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2 anos de World of Motorsport

janeiro 1, 2012
World of Motorsport

World of Motorsport, porque qualidade nas imagens vem sempre em primeiro lugar

Nessas horas eu acho que estou ficando velho. Hoje, dia 1º de janeiro, meu blog, o World of Motorsport – também conhecido como este site que você está lendo – completa dois anos de idade.

É curioso que para comemorar essa data, o post de hoje não fala diretamente sobre o automobilismo. Aliás, essa é a única vez no ano que isso acontece. Hoje o assunto é o blog mesmo.

Aproveito essa data para anunciar que encerro as atividades por aqui. Cansei do automobilismo, vou começar a cobrir o futebol para trabalhar na Copa de 2014. Valeu a audiência, e a gente se vê por aí!

Ok, não é nada disso. Em 2012 o blog segue firme e forte falando sobre os principais campeonatos do mundo como a F-Renault Europeia, a Toyota Racing Series, a F4 Francesa, e a BMW Talent Cup, entre outros. E também sobre torneios menos importantes como a F1, a Nascar e a Indy.

Na verdade, eu espero conseguir fazer tudo isso em 2012, já que, se os maias estiverem certos, o mundo acaba em dezembro. Então não vou ter outra chance.

Por exemplo, uma dessas metas para 2012 é voltar à marca de posts diários, no mínimo. Esse ano não deu. Dessa vez foram 322 posts em 365 dias. O problema mesmo foi em novembro, quando a coisa desandou. Não por preguiça minha, juro, mas pela agenda cheia.

Como eu me formei em dezembro, tinha que fazer a monografia. Aí entrei naquela rotina de escrever até cair de sono, dormir quatro ou cinco horas por dia e acordar cedo para a aula de manhã. Depois, claro, trabalho até o fim do dia e mais monografia. Então cada hora que eu usasse para o blog estaria desperdiçando do trabalho final, por isso em alguns momentos não deu para conciliar tudo. No final, foi uma grande época, mas fico feliz que tenha terminado.

Só que em 2011 também houve algumas boas notícias. Por exemplo, em relação ao primeiro ano do blog a audiência por aqui aumentou em 1816% (uau, devo ter errado na conta, mas a fórmula – matemática – que eu achei deu isso). Alguns posts também deram aquele orgulhozinho de terem sido publicados. Só para citar alguns, teve aquele sobre a vitória do Vinícius Perdigão em Sebring – e ninguém mais lembra dele –, o título inédito que o Fábio Gamberini poderia ganhar na Espanha (e não venceu), a lista com todos os pilotos brasileiros no exterior e, depois, as vitórias de cada um.

Teve também recentemente uma notícia que saiu da Lada voltando ao WTCC. O leitor aqui do World of Motorsport ficou sabendo pelo menos dois dias antes que o restante do mundo (e a possibilidade levantada meses antes), quando a Autosport publicou a mesma coisa (buscamos na mesma fonte, provavelmente). É esse tipo de fato que comprova a qualidade das informações e o embasamento das opiniões expressas por aqui. Ah, teve também o especial sobre o título do Felipe Nasr na F3 Inglesa, que também merece destaque.

Em 2012, planejo fazer algumas mudanças por aqui, colocar algumas ideias em prática, para que a lista de posts dos quais possa me orgulhar possa aumentar no ano que vem.

Então, apenas relembrando, a cada dia você pode encontrar um novo post por aqui. Aí até é legal que no texto do dia em que o mundo acabar, quando eu falar sobre os que deram algum orgulho de publicar, até rola fazer uma checklist de quais você se lembra. Ou não.

Os melhores de 2011

dezembro 31, 2011
Red Bull

Chegou a hora de eleger quem foram os melhores de 2011

O último post de 2011 no World of Motorsport não é bem uma retrospectiva. É mais uma daquelas listas que elege os melhores da temporada. Para isso, peguei os mesmos quesitos do site Driver Database e comento aqui os meus vencedores, não só me limitando aos pilotos selecionados por eles. Além disso, em todas as categorias também entra um prêmio – digamos assim – para o melhor brasileiro. Vamos aos eleitos!

Guilherme Silva

Guilherme Silva chegou a liderar a F-Futuro e a F3 Sudamericana ao mesmo tempo em 2011

Revelação do ano: Richie Stanaway. Ao contrário do último ano, 2011 foi marcado pelo surgimento de uma série de jovens pilotos nas mais diversas categorias. Gente como JR Hildebrand, Maverick Viñales, Mitch Evans e Pietro Fantin apareceram muito bem onde competiram e logo ganharam destaque nos seus campeonatos.

Apesar disso, nenhum desses levantou uma taça ao longo do ano, Stanaway, sim. O neozelandês de 20 anos trocou o país da Oceania pela Alemanha em 2009 – uma mudança deveras incomum para falar a verdade – e desde então não parou mais de vencer. Título da ADAC Masters em 2010 e da F3 Alemã neste ano.

Na F3, venceu 13 corridas e terminou o campeonato com uma vantagem de 55 pontos para Marco Sorensen, o vice-campeão. Você pensa que parou por aí? Que nada. Richie estreou na GP3 pela Lotus ART para substituir o brasileiro Pedro Nunes, nas duas últimas rodadas de 2011, e logo no debute – em Spa-Francorchamps – venceu a corrida curta. Fora isso, dominou o treino dos campeões da World Series by Renault e só não teve um ano inteiramente positivo porque se envolveu no acidente da largada em Macau.

Richie Stanaway assumiu o posto de jovem piloto neozelandês mais badalado, superando Mitch Evans, protegido de Mark Webber. Existe a possibilidade de o piloto competir na World Series by Renault em 2012 ao lado de Felipe Nasr e Valtteri Bottas. Se isso acontecer, vai ser um ano sensacional.

No Brasil: Guilherme Silva. Campeão da F-Futuro e terceiro colocado da F3 Sudamericana, mesmo tendo competindo em apenas pouco mais da metade das corridas, o mineiro foi extremamente regular em ambos os campeonatos e se tornou um dos poucos pilotos de qualidade revelados correndo apenas no Brasil no início da carreira.

Martin Tomcyzk

Martin Tomcyzk calou os críticos ao vencer no DTM mesmo com um equipamento defasado

Melhor piloto de categorias de turismo: Martin Tomczyk. Ok, mais uma decisão difícil. Cacá Bueno venceu a Stock Car e Trofeo Linea com um pé nas costas, Tony Stewart foi tricampeão da Nascar ao ganhar 50% das corridas do Chase e Sébastien Loeb obteve um inédito octacampeonato no WRC. Todos tiveram bons motivos para comemorar, mas o grande nome do ano foi Tomczyk.

Mesmo rebaixado da equipe oficial da Audi no DTM, o alemão subiu ao pódio em oito das dez etapas do ano – e venceu quatro delas – para conquistar o primeiro título na categoria. Para isso, o germânico deixou para trás nomes como Bruno Spengler, Timo Scheider e Mattias Ekström. Agora Tomczyk trocou a Audi pela BMW no DTM em 2012.

No Brasil: Cacá Bueno. Thiago Camilo foi campeão do Brasileiro de Marcas e começou a Stock Car muito forte, mas na hora que valia o título, Cacá foi melhor. O piloto da Red Bull foi pole-position em todas as corridas dos playoffs, venceu uma e garantiu a taça com certa facilidade. De quebra, ainda conquistou o Trofeo Linea por antecipação. Valdeno Brito merece uma menção horrorosa honrosa por ter vencido 12 vezes entre GT Brasil (onde foi campeão), Brasileiro de Marcas e Stock Car.

Thiago Vivacqua

Thiago Vivacqua venceu uma competição de kart na pista da família Schumacher

Melhor kartista: Nyck de Vries. Não acompanho o kartismo, por isso vou levar em contas os títulos. Campeão mundial na categoria KF1, De Vries fica com o prêmio. Agora a expectativa é ver como o piloto da McLaren fará a transição para os monopostos.

No Brasil: Thiago Vivacqua foi o principal nome. Quero dizer, entre os brasileiros, já que as principais conquistas do carioca aconteceram na Europa, como a vitória na Ciao Thomas, em Kerpen, quando venceu Dennis Olsen, entre outros. Tanto é que o garoto foi contratado pra substituir De Vries entre os pilotos da Chiesa Corse.

Dan Wheldon 500 Milhas de Indianápolis

Ninguém poderia imaginar um final de prova desse jeito em Indianápolis

Surpresa do ano: Dan Wheldon. Quem vê o resultado da F1 e da Indy – com Sebastian Vettel, Dario Franchitti e Will Power na frente – pode achar que 2011 seguiu à risca de premiar os favoritos. Isso é um engano. Martin Tomczyk, Tony Stewart, Sebastian Ogier, Nasser Al-Attiyah e Stefan Bradl são alguns exemplo de quem nem sempre o nome óbvio venceu – ainda que Ogier tenha ficado com o vice no WRC.

Apesar disso, não tem como negar que Dan Wheldon foi o dono do resultado mais inesperado do ano. Antes da última curva da Indy 500, o inglês já era considerado um piloto decadente, que dava sinais claros de fim de carreira: teve filhos e foi dispensado da equipe (Panther) onde era ídolo. Assim mesmo, Wheldon pilotou como nunca em Indianápolis e parecia que ia terminar em segundo como sempre.

Aí JR Hildebrand acertou o muro e o inglês estava no lugar certo e na hora certa para garantir o bicampeonato na tradicional prova, de forma surpreendente.

Acho que Wheldon tinha um pouco de Felipe Massa até 2010. Estava em baixa e parecia correr apenas por comodismo. Ia bater o ponto na Panther e voltava para casa para brincar com os filhos. O piloto precisou ser demitido da equipe para dar aquela chacoalhada e conseguir voltar motivado na 500. Motivação, essa, que ele tinha em Las Vegas, onde poderia ganhar US$ 5 milhões, caso vencesse a corrida largando em último. O resto da história todo mundo conhece. E Wheldon protagonizou um dos momentos mais tristes do automobilismo em 2011.

No Brasil: Fábio Gamberini. O título da F3 Espanhola na categoria Copa e tendo brigado pelo histórico título na divisão principal deixou o paulista no radar das grandes equipes das categorias de base, depois de passar longe até então. Lucas Foresti, por ter começado forte a temporada da F3 Inglesa, e Luir Miranda também merecem menções horrorosas honrosas.

Felipe Nasr

Felipe Nasr se tornou o 12º brasileiro a vencer a F3 Inglesa

Piloto de monopostos do ano: Sebastian Vettel. Essa foi fácil. Recorde de bicampeão mais jovem da história da F1, maior número de pole-position em um ano, título conquistado com quatro rodadas de antecipação e total domínio do campeonato, terminando com 11 vitórias. Alguém discorda que o alemão da Red Bull foi o melhor do ano em 2011?

No Brasil: Felipe Nasr. Outro eleito já esperado. Com o título da F3 Inglesa conquistado com duas rodadas de antecedência, tendo sido dominante ao longo do ano e terminando a etapa de Macau com a segunda posição, o brasiliense foi o principal piloto dos países nos monopostos. Tony Kanaan também merece ser lembrado. Já na F1…

Pietro Fittipaldi

Pietro Fittipaldi conquistou o primeiro título brasileiro na Nascar

Novato do ano: Richie Stanaway e Marc Márquez. Aqui fica um empate. Stanaway nem parecia que debutava na F3 com o título da F3 Alemã, enquanto Márquez fez o primeiro ano na Moto2.

Na realidade, o início do catalão foi bastante complicado. Com erros nas primeiras três corridas, Márquez só foi pontuar na quarta etapa, na França. Você pode imaginar que o espanhol terminou a corrida na rabeira do top-10, ainda se acostumando a motos mais potentes certo? Que nada! O garoto ganhou em Le Mans antes de obter mais sete vitórias ao longo do ano e terminando todas menos uma etapa no pódio.

Márquez se aproximou de Stefan Bradl na tabela de pontos, mas um acidente bobo com Ratthapark Wilairot nas etapas finais deixou-o de fora das últimas duas corridas. Pior. Até hoje o garoto vê dobrado por conta da batida e, ainda que a recuperação seja uma certeza, esse problema de saúde recorrente ao longo da carreira pode fazer com que o sucessor de Jorge Lorenzo e Casey Stoner não tenha tempo para chegar ao estrelato da MotoGP.

No Brasil: Pietro Fittipaldi. O neto de Emerson conquistou o primeiro título de um brasileiro na Nascar, ao correr na Limited Late Models em Hickory. Clicando aqui, eu explico qual exatamente é essa categoria em que ele correu e, aqui, as expectativas para 2012. Luir Miranda, Guilherme Silva e Victor Franzoni, além de Pietro Fantin, mostraram que o Brasil tem uma geração muito forte sendo formada nos monopostos.

Sebastian Vettel

Senhoras e senhores, Sebastian Vettel é o piloto do ano de 2011

Piloto do ano: Sebastian Vettel, como já era esperado.

No Brasil: Felipe Nasr.

Recapitulando:

Revelação: Richie Stanaway / Guilherme Silva
Piloto de turismo: Martin Tomczyk / Cacá Bueno
Kartista: Nyck de Vries / Thiago Vivacqua
Surpresa: Dan Wheldon / Fábio Gamberini
Piloto de monopostos: Sebastian Vettel / Felipe Nasr
Novato: Richie Stanaway e Marc Márquez / Pietro Fittipaldi
Piloto do ano: Sebastian Vettel / Felipe Nasr

Concorda com a lista? E a sua, como seria?

Retrospectiva da World Series by Renault em 2011: o ano do ‘Quarteto Fantástico’

dezembro 26, 2011
Jean-Eric Vergne

A World Series by Renault voltou a ser a casa da Red Bull em 2011

Como já é tradição aqui no World of Motorsport, chegou a hora de relembrar os melhores momentos de 2011. Para isso, nada melhor que começar com retrospectiva da temporada da World Series by Renault, que tirou Robert Wickens da fama de eterno vice-campeão que o perseguia.

Wickens, na realidade, não foi o único piloto que se destacou este ano. A WSbR foi dominada por quatro garotos que ganharam a alcunha de ‘Quarteto Fantástico’. Além do canadense, o grupo também teve Jean-Éric Vergne, Daniel Ricciardo e Alexander Rossi. Os quatro, aliás, só não terminaram nas quatro primeiras colocações do campeonato, pois Ricciardo já estava pilotando pela Hispania na F1 e a agenda não permitiu disputar a última rodada do certame.

Apesar de o quarteto ter ficado em evidência tanto tempo, a pré-temporada foi marcada pela expectativa da montagem dos planteis. A Carlin, que conquistara o título de 2010, resolveu apostar em pilotos experientes, trazendo Wickens e Vergne para substituir o então campeão Mikhail Aleshin.

Rival do time de Trevor Carlin na F3 Inglesa, a Fortec resolveu investir pesado para 2011. Trouxe Rossi e o brasileiro Cesar Ramos – campeão da F3 Italiana – para as vagas de Sten Pentus e Jon Lancaster. Por fim, Daniel Ricciardo deixou a Tech1 para correr pela ISR, que havia disputado o título da última temporada com Esteban Guerrieri.

Ricciardo teria Dean Stoneman – campeão da F2 – como companheiro, mas o inglês foi diagnosticado com um câncer nos testículos pouco antes da primeira etapa e acabou substituído por Nathanaël Berthon. A Tech1, por sua vez, promoveu dois novatos da F-Renault, Kevin Korjus e Arthur Pic, enquanto André Negrão subiu para a Draco. O último destaque ficaria com a venda da tradicionalíssima Epsilon Euskadi, que se tornou Epic, e passou a inscrever carros para Albert Costa e Pentus.

Jake Rosenzweig

Jake Rosenzweig trocou a Carlin pela Mofaz em 2011. Não importa na verdade, esse é meu carro favorito da temporada

Após uma pré-temporada com bom desempenho dos pilotos brasileiros, a World Series by Renault iniciou 2011 no dia 16 de abril no Motorland Aragón, em Alcañiz. Robert Wickens confirmou o favoritismo e marcou a pole-position, mas foi Daniil Move, da P1, quem assumiu a liderança da prova. O russo manteve a ponta até ser pressionado por Rossi, que conseguiu uma senhora ultrapassagem no rival.

Sabe aquele lance no GP da Hungria do ano passado, quando Michael Schumacher espremeu Rubens Barrichello no pit-wall? Então. Move fez o mesmo com Rossi, mas o americano foi persistente e conseguiu a ultrapassagem. Após a prova, o piloto da Fortec disse que contava com as equipes tirarem as placas de sinalização do pit-wall para que ele finalizasse a ultrapassagem sem ser atingido. Wickens e Nelson Pantiaciti completaram o pódio.

Na segunda corrida do final de semana, Cesar Ramos conseguiu a pole-position. A primeira de um piloto brasileiro desde Fábio Carbone, se não me falha a memória. Apesar disso, o gaúcho largou mal e foi ultrapassado por Korjus e Costa. O estoniano manteve a ponta e conquistou a primeira vitória da carreira na categoria e bateu o recorde que pertencia a Charles Pic de piloto mais jovem a ganhar uma corrida. Rossi e Costa completaram o pódio, com Ramos sendo o quarto.

Alexander Rossi

Alexander Rossi conquistou a vitória em Aragón

Em Motorland, os meninos da Red Bull não tiveram um bom final de semana. Ricciardo sequer participou da rodada – sendo substituído por Lewis Williamson – por estar na F1 em um treino livre pela Toro Rosso. Jean-Éric Vergne, por sua vez, não foi liberado pelos rubro-taurinos para participar dos treinos. Chegou direto para correr, praticamente, e não conseguiu top-5, mesmo terminando as duas provas nos pontos.

Com a oportunidade de treinar em Spa-Francorchamps, o rendimento do francês melhorou. Wickens venceu a primeira corrida na Bélgica e JEV foi o segundo. Os dois se inverteram na segunda prova, com a Carlin dominando o final de semana com duas dobradinhas. Costa e Chris van der Drift conseguiram um pódio cada. Os brasileiros não pontuaram.

Enquanto JEV aproveitou a etapa belga para entrar na briga pelo título, Ricciardo foi bastante criticado. O australiano terminou em décimo e em nono, muito longe de alguém que era considerado o favorito absoluto ao título. Em Monza, a fase do piloto não melhorou. Ricciardo foi punido após o treino classificatório sendo obrigado a largar em último. Vitória de Korjus após nova pole de Cesar Ramos.

A segunda corrida da rodada italiana só terminou meses depois. JEV venceu, enquanto Ricciardo conquistou a segunda colocação. Apesar disso, o francês foi punido em 10s por cortar uma chicane, dando a vitória para o companheiro de Red Bull Junior Team. A Carlin recorreu, e a decisão saiu só no segundo semestre do ano devolvendo os pontos a Vergne.

Daniel Ricciardo

A largada em Mônaco até pareceu F1. Carros com as corres da Red Bull, da Marussia e da Renault nas primeiras posições

O bom desempenho em Monza motivou Ricciardo. Em Mônaco, o piloto da ISR se aproveitou do tempo extra de pista – ao também ter testado pela Toro Rosso – para conseguir a pole-position com facilidade. Ricciardo largou na frente e dominou a corrida de ponta a ponta, apesar de ter sido pressionado por Wickens durante toda a prova. Com Brendon Hartley terminando na terceira colocação, o pódio foi formado por três pilotos que já fizeram parte do Red Bull Junior Team em algum momento.

Quem não andou bem em Mônaco foram Vergne e Rossi. Enquanto o francês foi apenas o 12º, o americano abandonou. A sorte de ambos não melhorou muito em Nürburgring. Vergne voltou a não conseguir terminar uma prova, terminando a outra em quarto. Rossi sequer completou uma volta na pista alemã.

O fraco desempenho do francês não podia ter vindo em uma etapa pior. O líder da temporada após a corrida alemã ganharia um treino com um carro antigo da Renault e o piloto era um dos que estava na briga, ao lado do companheiro de equipe, Robert Wickens. O canadense se aproveitou dos problemas do companheiro para conquistar duas pole-position, vencer uma prova e terminar a outra em segundo.

Aliás, foi justamente em Nurburgring que Kevin Korjus venceu pela terceira vez na temporada. O estoniano de apenas 19 anos fez uma prova história ao receber a bandeira quadriculada na frente mesmo largando em último. É claro que ele contou com a entrada do safety-car após um acidente entre Jake Rosenzweig e Anton Nebylitsiy e foi beneficiado por já ter ido aos boxes, mas é uma tática justa. Cesar Ramos e André Negrão conseguiram bons resultados no geral.

Robert Wickens e Jean-Éric Vergne

A briga pelo título ficou entre Robert Wickens e Jean-Éric Vergne

Com a luta pelo título praticamente restrita aos garotos da Carlin, JEV se recuperou em Hungaroring ao conquistar duas vitórias e vendo Wickens terminando uma na quinta colocação e a outra em sétimo. O canadense deu o troco em Silverstone ao vencer as duas, enquanto o companheiro-rival acumulou apenas um quarto lugar.

A temporada nesse momento entrou em uma fase dramática para Cesar Ramos. Apesar de ter conseguido duas pole-position, o brasileiro começou a sofrer para conseguir o orçamento necessário para competir, chegando a correr o risco de ser obrigado a ceder a vaga a outro piloto. Um investidor apareceu e Ramos pode continuar.

No dia 17 de setembro a World Series chegou ao circuito de Paul Ricard para a penúltima etapa da temporada. Correndo em casa, JEV mostrou que estava recuperado ao cravar a pole-position para a primeira corrida. O piloto novamente venceu com facilidade, mas não conseguiu descontar pontos importantes para o campeonato, já que o canadense terminou logo em seguida.

Vergne voltou a largar na frente na segunda prova, mas o piloto não foi páreo para Alexander Rossi e Daniel Ricciardo. O quarteto fantástico voltou a mostrar a melhor forma com três representantes no pódio e Wickens só não completando a fila por conta de problemas durante a prova. Apesar disso, o canadense ainda marcou a melhor volta.

Robert Wickens e Jean-Éric Vergne chegaram a Barcelona para a rodada decisiva separados apenas por dois pontos. O clima para a decisão era tenso, com os pilotos decidindo não trabalhar na mesma garagem, mesmo sendo companheiros de equipe. Na manhã do sábado, Wickens deu um enorme passo para o título ao marcar a pole-position para a primeira prova. JEV não foi bem, largando apenas em nono.

Na corrida, enquanto o francês passou cada um dos rivais, Wickens disparou na frente. O canadense recebeu a bandeirada com uma vantagem de 21s para o companheiro de equipe e abriu uma diferença de nove pontos. A prova ainda foi marcada pelo forte acidente de Adrien Tambay, motivado por uma falha nos freios do carro do francês. Para azar do garoto, ele só competiu na rodada catalã devido a uma crise de labirintite de André Negrão. O desfecho da temporada, portanto, não foi o mais animador para nenhum dos dois.

Na corrida decisiva, pole-position para Albert Costa. Wickens largaria em segundo, enquanto Vergne, em quinto. No início da prova, o canadense tentou ganhar posições por fora, mas foi bloqueado pelos rivais. JEV mergulhou para ultrapassar o companheiro, mas ambos se tocaram duas vezes. O carro de Wickens teve a suspensão quebrada e se encaminhou à área de escape, mas também atingindo Nathanael Berthon.

Vergne seguiu na corrida, conquistando o título se as posições não se alterassem. Mas o carro da Carlin estava danificado e ele foi obrigado a ir aos boxes para fazer os reparos. No retorno à pista, o francês brigava para entrar na zona de pontos e pode sonhar com a taça até ser acertado por Fairuz Fauzy. Fim de prova para JEV e título de Wickens.

No final, com os dois carros da Carlin tendo abandonado, a vitória ficou com Albert Costa, a primeira do espanhol na categoria. Após a vitória, o piloto falou que essa pode ter sido a última corrida da carreira, já que sofreu com a falta de investidores em 2011.

No campeonato, Wickens levantou a taça depois dos vice-campeonatos da F2 e da GP3 em sequência. O piloto somou 241 pontos contra 233 de JEV. Alexander Rossi terminou o ano em terceiro, enquanto Costa foi o quarto. Daniel Ricciardo foi apenas o quinto, mas o australiano também não correu em Barcelona por conta do GP de Cingapura da F1, que aconteceu na mesma data.

Ao longo das 18 etapas de 2011, apenas quatro pole-position e quatro vitórias não foram obtidas pelo quarteto fantástico. Para 2012, JEV e Ricciardo serão a dupla da Toro Rosso na F1, enquanto Alex Rossi deve correr pela Air Asia na GP2. Wickens, mesmo com o título, ainda não anunciou planos, embora conte com apoio da Marussia.

Destaque de 2011 com três vitórias, Korjus deve voltar a competir na categoria. O estoniano terminou o ano na sexta colocação. Cesar Ramos, o 11º, também negocia para permanecer na World Series by Renault, enquanto a participação de André Negrão (20º) deve ser confirmada no início do próximo ano. O piloto deve seguir com a Draco.

Em 2012, nas vagas ocupadas pelo quarteto fantástico, a Carlin já confirmou que terá Kevin Magnussen e Will Stevens, enquanto a Fortec anunciou Carlos Huertas. A ISR ainda não falou em nenhum nome, mas deve ter Laurens Vanthoor, além do retorno de Dean Stoneman, enfim recuperado do câncer.  Yann Cunha, na Pons, é o único brasileiro confirmado até o momento, mas Lucas Foresti e Felipe Nasr também podem aparecer.

2011 World of Motorsport Rookie of the Year

dezembro 23, 2011
Paul Di Resta

Paul Di Resta comemorou muito quando soube ter sido eleito o Rookie of The Year por este blog

Para poder avaliar os cinco novatos da temporada 2011 da F1, o World of Motorsport fez um campeonato à parte entre esses pilotos. A cada prova, eles receberam pontos no clássico esquema 10-6-4-3-2-1, além de bônus para cada ponto que marcaram no campeonato normal da Fórmula 1.

Além dos quatro estreantes regulares – Pastor Maldonado, Paul Di Resta, Sergio Pérez e Jérôme D’Ambrosio – Daniel Ricciardo também entrou na competição por ter iniciado o campeonato na metade.

Assim, após o GP do Brasil, a pontuação dos cinco concorrentes foi contabilizada, e o resultado da tabela de pontos foi referendado. Paul Di Resta foi eleito o World of Motorsport Rookie of The Year de 2011, ao somar 176 pontos, em 2011.

Sergio Pérez ficou com a segunda colocação, com 133. O mexicano teve as chances de conquistar o título bastante comprometidas quando ficou de fora dos GPs de Mônaco e do Canadá. Enquanto o piloto da Sauber estagnou nessas duas etapas, Di Resta somou 16 pontos e disparou na liderança. A diferença final – de 43 pontos – no entanto, mostra que mesmo se Pérez tivesse corrido nessas duas provas dificilmente teria como desafiar o rival.

A terceira colocação foi de Pastor Maldonado, com 84, enquanto D’Ambrosio foi o quarto, com 72. O belga, aliás, recebeu 10 pontos apenas em um GP, no Canadá, quando os rivais abandonaram. Maldonado também conseguiu a pontuação máxima em uma única oportunidade, na Bélgica, quando também ganhou um ponto de bônus – garantindo 11 no total – devido à décima colocação na corrida.

Por ter entrado na temporada de forma atrasada e em um carro frágil como a Hispania, Ricciardo somou apenas 30 pontos.

Para relembrar, em 2010, Vitaly Petrov – que passou todo o final da temporada sem destaque – segurou Fernando Alonso na corrida de Abu Dhabi, garantiu os 10 pontos pela vitória entre os novatos e ainda ganhou oito pontos de bônus, para assumiu a liderança somando 147 pontos. Com isso, o russo foi o vencedor do primeiro prêmio World of Motorsport Rookie of The Year, de 2010. Em segundo lugar terminou Kamui Kobayashi com 135, seguido por Nico Hulkenberg, com 134. Depois vem Lucas Di Grassi, 55; Bruno Senna, 53 e Karun Chandhok, 38.

Para 2012, até o momento, apenas Jean-Éric Vergne e Charles Pic poderão participar da competição, já que Romain Grosjean, Daniel Ricciardo e Hulkenberg estão retornando à categoria. Obviamente, o mesmo vale também para Kimi Raikkonen e Pedro de la Rosa.

 Rookie of the Year:
Paul Di Resta 176
Sergio Pérez 133
Pastor Maldonado 84
Jérôme D’Ambrosio 72
Daniel Ricciardo 30

As vitórias do Brasil em 2011

dezembro 20, 2011
Felipe Nasr

Felipe Nasr conquistou sete vitórias na primeira metada da temporada 2011 da F3 Inglesa. Levou o título e ainda terminou em segundo em Macau

O ano de 2011 foi bastante decepcionante para os pilotos brasileiros, de uma forma geral. Na F1, Felipe Massa e Rubens Barrichello não conseguiram conquistar bons resultados, enquanto Bruno Senna teve um início bastante promissor, mas também acabou frustrando os fãs.

Na Indy, Helio Castroneves, Tony Kanaan, Vitor Meira e Bia Figueiredo também não venceram. Nem Luiz Razia, na GP2, ou Pedro Nunes e Leonardo Cordeiro na GP3.

O resultado foi uma queda no número de vitórias em relação ao 2010, como aponta este levantamento feito pelo World of Motorsport. Ao longo de 2011, e sem contar o Mini Challenge da Argentina, os pilotos brasileiros venceram em campeonatos internacionais 40 vezes contra 52 alcançadas em 2010 – que você pode clicar aqui para relembrar.

O primeiro triunfo, aliás, veio logo cedo no terceiro dia de janeiro, quando Vinícius Perdigão surpreendeu a todos ao receber a bandeira quadriculada em uma etapa do campeonato de inverno da USF2000. Esse, na realidade, foi o único triunfo do piloto no ano. A vitória veio logo na estreia nos monopostos.

Depois de Perdigão, nomes consagrados do automobilismo brasileiro, como Jaime Melo, Augusto Farfus e João Paulo de Oliveira chegaram ao lugar mais alto do pódio.

Fabio Gamberini

Fabio Gamberini no alto do pódio foi uma cena bastante comum na F3 Espanhola, na divisão Copa. O piloto, aliás, também venceu na classe principal

Mas as conquistas não ficaram apenas com os pilotos já conhecidos. Em 2011, as futuras promessas também tiveram espaço. Fabio Gamberini, Felipe Nasr e Pietro Fittipaldi foram campeões da F3 Espanhola (divisão Copa), F3 Inglesa e Limited Late Models e, no caminho para a taça, lideraram o país nas vitórias internacionais. Juntos contabilizaram 21 triunfos, mas vale lembrar que nove das conquistas de Gamberini foram apenas na divisão Copa. Contando também os carros da divisão principal, o paulista venceu apenas uma vez.

Por fim, Pietro Fantin, Yann Cunha e JV Horto conquistaram a primeira vitória da carreira no exterior em 2011.

Abaixo você pode conferir cada uma das vitórias internacionais em 2011, lembrando que há distinção, sim, de triunfos em categorias diferentes que dividem a mesma pista. Como carros protótipos e GTs, por exemplo.

Fabio Gamberini 10 F3 Espanhola Spa 1 geral 9 vitórias F3 Espanhola Copa
Felipe Nasr 7 F3 Inglesa Monza 1 F3 Inglesa Monza 3 F3 Inglesa Oulton 3
Pietro Fittipaldi 4 Hickory LLM 4 vitórias
Augusto Farfus 3 24 Horas de Dubai ILMC Zhuhai 24 Horas de Nürburgring (cat)
Lucas Foresti 3 F3 Inglesa Oulton 1 F3 Inglesa Snetterton 2 F3 Inglesa BHatch 1
João Paulo de Oliveira 3 F-Nippon Motegi F-Nippon Fuji SuperGT Okayama
Jaime Melo 2 ALMS Road America LMS Imola
Victor Corrêa 2 F3 Espanhola França 1 F3 Espanhola BHatch 2
Yann Cunha 1 F3 Espanhola Portugal 2
Victor Carbone 1 Indy Lights Las Vegas
JV Horto 1 Star Mazda Mosport
Vinícius Perdigão 1 USF2000 Winter Sebring 1
Pietro Fantin 1 F3 Inglesa Rockingham 1
Victor Guerin 1 F3 Italiana Monza
Fabiano Machado

Mas em 2011 ninguém venceu tanto quanto Fabiano Machado. Foram 17 triunfos em 25 corridas

No Brasil, sem contar Mini Challenge, Audi DTCC e Mercedes Challenge, os pilotos brasileiros conquistaram 175 vitórias em 2011. O número foi maior que o de 2011 devido ao aumento de corridas na F3 Sudamericana e a criação do Brasileiro de Marcas. E foi justamente desses dois certames que vieram os maiores ganhadores do ano.

Fabiano Machado aproveitou a falta de concorrência na F3 para vencer 17 vezes em 25 etapas. Uma marca sensacional, mas bastante relativa devido à falta de adversários competitivos. Valdeno Brito apareceu na segunda colocação com 13 triunfos no ano. O paraibano triunfou sete vezes – ao lado de Matheus Stumpf – para garantir o título do GT Brasil e ainda abocanhou cinco conquistar no Brasileiro de Marcas. A última veio na sensacional etapa de Brasília da Stock Car.

Bruno Bonifácio poderia ter encerrado o ano com mais que 12 vitórias, mas o paulista decidiu deixar a F3 Sudamericana – onde competia na divisão Light – para correr na Itália depois de assegurar o título por antecipação. Campeão do Brasileiro de Marcas, Thiago Camilo venceu nove vezes também contando com os êxitos na Stock Car, assim como Constantino Junior que levantou a taça da Porsche Cup.

Cacá Bueno (Stock Car e Trofeo Linea), Guilherme Silva (F-Futuro) e Matheus Stumpf (GT Brasil) foram outros campeões que se destacaram por vitórias.

Abaixo você pode conferir os principais vencedores no Brasil em 2011. Lembrando que eu posso ter esquecido alguém em ambas as relações. Caso você perceba um nome faltando, pode avisar que será alterado.

Fabiano Machado 17 F3 Sudam 17
Valdeno Brito 13 Brasileiro de Marcas 5 Stock DF GT Brasil 7
Bruno Bonifácio 12 F3 Light 12
Thiago Camilo 9 Brasileiro de Marcas 6 Stock Curitiba Stock Corrida do Milhão Stock Salvador
Constantino Junior 9 Porsche Cup 9
Cacá Bueno 8 Stock Interlagos Stock Rio Stock Londrina Linea 5
Guilherme Silva 7 F-Futuro DF 1 F-Futuro Velopark 2 F3 Sudam Velopark 1, 2 e 3 F3 Sudam Santa Cruz do Sul 1 e 2
Matheus Stumpf 7 GT Brasil 7
Ricardo Landucci 6 F3 Light 6

A decisão da Nascar em Homestead-Miami

dezembro 12, 2011
Tony Stewart

Tony Stewart pôde comemorar o terceiro título na Nascar depois de vencer o duelo contra Carl Edwards

A etapa de Homestead-Miami, realizada no dia 20 de novembro, talvez tenha sido uma das corridas mais disputadas da história da Nascar, sem contar as provas em Daytona e Talladega.

E mesmo que não tenha sido uma das provas mais emocionantes de todos os tempos, ao menos garantiu o final de campeonato mais acirrado. Pela primeira vez na Nascar, dois pilotos terminaram o ano empatados no número de pontos. Tony Stewart só garantiu o tricampeonato em cima de Carl Edwards por conta dos critérios de desempate – o número de vitórias.

Apesar de o campeonato ter terminado empatado, não foi essa a sensação que os torcedores tiveram, afinal o título foi literalmente definido na pista. Tony Stewart venceu e Edwards terminou em segundo, em uma corrida que ambos duelarem do início ao fim.

O título foi definido a partir de um lance de sorte no final da prova. Darian Grubb, então mecânico-chefe de Stewart, optou por levar o carro de número 14 a uma tática de economia de combustível, algo similar à utilizada por Dario Franchitti no primeiro título da Indy correndo pela Ganassi.

Analisando a corrida, é possível imaginar que a aposta de Grubb em forçar a economia de combustível não se deu somente por conta do perigo da chuva nem a uma aposta ao acaso. A tática era devolver Stewart à pista à frente do rival, por isso ele faria uma parada a menos, mesmo que em algum momento isso pudesse custar desempenho.

O posicionamento passou a ser fundamental na disputa pelo título, já que em toda a prova houve uma única ultrapassagem envolvendo os dois concorrentes. Foi no 4-wide, quando Stewart só conseguiu passar Edwards, porque este estava preso no tráfego.

Enquanto Stewart ficava na pista por conta da tática, todos os outros adversários foram aos boxes e voltaram à prova muito mais rápidos por conta dos pneus novos. O piloto, então, fez a parada e caiu para a nona colocação. Duas voltas mais tarde, começou a chover, obrigando todo mundo a retornar ao pit-lane. Menos Stewart.

O piloto do carro número 14 relargou em terceiro, enquanto Edwards era o quinto. Como os dois não tiveram mais um duelo direto. Stewart levou o tricampeonato.Vale ressaltar, também, que no final da corrida Stewart levou vantagem por ter trocado quatro pneus pouco antes da chuva e Edwards ter mudado apenas dois, para garantir posição de pista. Com dois pneus contra quatro, ficou difícil para o piloto da Ford.

A história da prova – e os bastidores de antes da corrida – você vê no vídeo abaixo:

No Texas, Tony Stewart provou que quer ser campeão

novembro 8, 2011
Carl Edwards Tony Stewart

Tony Stewart ultrapassou Carl Edwards no confronto direto no Texas e não pode ser acusado de que não quer ser campeão

No automobilismo, hora ou outra a máxima de ‘parecia que ninguém queria ser campeão’ é utilizada. Geralmente serve para retratar uma decisão de título onde os pilotos envolvidos tropeçam de forma conjunta e um passa a depender de erros ainda maiores dos adversários para garantir a taça.

Essa, no entanto, não é uma acusação que pode ser feita a Tony Stewart. De forma até mesmo surpreendente, o americano está na disputa pelo título da temporada 2011 da Nascar e agora chega a Phoenix apenas três pontos atrás do líder, Carl Edwards.

Stewart venceu incríveis quatro corridas das oito disputadas no Chase até agora, igualando o recorde estabelecido por Jimmie Johnson em 2007. O piloto começou triunfando em Chicagoland e em New Hampshire, mesmo depois de ter dito que seria apenas um coadjuvante na batalha pelo título. Na época, Stewart declarou que o sucesso da equipe se dava por ele ter se livrado de “peso morto” que estava atrapalhando o resultado. Só que o próprio piloto não deu maiores detalhes de sobre o que estava falando.

Depois veio o mais impressionante. O bicampeão venceu as corridas de Martinsville e do Texas com personalidade. Na primeira, ultrapassou Jimmie Johnson por fora na última relargada e, além de comemorar a conquista, praticamente selou a eliminação de chances de título do pentacampeão. No Texas, Stewart repetiu o movimento contra Edwards e conquistou importantes pontos pela vitória ao vencer o maior adversário em um confronto direto. Tony, assim, está mostrando que realmente quer ganhar esse título.

Após as duas primeiras vitórias, eu escrevi que Stewart não ainda não podia ser considerado favorito. Na época, realmente ele não podia. Após essas duas conquistas, o piloto foi apenas o 25º, em Dover, e terminou em 15º no Kansas. Em Charlotte e em Talladega, foram mais dois TOP 10 discretos, e se Stewart voltou à briga pelo campeonato foi principalmente devido aos acidentes dos rivais.

Além de tudo isso, o piloto ainda precisa quebrar um tabu sobre o líder do Chase após as duas primeiras etapas jamais ter conseguido conquistar o campeonato no fim do ano.

Faltando apenas duas provas, Edwards tecnicamente é favorito para ambas. No entanto, isso não quer dizer que Tony Stewart não possa conseguir bons resultados. Nos treinos em Phoenix, o piloto da Chevrolet esteve constantemente entre os mais rápidos, ao contrário do adversário. E vale lembrar que no Texas, o carro número 99 era o mais cotado para a vitória, então não tem nada definido.

Matematicamente, Kevin Harvick e Matt Kenseth ainda podem ser campeões, mas eles precisam de milagres nessas duas últimas etapas. O primeiro precisa descontar 33 pontos para o líder, enquanto o segundo está 38 atrás. Se eles não vencerem as corridas finais, vão precisar contar com improváveis 43º lugares dos ponteiros.

Fabio Gamberini é campeão da divisão Copa da F3 Espanhola

novembro 2, 2011
Fabio Gamberini

Mais importante que o título de Fabio Gamberini na divisão Copa foi ter competido de igual para igual com os carros da divisão principal

Depois de Felipe Nasr e Pietro Fittipaldi, Fabio Gamberini foi o responsável por conquistar o terceiro título internacional do Brasil em 2011. O paulista foi campeão da divisão Copa – espécie de National Class – da F3 Espanhola no último domingo, ao terminar a primeira corrida da rodada de Barcelona na 13ª colocação, sendo o terceiro melhor classificado na divisão.

Apesar disso, Gamberini não conseguiu entrar para a história da F3. O paulista, que disputou a F3 Espanhola em 2011 terminou o ano apenas na terceira colocação na classificação geral, somando 79 pontos, contra 120 do campeão Alex Fontana. Caso tivesse sido campeão, o brasileiro teria sido o primeiro piloto na história da F3 a conquistar o título da divisão principal correndo com um carro defasado.

Ainda assim, o resultado do brasileiro foi muito bom. Mesmo com um equipamento inferior – Fabio pilotava um Dallara F306 ante aos F308 dos adversários –, o piloto competiu de igual para igual com os carros da divisão maior e conseguiu três pódios ao longo do ano, incluindo uma vitória em Spa-Francorchamps.

Vale destacar, também, que apesar dos três garotos terem 19 anos, o brasileiro era quem tinha menos experiência. Fumanelli já estava no terceiro ano na categoria, Fontana era um estreante embora tivesse corrido na F3 Italiana em 2010, enquanto Gamberini acabara de fazer a transição da F-Renault UK.

Dito isso, vale ressaltar alguns pontos. O primeiro deles é que a F3 Espanhola não é uma categoria do primeiro escalão, por isso mesmo é possível questionar a qualidade de muitos dos pilotos. Ainda assim, volta e meia aparece um piloto revelado pelo certame em alguns dos principais campeonatos europeus, como a GP2 ou a World Series by Renault.

Um bom exemplo para Gamberini pode ser o francês Nelson Panciatici. O piloto disputou a F3 Espanhola em 2008 – após dois anos de F-Renault – e terminou como vice-campeão também com um carro desatualizado em relação aos adversários. Ao contrário do brasileiro, Panciatici não venceu nenhuma corrida – embora tenha subido seis vezes ao pódio – nem venceu a divisão Copa. A pontuação, na época, também era diferente.

Depois de deixar a F3 após competir apenas em 2008, o francês já passou por GP2, F-Superleague  e este ano competiu na World Series by Renault, onde conquistou certo destaque ao fazer algumas boas corridas e finalizar a temporada na nona colocação.

A exemplo da F3 Espanhola, Panciatici também não é um piloto top das categorias de base, mas ele provou que o torneio ibérico é, sim, uma opção viável para os pilotos de um segundo ou terceiro escalão do automobilismo.

Voltando ao Fabio Gamberini, resta agora saber o que o garoto vai fazer em 2012. Se ele vai continuar na categoria e tentar também o título da divisão principal, como seria de praxe, ou se vai aproveitar a conquista para tentar voos mais altos.

A promissora geração 2011 do automobilismo brasileiro

outubro 30, 2011
F-Futuro grid

Mesmo com grids vazios, as categorias de base brasileiras conseguiram revelar alguns bons pilotos

Este domingo, dia 30, marcou o final da temporada 2011 das categorias de base no Brasil. Tanto a F-Futuro quanto a F3 Sudamericana tiveram as etapas derradeiras e conheceram os respectivos campeões.

Ok, na F3 ninguém sabe se essa foi a última etapa, pois sumiram com a rodada de Londrina. Devido aos problemas no asfalto de lá, que se soltava durante a etapa da Stock Car, cancelaram a etapa, mas não houve, até o momento, o anúncio de que ela será ou não substituída. De qualquer forma, Fabiano Machado e Bruno Bonifácio já haviam conquistado o título da divisão principal e da Light, respectivamente, por antecipação.

Correndo sozinho, Bruno foi campeão da divisão Light com tamanha antecdência, que se mandou para a Itália onde foi correr de F-Abarth pela equipe Prema. Em quatro rodadas, teve um sexto lugar como melhor resultado, mas teve como ponto fraco o desempenho na primeira corrida do final de semana, ao acumular dois abandonos e uma 14ª colocação. Como a segunda prova conta com a regra do grid invertido, o piloto teve sempre o resultado do final de semana comprometido.

Fabiano, por sua vez, se tornou o maior nome da história recente da F3 Sudamericana. O paulista venceu 16 das 23 corridas realizadas no ano para garantir o título. Embora ele não tenha competido sozinho, literalmente falando, enfrentou poucas dificuldades para garantir o título, já que os principais adversários não fizeram a temporada completa da categoria. Por conta da taça, Machado vai testar pela World Series by Renault no já tradicional treino dos campeões e planeja ficar pela Europa no próximo ano.

Fabiano Machado

Fabiano Machado venceu com facilidade a temporada 2011 da F3 e bateu uma série de recordes da categoria

Ao contrário de Bruno, que deixou o Brasil aos 17 anos de idade, Fabiano tem 25. Não o conheço e não sei que planos ele tem para a carreira, mas se visa a F1 ou a Indy a idade é um fator que vai pesar na hora da decisão da equipe, caso ele não tenha nenhum outro recurso $$. Por isso mesmo, acho que pode ser interessante ele pensar em caminhos alternativos na carreira, como correr de F2 ou AutoGP, que embora não contem com pilotos do primeiro escalão, são disputadas por carros mais potentes que o F3 e garantem como prêmio treinos na F1 e na GP2.

Ainda sobre a F3 Sudamericana, como você pode suspeitar, a categoria sofreu o ano todo com o problema de poucos carros no grid. Em Brasília, na etapa realizada neste final de semana, não foi diferente. A organização do campeonato anunciou extensivamente a estreia do piloto Felipe Fraga no certame. Fraga, para quem não conhece, é um dos principais kartistas brasileiros e que começa a fazer a transição para os monopostos. Quando o garoto viu que só iam ter seis carros na disputa e mesmo assim sendo necessário um budget elevado, ele foi embora e deixou os organizadores da F3 naquela situação constrangedora em que precisaram desmentir o divulgado por um problema estrutural da própria categoria.

Saindo da F3 e indo para a F-Futuro, Guilherme Silva garantiu o título do campeonato da Fiat ao vencer a última corrida realizada Velopark e contar com o abandono de Jonathan Louis. O piloto mineiro já foi assunto aqui do World of Motorsport em outras oportunidades e foi o grande nome do automobilismo de base no Brasil em 2011. Guilherme começou o ano correndo tanto na F3 quanto na F-Futuro e chegou a ser o líder de ambas até as categorias elas terem conflito de datas.

Mesmo assim, o garoto tentou voar de uma cidade para outra no meio de um final de semana para tentar perder o menor número de provas possível. O resultado dessa experiência foi péssimo, pois ele perdeu a ponta dos dois campeonatos, só recuperando a liderança da F-Futuro justamente nessa última etapa quando se sagrou campeão. O título da categoria, aliás, veio quando Guilherme passou a focar somente neste campeonato, deixando a F3 para quando não tivesse concorrência na agenda. Deu certo e ele foi campeão.

Guilherme Silva

Guilherme Silva estreou na F3 Inglesa na etapa de Silverstone, participando como convidado. Conseguiu o 14º lugar como melhor resultado

Como prêmio, o garoto ganhou uma bolsa para disputar um campeonato europeu de base. Não sei exatamente o que os organizadores consideraram um campeonato de base. Para mim, a GP2 é um desses certames, mas não creio que ele tenha ganhado € 2 milhões – que é o preço da GP2 – pelo título. Ao contrário de Fabiano Machado, Guilherme Silva tem idade para disputar os campeonatos de base na ordem certa. Isto é, para o próximo ano ele poderia competir na F3/GP3, por exemplo, pois já demonstrou estar preparado para isso. Além de ser bastante jovem, o garoto ainda conta com o apoio da equipe inglesa Hitech, para quem correu na F3 daqui.

Ainda na F-Futuro, outro piloto que merece destaque é Victor Franzoni. Acho que quem acompanha o automobilismo de base no Brasil sabe que fazia muito tempo que não surgia um piloto arrojado igual o paulista. Mesmo tendo apenas 16 anos, Franzoni demonstrou ser um piloto extremamente brigador por posições e com capacidade de fazer voltas rápidas dentro de uma corrida. Por isso mesmo, acumulou também uma série de erros e acidentes.

No restante, Luir Miranda e Guilherme Salas, ambos da F-Futuro, foram gratas surpresa, principalmente o carioca, que viu o equipamento deixá-lo na mão, quando era favorito. O importante agora é esses dois – assim como os demais garotos da categoria – não deixarem a carreira estagnar. Seja voltando para a F-Futuro no ano que vem ou dando um passo maior,o ideal é que eles continuem em atividade. Não pode acontecer igual ao ano passado em que apenas três garotos – Nicolas Costa, João Jardim e John Louis – deram prosseguimento à carreira. Os demais tiveram problemas orçamentários e/ou sumiram.

No geral, o ano de 2011 foi marcado por grids curtos tanto na F3 Sudamericana quanto na F-Futuro. Apesar disso, as categorias conseguiram cumprir o papel de revelar bons pilotos. Prova disso são os bons resultados de Bonifácio, Silva e Franzoni competindo de igual para igual com os adversários nos certames europeus. É claro que é cedo para falar se essa geração é melhor do que a dos anos anteriores,  mas pode ser o início da renovação dos pilotos brasileiros pelo mundo.

O 114º título da carreira de Casey Stoner

outubro 20, 2011
Casey Stoner

Casey Stoner conquistou o 114º título da carreira, em Phillip Island

No fim do mês passado, fiz um post aqui no World of Motorsport, que lembrava quais pilotos já tiveram a sorte de conquistar um título no dia em que fizeram aniversário. Algo deveras raro, na realidade. Você pode clicar aqui para relembrar quem são eles.

Pois bem, neste domingo, dia 16, mais um piloto entrou para essa seleta lista: o australiano Casey Stoner. Nascido nessa mesma data, obviamente, mas em 1985, o piloto conquistou o segundo título da MotoGP justamente na Austrália com duas rodadas de antecipação.

É bem verdade que a temporada 2011 do australiano foi facilitada pelo fraco desempenho da Ducati de Valentino Rossi e Nicky Hayden, e dos acidentes e fraturas de Dani Pedrosa e Jorge Lorenzo. Ainda assim, o retrospecto do piloto na pista não pode ser criticado. Stoner venceu nove das 16 etapas disputadas até agora, conseguiu 11 pole-position e só ficou de fora do pódio em Jerez, quando abandonou, ainda na segunda rodada.

Stoner também encerrou um jejum de títulos da Honda, que durava desde a conquista de Hayden em 2006.

Da forma dominante que aconteceu, a segunda conquista de Stoner o deixou ainda mais consolidado como um dos pilotos fora de série da MotoGP, assim como Jorge Lorenzo ou como Valentino Rossi um dia foi.

Curiosamente, Stoner nunca foi um piloto de grande destaque nas categorias menores da MotoGP. Nos seis anos em que correu entre 125cc e 250cc, o piloto no máximo conquistou o vice-campeonato da 250cc em 2005, um ano antes de subir à divisão principal. Antes disso, o australiano passou por aquela fase do ‘elevador’, digamos, em que subiu e desceu de categorias até conseguir se adaptar.

Mesmo assim, o jovem Casey Stoner foi dono de algumas marcas bastante curiosas. Claro que nenhuma chega perto da habilidade de ser campeão no próprio aniversário, mas algumas valem ser citadas. Correndo na Austrália, o piloto conquistou apenas 111 títulos dos nove aos 14 anos de idade. Não faço ideia de como isso possa ser matematicamente possível, mas creio que esses campeonatos devem ser disputados apenas em um final de semana, podendo um piloto ser campeão várias vezes no mesmo ano.

Quer dizer, Valentino Rossi é heptacampeão da MotoGP, o Brasil está rumo ao hexa do futebol e o Casey Stoner é o quê? Centésimodécimoprimerocampeão?

Bom, não sei como funcionam os campeonatos na Austrália, mas outra história curiosa mostra essa fome de títulos do piloto. Quando tinha apenas 12 anos, a família Stoner ia inscrever o pequeno Casey para mais um campeonato local. Naquele final de semana, cinco divisões distintas – todas baseadas na potência das motos – iriam ser disputadas. Por um momento, os Stoner ficaram em dúvida de qual campeonato colocar o filho, mas logo decidiram por inscrevê-lo em todos!

Cada um desses campeonatos, com sete corridas cada, obrigava o garoto usar uma moto diferente. Ou seja, durante aquele final de semana, Stoner pilotou em 35 provas valendo cinco títulos diferentes. O australiano venceu 32 corridas e levantou as cinco taças. Pensando bem, 111 títulos não parece mais tão impossível.

P.S.: o título que faltou para chegar em 114 é um conquistado na Inglaterra, aos 15 anos.


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