCA, nesta sábado, dia 12, o World of Motorsport faz um breve guia sobre a categoria. Quem acompanha o blog, já viu os posts sobre as corridas da F1 que têm um nome parecido – no caso “números da F1 no Brasil”, ou algo assim – dependendo da pista.

Para a ARCA, as regras são um pouco diferentes. Ao invés de pegar curiosidades sobre a categoria e numerá-las, vou pegar o números dos carros dos dez primeiros na temporada 2010,  falar onde estes dez pilotos vão correr este ano e quem irá, se for o caso, ser o substituto na ARCA.

10) #11 Bryan Silas – 4140 pontos – 7 TOP 10

A expectativa era de que Bryan Silas brigasse pelo título da ARCA em 2010, o que não acabou acontecendo. Como a equipe de Andy Hillenburg, para qual compete, enfrentou dificuldades financeiros, o plano do piloto em se preparar para fazer a transição para a Nascar Truck Series – onde disputou poucas corridas em 2009 e 2010 – não acabou acontecendo. Em 2011, ao que tudo indica, Silas retorna à ARCA para um quarto ano na categoria, onde espera poder usar a experiência como trunfo na briga pelo título e por uma inédita vitória. Uma eventual conquista pode ser o combustível certo para que a carreira na Nascar deslanche de vez.

9) #31 Tim George Jr. – 4215 pontos – 2 TOP 5 e 5 TOP 10

Apesar da nona colocação para um segundanista, a temporada 2010 de Tim George Jr deixou a desejar, ainda mais que o piloto teve a disposição equipamento da RCR. Os fracos resultados fizeram aparecer boatos sobre uma possível não renovação do contrato do piloto vindo da GrandAM, o que não se concretizou. Richard Childress manteve George no programa de jovens pilotos da equipe que conduz e, para melhorar o desempenho do nova iorquino em 2011, agora ele também terá um companheiro: Ty Dillon, neto do próprio dono da equipe e franco-favorito ao título de 2011.

Antes de seguirmos ao próximo piloto, só uma correção: nem toda a temporada 2010 de Tim George Jr pode ser considerada fraca. Além da já esperada facilidade para correr em circuitos mistos, por ter vindo da GrandAM, o piloto se mostrou bastante habilidoso em superspeedways, onde quase venceu em Talladega. Para Daytona, podendo trabalhar com Dillon e com Joey Coulter, George é um dos favoritos.

8) #16 Joey Coulter – 4535 pontos – 1 vitória, 7 TOP 5 e 10 TOP 10

Depois de um surpreendente terceiro lugar em 2009, era esperado que Joey Coulter disputasse o título de 2010. No entanto, uma série de acidentes nas etapas iniciais deixaram o jovem piloto longe da briga pelo campeonato. No restante do ano,Coulter conseguiu se recuperar e conquistou a Bill France Four Crown – prêmio dado ao maior pontuador em quatro corridas que a ARCA faz em quatro pistas com características diferentes -, mas nada que o colocasse mais próximo dos líderes.

A decepção pela campanha pífia deu lugar à alegria quando Coulter foi anunciado como companheiro de Austin Dillon, na Nascar Truck Series, onde irá ser um novato em 2011, competindo pela RCR. Richard Childress afirmou que o desempenho de Joey, que corria em uma equipe familiar, chamou a atenção da organização e que logo ele foi contratado. Para o restante do ano, o piloto fará cinco corridas na ARCA, incluindo em Daytona, e pode dar ao spotter, Randy Renfrow, a oportunidade de participar de algumas provas. No mais, é um assento vazio para o restante do ano.

7) #22 Dakoda Armstrong – 4705 pontos – 2 vitórias, 5 TOP 5 e 12 TOP 10

Para um novato, a temporada 2010 de Dakoda foi muito boa. O piloto da Penske conseguiu duas vitórias e 12 TOP 10 em 20 corridas, mesmo ficando de fora da briga pelo título. O problema é a comparação com os antecessores no programa da Penske. Em 2010,o  então novato Parker Kligerman foi vice-campeão ao ficar apenas cinco pontos atrás de Justin Lofton, com direito a nove vitórias ao longo do ano. Antes, Justin Allgaier conquistara o título de 2008. Com a Penske dando mais tempo para Armstrong – já que o programa de jovens pilotos anda meio estagnado – um possível segundo ano na ARCA pode ser fundamental para que o piloto conquiste o título e comece a ganhar espaço na Nascar.

6) #32 Justin Marks – 4710 pontos – 1 vitória, 7 TOP 5 e 13 TOP 10

Em 2010, Justin Marks chegou a liderar o campeonato até a metade, mas alguns abandonos nas corridas finais fizeram com que o piloto enterrasse as chances de título. O que foi bastante curioso, já que ele tinha tudo para seguir a dinastia dos Justins na ARCA (Justin Allgaier foi o campeão de 2008 e Justin Lofton, o de 2009). Ainda assim, a temporada de Marks foi bastante produtiva e o piloto acabou acertando com a Turn One racing para correr na Nascar Truck Series em 2011.

No carro número 32 da Win-Tron Racing, na ARCA, Matt Merell irá competir na etapa de Daytona e deve participar de mais algumas provas. O piloto, no entanto, não deve fazer a temporada completa por falta de patrocínio.

5) #25 Mikey Kile – 4740 pontos – 1 vitória, 7 TOP 5 e 15 TOP 10

Se levarmos em conta que Kile entrou na temporada 2010 como favorito e acabou não conquistando o título, então o resultado foi bastante frustrante. No entanto, o resultado final – com 15 TOP 10 em 20 corridas – parece bem animador. Só que essa campanha não foi o suficiente para manter o piloto na equipe Venturini, que em 2011 aposta em Hal Martin e Kyle Fowler. Kile, por sua vez, ainda não anunciou planos, mas deve procurar na Nascar onde correr.

O carro número 25 está inscrito para o canadense Steve Arpin, que buscar o inédito título na categoria. Arpin ficou de fora de duas provas em 2010 por estar competindo para Dale Earnhardt Jr na Nascar Nationwide Series. No ‘vestibular’ para 2011, acabou perdendo para Aric Almirola a vaga na equipe. Sem a certeza de fazer a temporada completa da ARCA, Arpin quer provar que seria candidato ao título da temporada passada se não tivesse se ausentado. As três vitórias no último ano – mais que qualqer outro piloto – pesam a favor do amigo de Dale Jr.

4) #44 Frank Kimmel – 4785 pontos – 7 TOP 5 e 14 TOP 10.

É estranho ver Frank Kimmel tão atrás. Depois de ganhar dez títulos na categoria, o experiente piloto deixou a equipe para qual competia e, em 2008, abriu o time próprio. Não deu certo. Mesmo com o patrocínio da Menards e da Ansell, Kimmel nunca mais foi campeão e só venceu duas vezes desde então. Em 2010 parecia que ele iria ser campeão pela regularidade – ou pela falta dela nos outros concorrentes -, mas acidentes nas etapas finais frustraram qualquer plano. Em 2011, Kimmel está de volta no #44 de sua própria equipe.

3) #77 Tom Hessert III – 4860 pontos – 1 vitória, 10 TOP 5 e 15 TOP 10

Quando Tom Hessert foi anunciado como substituto de Parker Kligerman, em 2010, muita gente torceu o nariz. No entanto, o intinerante piloto fez uma temporada muito sólida – mesmo com só uma vitória – e ficou na briga pelo título até as etapas finais, quando perdeu terreno por conta de uma punição, mas por muito pouco acabou não sendo o campeão. A expectativa era que Hessert fosse para a Nascar Truck Series, mas Justin Lofton acabou vencendo a disputa pela vaga restante na Germain Racing. Agora, Hessert retorna à ARCA no número 52, da equipe de Ken Schrader, e espera conquistar o título que deixou escapar.

O número 77 da Cunningham-Penske será ocupado pelo novato Joey Licata Jr, que já mostrou um bom desempenho nos treinos em Daytona, mas ainda não anunciou se irá fazer a temporada completa de 2011.

2) #81 Craig Goess – 4945 pontos – 1 vitória, 10 TOP 5 e 15 TOP 10

A exemplo de Hessert, Goess por muito pouco não foi campeão em 2010. O piloto da equipe de Eddie Sharp assumiu a condição de favorito e, sempre muito constante, ficou na briga até o final. Mesmo com o vice-campeonato, Goess agradou ao chefe e irá seguir com Sharp na disputa da Nascar Truck Series, onde brigará pelo posto de novato do ano no truck de número 46. Como o número 81 era uma exigência do piloto, a equipe voltará a utilizar a numerção característica e os pontos acumulados por Craig devem passar para o carro de número 6, que terá Jason Bowles, vencedor do Toyota All Star Showdown, a bordo em Daytona. A Eddie Sharp Racing ainda terá Kevin Swindell, no oval da Flórida, no número 98. A dupla não descartou voltar à equipe em futuras oportunidades ainda que não façam o campeonato completo.

1) #60 Patrick Sheltra – 4965 pontos – 2 vitórias, 12 TOP 5 e 17 TOP 10

Patrick Sheltra foi campeão da ARCA em 2010 com todos os méritos. O experiente piloto soube usar o que aprendera nos anos anteriores para que na última temporada só não conseguisse terminar entre os dez primeiros em três corridas. Com o título, correndo em equipe própria, Sheltra tentou negociar com Richard Childress uma vaga na Nascar, mas, ao que tudo indica, não teve sucesso nesse objetivo. Ainda assim, ele pode surpreender e aparece na lista de inscritos da Nationwide na última hora. Quanto à ARCA, o campeão, no entanto, não deve defender o título.

Ironicamente, Sheltra vai aproveitar os pontos conquistados em 2010 para inscrever um carro para a etapa de Daytona. Na máquina do atual campeão estará a venezuelana Milka Duno, que faz sucesso pelo desempenho único na Indy.

ARCA inicia 2011 com testes em Daytona

janeiro 10, 2011

 

Miguel Paludo

Miguel Paludo já participou de uma corrida da ARCA. Foi em 2010, no Kansas

Nesta segunda-feira, dia 10, faço uma exceção à coluna da Nascar para escrever sobre a ARCA. Mas como o assunto também aborda alguns pontos da principal categoria do turismo americano, não terá problema essa substituição.

A partir desta terça-feira, a ARCA vai realizar três dias de testes coletivos em Daytona para que equipes e pilotos possam se preparar para a corrida de abertura da temporada da categoria, no mês de fevereiro.

Como a Nascar exige que os pilotos inscritos para as corridas em super-ovais – Daytona e Talladega – tenham uma aprovação especial, uma das formas de conseguir essa permissão é participar da prova da ARCA no oval da Flórida. Por isso, esse teste ganha importância.

Sendo direto, o fato mais relevante desses treinos será a presença de Miguel Paludo. Ao menos para nós, brasileiros. O piloto vai correr em um carro preparado pela equipe Red Horse, a mesma para quem irá disputar a Truck Series, e seguirá o mesmo caminho feito por Nelsinho Piquet em 2010. Para quem não se lembra, o ex-piloto de F1 participou dos treinos e da corrida da ARCA – quando foi bastante criticado por se envolver em um acidente com Danica Patrick – antes de estrear na Nascar e terminar em sexto lugar.

 

Bobby Dale Earnhardt

Mais um Earnhardt se aventura no turismo americano. Agora é a vez de Bobby Dale Earnhardt

Paludo, aliás, não é o único piloto vindo da Nascar East a participar do treino. Além dele, Kevin Swindell, Ty Dillon e Jake Crum também vão participar da atividade. Entre todos, Crum é o menos relevante. Em 2010, fez duas corridas na East Series, brigou por TOP 10 e só. Vai testar pela Hixson Motorsport de importância também questionável.

Ty Dillon é neto de Richard Childress e vai competir pela equipe do avô. O irmão de Austin Dillon, da Truck Series, venceu as duas últimas corridas da ARCA na temporada passada e é o favorito ao título deste ano. Nesta segunda, em Daytona, foi confirmado, ao lado de Tim George Jr, pelo avô-patrão como piloto da equipe na briga pelo título da temporada 2011 da categoria.

Se Dillon já é certo, Swindell é um que ainda busca aonde correr. No último ano, o piloto participou da Nascar East e mesmo competindo por uma equipe mais fraca, a Baker-Curb, chamou a atenção ao conquistar algumas pole-positions e encerrar o ano na sétima posição. Em Daytona, estará testando para a tradicional equipe de Eddie Sharp. Ainda que os dois lados se unam em futuras corridas, Kevin não deve correr a temporada completa da categoria.

Ao lado do piloto, estará Jason Bowles, experiente piloto da Nascar West, que busca alcançar a Nationwide. Com a dupla da Eddie Sharp – ao menos para os treinos – confirmada, a ausência mais sentida é a de Brandon McReynolds, filho do comentarista Larry McReynolds. Era esperado que o piloto competisse durante toda a temporada 2011 da ARCA, mas estando fora da lista, as chances de confirmação para a corrida, assim como para o ano, diminuem. Outro de fora, mas que persegue uma vaga na Nascar, é Steve Arpin.

Além desses pilotos, os testes da ARCA servem para ver o que os confirmados para a temporada 2011 podem fazer. Só que no quesito testar a habilidade, outra figura conhecida chama a atenção entre os 60 inscritos: Milka Duno. A venezuelana vai participar tanto do treino quando da corrida pela equipe de Patrick Sheltra, atual campeão da categoria.

Por fim, mas não menos importante, um nome bem conhecido da Nascar estará na pista: Earnhardt. É Bobby Dale Earnhardt, neto do heptacampeão e filho de Kerry. Certamente é mais um que apenas se aproveita do sobrenome famoso, mas, que assim como o pai, não dispõe de muito talento.

Patrick Sheltra conquista o título da ARCA

outubro 9, 2010
Patrick Sheltra conquista o título da ARCA

Patrick Sheltra comemora o título da ARCA, em Rockingham

A etapa final da temporada 2010 da ARCA foi disputada em Rockingham, neste sábado, dia 9. Por ser a última prova da temporada, em um dos ovais mais tradicionais, a corrida atraiu alguns pilotos que não disputaram todas as etapas da categoria. Entre os inscritos estavam mais uma vez Ty Dillon (neto de Richard Childress), Chris Buescher (da Roush) e Max Gresham (da Joe Gibbs), além de Ryan Wilson (que venceu o prêmio do Richard Petty Experience), Steve Park (veterano da Nascar) e Kevin Swindell (destaque na Nascar East).

E foi justamente Swindell que marcou a pole-position para a corrida. Entre os três que chegaram à última prova com chances de serem campeões – Patrick Sheltra, Craig Goess e Tom Hessert – apenas Goess somou pontos de bônus na classificação, ao conquistar a terceira posição, diminuindo a diferença em relação a Sheltra para apenas cinco pontos.

Largando na frente, Swindell liderou as primeiras 52 voltas, mas foi superado nos boxes por Steve Arpin pouco depois do motor de Chad Hackenbracht ter se entregado. Sheltra relargou em segundo, mas antes mesmo de completar uma volta, já era o novo líder. Ainda na disputa, Justin Marks assumiu a primeira posição por algum tempo, antes de Sheltra retomar a ponta, onde permaneceu até as últimas voltas.

Tim George Jr, também da RCR, chamou a última bandeira da corrida quando faltavam apenas 41 voltas para o fim. Os líderes foram para os boxes e Sheltra manteve-se na frente, enquanto Ty Dillon saíra na segunda posição. Na relargada, o neto de Richard Childress atacou o líder do campeonato e passou a comandar a corrida.

 

Patrick Sheltra e Craig Goess

Patrick Sheltra e Craig Goess disputando o título da ARCA na pista

Tom Hessert chegou a andar na terceira posição, mas perdeu rendimento durante a corrida. Assim, Craig Goess ficou sendo o outro piloto que poderia conquistar o título, no momento, porém, ocupava apenas a décima posição. Com o rival mais atrás, Sheltra – que conquistara os bônus por liderar o maior número de voltas – diminuiu o ritmo nos últimos giros, sendo ultrapassado por uma série de pilotos.

Goess, por outro lado, conseguiu escalar rapidamente o pelotão e, nas últimas passagens, ambos os pilotos pasaram a duelar por posição. A batalha, porém, não tinha tanto significado já que Sheltra podia terminar até três posições atrás do adversário.

No final, Ty Dillon cruzou a linha de chegada em primeiro, conquistando a segunda vitória seguida na categoria. Kevin Swindell terminou em segundo, seguido por Chad Finley. Com o quarto lugar, Patrick Sheltra se tornou o campeão da ARCA na temporada 2010. Craig Goess terminou em quinto.

O campeonato terminou com Sheltra marcando 4965 pontos, contra 4945 de Goess. Tom Hessert não foi bem em Rockingham, finalizando três voltas atrás, e somou 4860 pontos na temporada. Depois vieram Frank Kimmel, Mikey Kile, Justin Marks, Dakoda Armstrong, Joey Coulter, Tim George Jr e Bryan Silas.

A temporada 2011 da categoria começa em Daytona, no mesmo final de semana que a Nascar realiza o Budweiser Shootout. A retrospectiva da temporada e como Patrick Sheltra chegou ao título inédito irá ao ar aqui no blog em algum momento da pré-temporada.


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