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A internacionalização da V8 Supercars

junho 20, 2012

Jacques Villeneuve vai competir na V8 Supercars com o carro da Pepsi

A V8 Supercars está vivendo um momento curioso em 2012. Com a popularização da categoria internacionalmente, nunca tantos pilotos fora do eixo Austrália- Nova Zelândia estiveram presentes no campeonato.

Tudo começou há alguns anos, quando a organização da categoria passou a obrigar as equipes a escolherem um competidor famoso internacionalmente para disputar a etapa de Surfers Paradise, ao lado dos participantes regulares. Pouco a pouco, essa medida não só fez com que o campeonato passasse a ser acompanhado em outras partes do mundo como também gerou interesse pelo certame nos próprios atletas.

O processo continuou no início de 2012, quando a equipe de Garry Rogers precisava de um substituo após perder Lee Holdsworth para a Ford. Conhecido por revelar alguns dos principais pilotos do campeonato (como o megacampeão Jamie Whincup, por exemplo), o time surpreendeu ao ignorar as categorias de base e acabou escolhendo pelo francês Alexander Prémat, que havia deixado a Audi no DTM.

Depois, essa internacionalização deu uma acalmada. Praticamente as únicas notícias vindas sobre os pilotos europeus diziam respeito à etapa de Gold Coast, além da confirmação de que Christian Klien vai também correr em Bathurst, mas nada demais até aí.

Só que uma nova reviravolta aconteceu nesta quinta-feira (21). A equipe Kelly anunciou que o andarilho Jacques Villeneuve vai substituir o neozelandês Greg Murphy na rodada de Townsville, no próximo final de semana. O piloto titular sofreu um grave acidente no início do ano, em Adelaide, e vinha tendo David Russell, que compete em um dos campeonatos de acesso, como substituto.

A participação de Villeneuve deve ser apenas para essa etapa, mas mesmo assim já levantou alguma discussão. Afinal, do que adianta montadoras e equipes investirem nos campeonatos de acesso se quando abre uma vaga no certame principal os times recorrem aos pilotos internacionais?

Apesar das reclamações, essa é uma discussão que não deve evoluir. É óbvio que uma das consequencias da internacionalização de um campeonato é o aumento da qualidade do grid. Assim, aos poucos os pilotos mais fracos vão ficando de fora para a chegada de gente que tem um currículo um pouco mais recheado.

Quanto aos jovens pilotos das divisões de acesso, eles não precisam ficar preocupados. Aqueles que forem realmente talentosos devem continuar a avançar sem problemas para o campeonato principal, afinal há uma demanda de patrocinadores e até mesmo de audiência para ter australianos – e neozelandeses – brigando pela primeira posição.

A V8 Supercars só precisa evitar que a situação saia do controle, como aconteceu na Indy, que durante muito tempo praticamente não teve pilotos americanos. Fora isso, pensando também do lado dos torcedores, deve ser muito mais legal ver dois pilotos com experiência de F1 se juntando à categoria, mesmo que para uma única etapa, no lugar de uma eterna promessa das categorias de base, por exemplo.

Alexandre Prémat na V8 Supercars. Wait! What?

fevereiro 4, 2012
Lee Holdsworth

A negociação de Prémat com a equipe de Garry Rogers, para pilotar o carro número 33, foi totalmente inesperada

A possível ida de Rubens Barrichello para a Indy é, até agora, a maior movimentação no mercado de pilotos de 2012 no automobilismo internacional. Entretanto, não é a única negociação estranha. De uma forma inesperada, o francês Alexandre Prémat vai disputar o próximo campeonato da V8 Supercars.

Prémat assinou contrato com a equipe de Garry Rogers e terá Michael Caruso como parceiro. O francês substitui Lee Holdsworth, que se mandou para o time oficial da Ford, naquela que era a grande transação da categoria até a chegada do europeu.

A carreira do francês é bem longa. Entre os destaques, venceu corridas na F3 Euro Series, na GP2 e na Le Mans Series, pela Audi. Foi campeão da A1GP competindo contra Nelsinho Piquet e disputou o DTM durante quatro anos, sendo um dos principais nomes da Audi, mas sem conseguir estourar na categoria.

Aliás, com o perdão do trocadilho, Prémat conseguiu se estourar no campeonato alemão. No final de 2010, ele sofreu um grave acidente na penúltima etapa e foi obrigado a perder a corrida decisiva. (O vídeo da batida está no fim do post). Foi justamente nesse período lesionado que surgiu a paixão pela V8 Supercars.

De uma forma totalmente pitoresca, a carreira de Prémat mudou após o acidente. Sem nada para fazer enquanto se recuperava, o piloto assistiu às corridas da categoria australiana pela televisão e virou fã. Agora, em 2012, quando soube que havia uma vaga livre em uma equipe de ponta, o próprio francês ligou para Garry Rogers para tentar fechar contrato.

Mas a V8 Supercars, na verdade, é o plano B do piloto. A vontade de Prémat era ter permanecido no DTM pela Audi, mas ele foi demitido em 2010 porque decidiu participar da Maratona de Nova York para provar que estava recuperado do acidente. No entanto, a montadora alemã tinha o vetado de tomar parte da corrida, alegando que ainda precisava do tratamento para se preparar para a nova temporada.

Alexandre Prémat

Alexandre Prémat andava meio afastado do automobilismo desde a demissão da Audi

Com o acordo fechado para correr na Austrália, Prémat é primeiro piloto de fora da Oceania a competir de forma integral no campeonato desde Max Wilson. O brasileiro esteve na V8 Supercars entre 2002 e 2008, tendo inclusive corrido pela Triple 8, a principal equipe do campeonato atualmente – aquela com o patrocínio da Vodafone –, mas que na época ainda estava começando.

A contratação de Prémat, por fim, gerou alguma polêmica na Austrália. Enquanto muita gente ficou ansiosa pela nova temporada por conta do reforço internacional, Garry Rogers também recebeu algumas críticas. O dirigente é famoso lá em Land Down Under por revelar jovens pilotos – foi ele quem descobriu o atual megacampeão, Jamie Whincup, e o antigo megacampeão Garth Tander, além de Holdsworth – então havia a expectativa que ele escolhesse uma nova estrela para a V8 Supercars nas divisões menores do turismo australiano.

No final, Rogers fechou com o francês de 29 anos e frustrou quem já se cansou do domínio de Whincup e Craig Lowndes, mas apostava em uma revelação local.

Na minha opinião, a V8 Supercars é um campeonato muito disputado e só tem a ganhar com a chegada de Prémat. A categoria anda bastante valorizada e ter esse apelo internacional serve para que o campeonato ganhe ainda mais atenção.

Eu só lamento não ter mais tempo para assistir essas corridas, mesmos as provas ruins são sensacionais perto das que a gente tá acostumado na Indy e na F1. Ano passado eu tentei ver a de Surfers Paradise, que o Bandsports transmitiu, mas dormi no meio. Que vergonha. Só que eu tenho uma boa desculpa, tinha plantão e ainda era época de fazer a monografia, então dormir depois das 4h para acordar às 8h não dava.

Ok, a desculpa é péssima. Para todo mundo esquecer o que eu disse, confira o vídeo do acidente de Alex Prémat no DTM:


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